31/07/2008 - 20:15h JAVIER SOLIS – amaneci en tus brazos

AMANECÍ EN TUS BRAZOS
José Alfredo Jiménez

Amanecí otra vez entre tus brazos
y desperté llorando de alegría,
me cobijé la cara con tus manos
para seguirte amando todavía.

Te despertaste tú casi dormida
y me querías decir no sé qué cosa
pero callé tu boca con mis besos
Y así pasaron muchas, muchas horas.

Cuando llegó la noche apareció la luna
y entró por la ventana.
¡Qué cosa más bonita! cuando la luz del cielo
iluminó tu cara.

Yo me volví a meter entre tus brazos
tú me querías decir no sé qué cosa
pero callé tu boca con mis besos
y así pasaron muchas, muchas horas.

31/07/2008 - 20:11h JAVIER SOLIS – El loco

31/07/2008 - 19:29h Papo de Atitude faz sucesso

A campanha de Marta enviou uma nota a mídia sobre a sua sala de bate-papo na internet. O título da nota diz que o papo de Atitude faz sucesso

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O chat do Site da Marta estreou com a participação de 42 internautas, que debateram Educação com a socióloga Cida Perez

Foi um sucesso a estréia do Papo de Atitude, o chat do Site da Marta, nesta quinta-feira, 31, com a socióloga Cida Perez, ex-secretária de Educação do governo Marta, que conversou com os internautas sobre as propostas da candidata para a educação em São Paulo. Amanhã, às 15h, o Papo de Atitude retornará para uma conversa sobre a participação da candidata da coligação “Uma Nova Atitude para São Paulo” no primeiro debate entre os candidatos a prefeito, que vai ao ar na noite de hoje pela TV Bandeirantes. O nosso convidado para o chat desta sexta-feira, dia 1º de agosto, será o coordenador da campanha de Marta, o deputado federal Carlos Zarattini (PT).

Neste primeiro dia do Papo de Atitude, 42 internautas participaram do chat, fazendo perguntas ou enviando considerações sobre as questões abordadas. Foram respondidas 68 perguntas durante os 60 minutos de conversa com Cida Perez.

O Papo de Atitude é a mais nova atração do Site da Marta e irá ao ar todos os dias das 15h às 16h. Para participar, o internauta deverá acessar o site www.marta13.can.br, clicar no ícone Papo de Atitude, que fica do lado direito da tela, e registrar seu “Nick” – nome com o qual deseja aparecer na sala de bate papo. Para concluir o registro com sucesso, o internauta deverá criar uma senha e disponibilizar o e-mail, que será mantido em sigilo pela equipe de administração do Site da Marta.

31/07/2008 - 19:19h Eleições democráticas: candidatos limpos e juízes imparciais

Magistrados repudiam divulgação de lista da AMB

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“A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES) torna pública sua discordância e repúdio à linha procedimental adotada pela AMB, a qual, em se persistindo, afora eventual responsabilização civil da entidade, poderá conduzir ao descrédito da magistratura e à ilegitimidade da atuação da Justiça Eleitoral.”

Eleições democráticas: candidatos limpos e juízes imparciais

A Diretoria da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages), entidade que congrega juízes e desembargadores de todos os estados da federação, inclusive os que atuam na Justiça Eleitoral, vem a público manifestar sua discordância com relação à indevida ingerência da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) em temas estranhos à sua finalidade estatutária, atuação que, no mínimo, se revela incompatível com a função jurisdicional exercida pelos seus associados.

A imoralidade administrativa e a ausência de pronta repressão aos saques contra o erário público, afora outras chagas do estado brasileiro, conduziram à descrença popular nas instituições democráticas. Essa absoluta incredulidade, por sua vez, constitui o terreno fértil onde vicejam as inoportunas e indevidas declarações das mais altas autoridades do país, do jogo de cena, do “estado policialesco”, enfim, do desrespeito às mais elementares garantias constitucionais, entre as quais sobressaem-se a presunção de inocência e o devido processo legal.

Nada justifica que respeitáveis corporações adiram à sanha da turba que clama por linchamento em praça pública, em vez de combater o bom combate, de pugnar pela imediata, porém responsável, apuração de delitos e punição dos culpados. A abominável prática, no máximo, pode ser explicada quando adotada por autoridade que no exercício de suas funções não goza do mínimo de garantia e, por isso, um simples descontentamento do Rei com esta ou aquela atuação pode significar seu degredo.

