09/02/2010 - 22:00h Boa noite
DAVID GARRETT – Somewhere (West Side Story)
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- Luis Favre
DAVID GARRETT – Somewhere (West Side Story)
Versão “Hetero”
Versão “Homo”
![[Eikoh+Hosoe+1.jpg]](http://3.bp.blogspot.com/_kOipWloLSXg/SUrYWFUmAZI/AAAAAAAACic/z8grR0-9s_A/s1600/Eikoh%2BHosoe%2B1.jpg)









Postado por Luis Favre
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Somewhere – Placido Domingo
Música de Leonard Bernstein e letra de Stephen Sondheim
There’s is a place for us
Somewhere a place for us
Peace and quiet and open air
Wait for us
Somewhere
There’s a time for us
Someday a time for us
Time together with time to spare
Time to learn
Time to care
Someday, somewhere
We’ll find a new way of living
We’ll find there’s a way of forgiving
Somewhere
There’s a place for us
A time and a place for us
Hold my hand and we’re half way there
Hold my hand
And I’ll take you there
Somehow
Someday, somewhere .
era um quarto miúdo, quente, mal iluminado e escondido junto ao pé da escada fazendo as vezes de lar, àquela que cuidava tão bem e há tanto tempo do nosso. quando não estava lavando as roupas ao tanque, cuidando do almoço, passando uma vassoura ou aguando as plantas, era lá que procurava para entregar-se, por alguns momentos, de corpo e alma, à tão merecida preguiça. deitada à cama, de remendados mas limpos lençóis coloridos, punha o pequeno rádio de pilhas vermelho – aquele mesmo que ganhara num bingo beneficente que ajudara a organizar em sua cidade interiorana – a cantar conhecidas canções enquanto espiava o céu janela afora. duas estantes de madeira pintadas à mão, apinhadas de livros, revistas e miudezas várias, apertavam-se e brigavam entre si naquele tão apertado espaço. na parede contrária às estantes, um antigo guarda-roupas, de duas portas e muitas gavetas, que pertencera à dona da casa, metia medo em qualquer um. lembrava um caixão de defunto; e, como se não bastasse, em uma de suas portas pregara uma foto antiga, ainda em preto e branco, de sua já falecida mãe, dona de um daqueles olhares perdidos, distantes, que não pareciam enxergar o homem de terno e gravata borboleta que, imagino, deve tê-la fotografado num tempo afastado, quando eu ainda nem pensava em morar na barriga de minha mãe. embaixo da cama, guardava sua tão querida máquina de costura e uma redonda e grande caixa verde, cujo interior era habitado pelas mais diversas coisas: linhas, agulhas, fotografias, recortes de jornal, botões, um trevo de quatro folhas amassado, um óculos de aro grosso, lentes redondas e forte grau, lenços brancos com flores bordadas, um cachimbo preto, algumas cartas de antigas amigas e possíveis já esquecidos mas não confessos amores e uma bonequinha de porcelana, de perna e nariz quebrados, que ganhara de minha mãe no natal passado. por vezes, dali, me pudera ver trepada ao galho da mangueira, vestindo meu tão conhecido blusão laranja. dizia sempre que eu parecia uma imponente princesa indiana, em meu elefante preferido e que só faltava me pintarem os olhos. na mesinha ao lado de sua cama, num copo d´água, seus dentes descansavam à noite. ao lado, sua escova de dentes de tantas e longas cerdas repousava. seu quarto foi, para mim, durante muito anos, um lugar fantástico, cheio de mistérios e surpresas, que eu gostava de tentar adivinhar sentada ali fora, à escada, enquanto ela, cheia de cores, ali se transformava.
E-mail: cofilde@hotmail.com
lara morais (1986) é recifense. formada em história pela universidade católica de pernambuco é estudante de psicologia. tem alguns textos publicados e espalhados na internet. é apaixonada por cinema e literatura. Diz ela: [se publicado, favor conservar tudo em letras minúsculas. as maiúsculas me parecem sempre tão pretensiosas, ali, altas, acima das demais, que me irritam profundamente.]

Balsa com retroescavadeira naufraga no rio Tietê, próximo ao Sambódromo (zona norte), devido ao acúmulo de lixo. Folha Online
A foto e a legenda é da Folha Online. O lixo em questão é aquele acumulado e não retirado, por falta de dassassoreamento. Em 2007 e 2008 nenhum centavo foi investido no dessassoreamento do Tietê, como foi indicado aqui Conceição Lemes: Falta de limpeza do Tietê compromete obra bilionária que prometia acabar com enchentes . Em 2009, segundo o governo estadual foram retirados 400 mil m3 de lixo, quando segundo os especialistas seria necessário retirar mais de um milhão de m3 por ano. Serra promete que isto será feito em 2010. Aguardando, as enchentes prosseguem. Etá incompetência!
Postado por Luis Favre
Criança moradora da favela de Paraisópolis toma banho em mina localizada dentro de bueiro; bairro está sem água desde sábado. Folha Online.
Adendo 19:10 Hs Eduardo Reina é jornalista do Estadão e anima um blog, onde fez o comentário a seguir:
Ontem, o secretário estadual de Justiça, Luiz Antonio Marrey Filho, cobrou as concessionárias de energia elétrica que atuam em São Paulo a comprovar que estão atuando corretamente no fornecimento de eletricidade aos consumidores paulistas. Disse que há possibilidade de as companhias serem multadas porque na semana passada houve vários mini beclautes na capital devido as fortes chuvas e o restabelecimento de energia demorou mais de 24 horas para ser realizado. Qual a posição do governo estadual e do Procon agora com os 800 mil consumidores de água de quatro cidade – São Paulo, Taboão da Serra, Embu e Cotia – que estão sem água desde sábado devido a problemas numa adutora da Sabesp? A empresa estatal de água será cobrada e multada?
Eduardo Reina
Postado por Luis FavreDias atrás o deputado tucano Mendes Thame afirmou que não tinha dinheiro do governo federal para combater as enchentes no Estado de São Paulo. Ontem, foi a vez de José Serra afirmar que o governo federal contribui muito pouco nas obras de combate às enchentes.
Apontados pela população como omissos no enfrentamento das tragédias provocadas pelas chuvas, que já provocaram mais de 74 mortes no Estado nestes últimos dois meses, os tucanos procuram responsabilizar outros pelas suas próprias carências.
Nota à imprensa, da Casa Civil do governo federal, deveria por um ponto final nas insinuações sem fundamento do PSDB.
Leia abaixo a nota distribuída pela Casa Civil:
Deputado confunde projetos do PAC com MP das Enchentes e faz acusação infundada
O governo federal destinou, desde junho do ano passado, R$ 1,1 bilhão para investimentos em obras de prevenção de enchentes em 24 municípios do Estado de São Paulo, inclusive a capital, distribuídos em 41 projetos. Foram R$ 487,2 milhões do Orçamento Geral da União, totalmente contratados, e R$ 616,1 milhões em financiamentos do FGTS e FAT/BNDES, para obras de drenagem urbana e manejo de águas pluviais no Estado.
Estes recursos fazem parte do Programa Manejo de Águas Pluviais do PAC (PAC Drenagem), que compreende R$ 4,7 bilhões de investimentos em todo o país. O anúncio dos 186 projetos selecionados para este programa foi feito pelo presidente Lula em junho de 2009, beneficiando 109 municípios de 19 estados.
Foi ao PAC Drenagem que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se referiu em entrevista, quinta-feira, ao descrever ações do governo federal para prevenir enchentes nas grandes cidades.
Os recursos do PAC Drenagem não se confundem com os R$ 880 milhões, previstos na Medida Provisória 463/2009, editada em maio para dar socorro emergencial a municípios afetados pelas chuvas no final de 2008 e início de 2009.
Quem se confundiu, lamentavelmente, foi o presidente do PSDB de São Paulo, deputado Mendes Thame. Em nota, o deputado refere-se aos recursos da MP 463/2009 como se fossem os investimentos do PAC Drenagem citados pela ministra Dilma Rousseff, o que não é correto. O parlamentar fez afirmações que não correspondem à verdade.
Do total de R$ 1,1 bilhão destinados pelo PAC Drenagem a cidades de São Paulo, 70% destinam-se a obras na Capital e Região Metropolitana, onde se concentram os maiores problemas relacionados às enchentes no Estado. Já foram contratados R$ 329 milhões do OGU para projetos na Capital e Região Metropolitana.
Para correta informação da população de São Paulo, eis a lista dos municípios daquele Estado com projetos aprovados no PAC Drenagem: São Paulo, Americana, Bauru, Campinas, Carapicuíba, Embu das Artes, Ferraz de Vasconcelos, Hortolândia, Itapevi, Jandira, Mauá, Nova Odessa, Osasco, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São José do Rio Preto, São Vicente, Sumaré, Taboão da Serra, Tupã e Valinhos.
Postado por Luis FavreGoverno insistirá em urgência constitucional para projetos do pré-sal
O governo vai retomar a urgência constitucional durante a tramitação dos projetos do pré-sal no Senado. O ministro da coordenação política, Alexandre Padilha, vai se reunir ainda nesta semana com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e os líderes dos partidos aliados na Casa para traçar uma estratégia de votação. “A nossa intenção é aprovar todos os projetos ainda no primeiro semestre”, declarou Padilha.
Dos quatro projetos, apenas um – o que cria a nova estatal para gerir os campos na camada pré-sal – já foi votado pela Câmara e encontra-se parado no Senado. Todos os outros ainda precisam ser aprovados pelos deputados. O que enfrenta maior resistência é o que define as regras de partilha dos recursos advindos das novas jazidas. Os dois outros são considerados mais simples pelo governo: um deles capitaliza a Petrobras e o outro cria o fundo social para aplicar os recursos do pré-sal.
Ontem, durante a reunião coordenação política do governo, foram estabelecidas as prioridades do Executivo para este ano no Congresso. Além dos projetos do pré-sal, o governo quer aprovar a Consolidação das Leis Sociais (CLS). Como adiantou o Valor na semana passada, a ideia do governo é encaminhar a CLS em duas etapas: em março será enviado ao Congresso um anteprojeto de lei – ou vários, se for necessário – com os programas sociais que ainda não estão amparados por uma legislação específica, como a Farmácia Popular, as ações englobadas no Território da Cidadania e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Quando esses projetos forem aprovados pelo Congresso, eles serão reunidos aos demais que já estão em vigor com base em leis próprias – o mais emblemático é o Bolsa Família. O governo, então, encaminhará novamente a proposta para o Congresso, reunindo todos os programas sociais em uma única legislação, consolidada nos moldes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa segunda etapa deve acontecer apenas em outubro, após as eleições presidenciais.
Outra prioridade do governo em 2010 2010 é o Plano Nacional de Banda Larga, projeto que prevê o fornecimento de internet de alta velocidade para toda a população, tendo a Telebrás como operadora da infraestrutura e com custo aos consumidores que varia de R$ 15 a R$ 35. Estava prevista ontem mais uma reunião do núcleo decisório do governo para discutir detalhes do programa, que deve ser anunciado em março.
No próximo mês, o governo também pretende apresentar o PAC 2, incluindo ações de infraestrutura, energia e logística nas regiões metropolitanas das grandes cidades. “O PAC será anunciado em um novo momento para o país. O Brasil conquistou o direito de sediar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Além disso, com o PAC 1, o país amadureceu na organização das moradias em comunidades e na retirada de palafitas”, enumerou o ministro Padilha. O novo PAC também vai trazer projetos para combater as enchentes que acontecem nos grandes centros, especialmente em São Paulo, no Rio e na região Sul do país. “Não é um programa eleitoreiro, pois muitos desses projetos estavam previstos no primeiro PAC”, defendeu Padilha.
Postado por Luis FavreGovernador diz que União ajudou pouco até agora
O governador José Serra também disse ontem, em Santos (Baixada Santista), que a ajuda do governo federal na resolução dos problemas causados pelas chuvas até agora foi “muito pequena”. “Se o governo federal se dispuser a ter uma participação significativa, nós estamos inteiramente abertos”, disse Serra, negando, entretanto, que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tenha criticado a ação paulista contra as enchentes e alagamentos. Ele participou da assinatura de um contrato entre a prefeitura de Santos e o Banco Mundial (Bird), no valor de US$ 44 milhões, que tem entre os objetivos resolver problemas de enchentes na cidade.
“Poucos recursos foram enviados a São Paulo porque não vieram demandas para o Ministério da Integração Nacional”, rebateu mais tarde o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. “Eu liguei, pessoalmente, para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e me coloquei à disposição, em nome do presidente Lula. Disse a ele que transmitisse ao governador que estávamos disponíveis. Todas as demandas de cidades do interior estão sendo atendidas.”
“Se ganharmos, agiremos rápida e objetivamente. A forma de fazer será discutida no momento adequado. Haverá um Ministério do Planejamento que realmente planeje, e não o desastre que está aí hoje. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não se realizou. Não há prioridades programáticas, só números inflados. Apenas os projetos eleitoreiros, os que têm padrinhos políticos, estão andando. As estradas estão esburacadas, os aeroportos estão na iminência de outro apagão, a infraestrutura de transportes, como os portos, foi entregue a políticos e a grupos de pressão. Isso é o PAC na realidade – e nós vamos acabar com ele.” (Entrevista de Sérgio Guerra, presidente do PSDB à revista Veja – Edição 2147 / 13 de janeiro de 2010).
