03/07/2009 - 22:00h Boa noite

Itzhak Perlman (violino) e Pinchas Zukerman (viola) em Passacaglia de Handel-Halvorsen
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03/07/2009 - 19:55h The Way You Look Tonight

Fred Astaire. Musica de Jerome Kern e letra de Dorothy Fields

Rod Stewart
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03/07/2009 - 19:31h A luz é como a água

Por Gabriel García Márquez

“(…) mergulharam como tubarões mansos por baixo dos móveis e das
camas e resgataram do fundo da luz as coisas que durante anos
tinham-se perdido na escuridão.”

 

No Natal os meninos tornaram a pedir um barco a remos.

— De acordo — disse o pai —, vamos comprá-lo quando voltarmos a Cartagena.

Totó, de nove anos, e Joel, de sete, estavam mais decididos do que seus pais achavam.

— Não — disseram em coro. — Precisamos dele agora e aqui.

— Para começar — disse a mãe —, aqui não há outras águas navegáveis além da que sai do chuveiro.

Tanto ela como o marido tinham razão. Na casa de Cartagena de Índias havia um pátio com um atracadouro sobre a baía e um refúgio para dois iates grandes. Em Madri, porém, viviam apertados no quinto andar do número 47 do Paseo de la Castellana. Mas no final nem ele nem ela puderam dizer não, porque haviam prometido aos dois um barco a remos com sextante e bússola se ganhassem os louros do terceiro ano primário, e tinham ganhado. Assim sendo, o pai comprou tudo sem dizer nada à esposa, que era a mais renitente em pagar dívidas de jogo. Era um belo barco de alumínio com um fio dourado na linha de flutuação,

— O barco está na garagem — revelou o pai na hora do almoço.— O problema é que não tem jeito de trazê-lo pelo elevador ou pela escada, e na garagem não tem mais lugar.

No entanto, na tarde do sábado seguinte, os meninos convidaram seus colegas para carregar o barco pelas escadas, e conseguiram levá-lo até o quarto de empregada.

— Parabéns — disse o pai. — E agora?

— Agora, nada - disseram os meninos. — A única coisa que a gente queria era ter o barco no quarto, e pronto.

Na noite de quarta-feira, como em todas as quartas-feiras, os pais foram ao cinema. Os meninos, donos e senhores da casa, fecharam portas e janelas, e quebraram a lâmpada acesa de um lustre da sala. Um jorro de luz dourada e fresca feito água começou a sair da lâmpada quebrada, e deixaram correr até que o nível chegou a quatro palmos. Então desligaram a corrente, tiraram o barco, e navegaram com prazer entre as ilhas da casa.

Esta aventura fabulosa foi o resultado de uma leviandade minha quando participava de um seminário sobre a poesia dos utensílios domésticos. Totó me perguntou como era que a luz acendia só com a gente apertando um botão, e não tive coragem para pensar no assunto duas vezes.

— A luz é como a água — respondi. — A gente abre a torneira e sai.

E assim continuaram navegando nas noites de quarta-feira, aprendendo a mexer com o sextante e a bússola, até que os pais voltavam do cinema e os encontravam dormindo como anjos em terra firme. Meses depois, ansiosos por ir mais longe, pediram um equipamento de pesca submarina. Com tudo: máscaras, pés-de-pato, tanques e carabinas de ar comprimido.

— Já é ruim ter no quarto de empregada um barco a remos que não serve para nada.
— disse o pai — Mas pior ainda é querer ter além disso equipamento de mergulho.

— E se ganharmos a gardênia de ouro do primeiro semestre? — perguntou Joel.

— Não - disse a mãe, assustada. — Chega. O pai reprovou sua intransigência.

— É que estes meninos não ganham nem um prego por cumprir seu dever — disse ela —, mas por um capricho são capazes de ganhar até a cadeira do professor.

No fim, os pais não disseram que sim ou que não. Mas Totó e Joel, que tinham sido os últimos nos dois anos anteriores, ganharam em julho as duas gardênias de ouro e o reconhecimento público do diretor. Naquela mesma tarde, sem que tivessem tornado a pedir, encontraram no quarto os equipamentos em seu invólucro original. De maneira que, na quarta-feira seguinte, enquanto os pais viam O Último Tango em Paris, encheram o apartamento até a altura de duas braças, mergulharam como tubarões mansos por baixo dos móveis e das camas, e resgataram do fundo da luz as coisas que durante anos tinham-se perdido na escuridão.


Na premiação final os irmãos foram aclamados como exemplo para a escola e ganharam diplomas de excelência. Desta vez não tiveram que pedir nada, porque os pais perguntaram o que queriam. E eles foram tão razoáveis que só quiseram uma festa em casa para os companheiros de classe.

O pai, a sós com a mulher, estava radiante. — É uma prova de maturidade — disse.

— Deus te ouça — respondeu a mãe.

Na quarta-feira seguinte, enquanto os pais viam A Batalha de Argel, as pessoas que passaram pela Castellana viram uma cascata de luz que caía de um velho edifício escondido entre as árvores. Saía pelas varandas, derramava-se em torrentes pela fachada, e formou um leito pela grande avenida numa correnteza dourada que iluminou a cidade até o Guadarrama.

Chamados com urgência, os bombeiros forçaram a porta do quinto andar, e encontraram a casa coberta de luz até o teto. O sofá e as poltronas forradas de pele de leopardo flutuavam na sala a diferentes alturas, entre as garrafas do bar e o piano de cauda com seu xale de Manilha que agitava-se com movimentos de asa a meia água como uma arraia de ouro. Os utensílios domésticos, na plenitude de sua poesia, voavam com suas próprias asas pelo céu da cozinha. Os instrumentos da banda de guerra, que os meninos usavam para dançar, flutuavam a esmo entre os peixes coloridos liberados do aquário da mãe, que eram os únicos que flutuavam vivos e felizes no vasto lago iluminado. No banheiro flutuavam as escovas de dentes de todos, os preservativos do pai, os potes de cremes e a dentadura de reserva da mãe, e o televisor da alcova principal flutuava de lado, ainda ligado no último episódio do filme da meia-noite proibido para menores.

No final do corredor, flutuando entre duas águas, Totó estava sentado na popa do bote, agarrado aos remos e com a máscara no rosto, buscando o farol do porto até o momento em que houve ar nos tanques de oxigênio, e Joel flutuava na proa buscando ainda a estrela polar com o sextante, e flutuavam pela casa inteira seus 37 companheiros de classe, eternizados no instante de fazer xixi no vaso de gerânios, de cantar o hino da escola com a letra mudada por versos de deboche contra o diretor, de beber às escondidas um copo de brandy da garrafa do pai. Pois haviam aberto tantas luzes ao mesmo tempo que a casa tinha transbordado, e o quarto ano elementar inteiro da escola de São João Hospitalário tinha se afogado no quinto andar do número 47 do Paseo de la Castellana. Em Madri de Espanha, uma cidade remota de verões ardentes e ventos gelados, sem mar nem rio, e cujos aborígines de terra firme nunca foram mestres na ciência de navegar na luz.


Dezembro de 1978.


