30/11/2007 - 13:14h Demos e tucanos no mundo do faz de conta

A carta enviada ao jornal O Estado de São Paulo, da ex-secretária de educação do município de São Paulo na gestão Marta Suplicy, contém questionamentos graves sobre a situação das creches. A mídia deveria fazer seriamente seu trabalho e recusar a função de propagandista das cifras fantasiosas da administração DEM-PSDB.

 

Ao Estadão – Forum de Leitores

Sobre as várias matérias que saíram no estadão online sobre o déficit de creche comentado pelo atual Prefeito, gostaria de lembrar que a prefeita Marta Suplicy construiu 181 novas escolas exclusivamente com recursos do tesouro municipal, as vagas em creche foram ampliadas em 44,01% (35.923 novas vagas) e nas EMEIs 31,31% (65.905 novas vagas), uma ampliação de 75% em ed. Infantil em 4 anos. Ao contrário do que declara Kassab as vagas para ed. Infantil no município, segundo a prévia do Censo Educacional/MEC-2007, a partir dos dados fornecidos pela Secretaria Municipal, as matriculas diminuíram em torno de 10% em todos os níveis de ensino. Em 2004, havia 44.796 crianças nas creches, hoje sã0 35.981, cerca de 20% a menos de matriculas, em EMEI de 273 mil diminuiu para 264 mil e em EMEF de 556 mil para 516 mil.

Não fica claro em nenhuma das matérias onde estão as 149 mil crianças atendidas em creche, declaradas pelo Prefeito ou onde foram criadas as 80 mil novas vagas, segundo o Sec. de Educação! As vagas oferecidas via convênio e que não constam do CENSO/MEC precisariam ter duplicado nestes 3 anos, em 2004 eram atendidas cerca de 52 mil crianças via convênio com entidades. Não adianta dizer que as crianças foram para a EMEI ou para a EMEF, porque em todos os níveis o número de matriculas foi reduzido. Outra pergunta é como irá construir 500 creches em um ano, mesmo com o PPP!

Maria Aparecida Perez

Ex-Secretaria de Educação do Município de São Paulo

30/11/2007 - 11:34h Elis Regina – Me Deixas Louca

Elis Regina em sua última apresentação na TV, cantando Me Deixas Louca.

30/11/2007 - 06:45h Assim não dá

Entre os piores na educação

Brasil é o 52º de 57 países no ensino de ciências, mostra teste mundial com alunos de 15 anos


Demétrio Weber
BRASÍLIA – O GLOBO

O Brasil foi reprovado no maior exame mundial de ciências para estudantes de 15 anos, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2006, divulgado parcialmente ontem. Os jovens brasileiros de escolas públicas e particulares ficaram na 52ª posição entre 57 países e territórios, com nota média de 390 pontos, na escala até 800. Dito de outra forma: o país teve o sexto pior resultado.

A Finlândia lidera o ranking. Dos outros cinco países latino-americanos incluídos — Chile, Uruguai, México, Argentina e Colômbia —, apenas a Colômbia ficou atrás do Brasil.

A prova é feita por amostragem. No Brasil, foram avaliados 9.345 alunos de 390 municípios, em todos os estados. O critério para participar é ter 15 anos e cursar pelo menos a 7asérie do ensino fundamental (8º ano, onde o ensino fundamental dura nove anos). Por causa de diferenças na amostragem, a margem de erro varia em cada país. A brasileira é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos. Assim, o Pisa classifica o Brasil entre a 50ae a 54aposição.

Mesmo nações com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) aparecem à frente do Brasil no Pisa 2006. É o caso da Indonésia, que ocupa a 107aposição no ranking anunciado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O IDH mede a qualidade de vida da população e, pelo primeira vez, deu ao Brasil o status de país de alto desenvolvimento humano, na 70ap os ição, entre 177 países e territórios. A Indonésia está no grupo de médio desenvolvimento.

— Não estamos bem, temos que melhorar.

Há muitos alunos atrasados no Brasil, mas isso não é desculpa. Ter alunos atrasados é um problema, e o Pisa capta isso — disse o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, Reynaldo Fernandes.

Aos 15 anos, um estudante brasileiro deveria cursar a primeira série do ensino médio.

Mas, por causa da repetência e do abandono escolar, 32,7% dos alunos de ensino fundamental apresentavam atraso de duas séries ou mais em 2005, segundo o Inep.

— O problema é a formação de professores.

Temos uma deficiência grande em matemática, química, física e biologia. E a maioria das escolas não tem ou não usa laboratórios. O ensino se torna muito livresco e chato — disse o diretor de Popularização da Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ildeu de Castro.

Prova foi aplicada a 400 mil estudantes

De 149 mil escolas públicas de ensino fundamental no Brasil, apenas 6% tinham laboratório de ciências e 14% contavam com salas de informática em 2005.

— Se queremos entrar no mundo desenvolvido, não podemos ignorar a importância do aprendizado de ciências desde o ensino fundamental — diz o diretor-executivo da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), Jorge Werthein, ex-representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Mais de 400 mil estudantes dos 57 países fizeram o Pisa no ano passado, com foco em ciências. O teste avalia também a capacidade de leitura e os conhecimentos de matemática — a cada ano, dois terços do tempo são dedicados a uma dessas disciplinas. Os resultados das outras provas serão divulgados na terçafeira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Pisa foi realizado pela primeira vez em 2000, com foco em leitura. A segunda edição, em 2003, teve ênfase em matemática. Apenas 42 países participaram, embora nem todos tenham sido incluídos no ranking. Em 2000, o Brasil ficou em último lugar nas três disciplinas, entre 31 nações. Em 2003, foi o penúltimo em ciências, à frente da Tunísia, entre 40 países.

No Pisa 2006, a Tunísia continuou atrás do Brasil. Os demais países que tiveram desempenho inferior eram estreantes: Colômbia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão. Apenas oito dos 57 participantes tiraram nota abaixo de 400 pontos. Na Finlândia, os estudantes atingiram média de 563 pontos, seguidos pelos de Hong Kong (542) e Canadá (534). As 57 nações participantes respondem por cerca de 90% da riqueza mundial.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Arquimedes Diógenes Ciloni, defende a valorização da carreira de professor do ensino básico. Reitor da Universidade Federal de Uberlândia, ele diz que é preciso tornar o magistério nas escolas públicas mais atraente.

— Para recuperar a escola pública, temos que formar bem os professores. E pagar salários decentes — afirmou Arquimedes.

O Plano de Desenvolvimento da Educação lançado em abril pelo presidente Lula fixou metas até 2021. O objetivo é que os alunos brasileiros atinjam, às vésperas do bicentenário da Independência, o rendimento médio dos alunos da OCDE no Pisa de 2003.

30/11/2007 - 06:40h Brasil está longe de cumprir metas de educação para 2015, diz Unesco

Segundo relatório, país tem 40% dos analfabetos da América Latina.

Marcia Carmo – BBC

O Estado de São Paulo

De Buenos Aires – A América Latina tem hoje 38 milhões de analfabetos, dos quais 15 milhões (cerca de 40%) estão no Brasil, segundo documento divulgado nesta quinta-feira pela Unesco em Santiago (Chile), Nova York (EUA) e Nova Délhi (Índia). Os dados incluem apenas os analfabetos com idade a partir de 15 anos.

A diretora da Oficina de Educação da Unesco para América Latina e Caribe, Rosa Blanco, e o coordenador do laboratório para avaliação de qualidade do ensino, Javier Murillo, disseram, por telefone, à BBC Brasil, que dificilmente o Brasil alcançará as metas estabelecidas para 2015.

“Primeiro, o Brasil aparece com alto índice de analfabetismo frente aos demais países da América Latina devido a sua enorme população”, disse Blanco. “O Brasil tem avançado em algumas metas fixadas, mas este alto índice de analfabetismo, a falta de igualdade de gêneros no secundário, onde as meninas têm maior presença que os meninos na sala de aula, e ainda a repetição escolar colocam em risco o objetivo estabelecido”, afirmou.

Murillo disse que a repetição escolar (27% entre 1999-2005) leva à deserção escolar antes da conclusão do primário no Brasil. “A repetição continua sendo um problema no Brasil.”

Neste item, o país aparece junto com Nepal (37% de repetição entre 1999-2005), além de Burundi, entre outros, com mais de 30% de reprovação escolar.

“Na América Latina, a repetição no primário e no secundário representa um gasto de US$ 11 milhões anuais. Dinheiro que poderia ser usado, por exemplo, na contratação e qualificação de professores”, disse Blanco. “Todos estes resultados ocorrem devido à ineficiência do sistema educativo.”

No documento divulgado nesta quinta-feira, o Brasil é citado de forma positiva na parte de financiamento igualitário da educação nos Estados e ainda devido ao programa Bolsa-Família.

“Esse programa é uma forma de aumentar o acesso das crianças à escola”, disse Blanco.

O plano de metas de educação da Unesco contou com a assinatura de mais de 100 países. Foi lançado em 1999 e será concluído em 2015.

