30/06/2008 - 22:57h Man Ray e boas noites

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30/06/2008 - 22:00h You’re Gonna Lose That Girl

The Beatles

30/06/2008 - 22:00h Sarkozy e seu primeiro-ministro continuam caindo nas pesquisas

Sondage: Nicolas Sarkozy et François Fillon au plus bas

Par La rédaction du Post , le 30/06/2008
Leur politique étrangère aussi est critiquée, de mauvais augure avant la présidence française de l’Europe.

François Fillon et Nicolas Sarkozy.

François Fillon et Nicolas Sarkozy.© Antoine Gyori/AGP/Corbis/Antoine Gyori

Le président Nicolas Sarkozy et le Premier ministre, François Fillon, atteignent leur plus bas niveau de popularité depuis l’élection présidentielle en mai 2007, selon un sondage LH2 pour nouvelobs’ diffusé ce lundi.

Le chef de l’Etat perd deux points en un mois à 34% d’opinion positive. Le Premier ministre perd lui un point à 45%.

A l’inverse, 59% des sondés ont une opinion négative du président de la République, dont 31% une opinion “très négative”, et 48% ont une opinion négative du chef du gouvernement (dont 19% “très négative”).

Près d’un Français sur deux (47%) estime que Nicolas Sarkozy a détérioré l’image de la France dans le monde. Un chiffre qui prend tout son sens à quelques heures du début de la présidence française de l’Union Européenne. 45% seulement des Français interrogés déclarent porter un jugement positif sur la politique étrangère de Nicolas Sarkozy.

La politique étrangère, c’était encore le dernier bastion de Nicolas Sarkozy dans les sondages. Là encore le chef de l’Etat est attendu au tournant et devra répondre aux attentes des Français. Et ce n’est pas gagné, selon le même sondage, 28% des Français ne lui font “pas du tout” confiance pour prendre la tête de l’UE.

(Source: nouvelobs’)

30/06/2008 - 19:46h Kassab anuncia campanha “peculiar” contra Alckmin

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Em entrevista à Reuters, Gilberto Kassab do ex-PFL (DEM), afirma que realizará uma campanha “peculiar”.

A peculiaridade consiste em considerar o candidato Alckmin um adversário e o PSDB um aliado. Resumindo, a linha de Kassab é pretender que ele é o candidato do PSDB e carimbar Alckmin como o candidato de ninguém.

Para Kassab “Ele é adversário, é evidente, a partir do momento que ele não quis apoiar minha candidatura, ele entendeu que seria melhor outro caminho para a cidade e, portanto, é adversário. Ele escolheu seguir este caminho”, disse à Reuters, em entrevista concedida em seu gabinete na sede da prefeitura.

Para o prefeito, o PSDB não entendeu que sua candidatura era “natural”, por se tratar de reeleição. Ou seja, do momento em que ele “herdou” o cargo de mãos de Serra, pensa ser natural “herdar” ao mesmo tempo do PSDB, mesmo que a maioria esmagadora dos delegados tucanos decidiram que o PSDB não é propriedade do PFL e preferem Alckmin como candidato.

A prepotencia de Kassab com o PSDB só é possivel porque os serristas e o governador decidiram fazer a campanha de Kassab, ignorando o candidato do próprio PSDB.

A campanha “peculiar” de Kassab usurpando o PSDB pode vingar deixando Alckmin à míngua.

“O PSDB está no meu governo e portanto as críticas que ele (Alckmin) poderia fazer já teria feito. Ele tem liberdade, se ele tivesse enxergado equívocos teria dito”, ironizou Kassab em sua previsão sobre a postura de Alckmin na campanha.

Para Alckmin e a maioria do PSDB que o escolheu como candidato só resta a opção de demarcar terreno com Kassab criticando sua gestão. Isto explica os ataques a administração do antigo alíado, na educação, na saúde, no transporte e na iluminação.

Nesse sentido a campanha de Alckmin é tão “peculiar” quanto a campanha de Kassab. Ambos tentam serrar o galho no qual o outro está sentado, com a idéia peculiar de pensar que só o outro cairá da arvore. Acontece que estão sentados no mesmo galho e para não cair, um dos dois deverá tentar trocar de galho.

Será que a população de São Paulo será tolerante com a “peculiaridade” dos demo-tucanos lavarem a roupa suja na frente de todos, sem escrúpulos e sem consideração para com os verdadeiros problemas da cidade, e depois pretenderem que nada aconteceu?

LF

30/06/2008 - 16:02h Lula é aprovado por 72%, segundo pesquisa IBOPE

lula_positivo.jpgIbope: avaliação do governo Lula se mantém alta, mas inflação preocupa

 

Gerson Camarotti – O Globo;

O Globo OnlineReuters/Brasil OnlineValor Online

BRASÍLIA – A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu estável em junho, mas pelo menos em um aspecto econômico – a inflação – a aprovação registrou queda. Os dados são da pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e apresentada nesta segunda-feira.

A aprovação do brasileiro ao combate à inflação caiu 10 pontos percentuais, passando de 51% da pesquisa anterior para 41%. Esta é a pior avaliação nesta área desde dezembro de 2005, quando ela era de 37%. ( No Blog do Noblat: Cai a avaliação positiva do governo por áreas de atuação ). Entre os entrevistados, 65% avaliam que a inflação vai aumentar; 12% que vai diminuir e outros 12% que não vai mudar.

A inflação tem subido nos últimos meses no país, principalmente pelo comportamento dos preços dos alimentos. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) -que baliza a política de metas de inflação do governo- subiu 0,79%, o maior avanço para meses de maio desde 1996. O Banco Central estima que a inflação em 2008 ficará em 6 %

Houve também alteração significativa da aprovação do brasileiro em relação à política de taxa de juros adotada pelo governo. Dos entrevistados, 31% aprovam a taxa de juros adotada e 61% desaprovam. Em março esse índice era de 39% e 53% , respectivamente.


A avaliação ótima ou boa do governo Lula ficou em 58% neste mês, mesmo patamar de março, mês da sondagem anterior. A avaliação ruim ou péssima subiu para 12 %, um ponto acima de março. Com isso, a diferença entre a avaliação positiva e a negativa passou a ser de 46 pontos, contra os 47 pontos verificados no levantamento anterior. O índice dos que consideraram a gestão regular apresentou leve alteração na comparação com o estudo antecedente, indo de 30% para 29%.

Aprovação pessoal do presidente também estável

A aprovação do presidente Lula também permaneceu praticamente estável no segundo trimestre de 2008, na comparação com o primeiro, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope divulgada hoje. A parcela de entrevistados que disseram aprovar o presidente saiu de 73% em março para 72% agora. O índice de desaprovação a Lula, porém, subiu de 22% para 24% nessa comparação. O saldo entre aprovação e desaprovação ficou positivo em 48 pontos, frente aos 51 pontos do estudo antecedente.

Para detectar esse índice, os pesquisadores perguntam aos entrevistados se aprovam ou não a maneira com que o presidente Lula está governando o Brasil.

O indicador relativo à confiança da população no presidente também apresentou pouca variação. A parcela dos que dizem confiar em Lula manteve-se em 68%, mesmo patamar registrado em março. A proporção dos que não confiam no dirigente do país avançou de 28% para 29% na mesma comparação. O saldo de imagem – que indica o total dos que confiam menos os que não confiam – ficou em 39 pontos, ligeiramente abaixo dos 40 pontos registrados no primeiro trimestre.

Os entrevistados pouco alteraram a nota, de zero a dez, que atribuiriam ao governo Lula. A média evoluiu dos 7,1 encontrados em março para 7 em junho.

O Ibope entrevistou 2002 pessoas em 141 municípios entre os dias 22 e 23 de junho. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

30/06/2008 - 12:56h O maior choque desde os anos 70

A imagem “http://www.badaueonline.com.br/dados/imagens/petroleo(1).JPG” contém erros e não pode ser exibida.

Ribamar Oliveira, email: ribamar.oliveira@grupoestado.com.br

O preço do petróleo em dólar, descontada a inflação americana, já está acima daquele praticado após o segundo choque do petróleo, em 1979. E não há sinal de que os preços possam cair no curto prazo. Ao contrário, o prognóstico feito na semana passada pelo presidente da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), Chakib Khelil, é o de que, neste verão do Hemisfério Norte, o barril fique entre US$ 150 e US$ 170. Na última sexta-feira, bateu em US$ 143.

Pressionados pela demanda crescente dos países emergentes, principalmente China e Índia, os preços reais das commodities agrícolas (milho, soja, trigo, arroz e café, entre outros) não param de subir desde 2006. Mas os especialistas advertem que os preços ainda não retornaram ao nível praticado na década de 1970. Ou seja, é muito provável que continuem em alta, em decorrência também do crescente uso dos óleos vegetais para fins carburantes.

O consumo de óleos vegetais para fins carburantes na União Européia (UE) cresceu 141,5% no período de 2003/04 a 2007/08, segundo estudo feito pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão do governo do Estado de São Paulo. Isso ocorreu por força do compromisso da UE, signatária do Protocolo de Kyoto, em reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2012, com relação aos níveis de 1990.

A elevação dos preços dos minérios é ainda mais vertiginosa do que a dos alimentos, segundo outro estudo do IEA, que comparou os preços das commodities agrícolas com o preço das commodities minerais. O preço do níquel estava 548% mais alto no primeiro semestre de 2007 em relação à média do triênio 1999-2000, enquanto o preço do zinco tinha subido 247%, o dos metais não ferrosos 251%, o do estanho, 162% e o do minério de ferro, 195%.

Não há sinal de mudança nessa trajetória, pois a mineradora australiana Rio Tinto acaba de fechar contrato com a siderúrgica chinesa Baosteel que prevê aumento de 85% para o minério de ferro. Com a siderúrgica japonesa Nippon Steel o aumento acertado foi ainda maior, de 100%.

Esses dados mostram que o mundo está diante do maior choque de preços de commodities desde os anos de 1970. O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que administrou a economia brasileira durante o segundo choque do petróleo, não tem dúvidas sobre isso. Para ele, no entanto, o quadro atual é mais delicado porque tem um componente especulativo que era inimaginável naquela época.

Hoje, disse Delfim em conversa com este colunista, os investidores – principalmente os fundos hedge – estão fazendo pesadas compras nos mercados futuros de commodities, o que ajuda a elevar os preços desses produtos. Essas aplicações são estimuladas pela queda dos juros americanos e pela desvalorização do dólar, que não pára de cair ante as outras moedas. “Naquela época, o que pressionava o preço do petróleo era a demanda e a formação de estoques”, lembrou Delfim. “Agora, além do problema do aumento da demanda e dos estoques, há a especulação”.