Gabriel García Márquez
nasceu em 1928 na pequena cidade de Aracataca, na Colômbia. Cresceu ao lado de seu avô materno, um coronel da guerra civil no princípio do século. Estudou num colégio jesuíta e posteriormente iniciou o curso de Direito, logo abandonado em virtude de seu trabalho como jornalista. Em 1954 foi para Roma, como correspondente do jornal onde escrevia, e desde então tem vivido em cidades como Paris, New York, Barcelona e México, em um exílio mais ou menos compulsório. Apesar de seu talento como ficcionista e premiado escritor, continua exercendo a profissão de jornalista.

No dia 21 de outubro de 1982 foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, quinze anos depois de ter escrito “Cem Anos de Solidão”, seu maior sucesso, traduzido em 35 idiomas e com venda calculada em mais de 30 milhões de exemplares.

Em nossos dias circula pela Internet um texto cuja autoria foi atribuída a García Márquez, um tipo de “carta de despedida”, pois estaria o autor prestes a falecer em virtude de um câncer linfático. Segundo a “Crônica do falso adeus” de Orlando Maretti, “Gabriel García Márquez, ou Gabo, para os amigos, … não apenas negou, pela imprensa, que estivesse em estado terminal como também espinafrou a pieguice do texto e seu autor, identificando-o como um subliterato latino-americano. Em recente entrevista ao jornal espanhol El País, o escritor colombiano lamenta a repercussão do texto.”

Orlando Maretti acrescenta: “…a primeira pista para duvidar da autoria é a insistência na citação vocativa de Deus. Pelo que se sabe, García Márquez é um escritor de esquerda, simpatizante do marxismo, amigo de Fidel Castro, militante de causas sociais. Enfim, um humanista engajado, mas nem de longe seu perfil lembra um religioso.”

BIBLIOGRAFIA:

· Folhas mortas
· Ninguém escreve ao coronel
· Cem anos de solidão
· Doze contos peregrinos
· O general em seu labirinto
· O amor nos tempos do cólera
· A aventura de Miguel Littin clandestino no Chile
· Cheiro de Goiaba: Conversas com Plinio Apuleyo Mendoza
· Como Contar um Conto
· Crônica de uma Morte Anunciada
· Do Amor e Outros Demônios
· O Enterro do Diabo: A Revoada
· Entre Amigos
· Os Funerais da Mamãe Grande
· A Má Hora (o Veneno da Madrugada)
· A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada
· Olhos de Cão Azul
· O Outono do Patriarca
· Relato de um Náufrago
· Textos do Caribe - Volume 1 e 2
· Oficina de Roteiro de Gabriel García Márquez: Me Alugo Para Sonhar
· Notícias de um seqüestro
. Viver para contá-las (memórias)


Texto extraído do livro “Doze contos peregrinos”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1999, pág. 215, tradução de Eric Nepomuceno.

Ilustração: Orlando Pedroso

Orlando Pedroso, paulistano, nasceu em 14 de fevereiro de 1959.

Em 1978, publica pela primeira vez, já na época da abertura política, no jornal esquerdista “Em Tempo”. Morou na Europa por três anos e meio. De volta, em 85, passa a colaborar com o jornal Folha de São Paulo e com as melhores e piores publicações da cidade, entre elas, Playboy, Capricho, Carícia, Istoé, Exame, Claudia, Marie Claire, Elle, Quatro Rodas, Atrevida, Veja, Você s/a, além de ilustrações e capas para editoras como Moderna, Ática, Senac, Scippione, Nova Cultural, Ediouro e Salamandra.

Em sua empresa, a CO2 Gráficos, desenvolve projetos gráficos para empresas e peças de teatro. É co-autor do “Livro dos Segundos Socorros” dos Doutores da Alegria, além de ser responsável pela criação de suas peças de comunicação.

Em 97 expôs nos espaços Unibanco de Cinema de São Paulo e Rio os desenhos de “Como o Diabo Gosta” e em 2001, no espaço Ophicina, em São Paulo, “Olha o Passarinho!”.

Em 2002, organizou o livro “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol”, lançado pela Via Lettera.

Prêmio HQMix de melhor ilustrador de 2001.

E-MAIL: orla@uol.com.br

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03/07/2009 - 18:25h Procuradora-geral da República propõe ação para reconhecer união entre pessoas do mesmo sexo

Deborah Duprat ofereceu arguição de descumprimento de preceito fundamental ao Supremo Tribunal Federal

A procuradora-geral da República, Deborah Duprat, propôs hoje, 2 de julho, ao Supremo Tribunal Federal (STF) arguição de descumprimento de preceito fundamental, com pedido de liminar e de audiência pública, para reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo e que sejam dadas a elas os mesmos direitos e deveres dos companheiros em uniões estáveis.

A ADPF foi proposta com base em representação do Grupo de Trabalho de Direitos Sexuais e Reprodutivos da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Apesar de já haver uma arguição (ADPF 132) sobre o mesmo tema, proposta pelo estado do Rio de Janeiro, foi oferecida nova ação em virtude do parecer da Advocacia Geral da União, no sentido de que os efeitos da ADPF 132 estariam restritos àquele estado. Para não correr tal risco, a procuradora-geral propôs esta nova arguição.

“O indivíduo heterossexual tem plena condição de formar a sua família, seguindo as suas inclinações afetivas e sexuais. Pode não apenas se casar, como também constituir união estável, sob a proteção do Estado. Porém, ao homossexual, a mesma possibilidade é denegada, sem qualquer justificativa aceitável”, diz, na ação.

A tese sustentada na ADPF, segundo Deborah Duprat, é a de que se deve extrair diretamente da Constituição de 88 – notadamente os princípios da dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III), da igualdade (art. 5º, caput), da vedação das discriminações odiosas (art. 3º, inciso IV), da liberdade (art. 5º, caput) e da proteção à segurança jurídica – a obrigatoriedade do reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. E, diante da inexistência de legislação infraconstitucional regulamentadora, devem ser aplicadas analogicamente ao caso as normas que tratam da união estável entre homem e mulher.

Para a procuradora-geral, o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo independe de mediação legislativa, pois é possível aplicar imediatamente os princípios constitucionais. “Não subsiste qualquer argumento razoável para negar aos homossexuais o direito ao pleno reconhecimento das relações afetivas estáveis que mantêm, com todas as consequências jurídicas disso decorrentes”, afirma.

Princípio da igualdade – Significa que todos devem receber o mesmo tratamento pelo Estado. Segundo Deborah Duprat, o Estado, em todos seus poderes e esferas, viola os preceitos fundamentais com relação a este tema. Isso envolve atos comissivos e omissivos. “Seria possível citar as decisões judiciais de diversos tribunais, que se negam a reconhecer como entidades familiares as referidas uniões, e os atos das administrações públicas que não concedem benefícios previdenciários estatutários aos companheiros dos seus servidores falecidos”, explica. Ela acrescenta que a aparente neutralidade da legislação infraconstitucional brasileira escondeu o preconceito contra os homossexuais ao proteger apenas as relações estáveis heterossexuais.

