O mérito é de Lula. O risco, também
Coluna (Nas entrelinhas) publicada hoje (02/04/2008) no Correio Braziliense.
Talvez a coragem que Lula demonstrou em 2003 ao abraçar a austeridade fiscal precise ser mobilizada agora para, em algum grau, conter os excessos do consumo

O país festeja a elevação do seu conceito pelas agências de risco. O governo comemora mais ainda, e justificadamente. Afinal, parece não ter fim a safra de boas notícias econômicas na administração Luiz Inácio Lula da Silva. E o presidente tem todo o direito de saborear: a promoção do país ao investment grade tem origem principalmente na decisão de Lula de apoiar desde a posse, em 2003, o primeiro ajuste fiscal digno do nome na história recente do país. Lula deve essa a Antônio Palocci. E ambos estão em dívida com Marcos Lisboa. Tão criticado na época pelo PT.
O PSDB, depois de apostar no fracasso econômico do PT e dar com os burros n’água, agarra-se agora à constatação de que o equilíbrio fiscal brasileiro começou no segundo quadriênio de Fernando Henrique Cardoso. De um ângulo histórico, é verdade. Visto pelas lentes da política, porém, é irrelevante. FHC é tão sócio do sucesso atual de Lula quanto o são José Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco. Cada um deles tem o seu mérito em o país ter chegado à normalidade econômica. O primeiro retirou do Banco do Brasil o poder de emitir moeda, acabando com a conta-movimento. O segundo abriu a economia. E o terceiro bancou politicamente o Plano Real.
É verdade que FHC, depois de ver o naufrágio do Real em 1999, implementou a política de metas de inflação, câmbio flutuante e superávits primários. Que está em vigor até hoje. Mas o sucesso atual da economia brasileira não se deve à descoberta de uma fórmula acadêmica genial, nascida de algum cérebro privilegiado. O PSDB e o país só se dobraram à inevitabilidade da disciplina fiscal depois que já se havia tentado de tudo nos laboratórios da heterodoxia.
O PSDB apresentar-se como o campeão da austeridade contra a gastança não resiste a uma pesquisa nos arquivos dos jornais dos anos 1980 e 1990 do século passado. Registre-se, em especial, que o primeiro mandato de FHC foi uma verdadeira farra fiscal, ancorada na convicção de que jamais faltariam dólares para sustentar o real sobrevalorizado. Quando, enfim, os dólares sumiram, a saída que restou foi apertar os cintos. Um mérito de FHC foi tê-los apertado (ainda que em grau insuficiente) e mesmo assim ter sobrevivido politicamente até a data em que passou a faixa ao sucessor.
Mas o fato é que o país vive uma nova etapa. Que embute novos riscos. Que, assim como os louros, recaem completamente sobre o presidente da República. O fluxo reforçado de moeda americana ameaça desvalorizar ainda mais o real e causar dano permanente às exportações. Numa ironia da História, a radicalização do remédio ministrado no segundo mandato de FHC ameaça empurrar-nos aos impasses do primeiro.
Talvez a coragem que Lula demonstrou em 2003 ao abraçar a austeridade fiscal precise ser mobilizada agora para, em algum grau, conter os excessos do consumo, o que evitaria que o Banco Central mantivesse a escalada dos juros e abriria espaço para aumentar as exportações. O certo é que alguma coisa precisa ser feita para evitar que o Brasil perca mercado, especialmente em produtos de maior valor agregado.
Há naturalmente quem dê de ombros para esse risco, afirmando inclusive que ele não existe. Argumenta-se que a maturação dos atuais investimentos alavancará novamente as exportações. E que o dólar barato, ao reduzir o custo da importação de bens de capital, prepara um novo salto no comércio exterior. Cada um que fique com a versão que mais bem lhe aprouver.
Do mesmo modo que a prudência levou Lula a concluir, seis anos atrás, que superávits primários consistentes seriam essenciais para convencer os credores de que o Brasil caminhava para a solvência estrutural, será prudente alguém avisar o presidente de que o Brasil não é os Estados Unidos, de que não dá para conviver em médio e em longo prazos com uma balança comercial deteriorada. FHC não deu ouvidos a esse conselho e teve motivos para se arrepender.
Está certo que Lula é mesmo um sujeito de sorte, e isso tem sido bom para o Brasil. Mas convém não abusar.
Tags: Câmbio, consumo, direitos, dólar, Entrelinhas, FHC, inflação, investimentos, Juros, Lula, moeda, Palocci, PSDB3 COMENTÁRIOS PARA "O mérito é de Lula. O risco, também":
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u397718.shtml
veja só LF, Lula trabalhando lançando obras do pac, é acusado de agir de forma eleitoreira, de usar o cargo para promoção pessoal, mesmo estando impedido de concorrer a uma reeleição la em 2010.
Kassab prefeito de são paulo, candidato anunciado a disputa que se dará a poucos meses, passa um dia de absoluta campanha fazendo uso de seu cargo como prefeito, fazendo absolutamente nada de relevante para vida na cidade, e é festejado! Pelo mesmo jornal que coleciona editoriais e artigos com críticas ao que eles julgam campanha lulista por um ficcioso terceiro mandato.
Kassab no cargo de prefeito, só faz articular e trabalhar pela sua reeleição, José serra no cargo de governador só faz conspirar pelo seu pupilo. Isonomia zero.
depois da foto de kassab sambando, temos agora a foto de kassab motoqueiro, qual sera a proxima?
Realmente o Plano Financeiro do Estadista LULA,é o mesmo do PSDB, ou estou enganado?????
De Todos os Projetos do PT, só os Projetos
do PSdb deram certo, ou não???

Será mesmo que alguém em sã consciência ou que não tenha interesses políticos inconfessáveis, acredita mesmo que se um tucano estive na Presidência alcançariamos o Grau de Investimento.
Os investidores internacionais não confiam nos tucanos de jeito nenhum.
!! @v@nte !!