No que respeita ao juiz, utilizando a expressão do Ministro Gilmar Mendes, afirmamos: nada justifica a espetacularização do processo eleitoral. Aliás, o juiz, cônscio das garantias constitucional que lhe foram outorgadas na Constituição da República, não admite que o fórum e seus gabinetes se transformem em estúdios das grandes emissoras de televisão. Afinal, exatamente para mantê-lo completamente afastado de ingerências que possam comprometer a imparcialidade das decisões, ao juiz se confere as garantias da vitaliciedade e da inamovibilidade. Não é por outra razão que ao juiz se proíbe o exercício da advocacia, a candidatura a cargos públicos, o exercício da mercancia e até a sindicância de prédios. Contraditório, pois, que a ele, ainda que por meio de suas entidades de classe, se permitisse ir às ruas, atrair os holofotes da mídia, para fins de mobilização popular.

O juiz não convoca a rede de televisão quando autoriza a polícia a escutar os telefonemas do suspeito, quando decreta a prisão do condenado ou quando, com base no ordenamento jurídico, decide indeferir o registro da candidatura deste ou daquele candidato. Não se trata, a toda evidência, de silêncio covarde de quem se compraz com condutas imorais, com os crimes de lesa-pátria. Ocorre que a convocação da mídia não se insere entre as formas escolhidas pelo legislador para dar publicidade aos atos judiciais. A lei processual, que norteia o agir do juiz, estabelece tão-somente a publicação no diário oficial. O ato judicial é público, assim qualquer um do povo pode ter acesso à decisão do judicial. Para ampla divulgação do que restou decidido, não esqueçamos nós, a imprensa ainda é livre neste país.

Proferida a decisão, o juiz determina a publicação no órgão para tanto destinado. Não leva o caso à televisão e não autoriza que alguém, em seu nome, assim proceda.

A AMB, por força de seu próprio estatuto, pode postular em nome de todos os magistrados. Tal postulação, entretanto, tem seus limites determinados pela preservação das garantias inerentes à função jurisdicional, as quais, em última análise, só se justificam em nome da imparcialidade das decisões.

O juiz não é insensível à absoluta falta de controle no que tange ao registro de candidatos. Qualquer cidadão, por uma simples anotação em seu prontuário, é impedido de exercer a função de gari, de varrer as ruas da cidade; o postulante de um emprego em instituição financeira não pode assumir o cargo se o seu nome figurar nos cadastros restritivos de crédito; notório é o caso do bacharel que aprovado no concurso para juiz, foi impedido de assumir o cargo, porquanto acusado de ter discutido e desacatado o guarda da esquina; entretanto, nada impede que o candidato a presidente da República registre a sua candidatura, ainda que contra ele tenham sido instauradas dezenas de ações penais por “roubar” o dinheiro do povo. São muitos pesos e muitas medidas.

O juiz, no controle difuso das leis, pode até afastar a aplicação deste ou daquele dispositivo e, com base nesse juízo, indeferir a candidatura de determinado candidato. Além da valoração dos fatos, a escolha da norma aplicável integra o seu ofício de julgar.

A ANAMAGES, juntamente com outras entidades de classes, não tem medido esforço no sentido de mudar a lei. Enquanto não muda a lei, é de se esperar que o juiz, entre as várias interpretações possíveis, escolha aquela que mais se coaduna com as garantias constitucionais, sobretudo as que se referem à moralidade, ao devido processo legal, à intimidade e à honra.

O comprometimento da isenção e o desrespeito às garantias constitucionais não se insere no ideário da serena e honrada magistratura brasileira, daí a indignação dos magistrados, sobretudo juízes estaduais que compõem a justiça eleitoral, os quais, em momento algum, autorizou a AMB a dar início à citada campanha midiática.

A atuação da AMB torna-se ainda mais comprometedora para a isenção que se espera dos órgãos jurisdicionais, quando em seu site, sob o título “Eleições Limpas”, anuncia uma suposta parceria com o TSE, com a finalidade de divulgar os nomes dos candidatos a cargos eletivos nas próximas eleições que respondem a processos na justiça, e, portanto, munir o eleitor de dados sobre os candidatos e facilitar o acesso da imprensa a tais dados (conf. consulta feita em 25/07/2008).