O documento divulgado nesta quinta-feira, chamado de “Educación para todos: Reporte global de monitoreo 2008″, mostrou que em 2007, na metade do caminho, muitos países já cumpriram as metas fixadas – caso de Cuba, por exemplo.

Outros países, como a Argentina e Chile, vão atingir os objetivos muito antes do prazo de 2015.

Para o Brasil, a meta da “universalização” das crianças no primário poderá ser concretizada. Mas o objetivo de aumentar em 50% o total de adultos alfabetizados corre risco de não virar realidade neste período.

O mesmo vale, segundo os especialistas da Unesco, para os índices de repetição escolar e para a quantidade de meninos que não estão inseridos no ensino secundário. BBC Brasil

30/11/2007 - 06:16h Crescimento da produção surpreende em outubro

Cibelle Bouças – Valor

O vigor da atividade econômica surpreendeu em outubro. As previsões mais otimistas foram superadas e a expectativa dos analistas é que a produção industrial a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima semana aponte um aumento entre 8% e 10% sobre outubro de 2006 e uma alta entre 1,3% e 2,6% sobre o resultado de setembro. Esta expectativa levou analistas a projetarem para o ano um crescimento na produção industrial brasileira superior a 5,5%, o melhor resultado desde 2004, quando o crescimento ficou em 8,3%.

O ABN Amro Real projeta para o ano crescimento de 6,2%, tendo como base a estimativa de um crescimento industrial de 5,9% entre janeiro e outubro. Para outubro, o banco estima que tenha havido um crescimento de 10,2% (ou de 2,5% na comparação dessazonalizada com o mês de setembro). O cenário traçado, afirma Zeina Latif, economista-chefe do banco, levou em consideração o crescimento das importações de bens de capital registrado em outubro e a retomada na produção de bens intermediários, após um fraco desempenho em setembro. “O varejo registra um crescimento forte, as importações e a produção de bens de capital aumentam. A tendência é de retomada na produção”, diz.

A economista também observa que este será o quarto ano consecutivo de crescimento na produção industrial – em 2006 foi de 2,8%; em 2005, de 3,1%; e em 2004, de 8,3%. “É uma seqüência de crescimentos razoáveis com aceleração no fim do ano. Em um contexto de redução dos ganhos com exportação por conta do câmbio, esse desempenho comprova que a demanda interna está mais forte”, afirma Zeina.

A LCA Consultores estima para o ano crescimento na produção industrial de 5,8%, 0,2 ponto percentual acima da estimativa feita em outubro. O resultado é sustentado pelo bom desempenho nos setores automotivo e de bens de capital. Bráulio Borges, economista da consultoria, observa que a cadeia automotiva responde por quase 20% da produção industrial e a previsão é que as vendas para o mercado interno em 2007 sejam 27% maiores que no ano passado. “O desempenho do setor automotivo, sobretudo em outubro, foi muito forte e é o que explica a surpresa no setor industrial”, afirma Borges. Ele pondera que os investimentos na formação de capital fixo também superaram expectativas, com incremento de 12% no ano, ante previsão inicial de 10%.

No mês de outubro o crescimento é estimado em 8,2%, comparado a igual mês de 2006, e em 1,3% na comparação dessazonalizada com setembro. O cálculo da LCA baseou-se na avaliação de indicadores antecedentes da produção industrial, como o consumo de energia, importações de matéria-prima e expedição de papel ondulado (ver gráfico).

Para 2008, a LCA prevê crescimento menor na produção industrial, de 4,6%, também em função do desempenho do setor automotivo, deverá crescer 11% em vendas no país, 16 pontos percentuais abaixo do registrado neste ano, segundo Borges. A taxa de juros (Selic) é projetada em 9,75% no fim de 2008, ante 11,25% neste ano.

A Tendências Consultoria também projeta para 2008 desaceleração na produção industrial, com crescimento de 4%, ante 5,5% neste ano, afirma a economista Marcela Prada. “A tendência para 2008 é de que haja desaceleração na geração de renda e na disponibilidade de crédito”, diz. A consultoria projeta aumento de 4,4% no PIB do próximo ano, ante crescimento de 4,8% em 2007. Em outubro, o incremento é estimado em 9,3%, ou 1,9% sobre setembro (com ajuste sazonal). Um dos indicadores avaliados foi o aumento de 27% na arrecadação de IPI no país em outubro.

29/11/2007 - 06:19h O melhor: O niguiri polifônico do maestro Jun

Melhor sushi – Jun Sakamoto

O Estado de S.Paulo


– Regra é regra: no Prêmio Paladar, é a comida que está em foco. O sabor em primeiro plano, textura, apresentação e outros parâmetros vêm depois e aí segue. Assim, por mais que o restaurante de Jun Sakamoto insista em ser econômico na simpatia e generoso nas idiossincrasias, é difícil não reconhecer seu talento com o niguiri (o sushi depeixe e/ou frutos do mar sobre bolinhos de arroz). Porque, excentricidades à parte, quando o sushiman começa a conduzir no balcão aquela sinfonia de pescados e lulas frescos, vieiras sem comparação no mercado, sempre com um arroz perfeito, não tem jeito. Por apreço às verdades gastronômicas, os votos foram para ele.Para apreciar de perto a técnica do chef (e de seu sub, o Jura), no balcão, é preciso pedir o menu-degustação, que sai caro. Deixe-se, então, levar por um ritual bem roteirizado de texturas e sabores. Como um bom regente, Jun sabe usar fortíssimos e pianos e dosar momentos de delicadeza e pungência, até que você transcorra o recital de sushis e vá embora para casa impressionado com aquilo que comeu.

Onde comer

Jun Sakamoto – R. Lisboa, 55, Pinheiros, 3088-6019.
Menu-degustação: R$ 210 no balcão e R$ 195 na mesa

Aizomê – Al. Fernão Cardim, 39, Jd. Paulista, 3251-5157.
Menu-degustação completo: R$ 120

Hideki – R. dos Pinheiros, 70, Pinheiros, 3086-0685. Combinado: R$ 75

Original Shundi – R. Dr. Mário Ferraz, 490, Itaim-Bibi, 3079-0736. Combinado: R$ 65

os outros finalistas

Aizomê

No restaurante de Shin Koike, os jovens Sasaki e Taka servem sushis bem construídos e peixes de primeira linha, sempre com algum pequeno toque especial.

Original Shundi

Ainda em forma, o veterano Shundi Kobayashi apresenta ao cliente seu conhecido arsenal de iguarias, sempre com muito rigor na apresentação visual.

Hideki

Hideki Fuchikami tem evoluído nos últimos tempos e, além de grandes pescados, entre os melhores da cidade, apresenta sushis em franco processo de refinamento.

os votos dos comilões

ALESSANDRA BLANCO
Aizomê

Adoro sentar no balcão de restaurantes japoneses. Não sei por que as pessoas não fazem isso. Primeiro: é lindo ver o sushiman em ação. Aqui, os movimentos eram tão rápidos e delicados que fiquei imaginando se, quando ele dormia, não repetia os mesmos gestos, involuntariamente. Segundo porque o sushiman simpatiza com você, e aí é uma maravilha. O sushi de atum do Aizomê é um dos melhores sushis que já comi na vida: pouquíssimo arroz, mas muito saboroso, um pedaço lindo, generoso e divino de atum por cima, raiz forte já misturada ao arroz e na quantidade suficiente para “desentupir” o nariz. Depois, comi ainda sushis de garoupa, olho de boi, polvo e ainda de meca, esse rapidamente grelhado com um maçarico bem na minha frente. Fiquei extremamente em dúvida entre ele e o Jun Sakamoto. Nesse último, comi maior variedade de sushis, todos divinos. Mas o que não consigo deixar de pensar é no sushi de atum, simples, do Aizomê. Então, é para ele que vai o meu voto.

BRAULIO PASMANIK
Jun Sakamoto

Não há muito que dizer. Os sushis que saem das mãos de Jun são inigualáveis. Os peixes são os melhores que se pode encontrar por aqui. O arroz tem textura e sabor perfeitos. E Jun, controle de qualidade em pessoa, vai tratando de doutrinar seus clientes para que comam o sushi com a quantidade certa de shoyu, sem deixar parar no prato por mais de dois minutos. E ainda tenta explicar o que é tradicional no Japão: comer com as mãos, estendendo o prazer também ao sentido do tato.

JACQUES TREFOIS
Jun Sakamoto

Bons sushis, tanto o arroz como os peixes.

LUIZ AMÉRICO CAMARGO
Jun Sakamoto

Em certos momentos, os sushis do chef tiveram os adversários quase nos seus calcanhares, especialmente na qualidade dos peixes – foi uma felicidade provar ótimos atuns, agulhões, robalos em quase todos os concorrentes. Mas a casa de Jun Sakamoto sobressai pelo rigor na construção do niguiri, pelo arroz ainda superior e por vieiras e ostras realmente excepcionais, entre outras iguarias. Ainda que, em alguns casos, tivesse havido um exagero no wasabi.

