Jogos Olímpicos de Pequim: ‘Uma faca de dois gumes’

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O regime autoritário em alerta máxima

O GLOBO ENTREVISTA JOSEPH CHENG YU-SHEK

PEQUIM. O professor de ciências políticas Joseph Cheng Yu-shek, da Universidade Chinesa de Hong Kong, afirma que as Olimpíadas são uma faca de dois gumes para qualquer regime autoritário que decida sediar os jogos, e o governo da China está descobrindo isso agora.

O GLOBO: A China corre o perigo de ver as Olimpíadas de Pequim serem boicotadas?

JOSEPH CHENG: As Olimpíadas são um perigo natural para regimes autoritários, e o que a China está experimentando é uma ameaça que se materializou nas Olimpíadas de Moscou, em 1980. Quando se joga luz sobre um país, mostram-se também suas práticas antidemocráticas. É uma faca de dois gumes.

E a China tem como reverter isso?

CHENG: A China está exercitando seus músculos diplomáticos na área externa, buscando apoio. Internamente, amplia a mobilização através de críticas aos tibetanos e à imprensa estrangeira. É um jogo típico em situações de pressão extrema. Na área externa, pode ser que consigam apoio dos aliados de sempre, mas há uma tendência das democracias mais independentes de apoiar movimentos de liberdades civis. Do ponto de vista doméstico, é hora de mobilizar a população contra inimigos do país, reforçando o nacionalismo.Esta é a estratégia de defesa.

A ameaça de boicote pode fazer a China mudar sua atitude com relação ao Tibete?

CHENG: Não acredito. Neste aspecto, as respostas da China são as mais equivocadas.
Eles mandaram à região dos conflitos, Meng Jianzhu, o chefe do Ministério da Segurança Pública, que representa a repressão. Pequim deveria ter mandado alguém com perfil conciliador, como o premier Wen Jiabao. Ele deveria fazer como na crise das nevascas, quando visitou estações de trem e disse que estava fazendo tudo para melhorar a situação. Já é mais do que hora de o governo ouvir os tibetanos, desculpar-se pelos abusos da Revolução Cultural e buscar um encontro com o Dalai Lama para tentar dar alguma legitimidade à sua presença na região.

O que o governo tem feito até agora para garantir essa legitimidade?

CHENG: China tem uma estratégia dura com a questão tibetana, que é o massacre da dissidência e o controle religioso; e um lado suave, que busca desenvolver a região.
Mas Pequim deveria aprender com a própria situação de exclusão no interior da China e ver que o crescimento econômico com políticas assistencialistas, sozinhos, nada legitimam. É preciso dialogar, e o governo da China não é bom nisso. (G.S.J.)

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2 COMENTÁRIOS PARA "Jogos Olímpicos de Pequim: ‘Uma faca de dois gumes’":

Comentado por cacia keli dos santos rocha em 05/08/2008 - 09:35h:

eu acho que os jogos olimpicos e muito importante para gente

Comentado por Thais em 13/08/2008 - 12:18h:

não vejo nadaa de importante nesses jogos paraa a gente !

 

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