A prevalecer a veracidade da informação contida no referido site, por via reflexa, estaria o TSE declarando a absoluta descrença no publicação no diário oficial (forma prevista no Código Eleitoral) como meio de dar publicidade às decisões da justiça eleitoral. Mais grave ainda: estaria esse órgão de cúpula da justiça eleitoral publicamente assumindo a condição de assessor da imprensa, o que, a um só tempo é inadmissível e desnecessário, uma vez que entre essa nefasta assessoria não figura no rol de competência do TSE e a imprensa, até pela sua magnitude, dela não necessita.

Ressalte-se que a uma associação de magistrados, ainda que se trate de entidade civil, não assiste o direito de fazer mobilização popular ou lançar nomes em lista negra e divulgá-la publicamente. O magistrado, ao assumir o cargo, impõe a si uma série de limitações, entre elas o de abster-se da vida política, ainda que pela via oblíqua de sua entidade de classe. Ao juiz, evidentemente, não se nega o exercício dos direitos inerentes à cidadania. Entretanto, a ele não se permite a emissão de juízos extra autos, pela via política da mobilização popular, sobretudo quando evidente o desiderato de interferir na composição dos demais poderes. Ao magistrado – estamos ciosos disso – não compete proceder à seleção dos puros, principalmente quando alicerçada em manifesto juízo discriminatório e arbitrário.

Por tais razões, a Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (ANAMAGES) torna pública sua discordância e repúdio à linha procedimental adotada pela AMB, a qual, em se persistindo, afora eventual responsabilização civil da entidade, poderá conduzir ao descrédito da magistratura e à ilegitimidade da atuação da Justiça Eleitoral.

Desembargador Elpidio Donizetti

Presidente da ANAMAGES

31/07/2008 - 18:55h Leitora do Blog fornece informações úteis sobre financiamento da casa própria pela Caixa

moradia.jpgOlá, Luis!
Sempre leio o blog, e gosto muito! Quando vi essa matéria da possibilidade de financiamentos, me interessei, e segui o conselho que você postou, logo de cara. Fui a uma agência da Caixa Econômica Federal. Não sou cliente, mas fui muito bem atendida por uma funcionária do setor da habitação, que explicou direitinho o que a matéria que você postou contava. E é mesmo muito interessante. Não costumo escrever em blogs, mas hoje acessei o seu para recuperar a matéria. E vi que muita gente, como eu, teve interesse. Então, para ajudá-los quero comentar que quem é cliente pode ligar para a Ouvidoria da Caixa: 0800 725 7474 ou para o Disque Caixa 0800 726 0101 para tirar dúvidas e ter mais informações. Quem não é cliente, você já havia indicado o site da caixa: http://www.caixa.gov.br, que tem um link para simulações. A dica é boa! Feita a simulação, se interessar, é só procurar o gerente da CEF mais próxima de sua casa, para mais informações. E quem quiser fazer o financiamento tem abrir uma conta. Não é difícil. É fácil. E eu queria agradecer a matéria, que me chamou a atenção, e o conselho. A gente tem de batalhar pelo teto próprio!
Abs, Bete

31/07/2008 - 16:30h Médico critica indicação abusiva de medicamentos para dores nas costas

A imagem “http://imirante.globo.com/oestadoma/semanal/familia0906102/jfamilia201.jpg” contém erros e não pode ser exibida. AMARÍLIS LAGE

