30/09/2007 - 23:56h Cantares, Joan Manuel Serrat

30/09/2007 - 23:47h

Lynn L. Walters for The New York Times

Lincolnway Energy, a midsize distillery in Iowa, was once virtually alone in the region. Today, though, competing distilleries are operating and pouring even more ethanol onto the market.

By CLIFFORD KRAUSS

Published: September 30, 2007

NEVADA, Iowa, Sept. 24 — The ethanol boom of recent years — which spurred a frenzy of distillery construction, record corn prices, rising food prices and hopes of a new future for rural America — may be fading.

The  Biofuel Gold RushSlide Show

The Biofuel Gold Rush

A Glut of EthanolGraphic

A Glut of Ethanol

Only last year, farmers here spoke of a biofuel gold rush, and they rejoiced as prices for ethanol and the corn used to produce it set records.

But companies and farm cooperatives have built so many distilleries so quickly that the ethanol market is suddenly plagued by a glut, in part because the means to distribute it have not kept pace. The average national ethanol price on the spot market has plunged 30 percent since May, with the decline escalating sharply in the last few weeks.

“The end of the ethanol boom is possibly in sight and may already be here,” said Neil E. Harl, an economics professor emeritus at Iowa State University who lectures on ethanol and is a consultant for producers. “This is a dangerous time for people who are making investments.”

While generous government support is expected to keep the output of ethanol fuel growing, the poorly planned overexpansion of the industry raises questions about its ability to fulfill the hopes of President Bush and other policy makers to serve as a serious antidote to the nation’s heavy reliance on foreign oil.

And if the bust becomes worse, candidates for president could be put on the spot to pledge even more federal support for the industry, particularly here in Iowa, whose caucus in January is the first contest in the presidential nominating process. More…

30/09/2007 - 21:36h Primeira-dama lidera corrida eleitoral na Argentina

A atual primeira-dama, senadora e candidata à presidência da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, tem entre 39% e 47% das intenções de voto, segundo cinco pesquisas publicadas neste domingo, a menos de um mês das eleições.

Analistas concordam que a esposa do presidente da Argentina, Néstor Kirchner, ganhará o pleito de 28 de outubro sem a necessidade de segundo turno, apesar de a oposição insistir que essa possibilidade não será concretizada.

Em segundo lugar está a candidata da Coalizão Cívica, Elisa Carrió, que tem entre 11% e 14% das intenções de voto, de acordo com as cinco pesquisas divulgadas neste domingo pelos jornais “La Nación” e “Página/12″.

O instituto de opinião Hugo Haime dá a maior vantagem à primeira-dama: 47,2%, seguida por Carrió com 13%. O Poliarquia, por outro lado, dá a menor diferença entre as duas, com 39,8% para a senadora e 11,7% para a candidata da Coalizão.

A legislação argentina diz que o vencedor é aquele que chega aos 45%, ou aos 40% com 10 pontos percentuais de diferença sobre o segundo.

Fabian Perechodnik, um dos diretores de Poliarquia, assegurou que qualquer jeito neste cenário não há segundo turno, porque de 22,7% de eleitores indecisos, “pelo menos um terço deles pode acabar votando em Cristina Fernández, e assim ela pode chegar aos 50%.”

Segundo esta pesquisa, 44% dos que votarão na primeira-dama o fazem “porque Kirchner fez um bom governo.”

No terceiro lugar das pesquisas está o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, com entre 7% e 13 % dos votos, enquanto em quarto lugar está o peronista dissidente Alberto Rodríguez Saá, recentemente reeleito governador da província de San Luis.

Caso vença as eleições, a senadora Cristina Fernández se transformará na primeira mulher chefe de Estado da Argentina escolhida pelo voto direto.

30/09/2007 - 21:22h Anna Netrebko – Dvorak – Song To The Moon from Rusalka

30/09/2007 - 20:50h Raimundo Carrero e Zuenir Ventura: Jornalismo e literatura

Enviado por Miguel Conde, de Porto de Galinhas

“Jornalismo e literatura” é dessas temas recorrentes e inevitáveis em festas literárias e encontros do tipo. A conversa ontem entre Raimundo Carrero e Zuenir Ventura aqui na Fliporto foi interessante. Os dois tentaram distinguir jornalismo e literatura, e falar dos pontos de contato entre um e outro nos próprios trabalhos.

Ventura disse que jornalismo e literatura têm um longo casamento, “como qualquer outro, com altos e baixos”. A década de 1950, no Brasil, era um momento de alta proximidade, com resultados ruins, disse. Era a época das matérias cheias de literatices, onde a estrela, como escreveu Paulo Francis, era o repórter, não o assunto.

Ventura lembrou a reforma no texto jornalístico iniciada pelo “Diário Carioca”, e depois adotada em outros jornais, para tornar as reportagens tão objetivas quanto possível. No manuel de redação escrito por Carlos Lacerda para a “Tribuna da Imprensa”, lembrou, o uso de adjetivos e advérbios era proibido.

- Praticamente tínhamos que enviar um memorando se quiséssemos usar um adjetivo ou advérbio no texto – brincou.

Na década de 1970, continuou, elementos literários voltaram a ser introduzidos, com mais moderação, no texto jornalístico. Hoje, o uso desses recursos expressivos se nota principalmente nos livros de reportagem, acredita.

Carrero se admitiu dono de uma coleção enorme de recortes de notícias de jornal, que usa como pontos de partida para as histórias de seus livros.

- Do início ao fim, o jornal é um grande romance – disse.

Ele fez distinções: o jornalismo expõe, a literatura esconde; o jornalismo tenta ser preciso, a literatura é ambígua.

- O jornalismo trabalho com fatos verificáveis, a literatura com a invenção – acrescentou Ventura.

E depois, para mostrar que nem sempre é assim, concluiu:

- Às vezes me pergutam se eu acredito em tudo que é publicado nos jornais. Eu digo que claro que não. Afinal, eu sou jornalista.

30/09/2007 - 15:28h Pelados contra o shopping do Tasso Jereissati

Deu no site do Centro de Mídia Independente (endereço nos FAVORITOS):

“Dando continuidade a uma série de manifestações contra a construção de um estabelecimento comercial à beira do manguezal do Cocó, no dia 23 de Setembro, em Fortaleza, 6 manifestantes ficaram nus para protestar contra a construção da Torre do Iguatemi.

A nudez como forma de protesto foi organizada por membros da Frente Popular Ecológica, Bloco Verde e do Crítica Radical, na largada de uma maratona promovida pelo shopping com a cínica temática: “Iguatemi 25 anos preservando o meio ambiente”. As palavras de ordem não só dos pelados, como também dos manifestantes, logo foi repreendida pela ação dos seguranças. Resultado: faixas e megafones apreendidos, três dos seis ‘nudistas’ presos (dentre eles, um menor de idade), mas com a liberação na delegacia.

Atualmente a situação no entorno do mangue é grave: a obra segue em construção, existem três Ações Civis Públicas (do Ministério Público Federal e Estadual) contra a Torre, e não há sinal algum de revogação (exigência do movimento sócio-ambiental) da obra por parte da Prefeitura, cuja proposta é um referendo que perambula lentamente nos gabinetes e corredores da Câmara Municipal.

Fotos:: [Fortaleza-CE] Fotos da Corrida dos Peladões!

Video:: Video relato do ato dos pelados

por Tales Faria

30/09/2007 - 14:59h Ser homosexual en el país de Ahmadineyad

Gays iraníes relatan la dureza de vivir en un régimen que niega su existencia y que mantiene la pena de muerte para los ‘desviados’

ÁNGELES ESPINOSA - Teherán – El País

“Entonces, ¿yo no existo?”, exclama incrédulo M., un gay acomodado de Teherán ante la afirmación de que “en Irán no tenemos homosexuales” pronunciada por el presidente, Mahmud Ahmadineyad, en la Universidad de Columbia el pasado lunes. “Lo que debiera hacer es informarse antes de hablar para no meter la pata como con el Holocausto”, añade Taha, de los pocos gays iraníes que ha aceptado hablar con este diario. La discreción es la norma de supervivencia en un Estado cuyo código penal establece la pena de muerte para quien mantiene relaciones homosexuales. Algo que también ocurre en países aliados de EE UU como Pakistán, Arabia Saudí o Yemen.

“Ahmadineyad sólo tiene que darse una vuelta cualquier tarde-noche por el parque Daneshju para descubrir que en su país sí que hay homosexuales”, sugiere un estudiante universitario. El Daneshju es uno de los típicos lugares de encuentro gay de Teherán. Quizá el más democrático. A diferencia del centro comercial Jam-e Jam, donde el ambiente pijo hace que sus camisetas ceñidas y sus cejas arregladas pasen desapercibidas, en el parque confluyen chicos tanto del norte rico como del sur más modesto. A menos que alguno se muestre extremadamente cariñoso, la policía no suele intervenir.

Como en el caso de los heterosexuales, la República islámica considera inmoral cualquier muestra pública de afecto. De acuerdo con la moral que institucionalizó la revolución islámica de 1979, toda relación fuera del matrimonio heterosexual es ilícita y punible.

“En tanto que homosexuales no tenemos muchos problemas con las autoridades”, asegura Taha (nombre supuesto). Este joven de 21 años, que da clases en una academia en Arak, la populosa ciudad industrial en la que Irán está construyendo un reactor nuclear, se refiere a problemas distintos de los del resto de los iraníes.

“Incluso a veces es una ventaja”, bromea en referencia a que no tienen que justificar estar junto con su pareja como en el caso de los heterosexuales. También cuando celebran fiestas: “Como no hay mujeres, la policía no se mete tanto con nosotros, a no ser que sean multitudinarias”, admite. “Si nos reunimos más de 100 temen que se pueda difundir la enfermedad”.

Curiosamente, aunque esa relación se ha practicado tradicionalmente, en persa no ha existido una palabra para definir la homosexualidad hasta el siglo XX.

A Taha no le gusta el término hamjensbaz, que empleó su presidente. “Es despectivo”, dice en referencia al neologismo que literalmente significa “jugar con el mismo sexo”. Él se refiere a sí mismo como gerá, apócope de hamjensgerá (inclinación por el mismo sexo).

El desprecio es algo a lo que los homosexuales iraníes están acostumbrados. Desprecio, indiferencia, o mirar hacia otro lado como ha hecho Ahmadineyad. “Los iraníes son cerrados respecto a este tema. No se puede hablar libremente”, señala Taha. Ni siquiera con la familia más cercana.

“El 80% no lo acepta”, asegura este joven. “Yo tengo una familia educada, pero aún no se lo he dicho a mi padre porque incluso la minoría que llega a aceptarlo, lo considera un castigo. Creo que en dos o tres generaciones se habrá superado. De hecho, entre la gente de mi edad no hay problema”.

Por ahora, sin embargo, impera la idea de que la homosexualidad es una enfermedad. De hecho, previo certificado médico, quienes se declaran gays quedan exentos del servicio militar. “Es cierto que puedes librarte de la mili, pero ni yo ni la mayoría de mis amigos lo hemos hecho porque luego en la cartilla marca como causa el artículo 29 y todo el mundo sabe de qué se trata”, explica Taha. “Eso hace imposible encontrar empleo”.

De momento, Taha ha decidido vivir sin pareja. “Me gustaría llegar a ser diputado del Parlamento, pero quiero empezar desde la política local”, confía convencido de que sólo desde adentro se pueden cambiar las cosas. Ello le obliga a ser exquisitamente cuidadoso en su comportamiento. Debe evitar verse implicado en incidentes como el que la pasada primavera terminó con Farsad y Farnam, dos jóvenes que celebraban con un grupo de amigos su decisión de irse a vivir juntos, en comisaría.

La policía irrumpió en la fiesta y todos los asistentes terminaron bajo el látigo del verdugo. Su historia y las huellas de los 80 azotes por “relación impropia” que recibieron pueden verse en la página web de la Organización Gay Iraní (www.irqo.net), que tiene su sede en Estados Unidos. Hoy los dos amigos han salido de Irán a la espera de encontrar un país de acogida. Pero su calvario no fue muy distinto del que sufren los jóvenes heterosexuales cuando son descubiertos bailando o bebiendo alcohol en alguna fiesta privada.

Como en el caso de las ejecuciones a homosexuales que periódicamente denuncian las organizaciones internacionales de derechos humanos, resulta difícil probar que a Farsad y Farnam les azotaron por ser gays. “No ejecutan a homosexuales sino a violadores, y yo estoy de acuerdo”, defiende Taha.

“Hay que tomar con cierta distancia los informes de Amnistía Internacional y Human Rights Watch [sobre la homosexualidad en Irán]“, advierte un diplomático europeo que acaba de elaborar un escrito sobre el asunto para su Gobierno. La reciente actualización del documento de la UE sobre derechos humanos en Irán concluye que “no hay persecución de homosexuales, aunque sigue siendo un tabú social”, la ley prevé las máximas penas y el presidente ni siquiera acepta que existan.

