Les Voix humaines (Susie Napper & Margaret Little), LES PLEURS par Sainte-Colombe. Enregistrement ATMA CLASSIQUE. Tournage à l’Hôtel Lauzun, Paris, mai 2009
Floria Tosca : Raina Kabaivanska
Mario Cavardossi : Placido Domingo
Barone Scarpia : Sherril Milnes
Ambrosian Singers
New Philharmonia Orchestra
Conductor : Bruno Bartoletti
Direction : Gianfranco de Bosio
1976
English subtitle – Full Movie
A partir da análise de ‘Os Miseráveis’, de Victor Hugo, ‘A Tentação do Impossível’, de Mario Vargas Llosa, reflete sobre as ambições que norteiam a arte da escrita
28 de janeiro de 2012
Ensaio de Vargas Llosa é o testemunho de seu fascínio pela cultura francesa – Justin Lane/EFE – Arquivo
Carlos Granés – O Estado SP
A julgar pela vastidão da obra que deixou, pareceria que a vida de Victor Hugo se consagrou exclusivamente a compor poemas, redigir ensaios, escrever peças de teatro e planejar suas imensas criações literárias. Assim parece porque quem quisesse esgotar sua bibliografia teria de gastar pelo menos dez anos lendo seus romances e as milhares de páginas que foi redigindo com facilidade invejável desde que descobriu sua vocação literária, antes dos 15 anos de idade. O surpreendente é que não foi assim. Victor Hugo também teve tempo para participar dos acontecimentos que marcaram o curso do século 19 francês, e viver grandes aventuras amorosas com mulheres de todas as condições sociais, de damas da alta sociedade até criadas, às quais seduzia ou pagava para satisfazerem seus caprichos eróticos.
Tudo isso e muito mais é contado por Mario Vargas Llosa em A Tentação do Impossível, seu ensaio sobre Os Miseráveis, a obra maior de Victor Hugo e do romantismo francês. Publicado originalmente em 2004, o ensaio de Vargas Llosa é o testemunho de seu fascínio pela cultura francesa e pelas criações literárias caracterizadas pela ambição descomunal, pelo desejo de recriar toda a vida em seus grandes e pequenos detalhes por meio da palavra escrita.
Três ideias fundamentais fazem deste um livro fascinante. A primeira é que Os Miseráveis marca o fim do romance clássico, isto é, aquele em que o narrador participa ativamente da história dando sua opinião sobre os acontecimentos ou explicando ao leitor por que as coisas sucedem tal como sucedem. Esse narrador consciente de si mesmo desaparecerá no romance moderno, inaugurado por Gustave Flaubert com Madame Bovary, no qual ele se fundirá com os eventos narrados para perder o protagonismo humano e ganhar clarividência divina: não o veremos, mas ele estará em todas as partes determinando tudo.
A segunda ideia fundamental diz respeito à maneira como o escritor transforma a realidade em material literário. Nenhum romance digno do nome, mesmo que narre episódios reais, pretende substituir a história vivida. O romancista emprega essa matéria-prima para criar uma realidade autônoma, irreal, fictícia; um cenário no qual poderá explorar não o que ocorreu na realidade, mas os dramas humanos, os dilemas morais, as perguntas fundamentais da vida que o perturbam e obcecam, e que são o tema essencial do romance. Se a história, a sociologia e a antropologia se ocupam dos fatos reais, o conhecimento que o romance projeta tem a ver com os anseios, ilusões, desejos, paixões e frustrações que assaltam homens e mulheres em determinado momento e em determinado lugar. No caso de Os Miseráveis, esse anseio é a perfeição humana, a redenção pelo sofrimento e a luta para alcançar o infinito, para tocar a divindade.
Essa última observação nos remete à terceira ideia cardeal que Vargas Llosa ressalta em A Tentação do Impossível. Inicialmente, Os Miseráveis não foi recebido pelos críticos como a obra imortal que hoje lemos, mas como um livro terrivelmente perigoso, escrito para provocar descontentamento e insatisfação nos leitores. Nada mais delicado, dizia o escritor Alphonse de Lamartine, um desses críticos, que criar um mundo literário povoado de personagens ideais, capazes de se comportar como santos laicos ou heróis justiceiros, porque o contraste entre essa ficção e a imperfeita realidade poderia causar tamanha frustração, tamanha irritação, que despertaria o desejo imperativo de revolta contra a sociedade.
Não é casual o fato de Vargas Llosa ter explorado esse tema na obra de Victor Hugo. Não o é porque entender o papel que tem a ficção na vida humana, entender por que romances são escritos e são lidos, entender esse impulso poderoso que move ele mesmo e outros romancista a desafiar a realidade real antepondo-lhe uma realidade fictícia, foi uma das grandes obsessões do escritor peruano. E a resposta que obtemos a essa interrogação em A Tentação do Impossível é tão sugestiva como a análise pormenorizada que seu autor faz de Os Miseráveis. Criamos ficções porque, por meio delas, saímos do cárcere do real e vivemos as mil vidas que de outra forma não poderíamos viver. Ademais, como antecipou Lamartine, porque no ir e vir da ficção vemos as imperfeições do mundo real e se afina nossa consciência crítica, a ferramenta que impede que as sociedades se paralisem na resignação e na apatia. Aspirar ao impossível, como fazem Victor Hugo e, em maior ou menor grau, todos os grandes criadores de ficção, é um antídoto contra o conformismo e a indolência. Esta é a razão de ser do romance, esta é a razão pela qual há escritores – entre os quais Vargas Llosa – que põem todo seu empenho em se deixar tentar pelo impossível.
Esse ensaio literário, como os muitos outros que Vargas Llosa escreveu ao longo de sua dilatada carreira, é uma chave extremamente útil para entender sua própria concepção de romance e os temas e problemas que lhe interessa abordar em seus projetos narrativos.
Se em 1975, quando publicou um ensaio sobre Flaubert e Madame Bovary intitulado La Orgia Perpetua, ele refletia sobre o desejo individual e a possibilidade de vencer os determinismos sociais, temas que apareceriam em seus romances seguintes, em 2004, ao mergulhar em Os Miseráveis, Vargas Llosa nos revela sua paixão pelas personagens exacerbadas que desafiam a condição humana com condutas extremas e paixões inquebrantáveis. Essas personagens enfeitiçam Vargas Llosa porque, como Flora Tristán, Paul Gauguin ou Roger Casement, protagonistas de O Paraíso na Outra Esquina e O Sonho do Celta, dois de seus últimos romances, não se rendem às exigências da realidade e se empenham em viver, sem se importar com as consequências, de acordo com seus sonhos e ideais. Nesses romances aflora esse traço humano, a possibilidade de viver uma vida iluminada pela ficção ou por princípios morais inquebrantáveis. Com eles, Vargas Llosa explorou as venturas e desventuras que vivem, e os benefícios e tragédias que produzem essas personagens que vão além da realidade tentando transformar o mundo para que se pareça mais com os sonhos e fantasias tecidos pela imaginação. Isto é, o que ocorre quando alguém, cuja finalidade não é escrever romances, se nega a se render à realidade e cai sob o influxo sedutor do impossível. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
CARLOS GRANÉS É DOUTOR EM ANTROPOLOGIA SOCIAL PELA UNIVERSIDADE COMPLUTENSE DE MADRI E AUTOR, ENTRE OUTROS, DE LA IMAGINACIÓN – ANTROPOLOGIA DE LOS PROCESOS CREATIVOS: MARIO VARGAS LLOSA Y JOSÉ ALEJANDRO RESTREPO (CONSEJO SUPERIOR DEINVESTIGACIONES CIENTÍFICAS DE MADRID)
El diario Stern de Berlín realizó hace tres días una encuesta entre los alemanes de 18 y 29 años, a propósito del día mundial de las víctimas del nazismo, conmemorado ayer viernes. Uno de los resultados más llamativos indica que el 21% de los encuestados ignora qué es Auschwitz: aquel infierno que se convirtiera en horrendo epicentro del Holocausto. Según la publicación, solo uno de cada tres alemanes sabe que Auschwitz se ubica en Polonia; eso explica en parte por qué el 43% nunca ha visitado un memorial en un campo de concentración. Aquí los medios circularon la información pero obviaron un dato más bien clave: que pese a los forados de su información, el 56% de los jóvenes alemanes no cree que se deba borrar el pasado para volver a empezar. Ahí está el meollo del asunto: en resucitar el pasado, en narrarlo las veces que sea necesario, no negarlo ni esconderlo como incómoda basurita bajo la alfombra. Si los jóvenes peruanos no están precisamente ardiendo en ganas de saber qué fue eso tan feo que le pasó al país cuando ellos todavía no nacían, debe ser culpa de todos los que nos comimos la galleta de que el terrorismo había sido exterminado. La subversión armada ciertamente se desarticuló, pero la amenaza intelectual –esa de cuyo poder nos advirtió el propio Abimael en su captura– ¿cuándo se combatió en serio? Le tocaba al Estado y a la sociedad transformar esos traumas en una experiencia docente, pero la mayoría prefirió resetear la memoria, olvidar el miedo, empezar de cero. El Movadef es resultado de haber puesto demasiado en práctica esa asquerosa política de superación emocional resumida en la máxima de autoayuda: “para crecer, el Perú solo debe mirar al futuro”.En vez de señalar jocosamente al chiquillo que confundiera en un reportaje a Elena Iparraguirre con “un cantante de vals”, hagamos lo que nos toca: elijamos a alguien menor de 20 y contémosle al detalle por qué crecimos con el pánico sembrado en el estómago.
Ousadias e desencanto marcam ‘A Visita Cruel do Tempo’, de Jennifer Egan
Jennifer, que foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo no ano passado
Manoela Sawitzki – O Estado SP
Para escrever seu quinto livro, a norte-americana Jennifer Egan afirma que se serviu de referências surpreendentemente distintas: Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, Pulp Fiction, filme de Quentin Tarantino, e Família Soprano, uma série televisiva de sucesso. O resultado arrebatou o júri do Pulitzer Prize, que deu ao romance A Visita Cruel do Tempo (A Visit From the Goon Squad, no original) o prêmio de melhor ficção de 2011. A obra também recebeu outras premiações importantes, como o National Book Critics Circle, e tem se desdobrado numa profusão de traduções e vendagens substanciosas. Mas dizer isso tudo é somente sublinhar o que o leitor entenderá por si se deixando tragar pelo caleidoscópio humano de Egan.
A escritora ousa e se arrisca ao suspender noções cartesianas de espaço e tempo. Passado e futuro coexistem na alternância aparentemente caótica de episódios. Porções de um período estão contidas no outro, mesmo que sob o viés da contradição. A memória revela a argamassa original, matéria a partir da qual sujeitos são moldados e deformados. É construída assim uma narrativa fragmentada, polifônica, que subverte as fronteiras pacificadoras entre continuidade e descontinuidade de discurso. E há algo de autêntico, franco na forma como as muitas histórias e vozes ali contidas se desvelam e entrelaçam que garante uma unidade singular ao livro. Embora nem sempre o texto se mantenha fluente, o vigor narrativo acaba por se impor. Isto porque Jennifer Egan sabe ousar e se arriscar numa medida rara.
Resumir sem reduzir os saltos e conexões desse exercício de fabulação notável é tarefa inglória. Dividido em duas partes, A e B, compostas por pequenos capítulos, A Visita Cruel do Tempo dá conta de cerca de quatro décadas e mais de duas dezenas de personagens. Valendo-se ora da terceira, ora da primeira pessoa (e conseguindo utilizar a segunda com destreza em um trecho comovente do livro), a narração retrocede e avança por diferentes etapas dessas vidas com cortes precisos. Ao longo de 13 capítulos, coadjuvantes tornam-se protagonistas (e vice-versa). Cada capítulo possui tom próprio, cada época compõe seu elenco.
Começamos com Sasha, ex-assistente de Bennie Salazar, importante executivo da indústria musical americana. Diante do analista, ela discorre sobre um recente episódio envolvendo seu “problema” e a noite de sexo casual com Alex, jovem recém-chegado a Nova York que conheceu pela internet. Seu “problema” é a cleptomania. Na década anterior foi namorada de Drew e melhor amiga de Rob, que tentou o suicídio e parecia não estar de acordo com nada no mundo à sua volta. Bennie, aos 40 e poucos anos, se recupera do divórcio, salpica flocos de ouro em xícaras de café – receita afrodisíaca obtida num livro sobre medicina asteca – e ainda se embaraça com os vexames do passado, desde quando era o péssimo baixista da banda punk Flaming Dildos. Nessa época conheceu Lou, um produtor musical que tenta fugir do impacto da velhice cercando-se de namoradas e esposas muito jovens. Stephanie trai a juventude roqueira tornando-se parceira de tênis de uma loira republicana no Country Club de um bairro esnobe. Enquanto isso, Jules, seu irmão, jornalista especializado em celebridades, condenado à prisão por atacar uma jovem atriz de Hollywood durante uma entrevista, é solto. Músicos fazem sucesso, frequentam o ostracismo, engordam e ensaiam retornos – um deles assumidamente suicida. A assessora de imprensa Dolly é banida dos meios sociais e acaba trabalhando a imagem de um ditador genocida. A menina Alison inventaria o cotidiano da família Blake num diário escrito em PowerPoint. E ainda não estamos perto de abranger uma parte substanciosa da trama. De um safári na África de 1973, a um concerto de rock ao ar livre em uma Nova York futurista, repleta de helicópteros, o fôlego de Jennifer Egan parece inesgotável.
A Visita Cruel do Tempo trata da distopia de uma geração forjada em meio ao cenário musical underground dos anos 70, que chega despreparada à explosão consumista e à tirania do retoque do século 21, e terá que se confrontar com os novos parâmetros da cibercultura. E toma pelas mãos os herdeiros, crianças que crescem sob o impacto desse emaranhado de incertezas e reelaborações. Ao se questionar sobre que tipo de evento simbolizará o mundo novo que se desenha à sua frente, por exemplo, Dolly sabe que a resposta já não está consigo, mas com Lulu, sua filha. “Se existem crianças deve existir futuro, certo?”, quer acreditar Alex.
Entre encontros, separações, vidas perdidas e destinos às vezes magicamente reorganizados, um personagem é onipresente, central e contínuo em sua missão: o tempo. “O tempo é cruel, não é? Vai deixar ele intimidar você?”, pergunta Bennie ao guitarrista aterrorizado, incapaz de voltar ao palcos. “O tempo venceu”, ele responde. O esquadrão que nos impõe sua marcha sempre vencerá.
TRECHO
“Bennie deixou-o descer do carro e lhe deu um forte abraço. Como sempre, Chris se imobilizou em seus braços, mas Bennie nunca sabia dizer se estava aproveitando ou suportando o abraço. Ele recuou e olhou para o filho. O bebê que ele e Stephanie tinham afagado e beijado agora era aquela presença dolorosa, cheia de mistério.”
A VISITA CRUEL DO TEMPO
Autora: Jennifer Egan
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Intrínseca (336 págs., R$ 29; e-book: R$ 19,90) MANOELA SAWITZKI É AUTORA DO ROMANCE SUÍTE DAMA DA NOITE (RECORD)
Ministro de Economía y Finanzas reafirmó durante su visita a España que la prioridad del gobierno del presidente Humala es la inclusión social.
Interiores del Foro Invertir en el Perú. Rumi Cevallos – La República, enviado especial a Madrid, España.
Ministro Castilla, ¿qué ha representado para el Ministerio de Economía y el gobierno la reciente emisión de bonos?