JULLIANE SILVEIRAda Folha de S.PauloPara o reumatologista José Goldenberg, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), outro problema no atendimento dos pacientes com dores nas costas é que a avaliação médica tem sido cada vez mais restrita à realização e à interpretação de exames. No caso das lombalgias, afirma, isso é especialmente prejudicial, já que nem sempre há uma correlação entre a imagem e o sintoma.”É possível existir dor sem alterações no exame e ter uma hérnia de disco sem dor. Mas houve uma substituição do ato médico pela máquina, e a gente vê decisões médicas serem tomadas sem o amadurecimento necessário, com base nas imagens”, afirma Goldenberg, autor do livro “Coluna Ponto e Vírgula” (ed. Atheneu, 146 págs., R$ 42,30).No que se refere ao tratamento, ele critica o que avalia ser uma indicação abusiva de antiinflamatórios e analgésicos e de procedimentos invasivos como a cirurgia de hérnia.”A recomendação geral é que a operação só seja feita após trabalhar os fatores de risco por um período de 6 a 12 semanas e se houver uma correlação clara entre os exames clínico, neurológico e de imagem”, diz.O uso de antiinflamatórios e analgésicos também deve ser cauteloso. Segundo Osmar Avanzi, professor da Faculdade Santa Casa e membro da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), quem tem problemas gástricos, renais ou hepáticos deve evitar esse tipo de medicação.Excesso de remédiosMesmo quem está livre desse tipo de problema não pode usar esses remédios de forma abusiva ou por um período de tempo muito prolongado –um estudo canadense baseado em dados do sistema público de saúde de Quebec mostrou que, para cada US$ 1 gasto em antiinflamatórios, mais US$ 0,66 eram desembolsados para combater seus efeitos colaterais.Ainda assim, segundo dados norte-americanos divulgados no “Spine Journal”, de cada 100 pessoas que procuram o sistema básico de saúde por dor nas costas, 80 são medicadas –destas, 69 com antiinflamatórios.Segundo a publicação, o uso dessa medicação, assim como o de analgésicos, é indicado para o alívio da dor lombar crônica, mas é preciso que os médicos informem os pacientes sobre os riscos e os benefícios.De acordo com Goldenberg, o indicado é que tanto a avaliação médica como o tratamento incluam os principais fatores de risco relacionados à dor nas costas, como o peso, a postura e até a situação emocional do paciente.Um exemplo é o efeito do sedentarismo: a musculatura das costas, responsável por manter o tronco ereto, conta com a ajuda dos músculos do abdômen para sustentar o corpo. Quando a barriga está flácida e fraca, a maior parte do trabalho fica com as costas. E o centro de equilíbrio do tronco fica desalinhado, forçando a coluna e os músculos dessa região, explica a fisioterapeuta Gerseli Angeli, do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte), da Unifesp.A imagem “http://www.jovempanfm.com.br/tematicas/fitness/image/Clau25.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Já a prática de exercícios de alongamento e de fortalecimento do abdômen três vezes por semana leva, num período de dois ou três meses, a uma melhora da condição muscular.De acordo com o levantamento publicado no “Spine Journal”, há evidências moderadas de que exercícios aeróbicos e de alongamento, assim como hidroginástica, são efetivos para reduzir a incapacidade gerada pela dor nas costas.Segundo a publicação, ainda não há pesquisas que comprovem a relação entre parar de fumar e emagrecer e a melhoria de lombalgias. A indicação, porém, permanece: para os pacientes fumantes, que parem de fumar. Aos com sobrepeso, que emagreçam. (E aos pesquisadores, um “forte encorajamento” para que estudos sobre o tema sejam realizados.)As mudanças no estilo de vida não garantem uma “imunidade” contra a dor nas costas, mas, associadas a outros fatores, podem ajudar a preveni-la. E, num cenário em que os tratamentos despertam tantas polêmicas e incertezas, parece ainda mais válido o ditado: prevenir é o melhor remédio.

31/07/2008 - 15:24h Postura e esforço estão entre as causas das lesões em músicos

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AMARÍLIS LAGEda Folha de S.PauloSÍLVIA AMÉLIA DE ARAÚJOColaboração para a Folha de S.PauloCaracterísticas físicas à parte, as causas mais comuns de doenças ocupacionais entre músicos são os movimentos repetitivos, as posturas inadequadas e o esforço exagerado –e muitas vezes desnecessário– ao tocar o instrumento.Mesmo quem toca por hobby está sujeito a complicações. O aposentado Tobias Rubistein, 75, toca flauta e saxofone de forma amadora e teve uma epicondilite lateral do cotovelo –lesão que acomete os tendões da região devido a movimentos repetitivos.O problema, afirma, estava relacionado à forma como empunhava a flauta. Após algumas sessões de fisioterapia, pôde voltar a tocar normalmente –incluindo as apresentações voluntárias que faz, uma vez por mês, num centro para idosos. Segundo os especialistas, os riscos também dependem das outras atividades que o músico amador realiza. Lima, da Exerser, cita como exemplo pessoas que digitam no computador e tocam piano. “Os movimentos são parecidos e o risco aumenta.”

