Corantes sob suspeita

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Autoridades européias querem banir aditivos que causariam hiperatividade em criança

O GLOBO

Autoridades de saúde européias recomendaram a proibição de seis corantes artificiais até 2009. Eles são suspeitos de causar hiperatividade e outros distúrbios de comportamento em crianças suscetíveis. Os aditivos são empregados em doces, bolos e refrigerantes e estão em uso no Brasil. A Agência de Alimentos do Reino Unido (FSA, na sigla em inglês) recomendou aos governos de países da União Européia que peçam as indústrias para banir os seis corantes até o fim de 2009. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), quando há uma decisão internacional como esta, ela costuma levar a medida em consideração para ver se é o caso de adotá-la no Brasil.

A FSA também vai aconselhar e reforçar o alerta aos pais a respeito dos perigos das substâncias tartrazina (E102), amarelo quinolina (E104), amarelo pôr-do-sol (E110) carmoisina (E122), Ponceau 4R (E124) e vermelho allura AC (E129). Estes corantes e o preservativo benzoato de sódio (E211) foram associados à hiperatividade em estudo da Universidade de Southampton, no Reino Unido. As crianças tornaram-se distraídas e falharam em testes de atenção.

No momento, não há qualquer estudo na Anvisa para mudar o uso de corantes em alimentos.

Há apenas uma pesquisa em andamento na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, sobre os efeitos da tartrazina no organismo humano. A suspeita é que a substância pode provocar reações alérgicas.

A relação dessas substâncias é encontrada nos rótulos e os consumidores brasileiros podem conferir se eles estão na lista dos corantes que a FSA considera suspeitos de provocar distúrbios em crianças.

Os autores da pesquisa britânica estimam que 30% dos casos de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) seriam evitados se a indústria retirasse os corantes dos alimentos. Com essa decisão, grandes fabricantes e distribuidores teriam de reformular centenas de produtos, incluindo sorvetes, doces, shakes e refrigerantes.

Alguns produtos para os quais ainda não foram encontrados substitutos, como bolos, podem ser retirados temporariamente ou de forma definitiva. Os autores do estudo, publicado na revista científica “The Lancet” em setembro, disseram que os aditivos foram tão nocivos quanto o chumbo na gasolina, o qual foi banido depois de baixar em cinco pontos testes de QI em crianças. De acordo com pesquisadores, há evidências de que os aditivos pioram o comportamento de crianças normais e com TDAH.

— É dever da FSA colocar os consumidores em primeiro lugar. Esses aditivos dão cor aos alimentos, mas não apenas isso. Então seria razoável, à luz do estudo, removêlos — disse Deirdre Hutton, diretora da agência.

Substâncias deixam crianças distraídas

 A direção da FSA não tomou qualquer medida contra o benzoato de sódio porque ele é um preservativo, não um corante. O E211, que também está associado a problemas de saúde, é encontrado em refrigerantes e sua retirada iria exigir grandes investimentos e desafios tecnológicos por parte das indústrias.

A agência diz que a decisão não “significa a retirada imediata das substâncias”. Desde a década de 70, o consumo dos chamados aditivos “E” está relacionado com problemas de comportamento, mas esse debate se intensificou com o estudo da Universidade de Southampton.

— Esta decisão é uma notícia importante para as crianças e seus pais. Há muitos anos sabemos que os aditivos alteram o comportamento das crianças — disse Richard Watts, do Children’s Food Campaign.

Já a Federação de Bebidas e Alimentos classificou a decisão do FSA como “bizarra”, e disse que “a maioria dos produtos não contém estes corantes.” Órgãos ligados à saúde criticaram o fato de FSA recomendar o cumprimento voluntário da decisão, em vez de proibir diretamente os compostos

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