O PSDB vai ter que esclarecer seu discurso ou trocar de porta-voz. É que, segundo o presidente tucano, “Apenas os projetos eleitoreiros, os que têm padrinhos políticos, estão andando” no PAC. Mas, pelo que podemos ler no artigo a seguir, do jornal VALOR, a “Estratégia do PSDB sustentará que PAC só vai bem onde os tucanos o gerenciam”.
Mas, talvez a contradição seja só aparente e o que Sérgio Guerra fez foi constatar que mesmo se os projetos apresentados pelos tucanos eram “eleitoreiros”; Lula como “padrinho político” que não discrimina opositores, colocou dinheiro no metrô de São Paulo, no Rodoanel, para urbanização de favelas e graças a isto teve uma certa “aceleração” nas obras que antes eram feitas a passo de tartaruga.
Pois bem, o PAC é isso: Programa de Aceleração do Crescimento e não discrimina ninguém.
José Serra podia ter incluído no PAC as obras de combate às enchentes no Rio Tietê, para recuperar o atraso na construção dos piscinões, por exemplo. Seu “padrinho político”, Lula, já convidou Kassab para incluir os projetos no PAC 2.
Luis Favre
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Estratégia do PSDB sustentará que PAC só vai bem onde os tucanos o gerenciam
Antonio Cruz/ABr – 2/4/2009

Luiz Paulo Vellozo Lucas: “O governo orça muito acima, não tem como pagar, a empresa não recebe e a obra para”
O PSDB prepara a estratégia para confrontar a execução do Programa de Aceleração Econômica (PAC) no plano federal, sob a gerência da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, com a eficácia com que o governador de São Paulo, José Serra, administra esse mesmo programa no plano estadual. Essa é uma das vertentes que os tucanos pretendem usar para marcar as diferenças entre o eventual candidato à Presidência pelo PSDB da sua principal adversária, resgatando, assim, o mote da eficiência administrativa tucana, já utilizado em outras eleições.
O plano visa colocar, lado a lado, as vitrines do governo federal e paulista que são abastecidas com recursos do PAC, mas distingui-las no quesito gerenciamento, mostrando que a taxa de execução das obras do PAC tocadas por Serra supera a de Dilma. Seria uma forma de cravar na candidatura Serra o selo de melhor gestor não só dessas obras, mas também dos programas sociais que sustentam a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tendo em mãos um levantamento constantemente atualizado da assessoria técnica do PSDB na Câmara, com base em dados extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), os tucanos querem mostrar que, por exemplo, uma de suas maiores vitrines em São Paulo, o Rodoanel, só avança porque é gerido por Serra, e não por Dilma. Esse estudo diz que em 2009 foram orçados R$ 324 milhões e pagos R$ 301,5 milhões nos investimentos do Rodoanel – um índice execução de 93,06%. O mesmo servirá para as obras da ampliação do metrô e para a reurbanização de favelas da capital paulista.

Por outro lado, vitrines petistas como a transposição do rio São Francisco tiveram, segundo os técnicos tucanos, uma baixa relação entre o que foi planejado para gastar (orçado) e o que foi realmente pago: 26,75% em seu eixo leste e 8,37% no eixo norte. Para a ferrovia Norte-Sul, essa taxa média fica em 25,8%, conforme as quatro dotações disponíveis no Siafi.
“Isso demonstra a incompetência do governo na execução do PAC, cuja responsável é a ministra Dilma, o que mostra sua incapacidade gerencial. O PAC só avança quando os tucanos o gerenciam”, critica o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA). Segundo o levantamento, desde o início do PAC, em 2007, até dezembro, o percentual acumulado pago de recursos federais nas obras do programa foi de 35,1%, sendo que a maior parte das obras concluídas são de pequeno porte.
O diagnóstico do partido é de que isso acontece por uma sucessão de erros, como o superdimensionamento do Orçamento por meio da utilização excessiva de recursos dos bancos de fomento, como BNDES e Caixa, e da contínua utilização do restos a pagar do ano anterior para potencializar o Orçamento do ano seguinte. Isso faz com que o governo licite e contrate muitas obras, mas que fique impossibilitado de executá-las e pagá-las. Ao final, elas acabam diminuindo o ritmo ou parando, e a taxa de execução cai.
A dificuldade para o partido, porém, é transpor essas questões estritamente técnicas para um discurso eleitoral, principalmente em uma disputa na qual se enfrentará a candidata de um presidente cuja aprovação e confiança popular beira os 80%.
Candidato a governador do Espírito Santo pelo PSDB, o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, presidente do Instituto Teotonio Vilela, o órgão de estudos do PSDB, pretende em sua campanha neste ano mostrar fotos do aeroporto de Vitória na campanha e associá-lo ao PAC. As obras de modernização começaram em 2005, mas já foram paralisadas diversas vezes. Há suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos.
“O governo trabalha com orçamentos muito superiores à sua capacidade de desembolsar. Orça muito acima, não tem como pagar, a empresa não recebe, a obra para, depois tem que ter aditamentos. Daí vem o TCU, paralisa a obra e passa a ser apontado como o grande culpado. Esse modelo de execução não corre nenhum risco de dar certo e o PAC acaba sendo uma peça em que se gasta muito mais com marketing do que com investimento”, afirma o tucano, que deverá enfrentar dois candidatos da base de Lula na disputa em seu Estado: o vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB), líder nas pesquisas, e o senador Renato Casagrande (PSB), que disputa com Vellozo a segunda colocação nas pesquisas.
Há no partido, porém, quem avalie que a campanha não deve adentrar áreas de difícil assimilação por parte do eleitor, como quem faz obras mais rápido, quem faz mais obras ou quem faz mais obras em proporção do orçamento existente. Para esses tucanos, embora essas respostas possam favorecer Serra no embate contra Dilma, a discussão pode ficar centrada em demasia apenas no que foi feito em São Paulo, o que pode ser prejudicial em se tratando de uma campanha nacional. O ideal, então, seria forçar a campanha para a guerra de biografias entre Serra e Dilma, colocando para o eleitor, com base na trajetória de cada um, quem avançaria melhor nas conquistas sociais e econômicas dos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula.
Os governistas acham que o discurso do gerenciamento tucano é bem vindo. O ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos coordenadores da campanha de Dilma Fernando Pimentel (PT) considera a estratégia “suicida”. “É um discurso sem embasamento algum. Se fossem neófitos em administração pública tudo bem, mas ficaram oito anos no poder e nada fizeram. São eles quem tem que responder porque não fizeram e não criticar quem está fazendo”, diz, já dando o tom plebiscitário que Lula e os petistas querem impor á campanha.
Ele cita as enchentes em São Paulo como exemplo de como se pode desconstruir, com um fato ainda em andamento, o discurso da eficiência administrativa. “Essas enchentes são o exemplo de má-gestão. Não é só a natureza a culpada. Quem está no poder lá há quase 20 anos também. Virão então falar de gestão agora, com mais de 70 mortos no Estado desde dezembro? Acho que esse discurso é suicida e pouco provável de ser utilizado por eles”, afirma.
Postado por Luis FavreEditorial do jornal VALOR
O setor de máquinas e equipamentos foi o mais afetado pela crise internacional na indústria brasileira. O pessimismo dos empresários e a queda da demanda interna e da exportação tiveram impacto fulminante sobre a atividade industrial. A boa notícia é que esse segmento está agora liderando a recuperação da indústria nacional, embalado pelo aumento dos investimentos e pela recuperação econômica do país.
A produção industrial física encolheu 7,4% em 2009, o pior desempenho desde a contração de 8,9% de 1990. Foram prejudicados 23 dos 27 ramos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O setor mais afetado pelo colapso do investimento doméstico e exportações de manufaturados foi o de bens de capital, que encolheu 17,4% no ano. A segunda maior queda ficou com os bens intermediários, 8,8%.
Já a produção de bens de consumo recuou 2,7%, puxada pelo recuo de 6,4% dos duráveis e de 1,6% dos semiduráveis e não duráveis – desempenho anêmico, apesar das medidas anticíclicas do governo, com a desoneração tributária para automóveis e linha branca.
Embora a produção industrial tenha fechado no vermelho, nem todo o ano foi terrível. A partir do segundo semestre, a indústria passou a mostrar recuperação, puxada exatamente pelo setor de bens de capital, estimulado pela reação dos investimentos. (Valor, edição de 5,6,7/02).
O otimismo com a reação do Brasil à crise internacional, o impacto positivo dos esforços anticíclicos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mais a expectativa dos negócios e empreendimentos que serão gerados pelo fato de o país sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 incentivaram a retomada dos investimentos e, em consequência, a compra de máquinas e equipamentos.
O consumo interno de máquinas e equipamentos saltou 18% entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado, incluindo a produção local e a importação, mas isso foi insuficiente para evitar a queda de 11,5% registrada no ano fechado. A demanda extraordinária foi atendida pela produção local de máquinas e equipamentos, que cresceu 13,3% do terceiro para o quarto trimestre, embora tenha fechado o ano com retração de 17,4%. Os empresários buscaram também máquinas no exterior, que ficaram mais baratas com a apreciação do real, de modo que a importação de máquinas subiu 16,7% no mesmo período, embora tenha terminado o ano com recuo de 13,6%. Foi um fim de ano atípico, uma vez que a demanda por bens de capital normalmente perde força nesse período.
A produção de máquinas e equipamentos acabou melhorando o desempenho da indústria como um todo, neutralizando em parte a perda de gás dos bens de consumo, com a retirada dos estímulos fiscais. A produção de bens de capital cresceu 0,3% em dezembro; e a de produtos intermediários, 1%. Já a produção de bens de consumo diminuiu 0,6%, influenciada pela retração de 4,6% dos duráveis.
Como resultado dessa combinação de forças, a produção industrial fechou dezembro com queda de 0,3%, já descontados os efeitos sazonais. Em comparação com o nebuloso dezembro de 2008, a produção industrial cresceu 18,9%, resultado em boa parte influenciado por uma base de comparação deprimida, por conta da concessão de férias coletivas e paralisações não programadas ocorridas em vários setores, em dezembro de 2008. No quarto trimestre, a produção industrial teve alta de 3,6% sobre o terceiro trimestre e foi 5,8% superior à de igual período de 2008. Apesar da pequena queda, a produção da indústria segue em rápida expansão. Cresceu a uma taxa anualizada de 15% no quarto trimestre.
Os sinais de consistência na demanda de bens intermediários e bens de capital no fim de 2009 justificam as previsões otimistas de analistas de que a produção desses bens pode crescer ao redor de 10% neste ano.
Há nuvens não desprezíveis no horizonte, porém: o comportamento da taxa básica de juros, que deve subir em algum momento do ano; e a recuperação internacional, ameaçada pelos déficits fiscais elevados.
Postado por Luis Favre Dutra: “Será que interessa a Lula
voltar e correr o risco de ter um mandato
não tão bom como esses dois?”
foto Ruy Baron/Valor
Entrevista:
Futuro presidente do PT diz que programa de Dilma não proporá estatizações
José Eduardo Dutra participou de sua primeira campanha eleitoral em 1965, aos oito anos. Foi a eleição para governador de Minas Gerais, disputada por Israel Pinheiro (PSD) e Roberto Rezende (UDN). Seu pai, José Araújo Dutra, filiado ao PSD, era prefeito de Caputira, Zona da Mata de Minas Gerais. A função de Dutra era pregar cartazes de Israel Pinheiro e rasgar os do adversário.
A primeira “inflexão à esquerda” foi em 74, quando, já em Caratinga (MG), fez campanha para Itamar Franco (MDB), que disputou o Senado contra José Augusto Ferreira (Arena). Era uma campanha quase “clandestina”, já que Ferreira, então senador, era da cidade e Itamar, o candidato da oposição. O próximo passo foi a militância no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP), uma das organizações de esquerda que deram origem ao PT.

Aos 52 anos e solteiro após quatro casamentos (dois filhos, de 27 e 24 anos) , o ex-senador e ex-presidente da Petrobras prepara-se para assumir, no dia 19, a presidência do partido que amanhã completa 30 anos. No cargo, enfrentará o desafio de coordenar a campanha da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. Ela será lançada no dia 20, no congresso partidário.
Integrante da mesma corrente política do PT que o ex-ministro José Dirceu – a Construindo um Novo Brasil (CND) -, o futuro presidente do PT preocupa-se em desfazer a ideia de que o programa de governo que o partido aprovará no congresso sinaliza uma gestão mais à esquerda do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O que o programa sugere, segundo ele, é “o fortalecimento dos instrumentos estatais que já existem”. Para Dutra, não há razão para o mercado se preocupar. O governo Dilma, diz, será de “continuidade e aprofundamento das conquistas e avanços sociais”. Ressalta, ainda, que o programa de governo da ministra não será do PT e sim da coalizão partidária que a apoia.
A Executiva Nacional do partido se reúne amanhã, em Brasília, para discutir as diretrizes do programa, que serão submetidas ao congresso partidário. No evento nacional (de 18 a 20 de fevereiro) também será discutida a estratégia da política de alianças eleitorais. À frente da campanha de Dilma, um dos maiores problemas que Dutra enfrentará é a divisão do partido e a dificuldade de coligação com o PMDB em Minas Gerais.