Proibição de discriminação – A Constituição estabeleceu que é objetivo fundamental da República “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. “A discriminação motivada pela orientação sexual é constitucionalmente banida no Brasil. E esta argumentação é reforçada quando se analisa a orientação seguida no âmbito do direito internacional dos direitos humanos”, diz a procuradora-geral. Ela lembra que o Brasil é signatário do Pacto dos Direitos Civis e Políticos da ONU, que proíbe qualquer tipo de discriminação. “O Estado laico não pode basear os seus atos em concepções religiosas, ainda que cultivadas pela religião majoritária, pois, do contrário, estaria desrespeitando todos aqueles que não a professam, sobretudo quando estiverem em jogo os seus próprios direitos fundamentais”, acrescenta.

Dignidade humana – Além de privar parceiros homossexuais de direitos importantes, o não-reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo explicita a desvalorização pelo Estado do modo de ser do homossexual, rebaixando-o à condição de cidadão de segunda classe. Privar os membros de uniões estáveis entre mesmo sexo de direitos relacionados às condições básicas de existência (direito a alimentos, a receber benefícios previdenciários etc.) atenta contra sua dignidade, expondo-o a situações de risco social injustificado. “O reconhecimento social envolve a valorização das identidades individuais e coletivas. E a desvalorização social das características típicas e do modo de vida dos integrantes de determinados grupos, como os homossexuais, tende a gerar nos seus membros conflitos psíquicos sérios, infligindo dor, angústia e crise na sua própria identidade”, destaca a procuradora-geral. Ela lembra que, ao negar o reconhecimento deste tipo de união, o Estado alimenta e legitima uma cultura homofóbica.

Direito à liberdade – Esse princípio permite que cada um faça suas escolhas existenciais básicas e persiga seus projetos de vida, desde que não viole direitos de terceiros. Isso significa que cada um tem o direito de escolher com a pessoa com a qual pretende manter relações afetivas estáveis, de caráter familiar. “É exatamente essa liberdade que se denega ao homossexual, quando não se permite que ele forme a sua família, sob o amparo da lei, com pessoas do sexo para o qual se orienta a sua afetividade”, diz Deborah Duprat.

Proteção à segurança jurídica – Princípio que possibilita que pessoas e empresas planejem as próprias atividades e tenham estabilidade e tranquilidade na fruição dos seus direitos. Devido à falta de legislação e de indeteminação da jurisprudência, não há previsibilidade em temas envolvendo herança, partilha de bens, deveres de assistência recíproca e alimentos. “O caminho para superação desta insegurança só pode ser a extensão do regime legal da união estável para as percerias entre pessoas do mesmo sexo, através de decisão judicial do STF, revestida de eficácia erga omnes (para todos) e efeito vinculante”, afirma.

Quanto à redação do artigo 226, § 3º, da Constituição (“… é reconhecida a união estável entre homem e mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento”), a procuradora-geral diz que isso não impede o reconhecimento da união entre homossexuais, uma vez que a Carta Maior não é um amontoado de normas isoladas. “Trata-se de um sistema aberto de princípios e regras, em que cada um dos elementos deve ser compreendido à luz dos demais”, diz. E, para ele, é na parte dos princípios fundamentais que se encontram as normas que permitem o reconhecimento.

Liminar
– Na arguição, Deborah Duprat pede medida liminar para evitar danos patrimoniais, como benefícios previdenciários e direito a alimentos, e extrapatrimoniais, como abalos à auto-estima e o estímulo ao preconceito e à homofobia.

Devido à relevância do tema, a procuradora-geral pede, na ação, a convocação de audiência pública no STF para discussão do reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo.

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03/07/2009 - 14:11h Arthur Virgílio sem emprego em Dubai

Maria Cristina Fernandes - VALOR

Numa apoteótica semana para o circo do Senado Federal, a informação de que o Brasil pouco avançou no combate à corrupção passou como um apêndice no noticiário. Com a farta colheita da indústria de vazamentos em Brasília, de um lado, e o relatório do Banco Mundial, do outro, a conclusão decorrente seria de que o organismo internacional apenas constatou empiricamente a pasmaceira da política nacional.

Mas se o picadeiro de Brasília tem alguma serventia é precisamente a de mostrar que o selo de país mediano na corrupção internacional que o Bird, ano após ano, confere ao Brasil é tão confiável quanto uma rubrica de Agaciel Maia num ato secreto.

A lista do banco não resiste à mais leiga das lupas. Tome-se, por exemplo, os Emirados Árabes Unidos, país situado em 18º lugar entre os que melhor controlam a corrupção, 24 posições à frente do Brasil. A classificação não se baseia em ações de governo, mas em percepções.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) certamente não faria sucesso em Dubai. Não pela ausência de benesses ilícitas de denunciantes e denunciados. O que falta é denúncia.

O governo dos emires mescla poder hereditário e conselho consultivo de representantes escolhidos por um colégio eleitoral ampliado. A população convive com liberdades limitadas em troca de uma das maiores rendas per capita do mundo.

Não faz sentido algum comparar a percepção da corrupção num lugar desses com aquela advinda de um país que transmite as entranhas do Senado ao vivo.

Esse tipo de relatório ganha foro de publicação respeitável a despeito de seus critérios já terem sido exaustivamente desnudados. As críticas vão além da questionável metodologia de indicadores baseados nos interesses de grandes corporações e organizações não-governamentais com atuação nesses países.

Em abril o “Wall Street Journal” divulgou a conclusão dos trabalhos de um grupo de avaliação interno do banco que, em 690 páginas, enxovalhou seus próprios critérios para detecção de fraudes na concessão de empréstimos.

O relatório tem um trecho revelador: “Os tradicionais sistemas de controle do banco não foram projetados para resolver questões como fraude e corrupção. Eles foram criados para garantir a eficiência e integridade financeira do banco ao menor custo possível”.

Ou seja, a mesma instituição que se arvora na condição de classificar entre mais e menos corruptos 212 países do mundo inteiro não consegue ter governança sobre seus próprios empréstimos.

O cientista político americano Aaron Schneider já havia apontado as falhas das políticas de combate à corrupção do Bird nos países em desenvolvimento. Sua crítica se fundamenta no foco do banco sobre o que chama de “pequena corrupção” - privilégios do funcionalismo, suborno e propina - que ocupam, em grande parte, o jornalismo político nacional.

Não que a versão em miniatura da corrupção seja desimportante. Consome recursos públicos e prejudica a grande maioria que não pode se utilizar dessas benesses ilícitas do Estado.

O ponto é que se ignora a “grande corrupção”, aquela em que o Estado atua em favor de um setor particular da economia ou, com informações privilegiadas, baliza grandes fortunas no mercado financeiro.

Não é uma opção técnica a do combate à propina comezinha da burocracia. Ao fazê-lo, toma-se uma decisão política de não confrontar instâncias de poder cujas deliberações, em última instância, podem prejudicar os próprios interesses de instituições como o Banco Mundial. São esses interesses, como lembrou o relatório interno, que, em última instância, busca-se preservar.

Se o público pagante chegou a imaginar que as intrigas políticas são uma exclusividade do salão azul do Senado, Schneider traz algum conforto. Em artigo na coletânea “A corrupção: ensaios e críticas” (UFMG, 2008) conta que a indústria de relatórios internos no Banco Mundial foi fomentada em meio ao mal-estar produzido pela renúncia de um ex-presidente da instituição que favorecera funcionária com quem namorava.