Esta es una incursión importante dado el contexto. Luego de estar 14 meses ausentes en el mercado internacional de capitales, hemos incursionado en una emisión de la que destaco tres aspectos. Uno, es el contexto de mayor aversión al riesgo en general, y a pesar de ello no nos ha sido difícil colocar (los bonos). En esta oportunidad tuvimos una demanda que excedió en siete veces la oferta por un lado; y somos el primer país emergente en el mundo que logra colocar de manera competitiva bonos en moneda nacional.
¿Cuánto implica esta emisión de bonos?
Son mil cien millones de dólares, 600 millones de dólares equivalentes en soles que fue reabriendo un bono a 20 años, y 500 millones de bonos globales reabriendo un bono con vencimiento hasta el 2050. Son bonos de larga duración y que han sido adquiridos con precios y rendimientos mejores a los esperados, con un costo más bajo para el Estado.
¿Cuáles han sido los rendimientos en beneficio para el país?
Sí, ambos bonos han sido cotizados sobre la par, lo que significa que el precio al cual se subastó inicialmente ha sido finalmente un precio menor. El rendimiento para los bonos en dólares ha sido de 5.375% que es un bono con una maduración de casi 40 años. Ese es el bono en dólares. Y el bono en soles que es a 20 años, ha tenido un rendimiento 6.875%, inicialmente la oferta se hizo a 7%.
Y se coloca en un momento complicado para la economía mundial que trastabilla.
Así es. Ha habido mucho apetito por la deuda de los papeles peruanos. Esto demuestra la confianza de los inversionistas por las políticas que se están llevando adelante. Se trata básicamente de inversionistas institucionales que apuestan por el largo plazo. Ha habido un componente muy bajo de inversionistas especulativos y ha habido también presencia de inversores locales peruanos, básicamente AFPs que han invertido y han participado activamente en esta emisión de bonos internacionales.
¿Quiénes han sido los agentes estructuradores de esta emisión de bonos?
En el caso de esta emisión han sido el Scotiabank y el Deutsche Bank, su selección siempre responde a un proceso competitivo donde se van rotando estas entidades y han hecho un trabajo bastante bueno que nos ha permitido colocar de manera rápida esta emisión en una coyuntura difícil.
¿Cómo usted ha visto esta posibilidad de los inversionistas españoles de llegar al Perú?
Con mucho interés. Estoy gratamente sorprendido por el interés mostrado por los inversionistas, los que ya están en el país que quisieran aumentar su presencia, y aquellos nuevos que ven al Perú como una tierra de oportunidades y de potencialidad. Un par de ejemplos, hay mucho interés de participar en el polo petroquímico del sur que se está desarrollando. Hay proyectos interesantes por ejemplo de desarrollar un conglomerado productor de fertilizantes y urea que es muy importante para el desarrollo del agro peruano, y empresas turísticas de servicios, de energía y de infraestructuras en general, que han mostrado mucho interés de penetrar en el mercado peruano.
Una de las posibilidades de inversión también es la potenciación de la empresa estatal Petroperú, ahí podrían afinarse la inversión internacional.
Sin duda. Parte de la potenciación de Petroperú pasa por dos aspectos, uno es una serie de alianzas estratégicas con distintas empresas estatales públicas y privadas, en el caso de Repsol por ejemplo se está firmando una alianza para poder llevar adelante el gasoducto virtual que alimente a la zona sur con el gas de Camisea mientras se vaya construyendo el gasoducto andino. Y lo otro es la apertura de Petroperú hacia el mercado de capitales, en el que plantea colocar un 20% de sus acciones en el mercado de capitales, y eso obviamente es importante porque eso ayudará a modernizar la empresa y hay inversores españoles y otros que están interesados de participar.
¿Qué otras empresas estatales también cotizarán parte de sus acciones en la Bolsa de Valores?
Comenzamos con Petroperú, la siguiente que cotice será Electroperú y otras empresas energéticas. Es parte de la política del presidente Ollanta Humala de poder potenciar las empresas públicas con la participación del sector privado y mejorando su gobierno corporativo y su eficiencia en su manejo.
¿Cuáles son los retos del Perú de cara al 2016?
Los dos principales retos que tiene el país son los siguientes. Lo primero, es poder avanzar en la agenda de la inclusión social, de cerrar las brechas que aún persisten en nuestro país de manera importante, especialmente en las zonas rurales y algunas zonas urbanas donde hay brechas en servicios básicos, y ampliar la participación de estas poblaciones en el progreso económico y tener un desarrollo mucho más orgánico a nivel país, ese es un desafío. El otro desafío es más productivo, y es lograr un proceso de diversificación y que haya una menor dependencia de los recursos naturales y que haya un mayor valor agregado a estos recursos naturales.
PEDRO PABLO KUCZYNSKI (EMPRESARIO Y EX MINISTRO DE ECONOMÍA)
Por: Luis Davelouis Lengua – EL COMERCIO
Sábado 28 de Enero del 2012
Pedro Pablo Kuczynski ha sido a lo largo de casi 50 años varias veces ministro. Integra y ha integrado el directorio de al menos un centenar de empresas (si no son más) en el Perú y el mundo. Eso le da una perspectiva que pocos peruanos tienen. Esto es lo que tiene que decir.
¿Va el crecimiento chino –por sí solo y enfocado en su demanda interna– a poder sostener el precio de los metales que vendemos?
Yo creo que sí…
¿En serio?
…pero la verdad es que el panorama mundial de este año es superincierto. Yo no me atrevería a hacer proyecciones como se hicieron en el 2009, cuando todos los analistas decían que íbamos a crecer al 6%, luego al 5%, luego al 4%, luego al 3%, al 2%, y terminaron en 0,9%. Nuestros analistas se equivocaron totalmente, incluyéndome a mí. Así que creo que esta vez hay que tener más cuidado y ser más cauto.
¿Cuánto crecerá el Perú en el 2012?
Si no hay una hecatombe en Europa, debería ser alrededor de 4% este año.
¿Esta vez es peor que en el 2009?
Bueno, todavía no hay la crisis financiera que hubo en el 2008 y el 2009, pero los bancos europeos están contra la pared. El valor de las acciones del Santander, del BBVA, del Unicrédito, de la Banca Nacional de París, en fin, los grandes bancos europeos, ha caído 75%. Y eso nos dice que el mercado está esperando que haya problemas.
¿Pero eso no termina siendo una profecía autocumplida como en EE.UU.: “Todos le apostamos a que se cae, hasta que se cae”?
Bueno, sí. Pero esta vez, por ejemplo, ¿cómo es posible que Grecia, que es el 2,3% del PBI de Europa, tenga un impacto tan grande? Alemania es el 30%, Francia es el 20%, España es el 15% o 16%. ¿Cómo es posible?
En efecto, ¿cómo es posible?
A ver. El Banco Central Europeo (BCE) debería devaluar para ayudar a los países miembros en problemas, pero para eso se requiere que todos los países miembros se pongan de acuerdo, y eso no está pasando. Algunos bancos ya empezaron a caer porque el BCE es una cooperativa, no es como el BCR de aquí, en el que Julio Velarde y su directorio pequeño deciden algo. Allá es un directorio grande y además no pueden imprimir como imprime la Reserva Federal de EE.UU. Yo diría que es un tema complejo, y ello se evidencia en cómo un jugador económico muy pequeño como Grecia haya hecho peligrar todo el sistema. Eso le demuestra a uno que la cosa no es tan sólida.
¿Devaluar? ¿Hasta dónde?
La solución al final es que el euro se devalúe porque a US$1,35 por euro no alcanza para que se recuperen los países. Debería caer hasta US$1,10 o US$1,20 o por ahí. De otro modo, los países marginales se tendrán que ir. Pero el costo de salirse es la quiebra de sus sistemas bancarios.
¿EE.UU. crecerá?
Con lentitud, porque vienen las elecciones, pero sí.
¿Realmente el desempleo está cayendo?
El desempleo allá se mide con la gente que se inscribe para pedir su beneficio de desempleo. La cifra es de 8,5% de la fuerza laboral, que hoy son más o menos 150 millones de personas en total. Pero hay otro 5% a 7% de trabajadores desalentados que ya no buscan trabajo.
Entonces el desempleo real sería de…
Yo diría 13% a 14%, que es altísimo, pero en España es 23%. Lo más grave en los países europeos es que hay un enorme desempleo de la juventud. En España el desempleo de las personas que tienen entre 18 y 28 años es de 45%. Entonces, la gente emigra y la pregunta es: ¿a dónde emigran? Algunos van a Brasil, a Polonia, Suecia… A China no, porque no hablan chino.
El panorama es desalentador en todos los lugares que, se supone, funcionan dentro del supuesto mejor modelo económico. ¿Qué está pasando en el fondo?
En gran parte es un problema demográfico en Europa, donde la población de más de 60 años –que en el Perú es 8%– es un 25%. Entonces, como las pensiones son estatales en Europa, los aportantes se van reduciendo, hay desempleo, hay mucha gente vieja que recibe pensiones inmensas. Por eso elevaron la edad de jubilación en España y Francia.
¿En EE.UU. pasa lo mismo?
La demografía en Europa no permite la clase de estado de bienestar que tiene. En EE.UU. la población es mucho más joven gracias a la inmigración latina. América Latina salvó a EE.UU. y por eso todos estos debates estúpidos sobre la inmigración, nacionalismo, el Muro de Berlín de México, son sandeces. Yo creo firmemente en eso.
¿En China también?
Allí el problema demográfico que viene es distinto. La política de un hijo por familia empujó a muchas mujeres a abortar niñas. Por eso hay un desequilibrio de los sexos entre los jóvenes de 18 a 28 años. Hay un 55% de hombres y solo 45% de mujeres, y por eso los chinos van a tener que importar mujeres. Si no, la gente se va a volver loca ahí…
¿Eso generó la crisis?
El modelo siempre ha tenido crisis. Si miramos a EE.UU., tuvo una crisis en 1890 y pico, otra en 1919, luego la Gran Depresión, después otra en los años 60… Entonces, cada 10 o 15 años hay una crisis.
¿La crisis es inherente al modelo económico?
Yo diría que es inherente al sistema. Hubo un momento, cuando se superó la crisis de 1980 y 1982, en que todo el mundo creía que ya nunca más iba a haber crisis. Y Francis Fukuyama escribió su famoso libro diciendo que era el final de la historia. Una gran tontería, porque poco después estalló todo nuevamente. ¿Pero cuál es la alternativa? ¿El modelo de Corea del Norte? ¿El de Cuba? Eso tampoco funciona.
Tal vez una mezcla entre lo que tienen en EE.UU., lo que queremos aquí y lo que hay en Europa…
Por eso se habla de la economía social del mercado, que es el capitalismo, pero con corazón. Con seguro de desempleo. Yo, por ejemplo, soy un abanderado de poner el seguro de desempleo en el Perú.
Todo lo que dice suena muy bien, pero viendo bien las cosas, no sé si hay espacio para tanto optimismo…
Yo creo que si uno analiza bien las condiciones, está todo bien. Hay riesgos, el mundo está viviendo de tasas de interés bajísimas y eso no es permanente, y cuando se acabe los países que no arreglaron su deuda se van a ir al tacho. Eso es algo que nadie piensa mucho. Yo pienso que estamos en un período de ajuste y, claro, hay abusos del capitalismo a ultranza, que es un poco el tema de la campaña en EE.UU., del movimiento Occupy Wall Street. El Sr. Mitt Romney no quiere soltar su declaración tributaria ¿y por qué? Seguro el año pasado ganó US$50 millones. Pero el Sr. Newt Gingrich, que lo critica mucho, sí soltó su declaración y ganó US$3,5 millones el año pasado o el año anterior. ¿De dónde? Él es un político, por lo menos los declaró, ¿pero de dónde? Haciendo lobby pues, ¿no? Él no es banquero y no produce nada.
¿Y usted?
Yo sí gano plata, yo puedo decir que soy presidente de una compañía de metales en Europa. Soy fundador de Termium, que es una siderúrgica importantísima, tengo mi fondo de capital privado que me paga algo hasta ahora. Yo puedo mostrar cosas tangibles, el Sr. Gingrich no. Esto es lo que está generando esta zozobra, porque la gente dice: “Bueno yo estoy fregado, yo soy uno del 15% de gente que no tiene trabajo, y estos señores están gastando plata como locos”.
En EE.UU. la carga impositiva es superalta…
Comparada con el Perú, sí.
Y sin embargo usted plantea que acá debería ser más laxa…
Bueno, pero vamos a recaudar más, porque en el Perú ¿de dónde vienen todos los impuestos?
¿De dónde?
El grueso de la recaudación es el IGV. Y a pesar de que se dice que hay mucha evasión, en el IGV hay muy poca evasión porque tenemos el sistema de retenciones y detracciones que lo puse yo, y no necesitó una ley porque son ordenanzas de la Sunat. Y eso hace que el señor que se compra una chela esté pagando impuestos aunque él no se dé cuenta. Aquí vivimos mucho de los impuestos indirectos y de los directos –que son el 5% del PBI, más o menos–, la mitad son las grandes compañías y la otra mitad, un poquito de todo el mundo. Yo aquí [en el Perú], por ejemplo, soy un contribuyente importantísimo, y eso me dice que hay un montón de gente que no está pagando porque yo no soy una persona rica…
¿Ah, no?
Para los estándares del Perú, sí, pero yo no gano nada comparado con muchos de estos [señores]. Aquí hay que reordenar poco a poco, es un proceso, pero si decidimos que el capitalismo es un desastre y nos bajamos del auto, vamos a arruinar lo que estamos haciendo.
Usted mencionó el capitalismo a ultranza como una especie de extremismo…
Claro. Lo vemos, por ejemplo, en la India. Capitalismo a ultranza. El señor [Mukesh] Ambani, el hombre más rico de la India, se ha construido una casa de 27 pisos, algo como el (hotel) Westin aquí, con no sé cuántas habitaciones y tres helipuertos. Y al pie de esa casa, hay mendigos y gente que vive en la acera. ¿Eso es viable? ¡No! Y por eso en la India, a pesar de que es un país pujante y exitoso, están los naxalitas, que son rebeldes comunistas. Si hay demasiado contraste hay envidia y hay inestabilidad; entonces, todo el mundo debe controlarse. La gente con mucha plata, pues, debe donar, debe vivir más parcamente…
¿Pero no es mejor evitar que se produzcan esas diferencias que maquillarlas?
Bueno, lo que pasa es que si nos vamos a un sistema sueco, cuando no hemos llegado todavía a esos niveles de ingreso, los inversionistas se van a retraer demasiado. Van a decir: “Aquí no hay seguridad como en Suecia, aquí estamos todavía como en el Lejano Oeste, entonces no me pidan que me porte como un sueco cuando no tengo todos los servicios que hay en Suecia”.