Greg Salibian/Folha Imagemcontabaixista_costas.jpg O contrabaixista Lucas Espósito, que desenvolveu uma hérnia de disco por se curvar demais ao tocar contrabaixo acústicoMas, em geral, o profissional é quem mais sofre. “É como comparar o maratonista com a pessoa que faz uma caminhada”, afirma Fonseca.Lucas Espósito,27, da Academia de Música da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), desenvolveu uma hérnia de disco por se curvar demais ao tocar contrabaixo acústico, instrumento que estuda há cinco anos, durante cinco horas por dia, em média. Ele sentia dor na região lombar há alguns anos e, em janeiro deste ano, travou após uma apresentação. Resolveu fazer pilates, mas, como não sabia que tinha uma hérnia, realizou alguns movimentos que agravaram a situação.Para melhorar o quadro, Lucas fez ioga, pilates e hidroterapia, além de estar mais atento à postura. “Talvez se eu tivesse dobrado os joelhos, tentado manter a lombar mais ereta, não tivesse esse problema”, diz ele, que até já se filmou tocando para levar a gravação à consulta.Outro aspecto que costuma afetar os músicos é a pressão emocional –e seus reflexos na tensão muscular. “A ansiedade pelo bom desempenho faz a pessoa se esquecer da dor e se submeter a níveis inimagináveis de esforço físico e de agressão ao corpo”, diz Fonseca.Aprender a relaxar é fundamental, afirma Alexandre Feldman, médico responsável pelo programa Medicina e Qualidade de Vida da Osesp. “Os músicos são uma população peculiar. Eles trabalham quando os outros estão descansando, sofrem pressão para mostrar perfeição e sincronia absoluta. Isso leva a muito estresse, que gera alterações hormonais, afeta a imunidade… É um ambiente propício ao desequilíbrio da saúde.”O programa desenvolvido na Osesp busca prevenir problemas como lesões por meio de mudanças no estilo de vida dos músicos. Um dos principais desafios, diz Feldman, tem sido o sono –prejudicado pelo excesso de trabalho.Muitos músicos ensaiam e dão aulas particulares durante o dia, apresentam-se à noite e, não raro, também têm o fim de semana e os feriados ocupados por compromissos profissionais.O baterista Gustavo Souza, 34, conhece essa rotina. “Recentemente, trabalhei de madrugada, fui dormir às 5h e, às 10h, já tive ensaio. É difícil recompor a energia toda”, conta ele, que já teve tendinite e, freqüentemente, sente dores nas costas –relacionadas não só aos momentos em que toca a bateria, mas também ao fato de ter de carregar, montar e desmontar o instrumento.No Carnaval, foi ainda pior. Ele passou o feriado trabalhando em Recife, num ritmo intenso e, ao voltar para São Paulo, ficou tão mal devido a uma virose que precisou ser internado. “Acho que o estresse e o cansaço influenciaram”, afirma. Segundo Fonseca, músicos populares costumam enfrentar condições de trabalho ainda mais insalubres do que as dos músicos eruditos. “A maioria trabalha em situação informal e mal remunerada”, afirma.”A gente não tem segurança financeira”, conta o baterista Carlos Eduardo Zulino, 28, que, quando abre o pulso, coloca uma proteção e toca mesmo assim -em média, quatro horas por dia. “Não dá tempo de recuperar.”

31/07/2008 - 14:27h Recuperação de dor nas costas é mais difícil que o previsto

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AMARÍLIS LAGE e JULLIANE SILVEIRA – Folha de S.Paulo

Raymundo, Patrícia e Viviane têm um problema em comum: a dor nas costas. E é muito provável que você se junte a eles nesse grupo. Afinal, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, 85% da população vai viver ao menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida. E, prepare-se, porque, para esses bilhões de pessoas, as notícias não são boas.

Um estudo publicado neste mês no “British Medical Journal” mostrou que a recuperação das lombalgias (dores lombares) é muito mais longa do que o previsto pelas atuais orientações médicas.

Os pesquisadores, liderados por Christopher Maher, do George Institute, na Austrália, acompanharam 973 pacientes nesse país. Pelas diretrizes, o esperado era que 90% deles se recuperassem em até seis semanas. O resultado: um terço continuava a sentir dor um ano após o início do problema -a dor nas costas passa a ser considerada crônica após três meses.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
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O bailarino Raymundo Costa, 50, integrante da Cia. 2 do Balé da Cidade, sofre com os movimentos repetitivos que executa

E, para quem chegou a esse estágio, a perspectiva de tratamento também não é das melhores. “The Spine Journal”, uma das principais publicações destinadas ao assunto, dedicou sua primeira edição deste ano à avaliação das opções de tratamento para lombalgia crônica. O problema, segundo os autores, já começa na hora em que o paciente decide buscar ajuda. A quem recorrer: acupunturistas, reumatologistas, massagistas, ortopedistas, quiropraxistas?

A variedade de tratamentos é ainda maior. A publicação reuniu pesquisas sobre aproximadamente 200 opções –o que foi chamado de uma seleção “simplificada”. A lista inclui mais de 60 remédios (de antiinflamatórios a antidepressivos), 32 terapias manuais, 20 programas de exercícios, 26 modalidades físicas passivas, nove terapias educacionais e psicológicas, mais de 20 tipos de injeção, além de procedimentos cirúrgicos, abordagens de medicina alternativa e diversos produtos como cintas e cadeiras especiais.