Em recente depoimento no Senado dos Estados Unidos, Michael Masters, administrador do Master Capital Management, um importante fundo hedge, estimou que a demanda dos especuladores aumentou em 848 milhões de barris anuais de petróleo nos últimos cinco anos. Essa quantidade seria quase igual ao acréscimo anual da demanda chinesa. O forte crescimento da demanda não está sendo acompanhado por igual aumento da oferta.

A elevação do preço do petróleo impacta os custos de produção de todos os setores da economia, observou Delfim. Sobem os preços dos alimentos porque aumentam os custos dos fertilizantes e dos transportes. Há uma correlação muito forte entre os preços das commodities agrícolas e os preços do petróleo, principalmente depois que as oleaginosas passaram a ser usadas para fins carburantes.

O resultado desse choque de preços das commodities é o aumento da inflação em quase todos os países do mundo. A inflação da China ficou em 8,5% nos 12 meses terminados em abril. No mesmo período, a inflação da Índia ficou em 7,8%. A Rússia registrou elevação de preços de 15,1% no período de 12 meses até maio. Em maio, o núcleo da inflação no Japão (que exclui os preços de alimentos frescos) registrou alta de 1,5%, maior avanço desde março de 1998. Na Alemanha, os preços ao consumidor subiram 3,3% nos últimos 12 meses, a maior alta desde 1993.

Delfim está convencido de que essas pressões inflacionárias só serão reduzidas com o corte da demanda global. Os bancos centrais de vários países do mundo já promoveram aumento dos juros e outros estão sinalizando nessa direção. “Está caindo a ficha no mundo inteiro”, disse o ex-ministro. Mas Delfim acha que o quadro só ficará mais claro com a posse do novo presidente dos Estados Unidos, que definirá o que fazer com a maior economia do planeta.

No caso do Brasil, observou Delfim, é muito provável que o Comitê de Política Monetária do Banco Central aumente o juro em 0,75 ponto porcentual em sua próxima reunião. Essa rodada de elevação dos juros em todo o mundo aponta para a redução do ritmo do crescimento econômico. E, desta vez, tudo indica que os países emergentes não conseguirão se “descolar” das economias centrais.

30/06/2008 - 10:28h As variações da mentira

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Vista do CEU Navegantes. “No Grajaú, onde o governo estadual está maquiando três escolas de lata, em 2003 a Prefeitura inaugurou o CEU Navegantes, conciliando a demanda de escolas com o interesse ambiental.”

Editorial jornal O Estado de São Paulo

Alckmin reagiu violentamente ao discurso de Marta ontem na convenção do PT. Ele acusa Marta de mentirosa.

A irritação de Alckmin foi contra à afirmação que Marta fez no discurso: “Havia o absurdo das escolas de lata de Pitta e Kassab, que o então governador Geraldo Alckmin reproduziu em várias regiões do Estado.” A frase de Marta deixou Alckmin irritado e agressivo.

Em declaração publicada hoje nos jornais, Alckmin disse que “nunca existiram” escolas de lata no Estado e que Marta mente.

Porem, dias atrás, o próprio Alckmin tinha pretendido, respondendo a Marta, que as escolas de lata tinham sido substituídas em 2004 e não existiam mais.

Uma semana atrás elas existiram ate 2004 e hoje elas nunca existiram (sic).
Para ser claros, elas existem sim e até hoje!

Quem mente? quem esconde? quem manipula?

Acusar Marta de mentir é grave, por isso me parece relevante tratar com seriedade desta questão das escolas de lata.

Mas esta resposta me parece bem encaminhada pelo editorial do insuspeito jornal O Estado de São Paulo (insuspeito de simpatias petistas, se entende). O Editorial é de 2 de maio 2007, apenas um ano atrás:

“A Secretaria Estadual da Educação decidiu maquilar as 76 escolas de lata ou latão ainda existentes na Grande São Paulo e no interior.

Elas estão recebendo paredes externas de concreto, novos pisos, o telhado recebe revestimento de feltro de lã, na tentativa de isolar o calor e o barulho internos, e algumas paredes receberão textura branca. Tudo parecerá novinho, menos o desconforto que os alunos dessas escolas continuarão sentindo.

Nas escolas em que a maquiagem já foi concluída, professores e estudantes continuam reclamando do calor, do barulho e da iluminação deficiente. Vinte e duas unidades já foram reformadas. Outras 40 estão em obras e as restantes estão em processo de licitação.

O governo estadual investe pelo menos R$ 4 milhões nessa iniciativa que só prolonga o abuso cometido entre o fim dos anos 90 e 2002, período em que, para atender à demanda crescente por vagas na rede estadual, foram construídas 215 escolas com uma tecnologia que permitia a entrega da obra em três meses.

O chamado padrão Nakamura de construção, que usa estrutura metálica no telhado e vedação com chapas de aço e madeira, foi escolhido, segundo as autoridades da época, como solução provisória, até que fossem feitas novas escolas de alvenaria, cujo prazo médio de construção é de um ano.

As escolas de lata, no entanto, tornaram-se permanentes. Diante da pressão de pais, alunos, professores e especialistas em educação, o ex-governador Geraldo Alckmin substituiu a maior parte delas. Restaram 40 na cidade de São Paulo, 19 na região metropolitana e 17 no interior.

No final de setembro, a Secretaria Estadual da Educação anunciou que essas unidades seriam substituídas neste ano. A licitação de 64 delas já teria sido concluída e as obras deveriam ser iniciadas em outubro. Agora, a programação mudou.

A Secretaria decidiu fazer apenas a reforma das 76 escolas, explicando: “Como as salas apresentaram alguns problemas de desconforto térmico, (o governo) programou a execução de intervenções nos prédios deste padrão para garantir condições ambientais adequadas ao ensino.”

Condições adequadas ao ensino são o produto de um eficiente projeto pedagógico, da capacitação do corpo docente e das condições físicas da escola, com a oferta de equipamentos esportivos, bibliotecas e salas de informática – o que é óbvio que as escolas de lata não proporcionam.

É compreensível a dificuldade de substituir as escolas de lata pelas de alvenaria, principalmente na região metropolitana, porque a maior parte delas se encontra em área de proteção de mananciais. Nesses locais, a construção de alvenaria é proibida, mas a de latão, não. Dessa forma, encontrar terrenos próximos da comunidade escolar, que preencham os requisitos legais, é o principal obstáculo para o cumprimento da promessa de substituir as escolas de lata.

É evidente que o governo não pode descumprir a legislação de proteção dos mananciais e o zoneamento. Mas as áreas de proteção foram invadidas sob os olhares complacentes das autoridades, bairros inteiros se formaram com a construção ilegal de casebres de alvenaria e o poder público acabou atendendo à demanda escolar recorrendo às escolas de lata.

Os planos recentemente lançados pelo governo estadual para a proteção das bacias da Guarapiranga e da Billings concentram-se na urbanização dessas áreas e na fiscalização para impedir novas invasões. Urbanizar é o mesmo que dotar os bairros clandestinos de infra-estrutura e serviços públicos. Certamente, lá não serão construídos postos de saúde e hospitais de lata. Por que, então, as escolas têm de se manter inadequadas ao ensino sob o argumento de que a lei assim exige?

A Prefeitura de São Paulo resolveu a questão há tempos com um acordo firmado com o Ministério Público Estadual, que permitiu a troca dos módulos metálicos por prédios de alvenaria em várias áreas de proteção. No Grajaú, onde o governo estadual está maquiando três escolas de lata, em 2003 a Prefeitura inaugurou o CEU Navegantes, conciliando a demanda de escolas com o interesse ambiental.”

Resumindo: as escolas de lata foram criadas por Pitta-Kassab e conjuntamente por Alckmin. Elas só começaram a ser substituídas por Marta Suplicy, que além de eliminar várias delas, deixou o restante com os terrenos prontos, as licitações realizadas e várias com as construções bem adiantadas. Kassab só completou o que Marta estava concluindo. Já Alckmin e o PSDB fazem maquiagem e agora acusam os outros de mentirosos.

O fato é um revelador do caráter do candidato, semelhante ao estilo Kassab, ver: a questão do custo dos CEU’s. Ela revela o engodo do jeito demo-tucano de governar.

Divididos ele estão, porém, eles são muito parecidos. LF

29/06/2008 - 22:14h Convenção do PT: Marta é candidata a prefeitura com apoio de 6 partidos

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29/06/2008 - 21:21h Com Lula e Marta, o PT visa conquistar a Prefeitura

Cesar Ogarta
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Associação a Lula marca convenção do PT em SP

ANA PAULA TAVARES – Agencia Estado

SÃO PAULO – A união de seis partidos (PT, PC do B, PDT, PSB, PTN e PRN) já no primeiro turno das eleições municipais de São Paulo, os desentendimentos entre a cúpula tucana na capital paulista e, principalmente, a associação dos feitos do governo Lula marcaram a convenção que oficializou hoje a candidatura da petista Marta Suplicy para a prefeitura da cidade.

É a segunda vez que ela tenta ocupar o cargo. A convenção, realizada na tarde de hoje, reuniu cerca de 3 mil pessoas.

Os políticos que estavam presentes e tiveram a chance de discursar não deixaram de ressaltar ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos benefícios para a cidade com uma parceria federal. Marta Suplicy, ao falar com o público, fez questão de ressaltar o vínculo de amizade com o presidente. “Posso destacar que sou companheira histórica do presidente Lula, que participei de seu governo e que conto com o seu apoio”, afirmou no palanque, que trazia ao fundo uma imagem dela e do presidente.

Inclusão social

Ao apresentar, sem detalhes, o programa social para a cidade de São Paulo, a candidata fez novamente uma vinculação direta ao governo federal. “É um conjunto integrado de programas para colocar São Paulo na vanguarda social do País. E temos o apoio do governo federal, que é o governo que mais promove a inclusão social no Brasil”, afirmou. Outros políticos que passaram pelo palanque também fizeram a mesma associação. O presidente do Diretório Municipal do PT, José Américo Dias, ressaltou que São Paulo precisa estar em sintonia com o Brasil. “Nós últimos quatro anos tivemos um retrocesso em questões de todas as áreas. Precisamos pulsar no pulso do Brasil”, disse.

O mesmo fez o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) que afirmou, em seu discurso, que o PSDB não tem como comparar o que já fez como governo com as ações promovidas pelo governo Lula. “O segundo governo Lula está sendo muito melhor que o primeiro. E o segundo governo de Marta vai ser melhor.”

União

Também presente do palanque, o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), acredita que para vencer a disputa municipal, os demais candidatos têm pela frente um “desafio praticamente intransponível”, que é vencer a candidatura que une seis partidos e que tem o apoio do presidente Lula. O presidente da Câmara aproveitou também para ressaltar os desentendimentos internos do PSDB. “Não é porque o PSDB e o DEM estão se desentendendo que vamos ganhar. Vamos eleger a Marta porque ela é melhor.”

