11 anos sem Paulo Freire – O Educador da Liberdade
Paulo Freire

Edson Fasano e Jeane de Jesus Zanetti Garcia
Em nossa cidade, extremamente desigual, refletida em sua arquitetura, nos guetos, nos becos, nas favelas, ecoa a voz dos marginalizados e excluídos. Interessante pensar no eco! O eco, resultado da voz humana, da nossa ação política, exige espaços específicos para ecoar. Ecoar não como mera repetição, mas como espaço de propagação e recriação.
Como nos afirmava Freire, os opressores não libertam os oprimidos, mas os oprimidos libertando-se acabam por libertar os opressores. Quem mais sente a ausência do nosso mestre? Em quais espaços mais se ecoa a Pedagogia do Oprimido? Nas periferias das grandes cidades, no sertão, em Guiné Bissau …
Um dia desses ouvindo um documentário, jovens adolescente, participantes do projeto de hip-hop, afirmavam: “ - … se Paulo Freire estivesse vivo, com certeza não desprezaria nosso movimento”.
A educação como ato político, precisa romper com o silenciamento, com a educação bancária e fundamentar-se na dialogicidade, objetivando a construção do “ mundo comum” em um estreito diálogo com a cultura popular.
Falar de Paulo Freire dispensa maiores apresentações. Educador brasileiro, Pernambucano, que ao falar de Educação nos remete a pensá-la na sua íntima relação com o homem, com o povo, com a sociedade, com os sonhos e acima de tudo com a capacidade de indignação frente a opressão, a marginalização e as injustiças sofridas pelos “excluídos e esfarrapados do mundo”.
Para pensar a Educação, Freire desenvolve um campo conceitual, onde as palavras assumem a condição de conceitos como ferramentas para compreensão de sua obra. Destacamos algumas: oprimido, opressor, esperança, utopia, sonho, consciência ingênua, consciência crítica, diálogo, transformação, liberdade, cultura, bancarismo, ética, etc.
Em sua extensa obra Freire traz o HOMEM e os conflitos para a centralidade da história. Compreende que o processo de educação tem início no estabelecimento de relações entre o sujeito e o mundo e que antes do sujeito tomar consciência dos códigos escolares, ele toma consciência do mundo, por estar nele e compreendê-lo, compreende a si e aos outros e as relações que se estabelecem no mundo.
A utopia se caracteriza para Paulo Freire como a mola propulsora da ação humana. Sua utopia está espelhada em projetos como os CEUs: proposta de uma educação integral, com estreito diálogo entre as diferentes culturas, pensando o ser humano em sua inteireza e diversidade. Espaços potencialmente dialógicos, abertos, não bancários. E onde se localizam? Na periferia, nos espaços de silenciamento, impostos pelas diferentes dimensões de opressão, que procuram ser rompidos pelo reconhecimento do direito. Direito à palavra, direito à expressão, direito ao mundo comum, direito à vida.
Sentimos os onze anos de ausência física de Paulo Freire, de sua sensibilidade em nos ajudar a ler o mundo, mas percebemos a sua imortalidade na utopia de uma educação libertadora.
*Edson Fasano e Jeane de Jesus Zanetti Garcia são educadores
Tags: CEU, direitos, ética, favelas, História, Paulo Freire, periferia2 COMENTÁRIOS PARA "11 anos sem Paulo Freire – O Educador da Liberdade":
Sylvia, concordo com voce, e acrescento que no mundo de hoje a educação não depende mais exclusivamente da escola e a familia, sem entrar no merito das estruturas fisicas escolares, da dedicação dos professores e preparo dos mesmos, da evasão e etc.
Eu penso que quando se fala em educação infantil, processo pedagogico, se deixa passar batido outras esferas que para a criança tem papel tão ou mais marcante qua a própria escola, como a televisão, produtos infantis de mercado, espaços públicos na cidade, etc. O efeito que e tv tem na formação das crianças hoje em dia é enorme, uma geração de maes que saem par a trabalhar(ou não ), deixam seus filhos absolutamente entregues a janelas pouco edificadoras pela tv ou internet. O nivel de violencia fisica e verbal, e principalmente a completa inverssão de valores nos meios de comunicação é algo que merecia maior atençaõ.
as TVS se abrigam no argumento da liberdade de expressão para continuar corrompendo a infância, com desenhos enlatados de péssima qualidade, com abuso de violência, programas de auditório absolutamente vulgares, apresentando crianças de 6 anos como se tivessem 15, jovens de 14 como se tivessem a liberdade e preparo que um adulto.
ate quando teremos uma tv, que continua a ensinar as crianças valores tortos, como se fazer acreditar que ”tendo tal tenis se pode tudo, se não tiver voce não é ninguem”, a escola está se tornando um espaço desinteressante para a criança que que credita ao personagem do desenho japones ou ao Play Station mais valor que o seu professor.
o mesmo raciocínio se aplica também a internet, por mais que possamos ver a inclusão digital como algo possítivo, deve-se observar que quando você fornesse ferramenta e esquece de instruir , a ferramente se torna uma arma, hoje quantos jovesn de periferia frequentam Lan-houses apenas para jogar jogos violento e ficar no Orkut, como que a escola pode competir com isso?
Eu gostaria que existisse um controle mais firme em tudo que possa afetar o desenvolvimento da infância, como programans de tv,conteúdo de músicas voltadas para o público infantil, brinquedos nas lojas, etc.
Pois é, eu fico pensando o que será que aconteceu. Certamente muita gente leu o Paulo Freire, mas acho que na hora de passar para a prática, meteram os pés pelas mãos e, às vezes, penso que uma boa cartilha CAMINHO SUAVE, seria melhor do que esse saco de gato em que se transformou a educação, já que é impressionante como as crianças não sabem mais escrever e não conseguem entender o que leem. Já disse uma vez e repito agora, gostaria que o LF postasse aqui os artigos da Rosely Sayão, que escreve nas quintas na Folha de São Paulo e mostra como estão sendo tratadas as crianças nas escolas brasileiras, tanto as públicas como as particulares.