ELEIÇÕES 2010: O jogo duplo eleitoral do PMDB

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Nas capitais, o partido se divide entre acordos com legendas da base de apoio a Lula e da oposição. Com isso, mantém as portas abertas para qualquer composição nas eleições presidenciais de 2010

Gustavo Krieger – Correio Braziliense

Da equipe do Correio

Na semana passada, o presidente do PMDB, Michel Temer, encomendou à sua assessoria um estudo sobre as alianças do partido em todas as capitais brasileiras. Buscava mostrar que os peemedebistas continuam a ser parceiros do PT e do governo Lula, apesar do impacto provocado pela adesão da seção paulistana do partido à campanha de reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Na verdade, o mapa das coalizões deixa claro que o PMDB continua a seguir sua política de sempre. Distribui suas forças entre vários palanques e garante a condição de aliado privilegiado de qualquer um que deseja conquistar o poder.

O governo Lula é o “plano A” do partido, ao menos por enquanto. A escolha faz sentido. Os peemedebistas ocupam cinco ministérios e conquistaram cargos estratégicos de segundo escalão e na direção das maiores empresas estatais. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a ter altos índices de popularidade, que fazem dele um importante eleitor nas campanhas municipais deste ano. Ao PMDB interessa disputar as eleições com o rótulo de partido governista.

Esse quadro fez com que o PMDB entrasse com boa vontade nas negociações com o PT em diversas capitais. A legenda deve apoiar candidatos petistas às prefeituras de Vitória, Teresina, Fortaleza, Natal, Porto Velho, Maceió e Belém. Pode ainda fechar com os petistas em Curitiba e no Rio de Janeiro. Na contramão, a única capital na qual os petistas apóiam um nome do PMDB é Goiânia. E lá, a adesão à reeleição do prefeito Iris Rezende rendeu confusão. Foi aprovada por uma estreita margem no diretório regional e os derrotados apresentaram recurso à direção nacional do PT.

“Nas eleições de 2004, PT e PMDB foram aliados em 1.260 cidades”, recita Temer, depois de um cuidadoso estudo. “Este ano, o número vai aumentar”, prevê. Tudo bem, mas os números escondem uma relação complicada entre as duas legendas. Os conflitos são mais comuns que os acordos. São Paulo é o caso mais sintomático. O ex-governador Orestes Quércia negociou o apoio a Kassab diretamente com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), principal adversário do PT e do governo Lula. Quércia já anunciou o apoio à candidatura presidencial de Serra em 2010.

Os dois partidos vão se enfrentar nas urnas em outras capitais importantes. Há antigas desavenças, como em Recife, onde o PMDB é controlado pelo senador Jarbas Vasconcelos, um dos poucos parlamentares da legenda que não aderiu ao governo Lula. E há problemas novos, como Salvador. Em 2006, o PMDB baiano apoiou a candidatura do petista Jaques Wagner ao governo. O acordo rendeu ao deputado Geddel Vieira Lima o convite para o ministério da Integração Nacional, mas não resistiu à campanha municipal. O PT deveria ter apoiado a reeleição do prefeito João Henrique (PMDB). Como ele enfrenta dificuldades e está com a popularidade em baixa, os petistas desembarcaram e vão lançar candidato próprio.

Temer minimiza as diferenças. “Conversei com o presidente Lula sobre o caso de São Paulo e de outras capitais. Ele entendeu que são questões locais. Embora nossos partidos sejam nacionais, sua vocação é regional.”

Planalto
A situação é mais complicada e Lula está preocupado em perder o PMDB. As relações entre o partido e o PT são tradicionalmente tensas porque eles disputam o poder em boa parte dos estados. Desde que foi reeleito, Lula atua como uma espécie de árbitro. Para assegurar a fidelidade do PMDB no Congresso cedeu mais ministérios ao partido. O PT perdeu espaços, reclamou mas acabou aceitando.

Um sinal de preocupação foi que nos últimos dias Lula fez dois movimentos para ampliar seu diálogo com o PMDB. Pediu a Temer que ele formasse uma espécie de conselho informal no partido. Além do próprio Temer, esse conselho é integrado pelo líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), Geddel Vieira Lima e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O nome-chave nessa operação é Jobim. Lula quer que ele presida a legenda a partir do ano que vem, quando Temer é cotado para disputar a presidência da Câmara. Para isso, precisa reaproximar seu ministro da atual direção partidária. O segundo movimento foi uma reaproximação com o senador Renan Calheiros (AL), importante aliado do governo.

