As variações da mentira
Vista do CEU Navegantes. “No Grajaú, onde o governo estadual está maquiando três escolas de lata, em 2003 a Prefeitura inaugurou o CEU Navegantes, conciliando a demanda de escolas com o interesse ambiental.”
Editorial jornal O Estado de São Paulo
Alckmin reagiu violentamente ao discurso de Marta ontem na convenção do PT. Ele acusa Marta de mentirosa.
A irritação de Alckmin foi contra à afirmação que Marta fez no discurso: “Havia o absurdo das escolas de lata de Pitta e Kassab, que o então governador Geraldo Alckmin reproduziu em várias regiões do Estado.” A frase de Marta deixou Alckmin irritado e agressivo.
Em declaração publicada hoje nos jornais, Alckmin disse que “nunca existiram” escolas de lata no Estado e que Marta mente.
Porem, dias atrás, o próprio Alckmin tinha pretendido, respondendo a Marta, que as escolas de lata tinham sido substituídas em 2004 e não existiam mais.
Uma semana atrás elas existiram ate 2004 e hoje elas nunca existiram (sic).
Para ser claros, elas existem sim e até hoje!
Quem mente? quem esconde? quem manipula?
Acusar Marta de mentir é grave, por isso me parece relevante tratar com seriedade desta questão das escolas de lata.
Mas esta resposta me parece bem encaminhada pelo editorial do insuspeito jornal O Estado de São Paulo (insuspeito de simpatias petistas, se entende). O Editorial é de 2 de maio 2007, apenas um ano atrás:
“A Secretaria Estadual da Educação decidiu maquilar as 76 escolas de lata ou latão ainda existentes na Grande São Paulo e no interior.
Elas estão recebendo paredes externas de concreto, novos pisos, o telhado recebe revestimento de feltro de lã, na tentativa de isolar o calor e o barulho internos, e algumas paredes receberão textura branca. Tudo parecerá novinho, menos o desconforto que os alunos dessas escolas continuarão sentindo.
Nas escolas em que a maquiagem já foi concluída, professores e estudantes continuam reclamando do calor, do barulho e da iluminação deficiente. Vinte e duas unidades já foram reformadas. Outras 40 estão em obras e as restantes estão em processo de licitação.
O governo estadual investe pelo menos R$ 4 milhões nessa iniciativa que só prolonga o abuso cometido entre o fim dos anos 90 e 2002, período em que, para atender à demanda crescente por vagas na rede estadual, foram construídas 215 escolas com uma tecnologia que permitia a entrega da obra em três meses.
O chamado padrão Nakamura de construção, que usa estrutura metálica no telhado e vedação com chapas de aço e madeira, foi escolhido, segundo as autoridades da época, como solução provisória, até que fossem feitas novas escolas de alvenaria, cujo prazo médio de construção é de um ano.
As escolas de lata, no entanto, tornaram-se permanentes. Diante da pressão de pais, alunos, professores e especialistas em educação, o ex-governador Geraldo Alckmin substituiu a maior parte delas. Restaram 40 na cidade de São Paulo, 19 na região metropolitana e 17 no interior.
No final de setembro, a Secretaria Estadual da Educação anunciou que essas unidades seriam substituídas neste ano. A licitação de 64 delas já teria sido concluída e as obras deveriam ser iniciadas em outubro. Agora, a programação mudou.
A Secretaria decidiu fazer apenas a reforma das 76 escolas, explicando: “Como as salas apresentaram alguns problemas de desconforto térmico, (o governo) programou a execução de intervenções nos prédios deste padrão para garantir condições ambientais adequadas ao ensino.”
Condições adequadas ao ensino são o produto de um eficiente projeto pedagógico, da capacitação do corpo docente e das condições físicas da escola, com a oferta de equipamentos esportivos, bibliotecas e salas de informática – o que é óbvio que as escolas de lata não proporcionam.
É compreensível a dificuldade de substituir as escolas de lata pelas de alvenaria, principalmente na região metropolitana, porque a maior parte delas se encontra em área de proteção de mananciais. Nesses locais, a construção de alvenaria é proibida, mas a de latão, não. Dessa forma, encontrar terrenos próximos da comunidade escolar, que preencham os requisitos legais, é o principal obstáculo para o cumprimento da promessa de substituir as escolas de lata.
