23/11/2009 - 17:22h Um dado significativo

estrela_sobeNa cidade de São Paulo o número de votantes nas eleições internas do PT, foi 25% maior que na eleição precedente. O fato mostra uma maior participação das bases nas escolhas dos presidentes e das chapas, além de mostrar a vitalidade da democracia interna do PT. Foram 30.000 os filiados que se apresentaram para votar na cidade de São Paulo. Antonio Donato foi eleito presidente no primeiro turno com 64% dos votos. As correntes que mais cresceram no PT da cidade, foram Novo Rumo e CNB. Ambas apoiaram a eleição do vereador Antonio Donato para presidente do PT municipal. Ambas correntes apoiaram também a eleição de Edinho Silva como presidente do PT Estadual e de José Eduardo Dutra a presidente nacional da sigla. No Estado de São Paulo os três candidatos a presidentes  obtiveram a maioria absoluta do sufrágio dos militantes.

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23/11/2009 - 16:54h Desacelerar depois da ginástica não é crucial

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Por GINA KOLATA
A importância da desaceleração gradual após os exercícios está enraizada na doutrina da ginástica. É citada nos livros de fisiologia, os personal trainers insistem nela, e revistas especializadas recomendam. Em equipamentos de academias, chega a ser algo automático: você digita o tempo que deseja se exercitar, e, quando o tempo termina, a máquina por si só reduz a carga e continua por mais cinco minutos, para que você desacelere.
O problema, diz Hirofumi Tanaka, fisiologista do exercício da Universidade do Texas, Austin, é que praticamente não há base científica para esse conselho.
Essa desaceleração é “um tópico subestudado”, diz. “Todos acham que é um fato estabelecido, então não o estudam.”
Não está claro o que essa desaceleração deveria ser. Alguns dizem que basta continuar em movimento por alguns minutos. Outros afirmam que é preciso passar 5 a 10 minutos fazendo o mesmo exercício, só que mais lentamente. E há quem garanta que é necessário incluir alongamento.
Tampouco está claro para que ela serve. Alguns dizem que alivia a dor muscular. Outros afirmam que evita a rigidez muscular ou que alivia a carga cardíaca.
Os pesquisadores dizem que só há consenso acerca do possível risco de uma parada repentina. Durante exercícios intensos, os vasos das pernas se dilatam para levar mais sangue às pernas e pés, e o coração bate mais rápido. Se você para de repente, seu coração se desacelera, o sangue se acumula nas pernas e aos pés, e você pode ficar tonto e até desmaiar.
Os melhores atletas são os mais vulneráveis, segundo o cardiologista e maratonista Paul Thompson, pesquisador do exercício do Hospital Hartford, em Connecticut (EUA). “Se você é bem treinado, seu ritmo cardíaco já é lento e se desacelera com ainda mais rapidez com o exercício”, disse.
Esse efeito pode ser nocivo para alguém com uma doença cardíaca, disse o fisiologista Carl Foster, da Universidade de Wisconsin em La Crosse, explicando que, nesses casos, os vasos sanguíneos que chegam ao coração já estão mais estreitos, dificultando a passagem do sangue.
Mas isso importa para o atleta comum, mediano? “Provavelmente não muito”, disse Thompson. E, de qualquer forma, a maioria das pessoas não fica parada como pedra quando a ginástica termina. Elas andam até o vestiário, até o carro ou até sua casa, beneficiando-se da desaceleração sem oficialmente “desacelerar”. A ideia da desaceleração parece ter se originado da teoria popular -hoje desmentida- segundo a qual os músculos doem depois do exercício por acumularem ácido láctico.
Na verdade, o ácido láctico é um combustível. É uma parte normal do exercício e nada tem a ver com a dor muscular. Mas a teoria do ácido láctico levou à noção de que reduzir lentamente a intensidade da atividade permitiria que a substância se dissipasse.
Segundo Tanaka, um estudo com ciclistas concluiu que, sendo o ácido láctico bom, é melhor não desacelerar depois de um exercício intenso. O ácido láctico era revertido em glicogênio, um combustível muscular, quando os ciclistas simplesmente paravam. Quando desaceleravam, era desperdiçado na alimentação dos músculos.
E, quanto à dor muscular, a desaceleração não a alivia, segundo Tanaka. E a rigidez muscular? “Não há dados para apoiar a ideia de que a desaceleração ajuda”, disse Foster.
Os pesquisadores do exercício dizem seguir os seus próprios conselhos. Thompson afirma que, se está fazendo uma atividade puxada em pista, caminha uma curta distância ao terminar, para evitar a tontura. Já Tanaka não desacelera nada. Ele joga futebol e diz que não vê uma razão específica para fazer nada após o exercício a não ser, simplesmente, parar.

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23/11/2009 - 16:54h PT de Santo André leva disputa para segundo turno

Leandro Amaral e Aline Bosio – Repórter Diário

O Partido dos Trabalhadores elegeu neste domingo (22/11) em todos os níveis – municipal, estadual e nacional – a nova cúpula da sigla. No ABC, apenas o diretório municipal de Santo André não definiu o novo dirigente, levando a disputa para o segundo turno, agendado para o dia 6 de dezembro.

No reduto andreense, que conta com 4.490 filiados, apenas 2.550 militantes votaram. A maioria escolheu Luiz Turco (1.142 votos, 47,25%), seguido por Antônio Padre (355 votos, 14,69%), Tiago Nogueira (322 votos, 13,4%) , Valdir da Hora, o Didi (299 votos, 12,37%), Carlão (229 votos, 9,47%) e Ivo Martim (67 votos, 2,77%).

No segundo turno, Tiago Nogueira e Carlão já anunciaram que vão apoiar o nome de Antonio Padre – que é apoiado pelo ex-prefeito João Avamileno e por uma ala ligada à Ivete Garcia.

São Bernardo
O atual presidente Wanderley Salatiel, como previsto, venceu o PED em São Bernardo. Com apoio do cinco dos seis vereadores e do prefeito Luiz Marinho (PT), o petista foi reconduzido ao cargo por mais três anos. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, militante histórico da legenda em São Bernardo, não compareceu para registrar o sufrágio.

“A união foi construída durante os dois anos (atual mandato). Eu trabalho juntando nossa militância e, por pouco, não conseguimos o consenso. O povo decidiu que a gente continuasse devido ao trabalho na base”, vibrou, destacando que a prioridade, em 2010, é a reeleição dos deputados Vicentinho (federal) e Ana do Carmo (estadual), além da propagação das candidaturas do PT à sucessão do Planalto – com Dilma Rousseff – e à sucessão do governo paulista – cujo candidato ainda está indefinido.

Dos 6.627 filiados aptos, 2650 compareceram. Salatiel conquistou 1967, contra 307 do vereador Luisinho e 113 de Tauvanes. O restante foi nulo e branco.

Diadema
Os petistas compareceram em grande número na votação do PED deste domingo. Eram esperados cerca de quatro mil votantes e compareceram 3.298. Josemundo Dário Queiroz, o Josa – que teve o apoio do prefeito Mário Reali (PT) – foi o mais votado, com 2,2 mil (71.82%), seguido de Licio Gonzaga Lobo, que contabilizou 527 votos (17.20%). O suplente a vereador do PT, Ronaldo Lacerda teve 301 votos (9.83%) e professor Reinaldo com 35 votos (1.14%). Nulos e brancos foram 81 votos e 154 votos, respectivamente. A nova direção do partido tomará posse no dia 20 de fevereiro de 2010.

Mauá

Candidato único, Leandro Dias sagrou-se vitorioso com cerca de 3.200 votos. Ele afirma que a legenda fará um amplo debate com a militância e a sociedade no intuito da conscientização política com foco no próximo pleito. “É a compreensão de que a unidade somente fortalece o partido na cidade. Pela primeira vez não teremos Lula na disputa e, por isso, precisamos ter força para vencer. Nós compreendemos que a unidade é o primeiro passo para essa força. As condições estão reunidas não só para a unidade, mas para um mandato em torno de um consenso”, disse.

São Caetano

Em São Caetano, o vencedor do processo eleitoral interno é o vereador Edgar Nóbrega, que recebeu 609 votos, o equivalente a 58,4% do total. Em segundo lugar na preferência dos militantes ficou Marco Antônio Guilherme (399 votos, 38,2%), seguido de Arquimedes Lazeri (35 votos, 3,45%). Dos 1.087 votos, 25 foram brancos e 19 nulos. Na cidade, são 2,5 mil filiados.

Na busca pelo renascimento do partido na cidade, que desde a saída de Hamilton Lacerda, não conseguiu preencher o espaço de principal voz oposicionista, o novo dirigente municipal, Edgar Nóbrega, comemorou a vitória. “Vamos reestruturar o partido a partir do próximo ano, para ajudar o PT a eleger a Dilma Rousseff à presidência, além de criar um programa voltado às eleições de 2012”, afirma. Segundo o vereador, a meta é melhorar os serviços prestados à população, já que a cidade já tem uma boa estrutura econômica.

Ribeirão Pires
Candidato único, Antonio Carlos Pereira de Souza, o Carlão, conquistou 290 dos 301 votos registrados. Na cidade, 975 filiados estavam aptos ao pleito. Segundo ele, a união visa resgatar a pujança do PT na cidade. “Nós tivemos grandes perdas nos últimos anos. Não fizemos o sucessor da Maria Inês, tivemos baixas no quadro de vereadores e perdemos militantes. Na última eleição tivemos baixa votação e não fizemos nenhum vereador. Por tudo isso, fizemos uma série de conversações, um planejamento e retomamos o caminho da unidade para alçar novos trajetos e conseguir os nossos louros”, afirmou.

Rio Grande da Serra
Candidato único, o atual presidente Benedito Araújo foi reconduzido ao posto com o crivo de 402 dos 411 militantes que foram às urnas. “Nós amadurecemos. Não discordamos das outras cidades que estão em um processo acirrado, mas nós estamos muito preocupados com o processo eleitoral, principalmente a eleição presidencial. Nós queremos eleger a Dilma e o processo de unidade vem com esse olhar”, disse.

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23/11/2009 - 16:33h Brazilian protests greet Ahmadinejad at start of South American tour

Thousands take to streets in Sao Paulo and Rio de Janeiro to denounce Iranian president’s record on rights and Israel

A crowd protests against the visit of Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia
Protesting against the visit of Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia. Photograph: Andre Penner/AP



Protests greeted Mahmoud Ahmadinejad in Brazil at the start of a South American tour intended to bolster the Iranian president’s legitimacy and ease his country’s international isolation.

Thousands of demonstrators took to the streets in Sao Paulo and Rio de Janeiro on the eve of Ahmadinejad’s arrival to denounce his record on human rights, homosexuality and Israel.

The Brazilian president, Luiz Inácio Lula da Silva, was expected to welcome the visitor with red carpet pomp in the capital, Brasilia, before holding talks on economic and political co-operation. “It doesn’t help isolating Iran,” Lula said in his weekly radio address today.

Around 200 Iranian businessmen accompanied Ahmadinejad’s delegation, in a sign of their eagerness to tap opportunities in a continent that does not consider Tehran a pariah. Iran’s leader faces simmering discontent at home and hostility in the west, but in Latin America he has friends and allies among a leftist bloc led by Venezuela’s Hugo Chávez and including Bolivia, Ecuador and Nicaragua.

“This is the first time in Latin American history that an Islamic government has been so present in the US backyard,” Hamid Molana, an Ahmadinejad adviser, told the Irna state news agency.

Luis Inácio Lula da Silva and Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia
Luis Inácio Lula da Silva and Mahmoud Ahmadinejad in Brasilia. Photograph: Fernando Bizerra Jr/EPA

Achieving a first head of state invitation to Brazil was a diplomatic coup for Tehran because the region’s heavyweight had previously kept its distance. Hobnobbing with Lula, one of the world’s most popular leaders, shows that Ahmadinejad has diplomatic cards to play even if Europe, the US and much of the Middle East are against him.

“New orders should be established in the world,” Ahmadinejad said before leaving Tehran. “Iran, Brazil and Venezuela in particular can have determining roles in designing and establishing these new orders.”

Israel made a pre-emptive diplomatic strike last week when the president, Shimon Peres, visited Argentina and Brazil to lobby for a tough line on Iran’s suspected quest for a nuclear bomb.

On Rio’s Ipanema beach, groups representing gay people, artists, Christians, Jews, and Holocaust survivors carried protest banners and a giant cage containing white balloons as a symbol of Iran’s “repressed values”.

Opposition politicians criticised the visit. “One thing is a diplomatic relationship with dictatorships, another is to welcome their leaders in your home,” Jose Serra, the Sao Paulo state governor, wrote in a newspaper article.

Ahmadinejad and Lula are expected to sign accords on biotechnology, energy and farming which, Tehran hopes, could boost bilateral trade from $2bn to $15bn. They may discuss co-operation on building nuclear plants. The Iranian president is due to address Brazil’s congress and speak to university students before heading on to Bolivia and Venezuela.

The visit will test Brazil’s ambition to be a serious diplomatic player by courting friendship with everyone. It has urged dialogue with Iran instead of cornering the regime with sanctions.

“If Brazil is somehow able to moderate Iran’s policies on the nuclear question, or its practice in support of terrorist groups, it would give the Lula government a tremendous boost and enhanced global stature,” said Michael Shifter, an analyst with the Inter-American Dialogue thinktank.

“But if Brazil doesn’t succeed in influencing Iran’s conduct, or is seen as indulging and legitimising such a questionable regime, then it risks alienating some in the US and Europe who expect Brazil to take a firm stand, and might even hurt its chances to get a seat on the UN security council.”

Brazil has reportedly asked Ahmadinejad to steer clear of homophobic comments, Holocaust denial and threats against Israel. Another delicate point will be Tehran’s crackdown on dissent after June’s presidential election.

The US has welcomed Brazil’s burgeoning diplomatic role but some members of Congress accused it of erring in “lending legitimacy” to Iran’s leader.

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23/11/2009 - 15:58h Segundo pesquisa, 76% preferem governo Lula ao de FHC

Sondagem da CNT também revelou a recuperação do otimismo da população em relação ao ano que vem

LEONARDO GOY - Agencia Estado

BRASÍLIA - A pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) com o Instituto Sensus pediu aos entrevistados uma comparação entre o atual governo e o anterior. Para 76%, o governo Luiz Inácio Lula da Silva é melhor que o governo Fernando Henrique Cardoso. A sondagem também revelou a recuperação do otimismo da população. Segundo os dados apresentados nesta segunda-feira, em novembro 73,4% dos entrevistados disseram acreditar que 2010 será melhor do que 2009. No fim de 2008, o porcentual dos que acreditavam que o ano seguinte seria melhor era de 65,4%.

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Com relação a itens mais específicos, 62,9% das pessoas entrevistadas afirmaram que a situação do emprego vai melhorar nos próximos 6 meses e outros 61,6% avaliam que sua renda vai aumentar neste mesmo período. Com relação ao que será feito com o 13º salário, 25,6% responderam que irão pagar dívidas, contra 11,2% que vão comprar produtos para casa e a para a família, 7,4% que vão fazer poupança e 3,5% que pretendem viajar.