Lula tem dito que quer um candidato único da base governista. O PMDB tenta se cacifar para indicar esse nome. A única alternativa concreta é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Ele tem sido cortejado a deixar o PSDB, mas é uma operação difícil.

Entre os principais líderes do PMDB, a única certeza é que a fidelidade ao governo Lula tem prazo de validade. Vai até o início de 2010. Se então o governo não apresentar um candidato viável à sucessão de Lula, o partido pode ficar neutro ou mesmo aderir aà Serra. “Já estivemos no palanque com o PSDB e não temos nenhum veto”, diz um ministro de Lula, sob condição de ficar no anonimato.

O PMDB sairá das eleições municipais com todas as portas abertas.

Relações entre pmdb e pt nas capitais

Acordo

Vitória (ES) – O PMDB vai apoiar a reeleição do prefeito João Coser, do PT.

Goiânia (GO) – O PT decidiu apoiar a reeleição do prefeito Iris Rezende (PMDB), mas a decisão rachou o partido e há um recurso ao Diretório Nacional.

Teresina (PI) – O PMDB vai apoiar o candidato do PT, deputado Nazareno Fonteles.

Fortaleza (CE) – O PMDB apoiará a reeleição da prefeita, a petista Luzianne Lins.

Natal (RN) – O PMDB deve apoiar o candidato do PT, que ainda não definiu nome.

João Pessoa (PB) – Os dois partidos integram a coligação para a reeleição do prefeito Ricardo Coutinho (PSB).

Porto Velho (RO) – O PMDB deve apoiar a reeleição do prefeito Roberto Sobrinho, do PT.

Boa Vista (RR) – Os dois partidos devem apoiar a reeleição do prefeito Iradilson Sampaio (PSB)
Lados Opostos

Porto Alegre (RS) – O clima é de confronto. O prefeito José Fogaça, do PMDB, concorre à reeleição. Sua principal adversária é a deputada
Maria do Rosário, do PT.

Florianópolis (SC) – Não há acordo. O prefeito Dário Berger tenta se reeleger e o PT terá candidato próprio.

São Paulo (SP) – O PMDB fechou acordo para apoiar o prefeito Gilberto Kassab, do DEM. O PT quer lançar a candidatura da ministra Marta Suplicy.

Salvador (BA) – A aliança fechada para as eleições de 2006 foi desmontada. O PT terá candidato próprio e não apoiará a candidatura à reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB.

Campo Grande (MS) – Haverá disputa. O PMDB quer reeleger o prefeito Nelson Trad Filho, mas o PT terá candidato próprio. Pode ser o ex-governador Zeca do PT.

Palmas (TO) – O PMDB rompeu o acordo que tinha feito para eleição do prefeito Raul Filho (PT) e não vai apoiar sua reeleição. Deve ter candidato próprio, que pode ser o deputado estadual Eli Borges.

Recife (PE) – Vai haver disputa. O PMDB lançou o deputado Raul Henry e o PT está definindo candidato.

São Luiz (MA) – Não há acordo. O PT vai apoiar o deputado Flávio Dino (PCdoB) e o PMDB lançará Gastão Vieira.

Rio Branco (AC) – Os dois partidos são os principais adversários. O PT tenta reeleger o prefeito Ronaldo Angelim e o PMDB está na oposição.

Indefinição

Belo Horizonte (MG) – O PMDB ainda negocia a possibilidade de apoiar
Márcio Lacerda, candidato do PSB, que tem o apoio do governador Aécio Neves (PSDB). O PT local quer entrar na chapa, mas foi vetado pela direção nacional.

Curitiba (PR) – O governador Roberto Requião sinalizou a possibilidade de apoiar a candidata do PT, Gleice Hoffmann, mas as conversas ainda não estão fechadas.

Rio de Janeiro (RJ) – A tendência do PMDB é apoiar o deputado estadual Alessandro Molon, candidato do PT, mas ainda há resistências no grupo do ex-governador Anthony Garotinho.

Cuiabá (MT) – Os dois partidos estão em negociação. O PMDB condiciona a aliança em Cuiabá ao apoio do PT a seus candidatos em cidades do interior. Os peemedebistas negociam em paralelo com o PSDB.

Manaus (AM) – As negociações ainda estão em andamento. O PMDB pode lançar candidato, aliar-se a Amazonino Mendes (PTB) ou com o vice-governador, Omar Aziz. O PT também negocia alianças.