LUIZ HORTA
Jun Sakamoto

Implico com o silêncio e a concentração do restaurante Jun, não é a minha graça em sair de casa, talvez porque já more num ambiente parecido. Sempre acho que vou fazer alguma coisa errada e ser banido por alguns meses, como num episodio de Seinfeld “no sushi for you!”. Mas quando fui comendo aqueles sushis, fui me emocionando, como uma epifania, tive meu atalho para Damasco ali no balcão, com Billie Holliday cantando e rindo de mim: “You””ve changed…”. Mudei mesmo, entrei Saulo e saí Paulo, pedi mais um sushi de ouriço, outro de enguia, o polvo incrível, a lula com seu salzinho preto e um zest de citrino, vi onde a faca termina e o talento começa.

PATRÍCIA FERRAZ
Aizomê

Fresquíssimos, com elegância ímpar, os quatro sushis são acomodados num pratinho retangular. Pargo, torô, olho de boi e sardinha – aquilo que estiver mais fresco no dia. Exibem o equilíbrio perfeito entre o peixe, o arroz e o wasabi. Sublimes.

RICARDO FREIRE
Hideki

Nunca tinha pensado no Hideki como um “haut” japa. Sempre fui levado para lá para aproveitar o bufê do almoço, que é gostoso e honesto, mas é um bufê. Sentar-me no balcão e pedir a escolha do sushiman foi uma experiência surpreendente. O que eu mais gostei é que, com exceção do torô e de um ou outro peixe branco, todos os sushis levam alguma frescurinha que agrada em cheio àqueles que, como eu, não sabem fazer cara de conteúdo para avaliar o frescor do peixe ou a quantidade de saquê do arroz. Adorei do primeiro ao último sushi proposto.

ROBERTO SMERALDI
Aizomê

Requinte no preparo e qualidade de ingredientes o tornam uma experiência inesquecível. Um bom indicador é a recusa do pessoal no balcão para lhe oferecer aquilo que você solicita quando a matéria- prima não for fresquíssima. Tomara que continue assim para sempre.

ROSA MORAES
Jun Sakamoto

Consistência, elegância , sutileza. Arroz no ponto certo, peixes, crustáceos e frutos do mar fresquíssimos. Sofisticados sushis de vieira, marisco vermelho, carapau, cavalinha gorda, enguia, lula, ostra, ouriço, torô… um mais delicioso que o outro. Ainda por cima, estava no meu dia de sorte: comi um gordíssimo sushi de atum bluefin e um de caranguejo do Alasca, recém chegados dos EUA, trazidos por um cliente que veio direto do aeroporto para o restaurante!

SAUL GALVÃO
Jun Sakamoto
Jun Sakamoto, sem dúvida. Também o Hideki agradou demais.

SILVIO GIANNINI
Original Shundi

Apresentação impecável, a consistência precisa do arroz e o frescor dos ingredientes e algumas iguarias raras fazem deste o melhor sushi atualmente servido na cidade. A presença constante do sushiman, que trabalha atrás do balcão, faz a diferença.

29/11/2007 - 06:07h Turismo bate recorde: "outubro é o melhor da história"

Quase US$ 1 bilhão no exterior

Cláudia Dantas – JB

Nunca os brasileiros gastaram tanto no exterior como agora. Só em outubro, as compras fora do país somaram US$ 915 milhões. De janeiro a outubro, o volume foi US$ 6,6 bilhões. No mesmo período do ano passado, as despesas chegaram a US$ 4,7 bilhões. Os turistas estrangeiros, por outro lado, deixaram no Brasil US$ 4 bilhões. No mesmo período do ano passado, foram US$ 3,5 bilhões.

Os números demonstram um forte aquecimento nas vendas de pacotes internacionais, impulsionadas pela queda do dólar. De acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-RJ), a procura por destinos internacionais registrou alta de 15% em relação ao ano passado. Os cruzeiros marítimos são a grande revelação: mantêm alta de 30% por cinco anos seguidos.

O presidente da Abav, Luiz Strauss, confirma que o dólar baixo abriu caminho para a boa fase do turismo e sustenta que ainda há vagas nas operadoras, principalmente para destinos domésticos.

- Os cruzeiros já esgotaram, mas quem ainda planeja viajar no final do ano deve se apressar e optar por pacotes domésticos. Ainda há vagas. Já nas rotas internacionais mais procuradas é mais difícil confirmar a passagem de avião – disse Strauss.

As companhias aéreas também apostam no aquecimento do mercado e criam promoções especiais para o fim de ano e a temporada de férias. A Gol oferece até 31 de dezembro passagens a preços promocionais para 51 destinos em todo o Brasil. A compra é feita pelo site da companhia, o cliente combina preços promocionais com trechos e estes podem sair a R$ 0,50 ou R$ 50.

Já a TAM abriu ontem três vôos diretos de Congonhas para Ilhéus, Porto Seguro e Salvador e Cuiabá.

Para José Francisco Salles, diretor de estudos e pesquisas da Embratur, a oferta das empresas aéreas beneficiou bastante o turismo nacional, que se recupera da perda de assentos depois da saída da Varig no ano passado.

- Perdemos 1,4 milhão de assentos com a saída da Varig e isto pesou nos resultados de julho de 2006 a julho de 2007 – apontou. – Mas os números deste ano são a grande virada, pretendemos fechar o ano com 50 milhões de desembarques nacionais – estima.

O especialista acredita ser uma retomada do público viajante, pois desde de 2003 não se registrava um resultado de mais de dois dígitos. O mês de outubro, por sua vez, bateu recorde.

- É o melhor da história, obteve um crescimento de 27,8% em relação ao ano passado – revelou. (Com agências)

28/11/2007 - 21:43h Lascia ch’io Pianga na versão do filme Farinelli -

Aria da opera Rinaldo de Handel, que no filme é cantada por Ewa Mallas-Godlewska soprano, e Derek Lee Ragin contra-tenor. O filme Farinelli de Gerard Corbieau foi nominado no festival de Cannes em 1996 e a cantora ganhou o disco de oro no mesmo ano, após vender mais de 2 milhões de copias.

28/11/2007 - 16:05h Vaidade

Gloria Swanson, por Edward Steichen
(© Condé Nast Publications Inc., cortesia George Eastman House)

Kathleen Gomes antecipou no P2 de ontem a exposição Vanity Fair Portraits que inaugura em Fevereiro do próximo ano, na National Portrait Gallery de Londres. A revista americana foi suporte de alguns dos mais icónicos retratos da história da fotografia e decidiu agora dar a ver as imagens que fazem parte dessa herança visual. Entre os fotógrafos representados há dois nomes que ressaltam: Edward Steichen e Annie Leibovitz.

Para ler o artigo do P2 clique aqui.

Hillary Swank, por Norman Jean Roy, 2005
(© Norman Jean Roy)

Vanity Fair Portraits: Photographs 1913-2008
National Portrait Gallery, Londres (de 14 de Fevereiro a 26 de Maio)
Scottish National Portrait Gallery Edimburgo, (de 14 de Junho a 21 de Setembro)

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posted by Sérgio B. Gomes

28/11/2007 - 16:00h Un vídeo contradice la versión policial sobre el accidente que originó los disturbios en Francia

Un vídeo contradice la versión policial sobre el accidente que originó los disturbios en Francia

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Estado en el que quedó el coche patrulla tras el accidente.- AP

El País

Un vídeo aficionado contradice la versión de la policía sobre el accidente con un coche de policía que el pasado domingo causó la muerte a dos adolescentes en la localidad de Villiers-le-Bel, cercana a París, y que está en el origen de los disturbios que han sacudido las calles de algunas ciudades francesas. Según publica Le Monde en su edición digital, el vídeo demostraría que los desperfectos que sufrió el coche policial no fue causado por incontrolados tras el accidente, sino que quedó así como consecuencia del choque.

Según la versión de la Inspección General de la Policía Nacional, encargada de investigar las circunstancias de la colisión, las primeras imágenes del coche aparecidas en la prensa, en las que se aprecia que el coche tiene el parabrisas roto y el parachoques descolgado, fueron tomadas después de que el coche fuera apaleado con barras de hierro por incontrolados que acudieron a la zona del accidente. Por tanto, sostiene la policía que los destrozos no fueron consecuencia de la violencia del accidente.

Esta versión es uno de los argumentos policiales para sostener la tesis de que el coche circulaba a escasa velocidad y que fue embestido por la moto que conducían los adolescentes que fallecieron.

El vídeo, que han podido ver en la redacción de Le Monde, fue grabado, al parecer, escasos instantes después del choque y ya se pueden ver los destrozos del coche. Es decir, que ya quedó en ese estado tras el accidente, y no fue atacado por incontrolados. Las imágenes del vídeo muestran el coche seriamente dañado, que se corresponden con las imágenes publicadas en la prensa que la policía dice que fueron tomadas tras el supuesto apaleamiento del coche. Van en el mismo sentido que las declaraciones de testigos que aseguran que se protegió el coche para que no sufriera más daños, para facilitar una investigación.