O futuro presidente nega que a possibilidade de o vice-presidente, José Alencar, se lançar candidato a governador seja articulação do PT. Mas admite que, se a hipótese se confirmar, poderá ser “uma alternativa de consenso”.
Eleito no Processo de Eleições Diretas (PED), em novembro, Dutra confirmou que José Dirceu tem mantido negociações com aliados nos Estados e que tem liberdade para isso. O ex-ministro, segundo ele, “não é franco atirador”, mas não tem autorização para decidir pelo partido.
Para Dutra, Dilma, se eleita presidente, é candidata natural à reeleição. Ele acha que Lula não tem interesse em voltar – e correr o risco de fazer um mandato pior que esses, que já garantem ao petista um lugar na história.
A seguir, os principais trechos da entrevista de Dutra ao Valor:
Valor: As diretrizes do PT para o programa de governo de Dilma Rousseff fortalecem a presença do Estado na economia. O PT quer um governo mais à esquerda?
José Eduardo Dutra: Não cabe esse conceito de esquerda ou direita no governo Lula. Com a crise, foi se buscar exatamente o Estado para salvar bancos, totens do capitalismo mundial. Todos os países estão atentos para reforçar organismos estatais que, em caso de crise, sejam necessários. É uma mera decorrência da evolução da economia mundial.
Valor: Que coincide com o pensamento do partido.
Dutra Essa crise confirmou os pressupostos que nós tínhamos. Não significa estatização da economia ou que vamos retomar um processo de desprivatização. Não estamos propondo estatizar mais nada. Esse fortalecimento do Estado a que nos referimos é fortalecer os instrumentos estatais que já existem. Desde o início do governo Lula dizíamos que a Petrobras, por exemplo, que eu presidi, iria voltar a ter papel indutor da economia nacional. Quando adotamos a política de se exigir conteúdo nacional nas encomendas de plataforma diziam que seria impossível, que a indústria nacional não teria capacidade de atender e que ia ficar mais caro. Nada disso aconteceu. A indústria nacional vem se capacitando cada vez mais para atender às encomendas da Petrobras.
Valor: Então não há necessidade de uma nova versão da “Carta aos Brasileiros” para acalmar o mercado?
Dutra Não temos que combater tantos preconceitos como na época do Lula. O governo da Dilma vai ser um governo da continuidade, de aprofundamento das conquistas e de avanços sociais. Não há necessidade de uma ação tão clara para acalmar alguns setores, como foi naquele caso.
Valor: O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmou que um governo tucano mudaria os pilares da política econômica. O governo Dilma deve fazer mudança na economia?
Dutra: A economia não é um fim em si mesmo. É um meio para você realizar um projeto. E os fundamentos da economia brasileira hoje estão absolutamente sólidos. Prova disso é que sofremos menos do que a maioria dos países a crise econômica. Se os tucanos vão mudar deviam dizer o que vão mudar e o que vão botar no lugar. Eu, particularmente estou muito curioso para saber o que os tucanos vão mudar e botar no lugar. Nós vamos manter.
Valor: A política de estímulo à criação de corporações nacionais vai continuar?
Dutra: Isso é uma coisa inexorável do capitalismo. Empresas tendem a se fundir para poder aumentar sua competitividade no mercado, cada vez mais globalizado. Precisamos ter empresas brasileiras fortes, capazes de competir no mercado internacional.
Valor: O PMDB aderiu ao governo Lula com ele em andamento. Agora, coligando com Dilma ainda na campanha, a participação e a influência serão maiores. O PT está preparado para uma divisão – de fato – de poder?
Dutra: O governo da Dilma , da mesma forma que o governo do Lula, vai ser um governo de coalizão, que muitas vezes tem disputas internas. Nós vamos tirar no Congresso do PT, dia 18, diretrizes para o programa de governo, que é uma proposta do PT. Não significa que o programa de governo da Dilma vai ser o programa do PT. A partir do nosso congresso, vamos ter um grupo com pessoas do PT, do PMDB, do PDT, do PC do B e espero que do PSB, enfim, todos os partidos da coligação para fazer o programa de governo da Dilma. Vai ser o programa da coligação, que não vai ser igual ao do PT, nem ao do PMDB. Vai ser uma convergência de idéias e propostas.
Valor: Não vai ser complicado para Dilma, sem o capital político de Lula, administrar as contradições da coalizão?
Dutra Essa imagem da Dilma como uma pessoa meramente técnica, tecnocrata, gerentona, não é realidade. A Dilma é uma excelente política. Faz política desde sua juventude. A Dilma é eminentemente uma personalidade política. Com estilo totalmente diferente do de Lula, claro. Ela não tem interação com as massas que o Lula tem, até pela diferença de trajetória de vida. Mas eu confio não só na capacidade dela de gerenciar, como também de administrar politicamente esse condomínio de partidos que vão estar na base do governo.
Valor: O maior problema da aliança, hoje, é a divisão do PT em Minas e a dificuldade de aliança com o PMDB. O PT vai aceitar a proposta do ministro Hélio Costa (Comunicações), de uma aliança na qual o candidato a governador seja escolhido por pesquisa?
Dutra: Se a gente conseguir unificar dentro do PT e se a pesquisa for realizada não em março, mas no final de abril, quando tiver condição de mensurar melhor qual foi a influência do Anastasia (Antonio Anastasia, vice-governador e candidato de Aécio Neves a governador) no governo , pode ser um critério interessante. Estou trabalhando pelo entendimento. Até março tem que resolver. Agora, se, de comum acordo, chegarmos a esse entendimento e a pesquisa for feita, aquele que estiver na frente vai ser o candidato. Se a gente chegar a um acordo em relação a esse método tem que cumprir o acordo.
Valor: Uma eventual candidatura do vice-presidente, José Alencar, a governador uniria a base aliada em Minas?
Dutra A questão principal é o estado de saúde dele. Ele tem que avaliar se quer ser candidato. Se decidir disputar o governo, pode ser uma alternativa de consenso. Os partidos vão analisar o quadro.
Valor: O ex-ministro José Dirceu, ex-presidente do PT, tem atuado como negociador informal do PT nos Estados. Qual é o papel dele?
Dutra O José Dirceu não está como franco atirador, fazendo aliança aqui e acolá. Eu tenho conversado com ele e ele tem me relatado as conversas que tem tido. Mas, em última instância, quem vai bater o martelo nas alianças são aqueles que estão mandatos para isso. Os membros da Executiva. É natural que os próprios aliados procurem o José Dirceu, que tem experiência e é visto como pessoa com influência no PT. Mas ele não vai fechar nenhuma aliança em nenhum estado. O José Dirceu é um animal político, faz parte do DNA dele, mas ele não fala pelo PT. José Dirceu vai entrar formalmente no diretório do partido. Como dirigente do partido vai estar envolvido na campanha.
Valor: Se mantiver a candidatura a presidente, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) prejudica a campanha de Dilma?
Dutra :Sempre defendemos uma campanha plebiscitária, de confronto de projetos, de comparação entre nosso governo e governo dos oito anos de FHC. Uma campanha onde a gente estabeleça um conflito claro entre dois modelos. Para que essa estratégia funcione, é importante ter apenas uma candidatura do bloco governista. O Ciro e o PSB tinham visão diferente. Achavam que o mais correto seria lançar mais de um candidato da base governista para forçar o segundo turno. Depois eles se juntariam para derrotar o candidato da oposição. Uma tese perfeitamente legítima, mas discordávamos. Agora, a evolução dos números mostra que nossa tese está tendendo a sair vitoriosa desse debate estratégico.
Valor: Mas as pesquisas parecem indicar que os votos do Ciro vão para o Serra.
Dutra :Em pesquisas “a frio”, sem explicar que o Ciro apoia a Dilma no segundo turno, quando você tira um nome, a tendência estatística é que o nome mais conhecido ganhe mais voto, independentemente da posição ideológica que esse candidato tenha. A evolução de pesquisas mostra que, tanto no cenário com Ciro quanto sem Ciro, a Dilma vem crescendo substancialmente. Hoje no cenário de segundo turno a Dilma perde por sete pontos para o Serra. Há oito meses, perdia por 25 pontos. A evolução está trazendo argumentos para a nossa tese. Nós, respeitosamente, publicamente, queremos aliança com o PSB, mas, se lá na frente o PSB , com toda legitimidade, decidir que vai lançar o Ciro, faremos campanha considerando que o Ciro é um candidato aliado. O adversário é o Serra. E vamos estar juntos num possível segundo turno. Não tenho nenhuma dúvida.
Valor: Ainda tem chance de ele disputar o governo de São Paulo com apoio do PT?
Dutra: Ele teria capacidade de aglutinar toda a base do governo em SP. A gente vê uma fadiga de material dos tucanos em SP, depois de 16 anos. A eleição não está perdida. O perfil de campanha do Ciro – incisivo, agressivo – é interessante. Mas ele tem dito categoricamente que não é candidato. Ninguém é candidato a uma coisa que não quer. Se não quer, o PT tem que buscar outra alternativa. Até março tem que ter uma definição.
Valor: A senadora Marina Silva (PV-AC) pode tirar voto de uma fatia do eleitorado tradicional do PT?
Dutra: Marina vai tirar mais voto do Serra. Um eleitorado que já votou no PT e já não votaria mais no PT. Votaria no Serra envergonhado. A Marina é uma alternativa para esse eleitorado.
Valor: Michel Temer (PMDB-SP) seria um bom vice para a chapa da Dilma?
Dutra: Sou da tese que o potencial eleitoral de um vice é muito limitado. Por mais que a pessoa tenha votos, concordo plenamente com o que disse o José Alencar: a pessoa vota no presidente. O vice ajuda na medida em que dá “liga” com o titular. O PMDB é que vai indicar o vice. Fez-se muita celeuma nessa questão da lista tríplice que o Lula falou. Se o PMDB concordar com a lista tríplice ótimo. Se não concordar, não concorda e pronto. Não cabe ao PT ficar dando palpite em quem é o vice do PMDB. Mas, naturalmente, a discussão do vice tem que passar pela candidata. Não há circunstâncias na política em que um partido indica um vice em que o candidato não concorda com aquele vice. Isso vale para prefeito, governador e presidente da república. Então, a costura do vice tem que passar pela candidata. Não é pelo PT. Eu, pessoalmente, não acho que o nome do Michel Temer tenha algum problema. É presidente do PMDB, representaria institucionalmente o partido. Mas essa é uma questão que cabe ao PMDB discutir e, depois, levar a sugestão a Dilma.
Valor: O que o Temer tem que buscar é essa “liga” com a Dilma?
Dutra: Exatamente.
Valor: Como seria o PT de hoje – após a experiência de governar o país – na oposição?
Dutra Muitas coisas que fazíamos enquanto oposição eram sinceras, mas decorrentes do desconhecimento em relação à realidade de governar um país. Eu defendo que, se o PT voltar a ser oposição daqui a… 15 anos, nós tenhamos uma postura diferente daquela que tivemos. Tem que ter oposição dura nas críticas, que proponha alternativas, mas não adote comportamento quase que estudantil.
Valor: O senhor falou em 15 anos. Eleita Dilma, o Lula disputa em 2014?
Dutra A Dilma, ganhando a eleição, é a candidata natural à sua reeleição. Se ela perder, é outra história. Nunca conversei com o Lula sobre isso, mas, sinceramente, não acho que ele tenha interesse em voltar. Será que interessa a ele voltar e correr o risco de ter um mandato não tão bom como esses dois? Então é uma questão de se preservar na história do país.
Postado por Luis FavreSÃO PAULO – A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na cidade de São Paulo abrandou na primeira prévia deste mês. O indicador marcou 1,28% de elevação, seguindo um avanço de 1,34% no fim de janeiro.
Transporte manteve-se na casa de 4% de aumento, mas registrou suavização no ritmo de alta. Pelo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o grupo subiu 4,49% na medição inicial de fevereiro, vindo de um acréscimo de 4,58% no fechamento do mês passado.
Na sequência, Educação anotou expansão de 3,77%, depois de ampliação de 4,42% no estudo anterior. Alimentação verificou incremento de 1,18%, menor do que o 1,52% do encerramento de janeiro.
Despesas Pessoais tiveram leve mudança, de 0,59% para 0,60% entre uma prévia e outra. Habitação saiu de 0,15% no fim do mês passado para 0,29% na primeira quadrissemana de fevereiro. Saúde foi de 0,26% para 0,23% de avanço.
Vestuário foi a única classe de despesa no terreno negativo, tendência essa observada desde a segunda leitura de janeiro. Na abertura deste mês, esse ramo caiu 0,39%, após declinar 0,68% na apuração antecedente.
(Juliana Cardoso | Valor)
Postado por Luis FavreMercado Aberto
cristina.frias@uol.com.br
Além do encarecimento do material escolar, que subiu quase o dobro da inflação, de janeiro a dezembro de 2009, as mensalidades de cursos de ensino infantil a superior, de escolas de idiomas e de cursos pré-vestibular também apresentaram aumento.
Todo o grupo de educação, que abrange escolas, material e livros didáticos, sofreu aumento de 5,32% nos últimos 12 meses, de acordo com o ICVM (Índice do Custo de Vida da Classe Média), medido pela Fecomercio SP e pela Ordem dos Economistas do Brasil, que será divulgado hoje. Em janeiro, a elevação foi de 4,68%.
