Ipea: trabalhador negro ganha 53% menos que o branco

Mantida a tendência atual, igualdade de rendimentos só seria atingida no Brasil dentro de mais de três décadas

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Geralda Doca – O Globo

BRASÍLIA. A população negra, composta por brasileiros pretos e pardos, será maioria ainda este ano. Porém, o Brasil está longe de ultrapassar de vez as barreiras da desigualdade. Segundo estudo inédito do Ipea, divulgado ontem, as políticas públicas em andamento (programas de transferência de renda e ações específicas, como as cotas) não têm compromisso com a questão racial e mantêm longa a jornada rumo ao fim das disparidades.

Mantidas as tendências atuais, o Brasil levaria 32 anos para igualar a renda dos trabalhadores: os negros ganham hoje, em média, R$ 558,24, 53% menos do que o rendimento médio dos brancos: R$ 1.087.
Ontem, foram celebrados os 120 anos da Abolição da Escravatura.

Mas as distorções provocadas pela falta de uma política pública, quando os escravos foram libertados, ainda se manifestam. Diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Ipea, Mário Theodoro, autor do estudo, defendeu duas linhas de atuação para superá-las.

A primeira é a adoção de outras políticas universais, além da educação, que assegurem direitos e condições de vida, como acesso à moradia e urbanização.

Ela é apoiada, também, no crescimento econômico, que reduz a informalidade, maior entre negros. A segunda é que essas e outras políticas e programas incorporem o foco racial como estratégia do Estado.

Apesar da importância do Bolsa Família, que ajuda a redizir a pobreza, Theodoro disse que o modelo do programa está esgotado em sua capacidade de promover a igualdade entre negros e brancos, porque a maioria da população mais pobre já foi contemplada.

— Temos muitas dúvidas se essas tendências vão continuar.

O Bolsa Família está chegando ao limite e não terá mais capacidade para reverter o problema da desigualdade entre brancos e negros — disse Theodoro, citando também “o caráter assistencialista do programa”.

Theodoro exemplifica com a educação. Ao se compararem indicadores básicos, como os de alfabetização, vê-se que o Brasil avançou muito em 30 anos. Em 1976, 92% dos brancos sabiam ler e escrever, contra 78% dos negros. Atualmente, a proporção é de 99% e 97%, respectivamente.

Isso deve-se à universalização do ensino fundamental.

Mas estes números não melhoraram as oportunidades dos negros — tanto que a distância entre o número de brancos e negros nas universidades se ampliou no mesmo período: de 4 pontos percentuais para 12,1.

Negros são maioria entre empregados domésticos A pesquisa aponta ainda outras disparidades existentes entre as duas raças no mercado de trabalho: há quase um milhão de negros a mais à procura de emprego na comparação com os brancos. Além disso, a população negra é maioria nas ocupações sem remuneração, sem carteira assinada e domésticas.

No mercado formal, os negros superam os brancos em setores que pagam mal, como agricultura e construção civil.

Em 2010, os negros serão maioria absoluta, mais de 50% dos brasileiros, porque as negras estão tendo mais filhos do que as brancas. Em 2006, 49,7% dos brasileiros se declararam brancos, ao passo que 49,5% se disseram negros. Trinta anos antes, a distribuição era 57,2% e 40,1%, respectivamente.

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2 COMENTÁRIOS PARA "Ipea: trabalhador negro ganha 53% menos que o branco":

Comentado por Humberto em 14/05/2008 - 11:13h:

Tenho um questionamento e uma consideração a fazer sobre este poste. A pergunta é se esse estudo contempla as diferenças de rendimentos entre brancos e negros na mesma profissão ou cargo. A consideração é a seguinte: Sou mestiço, como a grande maioria dos brasileiros, e não me vejo nem como negro nem como branco, já que minha ascendência se compõe de caucasianos, pretos e índios, por isso, tenho cá as minhas dúvidas se esta distinção por “raças” que se quer implantar no Brasil não significaria mais retrocessos que avanços.Creio que o processo de inclusão social que vem se acentuando no governo Lula, se fosse mais incisivo no que diz respeito ao ensino público de qualidade, será suficiente para que tais diferenças entre a renda dos trabalhadores desapareçam bem antes dos 30 anos previstos pelo estudo do Ipea.

Comentado por YYJYJGHGH em 08/04/2009 - 21:31h:

QUANDO O GOVERNO FEZ ESTES SISTERMAS DE COTAS, ESTÃO QUEREMDO DIOZER QUE A POPULASÃO NEGRA NÃO É CAPAZ DE ENGRESAR NAS UNIVERSIDADES, EU NÃO SÓ SOU COMTRA AS COTAS PRA OS NEGROS COMO SOU COMTRA PARA OS ALUNOS QUE ESTUDARÃO EM COLEGIO PUBLICO.
O GOVERNO DEVERIA EMVESTE MUITO MAIS NA EDUCASÃO E PUNIE OS GOVERNANTE QUE DESVIÃO O DINHEIRO DA POPULASÃO BRASILEIRA

 

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