Macapá (AP) – O PMDB deve lançar a deputada Fátima Pelaes. O PT ainda negocia alianças.

Belém (PA) – A tendência é que o PMDB apoie um candidato do PT, mas o deputado Jader Barbalho, que coordena o partido no estado, anda distante da governador Ana Júlia.

Maceió (AL) – O PMDB está próximo do PT, mas ainda não decidiu se apoiará formalmente o deputado Judson Cabral, candidato do PT.

Aracaju (SE) – Há uma disputa interna no PMDB. O senador Almeida Lima quer ser candidato a prefeito e comanda o diretório municipal. Outra ala, comandada por Jackson Barreto, defende o acordo com o PT, em torno da reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB).

Aliança de BH avança sem PT

Enquanto o PT não toma a decisão final sobre a aliança com a presença dos tucanos em Belo Horizonte, o que só deve ocorrer em 26 de maio, PSDB e PSB começam a avançar o debate esta semana para as questões programáticas da candidatura do secretário de estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB). A primeira conversa neste sentido deve ser marcada para esta sexta-feira.

Sem enfrentar os problemas internos que emperram a participação dos petistas, os dois partidos também seguem com as costuras para o pleito e pretendem trazer outras legendas para a coligação. Segundo o presidente do PSDB no estado, Custódio Mattos, será o início da integração das duas gestões partidárias. O encontro foi marcado para esta semana, faltando confirmar o dia, sem a previsão de participação do PT.

Segundo Mattos, a formalização anteontem do PSDB na aliança pela Executiva municipal petista foi um avanço, mas o partido ainda tem questões internas a resolver. “De nossa parte, o principal é que a coligação com o PSB já está consolidada. Agora, seria muito bom o PT participar”, afirmou.

De acordo com o dirigente tucano, os partidos estão dando um prazo para o PT mas, ao mesmo tempo, precisam avançar nas conversas.

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9 COMENTÁRIOS PARA "ELEIÇÕES 2010: O jogo duplo eleitoral do PMDB":

Comentado por nei em 16/05/2008 - 09:03h:

na cultura politica do país, os partidos são regionais de acordo com a sua força e necessidade politica local. a nivel nacional faz se os interesses.

Comentado por José Alberto Serra em 16/05/2008 - 23:58h:

Seria muito bom ter o PMDB como parceiro em São Paulo, por outro lado será otimo ganhar sem ter que negociar ou depender do PMDB, já que temos a melhor candidata.

Comentado por Davi em 17/05/2008 - 07:33h:

Caro senhor, jogo duplo faz o partido de sua esposa que no governo não aceita a oposição que faz quando está do outro lado.

Comentado por Djalma/RJ em 17/05/2008 - 09:45h:

Importante é garantir o continuidade do governo Lula, não podemos jamais dar nenhum tipo de chance aos PSDbistas, ainda que para isso tenhamos que tirar o Aecio do lado deles e trazer para nós

Comentado por luiz carlos em 21/05/2008 - 00:55h:

Todo esse imbróglio PMDB/PT não passa de uma palhaçada. Enquanto isso, ao povo, ó, uma banana bem gorssa. Enquanto isso tome impostos e estão querendo reeditar a CPMF…Só deus para salvar o Brasil desses palhaçõs de terno.

Comentado por josé jeronimo da silva em 21/05/2008 - 08:08h:

não entendo porque o PFL trocou de nome Democrata é um partido que tem no USA, acredito que quem muda de nome, muda de perfil, convenhamos, nunca vai pegar ou talvez daqui a 30 anos. DEM está mais pra demonio do que pra democratico.

Comentado por Jorge Espinosa em 21/05/2008 - 11:49h:

Tem até frances dando palpite na política brasileira, a essas alturas do campeonato só falta Gorge Bush fazer um blog e falar dos partidos políticos brasileiros.

Comentado por Anômino em 15/08/2008 - 08:37h:

Que em 2010 seja eleito um governo de continuidade de crescimento e oportunidades. Que haja crescimento para os famintos do norte e nordeste e para os mais desenvolvidos do sul do nosso país. Que o governo seja fiel, justo e moralista com nosso povo, sem vender o que temos e sem tomar o que não temos.

Comentado por çlaudio rocco em 09/04/2009 - 00:40h:

gostaria de saber em qual endereço consigo contato co o presidente municipal do pmdb alberto hadad

 

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