Verdades

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CARTAS – O ESTADO DE SÃO PAULO

Educação em SP

A entrevista do economista Claudio de Moura Castro (17/3, A16) omite responsáveis pela grave crise educacional que ocorre no Estado de São Paulo. É preciso ter a ousadia para fazer o diagnóstico e levar em conta que em 13 anos de governo do PSDB foram fechadas 300 escolas (consideradas deficitárias), não se investiu na valorização dos profissionais, na estrutura física dos estabelecimentos ou em capacitação pedagógica. Hoje 80% das escolas estaduais estão com bibliotecas fechadas e laboratórios desativados. Além disso, o projeto educacional do atual governo não conseguiu despertar a auto-estima e o entusiasmo nos profissionais. São Paulo, apesar de ser o mais rico Estado da Federação, paga um dos menores salários a professores e funcionários. Por fim, considerar “obscurantista” um dos principais sindicatos de professores existentes no Estado e no País é, no mínimo, um descompromisso com a verdade.

ROBERTO FELÍCIO, deputado estadual (PT-SP), presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa
rfelicio@al.sp.gov.br
São Paulo

O economista Claudio de Moura Castro transformou entrevista ao Estadão em mais uma etapa da campanha que ele e outros defensores do ensino privado movem contra a escola pública e os professores. Ele assume a defesa do governo tucano de São Paulo, do qual, com ironia, reconhece a falha de não ter feito “milagre” na educação paulista. O entrevistado classifica o sindicato de obscurantista, diz que os professores ganham bem e faltam à vontade, culpa os moradores da periferia pelo fracasso das políticas educacionais dos governos tucanos e profere outras “verdades” típicas de quem pretende desqualificar a educação pública. Obscurantismo, mesmo, é pretender obter resultados educacionais sem investimentos na rede de ensino; é achar que não é possível fazer educação numa periferia “conflagrada”, como se, com o devido apoio do Estado e canais efetivos para a participação das comunidades, a educação não fosse a saída necessária para a juventude da periferia. Os professores estaduais ganham mal e não são valorizados pelo Estado; ao contrário, são perseguidos e punidos por políticas de avaliação, bônus e assemelhados. As escolas estão caindo aos pedaços e as jornadas de trabalho são estafantes. Tudo isso provoca estresse, desestímulo e inúmeros problemas de saúde entre os professores. Só não vê quem não quer.

CARLOS RAMIRO DE CASTRO, presidente da Apeoesp
presiden@apeoesp.org.br
São Paulo

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1 COMENTÁRIO PARA "Verdades":

Comentado por José Rocha em 18/03/2008 - 15:23h:

Há mais em jogo nesta história do que opiniões ideológicas sobre os rumos da educação paulista. Tem gente de olho no “mercado” da gestão de escolas públicas, que pode ser dominado pelas chamadas OS, consultorias, OSCIPs e todo tipo de empresas disfarçadas de ONGs e vinculadas a grandes grupos empresariais do ramo da educação. Mas existe um grande adversário desta “solução”: o maior sindicato do Brasil, a APEOESP. Por isto, é preciso tentar desmoralizá-lo e criar todo tipo de obstáculo para a participação dos professores em suas atividades. É por razões como esta que, no mesmo período, a secretária da Educação foi convidada para entrevistas na Veja, Folha, Estado, sempre secundada pelos mesmos “especialistas”, todos falando a mesma coisa. Além da concepção educacional conservadora e anti-escola pública, business.

 

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