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23/11/2009 - 15:58h Porco mostra sua vaidade e esperteza

Natalie Angier


Inteligência suína tem relação com busca por alimentos

http://3.bp.blogspot.com/_FK5QjE4gwZc/Sr9Y7z6uzhI/AAAAAAAADeo/KpFPqj_aR2Q/s320/porco-758944.jpghttp://www1.bestgraph.com/gifs/animaux/cochons/cochons-43.gif

Na atual edição da revista “Animal Behaviour”, pesquisadores apresentam evidências de que porcos domésticos podem aprender rapidamente como os espelhos funcionam e usar isso para investigar os arredores e localizar seu alimento.
Essa é apenas mais uma descoberta no nascente estudo da cognição suína. Outros pesquisadores já descobriram que os porcos são brilhantes em lembrar onde a comida foi acumulada e o tamanho de cada esconderijo em relação ao resto. Eles demonstraram que o Porco A pode aprender quase instantaneamente a seguir o Porco B quando este indica saber onde um bom alimento está armazenado, e que o Porco B tentará enganar o porco perseguidor e afastá-lo do caminho.
Os estudiosos descobriram que os porcos estão entre os animais mais rápidos para aprender uma nova rotina, que eles podem fazer muitos truques e que também demoram a esquecer.
Recentemente, uma equipe internacional de biólogos divulgou o primeiro esboço do genoma dos porcos.
Mesmo numa olhada superficial, “o genoma suíno se compara favoravelmente ao genoma humano”, disse Lawrence Schook, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA), um dos líderes da equipe.
Schook está particularmente interessado em ver se os muitos paralelos fisiológicos e comportamentais entre porcos e humanos se refletem nos respectivos genomas. Há semelhanças nos corações, nos dentes, na forma de metabolizar drogas e, talvez, nos hábitos, segundo ele. “Olho para o porco como um grande modelo animal para as doenças [ligadas ao] estilo de vida humano”, afirmou. “Os porcos gostam de ficar deitados por aí, gostam de beber se tiverem a chance, fumam e assistem TV.”
Richard Byrne, professor de psicologia evolutiva da Universidade de Saint Andrews, atribui a inteligência suína às mesmas pressões evolutivas que levaram à inteligência dos primatas: vida social e comida. Porcos selvagens vivem em grupos de longo prazo e fuçam em busca de alimentos.
Como comprovadamente os macacos sabem usar espelhos para achar alimentos, Donald Broom, da Universidade de Cambridge, e seus colegas decidiram verificar isso em porcos. Começaram expondo sete porcos de 4 a 8 semanas de vida a períodos de cinco horas com um espelho e gravando suas reações. Os porcos ficavam fascinados, grunhiam, esfregavam o focinho na superfície, olhavam para sua imagem de diversos ângulos, examinavam atrás do espelho. No dia seguinte, quando o espelho era colocado em seu estábulo, os porcos o cumprimentavam com indiferença.
Em seguida, os pesquisadores colocaram o espelho junto com uma tigela de comida que não poderia ser diretamente vista, mas cuja imagem estava refletida no espelho. E, então, compararam as reações dos porcos acostumados ao espelho com as de um grupo de porcos “ingênuos”. Ao ver a comida virtual pelo espelho, os porcos experientes se viravam e, após em média 23 segundos, encontravam o alimento. Já os porcos desacostumados ao espelho buscavam em vão a tigela fuçando atrás do espelho.

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23/11/2009 - 14:55h Sonhos são exercício para o cérebro

newyorktimes_folha

Benedict Carey



Visões durante o sono podem servir de aquecimento


Os sonhos são tão férteis e parecem tão autênticos que os cientistas presumem há muito tempo que eles devem ter uma finalidade psicológica crucial. Para Freud, os sonhos funcionam como campo de atividade da mente inconsciente; para Jung, o sonho é um estágio em que os arquétipos da psique representam temas primais. Teorias mais recentes afirmam que os sonhos ajudam o cérebro a consolidar memórias emocionais ou a trabalhar problemas atuais, como um divórcio ou frustrações no trabalho.
Mas o que dizer da hipótese de que o objetivo principal dos sonhos não é de natureza psicológica?
Em artigo recente no periódico “Nature Reviews Neuroscience”, o psiquiatra J. Allan Hobson, que pesquisa o sono na Universidade Harvard, argumenta que a função principal do sono REM (caracterizado por movimentos rápidos dos olhos) é de natureza fisiológica. O cérebro está aquecendo seus circuitos, preparando-se para as visões, os sons e as emoções do estado desperto.
“Isso ajuda a explicar muitas coisas, como o porquê de as pessoas esquecerem tantos sonhos”, disse Hobson. “É como praticar corrida; o corpo não se recorda de cada passo dado, mas sabe que se exercitou. Ele foi aquecido e afinado. A ideia aqui é a mesma: os sonhos afinam a mente, preparando-a para a consciência desperta.”
Hobson argumenta que o sonhar é um estado de consciência paralela que opera continuamente, mas que costuma ser suprimido durante a vigília.
“A maioria [dos estudiosos] parte de ideias psicológicas previamente determinadas e tenta fazer os sonhos se encaixar nessas ideias”, disse Mark Mahowald, neurologista e diretor do programa de desordens do sono do Centro Médico Hennepin County, em Minneapolis (EUA). “O que me agrada nesse novo artigo é que ele não parte de nenhuma premissa prévia sobre a função dos sonhos.”
O sono REM parece ser um desenvolvimento recente, em termos evolutivos; ele é perceptível em humanos, outros mamíferos e pássaros. E estudos sugerem que o sono REM aparece em fase muito precoce da vida: no caso dos humanos, no terceiro trimestre de vida do feto.
Cientistas encontraram em estudos evidências de que a atividade REM ajuda o cérebro a construir conexões neurais, especialmente em suas áreas visuais. O feto em desenvolvimento pode estar “vendo” algo, em termos de atividade cerebral, muito antes de seus olhos se abrirem.
Algumas pessoas são capazes de assistir a seus próprios sonhos como observadoras, sem despertarem. Conhecido como sonhar lúcido, esse estado de consciência é em si um mistério. Mas é um fenômeno real, e Hobson encontra nele um argumento forte em favor de sua tese de que os sonhos serviriam como aquecimento fisiológico.
Em estudo publicado em setembro no períodico “Sleep”, Ursula Voss, de Frankfurt, liderou uma equipe que analisou ondas cerebrais durante o sono REM, a vigília e o sonho lúcido. O estudo constatou que o estado de sonho lúcido possui elementos do sono REM e da vigília -especialmente nas áreas frontais do cérebro, que ficam inativas durante o sonhar normal. Hobson foi coautor do artigo.
“Vemos esse cérebro dividido em ação”, disse ele. “Isso me diz que existem esses dois sistemas e que eles podem, de fato, estar em ação ao mesmo tempo.”
Ainda falta muito para os pesquisadores poderem confirmar essa hipótese. Mas os benefícios disso podem ir além de uma compreensão mais profunda do cérebro adormecido. Os esquizofrênicos sofrem alucinações de origem desconhecida. Hobson sugere que esses voos da imaginação possam estar relacionados à ativação anormal da consciência sonhadora. Como disse Jung: “Deixe o sonhador despertar, e você verá uma psicose”.

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23/11/2009 - 14:02h “Serra lidera intenção de voto e Dilma passa Ciro” ou tentando tapar o sol com a peneira

Entre aspas acima a manchete da Folha Online. Como no G1, da Globo, sobre a pesquisa eleitoral CNT-Sensus de hoje.

A constatação procura ocultar a verdadeira notícia trazida pelos números da CNT-Sensus. Serra cai, ou melhor, continua caindo e Dilma sobe, continua subindo.

Segundo o presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, Serra caiu em média 15 pontos percentuais desde o ano passado –quando a pesquisa chegou a registrar índices acima de 40% de apoio ao tucano na disputa com os demais candidatos: “Há queda acentuada do Serra se comparada com listas passadas. Há um ano, ele aparecia com percentuais que variavam de 45% a 49%.”

Hoje Serra aparece com 31,8% das intenções de voto. A ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) aparece em segundo, com 21,7% das intenções de voto, seguida pelo deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 17,5%. Marina Silva (PV) tem 5,9% das intenções de voto.

Os resultados de Dilma estão acima das expectativas dos petistas, os de Serra bem abaixo dos desejos de parte da mídia e dos demo-tucanos em geral.

Serra é conhecido, foi candidato a presidente, a governador, a prefeito. Participou de numerosos pleitos eleitorais. Dilma nunca participou de uma eleição, nem é candidata até agora. mas a diferencia de intenção de votos entre eles é hoje pequena.

A candidatura Serra a presidente? Não sei não… Se continuar assim vai precisar de coragem para ser candidato, característica que poucos atribuem a Serra.

Não sei não…

LF

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23/11/2009 - 13:41h Ardua tarefa

Pesquisa após pesquisa, começa a se desenhar um quadro favorável ao candidato do governo nas eleições de 2010.

O que em verdade as pesquisas traduzem é de fato uma avaliação geral sobre os diferentes atores da política no país e sua relação com as questões centrais do dia-a-dia da população.

Enquanto a política do governo federal mostra resultados extremadamente positivos em matéria de enfrentamento a crise, preservação do emprego e do crescimento das empresas; resultados reforçados pelo impacto dos programas sociais e do reconhecimento das organizações e da mídia mundial; a oposição mostra uma ausência total de programa, de propostas e uma divisão interna, agravada pelos resultados medíocres das suas duas principais administrações, estadual e municipal de São Paulo.

Após um ano de paralisia no plano municipal, marcado pelo crescimento da sujeira, irregularidades em diversas licitações, aumento dos seus próprios salários e da carga tributária da cidade, trânsito caótico e transporte público sem investimento, a administração demo-tucana sob a batuta de Kassab enfrenta um descontentamento crescente de sua própria base eleitoral na classe média. O quanto este desgaste influencia as intenções de voto em seu padrinho e mentor, José Serra, não está claro ainda.

Como não está claro o efeito nas pesquisas das obras eleitoreiras apresadas de Serra, que atrapalham a vida dos eleitores, dos pedágios multiplicados e aumentados e do desabamento recente no Rodoanel.

Os intensos investimentos em publicidade e propaganda tanto de Serra, como de Kassab, não parecem surtir o efeito desejado, mesmo quando as empresas estaduais fazem propaganda em outros Estados para tentar alavancar a candidatura do governador paulista.

Acontece que nesta fase da disputa política os efeitos do marketing pesam bem menos que em período eleitoral, prevalecendo, na minha opinião, a apreciação geral que a população faz de sua própria situação e de suas perspectivas imediatas. Isto favorece sem dúvida o campo do governo Lula e é nitidamente desfavoravel a oposição demo-tucana.

Como todos os indicadores anunciam um 2010 bem melhor em matéria de emprego, renda e a economia em geral, a oposição dificilmente encontrará um terreno mais propício para se apresentar como alternativa a candidatura governamental.

Por isso ela aposta cada vez mais na idéia do que poderíamos definir como “estelionato eleitoral”. Utilizar a notoriedade de seu candidato para apresentá-lo como continuador da política de Lula, ocultando sua oposição aos programas sociais do governo, a sua política econômica, a sua defesa do Estado. Ou seja, tentar apresentar Serra como “garante” do Bolsa-família (já não mais bolsa-esmola); defensor do Estado no pré-sal e adversário de privatizações em geral (já não mais venda da Cesp e nem uma palavra sobre a Petrosal).

Um setor da mídia, FHC e uma parte dos eleitores demo-tucanos consideram errada essa estratégia. Isto ficou claro na intervenção pública de FHC sobre o “autoritarismo populista”, na posição assumida por Merval Pereira da Globo ou nos editoriais do Estadão. Eles defendem um posicionamento oposicionista claro, identificado com o programa neoliberal próprio dos tucanos, o que hoje implica ir contra a corrente da maioria do eleitorado.

Aécio Neves rejeita abertamente essa postura o que deixou pouco espaço para José Serra utilizar seu trololó de suposto candidato de esquerda. Ou seja ficou mudo.

Cada vez mais sua candidatura depende de combinar o “estelionato eleitoral”, com um apóio aberto e direto de Aécio aceitando ser vice na chapa de Serra. Poderiam assim combinar uma campanha misturando o “posLula” de Aécio, com um “posFHC” do próprio Serra. Esperando que o povo engula um candidato de direita embrulhado de progressista. Descontando o apóio da mídia para construir a biografia de um e desconstruir a de Dilma, a candidata de Lula.

Árdua tarefa tem Serra pela frente.

LF

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23/11/2009 - 13:30h O “jogo da paz” no Oriente Médio

Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1

Lula minimiza polêmica sobre o encontro

Em nome da paz, presidente propõe jogo da seleção contra combinado Israel-Palestina

Chico de Gois e Gustavo Paul – O Globo

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou minimizar a polêmica em torno da visita ao país do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, hoje. Lula preferiu explorar o gesto feito pelo Brasil para tentar influenciar o processo de paz no Oriente Médio. E propôs o que chamou de “jogo da paz”: uma partida da seleção contra um combinado Israel-Palestina.

Lula ressaltou os encontros que teve na semana passada com o presidente de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e disse que a visita de Ahmadinejad está dentro do contexto de conversar com todos os atores da região para tentar estabelecer a paz.

— Fico extremamente feliz que o Brasil possa, num espaço de 10 a 15 dias, receber o presidente de Israel, o presidente da Autoridade Palestina e o presidente do Irã. Isso mostra a diversidade das relações internacionais do Brasil. Com todos vou conversar sobre a mesma coisa: conversei sobre paz com o presidente Shimon Peres, conversei sobre paz com o Mahmoud Abbas e vou conversar sobre paz com o Ahmadinejad — disse Lula.

Lula disse que conhece os problemas da região e que é necessário identificar quem não quer a paz.

— Nós sabemos quem quer a paz no Oriente Médio. O povo quer a paz e alguns governantes querem a paz. O que precisamos detectar agora é quem não quer a paz. A quem interessa que não haja paz no Oriente Médio? Alguém está ganhando com isso. E é esse alguém que está ganhando com a não existência de paz no Oriente Médio que nós precisamos colocar para escanteio e conversar com aqueles que querem construir a paz.

“Jogo da paz” foi proposto a Peres e Abbas O presidente acredita que uma partida de futebol pode ser o pontapé inicial para selar a paz entre palestinos e israelenses. Os dois lados vivem em conflito permanente, com milhares de mortos de ambas as partes, desde a criação do Estado de Israel, em 1948.

A exemplo do que fez no Haiti em agosto de 2004, Lula está disposto a promover um jogo entre a seleção brasileira e um combinado de jogadores palestinos e israelenses. O local da partida seria um campo neutro.

A ideia foi apresentada a Peres e a Abbas. De acordo com o presidente, os dois gostaram da proposta e ficaram de discutir melhor o assunto.

Para a efetivação do jogo, no entanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) terá de encaixar a partida no calendário de 2010, ano da Copa.

— Vou à região entre os dias 10 e 16 de março e estamos trabalhando com a ideia de fazer um jogo da paz, como fizemos no Haiti — declarou o presidente, dizendo que os dois países demonstraram disposição de montar uma seleção mista. — Se derem colher de chá, até eu posso jogar de centroavante. Poderia ser meia armador — brincou Lula.

O presidente defendeu que os Estados Unidos tenham uma ação mais ativa na região para buscar a paz.

— É preciso que as grandes potências, países como os Estados Unidos, também tenham uma ação mais positiva, mais construtiva. Se a gente conseguir fazer com que a paz no Oriente Médio não seja uma primazia dos Estados Unidos ou de outro país, mas que seja uma decisão das Nações Unidas e, com base nisso, todos os países do mundo trabalharem para construir a paz, nós estaremos tranquilos.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também defendeu a aproximação entre Brasil e Irã. Para ela, esse diálogo é reflexo do papel que o país passou a desempenhar no mundo.

— A gente tem que se acostumar com a presença mais forte do Brasil no cenário internacional. Quanto mais forte for nossa presença, mais vamos ser instados a contribuir para solucionar conflitos, para resolver pendências, para dar posições em relações às grandes questões internacionais — declarou.

Dilma vê a presença do presidente iraniano no país como um sinal da relevância do Brasil no cenário internacional: — Ninguém antes queria saber nossa opinião sobre o conflito árabeisraelense, nem pedia para a gente uma posição no sentido de construir a paz no Oriente Médio. É importante que o Brasil assuma esses papéis que cada vez mais serão dele.

AFP PHOTO/Eduardo Romero / Manifestantes pediam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que não faça acordos com o governo do Irã
Em Ipanema, um protesto para lá de ecumênico

Judeus, homossexuais, negros, mulheres e até muçulmanos em manifestação contra visita de iraniano

Carolina Ribeiro – O Globo

“Ahmadinejad, apesar de você amanhã há de ser outro dia”, cantaram cerca de mil pessoas na manhã de ontem, em frente à Rua Maria Quitéria, na Praia de Ipanema, em protesto contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chega hoje a Brasília.

— A visita do Ahmadinejad não afeta apenas a comunidade judaica.

Não é uma ameaça para judeus, negros e homossexuais. É uma ameaça para a democracia. Quem nega o Holocausto, nega a escravidão no Brasil. Estamos reunidos para protestar contra qualquer tipo de discriminação e defender um mundo livre — observou Michel Gherman, representante da comunidade judaica Hillel.