O vazamento desses relatórios internos desvendou as contradições de uma instituição que tende a ignorar a corrupção em países que cresceram rapidamente graças à adoção de políticas preconizadas pelos credores, como abertura comercial, liberalização de mercados e achatamento de salários do funcionalismo.

Custa a crer que, depois da crise, cantada em verso e em prosa pela capacidade de abalar as diretrizes da ordem financeira global, esses anuários de corrupção mundial sigam ignorando seus próprios descaminhos.

E enquanto Ministério Público, Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas e Congresso Nacional - qual outra instituição tem sido capaz de sobreviver à reiterada exposição pública de suas entranhas? - continuarem funcionando à luz de uma imprensa que publica o que quer, a resposta a esse tipo de classificação é simples: “A corrupção no Brasil vai bem, obrigada”.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

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03/07/2009 - 13:27h Que beleza de loteamento!

http://www.prosaepolitica.com.br/userfiles/image/04%2004%2009/Arthur%20virg%C3%ADlio%20e%20diretor%20do%20senado.jpg

Segundo Arthur Virgílo, líder do PSDB, é José Sarney que não teria condições morais de presidir o Senado. Leiam a seguir uma notinha do jornal O Globo de hoje:

“Que beleza! A pós-graduação que Carlos Alberto Nina Neto, lotado no gabinete do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), fazia na Espanha, recebendo salário do Senado, era em cinema na praia de Ibiza”

Coluna Panorama Político - página 2 jornal O GLOBO

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03/07/2009 - 11:34h Para a população não há terreno na cidade, proclama Kassab. Para a especulação, sim!

“É difícil encontrar terrenos disponíveis na região”, a resposta de Kassab a falta de investimentos em creches na região sul da cidade (ver artigo do AGORA no post precedente) segue uma aparente “norma” padrão da “gestão” do prefeito.

Foi assim também para justificar a recusa em apoiar o programa “Minha Casa, Minha Vida” na cidade, por “falta de terrenos”.

Quando este argumento foi avançado mostrei que Kassab poderia começar utilizando os terrenos que pretendia desapropriar para o projeto da Nova Luz e construir na região moradias, pois ele só previa 170 apartamentos (em contradição com o Plano Diretor aprovado por Marta e que destina uma boa parcela para habitação popular em cada operação urbana).

Na votação do projeto o vereador Donato fez aprovar uma ampliação do espaço para moradia e a “gestão” aceitou aumentar para 1.000 famílias os apartamentos previstos. “Gestão” Kassab: um primeiro recuo sobre moradia popular na Nova Luz

Acontece que um dos objetivos de Kassab para mudar o Plano Diretor da Marta é desobrigar os projetos urbanísticos da exigência de moradias populares no local, podendo compensar isto em outras regiões. Com isto a especulação imobiliária poderá se apropriar de regiões inteiras com potencial especulativo e as populações pobres expulsas cada vez mais longe, nas periferias.

Coube a jornalista Maria Cristina Fernandes, do jornal VALOR, mostrar o que visava Kassab com a elaboração de um novo Plano Diretor:

“O projeto de Kassab sugere que essas habitações populares possam ser construídas em outras áreas a critério do Executivo. Não é preciso ser um gênio do setor imobiliário para se concluir que essas moradias serão deslocadas cada vez mais para a periferia desprovida de infra-estrutura urbana.

As mudanças caem como uma luva nos projetos da chamada Cracolândia, região central que sucessivas administrações municipais tentam, sem sucesso, revitalizar. O atual plano diretor abre espaço para que os cortiços verticais que proliferam naquela região possam vir a ser reformados para moradia popular. Apesar de intensamente edificada, a região central de São Paulo tem uma das menores densidades demográficas da cidade.

A gestão Gilberto Kassab foi pouco operante na fixação dessa população de baixa renda, que vive dos serviços gerados pelo centro (engraxates, garçons, contínuos, vigias, faxineiras, prostitutas, ambulantes e biscateiros). Se as mudanças no Plano Diretor tão ansiadas pelo setor imobiliário e hoje embaladas pelo discurso de um Estado ativo na reação à crise econômica, vingarem, a cidade terá uma periferia cada vez mais inchada à espera da sempre defasada expansão da rede de transporte coletivo.” O rei nu ou a fábula do prefeito II

Este aspecto central do plano de Kassab em favor da especulação imobiliária foi deixado propositalmente fora do conhecimento da opinião pública e raros foram os jornais que abordando os projetos sucessivos sobre a Cracolândia (que já levam quase seis anos sem sair do papel), mostrassem o que visava o “esquecimento” das moradias na região central.

Hoje coube ao Estadão fornecer maior claridade neste assunto, mostrando que pelo Plano Diretor da Marta na região central deveriam ser contempladas habitações para 600.000 famílias, uma boa parte portanto deveria estar incluída no projeto da Nova Luz e por enquanto não estão.

Ou seja o novo Plano Diretor de Kassab e a Nova Luz prevista, têm o comum denominador exposto pela jornalista do VALOR: afastar a população pobre do Centro da cidade e do direito à moradia.

É para ela “que não existem terrenos”. Mas sobrarão para a especulação imobiliária. LF

http://www.germinaliteratura.com.br/imagens/nick_henderson_lupa.jpg


A seguir o artigo do jornal O Estado SP


Prefeitura terá de investir R$ 17 mil por casa popular

Cálculo faz parte de estudo encomendado pela Prefeitura; os 3,6 milhões de m² da região central comportam 600 mil moradores

Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta - O Estado SP

Cada moradia nas Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), regiões da cidade que o Plano Diretor Estratégico (PDE) definiu como locais destinados a habitações para população de baixa renda, deve demandar subsídios entre R$ 16 mil e R$ 17,3 mil. Nos 3,6 milhões de metros quadrados que vão receber esse tipo de habitação na região central, cabem 600 mil moradores - 364,8 mil com renda até seis salários mínimos e 235,9 mil com renda entre 6 e 15 salários mínimos.

Os dados são do estudo encomendado pela Prefeitura à Secretaria de Transportes Metropolitanos do Governo do Estado para subsidiar decisões de políticas públicas. Ontem, o Estado publicou que cálculos feitos no mesmo estudo apontam que a estrutura da cidade ainda tem capacidade para suportar, sem transtornos ao trânsito ou consequências ambientais, a construção de mais 23 milhões de metros quadrados nos próximos três anos.

Nos cálculos destinados à habitação popular, foram levadas em consideração somente as chamadas Zeis-3, que preveem parcerias com incorporadores imobiliários e estão localizadas na região central da cidade. É possível construir nessas áreas 91.205 habitações de interesse social (HIS) e 62.931 habitações de mercado popular (HMP). O Plano Diretor Estratégico define que em uma zona especial deve haver 40% de HIS (que atendam famílias com renda de até 6 salários mínimos), 40% de HMP (famílias com renda entre 6 e 15 salários mínimos) e 20% de uso misto.

Conforme o estudo, para a construção dessas moradias é necessário um subsídio total que varia entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão. “Deve ainda se considerar a economia que esse tipo de política pode trazer para a cidade, por colocar famílias de áreas distantes em regiões centrais, que têm excelente infraestrutura”, diz o arquiteto e urbanista Cândido Malta, coordenador do estudo

Ontem, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que aguarda receber oficialmente o estudo. O prefeito defendeu a aplicação do IPTU progressivo sobre imóveis vazios localizados em áreas de Zeis. O projeto foi apresentado na Câmara pelo líder de governo, José Police Neto (PSDB). “Na verdade ele se antecipou em algo que já foi adotado em outras grandes metrópoles do mundo para não permitir a especulação de espaços vazios”, disse. Uma das Zeis que o governo pretende adensar - com mais 8 mil moradores - é a da Nova Luz, que tem área de 80 mil metros quadrados.

