Crédito farto e renda maior fazem consumo das famílias crescer 6,5%
Taxa acelerou ao longo do ano e, no último trimestre, alcançou 8,6%
Luciana Rodrigues e Mariana Schreiber – O Globo
Com crédito farto e renda em alta, o consumo das famílias brasileiras cresceu pelo quarto ano seguido em 2007. A expansão, de 6,5%, foi a maior desde o início da atual série do IBGE, em 1996. Em 1995, logo após o início do Plano Real e pelos dados com a metodologia antiga do PIB, o consumo das famílias avançou 8,6%.
Na casa de Pedro e Márcia Ribeiro, os gastos em 2007 superaram os de 2006 e, ainda assim, deu para economizar mais. O consumo familiar cresceu cerca de 40%, mas o dermatologista e a analista judiciária conseguiram poupar 20% mais. Além de duas viagens — uma à Argentina e outra ao Rio Grande do Norte —, eles reformaram o quarto de uma das filhas, Maria Eduarda, de 8 anos.
A obra custou R$ 8 mil e, nesse caso, por se tratar de construção civil, entrou nas estatísticas do PIB como investimento.
— No fim das contas, gastamos bem mais que em 2006 — contou Márcia, cuja renda mensal, somada com a do marido, chega a R$ 20 mil.
Segundo o IBGE, a expansão do consumo se deveu ao crescimento de 28,8% nas operações de crédito e ao ganho real de 3,6% no total de salários recebidos pelos trabalhadores.
Analista não vê risco de pressão inflacionária Além de recorde, o consumo das famílias acelerou ao longo de 2007. Começou o ano a um ritmo de 5,7%, frente a igual trimestre de 2006. Entre outubro e dezembro, a taxa subiu para 8,6%. O resultado surpreendeu analistas e levantou temores de que o Banco Central vá subir juros para frear a demanda. Mas, para Francisco Faria, da LCA Consultores, a forte expansão dos investimentos afasta os riscos de pressões inflacionárias.
— Ninguém questiona que o consumo está crescendo de forma acelerada. Mas alguns analistas duvidam se isso é sustentável.
Na nossa visão, não há motivos para preocupação.
Basta ver os investimentos.
Na família da professora Karine de Oliveira e do funcionário da Petrobras Frederico Santos, com renda mensal de cerca de R$ 5 mil, o ano passado foi de investimentos. O casal tomou um financiamento de R$ 20 mil e comprou um apartamento de dois quartos, por R$ 130 mil, em Vila Isabel.
— Tínhamos receio de fazer o empréstimo. Mas, agora, com a estabilidade da economia, dá para se endividar sem medo — disse Karine
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