Uma oferta que, de acordo com a revista, remete a um verdadeiro “supermercado” para dor nas costas.

Não bastasse a confusão que esse excesso de opções poderia causar, a conclusão dos pesquisadores é que as evidências científicas são limitadas, tratamentos que nunca foram submetidos a testes são apresentados como chances de cura e, quando as pesquisas mostram que determinado procedimento gera apenas um benefício mínimo, ele não é descartado.

“O problema é que nós não entendemos as lombalgias muito bem. Até o momento, quase todos os tratamentos são voltados para os sintomas, e não para a causa. Para a maioria das pessoas, a causa da dor nas costas nunca é estabelecida e o diagnóstico da estrutura que causa a dor não é possível. Assim que nós pudermos definir o que causa o problema, poderemos desenvolver estratégias para preveni-lo ou tratá-lo de forma mais efetiva”, disse à Folha o pesquisador Christopher Maher, do George Institute, responsável pela pesquisa.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
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Dentista Patrícia Kalina sofre de dores na coluna devido às posturas expecificas a que tem de se submeter durante seu trabalho

Uma barreira para que esse avanço ocorra, porém, é que a dor nas costas não é um tema prioritário para as agências de pesquisa, afirma Maher. “É muito difícil convencê-las a financiar pesquisas sobre lombalgias, embora esse seja um problema que custe bilhões de dólares por ano.”

Do médico à benzedeira

É nesse cenário que quem sofre com dor nas costas inicia a sua saga –que pode durar semanas, meses ou anos. No método de tentativa e erro, pacientes e profissionais de saúde vão descartando opção por opção na busca da cura.

“A maioria dos pacientes que chegam ao ambulatório já passou por muitos profissionais e experimentou diversos tratamentos. Tomou remédios, fez massagens, submeteu-se a sessões de acupuntura, tomou fitoterápicos. Cansadas e com dor, as pessoas procuram até benzedeiras”, conta o fisiatra Carlos Alexandrino de Brito, coordenador da Escola de Postura da divisão de medicina de reabilitação do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

Para ele, os pacientes muitas vezes recorrem a essas opções porque não receberam o apoio dos médicos que os atenderam: “Como a dor nas costas atinge muita gente, os médicos desvalorizam o problema”.

“São poucos os que querem se dedicar a essa área, e o assunto vira até piada. Muitos profissionais não entendem o prejuízo financeiro, social e psicológico que a dor nas costas traz. Em vez de avaliar o paciente de forma adequada, receitam um remédio para tratar a dor –e não a sua causa”, afirma Brito.

Um risco, de acordo com o fisiatra, é que uma abordagem superficial acabe deixando passar problemas graves que também podem gerar dores na região das costas, como alguns tumores, alterações cardiovasculares, processos reumáticos e problemas gástricos.

31/07/2008 - 12:51h O dilema da repetência e da evasão

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Por Sérgio Garschagen, de Brasília – Revista Desafios do Ipea

A baixa qualidade do ensino básico brasileiro, traduzida pelos altos índices anuais de repetência e evasão escolar, reflete os defeitos históricos da própria sociedade brasileira, que é excludente. “Nosso desafio, em pleno século XXI, é estruturar uma escola republicana que seja realmente para todos, o que muitos países fizeram no século XIX, outros no século XX e o Brasil, infelizmente, não conseguiu até hoje”.Esta dura avaliação é da secretária de Ensino Básico do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva. Ela defende a mudança da cultura arraigada no país, que impede a adoção definitiva da progressão continuada nas escolas.

O sistema de progressão continuada, que consiste na identificação das dificuldades de cada aluno no ano letivo e sua pronta resolução, de modo a evitar a reprovação, não significa aprovação automática. É uma alternativa que está sendo adotada com sucesso por diversos países, segundo o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Sergei Suarez Dillon Soares, que avaliou as políticas educacionais de 49 nações de todos os continentes.

“Todas as pessoas que analisaram a pesquisa também ficaram surpresas com o resultado”, diz Sergei Soares. Sua conclusão é que as melhores notas e os resultados mais efetivos obtidos no ensino básico foram observados exatamente entre os que adotaram o regime de progressão continuada. Ele descobriu também que o percentual de repetência escolar brasileira é o segundo mais alto do mundo, menor apenas que o de Angola. “A repetência afeta a auto-estima das crianças, além de ser uma das principais causas do baixo rendimento e da evasão escolar”, diz o pesquisador.