O candidato a vice na chapa encabeçada por Marta, o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), ressaltou a decisão unânime dos seis partidos em fazer essa coligação para a disputa municipal.

29/06/2008 - 21:15h PT confirma candidatura de Marta em SP e evoca Lula

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Partido usará popularidade do presidente na campanha.
Marta Suplicy terá como candidato a vice o deputado Aldo Rebelo

Roney Domingos Do G1, em São Paulo

O Partido dos Trabalhadores oficializou durante convenção realizada neste domingo (29) a candidatura da ex-ministra do Turismo Marta Suplicy na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A legenda deixou claro que usará a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral.

Lula está em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, neste domingo, onde participará de evento na montadora Volkswagen, e não compareceu à convenção petista na capital.

Marta Suplicy terá como vice o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B). A coligação “Uma nova atitude para São Paulo” terá seis partidos: PT, PC do B, PSB, PDT, PTN e PRB. Neste domingo, convenções do PC do B e do PRB confirmaram apoio a Marta.

A convenção do PT, realizada no Expo Barra Funda, registrou a presença de cerca de 2 mil pessoas, de acordo com funcionários do centro de convenções. O local foi enfeitado com balões vermelhos e decorado por banners que serão utilizados na campanha. Uma câmera de TV suspensa por uma grua registrou imagens do evento e do palco fortemente iluminado.

Um dos materiais de campanha tem a seguinte frase: “Marta e Lula. São Paulo com nova atitude”. O jingle com o bordão “Deixa ela trabalhar” tem a letra e música parecido com o utilizado pela campanha de Lula à reeleição em 2006, baseado no refrão “Deixa o Homem Trabalhar.”


Apoio externo

Marta citou o presidente Lula seis vezes em seu discurso de mais de quatro mil palavras. “São Paulo vai mudar porque estamos fortemente unidos. E São Paulo vai mudar da mesma forma que o presidente Lula está mudando o país”, afirmou. Lula e outras lideranças dos partidos do bloquinho participarão da campanha em São Paulo, descrita na convenção como prévia de 2010 entre os partidos “de esquerda” e os partidos de “de direita”.

“Se quiserem derrubar a Marta, terão de passar por cima do presidente Lula”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia. “O segundo governo Lula foi muito melhor do que o primeiro. O segundo governo da Marta vai ser muito melhor que o primeiro”, pregou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).

Dirigente do PSB, o deputado federal Márcio França citou que o bloco de esquerda, o chamado “bloquinho”, decidiu apoiar Marta porque viu chances reais de chegar ao segundo turno e por conta de um apelo pessoal do presidente.

“Tivemos um momento importante de Lula que pediu em nome do governo e em nome dele para que ele [Lula] pudesse estar aqui e pudesse fazer campanha. Também foi importante que o outro lado [PSDB e DEM] tem brigado bastante e a gente quis oferecer um exemplo didático de união”, afirmou França. O presidente Lula havia dito que não faria campanha onde houvesse mais de um candidato da base aliada.

França afirmou que o deputado federal Ciro Gomes e os governadores Eduardo Campos, de Pernambuco, e Cid Gomes, do Ceará, todos do PSB, devem atuar na campanha de Marta. Ele também garantiu que a ex-prefeita Luiza Erundina deverá subir no palanque da petista. Erundina chegou a ser convidada para ser vice de Marta. “Luiza Erundina vai estar na campanha”, afirmou.

O candidato a vice, Aldo Rebelo, destacou que a aliança em torno de Marta é a mesma que sustenta o governo federal. “O leque em torno da Marta é o mesmo leque que sustenta o governo Lula. Quando decidimos unir as nossas forças, isso deve ser registrado como triunfo da política, o único espaço de disputa com as forças que não permitem a inclusão social.”

O presidente do diretório municipal do PT, José Américo, afirmou que a aliança entre os partidos “unificou o movimento sindical na cidade de São Paulo pela primeira vez” e lembrou o presidente: “O Lula lidera uma revolução e precisa de São Paulo na sintonia do presidente.”

Até o PTN, partido que cultua a imagem do ex-presidente Jânio Quadros, lembrou a necessidade de ver Lula na campanha. “Jânio Qudros não se submeteu ao Fundo Monetário Internacional. Lula também não. Ele não privatizou. Pagou a dívida com nosso esforço”, afirmou o presidente do partido, José de Abreu.

O PT apresentou neste domingo um esboço do programa de governo. Marta afirmou que os partidos aliados serão chamados a colaborar com “um macroprograma” ambicioso que vai levar em consideração três pontos: ampliar a inclusão social, sustentar o processo de ascenção da nova classe média e consolidação da classe média já existente.

29/06/2008 - 19:00h Alckmin dá razão a Marta

Na convenção do PSL, Geraldo Alckmin disse algumas verdades sobre a administração Kassab, concordando com o que o PT vem repetindo. Demorou, mas Alckmin agora descobre que Kassab e o PSDB, que governam a cidade, deixaram São Paulo escura, a saúde para aquém das necessidades, os ônibus rolando a passo de tartaruga e as crianças sem creche.

“A cidade está escura, está triste. Ontem [sábado] estive no Brás. É uma escuridão”, disse. Em seguida, afirmou: “Em Parelheiros e Marsilac, onde há cerca de 400 mil pessoas, não há uma cama [leito hospitalar].”

“Estarei em Curitiba [PR] para estudar o transporte de lá, onde o ônibus não anda a 9 km/h. Vamos pôr esses ônibus [de São Paulo] para andar”


“Infelizmente, temos 150 mil crianças sem creche. Na realidade, o número deve ser muito maior.”

Como pode se ver estas eleições vão permitir, sem maniqueismos, confrontar os governos, as realizações e os projetos para São Paulo. E alguns ainda procuram evitar este debate, para montar uma cruzada contra o PT.

São Paulo tem a ganhar que as verdades sejam ditas e discutidas abertamente.

29/06/2008 - 14:37h Teoria está mais jovem do que nunca

FOLHA SP

PRECEITOS CENTRAIS DO DARWINISMO TORNARAM-SE O EIXO DE TODA A PESQUISA BIOMÉDICA MODERNA

A imagem “http://www.passeiweb.com/saiba_mais/voce_sabia/imagens/darwin_evolucao_2.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

MARCELO NÓBREGA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Diz-se que, ao ouvir sobre a teoria de Darwin, uma senhora da sociedade vitoriana resumiu assim seu desconforto: “Vamos torcer para que o Sr. Darwin esteja errado. Mas, se estiver certo, vamos torcer para que essas idéias não se espalhem muito”.
Darwin, mais do que ninguém, entendia as implicações desalentadoras de sua teoria para a noção de que os humanos ocupam uma posição especial na natureza. “É como confessar um crime” dizia.
Foram necessários 70 anos para provar que Darwin estivera certo desde o início.Vários remendos foram necessários à teoria evolutiva original. O mais importante deles foi o reconhecimento de outras forças evolutivas além da seleção natural. No que é conhecido como “deriva genética”, é amplamente aceito que várias características genéticas podem se disseminar em uma população puramente ao acaso, sem que a seleção natural precise ficar “escrutinando dia e noite cada variação”, como escreveu Darwin na “Origem das Espécies”.
Curiosamente, há um recente clamor, especialmente nas ciências sociais, de que uma mudança radical nas nossas idéias sobre hereditariedade e evolução se faz mister, frente a supostas descobertas bombásticas na biologia molecular que traem os preceitos “genocêntricos” do darwinismo.
Entre estas, a descrição de que certos traços podem ser herdados de uma geração para outra sem correspondente variação no DNA -fenômeno chamado de “epigenética”-, ou que modificações ou surgimento de certos traços às vezes precedem variação genética nessas populações, violando o preceito de que evolução se dá exclusivamente em variações genéticas preexistentes, randômicas. Acredita-se, por exemplo, que variações genéticas que tornaram humanos adultos tolerantes à lactose podem ter aparecido somente depois de estes terem instituído o consumo de leite, há cerca de 10 mil anos.
Se esses são os melhores argumentos justificando tal revolução conceitual, a cruzada é quixotesca, e o exército, maltrapilho. Esses novos mecanismos e conceitos vêm simplesmente agregar-se a um sem número de outras descobertas, que se tornaram possíveis nas últimas quatro décadas com o advento da biologia molecular.
O verdadeiro testemunho da herança de Charles Darwin pode ser aferido ao andar-se pelos corredores de qualquer departamento de biologia moderno.
Rapidamente se verá que o anseio da senhora inglesa de abafar as idéias sobre evolução não se concretizou. Os preceitos centrais de teoria evolutiva tornaram-se o eixo de virtualmente toda a pesquisa biomédica.
Graças às teorias de genética e evolução de populações, uma nova forma de medicina, chamada farmacogenética ou “medicina individualizada”, tem rapidamente se desenvolvido nos últimos anos. Hoje já é possível analisar diferenças genéticas entre pessoas e usar essa informação para escolher que remédios serão mais eficazes e terão menos efeitos colaterais para cada paciente em uma série de doenças.
Evolução e seleção natural são o motivo pelo qual ainda não existe uma cura para a Aids e pelo qual estamos perdendo a guerra contra bactérias resistentes a antibióticos. Mas são também os conceitos que têm nos permitido procurar novas formas de combater essas doenças -por exemplo, tentando entender o que na genética faz com que algumas pessoas que são verdadeiras cartilhas ambulantes de fatores de risco nunca adoecem. Desvendados esses mecanismos, novas estratégias terapêuticas poderão ser desenvolvidas.
A procura das causas genéticas de doenças é hoje pesquisada usando os genomas de múltiplas espécies e procurando trechos de DNA que foram mantidos intactos durante longos períodos evolutivos.
O entendimento de como as proteínas -os produtos dos genes- interagem em redes complexas para desenvolver uma função biológica é também amplamente sustentado pela teoria evolutiva. São novos rearranjos e interações entre proteínas que promovem o aparecimento de “novidades” evolutivas em espécies. Assim, uma esponja-do-mar já tem a maioria dos genes que são responsáveis pela organização do plano corporal humano. Os genes que são usados para formar dentes em peixes foram recrutados para funções diferentes quando nossos ancestrais saíram da água. Esses mesmos genes hoje coordenam a formação de estruturas aparentemente distintas como pele, glândulas mamárias e penas em aves.
Tentar descrever qualquer fenômeno biológico fora da esfera conceitual de evolução de Darwin equivale a conceber personagens sem um enredo que os contextualize e una.