É evidente que o governo não pode descumprir a legislação de proteção dos mananciais e o zoneamento. Mas as áreas de proteção foram invadidas sob os olhares complacentes das autoridades, bairros inteiros se formaram com a construção ilegal de casebres de alvenaria e o poder público acabou atendendo à demanda escolar recorrendo às escolas de lata.
Os planos recentemente lançados pelo governo estadual para a proteção das bacias da Guarapiranga e da Billings concentram-se na urbanização dessas áreas e na fiscalização para impedir novas invasões. Urbanizar é o mesmo que dotar os bairros clandestinos de infra-estrutura e serviços públicos. Certamente, lá não serão construídos postos de saúde e hospitais de lata. Por que, então, as escolas têm de se manter inadequadas ao ensino sob o argumento de que a lei assim exige?
A Prefeitura de São Paulo resolveu a questão há tempos com um acordo firmado com o Ministério Público Estadual, que permitiu a troca dos módulos metálicos por prédios de alvenaria em várias áreas de proteção. No Grajaú, onde o governo estadual está maquiando três escolas de lata, em 2003 a Prefeitura inaugurou o CEU Navegantes, conciliando a demanda de escolas com o interesse ambiental.”
Resumindo: as escolas de lata foram criadas por Pitta-Kassab e conjuntamente por Alckmin. Elas só começaram a ser substituídas por Marta Suplicy, que além de eliminar várias delas, deixou o restante com os terrenos prontos, as licitações realizadas e várias com as construções bem adiantadas. Kassab só completou o que Marta estava concluindo. Já Alckmin e o PSDB fazem maquiagem e agora acusam os outros de mentirosos.
O fato é um revelador do caráter do candidato, semelhante ao estilo Kassab, ver: a questão do custo dos CEU’s. Ela revela o engodo do jeito demo-tucano de governar.
Divididos ele estão, porém, eles são muito parecidos. LF
Tags: Alckmin, CEU, Ensino, escolas, escolas de lata, Grajaú, Guarapiranga, Kassab, Marta Suplicy, Municipais, Nakamura, Prefeitura SP, PSDB4 COMENTÁRIOS PARA "As variações da mentira":
Como os outros candidatos, principalmente a triade Psdb/Dem (Alckimim,Serra e Kassab ) vão sair da saia justa ? S´, e apenas só mentindo mesmo…Kassab fez o que Cidade Limpa? tá bom, pode ter sido muito bom, mas não teve a participação populara e vejam o numero de familias que perderam seus postos de trabalho…Na canetada ninguém quebra um banco, um conglomerado educacional ou da saúde…mas na caneta desestruturam os mais lutadores, que correm todo dia pelo seu sustento.
Alckimim não vai apoiar o que não foi feito, e assim onde vai arrumar estofo para seus discursos?
Um pedido singelo Favre, existe uma pesquisa do IBGE que saiu recentemente sobre a queda da violencia juvenil na cidade…engraçado que se vc pegar o mapa do IBGE e colocar sobre o mapa dos CEUs , verá que a queda está justamente proximo aos equipamentos.Vamos desmascarar esse povo, até começo de setembro vão ter que recussitar RASPUTIM para ser coordenador da campanha deles…
MARTA PREFEITA!
Então está combinado, ninguem constroi CEUs como a Dona Marta, só o Brizola, bem antes, não é???
[...] Educação: Após 13 anos de governo tucano: De 0 a 10, ensino médio de SP tira 1,4; Cadê o gerentão? ; Educação SP: Serra denuncia herança maldita de Alckmin ; Lucro do petróleo pode espalhar Ceus e Cieps por todo o país ; Com os demo-tucanos na prefeitura o CEU fica lá acima, mesmo! ; As variações da mentira [...]

A Marta é arrogante e antipática, entretanto, foi a melhor prefeita para a Educação.
De fato foi quem combateu as absurdas escolas de lata, reconheceu e valorizou o profissional da Educação – não gosto da Marta – mas ela já tem o meu voto pela prefeita que foi na área de educação.
MB