A passeata reuniu representantes de diversas entidades, como Instituto de Fomento à Cidadania, Afoxé Filhos de Ghandi, Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Academia Brasileira de Filosofia, Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ordem dos Advogados do Brasil, Museu Judaico, Grupo Arco Íris, União Cigana do Brasil, Sociedade Beneficente de Desenvolvimento Islâmico, entre outros.

— Outra vez, nunca mais. Não é possível que hoje em dia o Holocausto não seja reconhecido. Temos que sair da invisibilidade. Estamos presentes para promover o movimento político-racista-religioso — defendeu Miovacite, presidente da União Cigana do Brasil.

— Vim aqui lamentar a atitude do presidente Lula em receber um terrorista no nosso país. Considero isso uma afronta à sociedade — exclamou a vereadora Teresa Bergher, representante da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Foram distribuídos apitos e cartões vermelhos. Placas com dizeres como “Senhor presidente: discriminação é crime. Explique ao convidado,”, “O Holocausto não existiu?” e “Perseguições a minorias religiosas?” foram erguidas pelos manifestantes.

O protesto durou cerca de duas horas e, ao meio-dia, foram lançados no ar balões de gás presos numa gaiola. Eles foram pintados com expressões como “liberdade de expressão”, “liberdade sexual”, “paz” e “memória ao Holocausto” em homenagem às vítimas da violência do atual regime do Irã.

Único sobrevivente de uma família judia dizimada no Holocausto, Alexander Laks, de 83 anos, está indignado com a visita.

— Fico ofendido com o fato de um nazista desses pisar em solo brasileiro.

Gostaria de saber quantos integrantes tem a família dele. Se não houve Holocausto, para onde então foi toda a minha família? Quem nega o Holocausto, nega os direitos humanos — ressaltou Laks.

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23/11/2009 - 12:41h Enquanto aumenta o apoio a Lula e Dilma, após o blecaute; cai a intenção de voto no Serra, após desabamento no Rodoanel

Serra lidera pesquisa para 2010, mas adversários crescem, diz CNT/Sensus

Presidente da CNT diz que apoio de FHC a Serra prejudica o tucano.
‘Fica clara a queda de Serra e o crescimento de Dilma e de Aécio’, disse.

Diego Abreu Do G1, em Brasília

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece em primeiro lugar na pesquisa estimulada de intenções de votos para a eleição presidencial de 2010, divulgada nesta segunda-feira (23) pelo CNT/Sensus. De acordo com o levantamento, no cenário mais provável Serra lidera com 31,8%, seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 21,7%, e pelo deputado Ciro Gomes (PSB), com 17,5%. Em quarto lugar, aparece a senadora Marina Silva (PV), com 5,9% das intenções.

Na última pesquisa, divulgada em setembro, não aparecia o cenário com a presença de Ciro Gomes. No entanto, na primeira lista desenhada nesta pesquisa, com Ciro no lugar em que na pesquisa anterior aparecia a vereadora Heloísa Helena (PSOL), Serra registrou queda de 7,7 pontos percentuais, caindo de 39,5% para 31,8%. Já Dilma, subiu de 19% para 21,7%. Marina Silva, por sua vez, cresceu de 4,8% para 5,9%. Os dados apontam a tendência clara de segundo turno.

Já em um cenário em que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), aparece no lugar de José Serra como o candidato tucano, Ciro Gomes levaria vantagem no primeiro turno, com 25% das intenções de voto. Dilma aparece com 21,3%, Aécio com 14,7%, e Marina Silva com 7,3%.

No quadro em que Ciro Gomes não é candidato e Serra o candidato do PSDB, o tucano lidera a pesquisa com 40,5%, seguido por Dilma (23,5%) e Marina (8,1%). Já sendo Aécio o candidato tucano, a ministra Dilma leva vantagem, com 27,5%. Na sequência, aparecem Aécio (20,7%) e Marina (10,4%).

A pesquisa aponta que 51,7% dos entrevistados votariam ou poderiam votar em candidato apoiado por Lula, enquanto 16% disseram que não votariam. Por outro lado, apenas 17,2% votariam em um político apoiado por Fernando Henrique, sendo que 49,3% responderam que não votariam no candidato de FHC.

O presidente da CNT, Clésio Andrade, avalia que houve uma “queda acentuada de Serra”. “Ciro entrando prejudica o Serra. Está muito claro isso”, disse. Outra observação de Andrade foi a de que Aécio e Dilma devem crescer muito.

“Fica muito clara a queda de Serra e o crescimento de Dilma e de Aécio”, avisou Andrade. “Serra cai com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique”, acrescentou. Ele, porém, afirmou que não compartilha com a percepção da sociedade em relação ao ex-presidente FHC, que, ao apoiar Serra, pode estar aumentando o índice de rejeição em relação ao governador. Clésio considera que o tucano fez um bom governo.

“A Dilma aparecer na mídia está fazendo ela crescer. Se o Aécio continuar no páreo, ele também vai crescer mais”, avaliou o presidente da CNT.

A pesquisa CNT/Sensus também traçou um cenário de votos espontâneos. Nesse quadro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pode disputar a eleição de 2010, lidera a preferência dos eleitores com 18,1%. Na sequência, aperecem José Serra (8,7%), Dilma Rousseff (5,8%), Aécio Neves (4,2%), Ciro Gomes (2,6%), Heloísa Helena (1,4%) e Marina Silva (0,7%).

Chapas

A pesquisa trouxeu uma novidade sobre o primeiro turno da eleição, ao apresentar aos entrevistados chapas compostas por candidatos a presidente e a vice. A chapa José Serra com Aécio como vice teria 35,8% das intenções de voto, seguida pela chapa Dilma com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) como vice, com 23,9%. Em terceiro, ficaria a dupla Ciro Gomes e Carlos Lupi (ministro do Trabalho), com 16,1%, e em quarto lugar, Marina Silva com Guilherme Peirão Leal como vice, com 5,2%.

No cenário em que Áécio seria o candidato a presidente e Serra o seu vice, a chapa tucana também lidera as preferências como 31%.Na sequencia aparecem Dilma/Temer (22,6%), Ciro/Lupi (18,1%) e Marina/Guilherme (5,3%).

Já em um cenário com a dupla Aécio (presidente) e Ciro (vice), a chapa deles venceria o primeiro turno com 32,4%, seguidos por Dilma/Temer (26,6%) e Marina/Guilherme (8,3%). Na semana passado, Ciro Gomes disse que abriria mão de sua candidatura ao Palácio do Planalto caso Aécio seja lançado como candidato pelo PSDB.

Segundo turno

No cenário de um segundo turno entre Serra e Dilma, o tucano levaria vantagem, com 46,8% contra 28,2% da petista. Em um quadro entre Aécio e Dilma, a ministra venceria o governador com 36,6% contra 27,9%. Já em um possível segundo turno entre Ciro Gomes e José Serra, o tucano aparece com 44,1% frente os 27,2% do adversário. Se fosse entre Ciro e Dilma, a petista ganharia por 35,1% a 31,5%. Por fim, no improvável cenário de Ciro contra Marina, o deputado venceria com 44,8% contra 14,7%.

Quanto aos índices de rejeição, Marina Silva lidera a pesquisa com 38,4%, seguida por Dilma (34,4%), Serra (27,7%), Ciro (25,3%) e Aécio (22,8%). Quando perguntados se poderiam votar, 45,9% disseram que votariam em Ciro, 40,4% em Serra, 29,7% em Dilma, 29,6% em Aécio e 17,8% em Marina.

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 20 de novembro. Foram entrevistadas 2.000 pessoas em 136 municípios de 24 estados. A margem de erro é de três pontos percentuais.

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23/11/2009 - 12:24h A merenda de Kassab continua cheirando mal

Fornecedora de merenda de SP admite uso de empresas fantasmas

Alvo de procedimento do MPE, o próprio Geraldo Coan confessou irregularidade para ”reduzir base de imposto”

Bruno Tavares e Marcelo Godoy – O Estado SP

Uma rede de empresas fantasmas, laranjas e notas fiscais frias envolve uma das maiores fornecedoras de refeições prontas do País, a Geraldo J. Coan & Ltda. Investigação feita pelo Estado descobriu que o imóvel onde deveria funcionar uma representante da Coan abriga uma igreja evangélica. Dados bancários indicam depósitos periódicos da Coan nas contas de empresas fantasmas. Tudo confirmado pelo Ministério Público Estadual (MPE) a tal ponto que a empresa se viu obrigada a admitir sonegação fiscal. Promotores, no entanto, desconfiam de que o esquema tinha outra serventia: disfarçar o pagamento de propina a autoridades municipais. A Coan tem contratos com diversas prefeituras paulistas, incluindo a da capital.

A investigação começou em 2008, quando uma denúncia levou a 2ª Delegacia de Crimes Fazendários a abrir inquérito sobre o caso. Insatisfeito com a atuação policial, o mesmo informante procurou o Estado em outubro de 2008. Trazia nomes, endereços e documentos que, segundo ele, levariam à descoberta de um grande esquema de fraude.

A reportagem confirmou os indícios de que duas empresas dessa trama seriam fantasmas: a Carsena Representação Comercial, que indica o endereço de uma igreja como seu escritório, e a CJM – Representação Comercial de Gêneros Alimentícios e Refeições Prontas, também registrada com endereço frio na Junta Comercial. Os promotores descobriram que a CJM havia mudado do endereço falso na Rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo, para outro lugar inexistente. Dessa vez, a sede ficava em Belo Horizonte (MG).

O acesso a papéis da Coan, obtidos em operação conjunta do MPE com a Secretaria Estadual da Fazenda, confirmou a denúncia de que ela fazia pagamentos para as empresas que nada lhe forneciam. Exemplo disso é um recibo de R$ 54,7 mil da Coan para a Carsena, datado de 31 de julho de 2007. A nota fiscal de número 17, emitida pela Carsena, mostra pagamento de R$ 144,7 mil em 24 de junho de 2007. Entre setembro e dezembro de 2007, cerca de R$ 900 mil entraram nas contas da Carsena. Outro tanto circulou pelas contas da CJM.

Para se defender das acusações, há dois meses o empresário Geraldo João Coan apresentou ao MPE declaração de duas folhas em que assume que a CJM e a Carsena foram “utilizadas em transações que não correspondiam à efetiva prestação de serviço”. O documento isenta de responsabilidade as pessoas que emprestaram seus nomes e alega que o objetivo do esquema era diminuir a base tributável do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A Receita Estadual ainda não apurou quanto a Coan teria sonegado nem o valor da multa a que a empresa está sujeita.

A Coan e as demais fornecedoras de merenda escolar da capital estão desde o ano passado na mira do MPE. Elas são acusadas de terem formado um cartel para fraudar licitações e corromper agentes públicos. Atualmente, a Coan é responsável por fornecer merenda para o lote 3, que engloba as unidades municipais de ensino em Pirituba e Freguesia do Ó, nas zonas oeste e norte.

Em agosto, o MPE propôs ação civil pública para tentar impedir que as empresas sob suspeita participassem de novos pregões, mas o pedido acabou indeferido pela Justiça. O mérito da ação ainda não foi julgado.

Além da Prefeitura paulistana, a Coan mantém contratos com mais 20 municípios paulistas, além de hospitais e presídios do Estado. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) já julgou irregular os contratos com dois Centros de Detenção Provisória (CDPs), um hospital e oito prefeituras, como Piracicaba, São Caetano do Sul, Ribeirão Preto e Itu.

http://www.psolsp.org.br/capital/wp-content/uploads/2009/09/kassab-merenda-creches.jpg

Merenda de Kassab mantém má qualidade

Após quatro meses da assinatura de novos contratos, vistoria acha alimentos vencidos e mofados nos refeitórios de alunos

Fiscalização vê falhas em 22 das 25 escolas; em 3 foram encontrados pombos nos refeitórios; prefeitura diz que erros “são pontuais”

ALENCAR IZIDORO E JOSÉ ERNESTO CREDENDIO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Relatórios de fiscalização da merenda escolar de São Paulo revelam que a presença de pombos nos refeitórios onde os alunos comem, excesso de moscas, alimentos vencidos no estoque e ovos mofados são problemas que persistem na rede municipal de ensino.
Falhas diversas, que vão da falta de higiene nas cozinhas à infraestrutura deficiente das unidades, foram flagradas neste semestre, mesmo depois de a gestão Gilberto Kassab (DEM) assinar novos contratos de fornecimento da merenda.
As deficiências afetam inclusive empresas estreantes nesse segmento na capital paulista.
A Folha acompanhou nos últimos quatro meses os balanços de vistorias realizadas pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar) -órgão oficial de fiscalização formado por pais, servidores e professores. Entrevistou agentes, consultou relatórios de visita e fotografias sobre parte dos problemas.
Das 25 escolas fiscalizadas, foram encontradas falhas em 22 -em metade delas, já a partir da vigência dos novos contratos com quatro empresas estreantes e com quatro que já prestavam os serviços antes.
Os problemas mais emblemáticos foram identificados em escolas atendidas pela Nuttriclass (nova, ligada ao grupo Puras) e pela Terra Azul (que já estava no contrato anterior).
A cargo da primeira, por exemplo, os ovos embolorados e a “grande quantidade de pães vencidos” no CEU Parque São Carlos. Ou então, na EMEF José Lins do Rego, as moscas que dominam a cozinha sem telas de proteção de janelas e de portas e a presença de embalagem violada de peito de frango -dentro, havia uma parte diferente da ave, condição considerada suspeita pelos agentes.
A fiscalização também verificou que algumas escolas atendidas não tinham a comprovação dos exames médicos das merendeiras -exigência contratual para evitar a manipulação de alimentos por quem tem alguns tipos de doença.

Granola

Em unidades atendidas pela Terra Azul, além das falhas de higiene (como fezes de pombo no refeitório e “pano imundo e mau cheiroso” em cima do fogão), dois problemas chamaram a atenção dos fiscais.
Na EMEI Laura F. de Leceur, os membros do CAE constataram que havia uma única funcionária para fazer tudo -e que, por isso, não dava conta.
Já na EMEI Enio Correia, as reclamações das crianças sobre a granola muito dura levou a fiscalização a recolher uma amostra. Resultado: a empresa dava aos alunos uma marca de cereal diferente da autorizada e aprovada pela prefeitura.
Os relatórios do CAE apontam que, das 25 escolas, em 3 os conselheiros flagraram a presença de pombos dentro do refeitório dos alunos -justamente no momento da vistoria.
Esse problema já havia sido detectado em visitas realizadas em meses anteriores pelo órgão -sinalizando uma situação que está longe de ser pontual.
A gestão Gilberto Kassab afirma que os problemas identificados pela fiscalização não são generalizados.
Embora admita os riscos, a prefeitura afirma que as empresas só podem ser punidas contratualmente se as aves estiverem na cozinha -e não no refeitório, cujo controle deve ficar a cargo dos próprios servidores. Ela diz orientar as escolas para evitar essa situação.

http://www.vermelho.org.br/blogs/renatamielli/files/2009/09/kassbmerenda.JPG

Nutricionistas veem risco de contaminação

Para especialistas, a vistoria nas merendas das escolas municipais evidenciam uma falta de controle da prefeitura

Fiscalização também achou deficiências e infraestrutura precária em escolas onde a refeição é preparada pelos servidores municipais

DA REPORTAGEM LOCAL – FOLHA SP

Nutricionistas especializadas em alimentação escolar ouvidas pela Folha avaliam que as situações registradas pelo CAE (Conselho de Alimentação Escolar) apontam para riscos de contaminação da merenda dos alunos da rede municipal e devem ser objeto de um plano para corrigir as falhas.
“Os problemas levantados pela fiscalização evidenciam uma falta de controle e oferecem algum risco de contaminação. Os pombos (localizados dentro do refeitório dos alunos), por exemplo, circulam em locais contaminados e suas próprias fezes são perigosas”, afirma Manuella de Souza Machado, agente do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
Segundo Manuella, há possibilidade de distúrbios intestinais e até doenças mais graves, como no caso do ovo podre. “O ovo é muito propenso, por si só já tem patogênicos de grande risco, como a salmonella”, diz.
Para a professora da Unifesp Cristina Gaglianone, coordenadora do Cecane (Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar) da Região Sudeste, os casos citados mostram situações em que alunos podem ficar doentes.
“Todos os problemas têm algum tipo de risco, maior ou menor, mas pode haver contaminação”, afirma Cristina.