Un delito difícil de probar

La homosexualidad no se castiga en Irán… si se autorreprime. “Es la práctica lo que se castiga”, explica un observador que ha estudiado la jurisprudencia al respecto. De acuerdo con las leyes iraníes, si no hay relación, no hay pena. Pero incluso cuando la hay, no es fácil probarlo. El Código Penal, basado en la sharia (ley islámica), exige que los implicados -adultos, en pleno uso de sus facultades y que hayan consentido en el acto- “confiesen cuatro veces ante el juez” o, en su defecto, exista el testimonio de “al menos cuatro hombres justos que lo hayan observado”.”Desde el advenimiento de la revolución islámica, no recuerdo ninguna ejecución de homosexuales debida sólo a un acto sexual consentido; ha habido ejecuciones, pero atribuidas a violaciones anales”, declaró el año pasado alguien tan poco sospechosa de connivencia con el régimen como la premio Nobel Shirín Ebadi. Tampoco desde entonces se han registrado ejecuciones de homosexuales.¿Y los dos jóvenes colgados de una grúa en el verano de 2005? Sus imágenes dieron la vuelta al mundo ante la movilización de las organizaciones internacionales de derechos humanos. Más allá de la repulsa que merezca la pena de muerte y de la gravedad añadida de que uno de ellos fuera menor cuando sucedieron los hechos que se le imputaron, Mahmud Asgari y Ayaz Marhoni fueron condenados por violar a un niño de 13 años.Un repaso a las ejecuciones de homosexuales denunciadas en los últimos años revela que en todos los casos los reos estaban acusados de otros delitos (violación, asesinato, narcotráfico).

30/09/2007 - 14:41h René Burri: "Che Guevara était comme un lion en cage"

Collage réalisé avec la photo de René Burri (Magnum/Gal. Esther Woerdehoff).

Evoquer le nom du Che devant le photographe René Burri déclenche une avalanche de souvenirs. Lors d’une rencontre à huis clos en 1963, le photographe suisse l’a immortalisé dans un portrait devenu une icône dans le monde entier, à retrouver dans une exposition à la galerie Esther Woerdehoff, à Paris. Entretien.

Comment avez-vous réalisé ce portrait du Che?

En 1963, j’avais tout juste 30 ans quand j’ai débarqué avec Laura Bergquist dans le bureau du Che, à La Havane. La journaliste américaine avait réussi l’impossible en décrochant une interview avec le grand révolutionnaire, trois mois après la crise des missiles.

La rédaction de Look avait reçu l’autorisation des autorités américaines pour réaliser l’interview. En catastrophe, l’agence Magnum avait dû dénicher un photographe, le soir de la Saint-Sylvestre, pour partir à Cuba. J’ai aussitôt quitté Zurich pour Prague, où j’ai pris un Iliouchine soviétique en provenance de Moscou pour La Havane.

Vous êtes arrivé à La Havane quelques jours avant le quatrième anniversaire de la révolution…

C’était le 2 janvier 1963. Le peuple, qui soutenait le nouveau régime, était fier de narguer les Américains. Surtout après l’épisode de la baie des Cochons en 1961, qui marqua la cuisante défaite des Etats-Unis.

La rencontre avec le Che s’est déroulée dans son bureau du ministère de l’Industrie. Un bâtiment au coeur de La Havane. J’ai revu l’endroit au début de cette année, en marge de mon exposition. Rien n’a bougé. Le mobilier est toujours le même, comme si on attendait le retour du Che. Les dossiers, les papiers éparpillés sur le bureau, une immense carte de la grande île des Caraïbes toujours accrochée au mur. Tout est resté figé. L’esprit du Che hante toujours la pièce.

Cela a réveillé en vous le souvenir précis de votre unique rencontre…

Il était en tenue de combat. Il paraissait très nerveux. Les stores de son bureau étaient fermés. Le Che était comme un lion en cage. Je me suis dit que ce révolutionnaire, qui avait parcouru toute l’Amérique latine en moto, était impatient dans son bureau dominant la place de la Révolution à La Havane.

J’ai vite remarqué qu’il n’aimait pas fixer l’objectif. Dans la pénombre, j’ai vidé mes huit bobines. Le Che, colérique, fumait son cigare. L’entretien avec la journaliste américaine a duré près de trois heures. La rencontre a très vite tourné à l’affrontement idéologique. Il a tenté d’expliquer à la reporter américaine les bénéfices de la révolution cubaine.

Pendant ce temps, je réalisais l’une de mes séries de portraits les plus remarquables mais aussi les plus intimes. Reste qu’il ne m’a pas offert de cigare.

Il parait que votre cliché fait un tabac au Mexique…

Effectivement, cette photo du Che est actuellement visible partout au Mexique, dans les métros, les rues, les bistros… Un musée de Mexico a choisi de la mettre à l’affiche pour promouvoir mon exposition “René Burri, Un monde.” C’est la meilleure façon de rendre hommage au Che, alors que nous célébrons l’anniversaire de sa mort.

C’est d’ailleurs à Mexico que le Che a rencontré pour la première fois Fidel Castro en 1955 et que le projet révolutionnaire a pris forme, avant d’être rejeté ailleurs par le Mexique. En décembre 1956, Castro débarque donc avec le Che à Cuba.

Aujourd’hui, que reste-t-il du Che à Mexico où à La Havane?

Il reste ce portrait avec le fameux cigare entre les lèvres. Une image qui n’a pas fait de moi un homme riche, loin de là. Les révolutionnaires, les altermondialistes et surtout les capitalistes se sont approprié cette image pour leurs affaires. Chacun selon sa propre logique. A Cuba, vous pouvez acheter des tee-shirts a l’effigie du Che. Et à Paris, la même image en poster géant.

La jeunesse du monde s’est appropriée la figure de cette légende. Dans les rues de La Havane, on ne voit que des posters du Che. Il y a le portrait du photographe Alberto Korda montrant le Che coiffé d’un béret. Il y a aussi le mien, le Che “hollywoodien” avec son cigare… Quarante ans après sa mort, ce révolutionnaire qui a été capturé et exécuté en 1967 en Bolivie fait toujours parler de lui.

René Burri (Michael von Graffenried).
Clamor, grito y amor, 1963-2007 exposition René Burri – galerie Esther Woerdehoff, 36, rue Falguière, Paris XVe – jusqu’au 20 octobre – du mar. au sam. de 14h à 18h – Rens.: 01-43-21-44-83 – plan

En partenariat avec:

30/09/2007 - 14:28h Is Hillary Clinton the New Old Al Gore?

The New York Times

THE Democrats can’t lose the White House in 2008, can they?

Some 13 months before Election Day, the race’s dynamic seems immutable. Americans can’t wait to evict the unpopular president and end his disastrous war. As the campaign’s poll-tested phrasemaking constantly reminds us, voters crave change above all else. That means nearly any Democrat might do, even if the nominee isn’t the first woman, black or Hispanic to lead a major party’s ticket.

The Republican field of aging white guys, meanwhile, gets flakier by the day. The front-runner has taken to cooing to his third wife over a cellphone in the middle of campaign speeches. His hottest challenger, the new “new Reagan,” may have learned his lines for “Law & Order,” but clearly needs cue cards on the stump. In Florida, even the most rudimentary details of red-hot local issues (drilling in the Everglades, Terri Schiavo) eluded him. The party’s fund-raising is anemic. Its snubs of Hispanic and African-American voters kissed off essential swing states in the Sun Belt and moderate swing voters farther north.

So nothing can go wrong for the Democrats. Can it?

Of course it can, and not just because of the party’s perennial penchant for cutting off its nose to spite its face. (Witness the Democratic National Committee’s zeal in shutting down primary campaigning in Florida because the state moved up the primary’s date.) The biggest indicator of potential trouble ahead is that the already-codified Beltway narrative for the race so favors the Democrats. Given the track record of Washington’s conventional wisdom, that’s not good news. These are the same political pros who predicted that scandal would force an early end to the Clinton presidency and that “Mission Accomplished” augured victory in Iraq and long-lasting Republican rule.

The Beltway’s narrative has it not only that the Democrats are shoo-ins, but also that the likely standard-bearer, Hillary Clinton, is running what Zagat shorthand might describe as a “flawless campaign” that is “tightly disciplined” and “doesn’t make mistakes.” This scenario was made official last weekend, when Senator Clinton appeared on all five major Sunday morning talk shows — a publicity coup, as it unfortunately happens, that is known as a “full Ginsburg” because it was first achieved by William Ginsburg, Monica Lewinsky’s lawyer, in 1998.

Mrs. Clinton was in complete control. Forsaking TV studios for a perfectly lighted set at her home in Chappaqua, she came off like a sitting head of state. The punditocracy raved. We are repeatedly told that with Barack Obama still trailing by double digits in most polls, the only way Mrs. Clinton could lose her tight hold on the nomination and, presumably, the White House would be if she were bruised in Iowa (where both John Edwards and Senator Obama remain competitive) or derailed by unforeseeable events like a scandal or a domestic terror attack.

If you buy into the Washington logic that a flawless campaign is one that doesn’t make gaffes, never goes off-message and never makes news, then this analysis makes sense. The Clinton machine runs as smoothly and efficiently as a Rolls. And like a fine car, it is just as likely to lull its driver into complacent coasting and its passengers to sleep. What I saw on television last Sunday was the incipient second coming of the can’t-miss 2000 campaign of Al Gore.

That Mr. Gore, some may recall, was not the firebrand who emerged from defeat, speaking up early against the Iraq war and leading the international charge on global warming. It was instead the cautious Gore whose public persona changed from debate to debate and whose answers were often long-winded and equivocal (even about the Kansas Board of Education’s decision to ban the teaching of evolution). Incredibly, he minimized both his environmental passions and his own administration’s achievements throughout the campaign.

He, too, had initially been deemed a winner, the potential recipient of a landslide rather than a narrow popular-vote majority. The signs were nearly as good for Democrats then as they are now. The impeachment crusade had backfired on the Republicans in the 1998 midterms; the economy was booming; Mr. Gore’s opponent was seen as a lightweight who couldn’t match him in articulateness or his mastery of policy, let alone his eight years of Clinton White House experience.

Mrs. Clinton wouldn’t repeat Mr. Gore’s foolhardy mistake of running away from her popular husband and his record, even if she could. But almost every answer she gave last Sunday was a rambling and often tedious Gore-like filibuster. Like the former vice president, she often came across as a pontificator and an automaton — in contrast to the personable and humorous person she is known to be off-camera. And she seemed especially evasive when dealing with questions requiring human reflection instead of wonkery.

Reiterating that Mrs. Clinton had more firsthand White House experience than any other candidate, George Stephanopoulous asked her to name “something that you don’t know that only a president can know.” That’s hardly a tough or trick question, but rather than concede she isn’t all-knowing or depart from her script, the senator deflected it with another mini-speech.

Then there was that laugh. The Clinton campaign’s method for heeding the perennial complaints that its candidate comes across as too calculating and controlled is to periodically toss in a smidgen of what it deems personality. But these touches of intimacy seem even more calculating: the “Let’s chat” campaign rollout, the ostensibly freewheeling but tightly controlled Web “conversations,” the supposed vox populi referendum to choose a campaign song (which yielded a plain-vanilla Celine Dion clunker).

Now Mrs. Clinton is erupting in a laugh with all the spontaneity of an alarm clock buzzer. Mocking this tic last week, “The Daily Show” imagined a robotic voice inside the candidate’s head saying, “Humorous remark detected — prepare for laughter display.” However sincere, this humanizing touch seems as clumsily stage-managed as the Gores’ dramatic convention kiss.

None of this would matter if the only issue were Mrs. Clinton’s ability as a performer. Not every president can be Reagan or J.F.K. or, for that matter, Bill Clinton. But in her case, as in Mr. Gore’s in 2000, the performance too often dovetails with the biggest question about her as a leader: Is she so eager to be all things to all people, so reluctant to offend anyone, that we never will learn what she really thinks or how she will really act as president?

So far her post-first-lady record suggests a follower rather than a leader. She still can’t offer a credible explanation of why she gave President Bush the authority to go to war in Iraq (or why she voted against the Levin amendment that would have put on some diplomatic brakes). That’s because her votes had more to do with hedging her political bets than with principle. Nor has she explained why it took her two years of the war going south to start speaking up against it. She was similarly tardy with her new health care plan, waiting to see what heat Mr. Edwards and Senator Obama took with theirs. She has lagged behind the Democratic curve on issues ranging from the profound (calling for an unequivocal ban on torture) to the trivial (formulating a response to the MoveOn.org Petraeus ad).

As was proved again in Wednesday night’s debate, her opponents have not yet figured out how to seriously challenge her. Now the story line of her inevitable triumph is gathering force. At the same time, her campaign works relentlessly to shut down legitimate journalistic vetting of her record. In the latest example, Politico.com reported last week on the murky backstage machinations by the Clinton camp before the magazine GQ killed an article by Joshua Green, whose 2006 Atlantic Monthly profile judged Mrs. Clinton a practitioner of “systematic caution” with “no big ideas.” The donors’ list and first lady archives at the Clinton presidential library remain far from transparent.

Senator Clinton may well be the Democrats’ most accomplished would-be president. But we won’t know for certain until she’s tested by events she can’t control. Had Bill Bradley roughed up Mr. Gore in 2000, it might have jolted him into running a smarter race against George W. Bush.

In this context it’s worth noting that Mr. Bush’s desperate lame-duck campaign to brand himself as a reincarnation of Harry Truman is not 100 percent ludicrous. A tiny part of the analogy could yet pan out. In 1948, Washington’s commentators and pollsters were convinced that Americans, tired of 15 years of Democratic rule, would vote in a Republican. Like today’s G.O.P., the Democrats back then were saddled with both an unloved incumbent president and open divisions in the party’s ranks on both its left and right flanks. Surely, the thinking went, the beleaguered Democrats couldn’t possibly vanquish a presidential candidate from New York known for his experience, competence, uncontroversial stands and above-the-fray demeanor.