Quais os planos e o que representa a ida para o comando da Petrobras de Maria das Graças Foster, engenheira de reconhecida capacidade técnica, que, há 32 anos na gigante do setor energético, conquistou a admiração da presidenta da República
Adriana Nicacio e Izabelle Torres – ISTOÉ
ENÉRGICA
Dona de perfil técnico, Graça Foster assume a
Petrobras com perspectivas de choque de gestão
Em 22 de dezembro de 2011, uma rápida visita da presidenta Dilma Rousseff ao seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, selou o futuro da Petrobras. No encontro em São Paulo, Dilma entregou a Lula um Papai Noel feito de material reciclado, presente enviado por catadores de lixo do Estado, e avisou: “Presidente, vou trocar o Gabrielli.” Se no início do mandato de Dilma ele pediu que mantivesse José Sérgio Gabrielli na presidência da Petrobras, desta vez Lula decidiu não interferir. E não precisou perguntar quem seria o substituto. Desde que foi eleita, Dilma sonhava em colocar a engenheira química Maria das Graças Foster no comando da terceira maior empresa de energia do mundo, mas não sabia como nomeá-la sem se desgastar com Lula. Tomou a decisão em outubro quando levou Graça Foster em sua pequena comitiva na viagem afetiva à Bulgária, terra dos Rousseffs. E comunicou a Lula que a troca seria anunciada em janeiro, durante a minirreforma ministerial. Dilma explicou ao ex-presidente que confia na competência de Graça, atual diretora de gás e energia da companhia, para realizar as metas de produção de combustíveis e de exploração do pré-sal, um fator importantíssimo para o desenvolvimento do País.
Em suma, ela põe a mão no fogo pela competência administrativa de Graça Foster. Um mês depois do encontro com Lula, Dilma autorizou que seus assessores vazassem sua decisão. Os efeitos foram imediatos. O mercado presenciou uma alta no valor das ações da estatal, como não se via havia dois anos. E o mundo político presenciou a mais nova demonstração de que a presidenta está disposta a prezar o perfil técnico nas nomeações do primeiro escalão, deixando em segundo plano as interferências partidárias.
São vários os significados da nomeação de Graça Foster na gigante do setor energético. O principal deles é um maior alinhamento com o Palácio do Planalto e Dilma Rousseff. Graça Foster é amiga da presidenta. As duas se conheceram em 1995, ao se unirem contra a política de privatização do governador do Rio Grande do Sul, Antonio Brito, do PMDB. Anos mais tarde, Dilma era secretária de Energia do governo Olívio Dutra e negociou com Graça Foster, gerente da Petrobras, a construção de um oleoduto no sul do Estado. O zelo e a intransigência da engenheira despertaram a admiração da presidenta, que considera Graça, na Petrobras há 32 anos, um dos melhores quadros técnicos da estatal. De fato, a engenheira conhece como poucos a rotina da empresa e, muitas vezes, em caso de dúvida sobre um número ou uma decisão vai buscar informações pessoalmente nas plataformas. Sua dedicação rendeu R$ 2,6 bilhões em lucro para a estatal até setembro de 2011. O resultado da diretoria de gás e energia só não foi melhor do que o da tradicional diretoria de exploração e produção. Outro exemplo de sua dedicação quase integral à estatal: há cinco anos ela não tira férias.“Graça não só trabalha muito como cobra que todos trabalhem muito”, afirma um dos seus assessores mais próximos. Por isso, no setor de energia, Graça é vista como uma cópia autêntica da presidenta da República, principalmente pela rara disposição para o trabalho e o pavio curto diante de erros de seus auxiliares.
Ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli vai ocupar uma
secretaria na Bahia, de olho nas eleições estaduais de 2014
Quem acompanha a engenheira de perto sabe que quando ela diz que poderia morrer pela Petrobras não está fazendo pura retórica. Espalhou-se pela estatal que das três estrelas tatuadas no antebraço direito de Graça duas representam seus dois filhos e a terceira, a Petrobras. Ela, de fato, é osso duro de roer quando está em jogo o interesse da empresa. Esse é outro significado de sua nomeação. Atendendo aos anseios do Palácio do Planalto, a empresa irá respirar trabalho e será intransigente na defesa dos seus interesses, dizem auxiliares do governo. Espera-se uma gestão eminentemente técnica. O antecessor, Sérgio Gabrielli, apesar dos elogios à sua gestão feitos por integrantes do governo durante a despedida, sempre teve no horizonte claros objetivos políticos. Tanto que, depois de sete anos na presidência da Petrobras, Gabrielli agora investirá num projeto político. Ligado ao PT e ao ex-ministro José Dirceu, ele vai ocupar uma secretaria no governo da Bahia, de onde pretende se cacifar para disputar as eleições estaduais em 2014. Graça, não. Ela é Petrobras Esporte Clube. Entre tantos exemplos, até hoje se comenta a briga de Graça Foster com a Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás (Abegás), em abril de 2010, por causa do preço do gás natural. O insumo é cerca de três vezes mais alto no Brasil do que nos Estados Unidos, o que Graça considera um absurdo. O clima de tensão chegou a tal ponto que, por determinação de Graça, a Gaspetro, subsidiária da Petrobras, deixou a associação, apesar de dominar 45% do mercado de gás. A futura presidente da estatal disse, à época, que ficaria ao lado de quem produz, carrega e transporta gás. “Não das distribuidoras que vendem gás”, concluiu. Agora, com Graça Foster à frente da Petrobras, o mercado espera uma nova política para o preço do gás natural.
O nome de Graça Foster será oficializado na próxima reunião do conselho de administração da Petrobras, em 9 de fevereiro. Até lá, ela prefere não fazer comentários sobre sua gestão. Mas ISTOÉ apurou com pessoas próximas a ela quais são os seus principais planos. É quase certo que, com aval de Dilma, fará um choque de gestão na estrutura e no preço dos contratos. Quando assumir a presidência da estatal no dia 14 de fevereiro, nenhuma diretoria continuará a funcionar como um feudo autônomo. Sua ideia é centralizar todas as atividades. Poucos diretores devem permanecer no cargo. Uma das exceções será o diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa. O presidente da Petrobras Distribuidora, José Lima Neto, que tem trajetória muito parecida com a de Graça, deverá ser remanejado para a diretoria de exploração e produção. Para a diretoria de gás e energia, o mais cotado é seu braço direito, Ênio Barreto. Mas o atual presidente da Petrobras Uruguai, Irani Varella, deve retornar ao Brasil para ocupar um cargo de destaque, que pode ser tanto o de Graça quanto a presidência da Petrobras Distribuidora. Na nova gestão, volta à cena José Eduardo Dutra, que presidiu a estatal entre 2003 e 2005. Para abrigar Dutra, deve ser criada uma diretoria corporativa.
O principal desafio de Graça será aumentar a produção petrolífera, que caiu 0,9% no ano passado. Além disso, todos os olhos estão voltados para a meta de dobrar a produção até 2020 e também para a exploração comercial do pré-sal. O diretor da Coppe/UFRJ, professor Luiz Pinguelli Rosa, lembra que em 2010 a Petrobras fez a maior oferta de ações de sua história e se capitalizou em US$ 70 bilhões exatamente para explorar as imensas reservas no pré-sal. Segundo ele, toda a ansiedade é natural, mas o processo exige tempo, investimento e tecnologia. “Graça é rigorosa e preparada. Fez pós-graduação em engenharia nuclear aqui na Coppe. Ela vai dar conta da missão”, afirma. Outra missão da nova comandante da Petrobras será acelerar o plano de investimentos da estatal que prevê 688 projetos, num total de US$ 224,7 bilhões, até 2015. A Petrobras exerce papel fundamental no PAC, com cerca de 40% dos investimentos.
Governador de São Paulo tenta se antecipar ao governo federal, promove ação truculenta contra 1,7 mil famílias em desocupação de terreno e precipita o fim da lua de mel com o Planalto
Pedro Marcondes de Moura e Octávio Costa – ISTOÉ
Na tentativa de se mostrar mais ágil do que a administração federal, em menos de um mês o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), protagonizou duas ações precipitadas, que indicam o fim de sua lua de mel com o governo da presidenta Dilma Rousseff. Suas iniciativas foram alvo de milhares de protestos nas redes sociais e estão sob o olhar de organizações internacionais de direitos humanos.
A mais truculenta ocorreu na última semana. Às 6 horas da manhã do domingo 22, as cerca de 1,7 mil famílias que ocupavam, desde 2004, a área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos, interior de São Paulo, foram surpreendidas com a presença de dois mil homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Com forte aparato repressivo, os soldados estavam ali para cumprir uma decisão judicial de reintegração de posse do terreno, de 1,3 milhão de metros quadrados, pertencente à massa falida da empresa Selecta, do empresário Naji Nahas. Rapidamente, os tratores entraram em ação. Uma a uma, as casas eram postas abaixo, numa ação que o coronel da Polícia Militar Manoel Messias considerava um sucesso, enquanto gabava-se do fator surpresa. Aos que tentavam resistir ou voltar ao local, a dispersão era garantida com tiros de borracha e bombas de efeito moral. Até o secretário nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, escalado para negociar com os moradores, foi alvejado. “Tenho militância, antes da ditadura militar, e pela primeira vez sou agredido dessa maneira, exatamente durante a democracia”, declarou. Jornalistas tinham seu acesso à área restringido “para garantir a segurança”, nas palavras da PM, e entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) condenavam a operação. Sem rumo, os desalojados perambulavam atrás de auxílio. A truculência evidencia que o governo paulista parece ignorar os princípios do próprio PSDB, partido de Alckmin. Segundo o ideário da legenda, invasão de terra é questão social e não de polícia.
TRUCULÊNCIA
Batalhão da PM surpreende moradores do Pinheirinho com a
violência empregada durante reintegração de posse do terreno
A ação policialesca de Alckmin foi recebida com revolta e sentimento de traição em Brasília. Em nome do Ministério das Cidades, o secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República, Rogério Sottili, vinha mantendo tratativas com o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), sobre a questão de Pinheirinho. De acordo com ele, o governo federal recebeu há duas semanas a informação de que poderia haver confronto na área, caso se confirmasse a ação de reintegração de posse pela Polícia Militar. Preocupado, Sottili entrou então em contato com o prefeito Cury e também procurou o ex-ministro José Gregori propondo uma saída negociada ao governador Geraldo Alckmin. “Eu me coloquei à disposição e o prefeito me recebeu superbem. Acertou de vir a Brasília na quinta-feira 19, mas depois pediu que sua secretária cancelasse a audiência”, explica. Para o secretário-executivo, Cury, ao cancelar o compromisso, deu a entender que a desocupação do terreno seria adiada por 15 dias. “Estávamos em contato e fiquei surpreso com a ação da PM. Na verdade, eles estavam preparando a reintegração de posse, enquanto negociavam conosco”, afirma. Entre as soluções negociadas, o Palácio do Planalto chegou a propor o fatiamento da área e a construção de conjuntos habitacionais dentro do programa Minha Casa Minha Vida. A desapropriação das terras interessa à União, que tem R$ 12 milhões a receber da massa falida do Grupo Selecta, do empresário Naji Nahas. Alckmin, no entanto, optou pelo confronto, em vez da negociação.
DESPROPORCIONAL
Sob o comando de Alckmin, polícia paulista tem cometido excessos injustificáveis
Com o aval de Dilma Rousseff, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República, classificou publicamente a reintegração de posse como uma praça de guerra. Uma declaração que, além de forte, destoa da forma como as medidas tomadas pelo governador paulista, Geraldo Alckmin, eram tratadas em público por autoridades do alto escalão federal. Até críticas às recentes enchentes eram evitadas por ministros, embora a má condução dessa questão também tenha entrado no rol de equívocos administrativos cometidos por Alckmim. Em janeiro do ano passado, o governador anunciou um pacote de investimentos estimado em mais de R$ 800 milhões para resolver o grave problema que assola os paulistas todo começo de ano. O cronograma, porém, está atrasado, a limpeza de piscinões em diversas cidades prometida por Alckmin não foi feita como planejado e o Estado sofre novamente no período de chuvas Internamente, o governo federal já demonstrava descontentamento com outra ação da gestão Alckmin iniciada no dia 3 de janeiro. Contingentes da Polícia Militar iniciaram uma operação para remover dependentes químicos e traficantes da região conhecida como Cracolândia, ponto de comércio e uso de drogas no centro de São Paulo. A violência empregada durante a operação, com o uso de balas de borracha, bombas de efeito moral e agressões físicas, levou ONGs ligadas aos direitos humanos a denunciar o caso à ONU. Para o Palácio do Planalto, além de desastrosa, a ação de Alckmin foi vista como oportunista. Tratava-se de uma tentativa clara de se antecipar ao lançamento do Plano Nacional de Combate ao Crack, uma das principais bandeiras da campanha petista ao Palácio do Planalto, sem sequer possuir a infraestrutura necessária para atender os dependentes químicos.
Nesta semana fomos surpreendidos por uma entrevista de Fernando Henrique Cardoso. Não pela entrevista, claro, mas pela análise absolutamente equivocada da conjuntura brasileira. Esse tipo de reflexão nunca foi seu forte. Basta recordar alguns fatos.
Em 1985 iniciou a campanha para a Prefeitura paulistana tendo como aliados o governador Franco Montoro e o governo central, que era controlado pelo PMDB, além da própria Prefeitura, sob o comando de Mário Covas. Enfrentava Jânio Quadros, um candidato sem estrutura partidária, sem programa e que entrou na campanha como livre atirador. Fernando Henrique achou que ganharia fácil. Perdeu.
No ano seguinte, três meses após a eleição municipal, propôs, em entrevista, que o PMDB abandonasse o governo, dias antes da implementação do Plano Cruzado, que permitiu aos candidatos da Aliança Democrática vencer as eleições em todos os Estados. Ele, aliás, só foi eleito senador graças ao Cruzado.
Passados seis anos, lutou para que o PSDB fizesse parte do governo Fernando Collor. Ele seria o ministro das Relações Exteriores (e o PSDB receberia mais duas pastas). Graças à intransigência de Covas, o partido não aderiu. Meses depois, foi aprovado o impeachment de Collor.
Em 1993, contra a sua vontade, foi nomeado ministro da Fazenda por Itamar Franco. Não queria, de forma alguma, aceitar o cargo. Só concordou quando soube que a nomeação havia sido publicada no Diário Oficial (estava no exterior quando da designação). E chegou à Presidência justamente por esse fato – e por causa do Plano Real, claro.
Em 2005, no auge da crise do mensalão, capitaneou o movimento que impediu a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Lula. Espalhou aos quatro ventos que Lula já era página virada na nossa História e que o PSDB deveria levá-lo, sangrando, às cordas, para vencê-lo facilmente no ano seguinte. Deu no que deu, como sabemos.
Agora resolveu defender a tese de que a oposição tenha um candidato presidencial, com uma antecedência de dois anos e meio do início efetivo do processo eleitoral. É caso único na nossa História. Nem sequer na República Velha alguém chegou a propor tal antecipação. É uma espécie de dedazo, como ocorria no México sob o domínio do PRI. Apontou o dedo e determinou que o candidato tem de ser Aécio Neves. Não apresentou nenhuma ideia, uma proposta de governo, nada. Disse, singelamente, que Aécio estaria mais de acordo com a tradição política brasileira. Convenhamos que é um argumento pobre. Ao menos deveria ter apresentado alguma proposta defendida por Aécio para poder justificar a escolha.
A ação intempestiva e equivocada de Fernando Henrique demonstra que o principal partido da oposição, o PSDB, está perdido, sem direção, não sabendo para onde ir. O partido está órfão de um ideário, de ao menos um conjunto de propostas sobre questões fundamentais do País. Projeto para o País? Bem, aí seria exigir demais. Em suma, o partido não é um partido, na acepção do termo.
Fernando Henrique falou da necessidade de alianças políticas. Está correto. Nenhum partido sobrevive sem elas. O PSDB é um bom exemplo. Está nacionalmente isolado. Por ser o maior partido oposicionista e não ter definido um rumo para a oposição, acabou estimulando um movimento de adesão ao governo. Para qualquer político fica sempre a pergunta: ser oposição para quê? Oposição precisa ter programa e perspectiva real de poder. Caso contrário, não passa de um ajuntamento de vozes proclamando críticas, como um agrupamento milenarista.