O resultado foi impulsionado pelos cursos pré-vestibular, que registraram elevação de 8,31% no mês passado.
As escolas de educação infantil e ensinos fundamental e médio também tiveram alta de quase 7% nos últimos 12 meses. Já os cursos superiores subiram menos, 3,3%.
O aumento do material escolar foi de 5,39%, de acordo com a Fecomercio SP.
O grupo educação registrou elevação acima da de outros grupos medidos pelo índice, como transportes (2,5%), alimentação (1,63%), despesas pessoais (0,72%) e vestuário (-0,7%).
“A elevação geral do índice foi de 1,15% em janeiro. Os itens de educação tiveram elevação maior”, afirma Gílson Garófalo, economista da Fecomercio SP.
Garófalo afirma que a maior preocupação na pressão dos preços para a classe média na verdade está nos transportes, com a elevação das tarifas de transportes públicos e do preço dos combustíveis. “Os preços na educação sobem todo início de ano. As escolas elevam as mensalidades e isso se reflete nos subitens”, diz.
A faixa de renda abrangida pelo ICVM compreende o intervalo entre 5 e 15 salários mínimos do Estado de São Paulo, ou seja, R$ 2.525 e R$ 7.575.
Leia a integra da coluna Mercado Aberto, no caderno Dinheiro da Folha SP
Placido Domingo e Sharon Sweet, na ópera Stiffelio, de Verdi
Tereza Yamashita – Escritoras Suicidas
Bruno e eu estávamos casados havia muitos anos. Vivíamos a mesma vidinha, dia após dia, noite após noite. Cansada, resolvi tirar umas férias. Uns quinze dias seriam suficientes para colocar os meus pensamentos e minha vida em ordem, eu acreditava, queria acreditar nisso.
Perambulando pela rua, acenei para um ônibus qualquer. Entrei, sem rumo. Quando jovem, gostava muito de circular pelas ruas do centro da cidade. Observava as pessoas com seus passos apressados. Suas roupas coloridas e atípicas. Todos tão absortos em seus pensamentos. Para quebrar essa introspecção, nada melhor do que um grito apavorado: – Pega ladrão, pega ladrão. Só assim as pessoas saíam de seu casulo e se manifestavam de alguma forma. Uma roda enorme se formava em torno da vítima, parecia um circo em pleno centro da cidade, em vez de animais, a atração principal nesse circo eram as próprias pessoas.
O ônibus abafado, as janelas emperradas e o solavanco me deixavam zonza. Resolvi passar pra frente, havia um lugar vago. Quando tentava atravessar a catraca, notei um par de olhos azuis me secando. Senti-me completamente nua.Fiquei incomodada com aquele par de olhos. Mas ao mesmo tempo não conseguia deixar de olhá-lo também. A pessoa que estava do meu lado se levantou. O dono daqueles olhos ficou ansioso. Imediatemente ele se aproximou e ocupou o lugar vago. Apresentou-se com certa desinibição. Ele era tão alto que eu me senti pequena, quando dei por mim já estava confortavelmente em seus braços e, sem perceber, já estava em seu apartamento. Tudo muito rápido. No instante que ele começou a chupar e a lamber os meus peitos entrei em pânico. O que estaria fazendo ali? Como deixei tudo isso acontecer? Sou uma mulher casada e ele, um completo estranho. Mas esses pensamentos duraram muito pouco e logo me entreguei às suas carícias. Sentia calafrios por todo o corpo, parecia que estava sendo a minha primeira vez, e em certa medida era. Minha primeira traição.
Será que finalmente eu iria conseguir atingir um orgasmo pleno. Daqueles que o corpo extremece, o coração salta, a espinha sente um calafrio e o sexo da mulher arde de prazer? Eu estava no limite da excitação, quando ele gozou, solitário. Senti seu corpo ainda quente e suado se afastando de mim. Caralho! Com um tesão destes e eu ainda não consegui o orgasmo que me levaria às alturas. Apenas senti muito prazer com as carícias e uma sensação meio mórbida por estar traindo o meu casamento falido.
Já era muito tarde. Corri feito uma louca ao ponto de ônibus e acabei notando que Leonel era quase nosso vizinho. Que loucura! Também, nesta cidade tão grande, quem percebe os estranhos? Quase nunca cumprimentamos as pessoas que moram em nosso próprio prédio. Ficamos mudos e sem graça dentro do elevador. O nosso elevador tinha as paredes revestidas com espelhos. Sempre que voltava do trabalho e estava deprimida, me sentia muito mal dentro dessa caixa espelhada. Parecia que minha imagem se mulplicava mais do que a refletida no espelho, e toda aquela multidão de eus me observava, num silêncio fúnebre. Os cinco andares ficavam insuportáveis e, quando chegava ao meu andar, não via a hora de a porta se abrir. Saía correndo, deixando todos os meus eus pra trás.
Chegando ao apartamento, tomei um banho refrescante, me sentia outra. Bruno chegou cansado e mal- humorado. Criticando os seus empregados e sua profissão. No meio de tantas reclamações, comecei a imaginar o dia seguinte. Será que Leonel me procuraria novamente? Será que gostou de transar com uma mulher mais velha? Com tantas indagações, peguei no sono.
No dia seguinte ele me ligou pedindo pra encontrá-lo em um motel. Chegando lá, bati devagar na porta e Leonel apareceu nu, com os cabelos molhados. Nos abraçamos. Novamente não consegui ter um orgasmo. Tinha muito tesão, porém não conseguia. O único prazer que sentia era vê-lo gozando em mim, era saber que eu ainda podeira dar muito tesão a um homem jovem.
Enfim, minhas férias acabaram, pensei que meu romance com Leonel também fosse passageiro, no entanto, apenas trocamos os horários. Inventava mil desculpas. Bruno não desconfiava de nada, ou, sei lá, talvez não quisesse desconfiar. Às vezes, irritava-me a sua despreocupação. Mas o que importava? Nosso relacionamento, que relacionamento? Será que não havia solução? Será que ele também tinha uma amante? Dúvidas e mais dúvidas. Enfim, estávamos tão acomodados em nossas vidas, que era preferível continuar assim.
Com Leonel eu me divertia. Ele sempre procurava novidades e me fazia surpresas. Comigo nada acontecia, apenas o prazer de estar com um homem jovem e cheio de vida. Agora eu andava nua pela casa, estava me sentindo muito bem comigo mesma. Me sentia bela. E, diante do espelho, penteava os meus cabelos longos.
Bruno chegou. Elogiou-me, dizendo que eu estava diferente: mais sensual.
Jantamos e ele foi ao escritório arrumar seus papéis para a manhã seguinte. Como de costume, fui levar o seu licor. Fiquei sentada observando-o. Ele também parecia preocupado, diferente, irriquieto. Estabanadamente, Bruno derrubou o licor no roupão. Ficou nervoso, e eu, pra acalmá-lo, comecei a beijar seu rosto. Sem perceber, estávamos nos acariciando. Tirei o seu roupão. Ele beijava todo o meu corpo. Nunca me senti tão excitada assim com Bruno, e ele, da mesma maneira, parecia louco de tesão. O que estaria acontecendo? Será que ele havia descoberto? Não, não podia ser. No entanto, entreguei-me por inteiro às suas carícias.
Bruno me pegou no colo e me sentou na mesa. Abriu as minhas pernas com vigor, sua língua não parava. Estava excitada, úmida e querendo ser penetrada, mas ele continuava, e acabei gozando. Gemi de prazer, Bruno não parava, acariciava-me mais e mais, até que me penetrou. Numa dança ritmada, deslizamos pela mesa do escritório. Sentia sua respiração ofegante. Um calafrio percorreu a minha espinha, uma sensação de estar caindo entre nuvens, a cabeça zonza, o escritório parecia girar, tudo parecia estar fora do lugar. Ele, meio rouco, gritou que ia gozar, e, no mesmo instante, pela primeira vez tive um orgasmo pleno, único. Antes de nos separarmos, mordi seu pau com meus pequenos lábios, novamente sentimos prazer.
Sussurramos alguma coisa e ficamos estendidos na mesa, olhando o teto. Não dissemos uma só palavra. Éramos cúmplices daquela noite especial. Fomos pra cama e dormimos abraçados até a manhã seguinte.
Naquele momento me senti culpada por traí-lo. Mas já estava consumado. Percebi que essa noite especial não teria acontecido se não tivesse encontrado a jovialidade do meu amante.
Na hora do almoço, fui encontrar-me com Leonel e novamente transamos. Leonel passou a ser meu aperitivo predileto: blinis com caviar. Bruno, o meu prato principal: lagosta à thermidor.
***
Tereza Yamashita nasceu em 1965, em São Paulo. É de câncer e, no horóscopo chinês, serpente. Profissionalmente, sempre trabalhou com livros, pois este universo lhe proporciona muito prazer. É designer gráfica: cria capas e projetos gráficos para livros e coleções de todos os tipos. Mantém o blogue Yamashita.digital.art. Tem contos publicados em diversos jornais e revistas do país, entre eles, as revistas Et Cetera (PR), Mininas (MG), Puçanga (SP), Continente Multicultural (PE) e o jornal Rascunho (PR). Colabora com os sites Veropoema (PA) e Revista Vagalume (SP). Faz parte da antologia Quinze contistas brasileiros, que será lançada em breve na Argentina.
Postado por Luis Favre
Foto de Debbie Fleming Caffery, do livro Spirit & the flesh
Di qua varcando sul primo albore (Daqui fugindo nos primeiros raios da alvorada), ária de Stiffelio, ópera de Verdi. Placido Domingo
Synopsis da Ópera Stiffelio
PRIMEIRO ATO
Salzburgo, Áustria, meados do século XIX. Lina, a filha do Conde Stankar, está casada com Stiffelio, um pastor protestante. Stiffelio acaba de regressar de um ministério. Jorg, um velho pastor, lidera um grupo de seguidores numa oração para Stiffelio. Entre eles, encontra-se o nobre Raffaele, que seduziu Lina durante a ausência de seu marido. Stifellio chega e conta à multidão o relato de um barqueiro que, há alguns dias, viu um homem pulando de uma das janelas do castelo de Stankar (“Di qua varcando sul primo albore”). O barqueiro recuperou alguns documentos que o homem perdeu na sua fuga e os entregou a Stiffelio. Lina e Raffaele acreditam que seu caso amoroso foi descoberto, mas Stiffelio, sem querer expor quaisquer segredos, não lê a papelada e a lança ao fogo. Stankar suspeita que sua filha foi infiel.
A sós com sua esposa, Stiffelio fala do declínio moral que ele presenciou por todos os lados durante sua jornada. (“Vidi dovunque gemere”). Ao sentir a indiferença de Lina, ele a recorda do dia de seu casamento e do anel da mãe dele, o que selou os votos do casal. Stiffelio fica pasmo ao notar que o anel não está no dedo de Lina, e suspeita que foi traído quando ela se recusa a explicar o paradeiro do anel. Ele sai, decidido a descobrir o que aconteceu. Lina reza e pede ajuda a Deus (“A te ascenda, oh Dio clemente”). Ela começa a escrever uma carta de confissão para Stiffelio, mas é interrompida por seu pai, que a acusa de arruinar o nome da família e a proíbe de revelar a verdade. Depois que ambos saem de cena, Raffaele entra com uma missiva para Lina. Ele a esconde em um livro trancado, o Messias, de Klopstock, do qual os dois amantes têm a chave. Ele não percebe que Jorg está observando tudo.
Durante uma recepção para Stiffelio, Jorg conta ao pastor sobre a carta. Stiffelio amargamente anuncia que seu próximo sermão vai ser sobre Judas Iscariotes, o traidor de Jesus. Como se o fizesse para ratificar seu ponto, ele pede a cópia do Messias. Encontrando o livro lacrado, ele exige que Lina o destranque. Quando ela se recusa, ele quebra o lacre do livro. Porém, antes que Stifellio possa ler a carta, Stankar a rasga em pedaços (Grupo: “Oh qual m’invade ed agita”). Encolerizado, o pastor confronta seu sogro, enquanto que Lina clama para que a raiva dele recaia sobre ela. Stankar desafia Raffaele para um duelo.
SEGUNDO ATO
Frente ao túmulo de sua mãe, Lina pede perdão (“Ah! dalli scanni eterei”). Quando Raffaele reaparece, ela rejeita suas declarações de amor e exige seu anel de volta. Stankar entra e desafia Raffaele para um duelo de espadas, o qual é interrompido pela chegada de Stifellio, que intervém. Stankar se nega a acalmar-se e revela que Raffaele é o amante de Lina. Ao escutar isso, Stiffelio agarra a espada e desafia Raffaele. (Quarteto: “Ah no, è impossibile”). Jorg recorda ao pastor que seus seguidores estão esperando por ele na igreja. Stiffelio luta para controlar-se, lembrando-se que Cristo morreu perdoando toda a humanidade.
TERCEIRO ATO
Desesperado, Stankar pensa em suicidar-se (“Lina, pensai che un angelo”), depois decide que ele deve duelar com Raffaele para vingar a honra de sua família. Ele sai, ao que entram Stiffelio e Raffaele. O pastor pergunta a seu rival o que ele faria se Lina fosse livre para casar-se, mas Raffaele não tem uma resposta. Stiffelio então pede que ele aguarde no recinto ao lado enquanto ele conversa com Lina. Ao chegar, Stiffelio exige um divórcio. Lina protesta violentamente e declara que seu amor nunca vacilou. (Dueto: “Opposto è il calle”). Stiffelio está irredutível. Ela então pergunta se pode dirigir-se a ele não como seu marido, mas como um homem de Deus, e confessa que foi seduzida por Raffaele. No momento em que Stiffelio sai para confrontar o amante de Lina, Stankar entra com uma espada ensanguentada, anunciando que defendeu sua honra.