You don’t want to push historical analogies too far, but it’s hard not to add that the campaign slogan of that sure winner, Thomas Dewey, had a certain 2008 ring to it: “It’s time for a change.”

30/09/2007 - 12:46h USA: “O momento favorece os progressistas", diz analista Todd Gitlin

Image: Democratic presidential hopefuls

Bill Sikes / AP

Democratic presidential hopefuls from left, Sen. Joseph Biden, D-Del., Sen. Christopher Dodd, D-Conn., New Mexico Gov. Bill Richardson, Sen. Barack Obama, D-Ill., former Sen. John Edwards, D-N.C., Rep. Dennis Kucinich, D-Ohio, Sen. Hillary Rodham Clinton, D-N.Y., former Sen. Mike Gravel, D-Alaska arrive on stage for a debate at Dartmouth College on Wednesday.


Na longa campanha, candidatos à presidência dos EUA confundem o eleitorado, diz analista

Pedro Doria

O Estado de São Paulo

Na quinta-feira, os políticos que concorrem à candidatura presidencial pelo Partido Republicano se encontraram para um debate. Nem todos foram. Na quarta, foi a vez de os democratas se reunirem. Numa campanha tão longa – serão 18 meses no total – os debates parecem que nunca param. “Os candidatos falam, falam e dão a impressão de que nada dizem”, comenta o analista de mídia Todd Gitlin. Confundem o eleitor, que acaba fazendo uma opção mais pela forma do que pelos fatos.

Para o especialista, a má impressão é em parte responsabilidade da imprensa – para ele, “superficial, sensacionalista e mais preocupada com embates que produzam espetáculo” do que com conflitos entre idéias. Ainda assim, com o governo de George W. Bush desgastado, o escolhido pelos democratas deve vencer. “Há uma geração que os republicanos estão focados no objetivo de chegar ao poder”, diz Gitlin. Tiveram à disposição o dinheiro das grandes corporações e a disciplina da direita religiosa. Mas a militância democrata, organizada pela internet, pode mudar o jogo.

O que não muda é a natureza dos EUA, sempre mais conservador que o resto do Ocidente. “Foi o primeiro país moderno a fazer sua Revolução”, explica o professor. “O movimento conservador não quer que aquelas conquistas desapareçam.” A seguir, os principais pontos de sua entrevista para o Aliás.

OS CANDIDATOS

“Se você me perguntar o que cada candidato diz, eu não saberia.Estão todos os dias, todas as horas, nas TVs, nas rádios, nos jornais. Falam, falam e não dizem nada. Minha esperança é que, se prestarmos muita atenção, se lermos as transcrições de tudo que dizem, talvez descubramos que aqui e ali estejam conversando como adultos a respeito de temas importantes como impostos, saúde, educação. Porque a quantidade de coisas que falam é tão grande que, talvez, no balanço, algo de importante tenha sido dito.

CAMPANHA PRESIDENCIAL

“Ainda assim, e insisto que é apenas talvez, esta que está começando se mostre ligeiramente melhor que as campanhas presidenciais recentes. Digo isso porque será uma campanha longa, são 18 meses entre o anúncio das candidaturas e a eleição, e os candidatos têm tido muitas oportunidades para se encontrar, o que facilita o confronto de idéias. Por outro lado, debates que reúnem cinco ou dez políticos não são debates. São sabatinas da imprensa feitas consecutivamente.

MÍDIA

“A cobertura da imprensa se nivela por baixo. É superficial, sensacionalista, fofoqueira. Os únicos confrontos políticos que interessam são aqueles que apelam de alguma forma ao espetáculo. Mas não quer dizer que esteja pior. A cobertura da eleição de 2000, esta sim foi realmente terrível. Havia tanta fumaça, tanta confusão, que ninguém se lembrou de ir atrás do passado dos candidatos. A distorção dos históricos pessoais de George W. Bush e Al Gore teve imensas repercussões, a começar pela habilidade de Bush de fazer-se vencedor do pleito. Comparado com aquilo, a imprensa vai muito bem. Mas ser melhor do que foi em 2000 não é vantagem.

VALORES

“Entre os americanos há uma crença enraizada de que os Estados Unidos sejam uma terra privilegiada, quase mítica, e suas instituições devem ser preservadas. No DNA cultural do povo está uma necessidade de afirmar e reafirmar sua religiosidade, que é atípica no Ocidente. Não quer dizer que americanos sejam mais ou menos religiosos que os outros, apenas consideram importante enfatizar sua fé. Os EUA foram o primeiro país moderno a fazer uma revolução com sucesso e o argumento dos conservadores é de que os ganhos daquela revolução devam ser preservados. Num país em que a maioria teve acesso à terra própria no início de sua história, no período colonial, valores como o direito à propriedade são profundamente arraigados. Mas, evidentemente, há valores que podem ser considerados antagônicos a este, como uma tradição incrivelmente igualitária.

REPUBLICANOS

“Eles são extremamente focados na conquista de poder. Têm uma incrível quantidade de dinheiro. Apesar de representarem um grupo pequeno de facções, conseguem atrair candidatos com imenso apelo público, homens carismáticos, capazes de capturar a imaginação da massa de americanos. Têm a disciplina da direita cristã e o dinheiro das grandes corporações. É por isto que o predomínio conservador já dura uma geração.

DEMOCRATAS

“O momento favorece os progressistas. O aparato do Partido Democrata está disciplinado graças ao presidente da legenda, Howard Dean. Há um sistema eficiente de mobilização dos militantes e de arrecadação de fundos via internet. Dean conseguiu fazer com que as facções que compõem o partido aprendessem que precisam cooperar, ao invés de disputar entre si. Eu diria que os democratas chegaram tarde à festa. Mas chegaram.

INTELECTUAIS

“Boa parte do sentimento anti-Bush vêm de intelectuais, mas eles não são organizados. Não há um movimento. Costumo brincar dizendo que enquanto a direita estava marchando sobre Washington, a esquerda marchava sobre o departamento de inglês das universidades…

JUVENTUDE

“Os anos 60 exacerbaram o ativismo estudantil, mas ele não se manteve. Os estudantes de hoje são muito dedicados às aulas e querem se formar, entre outros motivos porque o custo do ensino superior ficou alto. Naquela época, os jovens tinham valores diferentes dos de seus pais, queriam sair do establishment. Havia um rompimento geracional. Hoje, os jovens fazem parte do establishment e os riscos em viver fora do padrão são muito maiores. Não é mais possível viver uma vida de pobreza confortável, como era. E há uma mudança de foco. Os estudantes estão menos interessados em liderar uma revolução. São de certa forma menos presunçosos, menos ambiciosos.”

30/09/2007 - 11:53h Radar contra o preconceito

Time pioneiro brilhava na época em que o futebol feminino era proibido por lei

Gian Amato

Golaço do Brasil! Marta dá um drible espetacular, invade a área e marca, aos 31 do 2º

Os sinais de que o futebol feminino poderia ser um sucesso foram captados pelo Radar na década de 80. Antes de Marta & Cia. conquistarem a medalha de ouro no Pan sob os olhares do Maracanã lotado, o time tinha sido tetracampeão carioca em 1986 diante de mais de cem mil pessoas no estádio.
Criado nas areias de Copacabana, o Esporte Clube Radar era sucesso absoluto durante uma fase de amadorismo total.
Proibidas por lei de praticarem o futebol, as jogadoras viviam quase na clandestinidade de um esporte que penou para chegar até a disputa da final de hoje, contra a Alemanha.

Apesar de a primeira partida internacional oficial ter sido disputada no século 19, entre Inglaterra e Escócia, no Brasil havia um decreto-lei, de 1941, que proibia “práticas de desportos não compatíveis à natureza feminina”, como futebol e até futebol de mesa.

Em 1978, a Holanda organizou um campeonato nacional com 26 clubes e tinha uma seleção. No Brasil, o esporte ainda era coisa de homem. Mas, quando o Radar surgiu, em 1981, o país descobriu que as mulheres também batiam um bolão. O advogado da CBF na época, Athos Pimentel, reconheceu a prática, mas ressaltou ser “atividade espúria, sujeita a medidas disciplinares do Código Desportivo”.

O Conselho Nacional de Desportos (CND), que regulamentou o decreto-lei, vetava a realização de jogos em estádios oficiais e só desistiu da norma em 1983, quando o Radar já tinha feito uma excursão pela Espanha, em 1982, durante a Copa do Mundo masculina.

O radar do CND detectou os novos tempos muito tarde. O Radar da praia captava os sinais das mudanças e revelou para o Rio a primeira craque: Pelezinha. Nascida no Lins, Marilsa Martins da Silva era uma jovem negra que media 1,60m, mas jogava futebol de gente grande. Recebia dez cartas por dia — a maioria de meninas.

Na sexta-feira, a CBF anunciou a criação da Copa do Brasil para mulheres.

Mas, em 1983, o Radar conquistava a primeira Taça Brasil. O time ficou com o título ao vencer o Goiás por 5 a 0 no campo do Olaria, na Rua Bariri, no primeiro campeonato oficial. A seis minutos do fim, o juiz Jorge Emiliano, o Margarida, foi agredido por Andréia, jogadora do Goiás. Com os gestos espalhafatosos que pontuaram sua carreira, ele expulsou todo o time e a partida acabou em pancadaria. O árbitro negou que tivesse dado um soco em uma jogadora, mas foi surpreendido ao saber que a imagem fora registrada pela TV.

— A tecnologia moderna me mata — disse ele na época.

Até a metade dos anos 80, o Radar disputou 135 jogos e sofreu uma derrota. Era o favorito no Mundialito de Cabo Frio.

Goleou a Argentina por 9 a 0, porém ficou com o vice ao empatar com a Alemanha em 1 a 1, no Estádio Alair Correa, o Correão, construído especialmente para o campeonato e que hoje é a sede da Cabofriense.

O fim da década trouxe a decadência. Sem estrutura, o Radar foi desfazendo o time aos poucos. Em 1991, a Fifa organizou o primeiro Mundial, iniciando a era do profissionalismo. Os anos 90 foram marcados pelas embaixadinhas de Milene Domingues, no Corinthians, e pela beleza de Susana Werner, do Fluminense. Em 1996, o Vasco foi campeão estadual com cinco jogadoras da seleção das Olimpíadas de Atlanta: Pretinha, Marta, Fanta, Suzi e Meg. O São Paulo foi o primeiro campeão brasileiro (torneio que existiu de 1998 a 2001), com Kátia Cilene, Sissi e Formiga. Na mesma época, Pretinha despontava no Vasco, hexacampeão carioca (1995 a 2000).

Antes da ressurreição no novo milênio, o futebol feminino enfrentou preconceitos e promessas desfeitas. Foi preciso chegar à final de um Mundial para renovar as esperanças de apoio e investimento. Vencendo hoje ou não, tudo que as meninas desejam é continuar aparecendo no radar do esporte brasileiro.

30/09/2007 - 11:49h Música domina o cérebro humano, diz neurologista

O GLOBO ENTREVISTA
Oliver Sacks

De todos os animais, o homem é o único dotado de ritmo, capaz de responder à música com movimentos.
É também o único a apresentar um cérebro adaptado para compreender complexas estruturas musicais e ainda se emocionar com elas. Músicos apresentam alterações em regiões cerebrais jamais vistas em outros profissionais. Para o neurologista britânico Oliver Sacks, a musicalidade é tão primordial à espécie quanto a linguagem e entender a relação entre música e cérebro é crucial para a compreensão do homem.

Em seu mais novo livro, “Alucinações musicais” (Editora Companhia das Letras), o especialista relata casos de pessoas que reagem à música de formas incomuns. Há os que simplesmente não conseguem ouvi-la. E há os que a ouvem o tempo todo, mesmo quando nenhuma melodia está tocando.

Há gente que passou a ouvir os sons de forma diferente após ser submetido a uma cirurgia cerebral. E mesmo os que desenvolveram um incomum talento musical. Nesta entrevista, Sacks conta que há um vasto caminho ainda a percorrer para que se possa entender completamente esses fenômenos. Mas uma coisa, diz, é fato: “A música se apossou de muitas partes do cérebro humano.”

Roberta Jansen

O GLOBO: O senhor concorda com Charles Darwin quando ele diz que a música teve um papel importante na evolução? Especificamente na seleção sexual, como um atrativo a mais para o sexo oposto? OLIVER SACKS: Como o comportamento e as suscetibilidades não deixam registros fósseis, é difícil saber como nossos ancestrais se comportavam.
Mas estou inclinado a pensar que a música surgiu muito cedo na espécie humana, tão cedo quanto a linguagem. Linguagem e música são fontes de comunicação primordiais.

O senhor discorda, portanto, de Steven Pinker e de outros especialistas que sustentam que a música é um subproduto do aparato sensorial, prazerosa mas dispensável? SACKS: Sim, discordo de Pinker.Não vejo a música como algo acidental e trivial, como um subproduto da linguagem.A música está presente em todas as culturas e apresenta, nos seres humanos, aspectos únicos que não têm paralelo na linguagem. Falo do ritmo, do fato de respondermos à música com movimentos. Nenhum outro animal faz isso. É preciso ver o ritmo como algo primordial na evolução humana.Porque todos os seres humanos respondem a ele. A música une as pessoas. E há conexões específicas no cérebro para isso.