El autor del vídeo, que se ha reunido con periodistas de Le Monde y que ha pedido permanecer en el anonimato, sostiene que fue alertado del accidente “pocos minutos después de los hechos”. Así, salió de su casa hacia el lugar de los hechos y comenzó a filmar “muy poco después” del accidente. Los bomberos dijeron que se había producido a las 17.00, según la fiscal de Pontoise, y él dice haber empezado a grabar entre las 17.15 y las 17.20.

En las imágenes, además del coche, se ve a varios testigos que miran cómo los bomberos realizan masajes cardiacos a los adolescentes muertos, en presencia de policías. A los pocos minutos, se ve llegar una ambulancia que, según el servicio de emergencia, salió del hospital de Gonesse a las 17.08, a cinco kilómetros del lugar del accidente. Según el cálculo de Le Monde, respetando las señalizaciones, tardaía en llegar 10 minutos, por lo que estaría allí a las 17.18. En ese instante, el coche está a caballo entre el asfalto y la acera, y exactamente con los mismos daños con los que aparece en las fotos publicadas que la policía sostiene que fueron tomadas tras un presunto ataque.

Un ataque que sólo podría haberse cometido entre el momento del accidente y el comienzo de la grabación. Ahora bien, los policías afirman que nunca dejaron solos a los dos adolescentes accidentados. Dado que estaban presentes en el lugar, habrían sido testigos de los presuntos destrozos causados por los incontrolados, los habrían señalado en su informe, cosa que no hacen. Por tanto, si el presunto ataque al coche policial se hubiera producido antes de la llegada de los bomberos, implica que un grupo de jóvenes atacó el coche con barras de hierro mientras los dos adolescentes yacían en el suelo.

Sin embargo, lo que se ve en el vídeo es cómo los bomberos y los servicios de emergencias trabajan en un entorno de relativa calma, al menos en la primera parte del vídeo. Luego la tensión parece aumentar, pero no se cometen actos de violencia.

Pese a todo, la policía y el Ministerio del Interior mantienen la versión de la Inspección General de la Policía según la cual, el vehículo policial, “probablemente” fue dañado voluntariamente tras el accidente. Sin embargo, el informe policial no cita testigos directos de ese ataque contra el coche, pero se apoya en el testimonio de un bombero de Villiers-le-Bel, el primer responsable que intervino en el lugar del accidente, que sostiene que el coche no tenía tantos destrozos cuando él lo vio por primera vez.

El presidente francés, Nicolas Sarkozy, ha anunciado hoy una investigación judicial que arroje luz sobre las circunstancias del accidente.

28/11/2007 - 15:30h Plano Condor: Ditadores argentinos nos bancos dos réus. E os outros?

Elevan a juicio oral la causa por el Plan Cóndor

El juez Torres ordenó elevar la causa a juicio oral. (TN)

1

09:24

El magistrado Sergio Torres dispuso que se juzgue a Jorge Rafael Videla y a otros 16 represores por delitos de lesa humanidad en el marco del acuerdo entre dictaduras latinoamericanas en los 70.

28/11/2007 - 15:01h Comandante, ordene!

Lula: ‘Quero ver todo mundo torcendo para o Corinthians hoje’

28/11/2007 - 14:23h Obra dos Demos e tucanos: Região da Cracolândia aumenta e se espalha pelo centro da capital, denuncia o Diário de São Paulo

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28/11/2007 - 14:13h Cresce o turismo e Brasil é confirmado para o Conselho Executivo da OMT

O crescimento do turismo e do emprego e renda gerados pela indústria turística (no Brasil de 33% segundo a OMT citada pela Folha Online)) esteve no centro do congresso da Organização Mundial do Turismo (OMT). O Brasil foi eleito membro da executiva deste importante organismo.

Brasília (26/11) – O Brasil foi eleito, ao lado do México e de El Salvador, para o Conselho Executivo da Organização Mundial do Turismo (OMT), durante a Assembléia-Geral da 47ª Reunião da Comissão da OMT para as Américas, em Cartagena de Índias, na Colômbia – encontro presidido pela ministra do Turismo, Marta Suplicy. Como era o último ano do Brasil na presidência das Américas, houve escolha também de seu sucessor: a Colômbia.

O Brasil foi eleito para o mandato 2007-2011. México e El Salvador vão compartilhar a representação. Entre 2007 e 2009 assume o México. Entre 2009 e 2011 responde El Salvador pelo mandato no Conselho. A renovação no Conselho, neste ano, se deu em razão dos términos de mandato do Canadá e Peru. O anúncio oficial dos países eleitos para o Conselho Executivo será amanhã (27), durante a XVII Reunião Ministerial da Assembléia-Geral.

Este encontro da Assembléia-Geral discute também temas importantes para o setor, tais como Turismo e Mudanças Climáticas; Política de Qualidade dos Destinos e o Estabelecimento do Centro Mundial de Excelência dos Destinos em Montreal.

A ministra Marta Suplicy reafirmou na reunião da Comissão das Américas posição que havia apresentado em Londres, durante debate da OMT, sobre mudanças climáticas e turismo. Segundo explicou, a questão do aquecimento global é uma preocupação de todos os governos e têm profundo impacto para a atividade turística. Para a ministra “países em desenvolvimento, entre os quais o Brasil, vão continuar a dar importantes contribuições voluntárias aos esforços globais para a redução das emissões de gases do efeito estufa”.

Marta observou, porém, que o Brasil leva em conta o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Os países em desenvolvimento não podem ser tratados da mesma maneira que os países desenvolvidos, que acumularam riquezas à custa de um grande passivo ambiental para todo planeta. “O compromisso em relação à preservação do meio ambiente não pode ser colocado em contraposição à luta contra a pobreza e a exclusão social. O turismo é um importante instrumento para o progresso de países em desenvolvimento, que vão continuar trabalhando para atrair turistas de todo o mundo”, afirmou Marta Suplicy.

A posição brasileira recebeu forte apoio dos demais países na reunião da Comissão para as Américas. Está sendo preparado um documento para, em nome dos componentes da comissão ser apresentada à Assembléia-Geral da OMT, como uma posição coletiva. Em encontro com a ministra Marta Suplicy, a ministra de Turismo da Índia, Renuka Chowdhuri, reforçou que os dois países compartilham a mesma posição em relação às questões das mudanças climáticas e suas influências no turismo.

Uma boa notícia foi dada pela ministra do Equador, Maria Izabel Salvador Crespo, à ministra Marta Suplicy. Uma linha aérea equatoriana vai operar a ligação Quito/Manaus, a partir do ano que vem. O Equador é hoje o único país da América do Sul sem vôos diretos para o Brasil.

Sobre a OMT – A Organização Mundial do Turismo é a agência especializada das Nações Unidas para o Turismo. O Conselho-Executivo da Organização é o órgão responsável pela tomada de decisões para a implementação de suas próprias resoluções e recomendações da Assembléia-Geral, órgão supremo da organização. Ligadas ao Conselho, estão as comissões regionais, que neste encontro também vão eleger seus próximos presidentes e vice-presidentes para exercer mandato de dois anos. A Assembléia-Geral reúne-se a cada dois anos com o objetivo de analisar e informar sobre as ações realizadas pela OMT. Os integrantes também se encontram para eleger representantes do Conselho Executivo e para aprovar o programa de trabalho e o orçamento da organização. Fonte portal do Ministério do Turismo

Turismo continua em alta mas está sensível a crises, afirma a OMT

da Efe, em Cartagena

O negócio do turismo no mundo é um dos que apresentam maior crescimento e um futuro promissor, mas por suas características é também um dos mais sensíveis a movimentos políticos, crise econômicas e desastres humanos e naturais. É o que informa um relatório da OMT (Organização Mundial de Turismo) divulgado nesta quarta-feira.

A OMT está realizando a sua assembléia geral na cidade colombiana de Cartagena. O seu relatório de conjuntura até agosto apontou que os resultados preliminares de 2007 “confirmam a resistência da demanda contra os fatores externos”.

Os problemas incluem “desde turbulências nos mercados financeiros até segurança e saúde, passando pela alta dos preços do petróleo e o aumento dos impostos sobre o transporte aéreo, os riscos inflacionários e a alta das taxas de juros”.

Além disso, o órgão alertou que “esses fatores começam a afetar a confiança dos consumidores em alguns mercados, o que poderia se estender e afetar, em algum momento, a demanda global de viagens internacionais”.

Estatísticas

O número de chegadas de pessoas em viagens internacionais, segundo o documento, cresceu entre janeiro e agosto deste ano 5,6%. Foram 32 milhões a mais que no mesmo período do ano anterior.

Nos primeiros oito meses de 2007 houve 610 milhões de chegadas internacionais, nove por cada 100 habitantes do planeta. Até dezembro, segundo a OMT, o número deve ficar entre 880 e 900 milhões. Seria o quarto ano de crescimento sobre a média dos últimos anos, de 4,1%.