Além do desgaste emocional, a repetência tem um custo financeiro.”Para cada ano repetido na escola, o custo da educação aumenta em pelo menos 50%. Embutido nesse custo há uma mina de ouro a ser explorada racionalmente pelas escolas, capaz de aumentar em igual percentual, só com o fim da repetência, os investimentos destinados à educação”, diz – uma argumentação também defendida pela secretária de Ensino Básico.

COMPARAÇÕES Para o pesquisador do Ipea, forçar um aluno a repetir o ano, após meses de esforço a fim de aprender algo, em escolas com professores desmotivados e mal pagos, significa carimbá-lo com um atestado de incompetência, o que é ainda mais dramático quando o aluno tem origem social humilde, com pais analfabetos, e percebe que a maior parte de seus colegas progride. “Essas crianças, discriminadas e desmotivadas, aprendem menos ainda quando repetem a mesma série e acabam por abandonar a escola, mesmo quando gostam de freqüentá- la, pela convivência com outras crianças da mesma idade”, afirma.

Outros estudos e vasta literatura especializada a respeito do tema comprovam que a evasão escolar ocorre realmente após múltiplas repetências. Os pais das crianças têm consciência da importância do ensino para o futuro dos filhos e,antes da desistência definitiva, insistem em mantê-los nas salas de aula, mesmo que desmotivados.

Especialista em educação há pelo menos dez anos e com base nos resultados da pesquisa, Sergei Soares advoga a tese de que a repetência escolar deveria ser imediatamente proibida, pelo menos até o quarto ano do ensino fundamental, em todo o país, nas escolas públicas e privadas.

Os dados dos levantamentos são claros: nos países que aprovaram a adoção da política de progressão continuada, sem repetência, independentemente de serem ou não desenvolvidos, em geral os alunos apresentam as melhores notas em testes padronizados destinados a medir a qualidade de ensino em diferentes países. O estudo identificou apenas quatro exceções – Cingapura, Hong Kong, Bélgica e Lituânia, que adotam o regime de repetência parcial.

A conclusão é de que essa política de progressão não tem qualquer impacto negativo sobre o desempenho escolar.Ao contrário, o que ocorre mesmo é um impacto positivo sobre os resultados dos exames e uma elevação da qualidade educacional.

HADDAD No lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), em abril deste ano, o ministro da Educação, Fernando Haddad, destacou em discurso no Palácio do Planalto que gostaria de “desmontar duas indústrias criadas no país”, referindo-se ao que chamou de indústrias da repetência e da progressão continuada. “Nenhuma das duas nos interessa. Queremos a progressão dos alunos, mas aprendendo de acordo com as suas possibilidades”, destacou o ministro.

A secretária Maria do Pilar acrescenta que a melhoria do ensino nacional depende também de outros fatores, como a remuneração dos profissionais envolvidos. Nesse sentido, se mostra confiante na aprovação, pelo Congresso Nacional, da proposta de emenda constitucional que fixa o piso salarial dos professores em R$ 950 mensais, com jornada de 40 horas semanais.

Outro aspecto abordado pela secretária é a democratização das escolas de ensino básico. Nos anos 1990, diz ela, houve o esforço para garantir direito de matrícula para todas as crianças, o número de crianças matriculadas aumentou consideravelmente em todo o país e o governo federal, à época, focou a educação básica como prioridade. “Não houve qualquer investimento na educação infantil e muito menos no ensino médio”, diz.

Até hoje, explica a secretária, isso se reflete no fato de que apenas 15% das crianças de zero a três anos de idade têm acesso às creches, segmento em que o atendimento privado é superior ao das escolas públicas, com 50% das crianças entre quatro e cinco anos de idade fora da escola. Elas entram no ensino fundamental sem nunca terem passado por uma escolinha infantil.

FUNDEB O pesquisador Jorge Abrahão de Castro, do Ipea, ressalta que a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), em 1996, transformado em janeiro deste ano em Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), transferiu de forma rápida e crescente o ensino fundamental das esferas estadual e federal para os municípios. As matrículas nas escolas municipais aumentaram de 14,1 milhões em 1995 para 23,2 milhões em 2005. Segundo ele, essa velocidade gerou desequilíbrios e perda de qualidade.