MARCELO NÓBREGA é professor-assistente do Departamento de Genética Humana da Universidade de Chicago, EUA

29/06/2008 - 14:31h Século 19 estava prenhe da evolução biológica

FOLHA SP
GEOLOGIA ITALIANA DO SÉCULO 18 LANÇOU BASE DO EVOLUCIONISMO

http://www.thesecondevolution.com/wallace&darwin.jpg
Alfred Wallace e Charles Darwin

NÉLIO BIZZO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Ao remeter para Darwin seu ensaio sobre as variedades de seres vivos, Alfred Russel Wallace pedia que o mostrasse a Sir Charles Lyell, o famoso geólogo, caso nele visse algum valor. O ensaio teve um impacto avassalador sobre Darwin: trazia sentenças inteiras que poderiam ser encontradas em um antigo ensaio de Darwin de 1844.
“Seleção natural” e “sobrevivência do mais apto” apareciam tão articuladas no texto de Wallace quanto estavam na mente de Darwin.
Ao impacto do ensaio de Wallace somou-se um período de muita agitação emocional e Darwin teve de mudar seus planos inteiramente. O impacto de sua teoria sobre as raças do homem, idéia que Darwin vinha desenvolvendo, teria de esperar até 1871.
Malgrado essas mudanças de rota, uma teoria da evolução estava brotando na mente de pensadores em várias partes do mundo e o rebento teórico brotaria em algum lugar. O século 19 estava prenhe da evolução biológica.
Essa prenhez estava anunciada no livro que Darwin lera a bordo do Beagle, “Princípios da Geologia”.
Lyell escrevera que as teorizações inglesas tinham sido refutadas, e até mesmo ridicularizadas, pelos geólogos italianos do Século das Luzes. Eles tinham estendido as bases de Galileu para o estudo do interior da Terra e refutado a idéia de um dilúvio universal.
Lyell defendia o completo abandono da antiga idéia de que os fósseis não são marcas de seres vivos que de fato existiram no passado. Da mesma forma, dizia Lyell, não era razoável invocar os céus ou qualquer divindade para explicar fenômenos naturais à custa de milagres.
Nada além da “pura abominação” dessas visões era o que Lyell pedia a seus colegas iniciados das academias de intelectuais. Para explicar a ocorrência de fósseis marinhos nas alturas das montanhas não era necessário solicitar a intervenção de nenhuma força onipotente.
Até aquela data, muitos viam nos degraus da arena romana de Verona as marcas de Júpiter, cuja imagem os romanos tinham tomado de Amon dos egípcios. Os “cornu Ammonis” que até hoje ornam o rico mármore das calçadas de Verona, seriam simples lembranças espirituosas dos chifres de carneiro de Amon, e não marcas de amonitas (daí a origem do nome), animais reais extintos.
A geologia italiana acabara com o fundamentalismo anglicano naturalista e suas pretensões de sacralizar a ciência nascente.
A física e a mecânica dos céus tinham deixado de depender daquilo que estava nas Escrituras; a química vivia tempos revolucionários.
O estudo da vida seria o próximo campo fértil no qual germinariam as sementes da evolução orgânica, base de uma verdadeira ciência da vida, capaz de explicar as extinções, as “grandes revoluções” da crosta terrestre e o “mistério dos mistérios” -a origem das espécies.
Darwin e Wallace tinham resolvido a questão em 1858.
Darwin já o fizera em 1844 de maneira plenamente aceitável, mas insisitira em colecionar mais fatos e evidências.
Wallace confessava que, embora quisesse se dedicar ao tema de uma forma teórica, os afazeres cotidianos de coletor de espécimes lhe roubavam o tempo necessário.
Com um acesso de malária, ficou preso a uma cama, onde rememorou o que lera de Malthus e teve o “insight” criativo da seleção natural.
Em 1858, enfim, as duas perspectivas se juntaram e a teoria foi finalmente apresentada ao mundo. Passados 150 anos, sabemos que nada na biologia faz sentido sem ela. Há uma única razão para um anfioxo, uma lampréia, um sapo, uma tartaruga, um galo e um elefante terem um desenvolvimento embrionário com características comuns. Essa razão se resume à teoria da evolução, cujas bases foram assentadas pela geologia dos italianos do século 18, entendida e aplicada pelos britânicos que os sucederam, capazes de perceber a distinção básica entre ciência e religião. Ela estava no ar.


NÉLIO BIZZO é professor da Faculdade de Educação da USP. Pesquisou os manuscritos e a biblioteca pessoal de Charles Darwin

29/06/2008 - 13:52h Wallace, o outro pai da evolução

Paralelamente a Darwin, o biólogo Alfred Russel Wallace traçou as idéias da teoria da seleção natural

Alfred Russell Wallace (1823 – 1913)

Herton Escobar – O Estado de São Paulo

Cento e cinqüenta anos atrás, no dia 1º de julho de 1858, a teoria da evolução por seleção natural foi apresentada pela primeira vez à Sociedade Lineana de Londres, na Inglaterra. A descoberta era assinada por dois naturalistas britânicos. O primeiro era Charles Darwin. O outro, freqüentemente esquecido, era um jovem biólogo autodidata, que chegara às mesmas conclusões pesquisando espécies do sudeste asiático, nas florestas do Arquipélago Malaio. Seu nome era Alfred Russel Wallace.

Um século e meio depois, a história selecionou Darwin como ícone supremo do pensamento evolutivo, enquanto Wallace foi reduzido ao status de espécie ameaçada, ofuscado pelo brilho daquele que foi seu ídolo científico. Poucos hoje sabem que Alfred Russel Wallace existiu. Menos ainda sabem que ele começou sua carreira de naturalista no Brasil.

Wallace passou quatro anos na Amazônia, coletando plantas e animais às margens do Rio Negro e do médio Amazonas. Desembarcou no porto de Belém em 26 de maio de 1848, acompanhado de outro jovem naturalista britânico, o amigo Henry Bates. Tinham apenas 25 e 23 anos.

A idéia era coletar o maior número possível de plantas e bichos exóticos da floresta, que depois seriam levados de volta à Inglaterra para estudo. Buscavam pássaros, peixes, borboletas e outros insetos interessantes. Para pagar as contas, enviavam duplicatas para um agente em Londres, que vendia os espécimes para colecionadores ou museus e remetia o dinheiro de volta.

DESASTRE

O plano quase deu certo. Após quatro anos de trabalho duro, vivendo embrenhado na floresta e com a saúde fragilizada, Wallace juntou o que tinha e embarcou de volta para a Inglaterra em 12 de julho de 1852. No meio do Atlântico, um desastre: o navio pegou fogo. O jovem naturalista assistiu de um bote salva-vidas seu patrimônio científico ser consumido pelas chamas no oceano. Salvaram-se apenas algumas anotações e desenhos que estavam em sua cabine – entre eles, vários rascunhos de peixes e palmeiras, que cientistas brasileiros usam até hoje como referência.

A alfândega brasileira deu sua contribuição. A maioria dos espécimes que deveriam ter sido despachados para a Inglaterra nos últimos dois anos da expedição ficou retida em Manaus, de modo que Wallace precisou carregar tudo de uma vez na viagem de volta – tornando o prejuízo muito maior.

“Com qual prazer eu admirava cada inseto raro e curioso que eu havia adicionado à minha coleção! Quantas vezes, quando quase derrubado pela febre, não me arrastei pela floresta e fui recompensado com alguma bela e desconhecida espécie! Quantos lugares, nos quais nenhum europeu havia pisado antes de mim, seriam resgatados à minha memória pelas aves e insetos raros que eles haviam proporcionado à minha coleção!”, escreveu Wallace. “Agora tudo estava perdido, e eu não tinha um único espécime para ilustrar as terras desconhecidas pelas quais eu havia caminhado ou para resgatar a lembrança das cenas selvagens que eu havia presenciado.”

Após dez dias à deriva, tapando vazamentos com rolhas,Wallace e a tripulação foram resgatados por um navio de passagem. Voltou para a Inglaterra sem dinheiro e sem bichos, mas conhecido o suficiente para ganhar uma passagem de graça para outra expedição, dessa vez para o Arquipélago Malaio (atual Indonésia). Foi lá que, em fevereiro de 1858, ele formulou sua teoria sobre a origem das espécies.

INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Wallace descreveu algumas espécies da Amazônia – entre elas a palmeira piaçava (Leopoldinia piassaba), usada na fabricação de vassouras -, mas não produziu nenhuma grande descoberta enquanto esteve lá. Nem por isso a viagem deixou de ser produtiva. O comércio de espécimes era apenas uma fonte de subsistência. O que Wallace queria mesmo, desde que colocou os pés na floresta, era descobrir a origem das espécies.

“Ele claramente já tinha uma hipótese quando embarcou para o Brasil”, diz George Beccaloni, pesquisador de insetos do Museu de História Natural britânico e especialista em Wallace. “Essa era sua motivação principal – muito diferente de Darwin, que ainda era cristão, não acreditava na evolução e não tinha nenhuma hipótese quando embarcou no Beagle.”

A Amazônia foi a escola que Wallace não freqüentara (nascido numa família pobre, ele abandonou os estudos aos 13 anos). “A extraordinária biodiversidade brasileira foi um ponto decisivo, ao colocar de maneira premente para ele a questão de como explicá-la racionalmente”, diz o físico e divulgador científico Ildeu de Castro Moreira.

Wallace é considerado o pai da biogeografia, ciência que estuda a relação entre fatores ambientais, geológicos e a distribuição de espécies. Ele foi o primeiro a descrever os grandes rios amazônicos como barreiras geográficas à biodiversidade – um conceito básico da ecologia moderna.

Wallace notou que, nos trechos largos dos rios, os macacos de um lado eram diferentes das espécies do outro lado. Mais tarde, essa observação se tornaria um dos pilares da teoria da evolução, explicando como o isolamento pode transformar duas populações de uma mesma espécie em espécies diferentes.

