Turismo dá largada para a Copa de 2014
Presidente da CBF diz que iniciativa de planejamento do Ministério do Turismo coloca o Brasil à frente de outras experiências em países que já sediaram o evento
Rio de Janeiro (25/04) – A ministra do Turismo, Marta Suplicy, ao lado do secretário de Turismo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, do diretor da Empresa Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape-FGV), Bianor Cavalcante, e do presidente do Fornatur, Bismarck Maia – abriu, nesta manhã (25), no Rio de Janeiro, o Seminário Internacional: Perspectivas e Desafios para o Turismo – Copa de 2014. “Para nós, do turismo, a ordem é uma só: planejar. A Copa é a grande oportunidade para o país ampliar a visibilidade que tem perante o mundo e temos que aproveitá-la”, disse a ministra.
Segundo Marta Suplicy, o Ministério do Turismo alinhava, junto a outros ministérios, questões necessárias para desenvolver o setor. “No governo somos um time e nossa função é apontar e encaminhar o que pode fazer diferença para o turismo”, explicou a ministra em coletiva logo após a abertura do seminário.
Da coletiva, participaram também Eduardo Paes e Ricardo Teixeira. Entre os temas em destaque, foram tratadas questões de infra-estrutura, como o projeto do Trem Bala Rio-São Paulo, que vem sendo planejado pela Casa Civil. Também a questão da Aviação Regional, cuja contribuição do Ministério em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar) já resulta em um estudo, que será entregue ao ministro da Defesa, Nelson Jobim. “É um estudo que aponta onde são necessários investimentos para incremento da Aviação Regional”.
Ricardo Teixeira destacou na coletiva que não se deve falar em custo, quando se pensa em Copa do Mundo, mas sim em investimento. “Tudo que está sendo feito numa Copa ficará para o país”. O presidente da CBF alertou que hoje é difícil mensurar valores porque as cidades-sede, “10 ou 12”, ainda não foram escolhidas. “A ministra do Turismo está certa quando fala que o momento agora é de planejar. Posso garantir, como membro do Comitê-Executivo da Fifa, que acompanhou as Copas desde 1990, que estamos avançados em relação ao que aconteceu em outras Copas. Ou seja, nós já estamos planejando há sete anos muita coisa que não foi planejada em outros países nessa época. O caminho é esse”.
Marta Suplicy observou que o Ministério do Turismo vai utilizar as informações do Estudo de Competitividade feito em 65 destinos, nos quais todas as capitais estão incluídas. “Isso significa que todas as cidades candidatas à Copa de 2014 também já foram avaliadas. Agora, vamos aprofundar os dados que temos, do ponto de vista quantitativo e qualitativo, para saber, por exemplo, a capacidade hoteleira de determinada cidade e a prestação de serviços turísticos ao visitantes. Por enquanto, não temos como mensurar valores. Nosso estudo vai possibilitar isso”, afirmou Marta Suplicy.
O secretário de Turismo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, lembrou que hoje, por meio do Ministério do Turismo, existe possibilidade de acesso a crédito do Prodetur Nacional (financiado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID) para investimentos infra-estrutura, qualificação e promoção turística. Estão disponíveis pelo Programa US$ 1 bilhão. O acesso aos recursos é negociado por estados e municípios, com apoio técnico do MTur, e necessita de aprovação da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) do Ministério do Planejamento.
A segurança foi mais um tema abordado na coletiva. Eduardo Paes acredita que o modelo bem-sucedido adotado durante os jogos Pan-americanos 2007, no Rio de Janeiro, pode ser ponto de partida para o planejamento nas cidades que pleiteiam ser sedes da Copa de 2014. Ricardo Teixeira lembrou que durante a Copa da Alemanha, França e Estados Unidos o patrulhamento dos estádios foi feito por exércitos e forças nacionais desses países.
Serviço: Realizado pelo Ministério do Turismo, o Seminário Internacional: Perspectivas e Desafios para o Turismo – Copa de 2014 é o primeiro passo para orientar o turismo brasileiro a se organizar para a realização da Copa de 2014 no Brasil. Na abertura, a ministra do Turismo e o diretor da Ebape-FGV assinaram convênio no valor de R$ 865,8 mil (R$ 786,8 mil parte do Ministério e o restante da FGV) para a realização de estudo sobre as 18 cidades candidatas a sede e subsedes dos jogos da Copa de 2014. Com esse estudo, a previsão é que daqui a 12 meses o turismo saiba quais as reais necessidades de investimentos para a Copa de 2014.
Leia a íntegra do discurso da ministra Marta Suplicy no evento
Discurso Ministra Marta Suplicy
Evento: Seminário Turismo e Copa 2014
Local: Sofitel Rio de Janeiro
Data: 25/04/08
Boa tarde a todas e todos!
Estou especialmente satisfeita hoje porque, com esse encontro, com os debates que virão em seguida, estamos começando a preparar o time do turismo brasileiro para a maior de todas as partidas que nosso time já disputou. A Copa de 2014 é a grande oportunidade para o país ampliar a visibilidade que tem perante o mundo como país de gênios do futebol e como local de excelência para a realização de grandes eventos desportivos internacionais. Para nós, do turismo, a ordem é uma só: planejar. Se planejarmos bem, teremos um êxito extraordinário.