O crescimento na Europa foi de 4%, um ponto percentual abaixo da média do ano passado. Nas Américas, também com 4%, a taxa foi o dobro da registrada em 2006, segundo o relatório publicado pela OMT.

O relatório de conjuntura destaca os números da despesa turística, que continuam aumentando. No Brasil, o crescimento foi de 33%, e na Argentina, 24%. Em seguida vieram Coréia (18%) e Rússia (16%).

O relatório da OMT afirma que os destinos emergentes da Ásia e Pacífico, África e o Oriente Médio foram os principais motores do crescimento neste ano.

28/11/2007 - 13:43h Begin the Beguine – Eleanor Powell & Fred Astaire

Para continuar com o bom dia!

28/11/2007 - 09:11h Evolução da renda real ajuda a reativar economia brasileira

Julio Gomes de Almeida diz que o crescimento do crédito não teve um papel isolado na reativação da economia brasileira. “É muito importante relevar a evolução da renda real da população. A razão disto é que esta variável constitui uma destacada condição de acesso das pessoas ao crédito”.

Júlio Gomes de Almeida
Terra Magazine

Muitos analistas destacam o crescimento do crédito ao consumidor como o determinante fundamental da intensa expansão da demanda por bens de consumo. Nenhum reparo deve ser feito a esse entendimento, pois, de fato, o crédito concedido pelos bancos às famílias vem crescendo nesse ano a uma taxa real próxima a 20% relativamente ao ano passado. Isso vem dinamizando setores industriais inteiros que, do contrário, estariam em situação muito difícil em razão da valorização cambial. Os recordes de vendas de automóveis, de produtos da “linha branca” e de móveis têm inteira correspondência com essa reativação do crédito.

Outros setores também se beneficiam como é o caso da construção habitacional. A ampliação dos prazos dos financiamentos já permite uma maior aproximação entre os valores dos aluguéis e das prestações dos financiamentos, o que concede ao setor um grande incentivo. Portanto, não deve ser subestimado o papel do crédito, especialmente para as famílias, no atual contexto de reativação da economia brasileira.

Porém, uma indagação muito importante diz respeito aos fundamentos desse processo. Nesse sentido é muito importante relevar a evolução da renda real da população. A razão disto é que esta variável constitui uma destacada condição de acesso das pessoas ao crédito, assim como o principal fator que evita a inadimplência nos financiamentos. Ou seja, o rendimento real é a condição para “entrada” e para a “saída” das pessoas ao crédito, amparando a sua reprodução.

É claro que o pano de fundo de tudo isso é uma maior disposição do sistema bancário em ampliar suas operações creditícias, já que nessa área, os retornos são especialmente atraentes, dado o elevado “spread” cobrado pelas instituições financeiras. Mas, tal desejo de ampliação esbarraria em limites cadastrais e em uma crescente inadimplência, caso não fosse acompanhado de um crescente rendimento da população. A renda real também é em si um determinante destacado do consumo corrente, pois define o poder de consumo que se dirige diretamente para a aquisição de determinados bens, notadamente os de “primeira necessidade”.

Como está evoluindo o rendimento real médio das pessoas ocupadas? Um breve retrospecto do comportamento da renda do trabalhador mostra duas etapas muito claras nos últimos doze meses. Desde outubro de 2006, seu crescimento teve expressiva elevação que se sustentou por cerca de oito meses. Nesse período, o aumento situou-se entre 4% e 5% com relação ao mesmo mês do ano anterior. Dado um aumento médio do número de pessoas ocupadas em torno a 3%, isso permitiu que a massa real de rendimentos crescesse em termos também anuais entre 7% e 8,5%. Daí a base elástica do crédito a que nos referimos.

Uma observação relevante é que mesmo na ausência da forte ampliação do crédito, esta elevada expansão da massa real de rendimentos por si só já seria um condicionante do bom desempenho do mercado consumidor interno. Não é por acaso que certos segmentos industriais como alimentos, bebidas, e a indústria farmacêutica tiveram significativa aceleração de crescimento no decorrer de 2007.

Desde meados do ano, no entanto, esse quadro teve progressiva deterioração, com taxas cada vez menores de variação do rendimento real. Assim, de uma média próxima a 5% de aumento, o rendimento passou a crescer em torno a 2,5% em junho e julho, 1,2% em agosto, 2,7% em setembro e 1,2% em outubro, sempre na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Se tomarmos a média do último trimestre, a variação alcançou 1,6%, ou seja, cerca de um terço do que chegou a ser nos meses de maior evolução. Com isso, dado que o aumento do emprego se manteve na faixa de 3%, a massa real de rendimentos, vale dizer, a base do mercado interno consumidor e o pilar para a multiplicação do poder de compra através do crédito, cresceu em média 4,6%.

Este ainda pode ser considerado um índice bom, mas indubitavelmente é bem inferior ao que foi no passado recente. Mais importante, todavia, são os desdobramentos desse processo. O movimento é de queda, não havendo ainda sinais de que tenha chegado ao seu limite mínimo. Dependendo da evolução do rendimento real da população nos próximos meses, teremos uma visão mais clara das tendências do mercado interno consumidor. Por enquanto, não é possível afirmar categoricamente que a pujança do consumo familiar verificada em 2007 será repetida no ano que vem.

Júlio Gomes de Almeida é professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Fale com Júlio Gomes de Almeida: jgomesalmeida@terra.com.br

28/11/2007 - 08:40h O espantalho do terceiro mandato

Luiz Weis

O Estado de São Paulo

 

O terceiro mandato é uma invenção do PSDB. Serve para o partido empunhar a mais vistosa das bandeiras políticas – a defesa da democracia – a custo zero.

Se o presidente Lula for tomado por uma acesso de insanidade e, contra todas as evidências, embarcar nessa aventura que ele rejeita publicamente dia sim, o outro também, os tucanos terão um motivo real para fazer do que até hoje outra coisa não é senão a sua guerra particular uma legítima Batalha de Stalingrado pela santidade do princípio da alternância no poder. Já se a norma for mantida sem percalços, eles sempre poderão dizer que, não fossem as suas denúncias a tempo e hora, ela teria sido atropelada pelo chavismo da nação petista e do seu primeiro companheiro.

O PSDB começou a agitar o pano vermelho nos idos de janeiro, quando o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) ainda estava longe dos 15 minutos de fama com o seu nefasto projeto de emenda constitucional que daria ao presidente da República a prerrogativa de convocar plebiscitos sobre o que lhe desse na veneta, à revelia do Legislativo. Portanto, nove meses antes que saísse da obscuridade o “velho amigo íntimo” de Lula, como os tucanos e setores do comentariado político se apressaram a identificá-lo, foi posta a circular a versão de que o Planalto tratava de criar as condições para que o presidente começasse a “trabalhar por um terceiro mandato”.

Naturalmente, era tudo muito iffy, como dizem os gringos. O motor começou a rodar não com uma acusação frontal, baseada em fatos, mas com uma especulação pontilhada de condicionais, que invocava a “lógica” – Lula não tem um sucessor natural capaz de herdar os seus 58 milhões de votos e tem toda a popularidade do mundo para fomentar um clamor popular pela re-reeleição, mediante um casuísmo que o Congresso não se furtaria a aprovar. Espantalhos não se fazem num dia, porém. Quanto mais gradual a sua montagem, maior o seu poder de assustar. Sem falar que teorias conspiratórias só têm compromissos com as intenções de seus autores.

O PSDB atou-se à teoria do terceiro mandato literalmente à falta de melhor. Seja para transformá-lo no mensalão do segundo – com a diferença de que o original foi um dado da realidade -, seja para mascarar o próprio apagão de idéias e ideais. Em agosto de 2005, quando Duda Mendonça, o marqueteiro do coração de Lula, contou ter sido remunerado com depósitos em conta secreta no exterior, faltou ao partido tutano para levar o presidente ao mata-mata de um pedido de impeachment. Faltou decerto porque um mês antes O Globo revelou os primeiros indícios do que ficou claro como o sol na semana passada – o mensalão tucano da campanha mineira de 1998.

Agora, trata de arar o terreno para a semeadura de uma crise mensalônica que poderia restaurar o seu patrimônio como oposição ao lulismo, dilapidado – desgraça pouca é bobagem – duas vezes. Na campanha de 2002, quando escondeu o presidente Fernando Henrique do horário eleitoral, e na seguinte, quando se envergonhou das privatizações no seu governo. Desta vez, é como se, perversamente, o PSDB desejasse que Lula incentivasse uma iniciativa terceirista, para armar o barraco. Mesmo sem isso, já faz desfilar a assombração no Senado, para impedir que alguns dos seus ajudem de caso pensado a aprovar a prorrogação da CPMF.