“Não há especiação sem isolamento geográfico e reprodutivo. Wallace entendeu isso perfeitamente”, diz Nelson Papavero, biólogo aposentado do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

29/06/2008 - 13:36h Um começo tão simples

Folha de São Paulo
TEORIA DA EVOLUÇÃO, UMA DAS IDÉIAS MAIS IMPORTANTES DO PENSAMENTO OCIDENTAL, NASCEU HÁ 150 ANOS, MAS SEU REAL IMPACTO PASSOU DESPERCEBIDO NA OCASIÃO

John Collier
 

O naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809-1882): de criacionista a cientista inovador

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Quase ninguém notou na hora, mas o mundo mudou no dia 1º de julho de 1858. Há 150 anos, um grupo de naturalistas reunidos na Sociedade Lineana de Londres ouviu a leitura conjunta de três textos. Seus autores eram o galês Alfred Russel Wallace e o inglês Charles Robert Darwin. Os documentos delineavam uma “teoria muito engenhosa” para explicar “o aparecimento e a perpetuação de variedades e formas específicas no nosso planeta”. Nascia a teoria da evolução pela seleção natural. Depois dela, o pensamento ocidental e a biologia nunca mais foram os mesmos.
Os membros do clubinho dos naturalistas não se deram conta do tamanho da revolução que testemunhavam. Estavam assoberbados com cinco outros trabalhos lidos na mesma ocasião, entre eles uma carta “sobre a vegetação em Angola” e a descrição de um novo gênero da família das abobrinhas. Questionado sobre o que havia sido publicado naquele ano, Thomas Bell, presidente da Sociedade Lineana, respondeu: “Nada de revolucionário”.
Bell se arrependeria de seu julgamento no ano seguinte, quando Darwin detalhou a teoria evolutiva no livro “A Origem das Espécies”. Na Inglaterra vitoriana, dominada pelo pensamento cristão, a obra caiu como uma bomba. Nela Darwin sugeria que todos os organismos da Terra, da mais humilde ameba até os seres humanos, descendiam de um único antepassado. Homem e macaco, na imagem mais ilustre, partilhavam um ancestral comum (mais tarde, o bispo de Oxford perguntaria a Thomas Huxley, amigo de Darwin, se ele descendia de um macaco por parte de avô ou de avó).
Mais importante, no entanto, foi a maneira como Darwin e Wallace solucionaram o “problema das espécies”. A teoria postulava que a variedade entre os indivíduos numa população surge ao acaso. Indivíduos possuidores de características que os favoreçam na “luta pela sobrevivência” na natureza tenderão a deixar mais descendentes, modificando uma população. O acúmulo dessas modificações ao longo das eras acaba produzindo novas espécies. Não há, portanto, a necessidade de invocar a atuação divina na criação de todas as espécies. A teoria eliminou o sobrenatural da biologia, criando um cisma que se aprofundaria nas décadas posteriores.
No ano que vem, o mundo comemora o “Ano de Darwin”, com os 150 anos da “Origem” e o bicentenário do nascimento do naturalista (1809-1888). Mas a revolução darwinista teve seu início de forma acanhada, no “não-evento” científico de julho de 1858 -no qual o próprio Darwin foi um mero coadjuvante. Nas próximas páginas, você verá como uma idéia tão poderosa surgiu de um começo tão simples.


NA INTERNET www.linnean.org
leia as publicações originais de Wallace e Darwin

29/06/2008 - 10:28h “Todos os brasileiros estão numa situação melhor, especialmente os mais pobres”

Novamente em campanha para uma disputa acirrada
 

Daniel Bramatti e Clarissa Oliveira do jornal O Estado de São Paulo fizeram uma excelente entrevista de Marta Suplicy.

A sra. concorda com a avaliação de que o trânsito será questão central da campanha? Como enfrentar o problema?

Acho que esse governo executou muito pouco em relação à saúde e à educação. Mas o trânsito deve provocar um debate mais acirrado, porque é disso que as pessoas estão reclamando. Fizemos 100 quilômetros de corredores e deixamos 200 quilômetros programados. Foram feitos só 7,5. A curto prazo, é preciso recuperar a capacidade de gestão da CET, que está sucateada. O segundo ponto são os corredores. Isso demora um ano e meio para fazer. E a longo prazo é investir em metrô, pois hoje há recurso para fazer.

Por que só agora?

Em 2003, quando poderíamos ter investido na linha 4, não tinha projeto. Nós governamos com poucos recursos. Quando entrei, eram R$ 9 bilhões (Orçamento municipal). Em 2005, eram R$ 15 bilhões, e hoje são R$ 21 bilhões. Os tucanos estão no poder há 16 anos, não podem dizer que o metrô não anda por causa da prefeitura.

Como o presidente Lula participará da campanha?

O presidente só não é unanimidade hoje porque isso não existe em política. Ele desfruta de um prestígio enorme graças à gestão econômica. Todos os brasileiros estão numa situação melhor, principalmente os mais pobres. A presença dele será muito positiva.

Seu mapa de votação em 2004 mostra um apoio maior na periferia e uma resistência muito forte nas áreas mais nobres. Por que essa rejeição ao PT ou ao seu nome na classe média?

Houve muitas campanhas amedrontadoras em relação ao PT que depois se mostraram absolutamente infundadas. O presidente Lula cumpriu todos os contratos, ao contrário do que fez Serra na prefeitura. Um preconceito de classe ainda existe contra o PT. O governo que eu fiz adicionou algo a isso. Fiz um governo de inclusão social. Vários setores, principalmente a classe média que vive de um salário mais contado, perceberam que tinham de fazer um esforço gigantesco para colocar seu filho num colégio particular que não chegava aos pés de um CEU, que era feito para os mais pobres. Para muitas pessoas foi visto como se (a prefeitura) estivesse tirando delas. Pensavam: “Eu me mato para pagar o balé para a minha filha, ou a aula de violino para o meu filho, e meu imposto está indo para essas pessoas que provavelmente nem pagam nada e estão tendo acesso a bens e a luxos de que não precisam.” Muitos se engajaram nessa campanha. O próprio PSDB, que, depois, devido à pressão da população beneficiada, teve de voltar atrás e continuar o projeto dos CEUs. Eles poderiam ter inaugurado os novos CEUs com um ano e meio de governo, porque as obras estavam contratadas.

Houve resistências?

Houve, eles não queriam fazer. Mas o importante é recuperar o conceito de CEU. O conceito de que uma criança pobre não tem de ter acesso só a aulas de matemática e português. Ela precisa de uma janela para algo que na sua vivência familiar é impossível, teatro, instrumento musical, filme, clube. A idéia é que todas as crianças possam ter isso.

Qual a sua avaliação do projeto Cidade Limpa?

Acho um bom projeto e nós vamos continuar, talvez ouvindo mais os pequenos comerciantes, que se sentiram prejudicados, vendo como podemos ajudá-los a recuperar as fachadas que ficaram deterioradas com a retirada de painéis.

O PMDB diz que não fez aliança com o PT porque o partido teria sido incapaz de oferecer garantias para um acordo. Mesmo a aliança com tradicionais aliados demorou para ser fechada. Houve erros?

Não creio. Estamos com os aliados que deveríamos ter. São os partidos de esquerda, que têm uma proposta programática mais afim. E a conversa com Aldo Rebelo (candidato a vice-prefeito) foi extremamente positiva. É uma pessoa que acrescenta em termos de competência, experiência, por sua bagagem e sua origem, ele é do Nordeste. Está bom demais do jeito que acabou saindo.

Dentro do próprio PT há pessoas que dizem que a sra. poderia sair da prefeitura em 2010 para se candidatar a governadora. Há possibilidade de isso acontecer?

Não cogito nada nessa direção. Resolvi ser candidata para consolidar políticas públicas. Recebemos 12 hospitais sem aparelhos. A saúde era um deserto, uma coisa muito difícil recuperar. Nós começamos a reconstruir e deixamos tudo pronto para o passo seguinte. Íamos fazer os centros de especialidades, o que esse governo não aproveitou. O gargalo que nós deixamos é exatamente o que hoje continua: a pessoa demora dois anos para marcar um exame, oito meses para marcar outro… Se tivesse havido continuidade no transporte, teríamos 200 quilômetros de corredores. Na educação teríamos feito os CEUs em um ano e meio. É muito duro ter um governo de quatro anos. Quando decidi ser candidata, pensei: vou ser por quatro anos e vou tentar ficar oito. Porque aí eu consolido, deixo na cidade uma marca que fica.

Dois flancos que seus adversários tendem a explorar: aumento de impostos e a declaração do “relaxa e goza”, da qual a sra. já se desculpou. Existe o temor de que isso seja usado na campanha?

Tudo pode ser usado. Pode ser usado contra o Alckmin que caiu o metrô que ele construiu, que o Kassab chamou de vagabundo (um manifestante contra o projeto Cidade Limpa). Mas não sei o que isso acrescenta para a avaliação do eleitor. Não espero que eles usem, nem pretendo usar. Em relação a impostos, reconheço que a mão pesou quando se quis fazer muita coisa ao mesmo tempo. Houve reavaliação da planta genérica, IPTU progressivo e as taxas. Muitos foram isentos do IPTU, mas para outros pesou. Hoje eu não faria do mesmo jeito.

Há espaço para cortar impostos?

Acho que sim, já pedi para estudar. Isso seria importante.

Qual a sua posição em relação a aborto, pena de morte e casamento gay?

Ninguém pode ser a favor do aborto como método, mas não se pode ignorar o grave problema de saúde pública dos abortos clandestinos. Sou a favor da aplicação da lei que já garante assistência às mulheres e à ampliação em alguns casos, como, por exemplo, de anencefalia. Sou contra a pena de morte e a favor da parceria civil de homossexuais, como já tem sido reconhecida em sentenças judiciais.

28/06/2008 - 20:01h Esquentando os motores: união, força e juventude

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28/06/2008 - 18:53h A fé dos homofóbicos

homofobia_crime1.jpg


André Petry – Veja

Em 1946, quando os negros reivindicaram a inclusão de alguns direitos na Constituição, foi um salseiro. Foram acusados de antidemocráticos e racistas por congressistas e estudantes da UNE. Em 1988, a Constituição promoveu o racismo de contravenção a crime. Ninguém chiou. Na década de 50, quando se discutia o divórcio, teve cardeal dizendo que se devia pegar em armas para combater a proposta. Em 1977, o Congresso aprovou o divórcio. Não houve tiroteio, e a igreja do cardeal nunca mais tocou no assunto. Recordar é viver.

Agora, os evangélicos estão anunciando o apocalipse caso o Senado faça o que a Câmara já fez: aprovar lei punindo a homofobia com prisão. A lei em vigor pune a discriminação por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. A nova acrescenta a punição por discriminação contra homossexuais. Cerca de 1 000 evangélicos tentaram invadir o Senado em protesto. Dizem que a criminalização da homofobia levará à prisão em massa de pastores e padres, e viveremos todos sob o domínio gay. A história ensina que, cedo ou tarde, a lei, ou outra qualquer com objetivo similar, será aprovada, e a vida seguirá seu curso regular sem nada de extraordinário.

Os evangélicos e aliados dizem que proibir a discriminação contra gays fere a liberdade de expressão e religião. Dizem que padres e pastores, na prática de sua crença, não poderão mais criticar a homossexualidade como pecado infecto e, se o fizerem, vão parar no xadrez. É uma interpretação tão grosseira da lei que é difícil crer que seja de boa-fé.