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03/07/2009 - 10:40h Fila de vaga na creche ganha 152 nomes por dia

Andre Vicente/Folha Imagem
mae_creche.jpg
Vanessa Santos tenta há um ano a vaga para a filha

 

Gilberto Yoshinaga e Aline Mazzo do Agora

A fila de espera por vagas nas creches públicas de São Paulo ganhou, neste ano, uma média de 152 novos nomes por dia. A demanda, que era de 57.607 crianças em 31 de dezembro do ano passado, chegou a 84.807 crianças sem vaga no relatório fechado em 28 de junho, divulgado anteontem pela Secretaria Municipal da Educação. A alta corresponde a 47,21%.

Se o número de crianças na fila de espera não crescer mais, a gestão Gilberto Kassab (DEM) ainda precisará abrir 66,41 vagas por dia, a partir de hoje, para conseguir cumprir sua promessa de campanha de zerar o déficit nas creches até o final de seu mandato –em dezembro de 2012. Ou seja: só para atender à demanda atual, seria necessário oferecer cerca de 2.000 vagas por mês, sem incluir a média diária de 152 novos nomes que aumentam a fila.

Sete distritos da zona sul lideram o ranking da demanda por vagas. Juntas, essas regiões concentram quase 25 mil crianças sem creche, ou 29,4% da fila de espera dos 96 distritos do município.

Em dezembro do ano passado, o déficit nesses sete distritos era de 17 mil vagas.

À espera
Há um ano à procura de uma vaga para a filha de um ano e nove meses, Vanessa Santos, 21 anos, mora no Capão Redondo (zona sul de SP) e conta que, quando vai à creche municipal, ocorre sempre a mesma coisa. “Eles me mostram uma lista imensa de nomes que estão na minha frente e dizem que no ano que vem vão me chamar”, afirma. Enquanto isso, ela não tem como procurar emprego.

Já a promotora de vendas Juliana dos Santos, 21, do Campo Limpo (zona sul de SP), conta com a ajuda da mãe, que cuida da filha enquanto ela trabalha. Ela está há um ano e meio na fila de espera da creche, que fica a cinco minutos de sua casa. “A promessa era que neste ano teria vaga, mas não ocorreu.”

Há 34 novas unidades

A Secretaria Municipal da Educação afirmou ontem que, neste ano, foram abertas quatro creches, que geraram 634 vagas.

A pasta disse também que, no primeiro semestre, foram firmados mais 30 parcerias com ONGs para o gerenciamento de creches conveniadas, mas o número de vagas geradas não foi divulgado. A prefeitura diz haver sete creches próprias em construção, mas também não passou o número de vagas que serão criadas.

Sobre o excesso de crianças sem vaga na zona sul, a secretaria disse se tratar de uma “região prioritária”, mas alegou que é difícil encontrar terrenos disponíveis nessa região.

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03/07/2009 - 10:20h Enquanto Kassab “inaugura” factoides, a fila… cresce!

Capa do AGORA

kassab_creche_charge.jpg

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02/07/2009 - 22:00h Boa noite

Concerto para piano em A N° 23, KV 488 de Mozart. Regente: Karl Böhm e Piollini ao piano
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02/07/2009 - 20:18h Leonard Cohen

Democracy

 ”In My Secret Life”

I saw you this morning.
You were moving so fast.
Can’t seem to loosen my grip
On the past.
And I miss you so much.
There’s no one in sight.
And we’re still making love
In My Secret Life.

I smile when I’m angry.
I cheat and I lie.
I do what I have to do
To get by.
But I know what is wrong,
And I know what is right.
And I’d die for the truth
In My Secret Life.

Hold on, hold on, my brother.
My sister, hold on tight.
I finally got my orders.
I’ll be marching through the morning,
Marching through the night,
Moving cross the borders
Of My Secret Life.

Looked through the paper.
Makes you want to cry.
Nobody cares if the people
Live or die.
And the dealer wants you thinking
That it’s either black or white.
Thank G-d it’s not that simple
In My Secret Life.

I bite my lip.
I buy what I’m told:
From the latest hit,
To the wisdom of old.
But I’m always alone.
And my heart is like ice.
And it’s crowded and cold
In My Secret Life.

I’m Your Man

 

If you want a lover
I’ll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I’ll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I’m your man

If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I’ll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I’m your man

Ah, the moon’s too bright
The chain’s too tight
The beast won’t go to sleep
I’ve been running through these promises to you
That I made and I could not keep
Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or I’d crawl to you baby
And I’d fall at your feet
And I’d howl at your beauty
Like a dog in heat
And I’d claw at your heart
And I’d tear at your sheet
I’d say please, please
I’m your man

And if you’ve got to sleep
A moment on the road
I will steer for you
And if you want to work the street alone
I’ll disappear for you
If you want a father for your child
Or only want to walk with me a while
Across the sand
I’m your man

If you want a lover
I’ll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I’ll wear a mask for you

Traduction de Jean Guiloineau :

Je suis ton homme

Si tu cherches un amant
je ferai ce que tu demanderas
Si tu veux un autre genre d’amour
je porterai un masque pour toi
Si tu veux un associé
prends ma main, ou
Si tu veux me frapper
parce que tu es en colère
me voici
je suis ton homme

Si tu veux un boxeur
je monterai sur le ring pour toi
Si tu veux un médecin
j’ausculterai chaque pouce de toi
Si tu veux un chauffeur
tu n’as qu’à entrer
ou si tu veux me monter
pour une promenade
tu sais que tu le peux
je suis ton homme

La lune est trop claire
les chaînes trop serrées
la bête ne s’endormira pas
j’ai passé en revue
toutes les promesses
que j’ai faites et n’ai pu tenir

Mais un homme ne retrouve pas une femme
en la suppliant à genoux
sinon je ramperais vers toi, petite,
et je tomberais à tes pieds
je hurlerais vers ta beauté
comme un chien en rut
et je te grifferais le coeur
je déchirerais tes draps
et je te dirais, je t’en prie
je suis ton homme

Si tu veux dormir un instant sur la route
je prendrai le volant
Si tu veux arpenter seule la rue
je disparaîtrai de ta vue
Si tu veux un père
pour ton enfant
ou si tu veux marcher
avec moi un instant
sur le sable
je suis ton homme

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02/07/2009 - 19:45h Um mar extraordinário

  • The Great Sirens, 1947
    Paul Delvaux (Belgian, 1897–1994)
    Oil on Masonite

    79 1/2 x 112 1/2 in. (203 x 305 cm)
    Gift of Julian J. Aberbach, 1979


  • As belas sirenas de Paul Delvaux
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    02/07/2009 - 19:12h Eu queria trazer-te uns versos muito lindos

    por Mario Quintana

    Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
    colhidos no mais íntimo de mim…
    Suas palavras
    seriam as mais simples do mundo,
    porém não sei que luz as iluminaria
    que terias de fechar teus olhos para as ouvir…
    Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
    como essa que acende inesperadas cores
    nas lanternas chinesas de papel!
    Trago-te palavras, apenas… e que estão escritas
    do lado de fora do papel… Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
    e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
    da Poesia…
    como
    uma pobre lanterna que incendiou!