A congregação, incluindo Lina e seu pai, reúne-se na igreja. Stiffelio abre a Bíblia, disposto a buscar inspiração no que seja que ele leia. Ele começa a ler a passagem sobre Jesus e a adúltera. Ao chegar nas palavras, “e a mulher levantou-se, perdoada”, ele olha diretamente para Lina, e ela sabe que está perdoada.
Postado por Luis FavreBelkis Ramirez es una artista dominicana que pertenece al colectivo Quinta Pata que actualmente expone, en el Centro Cultural Recoleta con el auspicio del Centro Cultural de España, una muestra de su grupo: Mover la roca.
Pueden leer en la úlitma Ñ mi reseña sobre el asunto. Belkis llamó mi atención por su trayectoria, a la historia de batalla de la Quinta Pata, ella enfatiza en la trata de mujeres.
En la inauguración en la Recoleta donde bebimos unos rones financiados por el centro español, Belkis me contó la extraña coincidencia que la hizo enterarse del horror: que las mujeres dominicanas son punta de lanza en el mercado de la trata con fines sexuales. Pasó en 2005, ella estaba en Suiza con una de sus exposiciones y la robaron la cartera. Se quedó sin su pasaporte y debió resignarse a vivir en Ginebra por un mes mientras le tramitaban el documento. En ese momento empezó a ver la ciudad con ojos más agudos; no sólo con los de la chica turista o con los de la artista fascinada por la ciudad cronometrada y perfecta.
“En la calle me encontré con mujeres de mi país, -me dice Belkis en la Recoleta- que me contaron que habían llegado a Suiza para ser domésticas, niñeras y que luego de engaños y presiones por las que se jugaban la vida, tuvieron que resignarse a ejercer la prostitución. Allí, de pura casualidad, me enteré del destino de mis hermanas, siempre chicas pobres, ambiciosas pero ingenuas”.
Cuando volvió a mi país empezó a trabajar desde su obra para generar conciencia sobre este asunto que la indignaba tanto como la avegozaba.
Con la ayuda de la OIM (Organización Internacional de Migraciones) generó toda una serie que habla de las dominicanas secuestradas en todo el mundo para ejercer la prostitución.
Un puñado de ellas fueron detectadas este sábado en más de 20 prostíbulos de Mar del Plata, donde las tenían sometidas contra su voluntad para esclavizarlas con fines sexuales.
El arte aquí visualiza y centra un problema de nuestra pasmosa contemporaneidad: la trata de mujeres y niñas con fines sexuales.
La obra de Belkis Ramirez, en otros tonos también tristemente ajustados a la podredumbre de nuestros días, puede apreciarse hoy en la sala J del Centro Cultural Recoleta, invitada por el Centro Cultural España, sin cuya ayuda, ni un tornillo de los seres colgados del techo cual reses, podrían haber llegado a la CABA.
Jorge Mattoso, economista e consultor, foi presidente da Caixa Econômica Federal e professor do Instituto de Economia da Unicamp
Mesmo os economistas e observadores mais céticos não têm muito do que reclamar da economia brasileira nesta entrada de 2010. O Brasil soube aproveitar suas recém-adquiridas condições econômicas: reservas internacionais em expansão, crescimento econômico com distribuição de renda e valorização do mercado interno, setor financeiro estabilizado e bancos públicos fortalecidos, investimento em expansão e inflação sob controle, entre outras. E, contrariamente ao ocorrido durante as crises menores dos anos 1980 e 1990, o governo federal enfrentou a recente crise internacional com políticas monetárias e fiscais anticíclicas inovadoras.
Os próximos anos serão de retomada do processo de desenvolvimento, do crescimento econômico sustentado e da redução das desigualdades. Mas, para que isso se consolide e mantendo o indispensável controle inflacionário, teremos que assegurar a ampla retomada dos investimentos públicos e privados.
Já antes da crise, o PAC articulou os investimentos públicos e privados e definiu prioridades, favorecendo a elevação da taxa de investimento relativamente ao PIB para cerca de 19%. Com a crise, essa relação caiu, mas já se recupera, e o PAC 2 deve abrir espaço para sua consolidação e indispensável ampliação.
O crédito direcionado, desde antes da crise se comporta bem, seja aquele de longo prazo oferecido às empresas, seja aquele destinado à habitação e saneamento ou ao setor rural. O governo federal soube mobilizar as instituições diretamente envolvidas (BNDES, Caixa e BB), favorecer o acesso das empresas e das pessoas ao crédito e assegurar a extraordinária expansão do crédito direcionado.
Em contrapartida, o crédito livre despencou com a crise. Embora tenha melhorado recentemente, sua lenta recuperação indica que os bancos privados ainda não se recuperaram de sua maior aversão ao risco. O fraco desempenho do crédito livre em novembro e dezembro de 2009 fez com que a participação dos bancos privados no total do crédito recuasse no último mês do ano para pouco mais de 38%, contra mais de 61% dos bancos públicos.
Frente ao risco de contração do crédito, da liquidez e dos investimentos, o governo federal reforçou o caixa do BNDES, reduziu o compulsório dos bancos, cortou juros, criou novo programa habitacional (Minha Casa Minha Vida) e fortaleceu o PAC.
No entanto, com as taxas de crescimento do PIB projetadas para os próximos anos, certamente teremos que olhar o crédito e o financiamento do desenvolvimento com outros olhos. Mesmo países que dispõem de um mercado de capitais desenvolvido e crédito bancário de longo prazo, sempre que há aumento do investimento a questão do financiamento torna-se um problema.
Para o Brasil, o desafio de se alterar o padrão de financiamento do investimento é ainda maior. Aqui, não dispomos de crédito de longo prazo do sistema bancário privado, o FGTS e a poupança ainda são as principais fontes de financiamento ao desenvolvimento urbano, o coeficiente crédito/PIB é notavelmente baixo — apesar da importância do setor bancário na economia — e o mercado de capitais ainda não alcançou relevância no financiamento às empresas do país, salvo alguns segmentos. Com o indispensável aporte de recursos do Tesouro ao BNDES — R$ 100 bilhões em 2009 e prometidos R$ 80 bilhões em 2010 — ampliou-se o custo fiscal, pois enquanto o Tesouro capta à taxa básica de juros (Selic), que está hoje em 8,75% a.a., o BNDES empresta às empresas cobrando TJLP, que está em 6% ao ano.
Esse padrão e estrutura do financiamento, ainda hoje vigente, precisa ser transformado ou o investimento dificilmente romperá a barreira dos 20% do PIB. O maior desafio para a aceleração das taxas de investimento — processo absolutamente indispensável à sustentação do crescimento — será enfrentar estrategicamente essa questão e buscar um novo padrão de financiamento. E não bastam pequenas inovações financeiras.
Para iniciar esse processo, precisam ser viabilizados amplos fundos capazes de articular as distintas fontes de recursos disponíveis no cenário brasileiro. Às atuais fontes de recursos (FAT, FGTS, poupança, Tesouro, etc.) deveriam ser articulados tanto um menor estímulo à aquisição de títulos públicos e busca de uma maior participação dos bancos privados, quanto dos recursos dos fundos de pensão, dos fundos de investimentos nacionais e estrangeiros, das agências multilaterais e do mercado de capitais.
Iniciar essa articulação antes que as atuais fontes de financiamento se esgotem ou se mostrem insuficientes, é agenda imperiosa, que todos envolvidos — pretendendo dar continuidade a esse histórico e recente crescimento sustentado e inclusivo — precisam enfrentar.
Postado por Luis FavreFabio Braga/Folha Imagem

Moradores de área alagada há dois meses na zona leste de São Paulo protestam contra inundação
Atualizado às 17h38.
Moradores da região do Jardim Pantanal protestaram nesta segunda-feira em frente à Prefeitura de São Paulo contra a inundação em bairros da zona leste, que completa dois meses hoje. Uma comissão de manifestantes foi recebida pela Secretaria de Relações Institucionais e apresentou reivindicações, mas o prefeito Gilberto Kassab (DEM) não participou do encontro.
Os manifestantes protocolaram na prefeitura um documento para cobrar, entre outros pontos, a abertura da barragem da Penha do rio Tietê –para escoar a água–, indenização pelos prejuízos e moradia imediata para as famílias atingidas.
De acordo com o deputado federal Ivan Valente (PSOL), que participou da reunião, ficou definido que o prefeito participará de um encontro com a comissão na próxima sexta-feira (12).
“Eles [os moradores] pedem a desobstrução da barragem da Penha, o escoamento das águas e o cadastramento casa a casa das famílias. Há 60 dias eles estão inundados e convivendo com ratos e cobras. A população está revoltada”, disse o deputado.
Para o protesto, os moradores levaram até a prefeitura garrafas com água suja da enchente e potes com cobras que afirmam ter capturado em suas casas devido à inundação.
Representantes dos manifestantes esperam que o governador José Serra (PSDB) também participe da reunião de sexta. De acordo com os integrantes da comissão, não havia integrantes do governo estadual no encontro realizado hoje na prefeitura.
Confronto
Mais cedo, os manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar, que usou gás de pimenta para conter o tumulto.
De acordo com a Polícia Militar, cerca de 200 pessoas participaram do protesto. Ainda segundo a PM, apesar do confronto, não houve detidos, nem feridos com gravidade. Entretanto, o vereador Zelão (PT), que foi agredido com golpes, participou da reunião com um curativo no braço esquerdo. “Eu me protegi do golpe com o braço”, disse. A PM afirma que irá apurar se houve “exagero” na ação para conter o protesto.
Além de cobrar a limpeza imediata das águas nos bairros, os moradores cobram uma solução para a falta de moradia. A maioria dos desalojados continua em escolas municipais e, com o início do ano letivo, temem não ter para onde ir.
“Meu filho foi internado com uma infecção causada pela inundação. Eu estou doente e tenho amigos com leptospirose. Aquilo ali está uma vergonha. É desumano e desesperador não ter para onde ir”, disse a enfermeira Ana Aparecida Silveira, 51, moradora da região do Jardim Pantanal há 15 anos.
“Toda vez que chove eu tenho que tirar meus filhos de lá. Minha família paga IPTU. Eu não vou sair se não tiver uma casa pra morar”, afirmou a doméstica Ana Paula Leite Rodrigues, 36.
Postado por Luis Favre
Cerca de 200 pessoas faziam protesto em frente à Prefeitura; região da zona leste de SP está alagada há 2 meses
SÃO PAULO – Cerca de 200 moradores da região alagada na zona leste de São Paulo faziam uma manifestação na tarde desta segunda-feira, 8, no Viaduto do Chá, em frente à Prefeitura. Durante o ato houve confronto com policiais militares, que usaram spray de pimenta e cassetetes para conter o protesto.
De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os moradores, que ocupavam a calçada da via, se reuniram no local por volta das 14 horas para cobrar uma solução das autoridades. Eles pretendiam ser recebidos pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM).

A área alagada, que engloba sete bairros, está em estado de calamidade pública desde a semana passada. Nesta segunda-feira, o Jardim Romano completa dois meses de alagamento. Às 15h30, a assessoria de imprensa da Polícia Militar confirmava apenas um princípio de confusão.
Postado por Luis FavreBoa tarde,
Moro perto da Avenida Aricanduva, próximo a casa de show Expresso Brasil, a pouco mais de um ano.
Todos os dias percorro essa via para chegar até o metrô, cerca de 8 km.
Observei que ao longo desse trajeto alguns pontos se tornaram depósitos de vários tipos de lixos: variam desde lixo comum até resto de colchões, sofás, madeira queimada, entulhos, galhos de árvores e outros não identificáveis. Em certos locais o mal cheiro é nítido, e nem tenho olfato biônico!
Não se trata de uma mensagem sobre as consequências das chuvas que estão castigando a cidade e, sim, do abandono da limpeza urbana.
Em setembro de 2009, cheguei a solicitar pelo SAC no site da Prefeitura a limpeza de um local, conforme solicitação n. 8793773.
O mesmo foi indeferido, o órgão responsável era a Subprefeitura de São Mateus e a providência informada foi “OUTR sUB-vIANA” (onde é a tecla SAP, por favor??).
Referida via é muito extensa e, tenho certeza, que todas as subs copiadas nessa mensagem, são responsáveis pela preservação de alguma altura da mesma.
O que causa incompreensão é o fato desses lixos estarem lá a mais de um ano.
Não são novos lixos colocados… SÃO OS MESMOS, A MAIS DE UM ANO!
Estamos falando de uma das principais vias de acesso da região.
Acho muito improvável que nenhum funcionário dessas subs nunca tenham passado por ela e não perceberam o ocorrido.
Em menos de 1 km percorrido, é fácil identificar os locais onde há despejo e acúmulo de sujeiras!
Até onde eu sei, a operação Cata-Bagulho esteve nos arredores apenas uma vez.
Eu não vi e, pelo visto, esqueceram dessa via.
