Ponte da Marta: recordar é viver
José Serra e Gilberto Kassab batizaram a ponte estaiada com o nome do dono e falecido fundador da Folha de São Paulo, Octavio Frias. Uma bela e justa homenagem a um jornalista respeitado. Como lembrou sua filha “Uma ponte é sempre a promessa de um encontro, de uma reunião, de uma convergência. Nesse sentido, o batismo dessa obra é uma homenagem apropriada para quem conheceu Octavio Frias de Oliveira. Meu pai era um homem de diálogo, que gostava de aproximar as pessoas umas das outras, que gostava de promover a reunião de pontos de vista diferentes. Ele próprio foi a ponte do que muitas pessoas eram para o que viriam a ser”.
Na festa da inauguração, onde foi convidado o ex-prefeito Paulo Maluf e não foi convidada a Ministra de Turismo Marta Suplicy, os discursos destacaram a importância da ponte para aliviar o trânsito, a sua beleza arquitetônica e a elegeram em coro o novo cartão postal da cidade.
Para José Serra “ela é um novo marco” para São Paulo. A Folha deu ampla cobertura ao evento destacando que “é a única no mundo em que duas plataformas estaiadas se sobrepõem”.
Ela é capa da Folha de hoje com uma linda foto legendada
Carros antigos desfilam na inauguração da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira; maior obra da gestão do prefeito Gilberto Kassab
Em um dos artigos sobre a ponte, a Folha explica:
“é a maior obra do governo do democrata Gilberto Kassab.
Ela foi concebida para desafogar o tráfego na marginal, fazer a ligação com a rodovia dos Imigrantes e se tornar um cartão-postal da cidade, com custo final de R$ 260 milhões. O arquiteto responsável é João Valente Filho.
A ponte pode se tornar um dos cartões-postais da cidade de São Paulo não só por suas luzes mutantes, mas por quatro aspectos de engenharia que a fazem única.
Segundo o engenheiro responsável pela obra, Catão Francisco Ribeiro, o ângulo de 60º, que faz com que a travessia ocorra em curva, é o maior entre as estaiadas do mundo, que costumam ter de 10º a 15º. Outro aspecto inédito é o formato do mastro, o “x” central que sustenta os estais.
A obra faz parte do complexo viário Real Parque e, segundo a Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), vai reduzir em até 45 minutos o tempo de viagem do motorista que usa a marginal para chegar a bairros da zona sul da cidade.”
Com tamanho entusiasmo, a Folha acabou esquecendo que a obra foi projetada como parte da operação urbana Água Espraiada pela administração Marta Suplicy (que estranhamente é citada quando a Folha fala do valor pago por Kassab pela obra). A Folha também esqueceu que em relação ao conjunto do projeto, que além da ponte incluía a construção de 8.500 moradias populares para as favelas do entorno, assim como a junção com a Imigrantes, desafogando a Av Bandeirante, só a ponte foi concluída após 4 anos da atual gestão. E a justiça teve que intervir para que os moradores da favela Real Parque não fossem despejados sem qualquer moradia, pela administração Kassab.
Esqueceram também de lembrar que orçada em R$147 milhões ela acabou custando o dobro e por ficar parada durante quase três anos, a prefeitura teve que pagar multa.
Em grande parte custeada pela venda do CEPAC, criado pela administração Marta Suplicy para arrecadar dinheiro sem utilizar o orçamento da cidade, a ponte é hoje sem dúvida um orgulho para todos.
Vale a pena ler os artigos a seguir, disponíveis na Folha online e apreciar as fotos da belezura entregue à cidade.
Aproveitem também para reler o editorial da Folha de São Paulo do 13 de maio de 2005, exatamente três anos antes da Ponte ser inaugurada. Ele figura no final desta nota.
Marta Suplicy mostrou-se visionária e determinada para vencer mais este desafio. Hoje estão extasiados e são unânimes em aplaudir. Quando leiam o editorial em questão verão que é só uma forma do “esqueçam o que eu escrevi”.
Luis Favre

Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira
da Folha de S.Paulo
Pontes são uma seara vasta e dinâmica para o mundo dos recordes, em que a ponte Octavio Frias de Oliveira, inaugurada neste sábado (10), também passa a figurar. Ela é a única do mundo em que duas plataformas estaiadas se sobrepõem, fazendo com que os cabos se entrelacem, e conta com o maior ângulo entre estaiadas, de 60º.