Por servidores
A fiscalização da merenda também constatou deficiências em escolas onde a refeição é preparada pelos próprios servidores (modelo chamado de autogestão). Nessas unidades, já houve diversos flagrantes de falta de uniformes e toucas das merendeiras, além da infraestrutura precária -como fogão em más condições.
Numa vistoria no CEI Cidade 4º Centenário, no dia 21 de outubro, a fiscalização do CAE constatou falta de comida. Além do baixo estoque, não havia leite em pó nem macarrão. A prefeitura admite a falha pela falta do leite em pó (alega um problema no contrato de fornecimento), mas considera não haver motivos para a ausência do macarrão. E diz que os estoques da unidade foram reabastecidos dois dias depois.
Os dois modelos de fornecimento da merenda (terceirizado e autogestão) são motivo de uma disputa de mercado entre empresas de cada segmento e constante troca de acusações entre elas.

Receita alta
A disputa é por uma receita estimada em R$ 2 bilhões por ano no país. Na capital paulista, os contratos com as terceirizadas atingem R$ 35 milhões por mês. Com base em relatório da Fipe/USP, a Promotoria já tentou barrar na Justiça a continuidade do sistema terceirizado em São Paulo, afirmando que ele é mais caro e de pior qualidade -além de acusações de conluio entre as empresas.
Essa avaliação é questionada pela prefeitura e pelas empresas terceirizadas -que alegam ser vítimas de uma campanha de atacadistas, interessados em vender só os alimentos, e não os serviços de preparo e distribuição da merenda.
Numa ação trabalhista, um advogado que tentou barrar diversas licitações nos últimos anos disse que era pago por um grupo de 11 empresários atacadistas para fazer lobby contra a terceirização.

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23/11/2009 - 12:12h Avaliação positiva de Lula sobe para 78,9%, diz CNT/Sensus

Lula_positivo

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

A avaliação do governo federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu em novembro deste ano, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira. A aprovação da população brasileira ao governo do presidente Lula passou de 65,4% em setembro para 70% em novembro. Já a avaliação positiva do presidente subiu de 76,8% para 78,9%.

Apesar da subida da popularidade de Lula e do governo, os índices são menores do que os registrados pelo petista no início deste ano –quando o presidente bateu recordes de popularidade. Na ocasião, o índice chegou a 80%.

Este mês, somente 6,2% avaliaram o governo federal negativamente, enquanto 14,6% desaprovaram a maneira de Lula governar o país.

O retorno à avaliação positiva do governo ocorre depois do episódio do apagão que deixou 18 Estados do país sem luz, mas a CNT não questionou a população a respeito do blecaute.

Na avaliação do presidente da CNT, Clésio Andrade, a imagem de Lula e do governo subiram em consequência da imagem positiva que o Brasil conquistou no exterior.

“Houve melhora da imagem do país. O pesquisador sente nas pessoas que Lula melhorou o país, além de seu forte discurso de otimismo. Essa imagem que o Lula criou de respeito no exterior são positivas para a sua imagem”, disse Andrade.

Em março deste ano, o governo Lula registrou a primeira queda em sua popularidade desde setembro do ano passado, quando a gestão do petista vinha registrando sucessivos recordes positivos. Em maio, a popularidade do governo voltou a crescer, mas caiu novamente em setembro.

Os eleitores que avaliam o governo como regular somam 22,7% em novembro contra 26,6% em setembro deste ano.

Histórico

Até janeiro deste ano, os índices de popularidade de Lula foram superiores às avaliações de sua popularidade registradas em janeiro de 2003 –ano em que foi empossado no cargo–, quando obteve 83,6% de aprovação.

O cenário mudou em março, de acordo com a CNT/Sensus, em consequência da crise econômica internacional. Os patamares positivos de avaliação do governo e do presidente voltaram a subir em maio, mas caíram novamente em setembro e, agora, voltaram a subir.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 16 e 30 de novembro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

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23/11/2009 - 12:00h Estadão dedica todas as cartas dos leitores ao IPTU cavalar de Kassab

Opinião – Forum de Leitores

INFELIZ ANO-NOVO

Depois de saber pelo Estado do brinde de infeliz ano-novo com que o nosso prefeito nos vai contemplar, reuni a minha família e comuniquei que estamos em economia de guerra. Nada de presentes, ceia de Natal, amigo secreto ou festas de réveillon. Esqueçam cinema, teatro, exposições, feiras e jogos de futebol em 2010. Afinal, precisamos economizar cada precioso centavo para poder quitar o novo IPTU. Faremos todo o sacrifício para não deixar de honrar o compromisso com o Município. Até o meu felino terá sua ração diária reduzida, pois também deve dar sua parcela de contribuição, como bom cidadão.

Wilson Roberto Moreira

wilsonrmoreira@globo.com

São Paulo

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LEVIATÃ

Se Thomas Hobbes (1587-1666) fosse vivo, descobriria, para seu espanto, que o monstro Leviatã por ele utilizado para representar a figura do Estado seria hoje um carneirinho se comparado à fúria tributária do Estado brasileiro dos dias atuais. São Paulo, por exemplo, vive dias dramáticos, com seus munícipes totalmente aterrorizados diante da sede insaciável de arrecadação de seu prefeito, que acena com aumentos estratosféricos do IPTU e de outros impostos. Como não há limite para a fixação das alíquotas, cuja majoração depende apenas de lei municipal aprovada pelos vereadores, a Prefeitura vai repetir essa façanha até matar a galinha dos ovos de ouro ou até que a sociedade tome alguma atitude para se salvar do monstro…

Antonio Roberto Testa

antonio@testa.adv.br

São Paulo

O prefeito Gilberto Kassab justificando os aumentos do IPTU com as melhorias feitas na cidade só pode ser piada de mau gosto. A pavimentação das ruas e calçadas está uma verdadeira indecência, um caos só. Buracos e ondulações por toda parte danificam veículos e põem pedestres em risco permanente. A nós, os contribuintes otários, resta apenas a esperança de poder dar o troco nas próximas eleições, saneando a cidade de gestores incompetentes e oportunistas.

Paulo Ribeiro de Carvalho Jr.

paulorcc@uol.com.br

São Paulo

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AQUI JAZ…

… a carreira política de um prefeito! O prefeito que, neste 2009, vem mostrando deficiências administrativas incríveis arrastará com sua desastrada iniciativa milhões de votos de seu mentor, o governador José Serra, para a candidatura Dilma Rousseff. E liquidará com alguns vereadores que apoiarem a descabida proposta (alô, sr. Police). Alegar que a planta genérica está desatualizada desde 2001 é uma meia-verdade. Teria sido esquecimento do prefeito não mencionar as centenas de milhares de novas unidades habitacionais construídas desde então e taxadas para IPTU com valores atualizados? Teria sido esquecimento ignorar que o IPTU vem sendo corrigido anualmente? Teria sido proposital não mencionar a significativa elevação da receita do Município com o ingresso de milhões de novos veículos comercializados no período, que transferem receita para o Município via IPVA? E as receitas com as infrações de trânsito, cuja destinação é bastante duvidosa? E a propalada valorização dos imóveis? Se não forem negociados, resulta em quantos reais no orçamento de seus proprietários moradores? A sociedade civil não aceita mais aumentos de impostos, taxas e tributos! Agora que a questão foi aberta, ao invés da discussão de aumentos, a sociedade organizada questionará a redução dos impostos. Os R$ 700 milhões esperados pela Prefeitura poderão ser obtidos e superados com a gestão adequada e honesta do hiperorçamento municipal. Sr. prefeito, dois lembretes: as ruidosas manifestações da sociedade que resultaram na rejeição de medida provisória que elevava impostos e a trajetória política da dona Marta.

Luiz Werner

lawerner@terra.com.br

São Paulo

Kassab quer subir em até 700% a base para calcular o IPTU. Por muito menos dona Martaxa perdeu a eleição. Lembram?

Mauro Roque

lauroroque@uol.com.br

São Paulo

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APOSENTADOS APAVORADOS

Kassab quer subir em até 700% a base para calcular o IPTU? Essa previsão de aumento creio ser coerente, principalmente se aplicada a imóveis de aposentados pelo INSS, que terão reajuste de uns 6%. Logo, não há do que reclamar… Será que Kassab pensa que toda a sociedade tem a mesma facilidade que os políticos para ganhar dinheiro neste país?

Virgílio Melhado Passoni

mmpassoni@gmail.com

Osasco

Comprei meu apartamento há muitos anos, em local hoje altamente valorizado. Tenho 77 anos, sou aposentado, honro meus compromissos com dificuldade financeira e, como muitos outros proprietários na mesma situação, estou muito temeroso pelo aumento do IPTU. Será que o prefeito Kassab levou isso em consideração? É uma questão de Justiça.

Ruy M. Forni

São Paulo

“Será que Kassab virou petista e agora procura prejudicar Serra em ano eleitoral?”

Ronny Cantarelli

São Paulo

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DESPROPÓSITO

Em tempos de inflação anual em torno de 5%, o aumento do IPTU conforme proposto pelo prefeito para 2010 é um despropósito.

James F. Sunderland Cook

sunderland2008@gmail.com

São Paulo

Mais lamentável do que o aumento do IPTU é a justificativa para o aumento proporcionalmente maior nas regiões ditas nobres, que, segundo o prefeito, foram beneficiadas ao longo dos últimos anos. O que observamos de fato, especialmente nessas regiões, é uma degradação contínua, promovida pelas diversas administrações, incluindo esta, que desrespeitam as leis de zoneamento e ignoram reclamações dos moradores. Faz-se vista grossa para o uso irregular dessas “áreas nobres” ao permitir à CET desviar o tráfego de veículos para seu interior, acompanhado de caminhões, vans de serviços, ônibus fretados ou não, sem falar na ação dos valets que se utilizam das ruas públicas de zonas residenciais para fins estritamente comerciais e em outros problemas graves. A Prefeitura não faz cumprir nem as leis e os decretos (50.566/2009, por exemplo) assinados pelo próprio prefeito! Parece que a palavra vale muito pouco, não é sr. prefeito? Então, como e por que acreditar que o acréscimo no IPTU “social” irá mesmo beneficiar a população menos favorecida? Parece óbvio, mas sempre vale como sugestão: procure primeiro ganhar um pouco de confiança de toda a população da cidade, não crie mais discórdias, não faça como os outros.

Carla Goldman

carla@if.usp.br

São Paulo

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DELÍRIO

Dizem que as pessoas podem “surtar” de repente. Deve ser o que aconteceu ao prefeito quando resolveu aumentar o IPTU da cracolândia em índices superiores aos da Avenida Paulista. O sr. prefeito já se deu ao trabalho de passar por lá e verificar in loco o estado deplorável dos imóveis e a frequência dessa zona, literalmente tomada por drogados? Aumentar a taxa por quê? Porque existe um projeto de revitalização que nunca saiu do papel? E que, depois desse tiro no pé que está tentando disparar, ficará ainda mais inviável? Caia na real, sr. prefeito! Tape os buracos da cidade antes de esburacar os nossos bolsos!

Sandra M. O. Nasrallah

sandranasrallah@gmail.com

São Paulo

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CALOTE GERAL

Os ilustres financistas da Prefeitura não percebem que aumento do valor venal de imóvel não é sinônimo de lucro no bolso? Poderá ser lucro um dia, em caso de venda do imóvel. É uma vergonha pagar aluguel em casa própria, principalmente conhecendo os limitados servicinhos “meia boca” prestados pela Prefeitura (posso fazer uma lista de duas páginas). É preciso trocar os cérebros burros ou mal-intencionados que cuidam tão mal das finanças da Prefeitura por cidadãos mais competentes e menos “espertalhões”, sob risco de calote geral. Talvez eu só volte a pagar na próxima gestão, que tal? Multa? Espero a anistia!

Ricardo M. Guerrini

ricguerrini@hotmail.com

São Paulo

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23/11/2009 - 11:30h Rio, os dois lados da moeda

Estado está entre melhores do país em renda e educação; em saneamento e violência, entre piores

http://oglobo.globo.com/fotos/2007/05/10/10_MHG_RIO_cristo_1005.jpg

Regina Alvarez e Cássia Almeida – O Globo

Os contrastes que pontuam o cotidiano do Rio de Janeiro aparecem com nitidez nas estatísticas. Estudo inédito feito com base nas informações da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2008) mostra que o terceiro maior estado do país exibe indicadores socioeconômicos díspares na comparação com as demais unidades da federação. Ao mesmo tempo em que figura entre os primeiros do ranking em educação e renda, está muito mal posicionado no acesso a serviços básicos, como abastecimento de água, e nos indicadores relacionados à violência urbana.

A comparação, elaborada pela consultoria técnica da Confederação Nacional de Municípios (CMN), mostra que, em relação ao abastecimento de água — serviço básico e indicador essencial na aferição do nível de desenvolvimento regional —, o Rio aparece em 18º lugar no ranking dos estados, entre os dez piores índices de atendimento desses serviços no país. Dos 5,076 milhões de domicílios urbanos, 553,3 mil (10,9%) estão desassistidos neste quesito. Em São Paulo, o estado mais bem posicionado no ranking nacional, apenas 1% dos domicílios urbanos não conta com serviços de abastecimento de água. Já o estado de Rondônia aparece na pior colocação, com apenas 54% dos domicílios atendidos.

Outro indicador relevante é a coleta de lixo. Também neste caso o Rio está em uma posição desfavorável em relação aos demais estados. No ranking nacional aparece em 15olugar, com 89,7% dos domicílios urbanos atendidos. Neste caso, o mais bem posicionado é Tocantins, com 98,1% das residências atendidas, seguido de Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte.

O Rio aparece no topo de um ranking que não é motivo de orgulho.

Tem a terceira maior taxa bruta de mortalidade do país, com 7,35 mortes para cada 100 mil habitantes. Está atrás apenas de Pernambuco, o campeão em mortes (7,38 a cada 100 habitantes), e Paraíba (7,36). A análise das informações da Pnad relaciona esse indicador com baixas condições socioeconômicas, proporção de pessoas idosas na população, problemas no sistema de saúde e na prevenção de doenças e altos índices de mortalidade violenta — característica evidenciada no Rio por outras estatísticas. A média nacional de mortes a cada 100 mil habitantes é de 6,22 e o estado com o menor número é o Distrito Federal (4,33).

Desigualdade está na raiz da violência

O empresário Ulrich Rosenzweig, de 85 anos, foi uma vítima da violência no Rio. Em 27 de maio de 2008, foi assassinado com um tiro no peito, no Centro da cidade. A bisneta acabara de nascer e as quatro filhas ainda estão reorganizando a vida depois da morte.

— Meu pai estava chegando no prédio, junto com o boy que viera do banco. Ele se assustou com o movimento em torno do funcionário e o assaltante atirou no peito do meu pai. Ele estava em plena atividade.

Ele era o esteio de uma família de quatro filhas — afirma Evelyn Rosenzweig, filha do empresário.

Para o professor de Antropologia da UFF e coordenador do Instituto Nacional de Estudos Comparados em Administração de Conflitos, Roberto Kant de Lima, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, o problema da violência no Rio e no país começa na desigualdade jurídica, que oferece privilégios para políticos e dirigentes sindicais, criando cidadãos inferiores e superiores já na legislação.

— Os direitos são desiguais. Assim, a matança que vemos no Rio se naturaliza. Há uma cultura, mais arraigada no Rio do que em outras regiões do país, de que os criminosos não são cidadãos. Não têm direitos. E a maneira de repressão é o extermínio — diz Kant de Lima.

Também em relação à taxa de mortalidade infantil, o desempenho fluminense deixa muito a desejar. O Rio está em 10º lugar no ranking nacional, com 18,9 mortes por mil nascidos vivos. A taxa de mortalidade infantil é considerada um dos principais indicadores para medir a saúde, a qualidade de vida da população e o estágio de desenvolvimento de um estado. O melhor desempenho é do Rio Grande do Sul, com uma taxa de 13,1 mortes. O pior do ranking é Alagoas, com 48,2 mortes, enquanto a média brasileira é de 23,6 mortes por mil nascidos vivos.

Na educação, por outro lado, o Rio está muito bem, no segundo lugar no ranking que mede os anos de estudo da população. No Rio, 43,9% dos adultos com mais de 25 anos têm 11 ou mais anos de estudo.