Sem apresentar nenhuma proposta ideológica, a “estratégia” apresentada por Fernando Henrique é de buscar alianças. Presume-se que seja ao estilo petista, tendo a máquina estatal como prêmio. Pois se não são apresentadas ideias, ainda que vagas, sobre o País, a aliança vai se dar com base em qual programa? E com quais partidos? Diz que pretende dividir a base parlamentar oficialista. Como? Quem pretende sair do governo? Não será mais uma das suas análises de conjuntura fadadas ao fracasso?
O medo de assumir uma postura oposicionista tem levado o partido à paralisia. É uma oposição medrosa, envergonhada. Como se a presidente Dilma Rousseff tivesse sido eleita com uma votação consagradora. E no primeiro turno. Ou porque a administração petista estivesse realizando um governo eficiente e moralizador. Nem uma coisa nem outra. As realizações administrativas são pífias e não passa uma semana sem uma acusação de corrupção nos altos escalões.
O silêncio, a incompetência política e a falta de combatividade estão levando à petrificação de um bloco que vai perpetuar-se no poder. É uma cruel associação do grande capital – apoiado pelo governo e dependente dele – com os setores miseráveis sustentados pelos programas assistencialistas. Ou seja, o grande capital se fortalece com o apoio financeiro do Estado, que o brinda com generosos empréstimos, concessões e obras públicas. É a privatização em larga escala dos recursos e bens públicos. Já na base da pirâmide a estratégia é manter milhões de famílias como dependentes de programas que eternizam a disparidade social. Deixam de ser miseráveis. Passam para a categoria da extrema pobreza, para gáudio de alguns pesquisadores. E tudo temperado pelo sufrágio universal sem política.
Em meio a este triste panorama, não temos o contradiscurso, que existe em qualquer democracia. Ao contrário, a omissão e a falta de rumo caracterizam o PSDB. Para romper este impasse é necessário discutir abertamente uma proposta para o País, não temer o debate, o questionamento interno, a polêmica, além de buscar alianças programáticas. É preciso saber o que pensam as principais lideranças. Numa democracia ninguém é líder por imposição superior. Tem de apresentar suas ideias.
MARCO ANTONIO VILLA, HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR)
Presidente chama de ‘barbárie’ operação da polícia militar paulista em área ocupada irregularmente no bairro de São José dos Campos
28 de janeiro de 2012
ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, LUCAS DE ABREU MAIA , SÃO PAULO – O Estado de S.Paulo
Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff qualificar de “barbárie” a reintegração de posse de um terreno no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), os ministros da Secretaria-Geral de Governo, Gilberto Carvalho, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, voltaram a criticar a operação da Polícia Militar de São Paulo, nesta sexta-feira, em Porto Alegre, onde participaram de atividades do Fórum Social Temático. A desocupação, feita no domingo, retirou 1,6 mil famílias de um terreno devolvido pela Justiça à empresa Selecta.
A frase foi dita por Dilma em uma reunião fechada com movimentos sociais em Porto Alegre. Carvalho e Maria do Rosário concordaram com a palavra “barbárie”. “O que se viu no Pinheirinho, como nós vimos, foi um grande aparato militar, preparado e executado. Não foi seguido do ponto de vista de reacomodação das pessoas. Tudo aquilo poderia ter sido evitado se uma solução para aquela gente já tivesse sido viabilizada”, avaliou Carvalho. “Não se trata de contestar decisão da Justiça, mas de dialogar com a Justiça, que é sensível a soluções negociadas.”
O ministro também rebateu acusações de integrantes do PSDB que o acusaram de transformar a reintegração de posse em questão eleitoral. “Lamento que se tente tergiversar a realidade”, disse. “A realidade são militares violando o direito daquelas pessoas, o terrorismo para cima daquelas pessoas”, comentou, para lembrar que o secretário nacional de articulação social da Secretaria-Geral da Presidência, Paulo Maldos, estava no terreno porque havia a promessa do prefeito Eduardo Cury (PSDB) de que haveria diálogo (leia texto nesta página).
O ministro insistiu que “de maneira alguma” o governo federal procurou dar qualquer característica eleitoral ao episódio e manifestou respeito pelo governo de São Paulo. Também revelou saber que o governo paulista está tomando algumas iniciativas para reassentar as famílias e disse que o Ministério das Cidades tem se colocado à disposição.
Para Maria do Rosário, não é necessário produzir qualquer outro termo que não “barbárie” para definir o método de desocupação. “Houve violação dos direitos humanos não apenas na operação, na destruição das casas, mas também na falta de preparação de um lugar para as pessoas ire.” A ministra acredita que a juíza que determinou a desocupação desconhecia a negociação que havia sem se preocupar com a retaguarda necessária para salvaguardar o direito das famílias.
São Paulo. Para o presidente do PSDB paulista, deputado estadual Pedro Tobias, as declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a ação de desocupação da Polícia Militar na Comunidade do Pinheirinho são “estranhas”. “Como presidente da República, ela poderia ter desapropriado o terreno com um decreto. Se não gostou da decisão da Justiça (que ordenou a desocupação), é só desapropriar”, afirmou Tobias.
Segundo ele, Dilma adotou a “tática que o PT sempre tem em períodos eleitorais: não faz nada e quer tirar casquinha”.
Já o governador Geraldo Alckmin, questionado acerca das críticas da presidente, contemporizou e afirmou apenas que “ordens judiciais precisam ser cumpridas”. “Não vou fazer nenhum comentário, até porque não ouvi isso da presidenta”, disse.
Ele ressaltou, contudo, o “compromisso do Estado com as famílias” desalojadas. “Todas elas serão abrigadas. Já assinamos convênio, todas vão participar do aluguel social, R$ 500 para cada família, já vão para os imóveis a pelo governo.”
No Brasil, sobreviventes do massacre nazista enfrentam a memória da dor para que não se esqueçam as vítimas, que o mundo lembra hoje
ISABEL FLECK – FOLHA SP
DE SÃO PAULO
“A memória da criança é como um filme virgem. O que você grava, fica”, assegura a polonesa que aos nove anos viu, da sua janela, a atrocidade de que o nazismo foi capaz.
Rita Braun, hoje com 81 anos, não esquece o que viveu durante a ocupação nazista de seu país, mas também não quer esquecer.
Para ela, é seu dever contar tudo o que passou, para que não se repitam as atrocidades vistas no Holocausto, cujas 6 milhões de vítimas são lembradas no dia de hoje, em todo o mundo.
Por isso, ao fugir com documentos falsos do gueto em Stanislawow, ela escondeu por anos, nos sapatos, a braçadeira branca com a estrela de David bordada em azul que todos os judeus eram obrigados a usar depois da ocupação alemã. “Não podia deixá-la para trás. Mas nunca mais a coloquei no braço”, conta.
Braun foi salva em diversas situações por uma mãe corajosa, pelo pai -que morreu na mão dos nazistas-, pelo padrasto, por um tio.
Do gueto, carrega as piores lembranças. Passou fome e teve de vasculhar os lixos dos alemães em busca de restos de comida, que cozinhava com grama.
“Todos os dias, via da janela dois homens empurrando carrinhos de pedreiro onde tinha uma montanha de judeus mortos. Era um quadro macabro. Por causa do contato do carrinho com os paralelepípedos, os braços, pendurados, balançavam, como se estivessem dando adeus.”
Um pouco mais velho, o também polonês Ben Abraham, 87, acompanhou, com seus olhos de adolescente, fuzilamentos em massa, enforcamentos coletivos, massacre de crianças.
Ele tinha 14 anos quando, em setembro de 1939, os alemães chegaram à cidade de Lodz e prenderam todos os judeus em um gueto cercado.
Ali, perdeu o pai, que escapou dos caminhões transformados em câmaras de gás para os quais Abraham viu amigos serem levados, mas não sobreviveu à fraqueza causada pela fome. “Minha mãe dizia que ele teve sorte, pois ao menos teve um enterro judeu [no gueto]“, lembra.
Sua mãe não teve. Com Abraham, foi levada ao campo de concentração de Auschwitz, de quem se separou já na chegada.
“Despedi-me pedindo que Deus nos ajudasse a sobreviver à guerra para nos reencontrarmos. Nunca mais a vi. Uma mulher que trabalhava junto com ela disse que foi enviada pelo [cientista nazista Joseph] Mengele para a morte.”
Abraham diz não saber qual é a mais terrível lembrança: a morte do pai, a despedida da mãe, as imagens da fumaça preta dos corpos queimando em Auschwitz. “Talvez seja a de quando alemães chegaram a um hospital no gueto e, levando crianças pelas pernas, esmagaram suas cabeças contra o muro e jogaram seus corpos em caminhões.”
Em Auschwitz, ele passou duas intermináveis semanas, até ser “comprado” por uma fábrica alemã de caminhões.
Braun e Abraham não arriscam dizer se a sorte ou o destino os ajudaram a sobreviver. Acreditam, apenas, na missão de não deixar o passado morrer com a sua geração.
No sábado, o conselho político da pré-campanha do ex-ministro Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo vai debater se prosseguirão ou não as conversas para uma eventual aliança do PT com o PSD do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab.
Por ora, dizem petistas paulistanos, apesar da polêmica que a proposta defendida pelo ex-presidente Lula tem provocado no partido, a tendência é manter as portas abertas.
A razão é simples: a despeito do que dizem alguns analistas, o prefeito tem sim o que oferecer ao candidato petista caso a aliança venha a se realizar. É natural que haja resistências, e estas serão mais estridentes quanto mais forte for a possibilidade de o pacto entre os opositores ser celebrado.
As declarações de Haddad, para quem o prefeito está no fim da fila dos possíveis aliados e a coligação é apenas uma possibilidade difícil, são mais uma demonstração de cautela e valorização da sua posição que uma oposição radical à ideia.
Como o próprio Kassab disse a esta coluna, ele pode dar ao PT a garantia de “fazer mais com menos risco para ser bem-sucedido”. É preciso, porém, esclarecer o que as palavras do prefeito significam.
“Qualquer aliança agrega”, diz Kassab, mencionando alguns fatores: bases eleitorais, bancada de vereadores e o que chama de “realizações da (sua) gestão”.
De saída, o PSD parece não acrescentar muito à candidatura de Haddad, à diferença do PMDB, que poderia dobrar o tempo de TV do petista. Sozinho, o PT deve ter pouco mais de quatro minutos em cada bloco de 30 minutos de propaganda (os 50 segundos garantidos a todos os candidatos, mais estimados 3min26s a que tem direito).
Com o PMDB, que tem como pré-candidato o deputado Gabriel Chalita, o partido ganharia mais outros três minutos. Se trouxer outras legendas da base do governo federal (PR, PDT, PCdoB e PRB), somaria quase mais quatro minutos.
Como foi criado após as eleições para deputado federal, cuja votação serve de parâmetro para a definição do tempo de propaganda eleitoral, o PSD tem direito apenas a 50 segundos (o partido ainda luta na Justiça para reverter essa situação).
Contudo, eleições não se resumem à propaganda, por mais que esta tenha importância. A máquina da prefeitura sempre tem peso para influenciar determinadas clientelas e para atrapalhar candidatos. Além disso, o PSD conta com dez vereadores na Câmara paulistana, bancada inferior apenas à do PT, que tem 11. É grande, portanto, a chance de, eventualmente eleito, Haddad contar com ampla base no parlamento municipal.
Kassab também é tido como um patinho feio em termos de popularidade. Afinal, sua avaliação nunca esteve tão mal: segundo a última pesquisa Datafolha, 40 por cento consideram sua gestão ruim ou péssima.
Ocorre que o prefeito ainda tem 20 por cento de ótimo e bom, o que não é desprezível para o PT, que conta na capital paulista historicamente com uma base eleitoral que lhe dá, de saída, 30 por cento dos votos. Outros cerca de 30 por cento costumam votar contra os candidatos petistas, restando a estes buscar a maioria no restante do eleitorado.
Considerando que a avaliação positiva de Kassab se apóia principalmente nos eleitores que declaram preferir o PSDB (31 por cento de ótimo e bom) ou outros partidos (também 31 por cento), o prefeito tem condições de agregar votos justamente no eleitorado resistente ao PT. Note-se ainda que 38 por cento avaliam a gestão de Kassab como regular, o que não é um índice de rejeição completa.
SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA
A proposta de Kassab de aliar o PSD ao PT tem causado polêmica entre os petistas e sido alvo de ataques constantes na imprensa.
Mas é preciso reconhecer que, apesar das aparências, ela não tem nada de contraditório ou incoerente. Claro, desde que observada pelas lentes da lógica que tem vigorado na política brasileira, a da conveniência.
“Aliança se faz olhando para frente”, diz Kassab quando questionado a respeito do fato de o PT ter sido a principal pedra no sapato de sua administração. Camaleão político, o prefeito chega mesmo a dizer que uma composição com os petistas “tem naturalidade”.
Em princípio, a declaração pode ser vista apenas como cínica. Mas não se pode dizer que não tem base na realidade. Hoje, o PSD, apesar de não estar formalmente na base de Dilma Rousseff, tem votado consistentemente a favor dos projetos da presidente. O partido só não aderiu ao governo federal porque internamente não tem ainda condições de fazê-lo.
“É difícil formalizar a adesão. O partido acabou de nascer. E a promessa a muitos dos que vieram é de que a legenda seria independente até 2014″, diz Kassab.
O primeiro objetivo de Kassab ao se apresentar a Lula foi, é claro, pressionar o PSDB. O ideal para o prefeito seria ter um acordo com o governador Geraldo Alckmin que incluísse lançar o vice-governador Guilherme Affif, do PSD, com um tucano como segundo nome da chapa. Em troca, Kassab se comprometeria a apoiar a reeleição de Alckmin em 2014, talvez com ele próprio como vice, com vistas a concorrer ao Palácio dos Bandeirantes quatro anos depois.
A aliança com o PSDB tornou-se quase impossível, admite o prefeito. Ele também já não considera provável que o único candidato tucano ao qual daria seu apoio, José Serra, vá se lançar.
A aliança com o PT tornou-se assim uma das melhores saídas para evitar uma derrota nas urnas. Sozinho, seja o candidato Afif, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles ou o atual secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, o PSD provavelmente nem passaria do primeiro turno, e a gestão de Kassab seria desmontada pelos candidatos na propaganda eleitoral. Mesmo o PSDB, que teria dificuldades para cuspir no prato em que comeu, seria crítico ao prefeito.
A coligação com o candidato petista, por outro lado, teria o condão de preservar a abalada imagem de Kassab e aproximá-lo de vez do governo federal. O prefeito ainda continuaria com grandes dificuldades para perseguir seu objetivo final, o governo do Estado, já que este é um posto mais que desejado pelo PT. Sua sobrevivência política, porém, estaria menos ameaçada.
En su primera visita oficial a España, de marcado carácter económico, insiste en que la mejor garantía para las inversiones es un Estado de Derecho
isabel permuy- El presidente de Perú, Ollanta Humala, ayer durante la entrevista
Carmen Muñoz / ABC – Madrid
Día 27/01/2012
Su nombre en quechua es el «guerrero que todo lo mira». Como militar puso en jaque al moribundo régimen de Fujimori con un levantamiento. A los seis meses de su llegada al poder, tras ganar unas elecciones de infarto, transmite serenidad. Recibido por el Rey y Rajoy, su destino hoy es Davos.