Unir as pessoas poderia ser uma vantagem evolutiva? SACKS: Não posso dizer que a musicalidade humana se desenvolveu para unir as pessoas.Mas algo surgiu, se mostrou vantajoso e houve a seleção dessa característica. É claro que a musicalidade é uma vantagem evolutiva. Nenhum outro animal dança com ritmo, mas qualquer criança o faz. Isso pode ter sido um fenômeno quando surgiu, todos esses pequenos seres dançando.

De que forma isso é marcado no cérebro humano? SACKS: Muitas partes do cérebro se desenvolvem com a percepção, o aprendizado e a imaginação do ritmo. De novo, nenhum outro animal tem a capacidade de ouvir e analisar sons complexos, com tons, semitons, ritmos, palavras.Essa habilidade é especificamente humana. Mesmo pessoas que sofrem de mal de Alzheimer ou tiveram um derrame respondem à música.Várias estruturas do cérebro se relacionam a isso.

De que forma? SACKS: A música se apossou de muitas partes do cérebro humano. É possível ver como o cérebro se modifica em resposta à música. Estudos com imagens do cérebro já comprovaram a ampliação de determinadas regiões no cérebro de músicos. Vendo imagens de cérebros, não dá para dizer quem é matemático ou escritor. Mas dá para dizer facilmente quem é músico quando essas estruturas ampliadas aparecem.

Há alguma parte do cérebro especialmente voltada para música? SACKS: Não há uma só parte do cérebro. A música está em todo mundo, por todo o cérebro, envolve várias partes desse órgão e não necessariamente as mesmas. Isso é que é o mais incrível.

Mas há também os que não respondem de forma alguma à música, não é? SACKS: Sim, há algumas pessoas que não percebem musica e ficam muito impressionados com os relatos. Há outros que não ouvem determinados tons ou semitons. Essas amusias ocorrem em razão de danos no cérebro. Parte da rede que está faltando.

E as alucinações musicais? Até que ponto elas poderiam ser interpretadas como um problema psicológico? SACKS: Quando uma pessoa tem alucinação musical (ouve música que ninguém mais está ouvindo), a primeira coisa que pensa é que ficou louco, que está ouvindo coisas. Mas é um processo completamente diferente de ouvir vozes como os esquizofrênicos. Eles recebem ordens, é bem diferente e as pessoas enfatizam isso. Alucinações musicais são bem comuns, são como velhas memórias que tocam na mente. Não é uma doença mental.

Por que a música muitas vezes provoca uma reação emocional? Como o cérebro é capaz de diferenciar uma melodia triste de uma alegre? SACKS: Um dos maiores poderes da música é controlar emoção, desenvolver, provocar respostas emocionais. Anatomicamente, podemos dizer que algumas regiões do cérebro afetadas pela música estão perto daquelas ligadas às emoções, envolvidas nas percepções dos cheiros que despertam memórias. Mas ainda não está claro como essas respostas emocionais ocorrem.
Não se sabe ainda o quanto depende da cultura.

29/09/2007 - 20:02h LA LEYENDA DEL CHE: INTRODUCCION AL MITO – REVISTA Ñ

La Pasión del Che Guevara


En esta edición se exploran las razones por las que la imagen del Che ha devenido simbólica y a la vez objeto de consumo. El proceso posiblemente comenzó antes de su muerte, con lo que ya tenían de mítico la revolución cubana y sus héroes. Pero el sacrificio convirtió al Che en emblema de desinterés, de férrea adhesión a los ideales, justamente en una sociedad donde ese desapego estoico y principista parece cada vez más un objeto de museo.



JORGE AULICINO jaulicino@clarin.com.
La conjunción de una derrota sublime, de un craso error táctico y estratégico, y de dos imágenes que se difundieron casi simultáneamente hicieron de Ernesto Guevara un símbolo de desinterés, coraje, absoluto desapego, incluso por el objetivo, y emblema de una victoria metafísica.La historia debe aún decir mucho sobre las razones que llevaron a Guevara y sus ideales al callejón sin salida de la Quebrada de Churo, en la selva de Ñancahuazú, en el sudeste boliviano. El modo incluso en que el Che cayó en manos del ejército boliviano, herido, andrajoso, con su arma rota, debería ser tan significativo como su cuerpo tendido sobre una angarilla colocada a su vez sobre dos piletones en el lavadero del hospital de Vallegrande.”No se preocupe, capitán, esto se acabó”, dice Gary Prado que le dijo Guevara al entregarse. Prado es hoy general y se mueve en silla de ruedas, baleado por la espalda por error cuando desalojaba, años después, un pozo petrolero tomado por comandos ultraderechistas. Ese “esto se acabó” no significó más que la confesión casi sarcástica de una impotencia que nunca fue explicada. No es la frase que Guevara pronuncia desde el terreno del mito, al que lo enviaron para siempre las dos ráfagas de fusil automático disparadas por el sargento Mario Terán, mientras estaba prisionero en una escuela del poblado de La Higuera. Las palabras que el mito pronuncia son: “Apunte bien y dispare. Va usted a matar a un hombre”. Terán se encargó de repetirlas. Ellas resuenan hoy de un modo extraño. Guevara parece estar diciendo: “Va usted a matar a un valiente”, pero también: “Va a matar a un hombre, no a su leyenda”.

¿Cómo se construyó ese mito ante el que no valían de nada ayer, y valen bien poco hoy, las protestas de equivocación, de pertinaz error, de profunda y quizá definitiva ceguera?

Hoy, los campesinos de esa región de Bolivia han hecho un santuario no del lugar en el que fue fusilado -la escuelita de La Higuera- sino del lavadero de Vallegrande, en el que fue exhibido su cadáver. El campesinado que entonces no se unió a él ni lo apoyó, en parte lo tiene como un santo. Ese es el resto de religiosidad verdadera que aún inspira el Che. El resto es un aluvión de imágenes de las que no es posible establecer el contenido ni el significado. Las llevan sobre sus remeras, sobre su piel o en las lunetas de sus automóviles miles de jóvenes que no habían nacido cuando el Che murió, que no son socialistas ni lo serán y que ignoran casi todo sobre el tipo de revolución que el Che quería.

El Che partió de Cuba en 1965. Es inocultable que había perdido allí varias batallas políticas y que no era demasiado apto para librarlas. En 1967, el año de su muerte, el editor marxista italiano Giangiacomo Feltrinelli, quien en 1972 murió víctima de una explosión mientras se supone intentaba sabotear una torre de alta tensión cerca de Milán, obtuvo regalada una foto de Alberto Korda, de 1960. El fotógrafo cubano la había tomado en un acto callejero cuando el Che se acercó a la baranda del palco para echar una mirada a la multitud. La descartó. Feltrinelli vio las posibilidades de esa imagen de una especie de ángel severo y visionario. En pocas semanas alumbraba el primer póster del Che. La imagen invadió pancartas y carteles. Meses después, el Che moría.

La construcción del héroe

Casi simultáneamente otra foto se sobrepuso: la que obtuvo el fotógrafo de UPI Freddy Alborta en la lavandería del hospital de Vallegrande, que lo haya querido o no recuerda a Cristo. Las fotos del Che que sacó Freddy Alborta; la pintura de Andrea Mantegna, La lamentación sobre Cristo Muerto, de 1490, y la pintura de Rembrandt, La lección de Anatomía del doctor Nicolás Tulp, de 1632, han dotado aquella muerte de una iconografía de martirio. Un cierto modo de vincular estas imágenes producidas por la pintura y la historia dieron pávulo a discusiones que se suceden desde que el escritor inglés John Berger relacionó el cuadro de Rembrandt con las fotografías de Vallegrande.

En realidad, los hechos, las casualidades, la pintura, la religión católica, parecen haberse complotado para que la imagen de Guevara saliera de la historia e ingresara en el terreno del mito, en el instante preciso en que murió. El ángel en 1960 y el mártir en 1967 son dos rostros para un mismo sacrificio, puesto que la foto de Korda da la vuelta al mundo impregnada ya del aire sacrificial de la foto de Alborta. Décadas después, ubicado por el realizador argentino Leandro Katz para su documental El día que me quieras (1997), el fotógrafo boliviano dijo: “Me conmovió la mirada de Guevara. Tenía la impresión de estar fotografiando a un Cristo, y en ese entorno me moví. No era simplemente un cadáver, era algo extraordinario”. Si Alborta sintió realmente que se movía en un “entorno” místico, entonces estaba instintivamente unido a la corriente pictográfica que desde el Renacimiento ha puesto un poder sobrenatural en las imágenes del Cristo y del cuerpo de Cristo.

Ni el comando militar boliviano ni Terán que no hirió la cara del Che ni el agente de la CIA Félix Rodríguez que le ordenó evitar la desfiguración del rostro pudieron prever cómo la cámara del fotógrafo cavaría en la oscuridad hasta encontrar un cuerpo humano abatido y una mirada sobrehumana, al punto de que se comparara la escena con la de un Cristo bajado de la cruz y con una obra de Rembrandt en la que luces y sombras unen la carne detestable y perecedera, el olor de morgue y hospital, con un hálito cósmico. Hay mucha poesía en eso, pero una poesía de la que se hicieron cargo y dieron por buena sucesivas generaciones. La lente fotográfica, el arte mecánico del siglo, produjo el efecto de todo gran arte, desde el principio hasta el final del mito del Che.

El resto parece literatura. Y lo que siguió, una reproducción al infinito de una silueta que no tiene ya contenido propagandístico, puesto que no queda qué propagandizar, ni político, sino meramente ideológico en términos de mistificación.

Que el Che se haya estrellado contra la pared de hierro de la realidad lo hizo inmortal. En su momento, no sólo no detuvo el guerrillerismo juvenil, sino que lo alentó. Hoy no sirve de nada decir que su incursión en Bolivia fue un fracaso, militar y político, un error de trágicas dimensiones para él y para el movimiento revolucionario. La cuestión por la que el Che moría no era importante. El estadounidense Peter Bourne en su biografía Fidel ha señalado la causa por la que, en tanto fracaso político, la muerte del Che es éticamente estimulante: “El Che, un revolucionario purista, romántico, creía que estar moralmente en lo correcto era, en última instancia, más importante que lograr la victoria”.

Hay ideas que la imagen del Che ya no conlleva. Ideas que por otra parte serían muy difíciles de entender para los jóvenes que portan esas imágenes. Son de un período de la historia cuyo discurso resulta incomprensible. En La vida en rojo (1997) el ensayista mexicano Jorge Castañeda anota: “Las ideas del Che, su vida, su obra, incluso su ejemplo, pertenecen a otra etapa de la historia moderna, y como tales, difícilmente recobrarán algún día su actualidad. Las principales tesis teóricas y políticas vinculadas al Che -la lucha armada, el foco guerrillero, la creación del hombre nuevo y la primacía de los estímulos morales, el internacionalismo combatiente y solidario- carecen virtualmente de vigencia. La revolución cubana -su mayor triunfo, su verdadero éxito- agoniza o sólo sobrevive gracias al rechazo de buena parte de la herencia ideológica de Guevara. Pero la nostalgia persiste”.

El “clima de época” está en toda esta historia que al correr de los años pareció desmesurada e imposible. Tenía el sello de la revolución cubana, que también en principio pareció imposible y que fue juzgada en todo el mundo de la izquierda como un suceso excepcional en el que habían concurrido una incorrecta información de los Estados Unidos, la congénita debilidad del ejército cubano, la bandera nacionalista de fuerte arraigo en la isla y un coraje fuera de lo común. Un golpe de dados.

29/09/2007 - 16:10h José Lezama Lima, Último viaje del peregrino inmóvil


El escritor cubano se hizo famoso en 1966 con Paradiso, una novela celebrada hasta por quienes estaban en sus antípodas estéticas. Esta evocación del final de su vida lo muestra como un coloso rabelesiano, cautivo del asma, la gula y el estilo gongorino de sus frases

Por Tomás Eloy Martínez
Para LA NACION Buenos Aires

A mediados de abril de 1968, cuando lo conocí en La Habana, no había escritor más parecido a la eternidad que José Lezama Lima. Julio Cortázar solía repetir “Lezama vaut le voyage “, la misma frase con que Drieu La Rochelle había anunciado el descubrimiento de Borges en 1932. Y Severo Sarduy, otro cubano tan luminoso entonces como postergado ahora, iniciaba a sus amigos de París en el culto del gran Lezama, recitándoles en los cafés de la rue Bonaparte fragmentos de “Telón lento para arias breves”, un poema inédito que circulaba en volantes mimeografiados.

Lo que había hecho famoso a Lezama, sin embargo, no eran sus poemas, barrocos e intrincados como los de Góngora, sino una novela monumental, Paradiso , cuya primera edición había sido retirada de las librerías habaneras por las alarmas que causaban las demasías homosexuales de su capítulo octavo. Fidel Castro en persona debió levantar la sanción para aplacar el coro internacional de protestas. Ya no quedaba un solo ejemplar cuando llegué para entrevistar al autor legendario después de un viaje de treinta horas desde Buenos Aires. José Bianco me había entregado ampollas de Dyspne-Inhal, de las que se valía el poeta para aplacar su asma incesante. Y Gabriel García Márquez, al que vi de paso en Barcelona, me advirtió que podía quedar enredado para siempre en las lianas de un lenguaje sin pies ni cabeza. Ese invierno, García Márquez había estado ayudando a Enrico Cicogna en la traducción al italiano de Paradiso y tuvo que abandonar la empresa cuando quedó varado en una frase que cambiaba de género y de número varias veces en el breve curso de diez líneas.