Tal como está, a lei não proíbe a crítica. Proíbe a discriminação. Não pune a opinião. Pune a manifestação do preconceito. Uma coisa é ser contra o casamento gay, por razões de qualquer natureza. Outra coisa é humilhar os gays, apontá-los como filhos do demônio, doentes ou tarados. É tão reacionário quanto uma Ku Klux Klan alegar que a proibição da segregação racial fere sua liberdade de expressão. Querem a liberdade de usar a tecnologia Holerite de cartões perfurados pela IBM?

Alegam que a liberdade religiosa fica limitada porque combater o pecado vira crime. É um duplo equívoco. O primeiro é achar que uma doutrina de crença em forças sobrenaturais autoriza o fiel a discriminar o herege. O segundo é atribuir à lei valor moral. O direito penal não é instrumento para infundir virtudes. É um meio para garantir o convívio minimamente pacífico em sociedade. Matar é crime não porque seja imoral, mas porque a sociedade entendeu que a vida deve ser preservada. Dúvidas? Recorram ao Supremo Tribunal Federal. Na democracia, é assim. Lei não é bíblia de moralidade.

O que essa proposta pretende dar aos gays, e sabe-se lá se terá alguma eficácia, é aquilo a que todo ser humano tem direito: respeito à sua integridade física e moral. Os evangélicos, pelo menos os que foram a Brasília, dão prova de desconhecer que seres humanos não diferem de coisas só porque são um fim em si mesmos. Os seres humanos diferem das coisas porque, além de tudo, têm dignidade. As coisas têm preço.

28/06/2008 - 18:35h Dossié VEJA aborda a União estável de homossexuais

Junho de 2008

União estável de homossexuais

Reuters

O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para decidir, pela primeira vez na história, sobre o mérito de uma questão controversa: o regime jurídico das uniões estáveis previsto no Código Civil poderá ser estendido aos casais homossexuais. Os ministros julgarão uma ação proposta pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que sugere o reconhecimento legal da união estável de casais de gays e lésbicas. A ação já recebeu parecer favorável da Advocacia-Geral da União, em junho. Não caberá aos ministros decidir se duas pessoas do mesmo sexo têm o direito de viver juntas, o que já é uma realidade no país, mas sim se as leis brasileiras devem tratar tal relacionamento da mesma maneira como fazem com um homem e uma mulher. Entenda a atual situação dos casais gays no país – e o que pode mudar caso a ação seja aprovada.

1. O que propõe a ação movida por Cabral?
2. Essa forma de união pode ser considerada casamento?
3. É a primeira vez que uma ação desse tipo chega ao STF?
4. O que diz a legislação brasileira a respeito da união entre homossexuais?
5. Quais direitos os casais do mesmo sexo já possuem no Brasil?
6. Quais as principais diferenças, em termos jurídicos, de casais hétero e homossexuais que mantenham uniões estáveis?
7. Há estados em que a união civil homossexual é reconhecida?
8. Como o governo lida com a questão do homossexualismo?
9. Há outros projetos de lei que regulamentam o casamento entre homossexuais?
10. Em quais países o casamento gay é legalizado? Leia também:
- Linha do tempo
1. O que propõe a ação movida por Cabral?

A ação, uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental, pede que o casamento entre homossexuais seja considerado união estável. Assim, a união estável de pessoas do mesmo sexo teria, diante da Lei, o valor de uma união entre parceiros heterossexuais. Os casais homossexuais passariam a ter direito, por exemplo, a pensão em caso de morte do cônjuge, pensão alimentícia e herança. Cabral optou por esse tipo de ação porque, de acordo com ele, o tratamento diferenciado aos casais gays é um desrespeito à Constituição. A ação afirma que os princípios constitucionais violados são a igualdade, a liberdade e dignidade da pessoa humana, além da segurança jurídica.

 
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2. Essa forma de união pode ser considerada casamento?Não, já que não se trata apenas de uma equiparação plena de direitos. Ainda assim, é muito próxima disso. Caso aprovada, a proposta seria um dispositivo legal que garantiria aos gays seu reconhecimento como casal, mas não lhes daria as mesmas garantias que os casados têm, como a permissão para adotar o sobrenome do companheiro. Ainda assim, é um grande avanço, tendo em vista que, atualmente, a união entre homossexuais juridicamente não existe nem pelo casamento, nem pela união estável, e configura apenas sociedade de fato – ou seja, em caso de separação, por exemplo, as uniões gays não são julgadas em varas de família, mas em varas cíveis, apenas para tratar da divisão de bens. A união homossexual é tratada, basicamente, como um acordo comercial.
 
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3. É a primeira vez que uma ação desse tipo chega ao STF?Não. Em 2006, chegou ao Supremo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Associação Parada do Orgulho Gay, que contestava a definição legal de união estável: “entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”, segundo o artigo 1.723 do Código Civil. A ação não chegou, no entanto, a ser julgada no mérito. Ela foi extinta pelo seu relator, o ministro Celso de Mello, por razões técnicas. Mello indicou como instrumento correto para tratar da questão uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental, e não uma Adin. O ministro também disse que a união homossexual deve ser reconhecida como entidade familiar e não só como “sociedade de fato”.
 
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4. O que diz a legislação brasileira a respeito da união entre homossexuais?No Brasil, a diversidade de sexo é exigida para configurar união estável. A Constituição Federal, em seu artigo 226, parágrafo 3º, estabelece que “para efeito da proteção do estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. Já o Código Civil, em seu artigo 1.723, reconhece como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. Em nenhum momento a união entre homossexuais é citada.
 
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5. Quais direitos os casais do mesmo sexo já possuem no Brasil?Alguns tribunais brasileiros já firmaram jurisprudência em conceder a casais homossexuais direitos em relação à herança (metade do patrimônio construído em comum pode ficar para o parceiro); plano de saúde (inclusão do parceiro como dependente); pensão em caso de morte (recebimento se o parceiro for segurado do INSS); guarda de filho (concessão em caso de um dos parceiros ser mãe ou pai biológico da criança) e emprego (a opção sexual não pode ser motivo para demissão).
 
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6. Quais as principais diferenças, em termos jurídicos, de casais hétero e homossexuais que mantenham uniões estáveis?Os casais gays não são reconhecidos como entidade familiar, mas sim como sócios. Isso faz com que, em caso de emergência, um homossexual não possa autorizar que seu marido ou esposa seja submetido a uma cirurgia de risco. Além disso, casais do mesmo sexo não podem somar renda para aprovar financiamentos, não somam renda para alugar imóvel, não inscrevem parceiro como dependente de servidor público, não têm garantia de pensão alimentícia em caso de separação, não têm licença-maternidade para nascimento de filho da parceira, não têm licença-luto (para faltar ao trabalho na morte do parceiro), não têm usufruto dos bens do parceiro, não têm direito à visita íntima na prisão, não fazem declaração conjunta do imposto de renda e não podem deduzir no IR o imposto pago em nome do parceiro.
 
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7. Há estados em que a união civil homossexual é reconhecida?Sim. No Rio Grande do Sul, os cartórios trabalham desde 2004 com uma norma que possibilitou aos casais homossexuais com algum tipo de união estável fazer um registro nesse sentido. Nesse estado, processos que envolvem relações homossexuais são julgados pela Vara de Família. Já o Rio de Janeiro foi, em 2007, o primeiro estado a conceder pensão a parceiros e parceiras de homossexuais.
 
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8. Como o governo lida com a questão do homossexualismo?O governo lançou em 2006 o programa Brasil sem Homofobia, com o objetivo de combater a violência e a discriminação contra homossexuais. O programa apóia projetos de fortalecimento de instituições públicas e não-governamentais que atuam na promoção da cidadania homossexual e no combate à homofobia, além de capacitar profissionais e ativistas que atuam na defesa dessas pessoas. Em 2004, o Brasil apresentou nas Nações Unidas uma resolução que classifica o homossexualismo como direito humano inalienável. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, em 2008, a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, em Brasília. Lula não possui, porém, um bom histórico em relação aos homossexuais — em 2000, o petista chamou a cidade gaúcha de Pelotas de “pólo exportador de veados”.
 
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9. Há outros projetos de lei que regulamentam o casamento entre homossexuais?Sim. Desde 1996, o Congresso tem entre seus projetos uma proposta, de autoria da ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy, que autoriza a parceria civil entre homossexuais no Brasil. Em todos esses anos, a proposta sequer chegou a ser votada. Caso fosse aprovada reconheceria, no papel, a união de casais do mesmo sexo, o que já existe na prática.
 
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10. Em quais países o casamento gay é legalizado? Na Holanda, desde 2001, os direitos de casamento valem para todos os cidadãos, sem distinção, no texto da lei, entre homossexuais e heterossexuais. Não há nem mesmo como saber quantos casamentos gays já foram realizados no país, já que os registros não dão conta se os noivos eram do mesmo sexo. A união civil entre gays também é aceita na Bélgica, no Canadá, na França, na Espanha, no Uruguai, nos estados americanos de Massachusetts e Califórnia e na capital argentina, Buenos Aires.
 
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Linha do tempo

 
 

28/06/2008 - 13:07h A Última Amante (Une vieille maitresse)

Crítica/cinema/”A Última Amante”

Catherine Breillat subverte convenções do filme de época Diretora francesa aborda a afirmação da sexualidade em um ambiente opressor

PEDRO BUTCHER
CRÍTICO DA FOLHA

Um filme de época era a última coisa a se esperar de Catherine Breillat, cineasta francesa obsessivamente dedicada à questão do desejo feminino. Seu cinema, famoso pelas cenas de sexo filmadas sem pudor -”Romance” e “Anatomia do Inferno”, que traziam o astro pornô Rocco Sifredi, foram particularmente escandalosos-, sempre foi fundamentalmente contemporâneo, e talvez seja justamente por isso que “A Última Amante”, uma adaptação do romance “Une Vieille Maitresse”, de Jules-Amédée Barbey d’Auverilly, tenha lá seu frescor.
Crônica de uma época da nobreza francesa, a trama traz fortes ecos de “Ligações Perigosas”, apesar de se situar em 1835, cerca de 70 anos depois da célebre intriga de Chordelos de Laclos. Na verdade, Breillat não abandonou suas questões prediletas, e o resultado é que “A Última Amante” cresce a partir da tensão entre as convenções do “filme de época” e a estética particular da cineasta, que nega, em cada fotograma, o tradicionalismo do gênero.
Os personagens de Breillat não são figurinos recheados de corpos, como é comum acontecer nesse tipo de filme, mas corpos (desajeitadamente) vestidos com roupas de época. A dimensão de crônica é subvalorizada em favor de um estudo mais franco da possibilidade de uma afirmação da identidade sexual em meio a um ambiente opressor.
A figura central de “A Última Amante” é uma “outsider” da corte, a senhora Vellini (Asia Argento), espanhola de jeito extravagante, filha de um toureiro, que vive uma longa relação com o filho da nobreza Ryno de Marigni (Fu’ad Ai Aattou). Os laços entre os dois serão postos em xeque quando a família dele decide casá-lo com a jovem Hermangarde (Roxane Mesquida). Uma situação clássica, que ganhará tratamento não-clássico.