—¿Cómo convence a los inversores españoles de que su idea del nacionalismo no es peligrosa para sus intereses?
—Con los hechos, con las cifras económicas, con el manejo responsable de la política económica y la manera de solucionar las controversias, siempre apegados al Estado de Derecho y respetando lo que firmamos.
—¿Marcar la distancia con Hugo Chávez y acercarse al modo de gobierno de Lula da Silva fue decisivo para su victoria electoral de junio?
—Perú responde a un modelo propio con una realidad propia en la cual no nos fijamos en patrones determinados como lo que pasa en un país o el liderazgo de otro. Nosotros tenemos que construir nuestro propio modelo y respetar lo que pasa en otros países. No es conveniente entrar en esas cuestiones porque dividen en vez de unir a América Latina. Así como yo respeto democráticamente el libre ejercicio del poder en los países también exigimos que se respete la realidad peruana y sus decisiones.
—¿La alianza de algunos países iberoamericanos con el régimen iraní perjudica a la integración regional?
—No, creo que cada país tiene la política exterior de acuerdo a sus intereses y hay que respetarla. Nosotros respetamos a nuestros países hermanos, su política exterior y así esperamos que ellos respeten la nuestra.
—¿La posición de Mario Vargas Llosa y del ex presidente Alejandro Toledo fueron clave en la segunda vuelta de las presidenciales?
—Saludo el cambio de posición de Mario Vargas Llosa. Ha estado a la altura de las circunstancias. Guardamos amistad con Mario y su familia. También saludamos que Alejando Toledo haya decidido apoyarnos. Una decisión acertada porque le ha colocado en el bando de los que ganamos.
—¿Cree que el presidente Mariano Rajoy conseguirá dar un impulso a las devaluadas cumbres iberoamericanas con la próxima cita de Cádiz?
—Es importante el esfuerzo que están haciendo el Gobierno español y también la Familia Real en dar impulso a las cumbres iberoamericanas. Es un mecanismo en el que hay mucho por explorar, donde España mantiene su vínculo con América Latina.
—¿Teme haber defraudado a sus votantes más desfavorecidos, al dar un supuesto giro a la derecha y prescindir de representantes de la izquierda, pocos meses después de la toma de posesión del Gobierno?
—No actuamos en función de lo que puedan decir esos sectores minoritarios que nunca van a cambiar. Nosotros estamos trabajando la gran transformación, llevando los programas sociales, políticas de Estado que benefician a la población más pobre.
—¿Cuál es su solución al conflicto por un proyecto minero en la región de Cajamarca, que provocó las primeras revueltas sociales de su mandato? ¿Sigue pensando que primero es el agua y luego el oro?
—Siempre he pensado que primero es el agua que el oro, pero no son excluyentes. Es un tema que tienen que entender determinados grupos radicales. Por eso es importante la medida que hemos tomado de aplicar un peritaje internacional libre de suspicacias que nos permita aclarar todas las dudas que existen en este proyecto. La posición del Estado es la defensa del Estado de Derecho, no está protegiendo a una de las partes.
—¿Existe peligro de que la guerrilla se reactive cuando en algunas zonas no ha desaparecido del todo?
—No, Sendero Luminoso, al igual que el MRTA, está derrotado. No tiene ninguna capacidad de poner en jaque al Estado. Son remanentes pequeños armados y focalizados en zonas agrestes donde su capacidad es muy limitada. Tenemos que llevar el Estado allá, no solo con las fuerzas del orden, que haya presencia del Estado de Derecho. En estas zonas se mezcla la violencia de los últimos guerrilleros con economías ilegales como el narcotráfico. Y llevando el Estado hemos logrado cerrar más de cien grifos que se dedicaban a actividades ilegales, vendiendo insumos para el narcotráfico. Gracias a esta medida hemos logrado que el precio de la hoja de coca baje.
«Estamos dando facilidades»
—¿Qué gestiones está haciendo su Gobierno para solucionar el litigio de la deuda fiscal de Telefónica con el Estado peruano?
—Lo que estamos haciendo es señalar claramente que una cosa es el tema de la deuda fiscal y otra la renovación de los contratos. También estamos dando todas las facilidades dentro de lo que es lo legal para que Telefónica tenga la oportunidad de defenderse en el marco del Estado de Derecho. Por eso ellos están recurriendo no solo al tribunal fiscal para apelar las deudas, sino que tengo entendido que también al poder judicial. En Perú se vive una independencia de poderes y eso está ahora no en el poder ejecutivo, sino en el judicial.
Posición. A pesar de que se insistirá en el proyecto Conga, Humala asegura que ahora se trata de respetar a las comunidades.
Ollanta Humala Tasso. Presidente de la República y líder y fundador del Partido Nacionalista del Perú.
Por Rumi Cevallos y Claudia Cisneros – LA REPÚBLICA
Enviados especiales a Madrid.
Usted es un padre joven y, como tal, le debe preocupar que haya una nueva generación que hace apología al terrorismo…
–No solamente es al Estado sino a la sociedad en general (que le corresponde actuar), porque Sendero y el MRTA le declararon la guerra al Estado de Derecho, a la sociedad. Acuérdese de las matanzas de Lucanamarca y otras porque, sencillamente, la gente cuestionaba las tesis de Sendero. Lo que debe haber es un debate en las universidades, una posición dura del Estado de Derecho frente a las ideologías que, teniendo remanentes armados, buscan como táctica lanzarse a la palestra política a través de partidos.
Como el Movadef…
–Nos preocupa que haya gente dentro del Estado de Derecho que esté debatiendo si les dan o no la inscripción. La democracia no puede ser inocente, no puede ser boba. Debe tener mecanismos de defensa bien claros, porque Sendero no puede pasar. Los movimientos que le declararon la guerra al Estado de Derecho no pueden venir a decir que cambiaron, cuando sus tesis se mantienen. Ellos mismos lo ponen, hablan del Pensamiento Gonzalo…
–¿No hay un trabajo de inteligencia del gobierno para evitar que este grupo se reorganice?
–Cuando entramos al gobierno había una subutilización de la inteligencia. No diría que había un espionaje político, pero sí de análisis, de seguimiento a los trabajos de los opositores más que a los reales problemas en temas de seguridad.
–No pierde la costumbre de la carrera diaria y su presencia en España es parte de una carrera por ganar inversión en Europa…
–El Perú está en una posición sólida que le permite, dentro de una situación de crisis en Europa, verse como un país amigo, un país hermano que presenta las condiciones ideales para la captación de inversiones de muchas empresas que están buscando dónde colocar sus capitales para terminar el año en azul. El Perú se presenta como un país en mejores condiciones y es la puerta principal para Latinoamérica. Además, tenemos todas las condiciones de estabilidad jurídica para captar la inversión.
–Y ¿cómo ve usted a España en este marco de inversiones?
–España es uno de los socios más importantes que tenemos a nivel mundial. Es un país que ha estado impulsando el acuerdo comercial con la Unión Europea y los estados miembros. Hay una población peruana bastante numerosa, más de 100 mil, quizá 200 mil… No hay una estadística clara, porque tenemos una población legal y otra ilegal.
–¿El Estudio de Impacto Ambiental será vinculante para que Conga vaya o no?
–Así como este caso, hay otros, como Antapacay o Las Bambas, donde las relaciones con las empresas están en su mejor momento. En el caso concreto de Cajamarca, hemos señalado que se trata de un proyecto que viene del 2004, no lo hemos puesto nosotros. Yo tengo que respetar eso y ver cómo solucionamos los problemas que hoy se cuestionan. Pero lo que no podemos entrar es en el juego de intereses políticos particulares. Tenemos que absolver todas las dudas de la población, y una de las dudas que yo me he planteado es dónde está el desarrollo en Cajamarca, una región que tanto ha aportado al país, y por qué Cajamarca tiene que ser la cuarta o quinta región más pobre.
–Es un problema heredado…
–No voy a criticar a los gobiernos que me precedieron. Lo que tengo en mente es desarrollar a estas regiones que han aportado tanto al país y fortalecer la confianza entre el Estado y las comunidades. Lo otro es que se debe solucionar el estrés hídrico. Hoy Cajamarca consume solo el 10% de su potencial hídrico, el resto se va al Pacífico o al Atlántico. Debemos resolver esto a través de una política de reservorios de agua, de su administración, que permita que la gente sea consciente de que tiene el agua. Finalmente, tenemos que trabajar lo social. Ello implica hablar de proyectos extractivos, pero con desarrollo sostenible. ¿Por qué no hacemos que estos vayan acompañados de proyectos agrícolas o ganaderos? Eso nos daría dos mensajes: que las actividades no renovables, como la minería, pueden convivir con la agricultura y la ganadería; y lo otro es que fortalecería la credibilidad de los estudios de impacto ambiental.
–Entonces, ¿se buscará subsanar los problemas que revele el peritaje sobre el Estudio de Impacto Ambiental?
–No vamos a adelantarnos a sus conclusiones. Lo importante es recobrar la confianza de la población. Como gobierno, defendemos el Estado de Derecho y reafirmamos que el agua es para nosotros prioridad, principalmente para el consumo humano y las actividades renovables como las actividades no renovables. Históricamente, todos hemos podido convivir, pero no puede ser bajo hegemonías de poderes económicos, como ha sido tradicionalmente el sector minero, sino respetando a las comunidades. Entendamos que todos somos ciudadanos de primera categoría.
“La ‘Ley Mordaza’ podía ser utilizada por corruptos”
Minutos antes del almuerzo en el que se clausuró el foro Invertir en el Perú, el presidente Ollanta Humala tuvo una breve plática con Juan Luis Cebrián, cofundador del diario El País y miembro directivo del Grupo Prisa. Durante el diálogo, el mandatario peruano ratificó su compromiso con la libertad de expresión en nuestro país y explicó que observó la llamada “Ley Mordaza”, que fuera aprobada por el Congreso para sancionar a quienes difundan audios “chuponeados”, para evitar que funcionarios corruptos y gente deshonesta se amparen en ella para no ser sancionados por la justicia.
“Es importante entender que una ley, la llamada ‘Ley Mordaza’, que en la práctica podía permitir que muchos corruptos y mucha gente deshonesta utilizara y se amparara en esa ley para evadir la sanción pública y la justicia peruana, no era correcta”, dijo el jefe del Estado peruano, quien después agregó que no tiene tiempo “de tomar acciones arbitrarias en contra de la prensa”.
Para el presidente de la República es importante que el Congreso debata el factor de interés público antes de promulgar la norma presentada por el legislador de la Alianza por el Gran Cambio (APGC) Javier Bedoya de Vivanco. “Creo que era importante colocar al interés público como parte del rol que necesitamos los ciudadanos, saber qué está pasando con la clase política en general, como una forma de autorregular no solo a la prensa, sino también a los ciudadanos que ejercemos el poder”, indicó.
El presidente peruano debe llegar hoy a la ciudad de Davos, en Suiza, para participar en el Foro Económico Mundial que tiene como título, irónicamente, La Gran Transformación.
Más del 20% de las firmas que reciben colaboración del Instituto de Comercio Exterior (ICEX) de España desean invertir en nuestro país, aseguró el Mincetur.
GESTIÓN
MADRID (Andina).- El ministro de Comercio Exterior y Turismo, José Luis Silva, informó que una de cada cinco empresas españolas, entre pequeñas, medianas y grandes, que reciben apoyo del Instituto de Comercio Exterior (ICEX) de España, está interesada en invertir en el Perú.
Precisó que esa cifra fue proporcionada durante su reunión con directivos del ICEX, que depende del Ministerio de Economía y Competitividad de España, en el marco de la visita oficial a España que realiza el presidente de la República, Ollanta Humala, y autoridades peruanas.
Explicó que en la reunión con ICEX se conoció que más del 20% de empresas que reciben apoyo del gobierno español para su internacionalización desean ir al Perú.
“Hemos tenido una recepción espectacular y existe un interés enorme por los empresarios españoles de ver cómo de alguna manera se pueda apalear esta crisis invirtiendo en el Perú”, indicó.
Mencionó que los empresarios peruanos son conscientes de que el Perú está en una situación mucho mejor que España para afrontar la crisis externa, debido a las grandes posibilidades y oportunidades para invertir.
Indicó que hoy, las autoridades peruanas participaron primero en el foro Invertir en el Perú, organizado por el diario El País de España y La República del Perú.
Posteriormente, acudieron al evento organizado por la Confederación Española de Organizaciones Empresariales de España (CEOE), que es el equivalente en España de la Confederación Nacional de Instituciones Empresariales Privadas del Perú (Confiep).
“El Perú se ha convertido en el lugar donde hay que estar y los españoles lo han entendido de esa manera”, comentó en TV Perú.
Asimismo, manifestó que las empresas españolas, tanto la pequeña, mediana y gran empresa, están interesadas en utilizar al Perú como plataforma de ingreso a América Latina.
Silva enfatizó que a nivel internacional se ve la gestión del presidente Ollanta Humala como un modelo en el que no sólo se propicia el desarrollo económico sino también el desarrollo social.
“No solamente se busca un aumento del dinero en los bolsillos de las personas sino que también haya un crecimiento en todos los aspectos, y para eso estamos trabajando todos en este gabinete”, puntualizó.
Además señaló que la visita de autoridades peruanas a España permitió conocer una muestra de la confianza del empresariado español y europeo en los resultados que se están obteniendo en el Perú.
“Es importante que todos los peruanos nos sintamos orgullos de lo que se está haciendo y que trabajemos juntos por un desarrollo común donde los jóvenes tengan la esperanza de tener un Perú mejor”, anotó.
Futuro a la vista. Delegación peruana expuso sobre las potencialidades en materia de industrias, hidrocarburos, forestal, turismo, entre otros. Ello generó gran expectativa en inversionistas.
Interés recíproco. El gobierno peruano y el empresariado español hallaron puntos en común para fortalecer lazos comerciales en el futuro inmediato.
Carlos Castro.Rumi Cevallos – La República
Enviados especiales – Madrid
Durante el foro ‘Invertir en el Perú‘, realizado en Madrid, se desarrollaron dos mesas redondas en las que el común denominador fue la potencialidad del Perú para las inversiones extranjeras.
En la primera rueda, “El futuro en otros sectores“, participaron Josep Bagué, secretario general y director económico de Aguas de Barcelona (AGBAR), Humberto Campodónico, presidente de Petroperú; Héctor René Rodríguez, director ejecutivo de ProInversión; y José Luis Silva, ministro de Comercio Exterior.
Allí, Campodónico dijo que quieren fortalecer a la petrolera estatal, y para ello explicó a los potenciales inversionistas los principales proyectos de la empresa. El más importante tiene que ver con la ampliación de la refinería de Talara, en la que la española Técnicas Reunidas realiza las tareas de ingeniería; mientras que la francesa Sociéte Générale se encarga de estructurar el financiamiento que involucra no menos de US$ 1.500 millones.
“El potencial es muy grande“, dijo Campodónico al explicar también que la petrolera estatal trabaja en ese proyecto para posibilitar la ejecución del Gasoducto Andino, a cargo de la empresa Kuntur.
“Esta zona es de las más pobres del país, y tendrá la posibilidad de usar el gas en sus hogares, en las industrias, en los autos, con la que será posible que este sector del país salga del subdesarrollo”, aseveró.
Recordó que con ese gas se hará petroquímica en Ilo, con lo cual las posibilidades de inversión se abren para las empresas españolas o de otros países, un esfuerzo que involucrará una inversión de entre US$ 4.000 millones y US$ 5.000 millones.