Lezama era tan imponente como su novela. En 1968 medía un metro noventa, pesaba 130 kilos y adolecía de un hambre perpetua, que nada saciaba. Dos días antes de mi partida, me citó a la hora del almuerzo en el Floridita, el célebre café frecuentado por Hemingway. Disfrutó, con un placer que nunca he vuelto a ver en nadie, de un menú que comenzaba con una sopa de brevas tibias, seguía con una pierna de cerdo trufada, puré de castañas, langostas con salsa de manteca negra, natilla con frutos del bosque, helados de chocomenta, más un misterioso café a la diabla del que solo Lezama conocía el secreto. Nunca supe de dónde salieron aquellos manjares en la Cuba racionada de aquel entonces, y el dueño nos advirtió desde el principio que la cuenta saldría cara. Fue así. Dejé en el Floridita todo el dinero que llevaba para el viaje y viví de prestado hasta que tomé el avión que me llevó de regreso a Buenos Aires, luego de una escala obligatoria en Madrid.

Virgilio Piñera, el gran cuentista cubano que era también amigo de Pepe Bianco, me dijo que el banquete de aquel mediodía no era una excepción en los hábitos desmesurados de Lezama. Se alimentaba con el mismo entusiasmo a la mañana y a la noche, sin contar el “desayuno tardío” con tortas de chocolate y pasteles de crema que tomaba a las cinco de la tarde. “En los últimos cinco años ha engordado”, contó Piñera. “Pero cuando los médicos le aconsejan que se cuide, se indigna. Nadie le ha dicho gordo en la cara. …l se considera un gourmet , para quien la calidad de las comidas es inseparable de la cantidad.”

Lezama Lima era famoso en el mundo entero pero seguía resistiéndose a salir de Cuba. Solo había estado fuera de la isla una vez, en 1951, cuando exploró durante una semana la bahía de Montego, en Jamaica. En 1968 vivía pendiente de una invitación italiana que no llegaba, soñaba con caminar por Saint-Germain en París y comer una morcilla con nueces en la Plaza Real de Madrid. Temía, sin embargo, que si se iba no lo dejarían volver. Imaginaba que poner un pie fuera del mar Caribe equivalía a la muerte para alguien que, como él, ocupaba tanto espacio. Sus vecinos de la calle Trocadero 162, donde había vivido durante más de treinta años -y seguiría viviendo hasta morir- lo llamaban el peregrino inmóvil . A Lezama le encantaba la metáfora porque, en verdad, viajaba con la imaginación a todas partes.

“Estar en un avión no es viajar”, me dijo. “Lo único que se puede hacer durante la travesía es caminar de proa a popa. El viaje verdadero es un paseo del deseoso. Goethe y Proust, hombres de inabarcable diversidad, no viajaron casi nunca. La imago fue su navío. Soy como ellos. No viajo. Por eso, resucito.”

Durante los tres días que pasé conversando con él no le oí una sola frase lisa y llana, de esas que impregnan el aire de las calles. Se quejaba, por ejemplo, de que a su edad no tenía derecho sino a un cuarto litro de leche al día. Para completar el litro debía apropiarse de la ración de su criada Baldomera. “Mi naturaleza humana se nutre de los inocentes que tienen ya un pie en el Hades”, me dijo. “En este país fogoso solo hay leche para los mayores de setenta y los menores de siete; cifras cabalísticas, enigmas deuteronómicos. Yo, como viejo de 58, salgo a roer la leche ajena, cual sierpe gongorina.” Así hablaba Lezama. Alargaba las vocales, enrulándolas: su acento era intraducible, gongoriiinooo . García Márquez tenía razón: le brotaban lianas de la garganta y, sin advertirlo, cualquiera se perdía en esa selva verbal.

La imaginación de Lezama empezaba en la puerta de su casa de la calle Trocadero. Dos columnas torneadas flanqueaban la entrada de hierro y vidrio. A un lado y otro, sendos balcones se inclinaban sobre la vereda. Detrás del zaguán, en armarios cuyas vitrinas atraían un polvo insistente, Lezama exhibía sus tesoros: figurillas japonesas, dracmas griegos, distracciones de anticuarios. A un guerrero de jade que no medía más de un palmo, el poeta le asignaba cinco siglos. “Fue una ofrenda desechada por el shogun Yoshimasa en las postrimerías de la guerra de Onin”, se enorgulleció. No le creí. Esa tarde, sin embargo, Virgilio Piñera confirmó que Lezama no exageraba: “Lo que te mostró no es de jade ni es tampoco un guerrero”, dijo. “Es una de esas figuras que se vendían antes en los mercados, en la época de Batista. Los datos que te dio Lezama son falsos pero tienen asidero en la historia. Entre 1467 y 1476 hubo una guerra civil en Kyoto, conocida como la guerra de Onin. El árbitro de los combatientes era un shogun , Ashikaga Yoshimasa.”

Resurrección y viaje

Lezama era católico, creía en la resurrección de la carne. Pero en La Habana oficialmente atea de 1968 no se atrevía a decirlo en alta voz. Fue bautizado la Navidad de 1910 con los nombres de José María Andrés Fernando, a los cinco días de nacer. Se casó a los 54 años con María Luisa Bautista en la iglesia del Espíritu Santo, rodeado de morados y de encajes episcopales. “Me uní a ella”, le escribió a su hermana Eloísa, exiliada en Miami, “por mandato de mamá, para enfrentarme a la soledad que me anegó después de su muerte”.

Cuando lo vi en La Habana de 1969 suponía que en el más allá los muertos navegaban por largos mares de dicha: una felicidad interminable por cada breve pena. La resurrección era completa en el paraíso, como quería san Pablo. “Resucitaremos”, me dijo Lezama, “con las vísceras, huesos y dientes perdidos en el camino”. El cuerpo, enunciado por él, parecía un recodo del infinito: los hueesos , las arteriaas , los oojos .

Tenía razón el poeta. No necesitaba viajar, porque su vida fue siempre un ida y vuelta de la madre, Rosa Lima y Rosado, a la que tributaba devoción, sumisión, paciencia. Doña Rosa había muerto en 1965, tres años antes de mi llegada a La Habana, pero parecía no haberse ido de la casa. El poeta hablaba de ella en tiempo presente y, de a ratos, la reprendía por vivir tan pendiente del padre. “Le repito que deje de esperarlo a la hora de la comida”, me dijo. “Pero no se equivoca cuando lo espera. Deja la silla libre para que él se siente y, cuando lo oímos llegar, conversamos con Padre como en los mitos pitagóricos. Siempre sentimos ella y yo el latido de su ausencia. Ahora los latidos son dos.”

El padre, José María Lezama y Rodda, coronel de artillería, murió de una gripe arrolladora en 1919, cuando el poeta tenía 9 años. Desde entonces, los hijos y la madre lo invocaron de las maneras más raras. “Una tarde -contó Lezama- mi madre nos puso a jugar a los yaquis, a mí, el varón único, y a mis dos hermanas.” Los yaquis es un juego infantil que consiste en levantar pequeñas crucetas del suelo al compás de una pelota, y en irlas desparramando sobre el piso. “Esa tarde, las crucetas formaron al caer un dibujo que era la cara de nuestro padre. ¿Ves, Joseíto?, me dijo mamá. Tu padre, el coronel está ordenando que cuentes la historia de la familia. Tú tienes que, tú vas a, tú debes. Así era ella, un nido de órdenes tiernas.” Las amarguras aparecen, disimuladas, en el poema de 1942 que Lezama tituló “Llamado del deseoso”: Deseoso es aquel que huye de su madre,/ Despedirse es cultivar un rocío para unirlo en la secularidad de la saliva./ La hondura del deseo no va por el secuestro del fruto./ Deseoso es dejar de ver a su madre . Lo que me dijo en 1968 tenía, en cambio, el acento de una elegía: “Ella es lo invisible que continúa trabajando sobre mí. Todo lo que hago le está dedicado. Su acento me acompaña en las noches cuando me duermo. Al despertar en las mañanas, oigo su voz de criolla fina que repite: Escribe, Joseíto, no dejes de escribir”.

Cumplió al pie de la letra todos los mandatos familiares. Se doctoró en Derecho Civil a fines de 1939, abrió un bufete en el que nunca trabajó, fundó revistas que se volverían mitológicas como Verbum (1937), Espuela de Plata (1939-41) y la ejemplar Orígenes (1944-57), que despertaría la admiración de Victoria Ocampo. De esos días le quedaron pocos rastros: un diploma amarillo de abogado en el fondo de la casa, ejemplares viejos de revistas que volaban por el patio “abrigándonos -como el poeta dijo- con su aroma a trigo fresco, a luz de tinta, a saludo de la mañana”.A mediados de abril de 1968, cuando lo conocí en La Habana, no había escritor más parecido a la eternidad que José Lezama Lima. Julio Cortázar solía repetir “Lezama vaut le voyage”, la misma frase con que Drieu La Rochelle había anunciado el descubrimiento de Borges en 1932. Y Severo Sarduy, otro cubano tan luminoso entonces como postergado ahora, iniciaba a sus amigos de París en el culto del gran Lezama, recitándoles en los cafés de la rue Bonaparte fragmentos de “Telón lento para arias breves”, un poema inédito que circulaba en volantes mimeografiados.

Lo que había hecho famoso a Lezama, sin embargo, no eran sus poemas, barrocos e intrincados como los de Góngora, sino una novela monumental, Paradiso, cuya primera edición había sido retirada de las librerías habaneras por las alarmas que causaban las demasías homosexuales de su capítulo octavo. Fidel Castro en persona debió levantar la sanción para aplacar el coro internacional de protestas. Ya no quedaba un solo ejemplar cuando llegué para entrevistar al autor legendario después de un viaje de treinta horas desde Buenos Aires. José Bianco me había entregado ampollas de Dyspne-Inhal, de las que se valía el poeta para aplacar su asma incesante. Y Gabriel García Márquez, al que vi de paso en Barcelona, me advirtió que podía quedar enredado para siempre en las lianas de un lenguaje sin pies ni cabeza. Ese invierno, García Márquez había estado ayudando a Enrico Cicogna en la traducción al italiano de Paradiso y tuvo que abandonar la empresa cuando quedó varado en una frase que cambiaba de género y de número varias veces en el breve curso de diez líneas.

Lezama era tan imponente como su novela. En 1968 medía un metro noventa, pesaba 130 kilos y adolecía de un hambre perpetua, que nada saciaba. Dos días antes de mi partida me citó a la hora del almuerzo en el Floridita, el célebre café frecuentado por Hemingway. Disfrutó, con un placer que nunca he vuelto a ver en nadie, de un menú que comenzaba con una sopa de brevas tibias, seguía con una pierna de cerdo trufada, puré de castañas, langostas con salsa de manteca negra, natilla con frutos del bosque, helados de chocomenta, más un misterioso café a la diabla del que sólo Lezama conocía el secreto. Nunca supe de dónde salieron aquellos manjares en la Cuba racionada de aquel entonces, y el dueño nos advirtió desde el principio que la cuenta saldría cara. Fue así. Dejé en el Floridita todo el dinero que llevaba para el viaje y viví de prestado hasta que tomé el avión que me llevó de regreso a Buenos Aires, luego de una escala obligatoria en Madrid.

Virgilio Piñera, el gran cuentista cubano que era también amigo de Pepe Bianco, me dijo que el banquete de aquel mediodía no era una excepción en los hábitos desmesurados de Lezama. Se alimentaba con el mismo entusiasmo a la mañana y a la noche, sin contar el “desayuno tardío” con tortas de chocolate y pasteles de crema que tomaba a las cinco de la tarde. “En los últimos cinco años ha engordado”, contó Piñera. “Pero cuando los médicos le aconsejan que se cuide, se indigna. Nadie le ha dicho gordo en la cara. …l se considera un gourmet, para quien la calidad de las comidas es inseparable de la cantidad”.

Lezama Lima era famoso en el mundo entero pero seguía resistiéndose a salir de Cuba. Sólo había estado fuera de la isla una vez, en 1951, cuando exploró durante una semana la bahía de Montego, en Jamaica. En 1968 vivía pendiente de una invitación italiana que no llegaba, soñaba con caminar por Saint-Germain en París y comer una morcilla con nueces en la Plaza Real de Madrid. Temía, sin embargo, que si se iba no lo dejarían volver. Imaginaba que poner un pie fuera del mar Caribe equivalía a la muerte para alguien que, como él, ocupaba tanto espacio. Sus vecinos de la calle Trocadero 162, donde había vivido durante más de treinta años -y seguiría viviendo hasta morir- lo llamaban el peregrino inmóvil. A Lezama le encantaba la metáfora porque, en verdad, viajaba con la imaginación a todas partes.

“Estar en un avión no es viajar”, me dijo. “Lo único que se puede hacer durante la travesía es caminar de proa a popa. El viaje verdadero es un paseo del deseoso. Goethe y Proust, hombres de inabarcable diversidad, no viajaron casi nunca. La imago fue su navío. Soy como ellos. No viajo. Por eso, resucito”.