Só perde para o Distrito Federal, onde 54,9% dessa faixa da população estão no mesmo patamar. Na média nacional, o indicador é 35,4%.

O estado lanterna é Alagoas, com apenas 21,5% da população adulta com 11 ou mais anos de estudo.

Rio é 5º com menor número de pobres

Em número de alunos matriculados no ensino médio, o Estado do Rio aparece em segundo lugar, abaixo apenas do Amapá, que tem o melhor indicador do país. No Rio, 88% dos jovens de 15 a 17 anos frequentam o ensino médio, enquanto no Amapá o índice é de 89,2%. A média nacional é de 84,1%. O Rio tem também 98,2% das crianças de 7 a 14 anos na escola, o que coloca o estado em oitavo lugar em relação aos demais nesse indicador.

Para Rosiska Darcy, presidente da ONG Rio Como Vamos e doutora em Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, pela sua história e desenvolvimento econômico, o Rio deveria ter indicadores de educação ainda melhores.

— Nós já deveríamos ter universalizado o ensino fundamental e é preciso dar uma arrancada no ensino médio e infantil. Esses números são mais que assustadores para o Rio.

Ela afirma que a educação infantil é indispensável. Sem essa base, a criança entra em desvantagem no ensino fundamental: — Grande parte da desigualdade surge na escola. E a falta de educação infantil intensifica essa desigualdade.

O Rio é, ainda, o quinto estado do país com o menor número de pobres.

Apenas 13,7% das famílias têm renda per capita de até meio salário mínimo, contra uma média nacional de 22,6%.

No acesso a serviços e bens duráveis, o estado aparece em 4º lugar no ranking, reforçando os indicadores positivos de renda e educação.

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23/11/2009 - 10:52h Ação de Lula afastou crise, apesar de erros do governo

ENTREVISTA DA 2ª – ANTONIO DELFIM NETTO

Para ex-ministro, papel pessoal do presidente ao estimular brasileiro a consumir foi decisivo e compensou políticas monetária e fiscal equivocadas

Leticia Moreira/Folha Imagem
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Delfim Netto em seu escritório no Pacaembu (SP)

HÁ 50 anos o economista Antonio Delfim Netto publicou “O Problema do Café no Brasil”, sua tese de doutorado. Pelo uso da história na abordagem de um dilema de comércio agrícola, a obra virou um clássico do pensamento econômico brasileiro. Em entrevista à Folha, Delfim diz que, hoje, o texto nem seria publicado. “Não seria aceito em lugar nenhum. Estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo.” Aos 81 anos, o ex-ministro da Fazenda recupera-se de uma cirurgia para colocação de stents em duas artérias. “Aprendi a respeitar os médicos. São muito menos ortodoxos do que os economistas formados na visão única”, diz ele.

MARCIO AITH – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Delfim acha que o Brasil saiu da crise não exatamente por medidas técnicas originais, mas porque Lula, pessoalmente, dissipou o pessimismo. “Com incrível ousadia, ele pôs todo o seu patrimônio em risco pedindo aos brasileiros que consumissem. Deu certo.” O ex-ministro, no entanto, enxerga um problema sob a névoa da euforia reinante no país. Segundo ele, será difícil financiar o inchaço de gastos públicos irreversíveis, que se sedimentam “geologicamente” no Orçamento. “Está armado aí um enrosco da maior gravidade, pois temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente.”

FOLHA – Em um recente artigo, o senhor tratou o aparelhamento do Estado brasileiro como um defeito comum a todos os governos, não apenas àqueles com DNA sindical, como o atual. O aparelhamento, então, não tem credo ou ideologia?
ANTONIO DELFIM NETTO -
Continuo com a convicção de que sindicato mais política é igual à corrupção. Essa fórmula, descoberta no século passado pelo sociólogo alemão Robert Michels, continua válida. Eu só quis dizer que cada governo aparelha a seu modo, por motivos diferentes. Veja o caso de Brasília. Na primeira leva, a cidade recebeu mineiros. Depois vieram maranhenses, alagoanos e paulistas. Agora, sindicalistas. O grande drama desse problema é que ninguém sai, só entra. É isso. Se fizermos uma análise geológica de Brasília, fatiagráfica, notaremos camadas que se superpõem. E qual é a regra do jogo? É a nova camada respeitar cuidadosamente os benefícios recebidos pela que está sendo substituída.

FOLHA – Qual é o efeito desse acúmulo?
DELFIM NETTO -
Isso está levando o Estado a uma situação de quase insolvência fiscal. Está armado aí um enrosco da maior gravidade. O problema mais grave é da sustentação do sistema da seguridade social e da Previdência. Não é possível carregar um país onde o salário médio do aposentado do Judiciário é mais de 30 vezes o salário do trabalhador aposentado no INSS. No Legislativo, é 20 vezes; no Executivo, 12 a 14. Uma casta se instalou em Brasília e, com as camadas de aparelhamento, aprofundou essa divergência. Não há controle sobre o serviço público.

FOLHA – Qual é a evidência de que essa situação é insustentável?
DELFIM NETTO -
É simples. O Brasil vai ficar velho antes de ficar rico. A população brasileira vai começar a diminuir em 2035 ou 2040. Temos a mais rápida redução da taxa de fertilidade no Ocidente. A situação pode parecer confortável hoje, mas, olhando dez anos à frente, o quadro muda. Há, também sob o ponto de vista da análise demográfica, o risco do câmbio real fora da posição. Se perdurar, essa disfunção vai alterar a estrutura produtiva.
O Brasil, daqui a dez anos, vai ter 250 milhões de habitantes. Vai ter que dar emprego razoável para 140 milhões de pessoas. Se essa gente não receber oportunidades de emprego com remuneração razoável, não tem solução. Esses empregos não virão da agricultura. Só a indústria e os serviços podem dar conta disso. E o câmbio errado destrói esses setores.

FOLHA – Como o governo lida com essas questões?
DELFIM NETTO -
Só agora o governo está se mexendo para resolver o problema do câmbio. Mas ainda há aqueles que acham, sem evidência empírica, que não se pode atuar para consertá-lo. Uma imbecilidade. Quanto aos gastos públicos, o comportamento tanto do Executivo como do Congresso é apavorante. Estudo feito pelo competente economista José Roberto Afonso, ligado ao PSDB, aponta que os projetos malucos em tramitação no Congresso, além das maluquices do Executivo, representam uma despesa pública adicional de mais de R$ 100 bilhões por ano.

FOLHA – Mas não é natural aumentar gasto público na crise? Não é disso que se trata a política anticíclica?
DELFIM NETTO -
No mundo inteiro a política anticíclica termina quando a demanda privada volta ao nível anterior. Aqui ela continua carregando o custeio depois de terminado o ciclo. No Brasil, política anticíclica nunca é anticíclica.

FOLHA – Mas e o sucesso do país no enfrentamento à crise?
DELFIM NETTO –
O país se recuperou mesmo tendo políticas fiscais e monetárias erradas. O diferencial foi o bate-caixa do Lula. O presidente liderou o país ao pedir aos brasileiros que continuassem a consumir. Nenhum economista ousaria fazer isso. Seria considerado um louco heterodoxo. Além disso, o Brasil havia melhorado muito. Na verdade, a Constituição de 1988, apesar de seus exageros, de ter inventado gastos que não cabiam no PIB, criou uma estrutura institucional que está sendo seguida. O Brasil é o país com melhor situação institucional entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China). Somos uma democracia constituída.

FOLHA – E o risco de autoritarismo popular apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
DELFIM -
O Fernando é um sujeito extremamente inteligente, esperto, e não consegue viver sem um alto protagonismo público. É um provocador enorme. Ele se diverte com esse negócio. As pessoas imaginam que ele está empenhado num estudo sociológico. Que nada. Ele está empenhado numa diversão. E, quando o sujeito responde agressivamente ao Fernando, ele está cumprindo a missão que o Fernando impôs a ele. Esse alerta que ele fez não ajuda em nada.

FOLHA – Por que não ajuda?
DELFIM – Se fosse ele o presidente, teria aceitado o terceiro mandato e destruído a democracia. Essa foi a inteligência do Lula. Resistir a um terceiro mandato a despeito de tudo o que fizeram para que ele aceitasse. Isso faz uma diferença.
Outra injustiça do Fernando é ignorar que o Lula teve um papel decisivo na rápida superação da crise. Nenhum intelectual, nenhuma pessoa que pretenda ter um conhecimento maior de economia teria assumido o risco que o Lula assumiu. Todos pediram para encolher, para pisar no freio. Os banqueiros privados foram os primeiros. O Lula pôs todo o seu patrimônio em risco dizendo: consuma, o desemprego só virá se você não consumir.

FOLHA – Qual é o potencial de transferência de votos do presidente Lula?
DELFIM -
A ministra Dilma é uma administradora competente. Quem duvidar disso vai se decepcionar. Mas a transferência de votos não é segura. Tivemos uma prova empírica disso com a última derrota eleitoral da Marta [Suplicy] em São Paulo (nas eleições municipais de 2008). O Lula passeou de mãos dadas com ela duas vezes na cidade, na zona leste. Na segunda vez, trouxe cinco governadores com ele. E qual foi o resultado? Muito pequeno. Talvez no Nordeste você tenha um efeito maior, mas, na verdade, onde conta, do rio Grande para baixo, o poder de transferência parece não valer tanto.

FOLHA – Como o sr. avalia a cautela do governador Serra em se atirar na disputa?
DELFIM -
O Serra é sem dúvida um grande administrador, tem ideias próprias que são bastante razoáveis e está fazendo um bom governo. É um competidor muito forte e está se cuidando. Seu problema é que o PSDB não se decidiu. Tem o Aécio nesse processo, que não é só um candidato “redoutable” [temível], mas um agente político eficiente, um centrifugador. Enquanto o PSDB não se decidir, os dois agirão com cuidado.

FOLHA – O que está em jogo nas eleições do ano que vem?
DELFIM – Acho que todos têm que entender, inclusive a Dilma, que o próximo governo não será uma continuação do Lula. O próximo governo terá de enfrentar os problemas do século 21, que embute uma mudança radical na estrutura produtiva. Principalmente na maneira como vamos fornecer energia para o desenvolvimento.

FOLHA – Há 50 anos o sr. publicou “O Problema do Café no Brasil”. Como seria recebido hoje um trabalho econômico com a mesma abordagem histórica?
DELFIM -
Não seria aceito em lugar nenhum. Hoje estamos controlados por uma matemática bastarda. Há um domínio do brilhantismo, da técnica manipuladora sobre o realismo. Naquele tempo eu usava a matemática de forma moderada. Não havia, como há hoje, nenhum axioma que viola a realidade. Não redigi o artigo com lemas, pois a economia trata de dilemas. A matemática é que trata de lemas.

FOLHA – Como essa visão matemática afeta a análise econômica?
DELFIM
- Em novembro de 2008, a rainha [Elizabeth 2ª, do Reino Unido] chegou à London School of Economics e disse: “A única coisa que eu quero saber é o seguinte: há um século os senhores estão aqui estudando. Como é que não previram essa crise?”. Vários grupos de professores, então, prepararam respostas a ela. Os neoclássicos detectaram problemas de cálculos, erros em fórmulas. Já aqueles de orientação mais keynesiana disseram simplesmente que os economistas haviam abandonado a economia. Substituíram-na por uma matemática exagerada. Esqueceram a história, esqueceram a filosofia, esqueceram a psicologia, a geografia. É isso mesmo.

FOLHA – O sr. teve um problema de saúde recente. Teve mais sorte com médicos do que com economistas?
DELFIM -
Nunca tinha entrado num hospital, nunca tinha feito uma operação. Aos 81 anos, costumo dizer, tive minha primeira experiência. Fiquei dois meses baleado, mas estou bem, estou voltando a trabalhar. Aprendi a respeitar os médicos muito mais do que respeitava. O médico é muito menos ortodoxo do que um economista formado na visão única.

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23/11/2009 - 10:20h Desmate na Amazônia representa menos de 5% das emissões do País

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Dado será divulgado amanhã e levado à conferência de Copenhague; 65 líderes mundiais já confirmaram presença

João Domingos – O Estado SP

Além da meta voluntária de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, o Brasil levará outro trunfo para a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que será realizada em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. O governo apresentará um porcentual abaixo de 5% na emissão de gases pelo desmatamento da Amazônia em relação ao total emitido pelo País.

Os dados sobre a queda das emissões de dióxido de carbono (CO2) pela ação da derrubada da floresta obtidos pelo Estado serão apresentados amanhã, em Brasília, pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em agosto, o diretor-geral do Inpe, Gilberto Câmara, havia dito que valores preliminares apontavam que as emissão de gases pelo desmate da Amazônia ficariam em 2,5% do total – e não 5%, conforme havia sido apurado entre 2000 e 2005. Agora, com a medição concluída, o porcentual ficará entre 2,5% e 5%.

A queda das emissões resultantes do desmate da Amazônia em relação ao total do País deve-se à redução do desmatamento nos últimos quatro anos. “Além disso, a emissão por combustíveis fósseis aumentou, principalmente por causa do uso de carvão vegetal e do crescimento da frota de veículos”, disse o pesquisador do Centro de Ciências do Sistema Terrestre do Inpe Jean Ometto. Estudo divulgado na edição deste mês da Nature Geoscience, que contou com a participação de Ometto, revelou que a emissão de CO2 resultante do desmatamento é de 12% no mundo em relação ao total emitido – e não 20%, como divulgou em 2007 o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Segundo Ometto, houve queda no desmatamento na Amazônia, Indonésia e, embora em pequena escala, na África. Soma-se a isso o fato de que o desmatamento não faz árvores virarem fumaça imediatamente. Parte da madeira se transforma em móvel, casas e portas. Com isso, o carbono fica estocado por anos. Há ainda o fato de que parte das áreas desmatadas é substituída por pasto, à base de capim braquiária, um conhecido sequestrador de carbono, cana-de-açúcar e grãos, que também neutralizam a emissão. Isso, diz Ometto, também contribuiu para reduzir a emissão.

Os cálculos da emissão de gases no Brasil feitos pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) são imprecisos. A entidade adota como média para o Brasil um desmatamento anual de 30 mil km2, valor acima do real. O maior desmate ocorreu em 2004, com 27.423 kmqu2. De lá para cá, a queda foi acentuada – 2009 deve fechar com 7.008 km2. Se o País cumprir a meta voluntária de redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020, a derrubada ficará em 4,5 mil km2 por ano.

Para o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Adalberto Veríssimo, as dimensões continentais do Brasil exigem atenção redobrada.”Um incêndio pode ser devastador. Só o Pará é 40 vezes maior do que a Grécia, que costuma sofrer com o fogo no verão. Por causa do tamanho, o Brasil emite 30 mil vezes mais CO2 por queimadas do que o restante do mundo.”

CONVITE ACEITO

Pelo menos 65 líderes mundiais confirmaram presença em Copenhague, entre eles os do Brasil, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Japão e Indonésia. Autoridades dinamarquesas convidaram os chefes de Estado e governo de 191 países membros da ONU para a etapa final do encontro, que ocorrerá de 7 a 18 de dezembro. Segundo a Dinamarca, o presidente Barack Obama só irá à reunião se sua presença for crucial para selar o novo acordo do clima.

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23/11/2009 - 09:57h Plano de banda larga prevê nova empresa estatal

Serviço será oferecido por empresas privadas, usando rede estatal; projeto vai ser apresentado a Lula amanhã

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Gerusa Marques – O Estado SP

Depois de dois meses de discussões e divergências públicas, serão apresentadas amanhã, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, propostas que vêm sendo elaboradas por um grupo técnico do governo para colocar em prática o projeto de massificação da banda larga. Já está certo que o governo vai usar como base para esse projeto as redes ópticas de empresas estatais, como as da Petrobrás, Eletrobrás e Eletronet – empresa falida que tem a Eletrobrás como acionista.

A ideia é criar uma estatal da banda larga, que poderá ser administrada pela Telebrás, para atuar na transmissão de dados, ampliando a oferta de capacidade e estimulando a competição no setor, além de atender a comunicação do próprio governo. A proposta em estudo tem o objetivo de expandir a internet rápida para as classes mais carentes da população e para os pontos mais distantes do País.

