Sonhos

Seria realmente ótimo se o Brasil fosse esse paraíso mestiço que os nãoracialistas apregoam

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NEI LOPES – O GLOBO

Contrariando expectativas que já duram mais de cem anos, no Brasil, “país com maior população afro-descendente fora da África”, “negros e pardos vão superar o número de brancos neste ano” de 2008, conforme afirmações textuais do jornalista Ivan Martins, em reportagem publicada na edição do último de junho da revista “Época”, publicação semanal da Editora Globo. As afirmações, acompanhadas da constatação de que o país “não tem um único político negro de projeção nacional”, vem a propósito da candidatura do senador Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos.

No momento em que o Congresso Nacional prepara a votação do Estatuto da Igualdade Racial, um grupo de intelectuais e artistas lidera a corrente contrária à aprovação do texto, colocandose contra a “grave ameaça” de secessão da sociedade brasileira em “negros” (pretos e pardos) e “brancos” (louros e “morenos”), como se essa divisão, em termos de poder e capital, já não fosse a grande característica desta sociedade.

Invocam, agora, esses arautos da “desracialização”, no calor da discussão sobre o problema social brasileiro, o suposto exemplo de Obama, o qual, em pura retórica de campanha, afirmou num discurso que “não existe uma América branca, uma negra, uma asiática, uma hispânica: e sim os Estados Unidos da América”. E os “desracializadores” invocam o candidato americano, nos apontando o dedo, como se dissessem: “Estão vendo? Ele não exibe a cor da pele como uma arma ou um escudo!” Para nós seria realmente ótimo se o Brasil fosse esse paraíso mestiço que os não-racialistas apregoam.

Se além dos mulatos “no sentido lato”, como diz a canção, também aqueles no sentido estrito (com a indisfarçável fenotipia dos majoritariamente afro-descendentes), como o autor destas linhas se vê e considera, tivessem as possibilidades de poder e influência que tem o afro-americano Barack Obama. Mas esta, infelizmente, não é a nossa realidade.

Atrasados em pelo menos cinqüenta anos com relação às conquistas sociais do povo negro nos Estados Unidos, no Brasil, nós, herdeiros do mesmo brutal despojamento que plasmou a sociedade norte-americana (e do qual Obama, esclareça-se, não é vítima direta), vimos sendo, há mais de 120 anos, forçados a acreditar que neste país “alegremente mestiço e desracializado” nunca houve segregação nem ku-kluxklan, e que nossa inferioridade se deve apenas a problemas econômicos e pode ser zerada com boas escolas e boas merendas para todos.

Mas aí vem o jornalista Ivan Martins, da “Época”, e, depois de dar a palavra ao idealizador e diretor da paulista Universidade Zumbi dos Palmares, “gerida por negros, subsidiada e voltada para as classes mais pobres”, pergunta, na reportagem mencionada: “Quanto tempo, porém, será necessário para que se produza um líder como Obama no Brasil?” Enquanto isso não ocorre, meu amigo Martinho da Vila segue cantando seus belos sambas-enredo.

Principalmente, o “Sonho de um sonho”, com que sua escola chegou em segundo lugar (empatada com mais duas) no disputado carnaval de 1980.

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2 COMENTÁRIOS PARA "Sonhos":

Comentado por Assessoria de Imprensa do Adilson Pacheco em 07/11/2008 - 14:38h:

Afro-Brasileiro lança livro sobre Barack Obama

Itajaí: Negros: da Senzala a Casa Branca. Este é o título do livro do jornalista afro-brasileiro Adílson Pacheco que deve ser lançado no dia da posse do primeiro negro americano a assumir o comando do mais poderoso país do mundo, Estados Unidos da América do Norte. O livro relata a saga dos mais de quatrocentos anos de escravidão no Continente Americano por onde passaram mais de 80 milhões de negros procedentes da África, até a eleição do senador Barack Obama a presidência dos Estados Unidos no dia 5 de novembro.A obra apresenta que o negro em todos os tempos sempre lutou para conquistar seu espaço na sociedade branca no novo continente. O escritor esta a procura de uma editora para publicar a obra. Pacheco reside em Itajaí,Santa Catarina.
A obra com mais de 300 páginas dividido em 30 capítulo,relata a luta de líderes negros da época da escravidão como Zumbi, de Palmares; passando pela luta contra a discriminação racial nos Estados Unidos, liderada pelo reverendo Martin Luther King, passa pela prisão de Nelson Mandela na África do Sul e termina com o primeiro negro na Casa Branca. O presidente eleito Barack Hussein Obama ganha 10 capitulo, onde o autor descreve das raízes africana do presidente dos Estados Unidos, a sua ascenção política ate chegar a Casa Branca.
Para o jornalista a eleição de Obama é mais forte historicamente para o negro americano do que a posse de Nelson Mandela na África do Sul. Lá o Mandela conquistou o lugar natural do negro, aqui na América o negro teve que lutar e luta para conquistar sua posição no meio da sociedade branca em um continente que não é o habit natural de seus descendentes. Inquestionavelmente com a vitória de Obama, um negro mostra que lutando ele pode participar ativamente da sociedade branca americana.Obama quebra em parte o ciclo racial na América, as imagens dos brancos festejando,chorando durante o discurso de Obama ratifica isto” afirma. Pacheco que na década de 70 chegou a liderar o Movimento Contra Discriminação Racial em Santa Catarina afirma.“Acreditamos piamente que a realidade do negro americano passa a ser mudada, com a vitória da Obama.Ela transcende a crise econômica – e vem consagrar o final de uma luta iniciada no Continente Americano desde das senzalas dos senhores na época da escravidão”disse.
O jornalista relata que no livro “Negros: da Senzala a Casa Branca”, conterá ainda poemas afro de sua autoria e um capitulo especial sobre a perseguição dos índios no Brasil. “O negro não pode esquecer do índio, os afro-brasileiros ou americanos sofreram e sofrem ainda em menor escala hoje, por estar num continente que não é o nosso. Enquanto que o indio esta em sua terra é não tem direito, liberdade”avalia.
Com 52 anos, pastor evangélico,Adilson Pacheco publicou o livro Liberdade!Liberdade!e participou da Antologia Outros Poetas Escrevem Assim. Ele assina uma coluna de turismo no site http://www.megaportal.com.br/turismo. Voltado para as causas sociais atualmente esta gerenciando a ong Iage, que visa dar apoio aos índios da Reserva de Ibirama, Santa Catarina.

Mais informações:
Adilson Pacheco
47-84423781
Adilsonap_pacheco@hotmail.com

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Comentado por jornalista Adilson Pacheco em 07/11/2008 - 15:22h:

Cego é o que não vê. Outro dia passava por uma rua aqui em Itajaí, vinha no sentido contrário uma jovem senhora passeando com seu filhinho de cinco ano. Era um final de tarde, eu estava trajado socialmente. Em dado momento a criança se solto da mão da mãe e correu. Ao me ver saiu correndo e chorando. A mãe abraça a criança e afirma”otitio pega né, o titio pega né. A mamae te protege”. Eu parei diante daquela mãe e com muita elegancia olhei para a criança e disse o “otitio não pega, o titio não pega né mamãe”.A Jovem senhora ficou vermelha e me pediu descupa e foi embora. Dizer que no Brasil não existe racismo é inquestionavel, já houve avanços. O negro quando se impoe é respeitado, mas precisa se impor. Os que não conseguem são marginalizados. E vamos mais além tem os indios que estão sendo mortos e todos nós fizemos que não estamos vendo. A vitoria de Obama e um grande momento para a raça negra no continente americano. Agora no Brasil é preciso os negros copiar o exemplo do mano afro-norte americano e ir a luta. Precisamos ter negros candidato na próxima eleição. Imagine por exemplo, se o rei Pele, Ronaldo, Ronaldinho começam a tomar posições politicas de defesa do negro. Entretanto tudo isto tem um preço que o diga os negros atores,cantores e jogadores norte americanos.

 

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