Curiosa família, a dos ranfastídeos. Tentam levar o povo no bico, apostando na sua proverbial desmemória. Fizeram em 1997 o que afirmam, horrorizados, que Lula quer fazer em 2007, apenas com um re a mais: aprovaram a emenda da reeleição, de quebra com uns votinhos comprados nos grotões, valendo já para o presidente de turno – senão, cadê a graça? No ninho, raras aves ousaram criticar a abolição da regra do impedimento com a bola rolando. Era para o bem, retrucavam os fernandistas no Congresso, na imprensa e na intelligentsia. Exatamente o que diriam os partidários do Lula-3. Eles existem, mas apitam o mesmo que aqueles poucos tucanos favoráveis à reeleição a partir de 2002.

O drama do PSDB, que deu no factóide que está aí, não tem mistério. O partido perdeu a pele social-democrata (leia-se: de esquerda modernizadora, à espanhola) com que veio ao mundo, em 1988, e a pele apefelada que a substituiu é o tipo da coisa fora de lugar diante desta sociedade que pode não ser mais justa, mas se “pensa mais justa”, no fino registro do ex-ministro Delfim Netto, no Valor de segunda-feira. No mesmo jornal, a propósito, o repórter Caio Junqueira anotou dias antes as didáticas diferenças entre o primeiro programa tucano e o aprovado no congresso-convenção da última semana, em Brasília. O novo documento não contém nem o termo progressista, nem o nome Nordeste.

Mas o pior de tudo, como os tucanos só admitem na penumbra, é a sua respeitável dificuldade de combater um governo que cumpre essencialmente o seu, deles, programa. Assim como seria uma festa para o PSDB se Lula desse corda ao terceiro mandato – que não pegaria bem para ele nem no exterior, como sabe -, teria sido uma apoteose se Lula esquecesse o que assinou na Carta ao Povo Brasileiro, de junho de 2002 – e no ano seguinte entregasse as chaves do Planalto ao velho PT. Tendo os fatos transcorrido como transcorreram, o PSDB continuou no poder, como emanação doutrinária. Virou um autor à procura de um enredo.

Ainda mais depois da invertida que levou, em pleno convescote, do procurador-geral da República, que tirou o chão sob os pés do partido nascido do manifesto repúdio dos seus fundadores aos “métodos quercistas” de fazer política e governar. Hoje se sabe que também grão-tucanos são chegados à ética de resultados, como a companheirada da trincheira em frente. Restaram, no atacado, a apelação do terceiro mandato; no varejo, os constrangedores ataques pessoais de Fernando Henrique a Lula. O debate público nacional podia passar sem uma coisa e outra.

Luiz Weis é jornalista

28/11/2007 - 08:07h Hilary Hahn toca o Adagio do concerto para violino no.1 de Paganini

Bom dia!

28/11/2007 - 07:59h governo Lula: País tem resultados melhores entre emergentes que formam os Brics

O Globo

China e Índia estão abaixo na lista. Rússia, em posição melhor, teve queda no IDH

Martha Beck e Demétrio Weber

BRASÍLIA. O Brasil foi o país que teve melhores resultados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os Brics — bloco de nações emergentes cujas economias têm potencial para dominar o mercado mundial em meados deste século. Embora tenham registrado crescimento no IDH superior ao brasileiro nos últimos 15 anos, Índia e China ainda estão bem abaixo no ranking. Enquanto o Brasil ocupa a 70aposição, a China está na 81ª, e a Índia na 128ª Já a Rússia está numa colocação melhor que a brasileira (67aposição), mas registrou queda no IDH. A mesma vantagem, porém, não é encontrada quando a comparação se dá com os vizinhos da América do Sul.

Enquanto o índice brasileiro relativo a 2005 foi de 0,800 (alta de 10,65% sobre 1990), no mesmo período, o da Rússia foi de 0,802 (queda de 1,6%), o da China, de 0,777 (alta de 22,56%), e o da Índia, de 0,619 (alta de 18,81%). Mantido o ritmo, porém, a médio prazo os asiáticos podem ultrapassar o país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que o Brasil está em melhor posição do que seus companheiros nos Brics e enumerou desafios para o próximo século: — Nós temos a China, com 1,3 bilhão de habitantes, que precisa incluir 1 bilhão na cidadania.

Nós temos a Índia, com 1 bilhão de habitantes, precisando incluir 700 milhões na cidadania.

Arrumar trabalho, escola, alimento, tudo isso é um desafio para o século XXI.

Em artigo para o relatório, Lula defende etanol Mesmo assim, o Brasil ainda é o mais desigual do grupo. A renda dos 20% mais ricos é 21,8 vezes maior que a renda dos 20% mais pobres. Na China, essa relação é de 12,2 vezes, na Rússia, de 7,6, e na Índia, de 5,6.

No entanto, o Brasil apresenta melhores indicadores de pobreza e de saneamento em relação a China e Índia.

Quando se considera o Índice de Pobreza Humano — que combina diversos indicadores essenciais à qualidade de vida — o Brasil vê em condições degradantes 9,7% da população, contra 11,7% na China e 31,3% na Índia. Já a taxa de saneamento brasileira está em torno de 75%, enquanto a indiana é de 33% e a chinesa, de 44%.

Outro sinal da desigualdade está nas taxas de mortalidade infantil e materna. No Brasil, a mortalidade entre menores de 5 anos é de 33 por mil nascidos.

Mas entre os 20% mais pobres esse número sobe para 99. Já a taxa de mortalidade materna é de 110 para cada 100 mil nascimentos, contra em torno de 20 a 30 nos demais países.

Pelo segundo ano consecutivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve participação especial no Relatório de Desenvolvimento Humano. No seu artigo, enumerou os esforços brasileiros para minimizar as alterações climáticas, criticou os programas de subsídios aos biocombustíveis americano e europeus e pediu a redução das tarifas de importação do etanol brasileiro.

Para ele, “o Brasil está preparado para apoiar esforços de países em desenvolvimento para identificar fontes viáveis de energia alternativa”. Seu artigo aparece ao lado de autores como o secretário-geral da ONU, Ban-Ki-moon, e o bispo sul-africano Desmond Tutu (prêmio Nobel em 1984).

28/11/2007 - 07:53h É Guerra!

O Globo

SÃO PAULO. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), lançou o nome do ex-governador paulista e candidato derrotado à Presidência Geraldo Alckmin para concorrer à prefeitura de São Paulo, em 2008. O gesto, se formalizado no próximo ano, pode ameaçar a aliança entre os tucanos e o DEM, que espera ter o apoio do PSDB à reeleição do prefeito Gilberto Kassab. Também pode atrapalhar os planos do governador tucano José Serra de ter o apoio do DEM, caso dispute a sucessão presidencial em 2010.

Kassab foi o vice de Serra na eleição de 2004 para a prefeitura e o substituiu quando o tucano concorreu, e venceu, a eleição para governador.

— Acho que se o PSDB tem um candidato com chances de vitória, e tem, então o candidato à prefeitura é o doutor Geraldo Alckmin — disse Guerra, em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite de anteontem.

Guerra rejeitou a idéia de que a eventual candidatura de Alckmin vá minar a parceria com o DEM: — Vamos trabalhar para eleger nosso candidato, não para derrotar ninguém. Somos uma força política vitoriosa algumas vezes, e, além disso, nem sei qual é a posição do prefeito.

28/11/2007 - 05:54h O PSDB ainda está à procura de um rumo

Editorial Valor

A semana passada seria a do PSDB. Pelo menos era o que o partido havia planejado, ao marcar suas inserções publicitárias na TV antes do 3º Congresso do partido fundado em 1988. A ofensiva de marketing desembocaria na reunião tucana, que decidiria pela “atualização” do programa partidário e seria encerrada com honras pelo seu maior cardeal, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República por dois mandatos (1994-1998 e 1999-2002).
Como a realidade nem sempre coincide com o marketing, ainda nos jornais de domingo era possível perceber o estrondoso fracasso de público da semana tucana. As televisões veicularam as imagens da xerox com repetitivos textos de que o PSDB fez, o PT copiou, sem que se conseguisse sair do “passado glorioso” para apontar um verbo no futuro: o que fará o partido hoje com mais chances de eleger o sucessor do presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva? Os tucanos não conseguiram também responder essa pergunta no “manifesto de atualização do programa partidário”, que professa o partido como “autenticamente nacionalista e moderno” (sem dizer o que vem a ser o autêntico, o nacionalista e o moderno) e prega um “desenvolvimentismo” que passa por uma opção por “mais governo e mais mercado”, seja lá o que isso represente na literatura acadêmica que tanto FHC preza (um mistura e manda, ou copia e cola, do liberalismo com o keynesianismo?)
No encerramento do evento, o que ficou registrado foi o radical discurso do ex-presidente que, para atacar os que consideram o partido elitista e preconceituoso, deu mais munição aos detratores. “Há, sim, acadêmicos entre nós, e nós não temos vergonha disso. Há gente que sabe falar mais de uma língua, sim, mas também falamos bem a nossa. Queremos brasileiros bem educados e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”, disse o ex-presidente, que sequer precisou apontar o indicador para o atual, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, para que sua “insinuação” fosse entendida. Além da deselegância, que trai um orgulho ferido, o ex-presidente carimbou na testa do PSDB não o desprezo pela educação, mas pelo voto, que deu dois mandatos a Lula assim como elegeu e reelegeu o sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Os eleitores certamente não têm vergonha de ter eleito um ou outro. Exerceram seu direito.
O Congresso e as máquinas xerox foram incapazes de dar um verniz a uma divisão partidária que se tornou uma doença crônica, motivada que é por ambições pessoais que dificilmente convergem para o coletivo e por uma enorme desorientação programática. Durante os governos FHC, um relativo consenso em torno da premência da estabilidade econômica e a existência de um elemento agregador, Mário Covas, deu alguma cola e substância aos atores que disputavam o poder internamente. Na oposição, o tucanato ficou sem norte no momento em que o PT optou por dar continuidade à política econômica ortodoxa de FHC e perdeu o rumo quando, depois de bater na tecla de que Lula abusava de uma política social paternalista e populista, engoliu nas urnas uma forte aprovação popular ao Bolsa Família. A partir de então, tenta emplacar um discurso do partido que inventou as políticas públicas que tiveram sucesso no atual governo. E não consegue sair disso – a não ser para renegar outras criaturas suas, como a CPMF, a Desvinculação das Receitas Orçamentárias (DRU), o valerioduto mineiro etc. A grita contra a carga tributária, aliás, é um capítulo à parte, já que ela é, hoje, a que se impunha aos contribuintes em 2002, menos as desonerações feitas no primeiro mandato de Lula.