Por conta disso, a equipe responsável pela obra tem apresentado o projeto em alguns dos maiores congressos internacionais sobre pontes.
da Folha de S.Paulo
A ponte Octavio Frias de Oliveira pode se tornar um dos cartões-postais da cidade de São Paulo não só por suas luzes mutantes, mas por quatro aspectos de engenharia que a fazem única. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Catão Francisco Ribeiro, o ângulo de 60º, que faz com que a travessia ocorra em curva, é o maior entre as estaiadas do mundo, que costumam ter de 10º a 15º.
Outro aspecto inédito é o formato do mastro, o ‘x’ central que sustenta os estais –estai é um termo náutico que denomina o cabo que segura a vela de um barco. Nascido de uma necessidade de engenharia, a forma foi aproveitada pelo arquiteto João Valente para marcar o visual da ponte.
A sobreposição de duas plataformas estaiadas também nunca havia sido feita. “Essa [ponte] foi complicadíssima do ponto de vista geométrico, porque os cabos não poderiam cruzar uns com os outros”, diz um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, Augusto Carlos de Vasconcelos, da Divisão de Estrutura do Instituto de Engenharia e autor de “Pontes brasileiras: Viadutos e Passarelas Notáveis” (ed. Pini).
De acordo com Ribeiro, a execução foi como um bordado. As pontes sobrepostas tinham de ser construídas simultaneamente, para que uma contrabalanceasse a outra.
Por conta disso, o processo de construção também foi único: não era possível usar o rio nem as marginais para fazer o escoramento. Assim, a evolução das duas pontes ocorreu ao mesmo tempo.
Segundo Vasconcelos, as pontes estaiadas são uma evolução das pontes pênseis (ou suspensas), e a possibilidade de serem construídas parte por parte permite que a obra seja mais rápida e econômica.
“É muito mais difícil de ser calculada, mas, por outro lado, muito mais fácil de ser concluída”,
afirmou ele.
São Paulo, sexta-feira, 13 de maio de 2005 EDITORIAL FOLHA DE SÃO PAULO
PROJETO EXTRAVAGANTE
É acertada a decisão do prefeito José Serra (PSDB) de retomar as obras que ligam as avenidas Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) e a marginal Pinheiros, deixando de lado a construção de duas pontes sobre o rio Pinheiros, na zona sul da cidade, previstas no projeto original aprovado pela administração da ex-prefeita Marta Suplicy. A justificativa apresentada por José Serra é que a construção dessas pontes estaiadas (suspensas por cabos de aço) encareceria desnecessariamente a obra.
A cautela e a mudança do projeto original são procedentes. Com as pontes endossadas por Marta, toda a empreitada custaria nada menos que R$ 147 milhões. Sem elas, o custo total -que inclui outras alterações na malha viária, além da construção das alças- cai para R$ 85 milhões.
É duvidoso, ademais, que a venda em leilões dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), títulos que dão direito de construir além dos limites estabelecidos em certas áreas da cidade, possa gerar recursos suficientes para arcar com as despesas previstas inicialmente no projeto. No ano passado, os leilões desses papéis, realizados para angariar fundos para a construção das pontes, não conseguiram amealhar mais do que R$ 35 milhões, soma muito aquém da estimada para a conclusão das obras.
Além de cara, a construção dessas pontes suspensas está longe de ser uma prioridade para aquela área da cidade. A ligação da avenida Roberto Marinho com a marginal Pinheiros pode continuar a ser feita, sem maiores transtornos, através de duas outras pontes já existentes a apenas 800 metros do local. Essa circunstância, aliás, torna ainda mais extravagante -e suspeito- o projeto deixado pela gestão petista, para o qual, até aqui, não foram apresentadas justificativas convincentes.
38 COMENTÁRIOS PARA "Ponte da Marta: recordar é viver":
Folha, Estadão, Globo, Veja e outros vão tropeçando por aí em seus deslizes éticos e suas negociatas. Uns protegem os outros e não verdadeiramente competição entre os grupos de comunicação. É uma verdadeira máfia que não está nem um pouco preocupada com coerência, informação, interesses nacionais. Fazem política e negócios 24 horas por dia, todo dia.
parece piada. A folha achava cara, inutil e ’suspeita’ a ponte de 140 milhoes do pt, mas achou maravilhosa, necessaria, e oportuna e a mesma ponte pelo dobro do valor inaugurada pelo Kassab?
esse caso da ponte deveria entrar para a historia do mau jornalismo e da partidarização do jornal Folha, a ”cobertura da ponte”, antes e depois, deveria ser peça de estudo em faculdades de jornalismo pelo pais,
mais caricato imossível.