    Extraído do livro “Quintana de bolso”, Editora LP&M Pocket - Porto Alegre (RS), 2006, pág. 59, seleção de Sergio Faraco. Fonte Releituras

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    02/07/2009 - 18:44h As 184 colagens secretas de Max Ernst

    Em 1933, Marx Ernst passa três semanas na Itália, durante as quais fará 184 colagens a partir de gravuras em madeira de livros ilustrados populares, jornais de ciências naturais e catálogos de venda do século XIX.

    Essas obras só foram expostas uma vez, em 1936 em Madrí, e agora pela primeira vez, em uma exposição em Paris.

    Surpreendente legado de uma das figuras centrais do dadaísmo e do surrealismo. Fonte Rue 89.

    ► Max Ernst : une semaine de bonté au Musée d’Orsay, 1, rue de la Légion-d’honneur Paris VIIe - du mar. au dim., de 9h30 à 18h - 5,50€/8€ - jusqu’au 13 septembre.

    En 1933, Max Ernst part en Italie pour trois semaines, au cours desquelles il réalisera 184 collages à partir de gravures sur bois issues de romans populaires illustrés, de journaux de sciences naturelles et même de catalogues de vente publiés au XIXe siècle.

    Ces collages vont composer le roman « Une semaine de bonté », publié à Paris en 1934 et dont les thèmes des catastrophes, de la violence et du pouvoir se mélangent à des allégories mythologiques, des contes de fées, des légendes et des rêves.

    Ils sont considérés comme l’un des secrets les mieux gardés de l’art du XXe siècle. Jusqu’à présent, ils n’ont été exposés qu’une fois, en 1936 à Madrid. C’est donc l’occasion d’apprécier cette œuvre fascinante de Max Ernst, figure incontournable du dadaïsme et du mouvement surréaliste, artiste majeur du XXe siècle.

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    02/07/2009 - 12:32h Marta em São Bernardo

    http://www.abcdmaior.com.br/imagens/upload/noticias/14339.jpgMarta leva apoio a Marinho e prossegue esforço pro-Dilma no Estado.

    O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, enfrenta uma oposição virulenta na câmara municipal– PSB, PMDB e PSDB são alinhados, em São Bernardo, à pré-candidatura de José Serra (PSDB) — mas isso não abala a confiança de Marta no bom desempenho do prefeito. “A população, em determinado momento, vai confrontar os vereadores e eles vão ter que pensar que estão lá para fazer oposição, porque é uma oposição necessária, mas que têm de deixar o prefeito governar. Tem de haver consenso, não prejuízo para a população”, pondera.

    “O ABCD é uma região muito importante para o desenvolvimento do Estado de São Paulo. São sempre cidades importantes de se visitar. E aqui tenho um colega de ministério, que esteve no governo federal comigo”, afirmou sobre a vinda a São Bernardo. A visita faz parte do périplo começado por Marta que na semana retrasada esteve em Mauá, também administrada pelo PT. Junto com sua participação nas Caravanas organizadas no interior pelo partido, elas visam na visão da Marta a alavancar o nome da Dilma em 2010.

    Segundo as informações do jornal ADCD Maior que reproduz as informações acima, Marta também defende, como Lula, o nome de Palocci para disputar o governo de Estado e ainda não definiu qual cargo disputará nas próximas eleições. Para ela o ex-ministro da fazenda ” É uma pessoa com uma grande visão de desenvolvimento aliado à questão social”.

    LF com noticias do ABCD Maior

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    02/07/2009 - 11:33h O método é o homem

    http://psolpinheiros.files.wordpress.com/2009/04/kassab.jpg

    Kassab é um bom inaugurador de ideias, as quais ocupam generoso espaço na mídia. Algumas das ideias, Kassab as inaugura várias vezes, ao ponto que alguns já chegaram a noticiar realidades inexistentes, basados exclusivamente na força das ideias inauguradas por Kassab.

    O exemplo da Cracolândia ilustra bem o método, pois mesmo que cinco anos após a inauguração da ideia da Nova Luz a escuridão continuar a mesma, Kassab passa a ideia de estar executando um projeto urbanístico renovador, e a coisa não andou quase nada.

    Enquanto isto, no mundo real da moradia, transporte, saúde, educação e trânsito, a prefeitura de Kassab é de uma mediocridade surpreendente.

    Voltemos ao exemplo da questão das vagas em creches, já abordado ontem, e que voltou ao noticiário do jornal AGORA (o único a tratar hoje do assunto).

    O ponto de partida é o conflito entre as necessidades das mães de deixar as crianças na creches e a falta de vagas na cidade. A resposta de Kassab foi o da promessa demagógica de acabar com a falta de vagas. Sendo completamente fantasiosa e perante a incredulidade da mídia, Kassab insistiu na sua promessa.

    Poderia se esperar que todo o esforço do prefeito estaria voltado para construir mais e mais creches, ampliar a rede das conveniadas e mesmo sem poder atingir a sua promessa irrealista, dar grandes passos na via de melhorar a situação.

    Mas é o contrário o que acontece. Enquanto as obras e os investimentos estão parados, os esforços de Kassab são os de encontrar o jeito de manipular os dados para vender a ideia de resultados.

    Fez uma nova lista recadastrando as solicitudes de vagas e eliminando uma boa parte da demanda. Depois retirou mais de 40 mil crianças de 3 anos das creches e as passou para as Emeis (leia o editorial do jornal AGORA, reproduzido embaixo).

    Mesmo assim, a demanda aumentou (ver artigo após o editorial do AGORA). A situação piora e o Ministério Público intervém para que Kassab não provoque, com suas manipulações grosseiras, danos irreparáveis na formação das crianças e para que amplie realmente as vagas ofertas em creches.

    O método de Kassab não é novidade, a direita populista usou e abusou desse estilo, aproveitando o conservadorismo do eleitorado de São Paulo.

    Dos mesmos que engoliram Maluf e Pitta, os que elegeram o caçador de marajás em 89, que votaram a contra-mão do Brasil em 2006 e que estão entre os que recebem o maior volume de informações da mídia.

    “Me engana, que eu gosto” parece ser o lema e pouco importa a realidade dos que mais precisam do poder público. Enquanto esse conservadorismo continuar a influenciar a ampla maioria dos eleitores de São Paulo, o “método” de Kassab continuará a reinar entre nós.

    Sem as creches. LF

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    02/07/2009 - 10:54h Apesar da manipulação de Kassab, cresce a demanda por creche na cidade

    http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/images/137/137/36/1072778.us_kassab_criancas_eleicoes_2008_300_400.jpg

    EDITORIAL DO JORNAL AGORA

    Todo mundo na pré-escola

    A matrícula de crianças de três anos na pré-escola fez a Promotoria da capital mandar a prefeitura preparar um estudo sobre a situação. Dentro de um mês, o material tem que estar pronto. Outro estudo, da USP, foi levado em maio à Promotoria e defende a matrícula das crianças de três anos em creches. Há 48 mil dessas crianças na pré-escola –elas farão quatro anos, segundo a prefeitura, ainda neste ano. Normalmente, está no pré quem tem entre quatro e cinco anos de idade.

