A memória da Folha sobre a ponte da Marta

“A memória da ponte O ombudsman recebeu 23 questionamentos sobre a cobertura da inauguração da ponte Octavio Frias de Oliveira no domingo passado.
Todas para saber por que o jornal, que três anos antes havia publicado editorial para condenar a obra, agora a noticiava sem nenhuma crítica à construção.
Nas mensagens, era possível perceber motivações diversas. Havia desde pessoas claramente sinceras no seu desejo de esclarecer o que lhes parecia uma contradição até indisfarçáveis articulações de cunho político-partidário.
A Folha teria se poupado desse desgaste previsível se tivesse publicado na página que registrou a solenidade uma simples retranca para lembrar sua posição sobre a obra no passado e agora.
Instada pelo ombudsman, a Secretaria de Redação enviou a seguinte nota: “A Folha considerou e considera que a obra, dispendiosa, não é prioritária. Essa era a opinião pessoal do próprio sr. Octavio Frias de Oliveira. Hoje, a ponte é uma realidade. Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram. Essas considerações não têm relação com o fato de, agora, o poder público homenagear o sr. Frias batizando a ponte com seu nome. Seria descabido que a Folha ou a família Frias rejeitassem uma homenagem a seu líder”.
Parece-me uma explicação justificável. Deveria ter constado do noticiário de domingo. Assim como também poderia ter sido lembrado pela reportagem que a ex-prefeita Marta Suplicy, responsável pelo início do projeto, não foi convidada para a inauguração.” (ombudsman – Folha de SP, hoje).
Algumas ponderações rápidas.
O ombudsman distingue entre os questionamentos que recebeu, os “sinceros” até os “indisfarçáveis”. Estes últimos, por serem político-partidários, seriam menos “sinceros”?
A Secretaria de Redação respondeu ao Ombudsman que “considerou e considera a obra dispendiosa”. Ou seja era dispendiosa quando custava R$147 milhões com Marta, e é dispendiosa agora que custou R$270 milhões com Kassab. Convenhamos que ela não é igualmente dispendiosa, quando dobra de preço. Porem, isto não esclarece porque a Folha sonegou esta verdade factual: com Kassab a ponte custou o dobro.
Sibilina, a Secretaria de Redação da Folha diz:(a ponte) “Foi completada, aliás, num período em que as finanças da prefeitura melhoraram”. A Ponte foi projetada como parte da Operação Urbana financiada pelos títulos criados por Marta, os CEPAC, para não usar dinheiro das “finanças da prefeitura”. Esse dinheiro arrecadado pela venda dos títulos, por lei, só podia ser usado na região para melhoras de infra-estrutura e urbanismo, o que além da ponte incluía a construção de 8.500 moradias para substituir as favelas na região. Ou seja a situação das “finanças da prefeitura” não justifica nada, menos ainda o preço pago por Kassab.
A Ponte leva o nome do fundador da Folha, que segundo a nota acima era contra esse projeto. Como ele faleceu e não tenho motivos para desconfiar que está afirmação da Secretaria de redação não seja verídica, Octavio Frias, lá no céu, deve considerar uma ofensa de ter o nome associado a uma obra inútil, dispendiosa e desnecessária. Mas o que seguramente deve te-lo deixado arrepiado e que o seu jornal tenha sonegado todas essas informações aos seus leitores, só para agradar José Serra e Gilberto Kassab.
Luis Favre
Tags: , Cepac, favelas, Favre, Folha SP, FSP, jornal, José Serra, Kassab, Marta Suplicy, Octávio Frias, ombudsman, ponte da Marta, Ponte Estaiada, Prefeitura SP, urbanismo7 COMENTÁRIOS PARA "A memória da Folha sobre a ponte da Marta":
deveriam inventar um ombudsman do ombudsman.
Só uma pergunta eu gostaria de fazer a Folha: Se as finanças da prefeitura MELHORARAM (o que justificaria a ponte estaiada-dispendiosa segundo o homenageado e frescura segundo o Serra), o que justifica então o aumento na tarifa de onibus na cidade de são paulo depois das eleiçoes ?, em uma cidade que ja conta com uma das tarifas mais caras do mundo?
se as contas da prefeitura melhoraram dessa maneira, esta mais do que na hora da populaçaõ começar a desfrutar de tamanha competencia demo-tucana, ao invés de se usar o cofre para obras ”frescura” segundo o governador.
Deve ser por estas e outras que dizer tratarem a Folha de: Falha de São paulo.
!! @v@nte !!
A única recomendação que eu faria: dêem menos importância à FSP, e façam como eu e parte seus ex-leitores, deixem de ler esse jornaleco. Muitos tem feito isso, já que vem caindo o número de seus leitores.
Vc viu o comentário no blog do Eduardo Guimarães?
E o ombudsman ainda disse que a Folha conseguiu se justificar. Isso é uma piada.
Em 2005 a Folha disse que a obra era desnecessária, e hoje? Esse ombudsman não vai longe.
[...] Ver também A memória da Folha sobre a ponte da Marta [...]

É preciso lutar sempre, é claro, mas chega a desanimar quando vemos o ombudsman da Folha justificar, por antecipação, a posição da Folha, dizendo que bastaria ao jornal publicar uma nota com suas posições, diametralmente opostas, no passado e agora. Também considera justificável uma explicação cínica da Secretaria de Redação. Terrível.