Hillary aparece com mais chances de vencer McCain que Obama

da Folha Online
A pré-candidata democrata à Presidência dos EUA Hillary Clinton aparece com 9% a mais de intenções de voto que o provável candidato republicano John McCain, em pesquisa da Associated Press-Ipsos, dando força ao seu argumento de que ela tem mais chances de ser eleita que seu rival, Barack Obama. Em um cenário entre Obama e McCain, os dois estão tecnicamente empatados, segundo a pesquisa.
A sondagem divulgada nesta segunda-feira dá à senadora por Nova York um novo impulso em seus esforços por arrecadação de verbas e para persuadir superdelegados indecisos a ficarem ao seu lado, na convenção nacional da legenda, que decidirá o candidato do partido.
Ajudada por independentes, jovens e eleitores mais velhos, Hillary ganhou terreno neste mês em uma disputa hipotética com o senador pelo Arizona, que já alcançou o número necessário de delegados para se tornar o candidato republicano e aguarda a nomeação oficial. A ex-primeira-dama aparece liderando com 50% das intenções de voto contra 41%, enquanto Obama aparece tecnicamente empatado com McCain, com 46% contra 44%.
Os dois democratas apareciam praticamente empatados com McCain na pesquisa anterior, há cerca de três semanas.
Desde então, Hillary venceu a primária democrata na Pensilvânia, levantando dúvidas se Obama pode atrair eleitores de perfis diversos necessários para vencer em grandes Estados em novembro, quando o candidato democrata enfrentará McCain. Hillary venceu as primárias de praticamente todos os grandes Estados dos EUA, como Califórnia, Ohio e Texas.
Ao mesmo tempo, Obama foi colocado na defensiva após afirmar que os residentes de pequenas cidades dos EUA, amargurados, estavam recorrendo a armas e à religião, tendo sido deixados para trás no processo político. O senador pelo Illinois também teve que continuar a lidar com as controversas declarações de seu ex-pastor Jeremiah Wright.
Disputa democrata
“Não acho que exista nenhuma questão nas últimas três semanas que tenha melhorado sua situação (de Hillary)”, disse Harrison Hickman, pesquisador democrata que não apoiou nenhum dos pré-candidatos. Ele atribuiu os resultados de Hillary à mudança da população de um “estado de admiração”, no qual escolhiam o candidato que mais gostavam, para um “estado de tomada de decisão”, onde determinam quem deve ser o melhor presidente.
A pesquisa Associated Press-Ipsos mostra Hillary e Obama praticamente empatados na disputa pela nomeação democrata. Destacando as profundas divisões dentro do Partido Democrata –e um possível impacto negativo a longo prazo–, 30% dos eleitores de Hillary e 21% dos que apóiam Obama afirmaram que votarão em McCain em novembro se o seu candidato não vencer a nomeação.
Obama conseguiu mais delegados que Hillary nas primárias, mas ela têm vantagem sobre os superdelegados, sendo que cerca de um terço dos 800 pesos pesados do partido que participam da decisão do nomeado ainda não declararam quem apóiam.
Howard Dean, líder do Partido Democrata, disse nesta segunda que um dos dois saberá que é hora de desistir quando a temporada de primárias terminar, em junho, em tempo de os democratas se unirem antes da convenção em agosto e da campanha até novembro.
Dean também pediu aos superdelegados indecisos –membros do Comitê Nacional Democrata, assim como governadores e legisladores democratas– a se alinharem com um dos pré-candidatos antes da convenção, para que o partido se una contra McCain.
Cerca de metade dos entrevistados na sondagem disse que a longa disputa democrata irá prejudicar as chances do partido em novembro. Mais simpatizantes de Obama que de Hillary manifestaram essa impressão.
Com Associated Press
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