A informação foi obtida através do twitter da Subprefeitura de Itaquera (29/09/2009) e, mesmo assim, após a visita.
Por quê não informam com antecedência?
Em relação aos Ecopontos, somente tive conhecimento deles por causa das visitas no site da Prefeitura.
Nenhuma informação é divulgada sobre os pontos onde ficam e, obviamente, não é falado durante o Big Brother Brasil.
Como educar a população em relação a isso, sendo que não é divulgado?
É tão difícil distribuir panfletos ou cartilhas?
A propaganda com o Edson Celulari sobre “jogar lixo no lixo” não poderia ter abordado isso?
Para ter uma idéia, em determinados locais, o lixo ocupa toda a calçada obrigando o pedestre a caminhar sobre a sujeira (e fedor) ou se arriscar pela guia da avenida.
Abaixo segue algumas imagens, registradas em 07/01/2010.






No mesmo quarteirão, um pouco mais a frente:

Ainda no mesmo quarteirão:

DE NOVO, no mesmo quarteirão (??):

Ante o exposto, pergunto: Quais providências serão tomadas?
O que é necessário fazer para uma solicitação ser deferida?
Abrir novo chamado? Já o fiz (nº 8903519) e fazem 40 dias que estou esperando alguma notícia.
Isso porque a atendente do SAC, no 156, informou que o prazo era de 30 dias.
No aguardo de uma posição e providência dos órgãos competentes.
Atenciosamente,
Eliane Carvalho Rossi
Cerca de 200 manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar e com a GCM (Guarda Civil Metropolitana) na tarde desta segunda-feira durante protesto contra os alagamentos que atingem ao menos sete bairros da zona leste de São Paulo. A manifestação ocorre em frente ao prédio da prefeitura, no centro da cidade. Por volta das 15h50, os manifestantes permaneciam no local.
De acordo com a PM, o conflito ocorreu porque os manifestantes se recusaram a respeitar o cordão de isolamento imposto pela polícia.
A polícia afirma não ter informações sobre feridos ou detidos. Já os manifestantes afirmam que os policiais usaram cassetetes e gás de pimenta.
Segundo o vereador José Américo (PT), entre os agredidos estão o deputado federal Carlos Zarattini e o vereador José Ferreira, o Zelão (PT). Américo afirma que pretende entrar com uma representação contra o major da PM Marcos Antonio Rangel Torres, comandante da operação, “por incompetência e insensibilidade em relação ao protesto”.
“Colocaram uma pessoa totalmente despreparada para lidar com uma manifestação onde já se sabia que as pessoas estariam exaltadas”, afirmou.
O comandante negou que tenha dado ordem para que fossem usados cassetetes e gás de pimenta, mas admitiu o “uso isolado” de armas não letais para conter o tumulto. “A PM não tinha ordem para usar gás de pimenta contra ninguém. Se houve exagero, isso será apurado pela Polícia Militar”, disse à Folha Online.
Água suja e nariz de palhaço
A zona leste está em estado de calamidade pública desde a semana passada devido aos alagamentos. Entre os bairros afetados pela medida estão Jardim Romano, Chácara Três Meninas, Vila das Flores, Jardim São Martino, Jardim Novo Horizonte, Vila da Paz, Jardim Santa Margarida, Vila Seabra, Jardim Noêmia, Vila Aimoré, Vila Itaim e Jardim Pantanal. Áreas estão inundadas desde o temporal do dia 8 de dezembro.
Para o protesto desta segunda, moradores levaram garrafas com água da enchente e despejaram em frente ao prédio da prefeitura. Os manifestantes usam nariz de palhaço, buzinas e exibem cartazes de protesto.
Por volta 15h15, uma comissão formada por cerca de 20 representantes dos manifestantes entraram na prefeitura para apresentar as reivindicações. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) não estaria no prédio.
Chuvas
Em todo o Estado de São Paulo, as chuvas também causam problemas. De acordo com o último balanço da Defesa Civil, 46 cidades estão em situação de emergência e 74 pessoas morreram. Além disso, mais de 27 mil pessoas já tiveram que deixar as suas casas.
Postado por Luis FavreEleito com 17.564 votos (63%) no PED 2009, Antônio Donato assume hoje a presidência do Diretório Municipal do PT de São Paulo. Exercerá o cargo pelos próximos três anos. Em entrevista do PT Câmara SP, Donato – que cumpre o segundo mandato de vereador na Câmara Municipal paulistana – conta alguns de seus planos para o DM. Ele quer trabalhar em conjunto com os Diretórios Zonais e uma das suas primeiras tarefas será montar um congresso de DZs para discutir a organização do partido e elaborar as prioridades de atuação na oposição às gestões Kassab na Prefeitura de São Paulo e Serra no governo estadual.
Donato também falou sobre o papel que o Diretório Municipal pode desempenhar na eleição presidencial e estadual de 2010. “Demarcar que o projeto existente em São Paulo é o projeto que eles (PSDB e DEM) querem aplicar no Brasil aclara o debate político e isso pode permitir uma eleição polarizada. Podemos crescer na cidade de São Paulo”, afirmou. Leia a entrevista:
PT CÂMARA SP: Quais os projetos que o senhor pretende desenvolver à frente do Diretório Municipal do PT de São Paulo?
DONATO: Essa nova direção vai ter uma responsabilidade muito grande. A primeira é ajudar na eleição da companheira Dilma à Presidência da República, numa cidade que tem o quarto eleitorado do país. Nós só perdemos para o próprio estado de São Paulo, Minas Gerais e o estado do Rio de Janeiro. A cidade de São Paulo tem 8,3 milhões de eleitores e o Rio Grande do Sul inteiro, por exemplo, tem 7,9 milhões de eleitores. Ou seja, a cidade de São Paulo tem uma importância estratégica na eleição presidencial. Por outro lado a cidade é o QG da oposição ao governo Lula, através da administração Kassab e do governo Serra. Portanto, é uma batalha desigual, pelo uso da máquina e por outros recursos. Também é aqui a sede dos grandes grupos de mídia, daqui se irradia a política para o Brasil e as posições mais conservadoras também partem daqui. Portanto, a gente precisa ter muita organização, muita política, muita capacidade de intervenção para fazer uma boa disputa e colaborar na eleição presidencial e também na eleição para o governo de São Paulo, que é outra batalha absolutamente importante.
Temos visto o fracasso dos tucanos em todas as áreas: a falência da educação, comprometendo gerações de jovens paulistas e paulistanos; na segurança pública os indicadores pioraram; e agora o problema das enchentes, mostrando a falência e a incapacidade de planejamento e de gestão dos tucanos. Portanto, há a necessidade para o povo de São Paulo de que o PT e os aliados possam conquistar o governo paulista. Essa é a primeira e principal tarefa esse ano, e para isso precisamos de um partido organizado. É isso que queremos em conjunto com os Diretórios Zonais.
PT CÂMARA SP: E como será essa relação com os Diretórios Zonais? De que forma vai trabalhar com eles?
DONATO: Vai ser uma atuação bastante próxima, compartilhada. Prova disso é a própria posse. Estamos fazendo a posse conjunta do Diretório Municipal e também dos presidentes dos 35 zonais que deram quórum no PED. Isso tem um simbolismo e mostra uma direção desta gestão, que é trabalhar muito em conjunto com os Zonais. Na campanha eleitoral do PED apresentamos uma proposta que foi abraçada por todo mundo, por todas as correntes, que é um congresso das direções zonais. Realizaremos esse congresso até o final de março, para estabelecer as prioridades de trabalho na cidade, nossa política de organização, a organização em relação à oposição ao governo do Kassab e do Serra, e nossa participação na campanha eleitoral de maneira organizada. Estamos muito confiantes nesse trabalho cada vez mais estreito entre o Diretório Municipal e os Zonais.
PT CÂMARA SP: Os Zonais terão participação constante na atuação do partido?
DONATO: Constante nas tarefas e na elaboração partidária. A gente quer fazer um grande pacto, isto é, definir para que lado nós vamos remar. E remar todo mundo junto para o mesmo lado. É evidente que tem Zonais com mais dificuldades, e que o Diretório Municipal precisa acompanhar mais de perto, e Zonais melhor estruturados. O importante é que a gente tenha um eixo político comum, uma visão comum das tarefas e que em cada região a gente possa colocar o PT na rua. No processo de debate do PED surgiu uma proposta de uma coordenação dos Diretórios Zonais do centro expandido da cidade, que é onde a gente enfrenta mais dificuldades e precisa de uma política própria. Vamos ter que trabalhar com os Zonais numa compreensão política comum, mas evidentemente respeitando o território e a atuação de cada um, porque a cidade é diferenciada e isto tem um impacto também na vida partidária.
PT CÂMARA SP: E de que forma será a relação do DM com a Bancada do partido na Câmara Municipal?
DONATO: Da melhor maneira possível, até porque tudo indica que teremos três ou quatro vereadores integrando a direção municipal. A Bancada tem sido muito parceira do Diretório, mas precisamos estreitar esses laços porque ela é a cara pública do partido. É quem dá projeção e voz ao PT na maioria das vezes, porque tem acesso à mídia, ao plenário da Câmara, acesso à tribuna, e as propostas articuladas junto com a Bancada repercutem na sociedade. Então é fundamental a gente ter um trabalho conjunto e também chamar a Bancada a opinar sobre os rumos do PT, a ajudar na organização partidária, porque são 11 mandatos partidários, que tem relação com a base partidária e podem contribuir muito, também, nessa organização do PT. Temos a melhor expectativa possível de trabalhar conjuntamente para potencializar o trabalho da Bancada e a própria atuação do PT.
PT CÂMARA SP: Que avaliação o sr. faz da situação vivida na cidade de São Paulo hoje? Como pretende desenvolver a oposição à gestão do DEM/PSDB na Prefeitura de São Paulo?
DONATO: Acho que estamos num momento triste para a cidade, porque está vindo à tona toda a farsa que foi apresentada na última eleição. Se vendeu um prefeito administrador, competente, presente, e não é isso que acontece na cidade. São Paulo está abandonada, sem rumo. Você não vê uma estratégia clara para várias áreas como a educação, a saúde, o transporte, os serviços de manutenção. Você vê apenas improviso e isso revela bem o caráter desse governo. O PT tem que se apresentar como uma oposição firme, denunciando todas as mazelas do governo. Nós temos experiência política-administrativa e capacidade de formular propostas para a cidade.
Precisamos estabelecer um diálogo com a população, apresentando a crítica, mas também apresentando qual o caminho correto que a cidade deve seguir em cada área. Para isso temos experiência, acúmulo, e não temos medo do debate. Se o debate for feito de verdade, e não através dos marqueteiros, temos muito a mostrar e a contribuir. Precisamos mostrar todo o desmonte que foi feito em várias áreas por esta gestão e apontar a necessidade de em 2012 construirmos uma frente política ampla, com programa de governo claro, prioridades claras, e que possamos recuperar para o povo de São Paulo a administração da cidade. Porque São Paulo não pode conviver com o caos diário que temos presenciado atualmente.
PT CÂMARA SP: Antes de 2012 tem 2010. Qual a contribuição que o PT do município de São Paulo pode dar na disputa presidencial e, principalmente, na eleição estadual, em que o partido até hoje não venceu uma eleição?
DONATO: Podemos contribuir muito mobilizando, buscando voto, conversando com as pessoas, mas, principalmente, mostrando que existem dois projetos no país. No estado, e na cidade de São Paulo em particular, isso é muito claro, porque o povo vivenciou uma experiência de governo com o PT, com a prefeita Marta – antes já havia vivenciado uma experiência com a prefeita Erundina, também do PT na época – e vivencia agora com a gestão Serra/Kassab. E são nítidas as diferenças, o enfoque, as prioridades. Demarcar que o projeto existente em São Paulo é o projeto que eles querem aplicar no Brasil aclara o debate político e isso pode permitir uma eleição polarizada. Podemos crescer na cidade de São Paulo. Crescer mostrando que em nível federal não podemos cometer o mesmo erro que aconteceu em São Paulo, perder a eleição e ver recuar várias políticas públicas construídas com muito esforço e com muito empenho e luta da população.
PT CÂMARA SP: E no plano estadual?
DONATO: Acho que no estado também. Eu não sou daqueles que acham que a eleição estadual está perdida. Na medida em que houver um debate de projetos políticos para o país, as nossas chances aumentam. Toda tentativa dos tucanos é de esterilizar o debate, impedir o debate, transformá-lo num debate de personalidades, Serra contra Dilma, e não mostrar que existem dois projetos. Se conseguirmos estabelecer essa pauta para a eleição tenho certeza que em São Paulo a tendência é de todos partidos que se colocarem nesse campo de oposição de crescerem muito. Porque como eu disse, na hora em que você for discutir objetivamente segurança pública, saúde, educação, transporte ou infraestrutura urbana, os tucanos não têm o que mostrar. Temos que deixar claro a existência de um estado com potencial imenso e com um governo que não tem criatividade, não tem uma política marcante. O que o governo Serra fez? Continuou o rodoanel, com mais de 30% de recursos vindos do governo Lula, não limpou a calha do Tietê, jogou R$ 2 bilhões da obra de rebaixamento da calha no lixo. Na segurança pública aumentaram os indicadores de roubos, latrocínios, homicídios e outras ocorrências. Na educação a tragédia da progressão continuada e da não educação da nossa juventude.