”maior obra da gestão do prefeito Gilberto Kassab”(folha de são paulo)
por ai voce percebe o tamanho da mediocridade deste governo. Que tem como obra mais importante, uma concebida e iniciada pela gestão anterior.
eu ainda acho que o melhor da era Kassab foram os hospitais campo limpo e tiradentes. Oopss!! estes tambem foram iniciados pela Marta! que coisa .
nada como dar um nominho da obra para sensibilizar o coração dos mais ’serios’ editores de jormal, da noite para o dia a ponte passa de capeta para a salvação do transito na cidade de são paulo!
apenas uma correçaõ LF, a ponte a ser executada pela gestão Marta não era exatamente essa que ficou pronta, eu me lembro bem do projeto, eram duas torres de sustentaçaõ com estaios, cada uma para uma ponte isolada (não ficaria tão bonita convenhamos), apesar de que não muda nada na bola fora do jornal.
soldado no front, queria entender essa sua “obcessão” em assassinar o português?
seria o fato de você ser “obssecado” por Lula?
Em tempo, não sabia que essa ponte tinha sido construída com o dinhero de Marta.
“Ponte da Marta”? Ela está morando lá embaixo agora?
Esse é o nosso querido José Serra, o que se diz pai do genericos, rouba projetos dos outros e fala que é dele, uma vergonha seu GOVERNADOR.
[…] Com o titulo acima, o blog Entrelinhas do jornalista Luiz Antonio Magalhães, editor de Política do jornal DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa, reproduz meu post Ponte da Marta: recordar e viver. […]
A FOLHA DE SÂO PAULO,e´uma vergonha contínua,sendo o panfleto dos TUCANOS.
Já estamos acostumados com José Serra , ele fala e assina depois volta atrás… Ele protocolou um documento dizendo que não deixaria a prefeitura para se candidatar ao Governo, e não cumpriu, espero que tudo isso seja relembrado aos eleitores na Campanha deste ano…..
Ficou arretado, espero que recife copie essa idéia, tendo em vista que o nosso trânsito já anda muito caótico.
Cada vez mais tenho medo do PIG. Acho que a história desse pais está sendo construída nos últimos anos, com muita tranaparência, vejo os “senhores da informação” meio acuados e numa frenética, angustiante e estafante batalha para criar fatos e minimizar os avanço que o governo Lula está proporcionando ao país.
O povo está tomando conhecimento destas aberrações perpetradas pelo PIG graças a internet.
Eles sempre manipularam as informações à vontade, apenas não tinha como denunciá-los.
[…] Mas o que dizia a Folha em 2005? Segue abaixo o editorial publicado em maio daquele ano (resgatado pelo blog do Favre): […]
pois é Lênin, usualmente quando historiadores queriam fazer uma analise da historia de um pais, a primeira fonte de informaçaõ a ser consultada seria os jorbais daquela epoca, …..coitados dos futuros sociologos e historiadores do brasil, vão ter que quebrar um pouquinho mais a cabeçam, dado o nivel de factualidade e isenção dos nossos jornais e revistas .
Luis Favre
Show de bola esse post.
Meus parabéns!
É lamentavel que dia apos dia, a mídia brasileira, representada principalmente por veja, folha, estadão, e organizações globo prestem um grande mal a democracia do país. Ela, a mídia, que deveria ser um dos sustentáculos da democracia. Ai está mais um exemplo grotesco de partidarismo, falta de ética e falta de vergonha na cara.
Nada como um dia atrás do outro…Esperemos as eleições e aí sim, mostraremos quem realmente fez o melhor para a cidade…
Que coiza feia esa da Folha, ja pedi o cançelamento da minha assinatura, Estou me libertando dessa podridão de jornalismo.
Por essas e outras é que me dei baixa de essa folha (folhetim). É muita falta de inteligência pensar que todos somos bobos. Acredito que a Folha está aínda fazendo a digestão de um tal almoço do ano 2002…Não? Este filho do pai vale pouco.
Quanto a hipocrisia do Governo, normal, já era de se esperar. Agora a hipocrisia da mídia, é nojenta. Até quando vão continuar nos manipulando ??? Será que não existe ninguém para fazer esse tipo de julgamento ???