    A principal diferença entre as duas etapas é o limite de crianças por sala. Enquanto no pré pode haver até 35 alunos, nas creches, o máximo são 18. Quem é contra o ingresso das crianças de três diz que essa é uma manobra para reduzir a demanda por educação infantil. A fila para vaga em creche hoje tem 84 mil crianças.

    Até 2007, o município determinava que crianças de três anos tinham de ser matriculadas em creches. No ano passado, reduziu para dois, e hoje não há definição.

    A barbeiragem, que pega uma brecha da principal lei da educação, prejudica também as mães, já que nas creches as crianças podem ficar por até dez horas, enquanto a carga horária da pré-escola é de quatro a seis horas/dia.

    Ainda que a prefeitura mude as regras para tentar se manter dentro delas, deve saber que está mexendo no problema errado. Seria melhor se concentrar em melhorar e ampliar as creches municipais. É um dos problemas mais graves da gestão de Gilberto Kassab (DEM) e não pode ser resolvido só na base da canetada.

    http://2.bp.blogspot.com/_Gr7LLVN1qC0/SbEFh8lP84I/AAAAAAAAAUQ/Svf6vgGmqMU/s320/chargecreches.jpg

    Cresce em 17 mil a demanda por creche

    Gilberto Yoshinaga do Agora

    A fila de espera por uma vaga nas creches de São Paulo ganhou 17.188 novos nomes em apenas três meses, segundo balanço divulgado ontem pela Secretaria Municipal da Educação. No último levantamento, em março, havia 67.619 pessoas na fila de espera. Hoje, segundo a prefeitura, são 84.807 crianças fora das creches. O aumento, de mais de 25%, segue em direção contrária à promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que pretende zerar esse número até 2012.

    Dos 96 distritos da cidade, conforme divisão feita pelo relatório da prefeitura, a fila de espera só diminuiu em cinco: Água Rasa, Limão, Pinheiros, República e Vila Leopoldina. Em todas as outras localidades da cidade, a procura por vagas em creches municipais aumentou.

    A maior demanda está no Grajaú (zona sul de SP), onde 4.945 crianças estão na fila. No ranking das regiões mais preocupantes, também estão outros dois bairros na zona sul. No Jardim Ângela, há 3.678 bebês na fila de espera e, no Jardim São Luís, 3.622.

    Mas o verdadeiro número de mães que aguardam uma vaga para colocarem seus filhos em creches é ainda maior. Segundo a prefeitura, outras 3.883 crianças que estão na lista de demanda preferencial –pessoas que conseguiram a vaga em uma creche, mas solicitaram a transferência para outra unidade e estão sem atendimento.

    A prefeitura não explicou por que a fila de espera aumentou. Em nota, a Educação compara o número atual ao registrado em junho do ano passado, quando a demanda era de 110 mil. A pasta fala apenas em “permanente redução da demanda”, sem citar os dados atuais.

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    02/07/2009 - 10:00h Pesquisa mostra renda maior em todas as classes sociais

    Vanessa Dezem, Valor Online, de São Paulo

    A renda dos consumidores brasileiros cresceu na passagem de 2007 a 2008. Segundo a pesquisa Observador Brasil, divulgada ontem pela financeira francesa Cetelem - controlada pelo BNP Paribas - e o pelo Instituto Ipsos, a renda familiar média do brasileiro em geral cresceu 11%, ao passar de R$ 1.047 para R$ 1.162 no ano passado.

    Houve aumento em todas as classes sociais, sendo que o maior avanço, de 16,5%, ocorreu nas classes A e B, em que a renda média atingiu R$ 2.586 em 2008. Na classe C, o aumento da renda foi de 13%, para R$ 1.201, enquanto nas classes D e E houve incremento de 12% na comparação anual, para R$ 650.

    Todas as classes também apresentaram elevação na renda disponível para consumo, aquela que não envolve os gastos correntes das famílias. A melhor notícia veio das classes D e E, cuja renda disponível passou de R$ 22 em 2007 para R$ 69 em 2008. Quatro anos atrás, as contas dessa classe social fechavam no vermelho. “As famílias ficavam devendo todo mês. Hoje, a situação mudou e foi uma mudança em alta velocidade”, afirma Marc Campi, presidente da Cetelem, relembrando os dados de 2005 - primeiro levantamento realizado pela instituição - quando a renda disponível das classes D e E era de R$ 17 negativos.

    O aumento de renda livre para consumo da classe C, que abrange a maioria dos brasileiros, também chama atenção. Em 2005, era de apenas R$ 122, tendo subido para R$ 147 em 2007 e saltado para R$ 212 no ano passado. Nas classes A e B, a renda disponível aumentou de R$ 506 em 2007 para R$ 834 em 2008, sendo que, quando a pesquisa teve início, o valor era de R$ 632.

    Por outro lado, a pesquisa mostrou que a intenção de compra dos brasileiros nos itens avaliados sofreu uma redução em 2008. Em 10, dos 12 itens levantados, houve um menor percentual de pessoas que afirmou ter a intenção de consumo. “A cautela foi um pouco maior”, conclui Campi.

    Apesar dos efeitos negativos da crise no comportamento do consumidor, Campi prevê que o impacto social da retração econômica no Brasil será pequeno. “A repartição das classes deverá se manter”, diz o presidente da Cetelem.

    A pesquisa aponta para uma estabilidade da distribuição das classes por consumo em 2008. A classe C continua sendo a maior, representando 45% dos brasileiros, a A/B tem 15%, enquanto 40% dos consumidores do país pertencem às classes D e E. “A pirâmide social se manteve e isso mostra a consolidação da evolução, principalmente da classe C, ocorrida nos anos anteriores”, afirma Campi.

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    02/07/2009 - 09:39h Plantamos e está dando

    BCs preocupados. O nosso, não

    Alberto Tamer* - O Estado SP

    O mundo ainda não acredita que o pior já passou. Discute-se se as medidas anticíclicas até agora adotadas estão dando certo e se serão suficientes para conter a recessão. Os presidentes dos bancos centrais reunidos nesta semana em Genebra, na sede do BIS, estão entre preocupados e pessimistas. Pelo primeira vez em seus encontros periódicos se recusaram a fazer previsões para o crescimento econômico este ano.

    Alertam para o endividamento crescente e preocupante dos Estados, mas não apresentam solução a não ser recomendar que se apresse a reforma do sistema financeiro internacional antes que esse endividamento chegue ao limite. Só isso, o que é muito pouco ou quase nada. “Não podemos hipotecar o futuro”, afirma Jaime Caruana, diretor do BIS. Mas esse senhor se esquece de que, se não salvarmos o presente, estaremos perdendo o futuro. Não seria mais prudente endividar alguns anos da próxima geração para evitar que ela se enterre no atoleiro da recessão?

    O que se conclui do estratégico encontro dos presidentes dos bancos centrais é que eles simplesmente não sabem o que fazer para superar a recessão.