Portanto, se esse debate for feito tenho certeza que o PT vai crescer, porque o PT tem propostas, experiência administrativa. Já comandou as principais cidades do estado, mostrou que sabe administrar bem, e tem um governo federal absolutamente exitoso, que mostrou que o PT tem lado ao governar. Governa para todos, mas sabe que os mais fracos é que precisam mais de governo. A cidade de São Paulo em um terço do eleitorado do estado. Queremos dar nossa contribuição politizando o debate, organizando e buscando os votos dos eleitores que moram aqui.
PT/SP dá posse hoje a novos dirigentes e homenageia os ex-presidentes
Em cerimônia marcada para as 19 horas de hoje, no Salão Nobre da Câmara Municipal, o vereador José Américo, atual presidente do Diretório Municipal do PT de São Paulo, transmitirá o cargo para o vereador Antônio Donato, eleito no PED 2009.
Também serão empossados nesta segunda-feira os demais membros do Diretório Municipal e os integrantes dos 35 Diretórios Zonais do PT na cidade.
A festa política não para por aí. Marcando o aniversário (10 de fevereiro) de 30 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores, os 11 ex-presidentes do PT/SP serão homenageados durante o ato de posse da nova direção. Cada um receberá uma placa de inox com a inscrição das datas dos respectivos mandatos em que estiveram à frente do partido na capital paulista.
Os ex-presidentes são: Antonio Doria; Ricardo Guterman; Hélio Bicudo; Rui Falcão; Cândido Vaccarezza; Jilmar Tatto; Vicente Candido; Ricardo Berzoini; Italo Cardoso; Paulo Fiorilo; e José Américo.
Fonte boletim dos vereadores do PT São Paulo
Das inaugurações de paradas de metrô desde 1998, só uma não ocorreu quando houve disputa
f.leite@grupoestado.com.br
“Daqui pra frente é assim: uma inauguração atrás da outra”. A frase do ator Dan Stulbach que encerra a mais recente propaganda na TV sobre a “temporada” de entrega de novas estações do Metrô retrata calendário político que tem sido adotado pelos governos do PSDB no Estado desde a gestão Mário Covas (1995-2001): inaugurar as obras em ano eleitoral.
Das 15 estações do Metrô concluídas nos últimos quatro mandatos, 14 foram inauguradas no ano em que o governador esteve em campanha – pela reeleição ou na disputa à Presidência (veja abaixo). A última delas – Estação Sacomã da Linha 2-Verde, na zona sul -, foi feita há 10 dias pelo governador José Serra, provável candidato tucano ao Planalto.
Até o fim de março, antes do prazo final para desligar-se do cargo, caso concorra a presidente, Serra pretende inaugurar outras duas estações na Linha 2 e duas da nova Linha 4-Amarela entre as avenidas Paulista e Faria Lima, ambas em fase final de acabamento. Ainda este ano, haverá mais quatro inaugurações.
Todo cronograma é destacado pela peça publicitária apresentada pelo ator e produzida pela agência do publicitário Duda Mendonça, que tem contrato semestral com o Metrô no valor de R$ 14 milhões. A publicidade das obras e qualidade do transporte subterrâneo é divida com a agência MPM Propaganda, que recebe R$ 11 milhões por seis meses.
Ao todo, Serra pretende entregar neste ano eleitoral nove estações, mais do que nas duas campanhas do ex-governador Geraldo Alckmin – foram seis em 2002, quando se reelegeu, e duas em 2006, quando perdeu a disputa ao Planalto para Lula -, e na de Mário Covas à reeleição em 1998 – cinco. A exceção no período é a estação Alto do Ipiranga (Linha 2), inaugurada por Serra em 2007.
‘Tradição’ por votos
Segundo o historiador Marco Antonio Villa, “é tradição desde o restabelecimento das eleições diretas (1989) deixar tudo (inaugurações) concentrado no período pré-eleitoral e a população já se acostumou com isso”. Para ele, isso faz parte de estratégia política do governante-candidato para tentar conquistar mais votos. “Certamente tem efeito positivo, porque se repete sempre nas esferas municipais, estaduais e federais”.
Para o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as inaugurações obedecem à mesma lógica: “Ninguém quer deixar para o sucessor o bônus de inaugurar a obra”. Couto pondera, contudo, que grandes obras de infraestrutura, como as do Metrô, demandam tempo e, por isso, podem ficar para o fim do mandato. “Normalmente essas obras são mais complexas e se iniciam no começo do mandato porque o governante quer entregá-la antes de deixar o cargo e ficar com o crédito”.
Segundo o engenheiro e diretor do Departamento de Infraestrutura do Instituto de Engenharia, Roberto Kochen, uma obra de expansão de linha metroviária de oito quilômetros dura, em média, entre três anos e meio e quatro anos, desde a elaboração do projeto e da licitação à conclusão. “Obras do Metrô envolvem desapropriação e perturbação do tráfego em áreas urbanas. Isso requer planejamento e demanda tempo”, afirma. “Acontece que está cada vez mais frequente governos iniciarem projetos no meio do mandato e depois correrem para conclui-los. Isso provoca pressão enorme sobre obra, que vai depender ainda mais da capacidade de engenharia e recursos financeiros”.
Lembrete
23/09/2009 – 19:19h
Após publicação do artigo Xangai e São Paulo, (Xangai e São Paulo) a Folha recebeu a seguinte carta do governo tucano:
Metrô
“O artigo “Xangai e São Paulo” (Opinião, 21/9) merece alguns esclarecimentos. Comparar capacidade de investimentos na China e no Brasil é covardia: desde 1980 a economia chinesa cresceu 3,5 vezes mais depressa que a brasileira. Não se pode ignorar que o metrô de Xangai é bancado pelo governo federal, o que não acontece em São Paulo, onde a União nunca contribuiu com nenhum tostão. Nem esquecer que no Brasil as obras de metrô obedecem a rigorosas e demoradas licitações e a critérios ambientais e urbanísticos exigentes -e as desapropriações custam caríssimo. Esse não é o modelo da China, onde as terras pertencem de fato ao poder público. Por último, Vaguinaldo Marinheiro ignorou informações passadas por nós: somando Metrô e CPTM modernizada, São Paulo terá, em 2020, 574 km de linhas (e não 237 km) com atributos de metrô: qualidade de trens e de estações, confiabilidade, segurança e frequência.”
FABIO SCHIVARTCHE , coordenador de imprensa da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (São Paulo, SP)
Tem sido recorrente a utilização desses argumentos, depois que José Serra os formulou como justificação do fato que em 14 anos de governo tucano foram construidos apenas 12 Km de metro, do total de 61 Km que configuram a rede hoje.
Deixando de lado que durante 8 anos os tucanos governaram também o Brasil e que o governo Lula sim transferiu recursos para o metro de São Paulo, vale a pena tocar nos argumentos autojustificativos dos tucanos.
Primeiramente, o caso de Xangai não é o único exemplo de expansão do metrô. A região de Madri, na Espanha, invistiu na expansão do metrô e, entre 1995 e 2003, foram feitos 40 quilômetros – 20 deles entre 1995 e 1999. A Espanha não teve um crescimento econômico chinês e Madri investiu pesado, com desapropriações e leis ambientais.
Segundo o Estadão, do qual estes dados foram extraídos, “Para ampliar as linhas locais, esse metrô espanhol desembolsou, em média, US$ 42 milhões (R$ 71,4 milhões) por quilômetro, incluindo a compra dos trens – custo duas vezes e meia menor do que em São Paulo. ‘Os fatores que contribuem para o êxito de Madri são políticos, econômicos, de gestão e técnicos’, explicou o diretor da companhia madrilenha Aurelio Garrido. O projeto de expansão 2003-2007 ainda está em andamento. Estão previstos 81,3 km de novas linhas, ao custo de R$ 11,3 bilhões – R$ 139,1 milhões por quilômetro. O valor se refere à construção de 80 estações e à compra de dez equipamentos para escavar os túneis, os “tatuzões”. ‘Com planejamento, o custo da mobilidade por passageiro por quilômetro é mais baixo’, destacou Garrido.” (OESP 8/09/2009 -Se continuar do jeito que vai…).
Porque o custo é duas vezes e média menor que em São Paulo? pelo custo das desapropriações? Porque Madri pode construir 81,3 Km em 5 anos e São Paulo não?
Que tal então a Folha fazer um artigo Madri e São Paulo, para ver se os tucanos admitem o desprezo persistente no investimento em transporte público e particularmente no metrô?
Luis Favre
Articulista da Folha compara a expansão do metrô na cidade de Xangai com São Paulo. Vale destacar que o metrô de Xangai começou a ser construído em 1995 e em 2007 já atingia 227 Km.
Em 1995, os tucanos já governavam São Paulo e o Brasil. Em 14 anos de governo do PSDB a rede de metrô em São Paulo cresceu 11 Km. Hoje São Paulo tem 61 Km de metrô, como bem lembra o articulista da Folha. Xangai projeta em 10 anos mais 800 Km para sua rede.
Durante as eleições municipais do ano passado Marta propôs a meta de mais 40 Km para 2014 e foi tachada de irrealista pelos adversários e pela maioria dos jornais. LF

Rede do metrô de Xangai: 227 Km construidos em 12 anos
SÃO PAULO – Xangai, no leste da China, é uma cidade de 18 milhões de habitantes que em alguns aspectos lembra São Paulo: o trânsito é caótico e está pior por causa das obras de reurbanização para a Expo 2010; alguns de seus “minhocões” passam ainda mais perto das janelas de apartamentos; e sua principal rua de compras, a Nanjing road, um calçadão onde ambulantes oferecem de tudo (incluindo mulheres e drogas), nos remete imediatamente à Barão de Itapetininga, no centro.
Mas as semelhanças param por aí porque Xangai pensa no futuro e enfatiza o planejamento urbano.
Enquanto nós gastamos anos e anos nas discussões de planos diretores que nunca são levados a sério, os chineses têm tudo definido: do bairro que terá incentivos para virar um novo centro financeiro às novas áreas verdes.
Mas o planejamento principal está no transporte. Xangai sabe, como São Paulo deveria saber, que não avançará sem resolver seu trânsito.
Para isso, já estão definidos novos túneis sobre o rio Huangpu, que divide a cidade, e principalmente os investimentos no metrô.
Xangai tem 200 km de linhas.
Prevê, para 2020, 800 km. Repito: oi-to-cen-tos! Será a cidade com a maior rede de metrô do mundo.
E São Paulo? Nosso Metrô foi inaugurado em 1974. Levamos inacreditáveis 35 anos para chegar a apenas 61 km.
Questionada, a Companhia do Metropolitano de São Paulo afirmou que em 2020 terá 142 km de metrô tradicional mais 95 km de VLT (veículos leves sobre trilhos), totalizando 237 km.
Temos até razões para desconfiar de alguns dados fornecidos pelos governos chineses, mas quando o assunto é construção de infraestrutura, eles não brincam em serviço e cumprem prazos.
Já em São Paulo… Com nosso histórico, dá para acreditar nesses 237 km de metrô em 2020?
vmarinheiro@uol.com.br
Parece “barata tonta”. Para José Serra a culpa de São Paulo não contar com uma rede de metro maior é… do governo FHC e de todos os outros governo federais anteriores e posteriores, mas não dos governos estaduais paulistas responsáveis pelo metrô.
Para justificar o fato de seu partido, em 14 anos, ter investido pouco no transporte público e pouco no metrô, o governador invoca o exemplo federal na cidade de… México.
Acontece que a cidade de México é a capital do país e o metrô obra do governo nacional mexicano na sua capital. Já no Brasil o dinheiro do governo federal participa da construção de metrô e outras formas do transporte público, com repasses aos governos estaduais, ou com crédito subsidiado.
No caso de São Paulo, o governo Lula participa sim do financiamentos das obras do metrô, contrariamente às afirmações de José Serra. Leia mais sobre o assunto aqui embaixo e veja o próprio informe da empresa do metrô dando conta dos recursos do governo Lula. LF
Tucano pede recurso para metrô
SILVIA AMORIM – O Estado SP
Em tom de cobrança por investimentos, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), atribuiu ontem ao governo federal a culpa por São Paulo não ter uma rede de metrô maior do que a existente. A crítica foi feita durante a festa de comemoração dos 35 anos de operação do metrô paulistano. “O ritmo de crescimento da rede de metrô foi pequeno comparativamente a outros países. Isso por um motivo muito simples. No México, na China e em países onde o metrô se expandiu rapidamente ele é bancado pelo governo federal. Aqui em São Paulo sempre foi uma tarefa do governo do Estado e da prefeitura desde as origens. Não teve e não tem dinheiro federal no metrô”, disse Serra.
O governo paulista tem travado com o PT uma queda de braço sobre a paternidade de várias obras no Estado. Em uma propaganda partidária veiculada neste mês no rádio e na TV, os petistas afirmaram haver dinheiro do governo federal na ampliação da rede metroviária em São Paulo. Serra chamou a peça de mentirosa e disse que nessas construções há apenas empréstimos do BNDES e não investimentos diretos do Orçamento da União.
O governador considerou ontem “muito difícil” uma mudança na postura do governo federal. “Dá-se sempre como exemplo a Cidade do México, que não tinha metrô até os anos 80 e hoje tem o dobro do que tem São Paulo. Não é uma prioridade. Não é que as autoridades federais não gostam do metrô, mas nunca foi uma obra federal como foi em outros países.”
