West Side Story, no DVD gravado por Leonard Bernstein
Partitura para não seguir regras, como seu compositor
DVD com gravação feita nos anos 1980 por Leonard Bernstein oferece olhar sobre o processo criativo do maestro americano
João Luiz Sampaio - O Estado de São Paulo
O compositor e maestro Leonard Bernstein (1918-1990) fez uma gravação de West Side Story - e apenas décadas após escrever o musical, em meados dos anos 80. Reuniu um elenco estelar - a soprano Kiri Te Kanawa e o tenor José Carreras, queridinhos do cenário operístico da época, a meio-soprano Tatiana Trotyanos, grande nome da ópera americana, e um jovem revelação, o barítono Kurt Ollman. O registro histórico tem face dupla: de um lado, o CD; de outro, o making-of das gravações. Ambos fazem parte de uma edição especial lançada no final do ano passado pelo selo alemão Deutsche Grammophon para marcar os 50 anos da estréia do musical (há também edições individuais dos dois produtos, todas elas importadas).
Não há muito a dizer sobre as vozes, além de ressaltar o modo especial como se combinam na recriação dessa música - Bernstein conta que, quando escrevia o musical, ouviu diversas vezes de Jerome Robbins e Stephen Sondheim que não escrevesse uma ópera; seu prazer secreto, revela, foi criar linhas de canto que se prestassem também à impostação lírica para, um dia, gravar o musical com cantores de ópera. O mais interessante, porém, é o DVD com o making-of da gravação, com curiosidades e lances para deixar qualquer melômano feliz: Bernstein se desentende com Carreras que, por sua vez, se aborrece e deixa o estúdio xingando algo em espanhol; reclama dos produtores, demonstra seu nervosismo quando um dos microfones falha e ele é obrigado a refazer um dos takes das Danças Sinfônicas; elogia Kiri, irritando as colegas; e por aí vai.
Dos momentos curiosos o que sobra, porém, é a própria personalidade de Bernstein. O gênio difícil sempre foi componente importante da imagem que o maestro e compositor vendeu ao mundo musical. Mais do que isso. Os auto-elogios, as auto-referências, as mudanças de humor - e a percepção de que todos esses elementos sugeriam uma mística em torno de si mesmo - mostram uma personalidade forte, e hábil, que escorregou para a música e permitiu ao compositor ser uma voz dissonante entre as escolas e tendências que pautaram a produção musical do século 20. Se Bernstein seguiu alguma escola, foi nela reitor, professor e aluno rebelde. E, nesse contexto, West Side Story, na apropriação que faz da cultura americana, na mistura de gêneros e na qualidade da escrita, seria a nota dez que garantiria ao artista formar-se como o grande nome da música americana do período.
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Acaabei de ver o making off desse filme e seus comentários são bastante inteligentes e precisos. Nada a acrescentar . só a agradecer as informações.