Acordo Serra-Kassab-Quercia acirra a crise no PSDB de São Paulo
Sérgio Lima/Folha
Uma das particularidades do acordo eleitoral e do apoio do PMDB a candidatura de Kassab é o fato que este acordo foi organizado pelo governador Serra, do PSDB. Ou seja, aparece confirmada a determinação do setor serrista do PSDB em impedir uma candidatura própria à prefeitura, em favor da aliança em favor de Kassab.
O acordo é diretamente um golpe contra Alckmin e indica que o governador Serra não está disposto a ficar a meio caminho na luta contra um candidato tucano à prefeitura. Se Alckmin não obtemperar e manter sua candidatura, teremos um candidato DEM-PMDB trabalhando com o apoio e em favor de José Serra, contra um candidato do PSDB que será adversário direto do governo estadual tucano e da administração municipal demo-tucana. Uma situação ainda mais esdrúxula pois Alckmin, por enquanto, não questiona em nada a política aplicada por Serra-Kassab na prefeitura de São Paulo.
As declarações de Kassab, Quercia, FHC visam propor a Alckmin uma capitulação e renúncia a suas pretensões, em troca de uma hipotética candidatura ao governo estadual em 2010. Se Alckmin aceitar, o PSDB poderá fazer parte da coligação do DEM-PMDB e segundo Kassab poderá designar o vice. Como o ex-governador Quercia não protestou, fica implícito o acordo do PMDB em abrir mão do lugar de vice na chapa, para ajudar a tirar do páreo o adversário Geraldo Alckmin.
O resultado imediato da jogada de Serra-Kassab terá sido a de debilitar publicamente a candidatura de Alckmin, apresentando-o como um outsider, contrário a união da situação demo-tucana e peemdebistas. Rapidamente Ricardo Noblat no seu blog traduziu este desejo serrista fazendo um chamado para mostrar a porta para Alckmin. Outro resultado da habilidade mostrada por Serra é o entusiasmo que provocou nos articulistas afins nos jornais. Todos saudaram o “trunfo” de Serra , parecendo compartilhar o desejo de Noblat de mostrar o caminho de Pinhamonhangaba para o “gerentão”, que até pouco tempo atrás, todos eles queriam como cunhado.
Para o PT a decisão do PMDB de apoiar Kassab significa deixar de acrescentar um importante tempo de TV a sua candidatura, mas é também um sinal das dificuldades em assegurar o PMDB na base de apoio do governo federal. No que concerne às eleições municipais, onde o peso regional é muito forte, isto é evidente. No plano nacional o problema começará mais abertamente após o pleito eleitoral de 2008.
De outro lado, que o polo de agrupamento dos serristas, DEM e PMDB tenha como cabeça de chapa o atual prefeito Gilberto Kassab, em terceiro lugar nas pesquisas, e não Geraldo Alckmin, que até pouco tempo atrás se perfilhava como o favorito, reforça a possibilidade de uma vitória da oposição petista. Não só pelo clima de guerra e de golpes baixos que estão desgarrando o PSDB, mas também pelo resultado pifio de sua administração na capital.
Luis Favre
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Perguntas que não querem cala: O que o Kassab terá a mostrar ou dizer nos seus 7 minutos de TV???; Ficará apenas tocando um clip, como fazia em suas campanhas a deputado federal (o indefectível “federal é Kassab, estadual é Rodrigo”, adaptado para “prefeito é Kassab, 1º secretário é Quercia”)??? Mostrará que deu continuidade às obras da Marta, como a ponte estaiada, os CEUs, ao uniforme, material e transporte escolar gratuitos??? Dirá que não acabou com o bilhete único criado pela Marta??? Prometerá que agora vai fazer 110 km de corredores de ônibus, como fez a Marta, e que investirá para aumentar a oferta e melhorar a qualidade do transporte coletivo para substituir a MOBILIDADE ZERO, que é a grande marca de sua gestão?, dira que terminou os hospitais campo limpo e tiradentes erguidos pela marta?? Em quem será que o povão preferirá votar: numa candidata criativa, inovadora e que consegue tirar as idéias do papel ou num reles imitador barato, sem projetos e que não tem discurso, até porque não pode dizer a que vem???
opinião reproduzida de Helio ,são paulo