El titular de la petrolera estatal agregó que el interés del gobierno del presidente Ollanta Humala es la inclusión social y hay una conjunción de hechos para lograr ese cometido.
A su turno, el ministro de Comercio Exterior, José Luis Silva, recordó que la directora del Instituto de Comercio Exterior de España señaló que un 20% de las medianas empresas españolas quieren ir al Perú, debido a que nuestro país puede ser su plataforma de ingreso a Latinoamérica.
Silva puso énfasis en las oportunidades de inversión en el sector extractivo tradicional, pero también en el forestal.
“El 60% del Perú tiene bosques y es posible exportar madera fina, con operaciones sustentables y amigables con el medio ambiente”, dijo, y añadió que hay potencial para las hidroeléctricas y el turismo.
A su turno, el titular de ProInversión, Héctor René, recalcó que en el Perú hay buen clima para las inversiones, pues la Constitución establece un trato igualitario para el inversionista peruano y el extranjero. Recordó, además, que en el Perú los convenios de estabilidad se respetan.
CLIMA DE TRANQUILIDAD
Por su parte el titular de ABGAR, Josep Bagué, indicó que el Perú sí otorga tranquilidad para las inversiones.
“Es hora de soplar el nubarrón de la crisis”, dijo, aunque luego recordó que aún hay retos por superar en sectores relacionados con los gobiernos regionales y municipales.
La segunda mesa redonda estuvo moderada por José Manuel Calvo, subdirector de El País. En ella participaron Santiago Fernández Valbuena, presidente de Telefónica en Latinoamérica; Nemesio Fernández-Cuesta, director general de Upstream de Repsol, y Vicente Rodero, director del BBVA en América del Sur.
Los tres coincidieron en que el Perú es un país estable que recibe con los brazos abiertos a la inversión, además de ser un país en franco crecimiento pero que aún hay situaciones por atender para reducir la pobreza y la desigualdad.
“Estamos contentos con la presencia del BBVA en Perú de la mano del Grupo Brescia”, dijo Vicente Rodero.
A su turno, Nemesio Fernández-Cuesta, de Repsol, fue claro en señalar que a la fecha llevan invertidos en el país US$ 3.000 millones, y que en los próximos tres años estiman invertir unos US$ 500 millones al año.
DEUDAS Y FACTURACIÓN
Fernández Valbuena, de Telefónica, afirmó que el 2% del PBI peruano es la facturación de Telefónica, y que el 3% de la recaudación de tributos es de la citada empresa. “Telefónica es un contribuyente que paga sus impuestos y apoya al crecimiento del país”, aseguró.
Fernández-Cuesta comentó que participarán en la modernización de La Pampilla.
La construcción del gasoducto surandino, que conectará los campos de gas en Cusco con Ilo, donde se situaría un polo petroquímico, es una de las obras más importantes que debe realizar el Perú de hoy. En perspectiva, es incluso una de las más importantes en la historia de la república.
He escrito innumerables veces sobre esto, pero cuando comencé a escribir proponiendo este proyecto, solo teníamos el gas de los dos lotes de Camisea.
Lo que se buscaba era conectar todo el Sur andino al gas (y por tanto a la electricidad y al desarrollo), buscando encontrar demanda suficiente (que por su escaso volumen no podía ser el consumo domiciliario de las poblaciones surandinas).
Ese ducto iba a permitir reducir, o acaso cerrar, la brecha de desigualdad, al menos en energía y combustible, del sur andino con respecto al país. Mientras esta desigualdad persista, el sistema político peruano estará siempre en las vísperas de un asalto. El sur andino concentra una parte muy considerable de la pobreza del Perú. Fue el hogar de lo que la antropología dio en llamar “la mancha india”. Pero todavía más: calza bastante bien con las fronteras del Estado sudperuano, uno de los dos en los que estuvo a punto de partirse el Perú a comienzos de la república. Como la mayoría de los gestores (políticos o empresariales) no sabe casi nada de historia, este antecedente no suele mencionarse.
El ducto eventual iba a circular en medio de muchos grandes proyectos mineros (de las Bambas a las concesiones de Southern), proveyéndolos de energía, y podía alimentar de gas a varias centrales térmicas (comenzando por una en Quillabamba que, una vez que se conectara a Machu Picchu, estaría en el sistema nacional interconectado). La suma de esas demandas permitía un ducto, aunque de menor diámetro del que se piensa ahora.
Esta era la idea detrás de lo que terminó en llamarse proyecto Kuntur. Lo ideó realmente el ingeniero Juan Carlos Liu, uno de nuestros más competentes expertos en este sector, y recuerdo que se lo llevamos al presidente Carlos Mesa poco después que asumiera el mando. Porque un ducto surandino podía también “recoger” el gas que saliera de Tarija hacia el Altiplano, haciendo competitiva su salida versus la propuesta por Chile. Detrás de la histórica decisión de Mesa de sacar el gas boliviano por Perú (frente a la cual ni Toledo ni sus ministros estuvieron a la altura, como constata tristemente Mesa en sus memorias) estaba entre otras cosas esta posibilidad.
Luego dos profesionales bolivianos, Julio Sanjinés y Marcelo Paz, lograron los primeros permisos, vendiendo el proyecto a un fondo de inversión, Conduit Capital, que a su vez terminó por transferirlo a Odebrecht.
La diferencia entre entonces y hoy, es que ahora sabemos que Perú tiene mucho más gas: no solo en el 88 y 56 (los originales de Camisea) sino en los lotes 57 y 58, y en varios más. Como si Camisea fuera un punto en un largo “lomo” que llegara hasta Tarija.
Los yacimientos mineros ya no son necesarios para el proyecto, dado que la petroquímica (además de las centrales térmicas) “jalará” la demanda que lo hace viable, permitiendo como un subproducto la “gasificación” del surandino.
El ducto de Camisea tuvo todos los apoyos (para no llamarlos subsidios), comenzando por la Garantía de Red Principal (GRP). Es hora de usar esos apoyos para el gasoducto surandino. Y hay que apoyar que Petroperú participe en ese proyecto, así como que pueda abrirse a la movilización de capital peruano (por ejemplo fondos de las AFP).
Este gasoducto tocará siete departamentos del Perú: Cusco, Puno, Arequipa, Moquegua, y por extensión Ayacucho, Apurímac y Tacna.
Alguna vez propuse usar como ejemplo la Autoridad del Valle del Tennessee (TVA), creada por Roosevelt. Afectaba también siete estados norteamericanos, precisamente los que habían perdido la guerra civil del XIX y habían quedado “descolgados” del resto de la Unión. Cuando Roosevelt llegó, tenían electricidad allí solo el 3 por ciento y cuando murió, casi 80 por ciento.
El TVA fue una de las grandes creaciones, todas obras públicas, que transformaron a los Estados Unidos. Otra fue, a comienzos del XIX, el Erie Canal, que conectó las praderas del medio-oeste con el río Hudson y convirtieron a Nueva York en la primera metrópoli del mundo. Una tercera fueron las grandes autopistas de la época de Eisenhower.
El Perú necesita este tipo de iniciativas: visiones podríamos decir. Porque el gas puede servir no solo para llevar combustible más barato, o electricidad, al sur andino, sino conectividad, dado que junto a cada gasoducto corre un tubo de fibra óptica. Es lo que los economistas llaman una “externalidad” positiva.
Como el Perú tiene suficiente agua, como para multiplicar al menos por diez nuestra capacidad total de generación eléctrica, liberaremos el gas para usos con más valor agregado, elemento esencial de una matriz energética global sobre la que se discute poco, y a la que el Presidente Humala debería ponerle toda su atención. Llevando gas para petroquímica, promoveremos una “diversificación” industrial, que es siempre uno de los signos que el “crecimiento” se está transformando en “desarrollo”.
En estos cinco años, este proyecto puede ser una palanca espectacular para el Perú (sobre todo si tenemos en cuenta que el sur andino encierra seguramente más riqueza que el Norte). Más importante que la propia licuefacción del gas de Camisea. Y quizá más importante que el legendario ferrocarril de Meiggs. (Por Alfredo Barnechea)
Un 28.4% indicó que los programas sociales como ´Pensión 65, Juntos´ o ´Cuna Más´ es el logro más importante.
Encuesta de CPI, a encargo de RPP Noticias, revela que el logro más resaltante del jefe de Estado es la implementación de los programas sociales Pensión 65, Juntos y Cuna Más.
CPI: Alto nivel de aprobación en el Callao se debe a labor planificada| RPP
Una reciente encuesta realizada por CPI, por encargo de RPP Noticias, revela que el 54,5% de peruanos aprueba la gestión del presidente de la República, Ollanta Humala Tasso, en sus primeros seis meses de gobierno. Cabe indicar que, en relación a noviembre del 2011, el apoyo descendió 4,2% (de 58,7% a 54,5%).
Asimismo, el sondeo también precisa que el 29,9% de los encuestados desaprueba la gestión Humala Tasso. Por su parte, un 15,6% de peruanos no sabe o no opina sobre el gobierno de turno.
LOGROS DESTACADOS
Entre los logros más resaltantes que se reconocen del mandato nacionalista, un 28,4% indicó que la implementación de programas sociales como “Pensión 65, Juntos” o “Cuna Más” es lo más importante. Mientras que el 13,4% consideró que “incrementar el salario mínimo vital” es el mayor logro de los seis primeros meses.
Respecto a temas específicos, el 26,3% de los participantes reveló que “la implementación de programas sociales para apoyar a la población de menores recursos económicos” es una de las mejoras más destacadas. De otro lado, un 23,1% cree que “la captación de inversión para el país” se ha visto mejorado.
CRÍTICAS
A la pregunta “¿qué es lo que más criticaría del gobierno del presidente Ollanta Humala en estos primeros meses de su gobierno?”, el 17,1% de los encuestados afirmó que “no cumple sus promesas o es mentiroso”. De igual forma, un 13,1% expresó que la “corrupción en el gobierno o no combatirla” es su principal crítica.
La encuesta posee una muestra de mil 450 personas del sector urbano del país. Fueron considerados hombre y mujeres mayores de edad de Lima y 17 departamentos del Perú de los niveles socioeconómicos: alto/medio, bajo superior, bajo inferior/marginal.
Cabe indicar que el estudio cuenta con un margen de error de ± 2,6. Además, fue realizado entre el 20 y 24 de enero del presente año.
Positivo. Castilla lució satisfecho con resultados obtenidos.
Fortalecidos. Ministro de Economía Luis Miguel Castilla habló con optimismo del crecimiento del país y de las grandes posibilidades que existen de inversión en nuestro territorio.
Rumi Cevallos – LA REPÚBLICA
Enviado especial a Madrid
El ministro de Economía y Finanzas del gobierno de Ollanta Humala, Luis Miguel Castilla, tuvo a su cargo ayer una de las exposiciones más importantes de la jornada, durante el Foro “Invertir en el Perú”, organizado por el Grupo La República y El País de España.
Tenía el rostro optimista y con razón: el potencial de inversión del Perú para los próximos tres años –aseguró– es de US$ 50 mil millones con cifras de diciembre del 2011.
Según dijo, son los sectores de minería e hidrocarburos, así como de electricidad, industria y manufactura los que generarán las mayores posibilidades de inversión.
“Lo importante es que se materialicen esas inversiones para crecer a tasas de 6% en los próximos años”, indicó.
Luego expresó el sólido desempeño macroeconómico del Perú, que lo ha constituido como la economía más dinámica de la región, con una tasa de inflación de 2,5% en la década y la más baja de la región.
“Nuestra economía se triplicó en la última década con un promedio de crecimiento de 7%, debido a la inversión y al consumo privado de las personas”, señaló.
También habló del buen momento del Perú para las exportaciones con unos US$ 45,793 millones registrados durante el 2011, un récord, y entre ellos se registra un boom de las exportaciones no tradicionales, es decir, aquellos que generan empleo y valor agregado.
Según Castilla, el consumo seguirá siendo el factor importante del crecimiento del país y junto a ello la inversión del sector privado. Otra de las fortalezas, indicó, es que el nivel de endeudamiento es del 10% del Producto Bruto Interno (PBI) y que ello genera tranquilidad.
El ministro aprovechó la oportunidad para relevar la colocación de bonos soberanos, donde la demanda superó la oferta en siete veces.
“Tenemos fortalezas para afrontar cualquier embate que venga de afuera, aunque no somos inmunes (a la crisis)”, dijo Castilla Rubio, y comentó que el crecimiento continuo de la economía del Perú posibilitó que la pobreza pase de 50% a niveles cercanos al 30%.
Sin embargo, y pese a su visible alegría, dijo que el país debe cubrir algunas brechas, entre ellas la erradicación de la pobreza rural. Por eso como metas para el 2016 se han propuesto que ésta baje de 31,3% a 20%, mientras que la pobreza extrema pasaría de 9,8% a 5%.
Castilla recordó que España es el primer inversor extranjero directo en el Perú y que acumula inversiones por US$ 4.568 millones, mientras el intercambio comercial bilateral superó los US$ 2.000 millones, balanza positiva para el Perú.
“El Perú da oportunidades de inversión, crecimiento de calidad con inclusión social”, reafirmó el titular del MEF.
Favorito nas pesquisas, o socialista François Hollande faz discurso ontem
Por Agências internacionais – VALOR
À frente nas pesquisas de intenção de voto, o candidato socialista à Presidência da França, François Hollande, afirmou que, se eleito, aumentará impostos para bancos, grandes empresas e os ricos, como forma de eliminar o déficit público até 2017. Ele disse querer “a mesma coisa” que o presidente americano, Barack Obama, que defende uma reforma tributária para que a secretária de um bilionário não pague, percentualmente, mais imposto que o patrão.
“A vasta maioria do povo francês não será convocada a fazer sacrifícios adicionais”, disse Hollande, de 57 anos, ao apresentar um programa de ação com 60 itens. “Se há sacrifícios a fazer, e haverá, então caberá aos ricos.” Segundo um assessor econômico socialista, Jérôme Cahuzac, serão afetados 1 milhão dos 36 milhões de lares franceses.
O candidato socialista também prometeu aumentar os fundos para a educação e para a criação de empregos, e atenuar a reforma previdenciária introduzida pelo presidente Nicolas Sarkozy, que aumentou a idade mínima de aposentadoria para 62 anos. Hollande disse que permitirá que o cidadão se aposente antes dessa idade desde que tenha trabalhado 41 anos e seis meses. Para compensar esse gasto está previsto um aumento de 0,1% nos impostos trabalhistas para empresas e empregados.
As pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 22 de abril (com segundo turno em 6 de maio) sugerem que Hollande pode vencer Sarkozy com uma vantagem de até 20 pontos percentuais no segundo turno. A campanha de Hollande parecia estar perdendo fôlego nas últimas semanas, mas ganhou novo impulso após um grande comício, no qual fez um discurso que teve bastante repercussão, afirmando que o seu principal rival não é Sarkozy, e sim o mercado financeiro. “Hollande está construindo uma imagem presidencial para si, enquanto o presidente se encontra mais numa posição de desafiante”, disse Édouard Lecerf, diretor do instituto de pesquisas TNS Sofres.
A França não tem um presidente socialista desde 1995, quando François Mitterrand encerrou o seu segundo mandato. Hollande ganhou a candidatura do partido após Dominique Strauss-Kahn, que estava em primeiro lugar nas pesquisas, desistir da disputa devido à acusação de estupro feita pela camareira de um hotel de Nova York, em maio de 2011.