Vejam bem a grandiosidade do evento: 26 bilhões de telespectadores, em 240 países, assistiram aos jogos de 2006, que aconteceram na Alemanha! Mas, nós sabemos que muito maiores serão os números que vamos ter já na África do Sul e, provavelmente, maiores ainda quando a Copa vier para o Brasil. Esses dados – de 2006 – são da Fifa e dão uma idéia da nossa responsabilidade – governo federal, governos estaduais e municipais, trade turístico – para que tudo dê certo, todas essas instâncias têm de estar juntas porque os desafios vão ser gigantescos.
Hoje, estamos aqui para ouvir as experiências dos especialistas; conhecer como cada país se preparou; o que deu certo, o que podia ter sido melhor, saber os detalhes e, principalmente, as experiências que podem nos ajudar a ter o melhor rumo, a melhor escolha. Cada país tem sua peculiaridade, mas a gente sabe que muita coisa pode ser evitada e o caminho ser encurtado se ouvirmos o que foi melhor na experiência de cada país. O objetivo do Ministério do Turismo, ao promover, junto com a FGV, este seminário Perspectivas e Desafios para o Turismo – Copa do Mundo 2014 é dar a arrancada.
Gostaria de passar para vocês um pouco do que o Ministério do Turismo já fez, ou vem fazendo, na sua esfera, em relação à Copa de 2014 e para tornar o Brasil referência mundial na realização de grandes eventos.
No início deste mês, divulgamos o Relatório Brasil, que é o Estudo de Competitividade dos 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional.
O estudo foi feito pela FGV com o intuito de focarmos nessas 65 cidades e destinos o que podem desenvolver a região como um todo, para ter um nível internacional turístico até 2010. Só que o que você necessita para um destino ter um nível internacional não é necessariamente o que vai servir, depois, para uma Copa, pois esse é um evento específico.
A Copa demanda, por exemplo, informações sobre o número de leitos suficientes para abrigar turistas que venham a Copa do Mundo.
Então, hoje vamos continuar esse Estudo de Competitividade para dar a esses destinos subsídios que orientem ações e investimentos, públicos e privados, para melhorar a infra-estrutura, dar mais qualidade ao nosso receptivo e oferecer aos visitantes uma acolhida que estimule o retorno ao nosso país.
Em relação à Copa de 2014, já sabemos que, para receber visitantes de origens tão diversas, teremos de oferecer serviços de qualidade impecável na sinalização turística – que ainda é uma das maiores demandas da nossa infra-estrutura. Vamos ter que ter, também, receptivos adequados.
Nosso Plano Nacional de Turismo (2007/2010) propõe metas a atingir que já nos colocam essas necessidades. Mas, o salto de qualidade que pretendemos, diante do desafio de planejar e realizar uma Copa, compreende mais.
Precisamos dotar as cidades de infra-estrutura para melhorar a mobilidade dos turistas e dos cidadãos. Os estudos já têm mostrado que as pessoas que vão a uma Copa, enquanto seu time não está jogando, se deslocam até três horas do local onde estão acontecendo os jogos.
É parte das responsabilidades do Ministério do Turismo averiguar as estradas nessas locomoções, os roteiros turísticos que as pessoas podem usar para se deslocar; se os restaurantes estão adequados; se temos hotéis; se as pessoas falam outras línguas. Enfim, a qualidade dos serviços.
Não é só o serviço da cidade que sedia aquele jogo, mas todo o entorno.
A Copa não apresenta uma cidade só. Apresenta um país. Vamos ter a chance de mostrar, quem sabe, até 12 cidades brasileiras.
Essas cidades, o mundo todo vai ter intimidade com elas. É uma grande chance para nós, brasileiros.
São muitas as providências a serem tomadas e nós temos essa consciência e estamos planejando.
Todas as informações que temos, por exemplo, da Copa da Alemanha de 2006, exigiu da Alemanha 10 bilhões de euros em investimentos. Em compensação, atraiu 3,5 milhões de turistas entre 2003 e 2006 e 21 milhões de visitantes durante a realização dos jogos. A indústria do turismo cresceu mais de 19% e cerca de 40 mil empregos permanentes foram criados. As vendas no varejo alcançaram 2 bilhões de euros. Mas esses são números que, com certeza, vocês conhecerão melhor durante os debates da tarde. Vamos entender como é que se conseguiu chegar nisso. Quais foram os passos. São vários eventos até chegar na Copa. Temos de preparar cada um para apresentar nosso país, para nos colocarmos no mercado.
No mês passado, estive na China para conhecer de perto os preparativos para os Jogos Olímpicos, que começam dia 8 de agosto. Lá, foram aplicados 34 bilhões de dólares em infra-estrutura, além da construção de 37 novas arenas esportivas, mais seis linhas de metrô e a reformulação de seus principais aeroportos.