As empresas da iniciativa privada, como as de telefonia e provedores de internet, operariam na ponta, fornecendo serviços ao cliente final.

Esse modelo híbrido, cuja notícia da criação foi antecipada pelo Estado em outubro, é fruto das negociações envolvendo técnicos de diversos ministérios, entre eles a Casa Civil, Comunicações e Planejamento.

A decisão final será do presidente Lula e, quando tomada, será criado um fórum, com a participação dos setores envolvidos, para acompanhar a implantação do Plano Nacional de Banda Larga.

META

O projeto terá 2014 como meta final. Os técnicos dos ministérios estão traçando diagnósticos com base nas diferenças regionais e econômicas do Brasil. O coordenador dos projetos de inclusão digital do governo federal, Cezar Alvarez, que participa das discussões, disse, na semana passada, que a banda larga no Brasil é “para poucos, concentrada, lenta e cara”, e que são esses os problemas que o governo quer corrigir.

Segundo ele, 80% dos acessos à internet em alta velocidade estão nas regiões Sul e Sudeste, sendo metade desse porcentual só no Estado de São Paulo. Alvarez lembra que o Brasil ainda considera como banda larga as conexões acima de 128 quilobits por segundo (kbps) enquanto, no mundo, a alta velocidade é acima de 1 megabit por segundo (Mbps).

PARCERIA COM AS TELES

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que desde o início defendeu uma parceria com as teles, vai apresentar uma proposta mais focada no atendimento da demanda do que na estrutura estatal.

O argumento dele é de que é impossível cumprir o objetivo de atender a toda a população sem usar a infraestrutura das teles, que soma 200 mil quilômetros de fibras e estará em todos os municípios brasileiros até o fim de 2010.

Assessores de Costa lembram que a rede do governo tem apenas 21 mil quilômetros. Desse total, 16 mil quilômetros são da Eletronet, que tem pendências na Justiça, o que poderia comprometer a implantação do projeto.

O Ministério das Comunicações fez estudos com as teles, considerando uma meta de chegar a 2014 com 80 milhões de acessos de banda larga, sendo 30 milhões pela rede fixa e 50 milhões pelas redes de telefonia celular. Hoje, o País tem pouco mais de 21 milhões de conexões.

Os estudos concluem que, se não houver incentivos, o Brasil chegaria a 2014 com 48 milhões de acessos, 32 milhões a menos que a meta. Para bancar a diferença, seriam necessários investimentos adicionais de até R$ 32 bilhões, segundo as estimativas de técnicos das empresas.

Cumprida esta meta, estariam alcançadas as classe C e D, que, segundo os mesmos técnicos, estariam dispostas a pagar até R$ 30 por mês.

Mesmo oferecendo um produto mais barato, as empresas sairiam lucrando porque ganhariam na quantidade. Para participar do projeto, as teles reivindicam desoneração tributária de produtos e serviços de telecomunicações e a liberação de recursos de fundos setoriais.

Alvarez já anunciou que serão liberados recursos recolhidos ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) a partir de 2009, que são em torno de R$ 1 bilhão ao ano. Desde 2001, já foram recolhidos pelas empresas mais de R$ 8 bilhões, mas os recursos não foram aplicados em nenhum projeto e vêm sendo usados para fazer superávit primário.

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23/11/2009 - 09:43h Antonio Donato foi eleito presidente do PT municipal no primeiro turno. Edinho Silva foi releito presidente estadual também no primeiro turno e José Eduardo Dutra deve ser confirmado hoje como o novo presidente nacional do PT

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Apuradas 80% das urnas da capital paulista, durante a noite de ontem, o vereador Antonio Donato contabilizava 65% dos votos. Também na capital paulista Edinho Silva atingia 94% dos votos e José Eduardo Dutra 82%. Estes resultados parciais concernem a votação na cidade de São Paulo. LF fonte twitter Donato


da Folha Online

O ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (SE), favorito na disputa à presidência do PT, deve ser confirmado ainda hoje para o cargo.

Dutra tem o apoio dos principais líderes do partido, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e conseguiu unir três correntes do partido: Novos Rumos, PT de Lutas e Massas e Construindo um novo Brasil.

Ele defende a aliança do partido com o PMDB para 2010, mas não descarta antigos aliados, como o PC do B e o PSB.

O PED (Processo de Eleição Direta) do PT, realizado neste domingo (22), é considerado o maior processo de eleição de um partido no país. A expectativa era de que 200 mil filiados fossem às urnas.

Como a votação é manual, a apuração das cédulas só deve ser finalizada nesta terça-feira.

Se houver segundo turno, Dutra deve disputar o comando do PT com o atual secretário-geral, deputado José Eduardo Cardozo (SP), que conta com o apoio do ministro Tarso Genro (Justiça).

Também estão na corrida interna: Iriny Lopes (Chapa Esquerda Socialista), Markus Sokol (Chapa Terra, Trabalho e Soberania), Geraldo Magela (Chapa Movimento: Partido para Todos) e Serge Goulart (Chapa Virar à Esquerda, Reatar com o Socialismo).

A nova direção deve tomar posse em fevereiro, durante o 4º Congresso do partido, em Brasília, quando deve ser confirmada oficialmente a candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial.

Ao longo do dia de ontem, os líderes do partido marcaram presença em todo o país na escolha do futuro comando do PT. A maior movimentação foi na sede do Diretório Nacional em Brasília. Pela manhã, o presidente Lula votou acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, da ministra Dilma, de seu chefe de gabinete Gilberto Carvalho e do atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini.

Descontraído, Lula aproveitou para mandar recados aos correligionários e aos possíveis aliados do PT para 2010. Recomendou prioridade para o projeto de fazer seu sucessor e defendeu que se houver divergência, não seja um obstáculo para a campanha majoritária.

“Eu não tenho mais ilusão quando se trata de disputas locais, por mais que a gente oriente as pessoas de que deve prevalecer é o projeto nacional, normalmente, o que tem acontecido é que cada um olha para o seu umbigo e prevalece as questões dos Estados. O que é importante é que se houver divergências dentro da base aliada nos Estados, isso não seja impeditivo para a ministra Dilma”, disse Lula.

Dilma também falou das dificuldades em se conciliar os problemas nacionais com os regionais, mas usou um tom conciliador. “Eu sempre acho que não pode ser fundamentalista. Tem essa ótica nacional que ela sobrepõe necessariamente, mas há de se levar em conta as realidades locais porque os interesses locais são legítimos”, disse.

A ministra ainda recorreu a um discurso amigável para falar de um possível retorno de petistas à direção do partido que são réus do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Para Dilma, é natural que eles exerçam seus direitos políticos porque ainda não foram condenados.

“Olha, eu acho que o PT está procedendo de forma correta. Você não pode adotar uma prática que ocorreu muito no Brasil ao longo dos últimos anos que era, ao contrário da conquista democrática do ocidente que havia que provar que uma pessoa era culpada e não a pessoa provar que era inocente. Até agora, nós não temos nenhuma dessas pessoas julgadas ou condenadas em definitivo, então, acho normal que elas exerçam seus direitos políticos. Ninguém pode ser cassado a priori”, disse.

Segundo reportagem da Folha publicada no sábado (21), os favoritos, Dutra e Cardozo, afirmam que, se eleitos, não colocarão obstáculo à volta de petistas que são réus no mensalão, com o ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha.

Na avaliação do presidente, o PT que foi às urnas ontem aprendeu com os erros. “O PT está hoje muito maior, muito mais consolidado, mais calejado, muito mais senhor da situação. Não existe na história da humanidade, na história política do mundo, um partido que estando no poder não tenha cometido erros. Isso aconteceu no mundo inteiro e aconteceu no PT. O que nós precisamos é ter clareza que os erros cometidos devem servir de ensinamentos para que a gente não erre outra vez.”

Postado por Luis Favre
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23/11/2009 - 08:43h PT escolhe direção e congresso que definirá programa de governo

Paulino Menezes
Foto Destaque
Lula: voto na direção do PT e reclamações contra diretórios que mantêm candidaturas contra o interesse da candidatura de Dilma; “cada um olha para seu umbigo”


Cristiane Agostine, Maria Inês Nassif, Paola de Moura e Sérgio Bueno, de Brasília, São Paulo, Rio e Porto Alegre – VALOR

No dia em que o PT fechou as urnas do seu Processo Eleitoral Direto (PED) como uma coroação do protagonismo que deverá retomar no processo eleitoral de 2010 e num governo de Dilma Rousseff, se a candidata vencer as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou de camisa vermelha e deixou registrado o seu desagrado ao ao comportamento dos diretórios regionais do partido que não cederam nas negociações de aliança eleitoral com o PMDB. “Eu não tenho mais ilusão quando se trata de disputas locais. Por mais que a gente oriente as pessoas de que o que deve prevalecer é o projeto nacional, normalmente o que tem acontecido é que cada um olha para o seu umbigo e prevalecem as questões dos Estados”, disse. “O que é importante é que se houver divergências dentro da base aliada nos Estados, que isso não seja impeditivo para a ministra Dilma ter dois ou mais candidatos apoiando sua candidatura”, relativizou.

Lula referiu-se aos casos de Estados como Minas, Rio e Bahia, que mantém decisão de candidatura própria apesar de isso poder resultar no fracasso da negociação nacional com o PMDB. O presidente votou ontem pela manhã, na sede nacional do PT, em Brasília, acompanhado de sua esposa, Marisa Letícia, e da ministra Dilma.

Em Minas, o PED tornou mais remotas as chances de o partido abrir mão de uma candidatura própria (ver matéria). No Rio, a eleição está polarizada entre os grupos do PT que querem a aliança com o PMDB já no primeiro turno da eleição de 2010 e os que pleiteiam uma candidatura própria a governo do Estado. A pré-candidatura ao governo que está na mesa é a do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, que interpretou as declarações de Lula como reconhecimento de que partido não vai conseguir unificar todos os Estados.

Ao lado do presidente Lula na votação, a ministra e pré-candidata Dilma disse que o PT não pode “ser fundamentalista” na articulação de alianças com outros partidos nos Estados. A ministra, no entanto, afirmou que o que for decidido pelo Congresso do PT, em fevereiro, sobre as alianças deverá ser seguido nos Estados.

Embora pareça uma contradição, terminado o PED o PT deverá se envolver na construção do “protagonismo” reclamado por todos os candidatos a presidente durante a campanha que terminou ontem, com a provável vitória em primeiro turno do ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra, candidato da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), que teve o apoio do grupo Novo Rumo, que tem na ex-prefeita Marta Suplicy uma de suas expoentes, e do PT de Lutas e de Massas, facção ligada à família Tatto que chegou ao segundo turno PED de 2009, na disputa pela presidência do PT. O resultado oficial deve ser proclamado na terça-feira.

Além de definir o presidente do partido e a composição do Diretório Nacional – que deverá escolher a Executiva – pelos próximos três anos, os filiados que compareceram ao PED escolheram também os delegados do congresso nacional que será realizado em fevereiro. Instância máxima do PT, tem o poder de definir as diretrizes partidárias, as políticas de alianças e normas de condução interna.

Com número de delegados proporcional à votação do PED, cada uma das oito chapas ao Diretório Nacional (que concorreram simultaneamente aos seis candidatos a presidente da sigla) terá condições de participar do congresso, que deve ter cerca de 1.300 delegados – um para cada mil filiados. “Por menor que os grupos sejam, eles têm sempre voz; se não disputarem, somem da dinâmica partidária”, afirmou o deputado José Genoíno, ex-presidente da legenda.

Durante o processo eleitoral, questões programáticas e de alianças foram intensamente debatidas e todos as candidaturas, mesmo as mais ligadas ao presidente Lula, concordam que num terceiro governo do PT, sem Lula, o partido terá de ter um protagonismo maior nas definições programáticas e nas decisões de governo. “O partido não tem que conceber políticas públicas apenas quando está na oposição”, afirmou o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo (SP), candidato a presidente pela Mensagem ao Partido, que deve sair como a segunda força do PT dessas eleições, mesmo sendo uma tendência relativamente nova – foi criada após o escândalo do mensalão, em 2005. “A confusão entre partido e governo permeou a ação partidária, muitas vezes com os presidentes do partido agindo como porta-vozes do governo, e não do partido”, disse.

Eleitor de Cardozo, o ministro Tarso Genro defendeu, num eventual governo de Dilma Rousseff, um partido “mais organizado, mais vinculado aos movimentos sociais e mais integrado às grandes decisões políticas do governo.” Com a ressalva de que o atual presidente, deputado Ricardo Berzoini (SP), “desempenhou seu papel num momento difícil da vida do partido”, durante a chamada crise do Mensalão, a ex-prefeita Marta Suplicy, que apoiou a chapa de Dutra, disse que ele foi a “reboque” de Lula e de Dilma e o PT tende a retomar o controle nessas eleições.

Também há uma convergência nas questões programáticas e nas opiniões sobre políticas de alianças – embora os candidatos à esquerda, como Markus Sokol, da Tendência “Terra, Trabalho e Soberania” e Serge Goulart, da “Virar à Esquerda, Reatar com o Socialismo”, sejam contrários à aliança com o PMDB. As demais tendências, agrupadas em torno dos candidatos José Eduardo Dutra, Geraldo Magela, Iriny Lopes e Cardozo defenderam o fortalecimento do núcleo de esquerda na aliança eleitoral e numa eventual coalizão sem, no entanto, descartar uma aliança eleitoral com o PMDB. Essa confluência resulta também num entendimento generalizado de que programaticamente o PT pode caminhar para compromissos mais progressistas com Dilma do que nos dois governos de Lula. “Existem tarefas que agora podem ser realizadas; antes não podiam”, afirmou o ex-deputado e ex-presidente do partido José Dirceu. Ele aponta como temas o aprofundamento da distribuição de renda e reformas política, educacional, tecnológica e de gestão pública, além de questões ambientais no agronegócio e na agricultura familiar. “A sociedade espera um maior papel do Estado e não sei se isso é guinar à esquerda, porque não sei se o empresariado vai ser contra.”

Integrantes de tendências mais à esquerda do partido, no entanto, estão pessimistas quanto a possibilidade de o PT dar uma guinada à esquerda. Sokol disse que houve uma recomposição do antigo Campo Majoritário, que tinha ampla maioria no partido até o escândalo do mensalão. O dirigente e candidato defende o debate da atualização do índice de produtividade da terra e o aumento do controle estatal sobre as reservas de petróleo.

