Cara de quê?

serra_alckmin_xuxu.jpgDiscursando ao lado de Serra, Alckmin declarou: “Não tenho medo de cara feia”. Deve ser verdade. Talvez a única de todo seu discurso.

A única não, Alckmin também soltou uma verdade quando afirmou que o povo de São Paulo quer honestidade.

Ele poderá confirmar seu apego a honestidade proclamando abertamente que exige a abertura imediata da CPI Alstom, onde segundo as investigações da justiça da Suíça e da França, foi paga uma milionária propina ao PSDB e ao metrô de São Paulo quando Alckmin era vice e depois governador. A acusação é clara e focada, do mesmo jeito deveria ser a resposta de Alckmin em favor de uma CPI já para apurar a desonestidade da propina nos contratos estaduais.

Outro jeito de verificar o apego de Alckmin para com a honestidade é a questão das escolas de lata: construídas na gestão Pitta-Kassab, elas foram desenvolvidas pelo governador Alckmin e mantidas bem após Marta Suplicy ter começado a desativa-las na cidade. Recentemente Alckmin proclamou, “corrigindo” Marta Suplicy, que elas não existiam mais no âmbito estadual desde 2004. Editorial do jornal O Estado de São Paulo de 3 de maio 2007 mostra que é inverídica a afirmação de Alckmin. O Editorial do Estadão leva o titulo Maquiagem nas escolas de lata. O Editorial do Estadão me pareceu honesto, mas Alckmin poderá provar o contrário?

O editorial do jornal O Estado de São Paulo começa assim: “A Secretaria Estadual da Educação decidiu maquilar as 76 escolas de lata ou latão ainda existentes na Grande São Paulo e no interior.” A data: maio de 2007.

Alckmin disse que o mantra dele é trabalho. Mas qual?

O túnel do metrô desabou porque o metrô sob responsabilidade do governo estadual não fez seu trabalho: fiscalizar corretamente as obras.

Segundo a Secretária estadual de Educação do governo do PSDB, R$ 2 bilhões foram jogados fora pela administração Alckmin na educação, sem melhorar em nada o trabalho dos profissionais da área. Ver o artigo aqui Secretária de Serra disse que Secretário de Alckmin jogou fora R$ 2 Bi na educação. Então de qual trabalho Alckmin está falando? Segundo o artigo do jornal O Estado de São Paulo: “Esse recurso, de R$ 2 bilhões, é o equivalente, por exemplo, ao valor investido pelo governo federal no ensino básico de todo o País no ano passado por meio do Fundeb - o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica.”

Será que Alckmin terá uma nova atitude em relação à falta de trabalho na educação?

Por último Alckmin falou em respeito e compostura.

Será que estas duas qualidades estavam presentes no tratamento dado pelo governador e a Receita Estadual ao caso da milionária fraude montada pela “Daslu” e desvendada pela Policia Federal com ajuda da Receita federal?

Ou ele queria só dar uma alfinetada no Kassab com essa história de respeito e compostura?

Vai ver que era isso, o que explica porque Serra fez cara feia a designação de Alckmin como candidato. Mas Alckmin mostrou para Serra que não tem medo de cara feia.

Agora Serra vai ter que mostrar que não trai seus partidários serristas pro-Kassab e que não gosta de picolé de xuxu. Vai ter muita cara feia.

A campanha promete!

Luis Favre

A charge é do Blog Encalhe

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1 COMENTÁRIO PARA "Cara de quê?":

Comentado por Sylvia Manzano em 23/06/2008 - 13:57h:

Enquanto diz que seu mantra é o trabalho, a verdade é que se deixassem 3 tartarugas para o Sr. Geraldo Alckmin tomar conta, quando era governador, duas escapavam. Imediatamente o Dr. Saulo Ramos, Secretário de Segurança Pública, iria pra televisão e discursaria interminavelmente: Estamos trabalhando, estamos trabalhando, uma já foi capturada - claro, aquela que não tinha fugido - estamos no encalço das outras duas. Estamos trabalhando, estamos trabalhando. Era tal estardalhaço que o povo acreditava piamente e o fato de “estarem trabalhando” ficava mais importante que o fato das tartarugas terem fugido. Trabalhando - aliás, como um mouro - estava o Genoíno, quando concorreu com Alckmin ao governo de São Paulo e conseguiu sair de 3 pontos na pesquisa inicial, indo para o segundo turno, derrotando o Maluf pelo caminho. Enquanto Genoíno conseguia voto a voto pelas ruas da cidade, os canais de televisão, parece que faziam um pool e em todos aqueles programas da tarde para mulheres que não trabalham fora, o que mais se via era o Dr. Saulo Ramos, ele mesmo em diligência, prendendo bandido pé de chinelo, na periferia, é claro. O governo tucano só entra na periferia pra prender ladrão de galinha. Infelizmente parte da população sente-se muito segura ao ver o Secretário de Segurança Pública em pessoa caçando bandido na rua e Alckmin venceu a eleição. Quando a Catedral da Sé, depois de 500 anos de reforma, finalmente foi entregue à população, eu imaginei que a rainha da Inglaterra viria para assistir a missa inaugural, pois toda hora que se ligasse na Globo lá estavam falando da Catedral, fazendo um verdadeiro making off da reforma e Alckmin repetindo o seu bordão: estamos trabalhando, estamos trabalhando. Me vem à cabeça a velha imagem do cachorro tentando alcançar a própria cauda, correndo desesperadamente em torno de si mesmo e penso que se cachorro falasse, certamente estaria dizendo que estava trabalhando, estava trabalhando. Ninguém há de negar, que deve ser exaustivo para o cachorro tentar alcançar a própria cauda, mas nem tudo que é exaustivo é eficiente. O Rio Tietê está aí, pra nos provar isso.

 

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