Durante los tres días que pasé conversando con él no le oí una sola frase lisa y llana, de ésas que impregnan el aire de las calles. Se quejaba, por ejemplo, de que a su edad no tenía derecho sino a un cuarto litro de leche al día. Para completar el litro debía apropiarse de la ración de su criada Baldomera. “Mi naturaleza humana se nutre de los inocentes que tienen ya un pie en el Hades”, me dijo. “En este país fogoso sólo hay leche para los mayores de setenta y los menores de siete; cifras cabalísticas, enigmas deuteronómicos. Yo, como viejo de 58, salgo a roer la leche ajena, cual sierpe gongorina”. Así hablaba Lezama. Alargaba las vocales, enrulándolas: su acento era intraducible, gongoriiinooo. García Márquez tenía razón: le brotaban lianas de la garganta y, sin advertirlo, cualquiera se perdía en esa selva verbal.

La imaginación de Lezama empezaba en la puerta de su casa de la calle Trocadero. Dos columnas torneadas flanqueaban la entrada de hierro y vidrio. A un lado y otro, sendos balcones se inclinaban sobre la vereda. Detrás del zaguán, en armarios cuyas vitrinas atraían un polvo insistente, Lezama exhibía sus tesoros: figurillas japonesas, dracmas griegos, distracciones de anticuarios. A un guerrero de jade que no medía más de un palmo, el poeta le asignaba cinco siglos. “Fue una ofrenda desechada por el shogun Yoshimasa en las postrimerías de la guerra de Onin”, se enorgulleció. No le creí. Esa tarde, sin embargo, Virgilio Piñera confirmó que Lezama no exageraba: “Lo que te mostró no es de jade ni es tampoco un guerrero”, dijo. “Es una de esas figuras que se vendían antes en los mercados, en la época de Batista. Los datos que te dio Lezama son falsos pero tienen asidero en la historia. Entre 1467 y 1476 hubo una guerra civil en Kyoto, conocida como la guerra de Onin. El árbitro de los combatientes era un shogun, Ashikaga Yoshimasa”.

Resurrección y viaje

Lezama era católico, creía en la resurrección de la carne. Pero en La Habana oficialmente atea de 1968 no se atrevía a decirlo en alta voz. Fue bautizado la navidad de 1910 con los nombres de José María Andrés Fernando, a los cinco días de nacer. Se casó a los 54 años con María Luisa Bautista en la iglesia del Espíritu Santo, rodeado de morados y de encajes episcopales. “Me uní a ella”, le escribió a su hermana Eloísa, exiliada en Miami, “por mandato de mamá, para enfrentarme a la soledad que me anegó después de su muerte”.

Cuando lo vi en La Habana de 1969 suponía que en el más allá los muertos navegaban por largos mares de dicha: una felicidad interminable por cada breve pena. La resurrección era completa en el paraíso, como quería san Pablo. “Resucitaremos”, me dijo Lezama, “con las vísceras, huesos y dientes perdidos en el camino”. El cuerpo, enunciado por él, parecía un recodo del infinito: los hueesos, las arteriaas, los oojos.

Tenía razón el poeta. No necesitaba viajar, porque su vida fue siempre un ida y vuelta de la madre, Rosa Lima y Rosado, a la que tributaba devoción, sumisión, paciencia. Doña Rosa había muerto en 1965, tres años antes de mi llegada a La Habana, pero parecía no haberse ido de la casa. El poeta hablaba de ella en tiempo presente y, de a ratos, la reprendía por vivir tan pendiente del padre. “Le repito que deje de esperarlo a la hora de la comida”, me dijo. “Pero no se equivoca cuando lo espera. Deja la silla libre para que él se siente y, cuando lo oímos llegar, conversamos con Padre como en los mitos pitagóricos. Siempre sentimos ella y yo el latido de su ausencia. Ahora los latidos son dos”.

El padre, José María Lezama y Rodda, coronel de artillería, murió de una gripe arrolladora en 1919, cuando el poeta tenía 9 años. Desde entonces, los hijos y la madre lo invocaron de las maneras más raras. “Una tarde -contó Lezama- mi madre no puso a jugar a los yaquis, a mí, el varón único, y a mis dos hermanas”. Los yaquis es un juego infantil que consiste en levantar pequeñas crucetas del suelo al compás de una pelota, y en irlas desparramando sobre el piso. “Esa tarde, las crucetas formaron al caer un dibujo que era la cara de nuestro padre. ¿Ves, Joseíto?, me dijo mamá. Tu padre el coronel está ordenando que cuentes la historia de la familia. Tú tienes que, tú vas a, tú debes. Así era ella, un nido de órdenes tiernas”. Las amarguras aparecen, disimuladas, en el poema de 1942 que Lezama tituló “Llamado del deseoso”: Deseoso es aquel que huye de su madre,/ Despedirse es cultivar un rocío para unirlo en la secularidad de la saliva./ La hondura del deseo no va por el secuestro del fruto./ Deseoso es dejar de ver a su madre. Lo que me dijo en 1968 tenía, en cambio, el acento de una elegía: “Ella es lo invisible que continúa trabajando sobre mí. Todo lo que hago le está dedicado. Su acento me acompaña en las noches cuando me duermo. Al despertar en las mañanas, oigo su voz de criolla fina que repite: Escribe, Josesito, no dejes de escribir”.

Cumplió al pie de la letra todos los mandatos familiares. Se doctoró en Derecho Civil a fines de 1939, abrió un bufete en el que nunca trabajó, fundó revistas que se volverían mitológicas como Verbum (1937), Espuela de Plata (1939-41) y la ejemplar Orígenes (1944-57), que despertaría la admiración de Victoria Ocampo. De esos días le han quedado pocos rastros: un diploma amarillo de abogado en el fondo de la casa, ejemplares viejos de revistas que vuelan por el patio “abrigándonos -como el poeta dijo- con su aroma a trigo fresco, a luz de tinta, a saludo de la mañana”.

La publicación de Paradiso a fines de 1966 le cambió la vida. Lezama se consagró entonces a la tarea imposible de poner orden en el vértigo de lo que él llamaba su sistema poético y a la escritura de otra novela que no pudo terminar, Oppiano Licario, cuya primera versión se llamaba Inferno. En 1966 era uno de los seis vicepresidentes de la Unión de Artistas y Escritores de Cuba, uneac, y trabajaba -es un decir- como asesor del Centro de Investigaciones Literarias. Su primera novela fue editada por la uneac con una repercusión tan instantánea que casi en seguida fue reimpresa por Ediciones Era en México, por Alianza en Madrid y por De la Flor en Buenos Aires. Julio Cortázar la celebró con un extenso ensayo incluido en La vuelta al día en ochenta mundos, que circuló como una consigna de gloria en los agonizantes ´60s.

“Paradiso -escribió Cortázar- es una ceremonia, algo que preexiste a toda lectura con fines y modos literarios”. Y la incorporó al club de grandes novelas secretas, junto a El hombre sin atributos de Robert Musil y La muerte de Virgilio de Hermann Broch. Mario Vargas Llosa, que defendía un arte de narrar situado en las antípodas de Paradiso, no vaciló sin embargo en compararla con Finnegans Wake de Joyce, Bouvard y Pecuchet de Flaubert y, otra vez, con la obra magna de Musil.

La eternidad parecía asegurada y así lo vivía, incrédulo, el propio Lezama. “Creo -me dijo- que Paradiso permitirá valorar con más justicia mis olvidadas obras anteriores. Para un poeta que ya ha cumplido sus días y sus ejercicios, el centro del paraíso es la novela. Me siento como esos reyes egipcios que acaban de morir y cuya partida es explicada por los cortesanos con una frase luminosa: El faraón se ha hundido en la línea del horizonte”.

En la cueva de Polifemo

Quisiera regresar al mismo día de abril en la calle Trocadero, cuando lo conocí. La anciana Baldomera, en el patio, remienda un lienzo perfecto sin agujeros ni desgarros. María Luisa, la esposa, que hasta entonces nos ha seguido en silencio, me muestra el certificado de matrimonio religioso que la unió a Lezama en 1965, poco después de la muerte de Doña Rosa. Es una dama apacible, profesora jubilada de castellano, que parece bondadosa y dispuesta al sacrificio. Cuando se casaron, cuenta Lezama, visitaron la catedral, “cuyas curvas de piedra remedan el oleaje”, la calle del Obispo, el café La lluvia de oro y la estatua de Fernando VII, con la nariz tronchada y los ojos libidinosos.

“Luego -sigue el poeta- María Luisa afrontó las anfractuosidades de esta cama. Vengan a verla. Es Polifemo, caracol torcido”. No resistiéndose a la tentación de rimar otro endecasílabo, añade: “Caverna de murciélago aterido”.

Veo la cama: es cóncava, los elásticos fueron vencidos hace ya mucho por un cuerpo de huevo pascual. Cualquiera pensaría que quien caiga en ella podría no levantarse. Pero María Luisa es ágil, delgada, un junco de cincuenta años que nada pide, nada dice. Alrededor de la cama hay altas columnas de libros y daguerrotipos. Desde un marco de nácar, Eloísa, la abuela del poeta, sonríe con malevolencia, cofia bordada y barbilla enhiesta; desde otro, de madera, un coronel de kepís -el padre- vigila con severidad el buen orden de la casa. Las fotos de la madre sonríen en casi todos los rincones. “Mamá”, dice Lezama, “deja su luz en cada orilla. Vivo por mamá. Mi vida es esa muerta”.

Entre los fantasmas familiares canta el óleo de un gallo que vaticina maldades. Si hay sombras en el cuarto, es porque los libros de poetas no dejan pasar la luz: T. S. Eliot, Mallarmé, René Char, Michaux y, por todas partes, Góngora; Góngora y Quevedo.

A hurtadillas, como escondiéndose, Lezama aspira el rocío de una ampolla de vidrio. Contiene Dyspne-Inhal y, si le faltara, el asma no lo dejaría respirar. Uno de los temas centrales de sus cartas a Cortázar es el Dyspne-Inhal. Ahora, de pie en la atmósfera asfixiante del dormitorio, el poeta recita el nombre de sus remedios como si fueran -él lo dice- estribillos etruscos: “Celestone, Ilosone, Raudaxin/ Himrod, fumigatorios, Nebulina”.

Años después leí la descripción que Lezama hizo del Dyspne-Inhal: “No un atomizador, no te confundas, sino un nebulizador de cristal. Irriga levedad, rocío, diríase un suspiro que humedece las paredes del árbol bronquial y me dilata el aire como si en mí estuviera entrando la mañana”.

Aquella misma tarde de 1968, aún perseguido por el concierto de sus bronquios, anoto en el cuaderno que he llevado conmigo: “Las volutas de la escritura de Lezama son las volutas de su respiración. Un lenguaje de rulos, doblado por infinitos desvíos, un lenguaje sinfónico, que se despliega como humo en los tubos de un órgano. Su lenguaje es el asma invadiendo la salud del castellano”.

El poeta lleva tres días sin dormir. “Por el asma”, me dice. “El médico supone que se debe a un fungus, una maleza sacrílega que flota en el aire. El asma llega hasta mí en dos ondas: primero, desaparece debajo del mar; luego, sube a los jaspes líquidos del gran acuario donde los peces desatan nieblas y en pendiente vagan”. Reconozco el eco de otra voz en lo que dice y él se da cuenta en el acto. “Ya lo sabe. Canté la música de Góngora”. “Góngora”, repite. O más bien: “Goongoraa”. Y sigue: “Yo también soy un pez. A falta de bronquios, respiro con branquias. Me consuelo pensando en la cofradía larga de asmáticos que me ha precedido: Séneca el primero; Proust, que fue de los últimos, moría tres veces cada amanecer para resucitar tres veces por la noche. Si alguien soy, soy el asma. A la disnea de la enfermedad he sumado la disnea de la inmovilidad. Carezco de otro carruaje que el de la imaginación, pero mis ruedas son rápidas: tienen ojos de lince. A todo he sobrevivido. Ahora me dispongo a sobrevivir también a la muerte”.

Telón lento para un aria breve

Cuando la eternidad de Lezama Lima empezó -si acaso las eternidades empiezan- eran los tiempos de amor desenfrenado por la música de los Beatles y de amor desenfrenado, punto. Las parejas cantaban por la calle las canciones de Sgt Pepper , “With a Little Help From my Friends”y “Lucy in the Sky With Diamonds”, se abrazaban y cantaban con una libertad que parecía inagotable. Cuba estaba entonces en el centro del mundo, pero también estaba fuera del mundo. Los escritores llegaban en oleadas desde todas partes a participar en los banquetes de la revolución.

En La Habana, la imagen del Che caído hacía pocos meses en Bolivia se multiplicaba en las plazas, en las esquinas, en los lienzos que atravesaban las calles. Había largas filas en los puestos que vendían helados Coppelia, y la revista Casa de las Américas -cuyo mentor era el poeta Roberto Fernández Retamar- se entregaba gratis a los viajeros en el aeropuerto. No había señales del conflicto que dos años más tarde desataría la detención del poeta Heberto Padilla y su posterior confesión staliniana, Fidel tampoco había lanzado sus denuestos contra “los intelectuales burgueses y agentes de la cia ” que habían comido de su mano y denunciado luego sus censuras. Las aguas de la solidaridad con la revolución cubana se partieron y Lezama Lima quedó en el medio. El silencio cubrió entonces su obra como -él lo diría- “una sábana negra”.

Los intelectuales disidentes estaban convirtiéndose en el hecho maldito de la revolución. Virgilio Piñera y José Rodríguez Feo -principal mecenas de la revista Orígenes- vivían enclaustrados, muertos de miedo, tratando de captar emisiones de Miami que les acercaran noticias del mundo. En su refugio de la calle Trocadero, Lezama seguía ajeno a todo. Apenas sobrepasaba los sesenta años, pero se sentía enfermo y sin ganas de nada.