Crueza calculada
A encenação de Breillat continua guardando um grau de crueza calculado para evitar qualquer possibilidade de glamour. Sua câmera é direta e os cenários e figurinos não sufocam outros aspectos do filme. É verdade que nas cenas dominadas pelas palavras Breillat não demonstra a mesma desenvoltura das seqüências em que o corpo é a figura central, e por isso seu filme cresce bastante quando abandona a corte, fofocas e intrigas para se concentrar na realização do amor de Vellini e Ryno depois que eles fogem para a Argélia -com toques trágicos.
Para que o projeto de Breillat se realize, a presença de Asia Argento em “A Última Amante” é fundamental. A atriz cristaliza a representação da sexualidade feminina como elemento transgressor, numa interpretação transbordante e decididamente infernal, que confirma Argento como ícone do cinema de ambições transgressoras.


A ÚLTIMA AMANTE
Produção:
França/Itália, 2007
Direção: Catherine Breillat
Com: Asia Argento, Fu’ad Ait Aattou, Roxane Mesquida
Quando: em cartaz no Bristol, Cine UOL e Reserva Cultural; 16 anos
Avaliação: bom

28/06/2008 - 12:52h Folha omite papel de Marta em obra de Jacu-Pêssego e acusa Serra de omitir Alckmin

ELEIÇÕES 2008 / SÃO PAULO

Com Kassab, Serra omite papel de Alckmin em obra

Governador apresenta parceria como novidade, mas convênio foi feito por antecessor

Acordo foi assinado em dezembro de 2005, quando Serra, então prefeito, pediu a Alckmin a colaboração do governo do Estado na obra

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Ao lado do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o governador José Serra (PSDB) exaltou ontem a participação do Estado nas obras de extensão da avenida Jacu-Pêssego, na Zona Leste da cidade. Numa inauguração marcada pela presença de tucanos, Serra apresentou a parceria como novidade. Nas três vezes que citou, só esqueceu um coisa: mencionar que o convênio fora assinado na gestão do ex-governador Geraldo Alckmin.
“Essa obra era originalmente da prefeitura com aportes do governo federal. Nós incluímos agora o governo do Estado, que hoje se encarrega da maior dos custos em parceria principalmente com a prefeitura”, disse Serra, em entrevista.
Minutos antes, ainda no palanque, o governador sustentava o mesmo discurso. “Houve uma novidade em relação a Jacu-Pêssego. É que o governo do Estado entrou nessa obra [...] Nós introduzimos o governo do Estado na obra”.
Incluindo um viaduto e uma ponte, o trecho inaugurado ontem custou R$ 368 milhões. Desses, R$ 185 milhões saíram dos cofres doEstado.
O convênio estabelecendo a participação do Estado foi assinado em dezembro de 2005, 13 meses antes da posse de Serra. Naquela época, Serra era prefeito e pediu a Alckmin a colaboração do Estado na obra.
Já em dezembro de 2005, o governo Alckmin liberou R$ 40 milhões para obra, segundo site da própria prefeitura.
Ao longo dos últimos três anos, a prefeitura destinou R$ 119 milhões à obra. O governo federal, R$ 64 milhões.
No discurso, Kassab agradeceu: “Governador José Serra, muito obrigado pelo seu trabalho, esforço e sua dedicação”.
O líder do PSDB na Assembléia Legislativa, Samuel Moreira, e o vereador tucano Adolfo Quintas, elogiaram o trabalho de Kassab. “O prefeito está fazendo muito pela região”, discursou Quintas, ao lado do vereador Ricardo Teixeira.
Na chegada, Kassab deixou claro que, no período eleitoral, iniciado no dia 6, substituirá as inaugurações por vistorias. “No período de campanha, o prefeito não pode participar do ato de inauguração. Estarei, como sempre, vistoriando as obras e checando o funcionamento dos equipamentos.”
O prefeito foi elogiado pelo padre Rosalvino Moran, amigo do ex-governador Mário Covas.

28/06/2008 - 10:44h Jornalismo: Marta consolida apoio eleitoral

Cesar Ogata
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Paulo Liebert/AE
Marta com Aldo: “De um lado, as forças de esquerda, com projeto de inclusão. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação”

Durante lançamento da coligação do bloco de “esquerda” em São Paulo, petista cita empenho de Lula na formação da aliança e critica PSDB e DEM. Paulinho da Força diz que sindicatos irão trabalhar na campanha

Alessandra Pereira – Correio Braziliense

São Paulo — Afinados no discurso de que a chapa representa a união das forças de esquerda em torno da retomada da principal capital do país, a pré-candidata do PT à prefeitura paulistana, Marta Suplicy, e seu candidato a vice, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), apresentaram ontem a coligação batizada de Uma Nova Atitude por São Paulo. Na prática, Marta consolidou o apoio dos maiores partidos do bloquinho (PSB, PDT e PCdoB) aos petistas, depois de uma longa negociação que precisou de intervenções diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chegar a bom termo.

Em ato de lançamento com as presenças do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, foi esse o enfoque de consenso. A de que a formação da chapa une as “forças populares” em uma campanha que, na avaliação de Marta Suplicy, será, mais uma vez, polarizada entre dois grupos políticos e projetos distintos.

“São Paulo vai ser palco de uma disputa entre dois projetos. De um lado, as forças de esquerda, com um projeto de inclusão social. De outro, demos e tucanos, com o projeto da enrolação social”, disse a ex-prefeita e ex-ministra do Turismo, em referência às candidaturas do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição. Com a coligação, a chapa terá cerca de 7,5 minutos de tempo no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Marta se disse alegre em poder ter como vice alguém “do porte de Aldo Rebelo”. “Sinto que temos uma dupla afinada, com uma competência bastante complementar”, disse. Questionada sobre a participação de Lula nas negociações, a ex-prefeita, que governou São Paulo entre 2001 e 2004 e perdeu a reeleição para o atual governador do estado, José Serra (PSDB), comentou: “O presidente fazia muito gosto no apoio das esquerdas aqui em São Paulo para o seu partido (PT). Isso eu sei porque foi comentado a mim. O Aldo pode dizer qual foi o peso desse pleito presidencial”.

Segundo o deputado, “houve um empenho grande do presidente Lula” e das lideranças de todos os partidos para que o bloco se unisse ao PT na formação de uma grande chapa de esquerda em São Paulo. Tanto Marta quanto Rebelo foram reticentes quanto à possibilidade de a aliança paulistana se prolongar até as eleições de 2010. “Há expectativa de que seja estratégica”, afirmou o deputado, lembrando que PT e PCdoB estão juntos desde 1988.

Esquema
Marta Suplicy e Aldo Rebelo também negaram constrangimento em relação à presença no ato e ao apoio de Paulo Pereira da Silva, acusado de envolvimento em um esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Paulinho abdicou de seus sigilos telefônico, bancário e fiscal e está sendo investigado pelo Conselho de Ética da Câmara e pelo Supremo Tribunal Federal (STF)”, defendeu Rebelo. Marta afirmou não ver problema algum: “Ninguém pode ser julgado antes da hora”.

No ato de ontem, Paulinho foi cumprimentado com abraços por Marta e Rebelo. O deputado, que deixou a presidência do PDT em razão das acusações, mas ainda comanda a Força Sindical, disse que os 52 sindicatos ligados à central irão trabalhar firme por Marta. “Os trabalhadores vão buscar voto por voto nas ruas”, disse.

Segundo Marta, é a primeira vez, em muitos anos, que as centrais
sindicais estão juntas em uma candidatura para a prefeitura de São Paulo. “Isso é motivo de entusiasmo, porque temos todos os sindicatos, temos uma militância com garra, querendo ir para as ruas, temos uma coligação forte e o apoio do presidente Lula”, computou. Lula já confirmou que irá prestigiar a campanha de Marta sempre que possível.

Mais do que a da cúpula do PSB, representado pelo presidente do diretório municipal, o vereador paulistano, Eliseu Gabriel, a maior ausência sentida foi a da deputada federal Luiza Erundina, que chegou a ser cogitada para a vaga de vice de Marta. Representantes dos partidos do bloquinho acreditam que a candidatura teria ainda mais força com Erundina como vice, porque ela já foi prefeita e aparecia com 8% das intenções de voto para prefeita, contra apenas 1% de Rebelo.

Segundo representantes do PSB, Erundina terá participação ativa na campanha e é nome importante também para ocupar posição de destaque em um eventual novo governo de Marta Suplicy na capital paulista. Hoje e amanhã, os partidos do bloquinho e o PT fazem as convenções partidárias para homologar as candidaturas.


Alckmin nas ruas

No mesmo dia em que os adversários desfilaram a tiracolo com cabos eleitorais de peso, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin, enfrentou, solitário, o eleitorado. Desacompanhado até de fiéis deputados tucanos, Alckmin fez uma visita breve a uma feira de lojistas de shoppings na Zona Norte da cidade.

O tucano minimizou a maratona de inaugurações às vésperas do início da eleição — promovida pelo prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) — e seu impacto nas urnas dizendo que ela não é uma ameaça. “Para mim, está bastante claro que a disputa mais difícil é com o PT”, afirmou.

Mas, mesmo em relação à adversária petista, a ex-ministra Marta Suplicy, o ex-governador adotou um discurso otimista. “Está bom. Estamos num empate técnico com a candidata do PT e, na simulação de segundo turno, temos 9, 10 pontos, uma boa margem de frente”, disse ao citar pesquisas recentes.

Alckmin, rodeado por assessores tucanos e organizadores da feira, percorreu por cerca de uma hora estandes de expositores, distribuiu beijos e apertos de mão e tirou fotos. Já Kassab, pela segunda vez nesta semana, esteve ao lado do governador José Serra (PSDB). Ambos entregaram um viaduto na Zona Leste da cidade. “É natural que todos os candidatos procurem se expor, buscar votos. Isso faz parte do processo democrático”, disse Alckmin.

28/06/2008 - 10:27h A torneira está aberta

Rodrigo Martins – Carta Capital

trem_4510.gifNa Europa, o inquérito sobre o esquema de propinas alimentado pela Alstom está próximo de um desfecho. O juiz federal suíço Ernst Roduner afirmou que já detém informações que comprovam pagamentos da multinacional francesa a funcionários públicos estrangeiros. Por ora, ele prefere não revelar os nomes dos beneficiários. É prudente. Antes de procurar os holofotes, quer colher os depoimentos de suspeitos.