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23/11/2009 - 08:18h Ex-senador deve ser eleito presidente do PT

http://politicaecidadania.atarde.com.br/wp-content/uploads/2009/09/dutra.jpghttp://www.pt-sp.org.br/blog/edinho/imagens/913.jpghttp://www.pt-sp.org.br/tpl/spawfotos/Donato%20Ogata.JPG

José Eduardo Dutra, Edinho Silva e Antonio Donato, são os favoritos para presidente nacional, estadual e municipal do PT

DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA SP

O ex-senador José Eduardo Dutra deve confirmar hoje seu favoritismo e ser eleito presidente do PT. Segundo dados extra-oficiais da noite de ontem, eram grandes as chances de uma vitória ainda no primeiro turno. Dutra é da chapa Construindo um Novo Brasil (CNB), o antigo Campo Majoritário do partido. Seu principal rival é o deputado federal e atual secretário-geral petista, José Eduardo Cardozo, do grupo Mensagem ao Partido.
Os outros quatro candidatos à presidência são Geraldo Magela, Iriny Lopes, Markus Sokol e Serge Goulart.
Os filiados ao partido votavam diretamente nas chapas. Além da direção nacional, foram eleitas lideranças estaduais e municipais.
Os filiados foram às urnas em mais de quatro mil municípios no país. O resultado oficial será anunciado até amanhã. A nova direção será escolhida com base no número de votos das chapas. A posse ocorrerá em fevereiro. O mandato foi estendido de dois para três anos.
As eleições do PT neste ano marcaram a união das principais correntes da sigla ainda no primeiro turno da disputa. “Esse foi o PED [Processo de Eleição Direta] de maior convergência entre as candidaturas. Não vai deixar sequelas, como aconteceu em outros anos”, afirmou Dutra.
Na eleição anterior do partido, em 2007, Ricardo Berzoini, atual presidente, e o deputado federal Jilmar Tatto, do PT de Lutas e Massas, foram para o segundo turno.
No Estado onde está pelo menos um terço dos filiados do partido, a CNB e as correntes Novo Rumo e PT de Lutas e Massas fecharam um acordo que envolveu as três esferas de poder da sigla -municipal, estadual e nacional.
A tendência Novo Rumo, ligado à ex-prefeita da capital Marta Suplicy e uma dissidência da antiga ala majoritária, fechou apoio ao nome de Dutra para a presidência.
Em troca, a CNB apoiou Antonio Donato, do Novo Rumo, para o Diretório Municipal. Edinho Silva foi escolhido pelas duas correntes para comandar o partido no Estado, pelo segundo mandato consecutivo.
“O PT conseguiu uma união sem grandes turbulências, uma lição de maturidade que todos deveriam aproveitar”, afirmou Marta. (ANA FLOR E JOSÉ ALBERTO BOMBIG)

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22/11/2009 - 22:00h Boa noite

Hilary Hahn – Concerto para violino de Shostakovich

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22/11/2009 - 19:33h Don Giovanni! a cenar teco m’invitasti”


Samuel Ramey e Kurt Moll; Ferruccio Furlanetto como Leoporello – Don Giovanni de Mozart, cena final

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22/11/2009 - 19:00h O final trágico de Marcel Duchamp

http://www.france-amerique.com/articles/images/featured/558-513.main.jpg

pintura de Gilles Aillaud

http://weblogs.clarin.com/antilogicas/archives/Vivir%20y%20deja%20morir%20o%20el%20fin%20tr%E1gico%20de%20Marcel%20Duchamp.jpg

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22/11/2009 - 18:26h Na praia



Am Strand

(Im Atemhaus wohnen S. 14) Meine Freundin am Strand
die vierjährige Mulattin
lacht das gelocke Lachen
ihrer Rasse

In ihren Augen badet das Meer
ihr Haar ist ein Schwarm Schwalben
die Hand eine bronzene Blüte

Sie schaufelt Sonne in den Blecheimer
schüttet sie in meine Hand
lacht ein Echo in den Sand

Ihr Schatten durchschneidet den Schatten
eines blonden Knaben
Eine Minute steht das Kreuz
in Glanz gehaun
dann zerbricht es
in zwei entgegengesetzte Bewegungen

Komm kleine Freundin
der Sand ist reif
wir wollen baun
ein Haus eine Stadt ein Land
füll deinen Eimer mit Sonne
lach um uns ein
weltweites Echo

Hoffnung II

(Im Atemhaus wohnen S. 43) Wer hofft
ist jung

Wer könnte atmen
ohne Hoffnung
daß auch in Zukunft
Rosen sich öffnen

ein Leibeswort
die Angst überlebt

Wandlung

(Im Atemhaus wohnen S. 44) Wir kamen Heim
ohne Rosen
sie blieben im Ausland

Unser Garten liegt
begraben im Friedhof

Es hat sich
vieles in vieles
verwandelt

Wir sind Dornen geworden
in fremden Augen

Doppelspiel

(Im Atemhaus wohnen S. 46) Wir verwalten
die Erde

verwandeln sie
in Gärten Worte Scheiterhaufen

Dieses Doppelspiel
Blumen Worte
Kriegsgestammel

Grundworte

(Im Atemhaus wohnen S. 47)

Wortwind
im Menschenmeer

jedes Wort
eine Stimme

Sie sagt
das Meer und ich
wir lieben uns

Kommt
trinket Grundworte

Liebe

(Im Atemhaus wohnen S. 51)

Zwei wolken
umarmen sich
bald werden sie
uns umarmen

Im Wald
wächst eine Wiege
Lockruf und Antwort

Die beiden Tauben
im Vorhof des Tempels
verlobt

Der Ring hat
einen Finger gefunden
der ihn nicht mehr entläßt

Unter dem Baldachin
der Schleier
hat die Gestalt einer Amsel
sie singt auf den
Lippen der Braut

Rosen legen
ihre Dolche schlafenr

Die Sekunden

(Im Atemhaus wohnen S. 53)

Sie fallen leicht wie Luft
durch die Wimpern

Wir können uns nicht
verabschieden

Keine Lücke
zwischen den Stürzen

Wenn wir erzählen möchten
der letzte Traum
war so und so
oder
was aus Atlantis kommt
in Andeutungen

zwischen zwei Augenblicken
unsere Rede
nie zu Ende geführt

Du und ich

(Im Atemhaus wohnen S. 54)

Ich sage
du und ich
sind unsre Welt

Sie ist ein Ich
wie ich und du

blüht wie wir
wird sterben wie wir

und Platz machen
andern Welten

Die Götter II

(Im Atemhaus wohnen S. 71)

Die Götter
ja wußten sie
was uns not tut

Sie schenkten uns
was sie erfanden
Feuer Wasser Luft
die arglose Erde

Es war zuviel

Wir stecken die Erde in Brand
Rauch verspestet die Luft
Luftwolken fallen ins Wasser
es tränkt uns
mit Gift

Die Götter zogen sich zurück
in den unnahbarsten Himmel

Die Zeit

(Im Atemhaus wohnen S. 74)

Wird kommen die Zeit
ist da
vergeht und bleibt

spielt mit dir Blindekuh
versteckt sich nachts
ein Silbervogel
in deinem Traum

terne fallen
der Mond
kommt und geht
mit der Zeit
die vergeht und
bleibt

Daheim (Eingeständnis S. 93)

In der Fremde daheim

Land meiner Muttersprache
sündiges büßendes Land
ich wählte dich
als meine Wohnung
Heimatfremde

wo ich viele
fremde Freunde
liebe

(Blinde Sommer – Gesammelte Gedichte S. 86) Meine Nachtigall

Meine Mutter war einmal ein Reh
Die goldbrauen Augen
die Anmut
blieben ihr aus der Rehzeit

Hier war sie
halb Engel halb Mensch —
die Mitte war Mutter
Als ich sie fragte was sie gern
geworden wäre
sagte sie: eine Nachtigall

Jetzt ist sie eine Nachtigall
Nacht um Nacht hore ich sie
im Garten meines schlaflosen Traumes
Sie singt das Zion der Ahnen
sie singt das alte Österreich
sie singt die Berge und Buchenwälder
der Bukowina
Wiegenlieder
singt mir Nacht um Nacht
meine Nachtigall
im Garten meines schaflosen Traumes

(Blinde Sommer – Gesammelte Gedichte S. 87)

Der Vater

Am Hof des Wunderrabi von Sadagora
lernte der Vater die schwierigen Geheimnisse
Seine Ohrlocken läuteten Legenden
In den Händen hielt er den hebräischen Wald

Bäume aus heiligen Buchstaben streckten Wurzeln
von Sadagora bis Czernowitz
Der Jordan mündete damals in den Pruth —
magische Melodien im Wasser
Der Vater sang sie lernte und sang das
Erbe der Ahnen verwuchs mit
Wald und Gewässern

Hinter den Weiden neben der Mühle
stand die geträumte Leiter
an den Himmel gelehnt
Jacob nahm auf den Kampf mit den Engeln
immer siegte sein Wille

Von Sadagora nach Czernowitz und

zurück zum Heiligen Hof gingen die Wunder
nisteten sich ein im Gefühl
Der Knabe erlernte den Himmel kannte die
Ausmaße der Engel ihre Distanze und Zahl
war bewandert im Labyrinth der Kabbala.

Einmal wollte der Siebzehnjährige
die andere Seite sehn
ging in die weltliche Stadt
verliebte sich in sie
bliebe an ihr haften

Sekunde

(Im Atemhaus wohnen S. 128)

Wie lang
kann man warten

Eine Sekunde
Ewigkeit

die nächste
ist Zeit

Nicht ich

(Im Atemhaus wohnen S. 127)

Wer mich kennt
weiß
daß ich nicht
Ich bin

nur eine
verschwiegene Stimme

Mein Wort
du solltest es
besser wissen

Musik

(Im Atemhaus wohnen S. 124)

Aus welchem Instrument
tönt ihr Takt
an unser Ohr

Musik sind wir
ihre Stimme
schwingt
ins uns

Hör die Erde tönen
im Atemwort

Zirkel

(Im Atemhaus wohnen S. 121)

Der Zirkel
zieht einen Kreis
um einen Punkt

Nicht jeder Zirkel
nimmt jeden auf
in seinen Kreis

Kreislauf
um einen Punkt
um einen Schwerpunkt

Nicht jeder Zirkel
zieht einen Kreis
um einen Schwerpunkt

Mutterland

(Mutterland S. 17)

Mein Vaterland ist tot
sie haben es begraben
im Feuer

Ich lebe
in meinem Mutterland
Wort

Immer im Gespräch

(Mutterland S. 28)

Ichworte Duworte
die dich verwandeln

Auf dem Weg
zu Wasser Wäldern Bergen
zu dir

immer im Gespräch
mit der Atemzeit

Fragenzeichen

(Mutterland S. 51)

Du sprichst mich an
Hat dein Wort mich erkannt?
Ich bin ein Fragenzeichen
kein Punkt

Narben

(Mutterland S. 54)

Wenn der Tag
vernarbt ist
brechen auf
die Wunden der Nacht

Sternfälle
säumen den Traum
er fängt auf was ihm e
in den Schoß fälltlhe

Mir fällt
der Traum in den Schoß
eh mich der Schlaf überrascht
und die Nacht
vernarbt

Wünsche

(Eigengeständnis S. 90)

Ich möchte ein Magnolienbaum sein
jeden Mai blühen
Eine Nachtigall möchte ich sein
mit süßer Stimme

oder ein Berg
von der Sonne umarmt
reingewaschen vom Regen
endlose Gipfelschau
ein Jahrtausendeleben

Nein
kein Magnolienbaum möchte ich sein
kein Nachtigall
auch kein Berg

Ich will ich sein
Menschen lieben
Weltspuren folgen
Und wenn der Sprachgeist erlaubt
mit einigen Worten
meinen Tod überleben

Menschlich II

(Eingeständnis S. 95)

Wenn man lang
in die Wolken blickt
sieht man oft
Ungeheuer und Engel

Auch das Laub hat
viele Gesichter
Manchmal erkenne ich
einen Freund
im Blattwerk

So menschlich werden zuweilen
vertraute Dinge

Aber die Menschen
sind Rätsel
die ich lösen möchte

Einsamkeit

(Gesammelte Gedichte, pg. 374)

Wahrgeworden
die Weissagung der Zigeunerin

Dein Land wird
dich verlassen
du wirst verlieren
Menschen und Schlaf

wirst reden
mit geschlossenen Lippen
Zu fremden Lippen

Lieben wird dich
die Einsamkeit
wird dich umarmen

Letzte Mutter

(Andere Zeichen – GG – 276)

In Blut und Wasser geboren
erzogen im Urwald
der Großstadt

Ein Dschungel grenzt
an den andern
durch Messer getrennt

Mit dem Lichtgipfel fliegen
im Giftfluß schwimmen

Letzte Mutter
Luft
wir bringen sie um

(Blinde Sommer – GG 100)

Damit kein Licht uns liebe

Sie kamen
mit scharfen Fahnen und Pistolen
schossen alle Sterne und den Mond ab

damit kein Licht uns bliebe
damit kein Licht uns liebe

Da begruben wir die Sonne
Es war eine unendliche Sonnenfinsternis

Evalose Zeit (Blinde Sommer – GG 47)

In der Mondsubstanz
aus geborgtem Licht
wohnt das verwitterte
Adamsgesicht

Die Wangesäcke
hängen im Eis
der Mund vergilbt
im leeren Kreis

Der Augenzwilling
schwarz, entzweit
starrt in die
evalose Zeit

Na praia

Minha amiga na praia
a mulatinha de quatro anos
ri o riso charmoso
de sua raça

Em seus olhos banha-se o mar
seu cabelo é um bando de andorinhas
a mão uma flor bronzeada

Ela enche de sol o balde de lata
despeja-o na minha mão
ri um eco na areia

Sua sombra corta a sombra
de um menino louro
Por um minuto surge a cruz
envolta num halo
depois rompe-se
em dois movimentos contrários

Vem pequena amiga
a areia está madura
nós queremos construir
uma casa uma cidade um país
enche teu balde de sol
ri para a gente um
eco amplo como o mundo

Esperança II

Quem tem esperança
é jovem

Quem poderia respirar
sem a esperança
de que também no futuro
as rosas irão se abrir

uma palavra corporificada
o medo sobrevive

Mudança

Chegamos em casa
sem rosas
elas ficaram no estrangeiro

Nosso jardim está
enterrado no cemitério

Muito tem
se transformado
em muito mais

Nós temos virado espinhos
em olhos estranhos

Jogo duplo

Nós administramos
a terra

a transformamos
em jardins palavras fogueiras

Este jogo duplo
flores palavras
gaguejos de guerras

Palavras profundas

Vento de palavras
no mar humano

cada palavra
uma voz

Esta diz
o mar e eu
nos amamos

Venham
bebam palavras profundas

Amor

Duas nuvens
se abraçam
logo vão
abraçar-nos

Na floresta
cresce um berço
uma chamada e a resposta

As duas pombas
no pátio do templo
apaixonadas

O anel
encontrou um dedo
que ja não lhe deixa mais

Debaixo do dossel
o véu
toma a forma de un melro
ele canta
nos lábios da noiva

As rosas põem
os espinhos para dormir

Os segundos

Eles caem leves como o ar
através das pestanas

Não podemos
despedir-nos

Nenhum buraco
entre as quedas

Se quisermos contar
o último sonho
foi isto e aquilo
ou
o que vem da Atlântida
como sugestões

entre dois instantes
nossa conversa
nunca ao fim

Você e eu

Eu digo
você e eu
somos nosso mundo

Ele é um eu
como você e eu

floresce como nós
irá morrer como nós

e abrirá espaço
para outros mundos

Os deuses II

Os deuses
sim eles sabiam
o que nos faz falta

Eles nos presentearam
com o que inventaram
Fogo Água Ar
a inocente Terra

Isso foi demais

Nós queimamos a Terra
a fumaça suja o ar
nuvens de ar caem na água
que nos afoga
com veneno

Os deuses se afastam
ao mais longínquo céu

A hora

Vai chegar a hora
está aqui
passa e fica

brinca com você de cabra cega
à noite esconde-se
um pássaro de prata
em seus sonhos

Estrelas caem
a lua
vai e vem
com a hora
que passa e
fica

No lar

No lar estrangeiro

terra da minha língua materna
terra pecaminosa, penitente
eu escolhi você
para a minha morada
pátria forasteira

onde eu muitos
amigos desconhecidos
amo

Meu rouxinol

Minha mãe foi algum dia uma gazela
os olhos marrons-dourados
a gracilidade
são de seu tempo de gazela

Aqui ela foi
meio anjo meio ser humano —
o meio foi mãe
Quando lhe perguntei o que ela gostaria mesmo de ser
ela me disse: um rouxinol

Agora ela é um rouxinol
Noite após noite ouço-a
no jardim de meus sonhos insones
Ela canta o Sião dos antepassados
ela canta a velha Áustria
ela canta as montanhas e as florestas de faial
de Bukowina
canções de ninar
canta-me noite após noite
meu rouxinol
no jardim de meus sonhos insones

O pai

Na corte do rabino mágico de Sadagora
o pai aprendeu os difíceis segredos
os caracóis dos cabelos repicavam lendas
ele empunhou a floresta hebraica

Árvores das letras sagradas criaram raízes
de Sadagora a Czernowitz
O Jordão desembocava então no Pruth —
mágicas melodias nas águas
O pai cantava-as aprendeu-as e cantava a
herança dos antepassados unida a
florestas e correntezas

Atrás do salgueiro ao lado do moinho
estava a sonhada escada
apoiada no céu
Jacó participou da luta com os anjos
sua vontade sempre venceu

Os milagres foram de Sadagora a Czernowitz e

de volta ao pátio sagrado
aninharam-se em sentimentos
O rapaz conheceu o céu aprendeu o
número, distância e quantidade de anjos
tornou-se versado nos labirintos da cabala.