O plano de Hollande de buscar fundos taxando os ricos atua em várias frentes, entre as quais se inclui a criação de uma nova alíquota de 45% do imposto de renda – atualmente a maior é de 41% – para que ganha mais de € 150 mil anuais. Prevê ainda a eliminação de uma série de isenções fiscais e brechas tributárias que, segundo o candidato, beneficiam só os 5% mais ricos da população. Ele também se comprometeu com reformas mais profundas, que podem levar ao aumento da taxação sobre rendimentos obtidos com a venda de ações e outros investimentos.
O imposto sobre o lucro das empresas, atualmente em 33%, passaria para 35% no caso das maiores companhias. As médias pagariam 30% e as pequenas, 15%.
De acordo com o programa apresentado ontem, um novo governo socialista elevaria os gastos públicos em € 20 bilhões, ao longo de cinco anos, para abrir 60 mil vagas para professores e policiais e criar 150 mil outros empregos. A despesa seria compensada com o corte de € 29 bilhões em isenções fiscais, o que elevaria a carga tributária para 46,9% do PIB em 2017 – contra 45,1% neste ano.
A França não consegue equilibrar o seu orçamento há três décadas. Em 2010, o déficit fiscal foi de 5,5% do PIB – acima do limite de 3% para os países que integram a zona do euro. Segundo o Insee, o instituto nacional de estatísticas, o país, que tem a segunda maior economia da Europa, pode ter entrado em recessão e está sujeito a ver o fechamento de 60 mil postos de trabalho neste semestre. O Fundo Monetário Internacional estima que o PIB terá uma expansão de apenas 0,2% neste ano.
Na plataforma apresentada, Hollande ainda se comprometeu a apoiar o casamento gay e a permitir a eutanásia para os doentes terminais. Sarkozy, que ainda não se declarou formalmente candidato à reeleição, planeja revelar um plano econômico no domingo.
“A Graça vai tocar isso de ouvido”, afirmou Sergio Gabrielli sobre os desafios que aguardam sua sucessora na presidência da Petrobras, ao mesmo tempo em que falava que vai “partir para outro estilo de vida”, ontem em entrevista no Forum Mundial de Economia.
Para Gabrielli, o grande desafio da Petrobras “é levar a cadeia de fornecedores a investir para atender aos projetos da maior companhia da America Latina”. “Tem de estimular o fornecedor do fornecedor do fornecedor”, afirmou.
Ele recusa a ideia de relaxamento nas exigências de conteúdo nacional para a produção de equipamentos afim de atender a Petrobras. Diz que os problemas de atraso na entrega de sondas e outros equipamentos são todos internacionais, originários por companhias abaladas pela crise financeira. “A crise de 2008 e do euro afetou a Petrobras por ai, mas não a exigência do conteúdo local, que vai melhorar a situação”, afirmou.
Para o executivo, a Petrobras precisará consolidar tambem as 50 redes temáticas nas universidades brasileiras para desenvolver pesquisas e atender a demandas tecnológicas dos fornecedores, por exemplo. Outro desafio será fazer a transferência de conhecimento e retenção de pessoal, quando se sabe que 52% dos funcionários da Petrobras tem menos de dez anos na empresa e que o mercado está aquecido e a busca por mão de obra qualificada é grande.
Com relação ao plano de investimentos até 2014, de US$ 225 bilhões, Gabrielli admite que a geração de caixa está pouco abaixo da prevista, por causa do câmbio e do aumento de custo inesperado. Por exemplo, se o preço do barril de petróleo estivesse em US$ 95, estaria gerando fluxo de caixa de US$ 140 bilhões mas, como todas as empresas de petróleo estão investindo e aqueceram o mercado, os custos tanto operacional como de investimento aumentaram.
Também acha que a Petrobras precisará de uma operação de financiamento um pouco diferenciada. Terá de buscar mais bancos não europeus para emissões de títulos de dívida, porque a captação está menor no velho continente. Outro caminho será buscar financiamento junto a bancos de desenvolvimento, desde o BNDES ao banco chinês e agências de crédito a exportação.
Nos próximos dois anos, a nova presidente vai comandar um plano de venda de ativos de US$ 14 bilhoes no mundo todo.
Indagado sobre a reação do mercado financeiro, que fez a ação da Petrobras valorizar 10% após o anúncio de sua substituição, o executivo disse que não foi nenhuma surpresa. Ele defende que investidores de curtíssimo prazo aproveitaram para ganhar dinheiro.
Gabrielli considera, em todo caso, que no curto prazo tudo o que a empresa tiver em caixa vai para investimentos, e não será geradora de dividendos. “Investir na Petrobras é investir no longo prazo.” E nota que o preço da ação está barato. Estima que em quatro anos a Petrobras terá o equivalente a 30 bilhoes de barris de reservas. Como o valor de mercado da empresa hoje está em torno de US$ 169 bilhoes, isso significa US$ 5,3 por barril de reservada comprovada.
Gabrielli participou pela nona vez do Fórum Mundial de Economia. Ele esteve no encontro da “Comunidade de óleo e gás”, fora do fórum, reunindo os dirigentes das empresas de petróleo. “Quem sabe venho ano que vem para atrair investidor para a Bahia”, brincou.
O crédito imobiliário cresceu 42% no ano passado na comparação com 2010. O volume de imóveis financiados bateu recorde e somou R$ 79,9 bilhões em 2011, de acordo com dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Em número de imóveis, foram financiados 493 mil unidades em 2011, expansão de 17% ante 2010. Na comparação com 2010, foram liberados R$ 23,7 bilhões a mais em financiamento no ano passado. Os dados da Abecip consideram apenas os financiamentos com recursos da caderneta de poupança.
Em 2011, a captação líquida da poupança somou R$ 9,4 bilhões. O saldo da caderneta cresceu mais de R$ 30 bilhões entre janeiro e dezembro e encerrou o ano passado em R$ 330,6 bilhões.
Considerando apenas o desempenho do mês de dezembro, o crédito imobiliário cresceu 34% ante o mesmo mês de 2010, com volume financiado de R$ 8,2 bilhões, segundo a Abecip. Em relação a novembro, a expansão ficou em 23%.
Em número de imóveis, foram financiados 49,6 mil unidades no último mês de 2011, ante 39,1 mil em novembro e 43,5 mil em dezembro de 2010. Segundo a Abecip, foi um novo recorde mensal.
A taxa de inadimplência do financiamento habitacional, considerando atrasos acima de três prestações, por sua vez, ficou em 2% em 2011, praticamente estável em relação a 2010, quando estava em 2,1%. “A inadimplência está em nível bastante baixo, bem menor que outras linhas de credito”, disse o presidente da Abecip, Octavio de Lazari Junior. O nível mais alto de calotes do segmento imobiliário foi em 2006, quando estava em 6,3%. “Em uma escala de prioridades, o brasileiro, em caso de dificuldade, prefere pagar primeiro o financiamento da sua casa, por isso a menor inadimplência.”
Para a Abecip, o financiamento habitacional deve ter em 2012 outro ano de forte expansão, mas em ritmo menor. A projeção é de alta de 30%. O volume financiado deve somar R$ 103,9 bilhões, considerando somente o crédito habitacional com recursos da poupança.
O Banco Central divulgou, como é praxe, a ata detalhando a decisão do Copom da semana precedente. Em geral, a ata não traz grandes novidades para o público que acompanha com algum detalhe a conjuntura econômica e a comunicação do BC.
Tampouco é comum que elas sinalizem de modo claro o futuro da política monetária. Desta vez foi diferente.
De modo inédito, a autoridade monetária disse com todas as letras que a taxa Selic será reduzida abaixo de 10% no futuro próximo.
E deu a justificativa teórica que compatibiliza juros reais mais baixos com inflação nas vizinhanças da meta de 4,5%: a taxa de juro “neutra” -que corresponde a inflação estável e próxima à meta- teria se reduzido de modo permanente nos últimos anos.
O mercado e os economistas foram pegos de surpresa com a novidade, principalmente porque, no último relatório trimestral de inflação, o BC passara a sensação de que havia pouco espaço para reduções adicionais do juro.
Ou ao menos assim inferiram muitos analistas a partir da evidência de que o cenário prospectivo para a inflação da própria autoridade monetária sinalizava inflação acima de 5% em 2013 caso a Selic tocasse 9,5% em abril.
O erro do mercado foi duplo. Primeiro, ao ler a projeção de um dos diversos modelos empregados pelo BC de modo direto e mecânico. Segundo, ao concluir que inflação acima de 5% seria algo incômodo à atual gestão.
A Selic provavelmente chegará a 9,5% em abril. A queda da inflação no final de 2011, a ociosidade da economia derivada de um segundo semestre fraco e as más perspectivas para a economia mundial são suficientes para embasar tal escolha.
Principalmente porque o BC da era Dilma não parece muito preocupado em atingir os 4,5% estipulados pelo Conselho Monetário Nacional.
Por fim, apesar de acreditar que Alexandre Tombini pressionará o governo para ser prudente na condução da política fiscal, insistindo na meta de superavit primário de 3,1%, não creio que gastos públicos um pouco maiores do que gostaria o BC impeçam a Selic de cair até 9,5%.
A consequência de política monetária mais frouxa e fiscal menos apertada do que deveria será inflação final mais alta, e não reversão da política de juros.
Esta última soa como um cenário provável apenas se a inflação voltar a ameaçar a meta. Por enquanto, isso parece algo ainda distante.
Ata do Copom demonstra preocupação com o ritmo da economia e deixa clara a possibilidade de cortes no juro em direção a uma taxa inferior a 10%
27 de janeiro de 2012
ADRIANA FERNANDES , FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo
O recado foi claro: o juro cairá para um dígito em breve. Diante da decepção com a economia, que cresceu menos que o esperado no segundo semestre de 2011, e sem luz no fim do túnel da crise europeia, o Banco Central avisou ontem que é “elevada a probabilidade” de que a taxa básica da economia, a Selic, siga em queda em direção ao nível de um dígito.
A luz amarela acendeu nos últimos dias com a constatação de que a economia tem girado em ritmo menor que o previsto. Até dezembro, o BC projetava uma expansão de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011. Mas, segundo apurou o Estado, em pouco mais de 40 dias dados econômicos frustraram as expectativas ao revelar que a expansão foi mais fraca: entre 2,7% e 2,8%.
Atualmente em 10,5%, o juro cairá sem aumentar a inflação porque o Brasil, no entender do BC, já é beneficiado pela queda da chamada taxa de juro neutra – que permite à economia crescer sem pressionar os preços.
Entre os fatores que explicam a queda do juro neutro brasileiro, o BC lista o menor risco Brasil para os estrangeiros, a estabilidade macroeconômica e os avanços institucionais. “Todas essas transformações caracterizam-se por um elevado grau de perenidade. Embora, em virtude dos próprios ciclos econômicos, reversões pontuais e temporárias possam ocorrer”, ressaltaram os diretores do BC na ata da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom).
Em um texto mais direto que os anteriores, o documento divulgado ontem pelo BC explicitou a preocupação com o ritmo da economia. Com crescimento mais lento, o Copom entende que a demanda reagirá menos e, por consequência, a pressão de alta sobre os preços será menor. Por isso, há espaço para cortar ainda mais os juros, que já caíram 2 pontos porcentuais desde agosto, em quatro cortes seguidos de 0,5 ponto cada.
Fed. A avaliação do BC para os demais indicadores econômicos continua igual. Portanto, a instituição rejeita a percepção de alguns economistas de que a análise sofreu uma “guinada”. Ao contrário. O rumo da leitura é o mesmo e, agora, ainda mais aprofundado. Diretores também rechaçam a análise de que a ata teria sido influenciada pela sinalização feita um dia antes pelo Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos, de que o juro seguirá baixo naquele país até 2014 porque a maior economia do mundo não deve reagir nesse período.
Para o Bradesco, a ata deixou claro que a Selic atingirá, pelo menos, o nível de 9,75% nos próximos meses. “Se o nosso cenário se confirmar, de retomada gradual do PIB e inflação bem comportada no primeiro trimestre, a Selic deverá atingir 9,5% em maio”, prevê a instituição.
O banco chama a atenção para o fato de que o documento não usou o termo “ajustes moderados” ao tratar dos cortes de juro, como nos últimos meses. Isso sugere que “as portas ficam abertas para que o passo de redução mude para 0,25 ponto”. Desde agosto, a taxa tem caído em doses de 0,50 ponto. Dessa maneira, o Bradesco prevê mais três cortes do juro em breve: 0,5 ponto em março e 0,25 ponto nos encontros de abril e maio.
Análise: Claudio Frischtak, PRESIDENTE DA INTER B. CONSULTORIA, , EX-ECONOMISTA DO BANCO MUNDIAL – O Estado de S.Paulo
A economia brasileira está numa fase virtuosa. O que primeiro chama a atenção é que, enquanto a economia vem crescendo moderadamente, o desemprego vem caindo de forma acentuada, apesar de os níveis de desocupação já serem bastante baixos. E, ao longo de 2011, algo mais inusitado aconteceu: na medida em que a economia desacelerava, paralelamente a taxa de desemprego, após um aumento no início do ano, se estabilizou e voltou a cair com força. A expansão mais modesta da população economicamente ativa explica em parte o fenômeno, mas seu ritmo mais moderado de crescimento reflete a própria melhora do mercado de trabalho, com as famílias podendo adiar a (re)entrada de alguns de seus membros (jovens, mães) no mercado.
Segundo, a criação de emprego está se dando na base da pirâmide. Em 2011, os grandes responsáveis pelo saldo de quase dois milhões de empregos foram os serviços, comércio e construção. Nesses setores, os rendimentos cresceram de forma acentuada para as categorias que historicamente foram penalizadas.
Como se explica esse comportamento? A estabilização e a queda dos juros abriram espaço para a expansão do crédito ao consumidor, que potencializou os ganhos salariais da década passada e o dinamismo do mercado doméstico. A ascensão da classe C gerou demandas por serviços à medida que se satisfaziam as necessidades de bens duráveis.
A expansão do crédito imobiliário, combinado a programas de governo, levou a um boom sem precedentes na construção civil, enquanto a construção pesada vem sendo impulsionada por investimentos públicos e privados. São atividades intensivas em trabalho. Essa bonança não vai durar para sempre. Deve ser aproveitada para que se melhore a qualificação dos trabalhadores, por meio de maiores investimentos em educação e treinamento, gerando ganhos de produtividade, empregos de melhor qualidade e redução da informalidade. Assim a atual fase poderá se transformar numa trajetória sustentável de melhoria de bem-estar da população.
Em 2011, menos pessoas procuraram um emprego. Por isso, apesar do menor ritmo de abertura de vagas, a taxa de desemprego foi recorde de baixa e alcançou 6% no ano. Esse é o menor nível desde 2002, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reformulou a metodologia da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). No ano passado, a População Economicamente Ativa (PEA) avançou 1,2% sobre 2010, menor taxa desde 2006, com exceção de 2009, ano no qual a crise atingiu o mercado de trabalho e o crescimento foi de apenas 0,9%. Na mesma comparação, a população ocupada subiu 2,1% em 2011, após crescer 3,5% em 2010.