Le escribí varias cartas desde entonces, pero jamás las contestó y nunca supe si le llegaron. Durante largo tiempo, y hasta que tuve la noticia de su muerte, ocho años después de nuestro encuentro en La Habana, quise conocer las oscuridades de su destino. Sólo tuve noticias de la acentuación de su asma y de su doloroso final cuando Margarita Sánchez, una de mis estudiantes de doctorado en la universidad de Rutgers, viajó a La Habana y se puso en contacto con el doctor José Luis Moreno del Toro, que había heredado la casa de la calle Trocadero.

Moreno le contó que, meses antes de morir, Lezama había engordado otros veinte kilos y apenas se movía. La atmósfera de su dormitorio, siempre irrespirable, se tornó más espesa cuando el poeta ordenó encender un sahumerio de polvos de Abisinia e instaló un vaporizador perpetuo de Dyspne-Inhal. Aabisiniaa, recitaba, alzando la garganta hacia el desvencijado techo. Y desde lo alto descendía un eco de fantasmas: Aabisiniaa.

Aunque la salud empeoraba velozmente, Lezama daba pretextos cada vez más imaginativos para que no lo internaran. Sobrevivió de milagro a una infección en los bronquios y a otra en las vías urinarias. Moreno del Toro le sugirió radiografías y ecografías. “Hoy me siento muy mal”, decía el poeta. “Hagamos esos exámenes mañana”. Y al día siguiente reclamaba que llevaran las máquinas de radiología a su casa. “En el hospital murieron mi padre y mi madre. No quiero ser yo también cordero de sacrificio. No iré, no iré. A la puerta de los hospitales está siempre anclada la nave de Proserpina”.

El doctor Moreno lo visitaba todos los miércoles por la tarde, cuando el poeta devoraba su “desayuno nocturno”. El 4 de agosto de 1976, un miércoles, le sorprendió que nadie lo atendiera cuando llamó a la puerta. Entró y vio a María Luisa en la penumbra del vestíbulo, bañada en llanto. “No sé qué hacer, doctor”, dijo. “Joseíto tuvo fiebre toda la noche, y ahora la fiebre le ha subido a 39″. Moreno imaginó una infección agravada, acaso una neumonía, y decidió esperar otra noche. Al amanecer del jueves, cuando regresó a la casa, Lezama dormía plácidamente. Se había negado a tomar líquidos para no desconcertar -como él decía- a los corpúsculos de Malpighi mientras estuvieran atareados en el filtrado renal. También rechazaba los antibióticos y sólo aceptaba tés caseros de pelo de choclo y de cepacaballo. Al mediodía, la fiebre volvió a remontar: 39,5, 40 grados.

“Estamos cerca de un desastre, María Luisa”, se quejó Moreno. “No puede seguir sin antibióticos. Si se niega a la vía oral, habrá que dárselos de otra manera”. El poeta se despertó invocando con terror a todos los “símbolos anunciadores de muerte. “Aléjenme de la casa del Hades”, suplicaba. “No menten a Plutón. Pónganme lejos del pantano de Estigia”. Moreno insistió en que fueran al hospital y se quedó a su lado hasta las tres de la mañana del sábado. Cuando el poeta se adormeció, vencido por la fiebre, le inyectó antibióticos en el brazo. Antes de que amaneciera corrió al hospital Calixto García, reservó un cuarto y ordenó que enviaran una ambulancia a primera hora.

De todos modos, Lezama no quería salir de la cama y nadie se atrevía a desplazarlo por la fuerza. El par de enfermeros que conducían la ambulancia quedaron amedrentados por la corpulencia de aquel rinoceronte que se inflaba sin que nadie supiera por qué. “Hoy no estoy para hospitales”, dijo al amanecer del domingo 8. “Hoy no tengo intención de morir”. Hacia el mediodía lo llamó por teléfono el presidente Osvaldo Dorticós. El poeta tuvo un ataque de tos mientras hablaba y le pasó la comunicación al doctor Moreno. “Que nadie se preocupe, doctor”, dijo Dorticós. “Aquí resolveremos hasta la menor dificultad”.

Quedaba poco por resolver, sin embargo. Al caer la tarde llegó a la casa Roberto Fernández Retamar, el hombre fuerte de la cultura cubana. “¿Tú también vienes a verme morir?”, bromeó el poeta. “No pienso darles el gusto. Hasta Fidel imagina que ya he bajado a la mansión del Hades, pero estoy en Guanabacoa, bailando una rumba en cueros”. La papada se le plegaba enorme sobre el pecho. Cada tanto, el poeta se la palpaba y repetía, con la voz entrecortada: Hinchado está el mulo, valerosa hinchazón/ que le lleva a caer hinchado en el abismo.

Cuando Retamar se marchó, Lezama trató de levantarse. Un desmayo fulminante lo derrumbó en la cama. El doctor Moreno se dio cuenta que ya no podía perder tiempo y que ésa era una oportunidad de providencia. La neumonía estrangulaba los pulmones del enfermo y le apagaba la vida. Los camilleros que montaban guardia intentaron llevarlo a la ambulancia pero fueron vencidos por el cuerpo descomunal del poeta. Los vecinos más fuertes del barrio acudieron a socorrerlos. Aun así, se les quedaba estancado a cada paso. Les cerraban el paso los muebles, las figuritas de porcelana, las torres de libros. Tuvieron que quitar las persianas del balcón y abrir un hueco en la mampostería porque el cuerpo afiebrado seguía hinchándose.

Antes de las seis de la tarde, Lezama despertó en una cama del hospital. Lo primero que hizo fue pedir que le llevaran un flan con crema. Apenas podía respirar y, por primera vez en la vida, una sola cucharada lo sació. Cuando el poeta Cintio Vitier entró en el cuarto para darle un abrazo, Lezama le dijo que los médicos exageraban lo que era “un simple catarrito”. El doctor Moreno contó que ya estaba en agonía y no se daba cuenta. Las flemas aumentaban y le enrarecían la respiración. Tuvieron que entubarlo, inyectarle más antibióticos, ponerle broncodilatadores. La abnegada María Luisa lo tenía de las manos y lloraba tragándose las lágrimas. A las dos de la mañana del lunes 9 de abril le oyó decir, con el hilo de voz que le quedaba: “Ave María, me cubre la manta negra”. Tenía los ojos muy abiertos, llenos de curiosidad por el mundo que dejaba. La eternidad que había empezado con Paradiso ahora también tenía un fin.

28/09/2007 - 23:30h Stephane Grappelli & Yehudi Menuhin BBC Live "Jealousy"

28/09/2007 - 23:25h Django Reinhardt ‘Nuages’ Documentary – Part 5

28/09/2007 - 23:23h Django Reinhardt ‘Nuages’ Documentary – Part 4

28/09/2007 - 23:21h Django Reinhardt ‘Nuages’ Documentary – Part 3

28/09/2007 - 23:19h Django Reinhardt ‘Nuages’ Documentary – Part 2

28/09/2007 - 23:17h Django Reinhardt ‘Nuages’ Documentary – Part 1

28/09/2007 - 23:03h Django Reinhardt, Stephan Grappelli & Hot Club 1938

28/09/2007 - 22:47h Mala tempora currunt

 

Leio, fascinado, um artigo de João Mellão na página 2 de O Estado de S.Paulo de hoje. Orgulha-se de pertencer a uma elite, esclarece que elite significa a nata em cada setor da sociedade, nega, não sem veemência, a dicotomia bom povo-elite má, forjada pela obsessão esquerdista. E assim por diante.

Quero deixar claro que este post não é resposta, apenas uma oportunidade para meditar. Pensamentos esparsos, sem maiores propósitos de revelar a verdade. Por exemplo. Aceito o pensamento de João Mellão, e reconheço a presença de uma elite do futebol. Na qual milita o ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib.

Não seria elite que manda no seu rincão, graúdo ou miúdo? E este Brasil, grande, notavelmente dotado pela natureza, vocacionado para ser bem sucedido, não deve à sua elite o fato de estar tão mal das pernas? Ou por que entregaram o ouro ao bandido, ou por que eles próprios, os componentes da elite, cuidaram da bandidagem.

Os povos são todos iguais, o que mudam são as circunstâncias. As nossas foram criadas por quem? Pelos predadores iniciais e, ao surgir a oportunidade, pelos predadores nativos.

E o povo, que tem a ver com isso? Os indígenas foram sistematicamente enganados e dizimados. Não eram tão bons de trabalho, e então vieram os africanos, imigrados, digamos assim, debaixo do sibilar do chicote, e os sinais da escravidão ainda estão presentes. Hoje a maioria é mestiça, e este é o povo brasileiro. Que esperar dele? Que faça por conta própria a revolução?

A elite nativa sempre apostou na cordura e na resignação do povo. Sergio Buarque de Hollanda chamava-a, ironicamente, de cordialidade. João Mellão, aplicado representante da elite paulistana em outros tempos definida como quatrocentona, rejeita a dicotomia elite-povo. Difícil escapar a ela, impossível mesmo, sobretudo em um país como o Brasil, tão desigual, um dos mais desiguais do mundo, seus rivais são Nigéria, Serra Leoa, e outros do mesmo porte.

Quando da Revolução Francesa, inequivocamente burguesa, incumbiram-se os burgueses de empurrar o povo à Tomada da Bastilha. Os insufladores e organizadores da revolta, pela qual hoje ninguém se queixa, estavam fartos (cansados?) de sofrer as conseqüências da prepotência aristocrática e eclesiástica. Na França dos fins de 1700 os iluministas eram farol nas trevas, mas o país vivia no caos. Falta de autoridade de um lado, miséria e criminalidade do outro. Os nossos burguesotes provincianos estão cansados da miséria e d criminalidade, na qualidade de manifestações populares, e apavorados pela possibilidade de que o povo comece a dar o ar de sua graça. Os burgueses daquela França eram, no mínimo, mais espertos.

Alguma mudança está no ar, e é isso que agita a chamada elite à qual Mellão orgulha-se de pertencer. Lula é o primeiro sintoma da mudança. Não estou a analisar o governo atual, de muitos pontos de vista me decepciona, mas o que me parece enxergar transcende a decepção. As vitórias de Lula em 2002 e 2006 me dizem que algo mudou. O povo não se incomoda se o seu candidato está de gravata e terno escuro, formou-se em alguma faculdade e sabe mais de um idioma, e a mídia perde seu tempo na tentativa de propor o tipo perfeito. A mídia, instrumento afiado a serviço da elite, não chega mais.

Mala tempora currunt
, diria meu pai, Giannino. Para a elite. A qual, além do mais, não sei que características haveria de ter em um país onde apenas 5 por cento da população ganha de 800 reais mensais para cima. Enquanto 0,01 por cento são nababos, andam de helicóptero e Ferrari, moram em castelos, exibem-se o tempo inteiro nas colunas sociais e escondem-se em suas vivendas cercadas por muralhas mais compactas do que as da Roma imperial.

O povo não costuma ser bom por natureza. Pelo contrário, a miséria e a indigência são caldo de cultura da ignorância, da violência, da criminalidade. Tais as condições do povo, tão humilhado e espezinhado a ponto de se contentar com o auxilio familiar de escassos reais distribuído pelo governo Lula.

Já se definiu a plebe como rude e ignara. De verdade, a definição cabe à perfeição para qualificar a elite brasileira. Quem se orgulha de fazer parte dela, deveria dar-se ao respeito.

28/09/2007 - 17:16h Bob Dylan – Forever Young / Baby, Let Me Follow You Down

28/09/2007 - 16:58h Revista Piauí: O indignado anônimo




ALFREDO RIBEIRO

Ele odeia o apelido que lhe caiu feito luva no botequim da esquina. “Indignaldo é o cacete!” – reagiu, bravo, às provocações do pessoal da firma no serão etílico da última sexta-feira. Neguinho faz de molecagem. “E o Renan Calheiros, hein, Indignaldo?!” Tem sempre um engraçadinho pra botar pilha na bronca do colega. Divertem-se com a cólera galopante que, a certa altura da conversa, de qualquer conversa, faz sua impaciência transbordar, feito chope tirado na pressão, frente ao estado de coisas a que chegamos. O cara é um indignado épico, caricatura de homem de bem injuriado, delirante e genérico contra tudo o que aí está, do governo Lula ao xixi na tábua, da fila do INSS à pedofilia na internet, do achaque do flanelinha ao lucro do Bradesco. O bicho está por aqui, ó, com o brasileiro. Há muito perdeu a paciência com o país. “Ô, raça!” – resmunga a cada flagrante de bandalha que testemunha.

Indignaldo é um tipo de chato que, estimulado ao exagero, tem lá sua graça, desde que observados certos limites da sacanagem. A brincadeira de fazê-lo perder as estribeiras prevê que alguém peça a conta em tempo hábil, para que seu discurso não atinja o anticlímax da infalível citação de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Isso por causa de alguém que furou a fila do supermercado, francamente, ninguém merece. O próprio já se deu conta de que a eloqüência foge-lhe inteiramente ao controle sempre que cisma de elogiar a última crônica de Arnaldo Jabor, sobretudo nos almoços de domingo, com a família da mulher. No Dia dos Pais, então, foi constrangedor. Precisou a sogra lhe dar água com açúcar, as crianças não entenderam nada. Baixou-lhe o santo do não-dá-mais-para-viver-neste-país-de-sanguessugas.