Na África do Sul, que se prepara para a Copa de 2010, o governo reservou 2 bilhões de dólares para investimentos em estádios, transporte público e infra-estrutura. Lá, espera-se arrecadar cerca de 3 bilhões de dólares somente em taxas governamentais e gastos dos 400 mil visitantes que são esperados. A expectativa é, também, de receber mais de 3 bilhões de dólares em patrocínio e direitos de transmissão do evento.
São números gigantescos. Que exigem rigoroso planejamento e sintonia entre todas as instâncias diferentes de governos, além da iniciativa privada e diversos atores envolvidos na aplicação dos recursos. Vou dar um exemplo concreto do que o Ministério do Turismo pode fazer. Por exemplo, esse estudo que estamos assinando hoje com a FGV vai focar 18 cidades que pleiteiam sediar a Copa. Nesse estudo, uma das coisas mais importantes para o turismo é a avaliação do setor hoteleiro.
O Ministério do Turismo não constrói hotéis. Mas o Ministério do Turismo tem como responsabilidade diagnosticar a rede hoteleira das cidades. Precisamos dizer: olha essa cidade tem tantos hotéis e pousadas, com capacidade para tantas pessoas. Isso, sim, faz parte da nossa responsabilidade. Por isso, estamos assinando esse estudo.
Vamos ter, também, necessidade de um número muito fino do que precisaremos qualificar de profissionais. E isso não é só para 2014.
Outra questão é referente à infra-estrutura. Na semana passada, por exemplo, fizemos uma reunião no Palácio do Planalto sobre o Trem Bala, que vai de São Paulo para o Rio de Janeiro. Temos um limite para que o Trem Bala fique pronto até 2014. O Trem Bala é vital para a Copa do Mundo. Estamos em 2008 e, se não nos apressarmos, não ficará pronto. A viagem será de 80 minutos. Tanto cariocas como paulistas ficarão muito contentes.
Estou muito satisfeita pelo Ministério do Turismo estar fazendo esse seminário que vai permitir a nós, brasileiros, a aprender com nossos colegas de outros países que já tiveram essa experiência.
Agradeço, aqui, a presença do Ricardo Teixeira, presidente da CBF, à frente de toda essa organização. Queremos possibilitar que turistas do mundo todo possam ser acolhidos com respeito, qualidade, dignidade, acesso e aquilo que não tem treino, mas o brasileiro tem: hospitalidade e carinho para quem chega.
Muito obrigada, a vocês, pela presença e tenham excelentes debates.
3 COMENTÁRIOS PARA "Turismo dá largada para a Copa de 2014":
todo o povo goiano tem que lutar!! goiania e considerada umas das cidades mais belas do brasil nao tem violencia uma cidade super ecologica! e agradeco o meu prefeito e todos o que estao com ele o seu esforcos
A Cidade-Sede em uma região tem que trazer os benefícios para a população de outros Estados e demais Municípios. O acesso entre esses Estados e Municipios tem que ser facilitado com transportes e deslocamentos via Terrestre, Fluvial e Aérea. A Cidade-Sede tem que ser localizada em uma área adjacente de acesso fácil sem obstáculos ou impedimentos para que sejam dadas as oportunidades para a absoluta maioria da população da região.
Penso que a Sub-Sede de de uma Copa do Mundo não pode ficar “Isolada” e nem deve ficar restrita apenas ao Estado ou a Cidade-Sede pois os favores do evento tem que ser ampliados para que seja certo de alcançar a participação da população dos demais Estados e Municipios pelo Brasil, tudo isso é para que a maioria absoluta dos habitantes da região possam ter garantias da consideração de fazer lograr a parte dos favores do evento.
Com referência aos estádios é preciso levar em conta as condições para utilização dos mesmos não apenas por ocasião do evento mas também depois que terminar, para que depois não venham a se transformarem em verdadeiros “Elefantes Brancos” sem finalidade de utilização e cuidados de manutenção, É preciso também levar em consideração o apelo popular a paixão do povo pelo futebol assim como a frequencia do público nos estádios. Os estádios não podem ser construídos apenas para o evento e depois deixados de lado a míngua. É necessário que sejam justificados os projetos de grande custo para que os estádios não fiquem desprezados.
O dinheiro público ou privado não pode ser usado de forma desiquilibrada, não pode ser gasto desordenadamente e nem desperdiçado de forma irresponsável.
Sou de Goiânia e sinto uma enorme felicidade, em poder acompanhar os esforços conjuntos do governo federal, iniciativa privada, trade turisco e as lideranças do esporte mundial articulando essa mega operação em favor da Copa de 2014. O melhor de tudo isso, é que Goiânia está no páreo para sediar e colaborar com a coordenação geral do evento, pois, faço parte do Comitê Universitário Pro – Copa de 2014 em Goiânia. A Capital goiana, é bem avaliada por muitos como a cidade ecologicamente correta e por onde passam todos os caminhos que corta nossa querida Pátria e, sem sombra de dúvidas,o coração do Brasil!
“Pra frente Brasil!” Pra frente GOIÂNIA!
obrigado.