Antigamente o ser humano era julgado de ignorante pela falta de informação. E hoje em dia, ele é julgado também, mas pelo excesso de informação !!! Tudo isso é muito Medíocre, Nojento e Asqueroso.
E haja incoerência. Agora realmente estão cacarejando sobre os OVOS alheios.
Aqui em Porto Alegre acontece a mesma coisa. A grande obra planejada e licitada pelo PT, governo anterior na prefeitura, levou os políticos do PPS, DEM, PSDB,PTB, todos aliados do prefeito Fogaça, vulgo o inútil, na “grande festa” de inauguração. Todas as obras que ele hoje inaugura foram iniciadas pelo PT, mas a RBS omite sempre, se rasgam em elogios a essa turma, igualzinho a Folha, Estadão e Veja. Aqui a demagogia e hipocresia andam de mãos dadas. Uma vergonha, em 3 anos conseguiram acabar com a cidade - transito, limpeza, iluminação, creches, escolas, saúde,transporte público, etc. etc.
Estive na capital paulista no fim do ano passado, cruzei a marginal pinheiros pois tenho parentes na zona sul de São Paulo, pois bem, passando por aquela monumental obra suspirei de inveja por estar sendo construida na gestão dem/psdb. Não tem como vc passar por alí e não apreciar a beleza arquitetônica do empreendimento, só agora, através deste blog, venho sanar minha ¨dor de cotovelo¨, vamos dizer assim. Estava achando muito prá uns políticos que de modernos não tem nada. Parabéns Marta, é por isso que São Paulo precisa de vc novamente, sucesso.
[…] tem dois pais, uma mãe e uma porção de padrinhos […]
“A ponte é hoje sem dúvida um orgulho para todos.”
Desculpe, mas há muita dúvida aí!
Esta ponte é um mico, já tem trânsito desde a inauguração. Vocês deveriam brigar era para afastar obra tão constrangedora da imagem da Marta, isso sim.
Favre, será que se a Marta fosse prefeita ela iria cumprir a lei e prever o acesso de pedestres e ciclistas na ponte? Pelo que observei no projeto básico isso não estava previsto.
Aliás a folha mentiu quando disse que “Carros antigos inauguram a ponte”. Quem inaugurou foram os ciclistas, basta ver o vídeo do link para comprovar.
Excelentes colocações!
A ponte do Frias serviu de cartão postal para o SPTV por ligar com a Roberto Marinho. Desse jeito, puxando o saco da mídia, quem é que ousa falar mal da obra faraônica que não veio acompanhada de nenhuma benfeitoria para o entorno, exceto, claro o novo visual que a Globo pode mostrar no telejornal local!!!!
[…] Coube a este blog mostrar incluso, que esta reportagem ditirâmbica contrastava violentamente com ed…. […]
Luiz, a grana gasta nessa ponte daria para purificar a água que passa sob ela!
Mas, o banquete tá perto do fim…Marta vem aí, claro que vem!
Joseph Mengele deve estar se contorcendo e perguntando: como é que eles conseguem ???
Pois é. É como se a administração de Marta não tivesse existido. Isso é kassab. Isso é a Folha. Surpresa? Não para mim, que nos anos da ditadura, gritávamos: “Cuidado, Frias!”, uma vez que Frias e a Folha emprestavam (sic) carros para a repressão. É história, triste, mas história.
Eu desde aquele almoço famoso de Lula com o filinho Frias, não leio mais a Folha. É muita vaidade num incompetente e convencido. Eles tem que engulir Lula eCia.
[…] O dia de maior acesso no mês foi o 12 de maio, com 2.322 internautas e o sábado 24 de maio o de menos acessos com 970. Em geral tenho notado menos internautas nos fins de semana. O pico do mês foi atingido com o post sobre a Ponte da Marta e o editorial da Folha. […]
é inacreditável a manipulação das notícias que circulam em nosso periódicos. Fica uma pergunta: se eleito, o candidato Geraldo alckmin também vai ficar apenas 2 anos para depois se lançar com candidato ao governo estadual ou a presidente novamente ? São Paulo não tem sabido escolher os seus representantes. Será que essa tendencia vai mudar nas próximas eleições ?
para mim ser prefeita ou prefeito tem que ter trabalho executado a cidade de são paulo e muito grande e com inumeras dificudade como todas neste porte a verdade é uma so trabalhar com honestidade e competencia e abrir mais vagas para concurso publico tendo profissionais competentes



Porque esta obcessão de alguns em agradar a Folha?