Em dezembro, a taxa de desemprego recuou de 5,2% para 4,7%, menor nível para qualquer mês da série histórica da PME. Na passagem de novembro para dezembro, PEA – soma das pessoas trabalhando e em busca de emprego – recuou 0,9%, enquanto o número de ocupados ficou estável. “Dezembro é um mês em que se vê diminuição na desocupação, por haver redução na procura por trabalho, ocasionada pela proximidade do Natal e do Ano Novo. Por isso, a ocupação subiu pouco”, disse o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, sem descartar outras razões para a redução do desemprego
Na média de 2011, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi de R$ 1.625,46, alta de 2,7% sobre 2010, menor que a variação daquele ano, quando a renda havia crescido 3,8% nessa base.
Se, do lado da renda e da taxa de desemprego, os efeitos da desaceleração da atividade e da crise externa foram praticamente imperceptíveis, a perda de força na geração de empregos em 2011 é um sinal claro de que o mercado de trabalho responde, ainda que com defasagem, à evolução da economia, observa Fabio Ramos, da Quest Investimentos.
Em sua visão, o crescimento da renda perdeu ímpeto no ano passado mais como efeito da inflação. “A ocupação mais fraca é o que reflete o nível de atividade corrente. Para a taxa de desemprego subir, é preciso que o PIB [Produto Interno Bruto] desacelere para algo em torno de 2%”, calcula.
Como para este ano os economistas ouvidos projetam que o PIB cresça cerca de 3,5%, a aposta é que a taxa média de desemprego em 2012 não vai atingir novo recorde de baixa, mas deve se manter próxima ou igual aos 6%.
As estimativas da Tendências apontam para uma taxa de desocupação média de 5,8% em 2012, já que seu cenário não contempla uma ruptura no ambiente internacional. “Teremos uma blindagem contra a crise vinda do mercado de trabalho”, diz o economista Rafael Bacciotti. Ele destaca, no entanto, que o aumento do salário mínimo pode ter um efeito inibidor sobre a geração de empregos, já que onera os custos da mão de obra. “Além disso, o mercado de trabalho já está com ociosidade reduzida.”
Por outro lado, o reajuste de 14,26% do mínimo a partir de janeiro, aliado a uma inflação menor, vai ajudar o rendimento médio real dos trabalhadores, que pode subiu mais que em 2011. Para Romão, da LCA, o crescimento da renda este ano só não vai ser mais acentuado porque as negociações salariais serão “mais árduas”, como reflexo da desaceleração da atividade econômica.
Karina Pereira, 18 anos, ensino médio completo, mas sem experiência: dificuldade para arrumar o primeiro emprego
Falta de emprego é maior entre jovens, mulheres e inexperientes
Por Carlos Giffoni | Valor
De São Paulo
O desemprego brasileiro tem uma cara jovem, feminina, de média escolaridade e inexperiente. Para pessoas com essas características, a taxa de desocupação no Brasil é bem superior à taxa global de 4,7% registrada em dezembro do ano passado segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último mês do ano passado, 1,1 milhão de pessoas estavam desempregadas nas seis capitais pesquisadas. Desses, 213 mil buscavam o primeiro emprego.
Karina Pereira, de 18 anos, é um exemplo desse perfil. Ela acabou de completar o ensino médio e está procurando o primeiro emprego. Karina gostaria de trabalhar como assistente-administrativo ou na área de informática, já que pretende começar neste ano uma faculdade de ciências da computação. Encontrar um trabalho está entre as condições para cursar – e pagar – a faculdade. “Desde que me formei, meus pais, tios e amigos da família estão tentando me indicar trabalhos, mas até agora não encontrei nenhum. Estou ansiosa para começar”, diz a jovem, que foi ontem pela primeira vez a um Centro de Apoio ao Trabalho (CAT) em São Paulo montar o seu perfil profissional e buscar vagas disponíveis. Não conseguiu nada. A pretensão salarial de Karina é de R$ 1 mil, “mas acho que devo receber mesmo é R$ 900 no primeiro emprego”. Talvez a jovem esteja sendo muito otimista. Priscila Delphino, de Osasco, também tem 18 anos e procura o seu primeiro trabalho. Ela já foi duas vezes ao CAT e ontem saiu com uma entrevista marcada para recepcionista de cinema em um shopping. O salário oferecido pela empresa é o mínimo (R$ 622), abaixo da sua pretensão (R$ 900). Entre as vagas compatíveis com o perfil de Priscila, essa era a única que não exigia experiência. Ela chegou a fazer ensino médio técnico em gestão de empresas, mas as oportunidades em recursos humanos, área de interesse da jovem, não consideram o curso técnico como experiência. Ela conta que menos de um terço da sua turma de 22 alunos conseguiu emprego até agora.
A taxa de desocupação entre as mulheres fechou o ano passado em 6%, mas entre os homens o índice é de 3,7%. Essa diferença é histórica, mas, segundo especialistas consultados pelo Valor, vem diminuindo. “Um exemplo desse fenômeno é a redução da oferta de empregadas domésticas. As mulheres [com menos qualificação] buscam empregos em serviços, sendo que a renda não é, necessariamente, maior, mas há a questão do status social e de o trabalho ser mais regulamentado, com condições mais claras”, afirma José Márcio Camargo, especialista em mercado de trabalho da PUC-Rio.
O pesquisador também aponta a falta de conhecimento sobre o novo profissional como um problema. “Há assimetria de informações entre a empresa que disponibiliza a vaga e o candidato que quer ser empregado. Oferecer um salário compatível com a produtividade do trabalhador em seu primeiro emprego é extremamente difícil”, diz.
Marcelo Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, relata assim a dificuldade do jovem: “Não tenho experiência, logo não consigo emprego; mas se não tenho emprego, não adquiro experiência”. diz. “Além disso, muitos não querem a mesma profissão dos pais. Filho de peão, peãozinho não é, pois eles já cursaram o ensino médio”, diz ele.
O desemprego no Brasil também é mais baixo entre aqueles com poucos anos de estudo (3,7%) ou aqueles com ensino superior (4,5%). Para quem tem entre oito e dez anos de estudo, o que significa ter concluído pelo menos o ensino fundamental e, no máximo, o ensino médio, a desocupação é de 7%.
Para Luiz Scorzafave, professor de economia da USP em Ribeirão Preto, há três principais hipóteses que justificam o desemprego maior entre as pessoas com nível escolar médio. “A quantidade de pessoas com nível médio incompleto está aumentando no mercado de trabalho e não há geração de vagas suficientes para essa qualificação. Além disso, como as pessoas estão estudando mais, a quantidade de postos de trabalho para pessoas com baixa escolaridade consegue atender a oferta. Finalmente, o número de pessoas com ensino superior está aumentando e elas têm um leque de opções maior. A pessoa com ensino superior pode exercer funções de quem tem menos qualificação. O contrário não é verdadeiro.”
Para Camargo, calcular a produtividade do candidato está entre as dificuldades que influenciam na taxa de ocupação do profissional com nível de escolaridade média. “Sobre o profissional mais qualificado, é fácil conseguir informações da qualidade da universidade cursada, por exemplo. No nível intermediário, não há informações disponíveis”, diz ele.
Apesar de o desemprego maior entre os jovens ser comum aos mercados de trabalho em todo o mundo, a falta de medidas que evitem o agravamento desse cenário pode trazer frustrações e atrapalhar o andamento da economia brasileira. Scorzafave alerta para o risco da informalidade. “Essa busca frustrada pelo primeiro emprego pode incentivar a informalidade. Um profissional relativamente qualificado pode aceitar se inserir de maneira mais precária no mercado de trabalho.”
O professor da USP-Ribeirão destaca a importância de investimentos para manter os alunos na escola e aumentar os anos de estudo. “Com mais tempo na escola, o jovem retarda a procura do primeiro emprego, entra no mercado mais qualificado e começa a contribuir com a previdência mais tarde, retardando a aposentadoria. São vários os aspectos positivos para o país”, destaca.
Entre 2003 e 2011, rendimento dos sem carteira cresceu muito mais
Por Tainara Machado | VALOR
De São Paulo
O mercado de trabalho brasileiro ficou mais formal nos últimos oito anos, mas os salários subiram mais para os informais. Entre 2003 e 2011, o rendimento médio real dos trabalhadores sem carteira assinada na iniciativa privada aumentou 39,2%, enquanto o salário dos trabalhadores com carteira avançou 10,9% na mesma comparação.
Em 2011, o ganho médio dos trabalhadores informais foi 6,1% maior do que no ano anterior, quase quatro vezes mais do que o reajuste real dos empregados com carteira assinada, de 1,4%.
Para os especialistas consultados pelo Valor, os mesmos componentes que criaram essa situação nos últimos anos – setor de serviços aquecido, aumento da escolaridade e valorização do salário mínimo – estarão presentes em 2012 e contribuirão para dar continuidade a esse processo.
Para Naércio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, o aumento do nível educacional da população como um todo nos últimos anos teve forte efeito sobre os salários da parcela mais pobre. “Tradicionalmente, a categoria informal tem nível educacional mais baixo, mas de 15 anos para cá, a educação melhorou muito, principalmente para a população mais pobre.”
Segundo dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 39,1% dos trabalhadores sem carteira assinada tinham 11 anos ou mais de estudo em 2003. Em 2011, essa proporção saltou para 50,8%. “Com a evolução do nível de escolaridade dos trabalhadores informais, os salários também tendem a ser mais altos”, afirmou Menezes Filho.
Além disso, a política de valorização do salário mínimo, com aumento real acima de 60% desde 2003, tem impacto relevante sobre os trabalhadores sem carteira assinada, que o usam como um “farol”, segundo o professor.
Para José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista da Opus Investimentos, o aumento dos rendimentos dos empregados informais está atrelado mais ao aquecimento do mercado de trabalho e, principalmente, do setor de serviços, do que à recente evolução do salário mínimo.
“Em geral, os salários no mercado informal tendem a ser mais flexíveis. Ou seja, é mais barato demitir e contratar quem não tem carteira assinada. Mas com taxa de desemprego muito baixa, os trabalhadores ganham poder de barganha e conseguem negociar aumentos maiores”, diz Camargo.
Os ganhos reais mais expressivos obtidos pelos trabalhadores informais vieram nos últimos três anos – período em que a taxa média de desocupação teve queda importante, passando de 8,1% em 2009 para 6% no ano passado.
Além disso, Camargo ressalta que, com a valorização recente do real ante o dólar, a indústria perdeu competitividade, enquanto o setor de serviços ganhou dinamismo. Com a demanda aquecida e um mercado de trabalho apertado, os preços dos serviços subiram, e os salários no setor – que tem parcela importante de trabalhadores informais – subiram mais, proporcionalmente, do que na indústria, setor tradicionalmente mais formalizado.
“Os preços finais ao consumidor de serviços como cabeleireiro, manicure e pedreiro aumentaram muito nos últimos anos. Em contrapartida, os rendimentos daqueles que vendem esses serviços também avançou”, afirmou Fernando Mattos, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE, avalia que, de fato, a migração de trabalhadores informais para o setor de serviços contribuiu para a elevação dos salários dos trabalhadores sem carteira assinada. Azeredo destaca ainda que as estatísticas para o trabalho sem carteira assinada excluem os empregados domésticos, o que poderia, na avaliação dele, inflar ainda mais os números. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o item empregado doméstico teve elevação de 11,38% em 2011.
Camargo e Menezes Filho acreditam que a conjunção desses fatores continuará nos próximos anos. Para Camargo, há um limite, que será dado pela pressão inflacionária derivada do mercado de trabalho aquecido. Em sua opinião, é preciso avançar em reformas microeconômicas que elevem a produtividade do trabalho para compensar o aumento de custos.
Para Mattos, do Ipea, ao menos no curto prazo essa dinâmica deve continuar, potencializada pelo aumento real de 7,5% do salário mínimo em 2012. Assim, a distância entre os salários dos trabalhadores formais e dos informais tende a diminuir mais. Em dezembro de 2003, um trabalhador que não tinha carteira assinada recebeu, em média, 60% do salário pago ao formal, percentual que subiu para 72% em dezembro de 2011.
Para Azeredo, o salto de 12 pontos percentuais em oito anos é reflexo da evolução da conjuntura econômica e indica avanços na redução da desigualdade. “O estreitamento dessa relação significa que está havendo melhora da qualidade dos empregos criados, com menos subempregos na economia.”
Dados do IBGE mostram que a trajetória de queda foi mantida e o índice ficou em 6% no ano passado, ante 12,6% em 2003
27 de janeiro de 2012
ALEXANDRE RODRIGUES , ALESSANDRA SARAIVA / RIO – O Estado de S.Paulo
Apesar dos reflexos do agravamento da crise europeia na economia global em 2011, o desemprego manteve a trajetória de queda no Brasil e terminou o ano passado em 6%. O índice divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, no primeiro ano da gestão de Dilma Rousseff, o desemprego foi reduzido à metade ante 2003, início do governo Lula, quando era de 12,4%.
O resultado de 2011 foi beneficiado pela queda do desemprego para 4,7% em dezembro, depois de 5,2% em novembro, a menor taxa de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Com o mercado de trabalho aquecido por vagas temporárias, a população economicamente desocupada no País ainda era de 1,1 milhão em dezembro de 2011, mas a média do ano foi de 1,4 milhão de pessoas em busca de emprego. Em 2003, eram 2,6 milhões.
“Os avanços no mercado de trabalho nos últimos anos são significativos e indiscutíveis, com a população de carteira assinada crescendo acima da ocupada, mas ainda há muito a melhorar no que diz respeito à informalidade e à contribuição para a Previdência”, observou Cimar Azeredo, técnico do IBGE responsável pela PME.
Em nove anos, a formalização do trabalho cresceu quase 50%, atingindo em 2011 quase 11 milhões de empregados. No entanto, mais da metade dos trabalhadores do setor privado, 51,5%, ainda não têm carteira assinada e a garantia de direitos como fundo de garantia. Somente em 2011 a maior parte dos trabalhadores da região metropolitana de São Paulo passou a ser formalizada (52%). No Rio de Janeiro, eles ainda são apenas 43,9%.
A contribuição para a Previdência avançou mais e alcança hoje 71% dos trabalhadores, indicando que muitos contribuem como autônomos, mas quase 30% ainda está no mercado de trabalho sem seguro.
Segundo o IBGE, a continuidade da redução do contingente de desocupados entre 2010 e 2011 (de 1,25 para 1,13 milhão) mostrou que o emprego reagiu de forma diferente no ano em que a economia desacelerou com a crise europeia do que em 2008. A crise provocada pela quebra do Lehman Brothers chegou a elevar o número de desempregados de 1,56 milhão em 2008 para 1,59 milhão em 2009.
Para Carlos Henrique Leite Corseuil, técnico do Ipea para o mercado de trabalho, o efeito da crise só deve se mostrar no primeiro trimestre deste ano. “Ainda é um pouco cedo para avaliar. O reflexo de 2008 só foi sentido em 2009. Mas não acredito em um efeito muito forte.” De acordo com Azeredo, “não se viu esse cenário de crise no mercado de trabalho brasileiro agora”. / COLABORARAM MARIA REGINA SILVA E DENISE ABARCA
Luis Favre or Luiz Favre is the nom-de-guerre of Felipe Belisario Wermus (born 1949 Buenos Aires, Argentina). He was, as a young man, an Argentine union militant and member of Politica Obrera. Later he moved to France and became a leading member of the Internationalist Communist Organisation (OCI), a Trotskyist party in France, working especially in its international department. He moved to live in Brazil and is now a member of the PT.He is known to a broader public as the second husband of Marta Suplicy, ex-mayor of São Paulo and now a PT minister. Leia mais em Wikipedia.org http://en.wikipedia.org/wiki/Luis_Favre