Certo dia o rapaz de dezessete anos quis
ver o outro lado
foi à cidade profana
apaixonou-se por ela
e a ela ficou preso

Segundo

Quanto tempo
pode-se esperar

Um segundo
uma eternidade

o próximo
é tempo

Eu não

Quem me conhece
sabe
que eu não
sou eu

apenas uma
voz discreta

Minha palavra
você deveria
saber melhor

Música

De qual instrumento
soa seu compasso
em nossos ouvidos

Nós somos a música
sua voz
vibra
em nós

Escuta a terra soar
na palavra respirada

O compasso

O compasso
traça um círculo
em torno de um ponto

Nem todo compasso
aceita qualquer um
no seu círculo

A órbita
em torno de um ponto
em torno de um centro de gravidade

Nem todo compasso
traça um círculo
em torno de um centro de gravidade

Mátria

Minha pátria está morta
eles a enterraram
no fogo

Eu vivo
na minha mátria
a palavra

Sempre conversando

Eupalavras vocêpalavras
que transformam você

rumo
à água florestas morros
a você

sempre conversando
com o ritmo da respiração

Ponto de interrogação

Você fala comigo
Será que a sua palavra me reconheceu?
Eu sou um ponto de interrogação
não um ponto final

Cicatrizes

Quando o dia
cicatriza
estouram
as feridas da noite

Estrelas em queda
retardam o sonho
ele recolhe o que
lhe cai no colo

O sonho
cai-me no colo
antes que o sono me surprenda
e a noite
cicatrize

Desejos

Eu gostaria de ser um pé de magnólia
florescer todo maio
Eu gostaria de ser um rouxinol
de doce trino

ou um morro
abraçado pelo sol
purificado pela chuva
olhar de cumes sem fim
uma vida milenar

Não
eu não gostaria de ser pé de magnólia
nem rouxinol
morro também não

Eu quero ser eu
amar as pessoas
seguir as pegadas do mundo
e se o gênio da língua permitir
junto com algumas palavras
à minha morte sobreviver

O humano II

Quando se olha
longamente as nuvens
vê-se com freqüência
monstros e anjos

A folhagem também tem
muitos rostos
Às vezes reconheço
um amigo
no folhedo

Assim às vezes coisas familiares
tornam-se humanas

Os seres humanos porém
são um enigma
que eu gostaria de decifrar

Solidão

Tornou-se realidade
a profecia da cigana

A sua terra vai
abandonar você
você vai perder
pessoas e o sono

vai falar
de lábios fechados
para lábios estranhos

Vai amar você
a solidão
vai abraçar você

Última mãe

Nascida em sangue e água
crescida na mata
da cidade grande

Uma floresta faz fronteira
com a outra
separadas a faca

Voa no cume da luz
nada na corrente de veneno

Última mãe
Ar
Nós a matamos

Para que luz nenhuma nos ame

Eles chegaram
com bandeiras afiadas e pistolas
abateram todas as estrelas e a lua

para que entre nós luz nenhuma fique
para que luz nenhuma nos ame

Então enterramos o sol
Foi um interminável eclipse solar

Tempo sem Eva

Na substância da lua
feita de luz oculta
mora o desfigurado
rosto de Adão

As bochechas
penduradas no gelo
a boca amarela
num círculo vazio

Os olhos gêmeos
pretos divididos
estão cravados no
tempo sem Eva

Tradução
Salvador Pane Baruja

Postado por Luis Favre
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22/11/2009 - 10:47h Israel – Palestina: Solução de 2 Estados está em xeque

Sem acordo até 2011, palestinos pressionarão por Estado único

http://laionmonteiro.files.wordpress.com/2009/01/nena_palestina_tanque_israel.jpg

John V. Whitbeck – O Estado SP

O “processo de paz” do Oriente Médio, um processo aparentemente perpétuo, chegou ao momento da verdade. Foi o que o principal negociador palestino, Saeb Erekat, afirmou em entrevista no último dia 4.

As esperanças dos palestinos de que o governo Barack Obama continuasse insistindo com firmeza para que Israel parasse de expandir os assentamentos em território palestino frustraram-se. Houve um momento particularmente decepcionante, quando a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, usou o termo “sem precedentes” ao elogiar a promessa mínima de Israel de reduzir seu programa de expansão dos assentamentos.

Reagindo rapidamente, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou que não se candidataria à reeleição porque agora estava claro que os Estados Unidos não se oporiam a Israel. A capitulação de Washington sugere a possibilidade de que “a solução dos dois Estados deixou de ser uma opção, e agora talvez o povo palestino deva voltar suas atenções para a solução de um Estado único, em que muçulmanos, cristãos e judeus possam viver em condições iguais”, disse Erekat.

Sua declaração clamorosa poderá assinalar uma guinada na longa e frustrante busca da paz com algum grau de justiça entre Israel e a Palestina.

STATUS QUO

Durante os longos anos do chamado processo de paz, os prazos foram constantemente desrespeitados, como era previsível. Este fracasso foi facilitado pela realidade prática de que, para Israel, o “fracasso” não teve outra consequência senão a continuação do status quo, que para todos os governos israelenses tem sido não apenas tolerável, como preferível a qualquer alternativa realizável de um ponto de vista realista. Para Israel, o “fracasso” sempre constituiu um “sucesso”, permitindo que continuasse confiscando terra palestina, expandindo suas colônias na Cisjordânia, construindo desvios acessíveis unicamente aos judeus, e em geral tornando a ocupação cada vez mais permanente e irreversível.

No interesse de todos, esta situação terá de mudar. Para que haja alguma perspectiva de sucesso numa nova rodada de negociações, o fracasso deve ter consequências claras, convincentes e inapeláveis para os israelenses.

A liderança palestina, com ou sem Abbas, agora deveria anunciar que está disposta a retomar as negociações com Israel, mas somente com base num entendimento expresso e irrevogável: se não houver um acordo de paz definitivo com base na “solução de dois Estados”, e se este não for assinado até o final de 2010, o povo palestino não terá outra escolha senão buscar a justiça e a liberdade pela democracia – mediante plenos direitos de cidadania em um Estado único em todos os territórios que, antes de 1948, constituíam a Palestina, livre de toda discriminação de raça ou religião, com direitos iguais para todos os que viverem neste Estado, como ocorre numa verdadeira democracia.

A Liga Árabe deveria então declarar publicamente que a generosa Iniciativa de uma Paz Árabe, que desde março de 2002 oferece a Israel uma paz permanente e relações diplomáticas e econômicas normais em troca do cumprimento da lei internacional pelos israelenses, expirará e será retirada da mesa de negociações, caso um acordo de paz definitivo palestino-israelenses não seja assinado até o final de 2010.

Neste momento – e não antes – poderão começar negociações sérias e cruciais. Considerando a extensão do avanço dos assentamentos israelenses em terras palestinas, talvez já seja tarde demais para se chegar a uma solução de dois Estados satisfatória, mas uma solução satisfatória nesse sentido jamais terá maior chance de ser alcançada. Se de fato for tarde demais, israelenses, palestinos e o mundo poderão, então, concentrar suas mentes e esforços de modo construtivo na única alternativa satisfatória.

É até mesmo possível que, se obrigados a trabalhar no próximo ano na perspectiva de viver num Estado totalmente democrático, muitos israelenses consigam considerar esta “ameaça” menos terrível do que têm feito tradicionalmente.

A este propósito, talvez os israelenses devessem conversar com alguns sul-africanos brancos. A transformação da ideologia da supremacia racial e do sistema político da África do Sul num sistema plenamente democrático os transformou de marginalizados em pessoas bem-vindas em toda a região.

Além disso, garantiu a permanência de uma presença branca forte e vital na África do Sul de um modo que nunca seria possível com flagrante injustiça de uma ideologia e um sistema político com base na supremacia racial e com a imposição aos nativos de “Estados independentes” fragmentados e dependentes. Este não é um precedente a ser menosprezado, mas poderá e deverá servir de inspiração.

Postado por Luis Favre
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22/11/2009 - 09:58h A (in)justiça social do IPTU de Kassab

http://www.estadao.com.br/fotos/kassab_serra_sergioNeves_p.jpg

IPTU maior não distingue áreas com ou sem obras

Mesmo acesso ao metrô, visto por Kassab como fator de valorização, não faz tanta diferença no novo cálculo

Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli – O Estado SP

“Não é justo uma pessoa beneficiada com largos investimentos, que teve o metrô que chegou perto de sua casa, pagar a mesma correção de imposto que o morador de uma área que não recebeu investimentos públicos.” A frase do prefeito Gilberto Kassab (DEM), proferida na última quarta-feira para defender os reajustes na Planta Genérica de Valores do município (uma das bases para o aumento do IPTU que deverá vir no ano que vem), acabou chamando mais a atenção dos paulistanos do que os próprios cálculos para o novo imposto. Depois de ver a então prefeita Marta Suplicy ser atacada quando mexeu no IPTU, Kassab resolveu agora enfrentar qualquer tipo de crítica da opinião pública afirmando que o projeto faria “justiça social”.

Segundo um levantamento feito pelo Estado com base nos dados oficiais apresentados pela Prefeitura, no entanto, a declaração é, no mínimo, uma meia verdade. Se o projeto de lei for aprovado por 28 dos 55 vereadores da Câmara, o aumento do IPTU de bairros que não receberam nenhum investimento público direto será praticamente igual ou até mesmo maior do que muitos endereços que ganharam avenidas, escolas, piscinões ou outras obras urbanas nos últimos dez anos. Há casos até como o Brás, bairro no centro que foi reformado pelos lojistas, e não pelo governo municipal, mas mesmo assim terá um aumento no imposto de quase 130%.

Mesmo o metrô, apontada atualmente como a principal melhoria de infraestrutura em São Paulo, não faz assim tanta diferença quando são analisados os novos parâmetros propostos pela Prefeitura. Enquanto em ruas da Chácara Klabin próximas à estação tiveram um aumento de 129% no valor do metro quadrado, segundo a revisão proposta na planta genérica, bairros como a Vila Nova Conceição e Jardim América, que estão bem longe de qualquer obra pública, valorizaram de 130% a 168%.

Perto da Ponte Octavio Frias de Oliveira, por exemplo, muitas ruas vão ganhar reajustes de 150% a 228%. Já em Heliópolis e Paraisópolis, onde há obras de reurbanização de favelas, o imposto poderá subir até 145% e 86%, respectivamente. O princípio da “justiça social”, no entanto, ganha assim distorções quando se analisa o Jardim Paulistano, Pacaembu ou Campo Belo – mesmo sem obras da Prefeitura, os reajustes vão de 83% a 210%.

“O errado também é a Prefeitura embutir uma valorização de até 100% para regiões que têm só uma expectativa de melhoria nos próximos anos. O morador dessa região – a cracolândia é um bom exemplo – não aumentou sua renda nessa proporção”, diz João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). “O governo fazer uma estimativa de correção, para ter uma base de dados, é correto. Agora, não é correto o governo aplicar a valorização do mercado e manter uma alíquota (0,8% a 1,6% sobre o valor venal do imóvel) alta que foi criada na época em que havia inflação e imprecisão nas estimativas.”

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22/11/2009 - 08:55h Indústria prevê início de 2010 a todo vapor

Produção deverá crescer até 16,5% no primeiro trimestre

Marcelo Rehder – O Estado SP


A indústria iniciará 2010 embalada como não se via há muito tempo no País. Empresários e economistas projetam dois dígitos de crescimento da produção industrial no primeiro trimestre, período tradicionalmente fraco, marcado por férias coletivas e demissão de temporários. A consultoria MB Associados prevê expansão de 12,1% para a indústria no período. Já a LCA Consultores espera crescimento maior, de 16,5%.

Parte disso será efeito da base de comparação muito baixa. Basta lembrar que a indústria chegou a cair 17,2% no começo deste ano. Em compensação, as empresas estão diminuindo estoques rapidamente e, com a perspectiva de um bom Natal, o setor deverá chegar na virada do ano sem produtos acabados, o que ajudará ainda mais na reação, no começo de 2010.

“Isso sem falar dos efeitos de política monetária e fiscal acumulados ao longo do ano”, afirma Sergio Vale, economista chefe da MB Associados. “No caso da política monetária, pelas defasagens naturais de política, devemos ter um pico de impacto da redução dos juros no primeiro semestre de 2010.”

A Vitopel, maior fabricante de embalagens plásticas flexíveis da América Latina, fechou o orçamento para 2010 com previsão de aumento de 13,7% na produção do primeiro trimestre. Para o ano todo, a expectativa é de 7%. “O ambiente é bastante positivo para os próximos cinco meses”, diz o presidente da Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho. A empresa trabalha a plena carga desde agosto, e mesmo assim terá de cancelar as férias coletivas que normalmente concede entre 20 de dezembro e 5 de janeiro.

A Vitopel não está sozinha. Segundo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Tecnologia e Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a grande maioria das empresas que não dependem de exportação também trabalha neste fim de ano no limite máximo da produção e teve de recorrer ao cancelamento das tradicionais férias de fim de ano. “Os níveis de estoque nos diversos segmentos da indústria continuam muito baixos e os pedidos do varejo ainda não terminaram”, diz o executivo. “A logística vai ter que trabalhar muito para não faltar produtos nas lojas, porque este Natal promete ser um dos melhores dos últimos cinco anos.”

Fabricantes de eletroeletrônicos instalados na Zona Franca de Manaus trabalham em três turnos para dar conta das encomendas. Várias empresas, como a LG e a Philips, tiveram de reduzir ou suspender as férias coletivas. No setor de informática, a expectativa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) é de que as vendas de PCs mantenham no ano o mesmo volume de 2008 (12 milhões de unidades), apesar da queda de 17% ocorrida no primeiro semestre.

Nesse contexto, quase não se ouve mais falar em crise, com exceção dos exportadores, que reclamam da valorização do real e da demanda fraca no mundo. “A economia brasileira voltou ao nível pré-crise nesse terceiro trimestre, que terminou em setembro”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

A recuperação foi rápida (a crise durou quatro trimestres), comparada com outras recessões ocorridas entre 1980 e 2003, quando o País levava de oito a dez meses para retomar o crescimento. “Foi uma recuperação rápida, que ajuda a explicar por que as taxas de crescimento vão ficar ainda mais robustas no último trimestre deste ano e, principalmente, nos primeiros três meses de 2010″, afirma o economista.

Para Bráulio, a tônica da atividade nesse período será “os bancos privados pisando no acelerador do crédito para o consumo e para as empresas”. Hoje, segundo ele, já não há tanto receio de emprestar, porque a inadimplência do consumidor está em queda e a das empresas parou de subir. “Com os bancos privados voltando ao jogo do crédito, a gente pode esperar uma competição ferrenha pelo consumidor e pelas empresas, o que obviamente vai estimular a atividade econômica”, ressalta o economista da LCA.

No Bradesco, a inadimplência na carteira de crédito de pessoas jurídicas começa a sinalizar recuo, principalmente em grandes empresas. Nesse segmento, a taxa de inadimplência saiu de um nível de 0,5%, em dezembro de 2008, e atingiu o pico de 0,9% em setembro último.

“Não posso dar dados oficiais em números antes da publicação do balanço trimestral, mas nossos indicadores internos apontam para baixo”, conta o superintendente executivo do departamento de empréstimos e financiamentos do Bradesco, José Ramos Rocha Neto. “Os indicadores apontam para uma tendência de regularização no primeiro trimestre de 2010.”

A maior oferta de crédito no cenário atual de vendas aquecidas estimula as empresas a retomar investimentos engavetados por causa da crise. “Nossos números de outubro e novembro são muito positivos”, adianta o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto. Os dados serão divulgados na quarta-feira. Até setembro, o setor acumulava no ano queda de 24%.

NÚMEROS

12,1%
é a previsão da MB Associados para o crescimento da indústria no primeiro trimestre de 2010

16,5%
é a previsão da LCA Consultores

13,7%
é a previsão da Vitopel para o aumento da produção no período

Postado por Luis Favre
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21/11/2009 - 22:00h Boa noite


Jascha Heifetz – Tchaikovsky Concerto para Violino em D Major, Op. 35: I. Allegro moderato. Versão reduzida para filme.

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21/11/2009 - 19:28h Don Giovanni! a cenar teco m’invitasti


“Don Giovanni! a cenar teco m’invitasti”, da ópera Don Giovanni de Mozart. Filme dirigido por Joseph Losey. Ruggero Raimondi (Don Giovanni), John Macurdy (Il Commendatore), Jose van Dam (Leporello).

Postado por Luis Favre
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