A semana tucana projeta para 2010 uma legenda que tem os dois candidatos hoje com mais chances de êxito nas urnas, os governadores José Serra e Aécio Neves, nenhum programa e qualquer consenso interno. A educação per capita tucana, que FHC diz que não deve envergonhar os militantes, não foi suficiente para dar consistência programática e organicidade a um partido que corre o risco de voltar a ser governo em 2010 e precisa dizer a que veio – ou melhor, por que quer voltar.

27/11/2007 - 19:48h IDH: Brasil entra para o grupo de ‘alto desenvolvimento humano’

O Globo e O Globo Online Melhoria na alfabetização infantil melhorou no país / Arquivo O Globo

BRASÍLIA – Favorecido em especial pelo aumento da renda, o Brasil entrou pela primeira vez para o grupo dos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em 70.º lugar, no ranking de 177 países avaliados anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O IDH do Brasil subiu de 0,798 para 0,800 de 2004 para 2005, na escala de 0 a 1.

Apesar do aumento no índice, o Brasil perdeu três posições no ranking mundial em relação ao estudo anterior, caindo do 67º para 70º lugar. Além disso, outras sete nações conseguiram entrar para o grupo dos países desenvolvidos, que antes tinha apenas 63 integrantes.

Leia também: Clima ameaça desenvolvimento humano da América Latina.

De acordo com o novo relatório da Pnud, a Islândia, no noroeste da Europa, e Serra Leoa, na África, são a nova face da desigualdade mundial. O país europeu desbancou a vizinha Noruega e assumiu a liderança no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com 0,968, na escala de 0 a 1. Na ponta de baixo, Serra Leoa perdeu uma posição em relação ao ano passado e, com índice 0,336, tomou o último lugar do Níger.

Confira os ranking elaborado pelo Pnud

Ao nascer, por exemplo, um bebê islandês tem uma expectativa de vida de 81,5 anos. É quase o dobro do que sobrevive, em média, um cidadão de Serra Leoa: 41,8 anos.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007, que usa dados de 2005, tem como tema o aquecimento global e seu lançamento mundial foi realizado hoje no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto , a organização defende o fim das tarifas de importação que os demais países impõem sobre o etanol do Brasil .

O presidente Lula disse nesta terça-feira que o Brasil estará numa posição ainda melhor no IDH no fim de seu governo. Segundo ele, quando o Pnud divulgar o relatório de 2012, que trará os dados de 2010, as condições de vida dos brasileiros estarão bem melhores do que em 2005, ano analisado no relatório divulgado hoje. Lula citou o Bolsa Família como um dos instrumentos que possibilitaram a melhora do país no índice da ONU .

- Todo governo que vier vai se sentir na obrigação de fazer o Brasil crescer um ponto no relatório – disse o presidente, que participou do lançamento do relatório de desenvolvimento humano 2007/2008.

Criado pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede a qualidade de vida por outros indicadores que não apenas o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país). Leva em conta renda (PIB per capita), saúde (expectativa de vida ao nascer) e educação (taxa de alfabetização de adultos e matrículas no ensino fundamental, médio e superior).

Renda ajudou país a subir no ranking de desenvolvimento

De acordo com o novo estudo da ONU, o PIB per capita do Brasil subiu de US$ 8.325 para US$ 8.402, entre 2004 e 2005, considerando a Paridade do Poder de Compra. O IDH da Saúde (expectativa de vida ao nascer) melhorou de 71,5 anos para 71,7 anos entre os dois anos. Com isso, nosso IDH subiu de 0,798 para 0,800.

Os dados de Educação _ taxas de matrícula no ensino fundamental, médio e superior combinadas _ ficaram inalterados em relação aos do ano anterior, mas devido a problemas na entrega dos números ao Pnud, atribuição da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), também um órgão das Nações Unidas. O índice atribuído foi de 87,5%. Isso pode ter prejudicado o Brasil na classificação, reconhece o Pnud.

O acréscimo no IDH foi suficiente para o país atingir o patamar de alto desenvolvimento humano, que vai de 0,800 a 1, mas não para subir no ranking. O Brasil deixou para trás a ilha caribenha de Dominica, que estava à frente no levantamento anterior, mas foi ultrapassado pela Albânia e a Arábia Saudita, que subiram respectivamente cinco e quinze posições.

Maior desigualdade do grupo entre ricos e pobres

Embora tenha passado a integrar o grupo de países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), onde já estão hoje Chile, Uruguai, Argentina e México, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para melhorar as condições de vida de sua população, de acordo com o assessor especial do Pnud e especialista em desenvolvimento humano Flávio Comim.

O aumento de número de alunos matriculados em escolas foi o fator que mais contribuiu para a melhora do IDH do país no longo prazo


Ele lembra que, quando comparado com os países que estão no mesmo patamar de IDH, o Brasil perde de forma significativa em, pelo menos, cinco outros indicadores: pobreza, desigualdade, saneamento, mortalidade infantil e mortalidade materna.

- Se eu tivesse que dizer se o copo está meio cheio ou meio vazio no caso do Brasil, eu diria que ele está meio vazio – afirmou Comim.

Quando se considera o Índice de Pobreza Humano, por exemplo, o Brasil tem um percentual de 9,7% (da população), enquanto no México esse valor é de 3,8%.

Nesse índice estão pessoas que costumam morrer antes dos 40 anos, não têm qualquer acesso a educação ou saúde e vivem em condições precárias de saneamento. Por exemplo, enquanto a taxa de saneamento brasileira está em torno de 75%, na Argentina ela é de 91% e no Uruguai, de 100%.

Comim destaca ainda o alto nível de desigualdade. A renda dos 20% mais ricos da população é 21,8 vezes superior à renda dos 20% mais pobres do país.

Outro indicador que mostra a disparidade está nos índices de mortalidade infantil e materna. No Brasil, a mortalidade entre as crianças de menos de cinco anos é de 33 para cada grupo de mil nascidos. No entanto, entre os 20% mais pobres da população, esse número sobe para 99. Já a taxa de mortalidade materna é de 110 para cada 100 mil nascimentos, sendo que nos demais países ela gira em torno de 20 a 30.

Revisão da metodologia é questionada

O IDH é um índice usado pela ONU para medir o desempenho dos países em três áreas: saúde, educação e padrão de vida. O índice é composto por estatísticas de expectativa de vida, alfabetização adulta, quantidade de alunos na escola e na universidade e o produto interno bruto (PIB) per capita.

O Brasil subiu não só devido a melhoras reais nos campos avaliados pelo IDH, mas também em função de revisões de estatísticas nos bancos de dados da Unicef e do Banco Mundial – órgãos que fornecem os números para o PNUD, normalmente baseados em dados produzidos pelos próprios países. Essa mudança de metodologia é questionada por alguns especialistas .

Por exemplo, uma recente revisão de metodologia do IBGE alterou para cima o crescimento do PIB brasileiro em 2005. Em vez de 2,9%, o IBGE declarou que a economia do Brasil cresceu 3,2% naquele ano.

Revisões estatísticas do IBGE também revelaram que os padrões de educação e expectativa de vida no Brasil aumentaram em 2005. A expectativa de vida média subiu de 70,8 anos, no relatório do ano passado, para 71,7 anos, e a porcentagem de alunos matriculados em escolas e universidades aumentou de 86% para 87,5%.

O Brasil vem melhorando em ritmo estável

De 2004 para 2005, o Brasil melhorou em todos os itens que compõem o IDH, com exceção da alfabetização adulta – que ficou estável em 88,6% da população com mais de 15 anos.

