“No início da decada Alstom não perdia licitação no Brasil”, informa Estadão

Empresa nega estar envolvida em corrupção

Eduardo Reina e Andrei Netto – O Estado de São Paulo

Em Paris, o porta-voz da Alstom, Stéphane Farhi, disse ao Estado que a empresa não se manifestaria sobre as suspeitas de irregularidade além da nota oficial distribuída à imprensa. No comunicado, a Alstom sustenta que “nenhuma investigação judiciária envolve a empresa por corrupção”.

“Os depoimentos, na condição de testemunhas (etapa anterior à acusação, pela legislação francesa), de responsáveis atualmente pela empresa fazem parte de práticas usuais da Justiça e se inscrevem em um procedimento iniciado na Suíça, que não visa a Alstom. Os depoimentos não significam envolvimento dessas pessoas”, diz nota da empresa. Representantes da Alstom na Suiça não quiseram se manifestar.

Questionado sobre o caso, o ex-governador Geraldo Alckmin disse não se lembrar de quando foi assinado o contrato sob suspeita entre a Alstom e o Metrô. “Não tenho conhecimento, mas, se tiver que investigar, que investigue. Não tem nenhum problema”, disse. “Se foi na gestão do governador Mario Covas, ele não está presente, mas pode ter certeza de que o pensamento dele seria o mesmo. Apure-se.”

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“Não tenho conhecimento, mas, se tiver que investigar, que investigue. Não tem nenhum problema” disse o ex-governador Geraldo Alckmin. Na foto Serra, Alckmin e Kassab no mesmo metrô, durante inauguração da estação Alto de Ipiranga

O Metrô informou que tomou conhecimento da investigação conduzida por França e Suíça por meio da imprensa e que está “averiguando os contratos realizados com a empresa” entre 1993 e 2003. “Seguindo as suas normas de transparência, tão logo haja informações relevantes a respeito do assunto, estas serão tornadas públicas”, afirma a nota divulgada pela empresa.

ANTECEDENTES

No início da década, a Alstom não perdia licitação no País. Fabricou as turbinas de Itaipu e Tucuruí, construiu usinas termelétricas em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia e no Paraná.

No ano 2000, a empresa venceu uma licitação internacional promovida pelo governo de São Paulo para a construção da Linha 5 – Lilás do Metrô. Ganhou o Consórcio Sistrem, que era liderado pela Alstom. O custo foi de US$ 646 milhões, ou mais de R$ 1,292 bilhão. À Alstom coube 49% do total do contrato. A companhia fez a integração dos sistemas e o fornecimento de oito vagões, além do sistema de sinalização, do centro de controle operacional e de diversos equipamentos para as estações.

A Linha 5 tem 8,4 quilômetros e vai do Capão Redondo até o Largo 13. Faz a integração com a Linha 7 – Celeste da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A obra foi custeada com recursos do governo do Estado e financiamento parcial do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A linha passa por processo de expansão e deverá chegar até a estação Chácara Klabin, Linha 2 – Verde, depois de 2010.

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