Filha de desaparecidos na Argentina processa família ilegítima

Maria Eugenia Sampallo Barragan, 30 anos
Reuters/Brasil Online
Portal O Globo
BUENOS AIRES (Reuters) – Um casal argentino que se apropriou da filha de ativistas políticos desaparecidos durante a ditadura começou a ser julgados nesta terça-feira, no primeiro caso em que a vítima de um sequestro do governo militar acusa seus pais ilegítimos.
A mãe de María Eugenia Sampallo Barragán foi sequestrada em 1977, grávida de seis meses, por comandos do último governo militar da Argentina (de 1976 a 1983).
A menina nasceu enquanto a mãe era mantida em um dos centros clandestinos de detenção do regime. O pai biológico da menina também foi sequestrado pelos militares e continua desaparecido.
Em 2001, Sampallo Barragán recuperou sua verdadeira identidade e agora enfrentará nos tribunais os que esconderam dela sua origem e a criaram como se fosse filha biológica deles: um casal formado por dois civis, Osvaldo Rivas e María Cristina Gómez Pinto.
O casal e o capitão aposentado do Exército Enrique Berthier, que entregou a menina aos dois, são acusados de ter tirado a criança dos pais e de ter apagado a identidade dela, segundo dados da organização de defesa dos direitos humanos Avós da Praça de Maio.
O governo militar montou um aparato de segurança encarregado de sequestrar, torturar e assassinar seus opositores, muitos dos quais jovens de esquerda.
Segundo entidades de direitos humanos, foram assassinadas 30 mil pessoas no período. Uma comissão independente conseguiu comprovar 11 mil casos do tipo.
Cerca de 400 bebês foram sequestrados durante a ditadura, e as Avós da Praça de Maio já recuperaram quase 90 dessas vítimas.
Em 2003, o então presidente do país, Néstor Kirchner, pressionou o Congresso e o poder Judiciário para que fossem revistas as leis de anistia aprovadas na década de 1980.
Dois anos depois, a Suprema Corte de Justiça considerou essas leis inconstitucionais, abrindo as portas para a retomada das investigações.
Dezenas de policiais, militares e agentes penitenciários aguardam presos o início de seu julgamento por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura
(Reportagem de César Illiano)
Tags: Argentina, desaparecidos, Ditadura Militar, justiça, Sampallo Barragán
é isso ai maria,
vai em frente,e que Deus te acompanhe,sempre.
Angela maria