Pena que a Justiça suíça não teve a mesma cautela antes de confiar aos investigadores brasileiros pilhas de documentos sigilosos, reunidos ao longo de quase quatro anos de trabalho. Os europeus estavam dispostos a ajudar os promotores nativos no mapeamento dos receptores da propina no País, responsáveis por assegurar contratos milionários da Alstom com estatais paulistas. Encaminharam ao Ministério da Justiça, em meados de maio, informações valiosíssimas sobre as ramificações do esquema e os principais suspeitos. Mas, tão logo as informações chegaram ao Brasil, boa parte das evidências ganhou as páginas dos jornais.

As provas reunidas até então viraram notícia antes que os acusados fossem convocados a depor no Ministério Público ou que a Justiça pudesse autorizar a quebra do sigilo fiscal das empresas que intermediaram a negociata. Quem tinha algo a esconder teve tempo de sobra para eliminar vestígios. Não por acaso, a Justiça suíça interrompeu o envio espontâneo de novos documentos ao Brasil. Agora, os arquivos são encaminhados somente após requerimentos oficiais do governo federal.

Em conversas informais, autoridades que acompanham o caso não escondem o descontentamento com o que consideram ser “um vazamento criminoso, com prejuízos incalculáveis para as investigações”. Os responsáveis pela trapalhada não dão as caras. Mas não é difícil relacionar as prováveis fontes das informações sigilosas. Todos os documentos enviados pelos suíços passaram pelo Ministério da Justiça e, em seguida, foram remetidos aos promotores envolvidos no caso. Em alguma dessas pontas, a torneira está aberta.

O promotor Sílvio Marques, do Ministério Público Estadual, diz não ser o autor dos vazamentos. Sempre que é procurado por CartaCapital, afirma que a investigação segue sob sigilo. Rodrigo de Grandis, da Procuradoria da República em São Paulo, nem sequer atende os telefonemas da revista. No Ministério da Justiça, os assessores de imprensa estão orientados a falar que o conteúdo dos documentos não pode ser divulgado em hipótese alguma. Mas, se os funcionários desses três órgãos estão de fato comprometidos com o sigilo das investigações, quem mais teria repassado as informações?

Na esteira das informações vazadas à imprensa, talvez o caso mais emblemático seja o de Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), coordenador da campanha eleitoral de Mário Covas em 1994 e chefe da Casa Civil do governo do Estado entre 1995 e 1997. Bilhetes trocados por executivos da Alstom, e apreendidos na subsidiária suíça da empresa, apresentam as iniciais “RM” e fazem referência a um “ex-secretário do governador”, possivelmente encarregado de intermediar “gratificações ilícitas” para beneficiar pessoas ligadas ao governo e também no tribunal. O mesmo memorando que cita as iniciais revela que a propina a ser paga seria de 7,5% em relação a um contrato de 110 milhões de reais da Eletropaulo.

O Ministério Público Federal solicitou ao Superior Tribunal de Justiça uma investigação criminal contra o conselheiro, protegido por foro privilegiado. O pedido foi ajuizado duas semanas após a divulgação do nome de Marinho pelos jornais. Àquela época, ele teve de justificar aos jornalistas, e não aos promotores, as relações que mantinha com a Alstom.

De acordo com autoridades envolvidas na investigação, esse vazamento foi o primeiro fato a esfriar as relações entre os investigadores europeus e brasileiros. Na seqüência, vieram muitas outras revelações das descobertas feitas pelos suíços.

Já são de conhecimento público, por exemplo, os nomes de seis empresas offshore, constituídas em paraísos fiscais, que receberam o equivalente a 13,5 milhões de reais, entre 1998 e 2001, para repassar parte do dinheiro a empresas ligadas a políticos paulistas, por meio de consultorias de fachada. A MCA Uruguay Ltda., com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e então administrada pelo empresário brasileiro Romeu Pinto Jr., é uma das que mais receberam depósitos. Os pagamentos somam 8,7 milhões de reais, em valores corrigidos.

Também é suspeita de integrar o esquema a Taltos Ltda., administrada por José Geraldo Villas Boas, ex-presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Chamado pela Alstom para ajudar a empresa a ganhar um contrato de instalação de subestações elétricas para a estatal Eletropaulo, ele teria recebido depósitos na soma de 7,8 milhões de francos (o equivalente a 1,4 milhão de dólares, na época), por meio de uma conta na Suíça pertencente à offshore.

Ao Wall Street Journal, Villas Boas admitiu ter feito serviços de consultoria à Alstom, alguns deles “fictícios”, apenas para “realizar um pagamento”. “A quem?”, indaga o jornal. “O quê? Você quer que eu leve um tiro?”, rebate.

Os promotores suíços também possuem documentos que indicam que a Alstom transferiu 5 milhões de dólares, entre 1998 e 2003, para um intermediário próximo ao governo tucano, identificado no papel como Cláudio Mendes. Uma incógnita até o início dessa semana, o Ministério Público paulista acredita que ele possa ser o empresário Cláudio Luiz Petrechen Mendes, suspeito de fazer lobby junto ao governo estadual do fim da década de 1980, durante a gestão Orestes Quércia (PMDB), até 2004, já na administração do tucano Geraldo Alckmin. É um dos únicos que foram ouvidos pelo MP antes de aparecer nos jornais.

A investigação sobre a Alstom começou em 2004, quando as autoridades suíças descobriram acidentalmente documentos que detalham pagamentos de propina da empresa na América do Sul e Ásia. Os auditores da KPMG Fides Peat, a serviço da comissão bancária federal da Suíça, encontraram arquivos que revelam o envio ilegal de 31 milhões de dólares da Alstom para empresas fantasmas e contas de bancos na Suíça e em Liechtenstein. Os beneficiários seriam funcionários públicos que negociaram com intermediários da empresa no Brasil, na Venezuela, em Cingapura e na Indonésia.

O Ministério Público francês entrou nas investigações apenas em 2007, para averiguar a participação da sede da empresa em Paris. Somente depois de o diário americano Wall Street Journal divulgar o teor das investigações, no início de maio, é que os promotores brasileiros passaram a averiguar as relações da empresa com o poder público no País. A reportagem informava que a empresa havia repassado 6,8 milhões de reais a políticos brasileiros, para ganhar um contrato de 45 milhões de reais com o Metrô de São Paulo.

Embora já se conheçam alguns dos intermediários que operavam no Brasil, ainda restam dúvidas sobre os beneficiários finais da propina. Trata-se das pessoas que realmente tinham poder de influenciar na contratação da empresa em obras públicas.

Debruçada sobre mais de 150 contratos firmados entre o governo paulista e a Alstom desde 1989, a bancada do PT na Assembléia Legislativa identificou dezenas de irregularidades em contratos com estatais, alguns deles também reportados pelo Tribunal de Contas. Mas os petistas não conseguem instaurar uma CPI. Qualquer iniciativa nessa direção é barrada pela ampla maioria governista na Casa. “Tentamos chamar representantes da Alstom na CPI da Eletropaulo, mas os tucanos também impediram essa manobra”, lamenta o deputado Antônio Mentor (PT), que presidiu a comissão.

Com o limitado poder de fiscalização dos parlamentares, o Tribunal de Contas sob suspeição e o vazamento desenfreado de informações sigilosas, causa preocupação o rumo que a investigação terá no Brasil. Em jogo, está a herança de quatro anos de investigação conduzida pelos promotores europeus.

28/06/2008 - 10:14h Acordo amplia vôos entre os EUA e o Brasil

usa_brasil.jpgNúmero de companhias que operam entre os países passa a ser ilimitado

Acordo será efetuado em etapas; entre julho deste ano e outubro de 2010, vôos semanais entre Brasil e EUA aumentarão de 105 para 154

ANDREZA MATAIS – IURI DANTAS – FOLHA DE SP

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Brasil e EUA fecharam acordo bilateral que irá permitir o aumento de 50% no número dos vôos para os dois países tanto de passageiros quanto de carga. O acordo abriu o mercado para que mais empresas atuem nessa rota, o que pode reduzir o preço das passagens.
Hoje, apenas quatro companhias de cada um dos países estão autorizadas a fazer o trajeto Brasil-EUA. O número agora é ilimitado. No Brasil, só a TAM opera essa linha no momento.
Conforme a secretária de Transportes do governo americano, Mary E. Peters, os novos vôos serão destinados a atender cinco cidades brasileiras, entre elas Fortaleza e Curitiba. Os demais destinos ainda não foram definidos. O interesse é em voar, no Brasil, especialmente ao Nordeste. “Esse acordo vai ajudar as companhias aéreas a atender a grande demanda pelo serviço de carga e passageiro entre EUA e Brasil”, disse a secretária. Hoje, operam a rota American Airlines, Continental Airlines, Delta Air Lines e United Airlines.
O acordo será implementado em quatro etapas, a partir de terça. Entre julho de 2008 e outubro de 2010, os vôos semanais entre Brasil e EUA irão aumentar de 105 para 154. Atualmente, a TAM faz apenas 24 vôos semanais para os EUA, não por falta de linhas. Há 70 a serem distribuídas para outras empresas. Entre as brasileiras, a TAM responde por 60,3% do vôos internacionais.
Segundo Paulo Castelo Branco, vice-presidente de Planejamento e Alianças da TAM, a partir de 5 de setembro, a empresa terá novo vôo diário e direto do Rio para Miami, e, no final de outubro, do Rio para Nova York, que pode ser diário ou quatro vezes por semana. Ele considerou o acordo “bom”.
A Gol e a Varig informaram que não têm interesse em voar para os EUA. As duas empresas estão concentradas nos países da América do Sul.
Com relação a transporte de cargas, o acordo prevê a expansão de 24 para 35 vôos imediatamente e para 42 em 2010. O acordo elevou ainda o número de vôos charters de 750 por ano para 1.000; até 2010, o número irá chegar a 1.250.
Em 2007, 5.025.834 estrangeiros estiveram no Brasil. Desses, 699.169 vieram dos EUA. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), em 2006, a TAM transportou 190.836 pessoas para os EUA.
A Anac informou que também estuda o acordo bilateral com a Argentina. Atualmente há 133 linhas para aquele país, todas ocupadas pelas companhias. Conforme a Embratur, dos turistas que visitaram o Brasil no ano passado, 920.210 vieram da Argentina.

27/06/2008 - 14:59h Escher, peintre de l’impossible.

Blog Art Maniac

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“Tout cela n’est rien comparé à ce que je vois dans ma tête”

M.C. Escher

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