Nota a imprensa do PT-SP em resposta ao governador José Serra
Investimentos do Governo Federal no Metrô de São Paulo
Na última semana, conforme a Lei Federal nº 9.096/95, o diretório estadual Partido dos Trabalhadores de São Paulo (PT-SP), veiculou em rede de rádio e TV do estado propaganda partidária gratuita, na qual apresentava ações do Governo Federal no Estado de São Paulo.
Diferentemente do que tem afirmado o Governador José Serra através da imprensa, houve sim investimentos da União nas obras de expansão da Linha 2 Verde do Metrô, da ordem de R$ 229, 5 milhões – conforme pode ser verificado (abaixo) no próprio Relatório da Administração – 2008 – da Companhia do Metropolitano de São Paulo (conheça o relatório completo no site da empresa).
Além disso, o Governo Federal também liberou R$ 250 milhões para o Expresso Tiradentes e R$ 1,2 bilhão para o Rodoanel. Já o BNDES concedeu – por uma linha de crédito subsidiado, R$ 1,5 bilhão para o Metrô (valor esse, que se não fosse o empréstimo estatal, o governador teria que buscar no mercado financeiro).
Por outro lado, em 2008, o prefeito Kassab e o governador Serra promoveram um ato para anunciar que o Município iria repassar R$ 1 bilhão ao Estado para contribuir com a expansão do Metrô na cidade. O fato é que nem metade da promessa foi cumprida. A empresa recebeu apenas R$ 275 milhões em dinheiro e mais R$ 198 milhões em Cepacs. Portanto, não é o PT que é afeito à propaganda enganosa.
Infelizmente, o governador Serra – mais uma vez-, não perdeu a oportunidade de atacar o PT e o Governo Lula. O que o governador não fala é que o estado de São Paulo é o que mais recebe recursos do Governo Federal. Além do PAC – que tem garantido diversas obras de infraestrutura rural e urbana, saneamento básico e reurbanização de favelas entre outras, o Governo Lula tem colaborado com São Paulo por meio de convênios em áreas como saúde, educação e inclusão social, como nos programas Bolsa Família, o Prouni, o Projovem, unidades do Programa Farmácia Popular do Brasil e do Centro de Especialidades Odontológicas, do programa Brasil Sorridente.
Edinho Silva
Presidente Diretório Estadual do PT-SP
Postado por Luis Favre
Prefeitura não realizou obras ou quando feitas, não eliminam risco de deslizamento em encostas. Em 2003 foi realizado o último mapeamento das áreas de risco, mas até agora a maioria dos locais indicados no mapeamento não receberam investimentos, nem obras, para eliminar os riscos de trágedias.
Quando essas obras foram realizadas, segundo reportagem do Estadão de hoje, elas não eliminam o perigo.
Com nova relação de áreas de risco, mapeadas pelo IPT, Ministério Público planeja acionar judicialmente o governo. LF

PARQUE EUROPA – Concreto sobre o solo diminuiu deslizamentos de um lado do morro, mas água da chuva, canalizada, prejudica área ao lado
Obras da Prefeitura não eliminam risco de deslizamentos em encostas
Com nova relação de áreas de risco, mapeadas pelo IPT, Ministério Público planeja acionar judicialmente o governo
As obras que deveriam atenuar o risco de deslizamentos em encostas na capital não estão surtindo o efeito esperado. Áreas de risco mapeadas há sete anos – que receberam intervenções da Prefeitura – têm enfrentado os mesmos problemas de antes, principalmente escorregamentos de terra. Algumas explicações estão indicadas em pelo menos 25 ações civis públicas propostas desde 2004 pela Promotoria de Habitação e Urbanismo, nas quais o governo é acusado de não realizar obras estabelecidas por Termos de Ajustamento de Conduta ou de executar projetos ineficazes.
Desde o mês passado, geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratados pela administração Gilberto Kassab para refazer o mapeamento de áreas de risco, têm percorrido bairros e favelas inspecionados pela última vez em 2003. Com essa nova relação, o Ministério Público Estadual (MPE) pretende acionar judicialmente o Município, alegando que a Prefeitura não solucionou os problemas em encostas, além de negligenciar a vida dos moradores e não fazer obras definidas por TACs. E quando de fato as concluiu, se mostraram muitas vezes ineficazes.
A reportagem do Estado esteve na semana passada em uma das áreas consideradas de risco pelo levantamento de 2003 e revisitadas nos últimos dias pelo IPT. A colocação de concreto com perfurações sobre o solo, chamado pelos moradores de “muro” e apontada como uma das soluções para evitar os deslizamentos no Parque Europa, em M”Boi Mirim, zona sul, foi de fato realizada. A Prefeitura também removeu dezenas de famílias que viviam entre as Avenidas Itália e Hamilton, trecho mais problemático.
As medidas, no entanto, têm se mostrado insuficientes. Mesmo com a obra, que protege parte do barranco, os escorregamentos continuam. “Desde essa obra, não passamos um verão sem a terra escorregar”, diz o copeiro Francisco dos Santos, de 42 anos, que vive há duas décadas na região. Santos mora do lado oposto em que a obra foi feita e teve de desocupar a casa, pois um deslizamento a colocou em risco e interditou completamente o acesso ao imóvel. Ele, a mulher e seis filhos estão na casa de sua mãe.
O concreto apresenta hoje algumas rachaduras. Mas o principal problema é que foram colocados canos para escoar a água, que atravessam o outro lado do morro. Os tubos terminam em uma caixa-reservatório, que, segundo os moradores, transborda e deixa a terra úmida, provocando deslizamentos. Um desses deixou uma árvore de porte com a raiz exposta e ameaçando tombar sobre casas.
Outra região que sofre com áreas de risco é a Casa Verde, na zona norte. Segundo o promotor José Carlos de Freitas, da Promotoria de Habitação e Urbanismo, das 14 áreas onde a Prefeitura deveria fazer obras emergenciais, muitas não contaram com plano de ação para eliminar e prevenir situações de risco. “Enfrentamos resistência do Judiciário para acionar o governo, uma vez que os juízes argumentam que não podem interferir nos atos do prefeito”, diz o promotor. “Para o Judiciário, são atos discricionários, ou seja, eles estão ligados a eventualidades. O prefeito pode ou não investir em obras, porque cabe a ele definir as prioridades. Mas, no nosso entendimento, estamos falando de vidas humanas, e até mesmo em prejuízo ao erário por causa das indenizações que a Prefeitura tem de pagar por mortes em áreas de risco. Precisamos vencer essa barreira do Judiciário, para cobrar a Prefeitura e evitar que mais vidas se percam.”
MAPEAMENTO
O mapeamento de 2003 identificou 522 setores de risco, em 192 ocupações denominadas “subnormais”, como favelas e loteamentos clandestinos. Desse total, 237 apresentam baixa ou média probabilidades de escorregamentos. Em outros 158 setores, o risco era considerado alto e, em 127, muito alto. Na ocasião, essas regiões abrigavam um total de 27.500 moradias.
ANÁLISE DE PERIGO
Baixo: Os condicionantes geológicos (como declividade ou tipo de terreno) são de baixa potencialidade para o desenvolvimento de escorregamentos. Não há indícios de instabilidade de encostas e de margens de drenagens. Não se espera a ocorrência de eventos destrutivos no período de chuvas
Médio: Mesmo com baixa potencialidade para solapamentos, observa-se alguma evidência de instabilidade nas encostas e margens de drenagens. É reduzida a possibilidade de problemas
Alto: Grande potencialidade para escorregamentos e solapamentos. Observam-se trincas no solo e degraus de abatimento em taludes. É perfeitamente possível a ocorrência de eventos destrutivos
Muito Alto: É possível notar trincas no solo, degraus de abatimento em taludes, trincas em moradias ou em muros de contenção, árvores ou postes inclinados ou cicatrizes de escorregamento. É a condição mais crítica, sendo muito provável uma tragédia durante tempestades
Fonte: IPT
A Prefeitura de São Paulo reconhece a necessidade de novas intervenções em algumas das áreas mapeadas como de risco em 2003, como é o caso do Parque Europa, em M”Boi Mirim, na zona sul. Em nota, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que, nos dias 1 e 3 deste mês, geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e equipes da subprefeitura local realizaram vistorias e avaliaram a região, principalmente a eficácia do “grampeamento do solo”, que os moradores descrevem como muro de contenção. “Com essa intervenção e com os demais trabalhos de monitoramento feitos, o risco foi reduzido embora ainda existam setores com necessidade de intervenção, que serão definidos depois da atualização do mapeamento do IPT, em curso”, afirma a nota.
Na Casa Verde, a Prefeitura afirma que tem investido em obras de contenção, seguindo o mapeamento do IPT. Cerca de 600 famílias foram retiradas dessas áreas e, segundo a subprefeitura local, R$ 5 milhões serão aplicados entre 2009 e 2010. Em toda a cidade, desde 2005, 6 mil famílias foram removidas de áreas de risco e 376 obras foram realizadas. O governo afirma que 70% das situações de risco alto e muito alto foram eliminadas.
Terra desce e interdita a entrada de casa
Dificuldades começaram há 3 anos
Primeiramente a terra deslizou e bloqueou totalmente o acesso de uma viela no Parque Europa, em M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo. Os moradores tinham de passar por uma grande quantidade de barro para chegarem às casas, desafio que quase todos enfrentavam. Mas Carmosina Barbosa dos Santos, de 62 anos, precisou aceitar que tinha de deixar a casa após as chuvas da semana passada, quando a lama interditou toda a entrada.
“Tirei meu colchão, roupas e estou na casa da minha irmã (na mesma viela, a cerca de 10 metros da sua), sem ter ideia de quando vou poder voltar”, diz Carmosina, com dificuldades, por causa de uma cirurgia na boca. Ela vive sozinha e a única renda são R$ 68 do programa Bolsa Família.
Pelo menos cinco casas foram interditadas pela Defesa Civil do Município após as recentes chuvas. Os moradores afirmam que os deslizamentos de terra começaram há cerca de três anos, quando a Prefeitura construiu uma contenção de concreto para acabar com os escorregamentos do outro lado do morro.
“Eles falaram que o muro seria feito em todo esse morro, mas só fizeram de um lado. Só que trouxeram a queda de terra para onde não tinha”, diz Karina Barbosa Paribello, de 24 anos. Quando começa a chover forte, seu marido sempre telefona e pede para que ela e o filho sigam para a casa de vizinhos.
Os moradores mostram canos instalados durante a obra, que terminam em um reservatório ao lado das casas. No entanto, dizem, os canos estão quebrados e alagam o terreno, possibilitando os deslizamentos. Além disso, afirmam que na parte de cima do morro – área não habitada – há uma grande quantidade de lixo, que não é limpa pela subprefeitura, e fica represando a água e carregando o solo.
“As equipes da subprefeitura só vem aqui fazer relatório e tirar fotos. Tem um japonês da subprefeitura que vem aqui há um tempão e tem fotos minhas desde que eu era magrinho”, diz o copeiro Francisco dos Santos, de 42 anos.
Em entrevista publicada no Estadão hoje, Hélio Costa, pre-candidato do PMDB ao governo mineiro é taxativo:
“O que o senhor achou da declaração do vice-presidente dizendo que poderia concorrer ao governo de Minas?
José Alencar é hoje uma das pessoas mais queridas, admiradas e certamente competentes que temos no quadro político de Minas Gerais. Se ele disser que é candidato a governador, acho que é até inteligente.
O senhor o apoiaria? E o PT?
Sem dúvida nenhuma. Espero que o PT também. A origem dele é no PMDB. Acho que o PT deve muito a ele, principalmente na primeira campanha do presidente Lula.
E se ele concorrer ao Senado?
Também tem todo o apoio do PMDB. Possivelmente não teremos candidato ao Senado para apoiar a candidatura dele.”
Por sua vez, como estabelece também uma reportagem do Estadão de hoje, Alencar tem o apoio das duas correntes em disputa no PT de Minas.
“O PT tem uma tese da candidatura própria. Porém, o Diretório Estadual, que é eleito pelo voto direto dos filiados, reconheceu nos valores do José Alencar um militante petista. Então eu entendo que o José Alencar resolve a tese nossa da candidatura própria. Estaremos representados através da candidatura dele”, observou Lopes. “O PT hoje, em vez de dois candidatos, tem três candidatos. Dois filiados e um honorário”, reforçou o deputado Miguel Corrêa Júnior (PT-MG), também ligado a Pimentel.
Pela costura, o PT indicaria o vice na chapa e Costa disputaria o Senado. Patrus disse que reconsideraria sua pré-candidatura em favor de Alencar. Costa também admite ceder: “Só tem uma hipótese de o PMDB não ter candidato a governador: se o vice-presidente José Alencar for candidato.”
As cúpulas estaduais do PT e do PC do B se reuniram na sexta-feira para discutir o assunto. Segundo relato dos presentes, no encontro em Brasília o vice-presidente reiterou que será candidato e sua vontade é disputar uma vaga no Legislativo. Para se lançar ao governo mineiro, Alencar cobrou unidade das lideranças. “Ninguém é candidato de si mesmo”, observou. ” (OESP – Alencar vira aposta do PT para unificar base em Minas).
Postado por Luis Favre