Contando assim não parece, mas Aguinaldo Gladyson dos Santos, 52 anos, Indignaldo para os íntimos, é um homem comum. Pai de três rapazinhos adolescentes, casado com a mesma mulher há dezoito anos, está prestes a quitar o apartamento que comprou em prestações quando ainda era noivo. O carrinho na garagem, ele tirou no consórcio. Indignaldo está em dia com tudo. Não exerce a função no momento, mas preserva o espírito de síndico. Sua mania de correção lhe rendeu, além de brigas com vizinhos, um sucesso relativo no trabalho. Ganhou, há três anos, um cargo de confiança, no setor de processamento de dados na instituição financeira onde trabalha desde 1992. Estaria, enfim, tudo razoavelmente certo na sua vida – não fosse seu inconformismo com a coisa errada. Das guimbas que o sujeito do 501 joga pela janela ao aquecimento global, tudo é motivo para um discurso exaltado do pobre Indignaldo.

Não tem caos aéreo, ultrapassagem pelo acostamento, crise nas bolsas de valores, latido de cachorro de vizinho, escândalo no Congresso, engarrafamento em véspera de feriado, língua negra na praia, seqüestro relâmpago, entrevista de Caetano Veloso, fila do visto no consulado americano, telemarketing, gente que fala no cinema, Dunga, piercing no bico do seio, enchente, operação da PF, Bruna Surfistinha, José Dirceu, Daniela Cicarelli, Big Brother Brasil ou manchete de prostituição infantil no Jornal Nacional que não o deixe do jeito que o diabo gosta – meio Rui Barbosa, meio Arnaldo Jabor – fazendo jus ao apelido que detesta ouvir.

Fingiu que não era com ele o quanto pôde, até aquela noite em que reagiu mal, ao cair da ficha: Indignaldo já era personagem conhecido de todos, atração do botequim há tempos. “Meu Deus, que vergonha!” O que pegou – mais ainda que a falta de respeito com a questão do fim das utopias que embalava sua falação – foi aquela sensação de que seu zelo pela coisa certa tinha virado piada, motivo de galhofa, risadinhas pelas costas.

O indignado compulsivo tem com a queixa a mesma relação do alcoólatra com a bebida. Não sabe a hora de parar, exagera na dose de correção no mundo caótico em que vive, vira um porre. A certo ponto da conversa, pode-se até confundir o discurso do bêbado com o do indignado. Com todo respeito ao Nizan Guanaes, esse papo de “e aí, nós não vamos fazer nada?” poderia muito bem ser coisa de algum pinguço resistindo à idéia de voltar para casa às 4 da madrugada. Se acrescentar um “porra” no final, então…

Deprimido, Indignaldo bateu perna com a depressão até quase amanhecer. Não bebeu nada. Tomou consciência de que não sabe mais se indignar socialmente, como o Gabeira, por exemplo, sem nunca perder a linha. Passa sempre da medida, dá uns tapas a mais, torna-se inconveniente, agressivo na exposição de seu ponto de vista, intolerante, dono da verdade. Chegou em casa com essa questão e levou a família às lágrimas ao pedir desculpas aos filhos por ter-lhes enchido o saco com esse seu jeito sempre irritado contra tudo e todos. Decidira largar a indignação. “Se precisar, paro até com o Jornal Nacional, para não cair em tentação.” Os garotos passaram do choro ao riso em instantes com seu bom humor, coisa rara no pai. Até o fim do expediente de segunda-feira, quando falou a respeito com dois ou três amigos de trabalho, sua recuperação parecia favas contadas.

Calhou de na volta para casa um motorista de van – ô, raça! – estragar tudo com uma fechada que quase joga na calçada o carro recém- quitado do novo Aguinaldo, o ex-Indignaldo. Subiu-lhe um troço mais quente que sangue à cabeça. Algo desproporcional à barbeiragem do perueiro, maior do que a bagunça do transporte público, pior do que o desgoverno… Estava pálido e desfigurado quando o filho mais novo abriu-lhe a porta de casa. “A culpa é do Lula!” – foi tudo que conseguiu falar, tentando equilibrar-se sobre as pernas, antes de desmaiar sobre o moleque. Gritaria! Veio todo mundo lá de dentro ajudar a levá-lo pra cama.

O médico diz que é estresse, mas o paciente sabe que não é só isso. Está convencido de que a indignação, pelo menos da forma nele manifesta, é um vício como outro qualquer. Não contou essa parte para ninguém, nem para o doutor Lamy, mas, depois de perseguir sem sucesso a van que desencadeou sua última crise, Indignaldo parou o carro para discutir com o padeiro sobre o peso do pão francês comprado na véspera. Não lembra direito o que aconteceu daquele momento até apagar nos braços do filho. Torce para não ter encontrado o Poodle da vizinha urinando, como de hábito, no elevador.

Desde então, faz três semanas que Indignaldo não aparece nos serões etílicos do pessoal da firma. Sem zangas. Tem aproveitado todo tempo livre para procurar, na internet, indignados compulsivos que, como ele, estejam dispostos a encarar a insatisfação generalizada como uma dependência crônica de problemas. Quer fundar a AIA, a Associação dos Indignados Anônimos, nos mesmos moldes que os alcoólicos e narcóticos criaram, em busca de apoio mútuo. Cada dia sem ficar puto dentro das calças é uma batalha vencida na guerra permanente contra o vício da lengalenga combinada com aporrinhação.

Se é o seu caso, companheiro, escreva já para indignaldo@aia.com.br dizendo que apóia e se dispõe a participar como voluntário da iniciativa. Dê um basta à indignação, mas vê lá se não exagera no que vai dizer a respeito. O pior indignado é o que se exalta contra a indignação.

28/09/2007 - 16:36h A balada sem fim da corrupção primordial

Wanderley Guilherme dos Santos

Eu& revista semanal do Valor

Pepe Casals

Ao abrir a caixinha de Pandora da corrupção se descobre tratar-se de um vasto contêiner. Contêiner de dimensões bíblicas, literalmente. A começar pela serpentina corrupção que interditou o Paraíso aos mortais, os relatos dos “Velho” e “Novo Testamento” mais se parecem a um catálogo maquiavélico de perfídias, chantagens, subornos, traições, adultérios, assassinatos. Tudo se passando entre figurões de nobre estirpe e destino consagrado por vaticínio, que fique explicitamente anotado. Os políticos da atual ribalta humana nem como coroinhas teriam competência para participar daqueles enredos de lavra transcendente. Há os que, hoje, mais apopléticos do que os cronistas de fim de semana em busca de sua côdea de aplauso, ousam incriminar o próprio Criador, posto que todas as infâmias bíblicas constariam de seu enciclopédico conhecimento, ou até de seu misterioso desígnio. Convém não esquecer, portanto, que a queda responsável pela condição humana pós-Éden se deu como resultado de gulosa cumplicidade adâmica com certo negócio corrupto, envolvendo uma desde então famosa Eva. Como se sabe, a equivalente CPI daquela negociata foi estrondosa, dada a estatura de seu relator e presidente, com as penas finais transmissíveis às gerações sem fim dos implicados. Ainda estão por aí o parto doloroso e o pão que o diabo amassou com o suor do rosto de cada um. Para livrar-se deles, aliás, é que os novos errantes têm reincidido no emprego e gozo de patifarias, magistralmente reportadas em jornalismo investigativo nos dois testamentos.

Desde então a história, escrita ou passada à boca pequena, registra implacavelmente a grandeza dos heróis assim como dos vilões, pondo-os no mesmo pedestal, tanto nas gestas orientais quanto nas legendas fundadoras das civilizações do Ocidente. O “Gilgamesh”, a “Odisséia”, a “Ilíada”, Ra e Osíris, são histórias ou personagens de histórias que nada ficam a dever aos atrozes relatos bíblicos. A magnífica edição dos “Mitos e Legendas” de vários povos da Antiguidade, em mais de dez volumes da Easton Press, propicia um aprendizado de humildade a todo aspirante à santidade, presente ou futura. Pedagogia indispensável a um estudo menos complacente da história grega clássica, romana, feudal ou renascentista. Os antepassados da moralidade moderna não eram apenas bárbaros, no sentido de fisicamente selvagens e violentos, mas adeptos de costumes e normas de convivência capazes de precipitar abortos em gestantes das classes médias contemporâneas. A pederastia como didática na Atenas clássica, por exemplo, foi um desses hábitos normalmente apreciados. As classes médias, é de conhecimento geral, não existiam antigamente e, quando surgiram, já vieram pré-fabricadas com estômago fraco e ideologia fascista. Abortam, agora, para esconder adultérios (vale deixar consignado um contraditório ao corrente e desproporcional embelezamento desse estamento “Maria vai com as outras”).
Os nobres feudais não se ruborizavam com o concubinato entre prelados e, até mesmo, as próprias filhas, alguns deles chegando ao papado, destinatários de inveja e respeito. Na ausência de instituições publicamente envolventes, a sucessão no poder era resolvida pela força e astúcia, que Maquiavel, em lance teórico inovador, substituirá por virtude e acaso, sem desprezar, contudo, a intriga, a espionagem, o suborno e a dissimulação. Em uma palavra, desde as narrativas bíblicas não se conhece uma história de sucesso que não contenha passagens de fazer corar os hipócritas dos suplementos literários dominicais.

Quem não esqueceu de anotar uma remuneração por serviço prestado na declaração anual de renda?


O Renascimento, como se sabe, não deixou por menos, popularizando a venda de absolvições, unhas de santos e dentaduras de mártires. Espécie de fisiologismo espiritual – toma lá, dá cá – que não cabia atribuir aos sistemas eleitorais ou partidários, não havendo nenhum para servir como bode expiatório da desonestidade individual dos tratantes episcopais. Os gentios bons discípulos sempre souberam que, em face das trapaças da elite, a única escapadela ilegal a eles disponível encontrava-se no jeitinho, na bajulação dos poderosos, aos quais desculpavam todos os ilícitos em troca de migalhas. Certamente havia, ao tempo, algo análogo à anistia fiscal dos atuais ruralistas brasileiros, do refinanciamento das dívidas dos industriais, dos empréstimos subsidiados, dos mandatos de suplentes de senadores, ou o equivalente, como pagamento ao dinheiro investido nas campanhas. Mas, tal como no Brasil contemporâneo, essas patifarias eram registradas pelos pasquins da época como decisões de alta política, proteção a uma elite ética e progressista que repudiava como subserviência imoral a sopa dos pobres em troca de apoio nos conflitos entre elas, elites. A cabeça dos europeus era assim, como a que se diz dos brasileiros, dúplice, a das elites envolvida em cálculos de maximização de ganhos, se necessário ao arrepio da lei, mas clandestinamente, e a dos miseráveis, caçados pelos repórteres e pesquisadores da época a revelar como vendiam apoio em troca de favores e, que remédio!, nada vendo de mal nas falcatruas dos ricos, de onde lhes vinha a possibilidade de sobrevivência. Mas quem não sabe que, desde a “Bíblia”, a humanidade é, por inclinação, corrupta?
Depois de instaurado e solidificado o capitalismo, com seus impostos e taxas, quem não aceitou pagar menos ao clínico, ao dentista, ao oculista, abrindo mão do recibo comprovante de renda dos profissionais? Qual é a porcentagem da renda e da caixinha das pequenas cidades no sul dos Estados Unidos, cuja origem se encontra nas multas de trânsito não registradas? Quem não esqueceu de anotar uma remuneração por serviço prestado na declaração anual de renda? Quem não pagou ao flanelinha para ocupar uma vaga que não era sua? Quem não mentiu em benefício próprio? Ou de um parente? Quem não pediu por um parente? Uma vaga, um emprego, um aumento, um contrato? Quantos são os sobrenomes que nada seriam se só fossem nomes? E na mesma profissão? Quem não corrompeu? Quem não foi corrompido? Quantos juízes jamais serão julgados pelas sentenças de amizade? Ou por pecúnia? Quanta infâmia remunerada? Quanta verdade escondida? Que desejam os chamados papagaios de pirata das fotografias oficiais? Que desejam os freqüentadores de todos os almoços e jantares, lançamentos de livros, festas, encontros? Quem está de acordo com o patrão para o que der e vier? Quem escreve o que o dono manda?
A humanidade, ao contrário do desejo de Rousseau, é má por natureza. Corrupta por inclinação e oportunidade. Sua punição já existe, e é vivermos no meio uns dos outros. O crime a ser punido é a extensão da corrupção, para isso é que se faz necessária uma métrica. Aquele que jamais foi apanhado em atos corruptos merece aplauso pela resistência à própria natureza e aos convites do mundo. Os que se deixaram levar pela impulsão atávica devem pagar pela magnitude da tentação em que caíram. Os que os vão punir, entretanto, devem atentar para a extensão do ilícito, não para o crime abstrato, como se alguém dele fosse inocente. Não se pune o criminoso senão no estilo da redação da pena. Pune-se o crime, independente do suposto caráter de quem o cometeu. Somos todos descendentes da corrupção primordial e ninguém está livre do pecado. Basta, aliás, incessante investigação e os indícios virão à tona. Acobertados pela inexistência de investigação específica, se ganha dinheiro no exercício de apontar a corrupção alheia. É a corrupção da opinião. Cuja, para coroamento do sistema jurídico dos decaídos do Éden, está isenta de investigação.
Wanderley Guilherme dos Santos, membro da Academia Brasileira de Ciências, escreve quinzenalmente neste espaço
Email: leex@candidomendes.edu.br