    MEIRELLES, O ÚNICO TRANQUILO

    Mas por que lembro tudo isso? Apenas para dizer que essa preocupação deles, no fundo, não é nossa. O Brasil já fez há meses o que eles recomendam agora. Quando houve sinais de preocupação com alguns bancos menores, o governo fez um mini-Proer e em algumas semanas normalizou tudo. Nosso sistema financeiro e bancário está supersaudável, o que não acontece nos EUA e na Europa. Não é que a difícil situação dos países desenvolvidos não nos preocupe, pois o crédito externo é importante. Mas o BC, o Tesouro e os bancos oficiais sanaram a falha, aumentando a liquidez do sistema e financiando as exportações. O crédito interno voltou, já representa 45% do PIB e continua a crescer, enquanto eles se retraem nos EUA e na Europa. O superávit comercial no semestre cresceu 23,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

    Em um ano, o superávit recuou 11,6%, mas por causa da forte desaceleração dos últimos dois trimestres do ápice da crise, em 2008. São resultados ainda mais significativos quando se sabe que o comércio exterior recua fortemente e todos os países desenvolvidos apresentam déficits crescentes.

    PIB? NEM SE FALA…

    É. Estão afundando. A economia dos países ricos que integram a OCDE vai recuar 4,1% neste ano. Na zona do euro, o PIB ficará em menos 4,8%. Só nos EUA há sinais de recuperação, mas mesmo assim o PIB deve ter uma retração de 2,8%. Para o Brasil, a organização estima retração de apenas 0,8%, mas um crescimento de 4,1% em 2010, que eu chama de vigoroso. Com exceção da China e da Índia, não prevê nenhum país crescendo tanto. A pobre Rússia amarga neste ano uma retração pavorosa de 7,9%, por causa da crise financeira e do preço do petróleo.

    O BC, sempre cauteloso, revisou na sexta-feira sua previsão para o PIB, 0,8 ponto menor que o 1,2% da estimativa anterior. Mesmo assim, crescimento e não retração, como ocorre nos países desenvolvidos.

    MAS TEM A DIVIDA INTERNA!

    Sei, sei, caro leitor. Ela está em 42,5% do PIB, perfeitamente administrável.A dívida externa é menor que as reservas. Quer saber qual é a relação dívida-PIB dos países ricos? Menciono apenas alguns. EUA, 80%. Ou seja, US$ 11,4 trilhões. Vem crescendo US$ 3,8 bilhões por dia desde setembro de 2007! Alemanha, 78%; Grã-Bretanha, 70%; Japão, 114%… e daí por diante.

    COLUNISTA EUFÓRICO…

    Sei, vocês estão rindo de mim, pois, afinal, andei alertando para o excesso de euforia pouco responsável e caí nela… Não, não caí não. A coluna alertou e continua alertando para o perigoso retorno da festa no mercado financeiro, como se nada tivesse acontecido.

    Não acredito também que a economia mundial vai se recuperar nos primeiros meses de 2010. Nem o FMI, nem o Banco Mundial, nem a OCDE. O que afirmo é que estamos melhor, que vamos crescer muito mais que os EUA e os países da Europa e do Leste Asiático, com exceção da China. E isso porque só nós e a China fizemos a lição de casa. Agimos antes de explodir a crise, investimos no mercado interno, não temos dívidas insuportáveis, nossas contas internas e externas estão em ordem e não temos problemas com o sistema financeiro, que ajustamos logo que surgiram problemas.

    Quem diz isso não é a coluna. Nem o BC, nem o Tesouro, nem o Mantega (talvez só o Lula…). São os indicadores econômicos da OCDE, do Banco Mundial, do FMI, da Unctad, da ONU. Otimistas irresponsáveis? Não. Um realista cauteloso com o futuro, que vê o País enfrentando até com galhardia uma crise na qual os outros afundam.

    Eu seria otimista se, como Cabral, dissesse que tudo nesta terra, plantando, dá. Mas não. Digo apenas que plantamos e está dando.

    *E-mail: at@attglobal.net.

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    02/07/2009 - 09:08h Excelente resultado

    celso_ming.jpg

    Celso Ming

    Em princípio, a crise financeira deveria concentrar um punhado de coisas ruins. Mas, desta vez, além de umas tantas coisas ruins, está produzindo um punhado de surpresas boas. Uma delas é o comportamento da balança comercial.

    As projeções feitas em dezembro e em janeiro apontavam para um despencamento do resultado do comércio exterior do Brasil ao longo deste ano. A pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central, por exemplo, mostrava que, nas quatro semanas de janeiro, as cerca de 100 instituições auscultadas apostaram num superávit comercial para todo o ano de apenas US$ 14 bilhões (queda de 43%). Pois, ontem, os números do Comércio Exterior apontavam quase isso já nos primeiros seis meses do ano: saldo positivo de US$ 13,9 bilhões. Ou seja, é provável que o resultado do ano inteiro fique acima dos US$ 30 bilhões, mais do que o dobro previsto no início do ano.

    São resultados impressionantes diante da grave prostração da economia mundial, período em que os países ricos, os principais importadores globais, enfrentam uma derrubada do PIB que deverá ficar entre 4,5% (na zona do euro) e 3% (nos Estados Unidos), conforme apontam as projeções do Banco Mundial.

    Em 12 meses (de julho de 2008 a junho de 2009), pior fase da turbulência, as exportações brasileiras caíram apenas 1,7%, enquanto as importações cresceram 0,4%.

    A principal contribuição para o desempenho do primeiro semestre está sendo dada pelo excelente comportamento da demanda (e também dos preços) das commodities agrícolas (veja o Confira). A participação dos produtos básicos no total exportado no primeiro semestre subiu de 35,3% (em 2008) para 42,0% (em 2009).

    As estatísticas da Secex mostram que nos primeiros seis meses do ano o Brasil reduziu suas exportações para todos os blocos econômicos, menos para a China, para onde cresceram 42,3%. Além disso, a China passou a ser o principal parceiro comercial do Brasil e levou no semestre 14,9% das exportações.

    Por irônico que possa parecer, verifica-se, mais uma vez, que o principal responsável pela baixa do dólar no câmbio interno é o exportador, que despeja no câmbio interno os dólares faturados lá fora, e não os aplicadores de curto prazo que estariam vindo para cá para especular com juros. E é justamente o exportador quem mais lamenta a valorização do real.

    As estatísticas de junho ajudaram a demonstrar de onde provém a pressão sobre o dólar no câmbio interno. O Banco Central passou a ter de comprar cerca de US$ 4 bilhões por mês em moeda estrangeira, apenas para neutralizar o impacto do resultado comercial sobre a cotação do dólar.

    Não dá para deixar passar em branco a forte queda das importações nos últimos seis meses. Elas foram 28,9% menores, o que reflete a queda da produção industrial e a baixa renovação dos estoques, que fica evidenciada pela redução de 32,4% na importação de matérias-primas.

    Outro dado negativo a registrar é a redução (no semestre) de 13,7% das importações de bens de capital (máquinas), o que demonstra a menor disposição de investir em aumento da capacidade produtiva.

    Confira

    Foi por aí - Aí está o retrato da alta das commodities a partir de maio, parte das explicações para o bom desempenho das exportações no primeiro semestre. Enquanto a China seguir importando, as exportações ajudarão a afugentar a crise.

    Postado por Luis Favre
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