O desempenho econômico do país também contribuiu para melhorar o padrão de desenvolvimento humano. O PIB per capita anual aumentou 2,5% de 2004 para 2005, atingindo US$ 8.402 (por paridade de poder de compra).

De 1990 a 2005, o PIB per capita brasileiro cresceu em média 1,1% por ano, ritmo idêntico ao da Argentina, mas bastante inferior ao do Chile – que cresceu em média 3,8% ao ano.

O PNUD começou a divulgar o IDH desde 1990, mas traz dados para vários países retroativos a 1975. Desde então, o Brasil vem melhorando o seu índice de desenvolvimento humano em um ritmo estável.

Em 1975, o IDH brasileiro era calculado em 0,649. Desde então o Brasil vem mantendo uma média de crescimento de cerca de 0,050 no índice a cada dez anos.

Segundo o economista Flavio Comim, especialista em desenvolvimento humano e assessor especial para o PNUD, o aumento de número de alunos matriculados em escolas foi o fator que mais contribuiu para a melhora do IDH do país no longo prazo. Desde 1990, o índice subiu de 67,3% para 87,5%.

Subir no ranking de IDH tem importância ’simbólica’

Para Comim, a importância de entrar na lista dos países de alto desenvolvimento humano é “simbólica, mas significativa, pois abre espaço para uma agenda mais ambiciosa no Brasil”.

Segundo ele, um dos motivos que faz o Brasil ficar em último lugar entre as nações de “alto desenvolvimento humano” no IDH é o fato de que os indicadores sociais brasileiros estão muito abaixo do nível de renda do país.

Comim identifica cinco áreas em que o Brasil ainda precisa melhorar para subir no ranking: combate à pobreza e à desigualdade, saneamento, mortalidade infantil e mortalidade materna. Nessas áreas, segundo ele, o Brasil está muito atrás dos demais países, mesmo os latino-americanos.

Comim afirma que, baseado em dados já disponíveis sobre 2006, o Brasil deve melhorar ainda mais o seu IDH no relatório do ano que vem. Entretanto, alerta que outros paises em desenvolvimento vêm obtendo resultados melhores .

27/11/2007 - 06:37h E o turismo cresce, apesar da crise aérea

José Ernesto Marino Neto * – O Estado de S.Paulo


- Segundo previsões do estudo realizado neste ano pelo World Travel & Tourism Council (WTTC), o turismo no Brasil deve crescer 5,3% ao ano nos próximos dez anos, um ponto porcentual acima da média mundial, colocando o País atrás apenas do México no ranking dos países da América Latina.

Nem a crise aérea nem os problemas estruturais apresentados pelo País vão atrapalhar as possibilidades de investimento para 2008. Os grupos SuperClubs e Invest Tur acabam de anunciar investimentos de R$ 1,5 bilhão em megaempreendimentos que colocam, lado a lado, um resort com todos equipamentos de lazer e hotelaria e um condomínio de casas.

A curva ascendente do mercado turístico-imobiliário é um dos temas da XI Brazilian Hospitality Investment Conference, que vai reunir em São Paulo, entre quinta e sexta-feira, 500 executivos de bancos de investimento, fundos de pensão, instituições de crédito imobiliário e especialistas do setor.

O mercado brasileiro está preparado para o desenvolvimento de projetos. Hoje, os financiamentos imobiliários batem recordes de aplicações. Os compradores de segundas e terceiras residências são os melhores clientes: fazem aplicações, seguros e movimentações.

Outros temas que serão discutidos durante a conferência são a evolução da economia brasileira e sua maturidade, como agregar valor no mercado brasileiro e desenvolver projetos de baixo risco, além de condo-resorts, condo-hotéis e complexos de uso misto.

O painel sobre a economia brasileira, por exemplo, vai destacar o que falta para o Brasil conseguir o grau de investimento. Quando se atinge tal grau quer dizer que o risco é muito pequeno. Então, os grandes investidores institucionais começam a aportar recursos. A economia do México deu um salto gigantesco depois que o país conseguiu o Investiment Grade. Em 2008, teremos muito dinheiro chegando ao Brasil para o incremento do consumo e da produção.

O crescimento da modalidade condo-resorts também será tema do evento. Esse novo tipo de empreendimento surge como tendência para o mercado turístico, pois se verifica a crescente preocupação das pessoas com a qualidade de vida e a procura por um local de lazer tranqüilo para desfrutar de sua aposentadoria ou de momentos com a família.

Outra boa novidade será a participação, pela primeira vez no evento, de representantes dos maiores escritórios de advocacia do país. Durante o Meet the Law, eles ficarão à disposição dos participantes para discutir temas como opções de financiamento em operações imobiliárias. Destacamos, ainda, a realização inédita do Find The Money, espaço onde 11 instituições de financiamento e investimento estarão à procura de projetos para aportar recursos. Donos de projetos poderão falar com quem faz diferença, num mesmo lugar.

Como se vê, há bons motivos para esperar que a XI Brazilian Hospitality Investment Conference amplie as possibilidades de grandes negócios e de um profundo debate sobre o mercado turístico-imobiliário brasileiro. E o turismo certamente se beneficiará com os frutos.

* José Ernesto Marino Neto – Presidente da consultoria BSH International

27/11/2007 - 05:49h É "correção" ou é "ladeira"?

VINICIUS TORRES FREIRE


Estresse financeiro cresce sem parar desde outubro, com agravantes, e já bate em vários mercados do Brasil


É UM risco-país mais alto aqui. É um financiamento de comércio exterior mais caro ali. Acolá uma dúzia de empresas desiste de ir à Bolsa, para vender suas ações. Ou empresas menores deixam de tomar dinheiro emprestado lá fora, pois as taxas aumentaram um tanto, o bastante para encarecer demais o dinheiro para companhias que não têm crédito nota 10 e/ou que são novatas nas ditas captações.
Não é nada dramático, ainda mais num país que já viu seu crédito ficar cinco ou dez pontos percentuais mais caro de um trimestre para outro. Agora se trata de deterioração menor que um ponto percentual, meio ponto, para usar um indicador popular como o risco-país.
Mas o “estresse” financeiro agora já pode ser sentido e ouvido em vários mercados brasileiros, os mais óbvios sendo o da Bolsa e o de câmbio, as trincheiras mais avançadas, sensíveis e voláteis. Diretores e gerentes de investimento dizem que, embora não seja momento de entrar em Bolsa, Bovespa e real não rolariam a ladeira, dadas as previsões de lucros das empresas para 2007, em linha com as deste ano, dado o superávit externo ainda resistente em 2008, dados a perspectiva de “investment grade”, a inflação ainda abaixo da meta, o crescimento do PIB duas vezes maior que o do americano e mesmo apesar do risco de “surto desenvolvimentista” no governo (mais gastos públicos, menos superávit, mais “pressão” sobre a autonomia do Banco Central).
Seria interessante se o mundo funcionasse assim, em especial o das finanças, racionalmente, “olhando fundamentos”. De resto, mesmo quem tem a obrigação de tranqüilizar o ambiente, como Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central, tem colocado suas barbas, ou melhor, seus cabelos restantes, de molho, em discursos cada vez mais cautelosos. Mas os indicadores objetivos de “estresse” no mercado financeiro global, embora sempre voláteis, estão em alta teimosa.
Os bancos assumem rombos cada vez maiores, o que mina sua capacidade de emprestar, e as taxas de juros interbancários estão renitentemente mais altas do que o normal e subindo, desde outubro, o que afeta as demais taxas. Os BCs de EUA e União Européia vão, de resto, colocar um dinheiro extra nos bancos a fim de “desestressá-los” um tantico.
A crise americana segue seu padrão “slow motion”, mas segue, como uma enchente vagarosa. A cheia começou nos calotes dos imóveis vendidos para gente sem crédito e aguou os derivativos de crédito lastreados em hipotecas, daí afogou mercados de crédito de curto prazo para empresas e instituições financeiras, daí bateu no dinheiro que alavancava fusões e aquisições (e nas Bolsas do mundo rico) e já deteriora o crédito nos mercados de cartões e de empréstimos para compra de carros, o que estressa o consumidor e desanima o varejo. Enfim, o Dow Jones e o S&P 500, índices da Bolsa de Nova York, estão, em termos reais, zerados em 2007.
Os mercados brasileiros andaram descolando dos americanos neste ano, apesar de um ou outro tombo feio, mas até rápidos. Mas, mesmo que o “mau humor” não volte a ser dramático ou histérico, o “estresse” financeiro agora sugere uma crise de mau humor mais persistente.

Folha de São Paulo

vinit@uol.com.br

26/11/2007 - 09:30h Tucanos no foro intimo: "Por que no te callas!"

Depois da última arremetida de Fernando Henrique Cardoso tripudiando Lula pelo fato de não ter educação superior, cresce nas fileiras dos tucanos, especialmente entre os presidenciais, o apelo vibrante do rei da Espanha: “Por que no te callas!”