A secretária Maria do Pilar reforça esse argumento. Segundo ela, a democratização do direito de matrícula não foi acompanhada por uma mudança da cultura histórica e elitista das escolas públicas brasileiras.”O inchaço das salas de aula, a maioria com média de 40 alunos,e o baixo salário do corpo docente fizeram com que a classe média mudasse os filhos para as escolas privadas e as crianças oriundas das classes sociais menos favorecidas passaram a conviver com a baixa qualidade de ensino, as repetências e a exclusão escolar”, acrescenta.

Segundo números divulgados em setembro deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1996 a 2006, a taxa oficial de analfabetismo no Brasil, entre maiores de dez anos, caiu de 13,7% para 9,6%, o que não foi suficiente para tirar o país do penúltimo lugar no ranking de alfabetização da América do Sul. Proporcionalmente, o número de brasileiros que não sabem ler nem escrever é inferior apenas ao da Bolívia, onde a taxa de analfabetismo era de 11,7% em 2005.

Outra pesquisa, do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), mostra que em São Paulo, Estado mais rico do país, 43% dos estudantes concluem o ensino médio com uma bagagem em escrita e leitura que se esperava encontrar em alunos da oitava série. A prova é aplicada pelo Saeb a cada dois anos nas quardústrias tas e oitavas séries do ensino fundamental e no terceiro ano do curso médio. A deste ano será em novembro.

NOVA ESCOLA Desde 1996, quando a atual Lei de Diretrizes e Bases estabeleceu as normas fundamentais da educação nacional, se fala no fim da repetência escolar – uma das principais causas da evasão – e na adoção do sistema denominado de “progressão continuada”. Para a secretária Maria do Pilar, esse sistema não significa aprovação automática, como está sendo entendido por vasta parcela da população. “Aprovar estudantes que nada aprenderam em um ano de estudo para uma série seguinte é uma política tão excludente quanto o modelo atual, de repetência de ano, pois ambos, mais cedo ou mais tarde, vão levar o aluno a abandonar a escola”, diz. O objetivo da progressão continuada é permitir que os professores concentrem esforços nas deficiências dos alunos desde as primeiras semanas de aula, impedindo assim, de forma natural, a reprovação, defende a secretária.

“As escolas que têm feito mudanças positivas e radicais, como nos municípios de Nova Iguaçu (RJ) e Belo Horizonte, são as que aboliram o velho sistema de ensino elitista, excludente, e se organizaram a partir das necessidades dos alunos, e não dos professores. São crianças que, mal ou bem, se informam pela televisão e via internet em tempo real sobre o que está acontecendo em qualquer outro lugar do mundo,mesmo que de forma superficial. Não se pode mais pensar em uma escola em que o professor é o dono da verdade e mantém o controle por meio da ameaça de reprovação?, diz.

O cientista político Alexandre Barros, pró-reitor de mestrado da Universidade Euro-Americana de Brasília, aponta uma contradição no ensino brasileiro, principalmente no segmento privado, que, segundo ele, faz um estudante conviver, diariamente, com realidades típicas de épocas distintas.”Pela manhã, ele sofre em uma escola com ensino retrógrado, professores mal pagos e que ministram aulas exatamente como se fazia no século XIX – quadro negro, giz e nenhuma interação entre os sentidos, pois é obrigado a ficar quieto e ouvir um monólogo desinteressante. É claro que ele se rebela”, diz.

“À tarde, em casa, esse mesmo jovem manipula softwares sofisticados desenvolvidos por técnicos de altíssimo nível, muito bem pagos, sejam japoneses, coreanos ou americanos. Participa de torneios e jogos que envolvem jovens de outros países e dialoga com outras crianças de todo o mundo por e-mail, Messenger, etc. Está inserido nos avanços propiciados pela tecnologia do século XXI. Isto é uma contradição terrível e desfavorável ao conceito de escola como centro irradiador de conhecimentos”, completa.

LÓGICA A realidade conflitante explica parte da indisciplina das escolas atuais, segundo a secretária de Ensino Básico do MEC. Nas raras aulas em que o professor é sintonizado com a realidade dos alunos, é possível capturar a atenção da classe, diz.”Mudar a lógica na escola é muito difícil, é um processo lento, porque a escola trabalha com a lógica do ensino, e não do aprendizado. O professor se considera o eixo organizacional, quando o correto seria levar em consideração a realidade social do aluno”, afirma a secretária Maria do Pilar.

Para ela, a progressão continuada sofre com a resistência da sociedade porque a cultura da reprovação, já abolida em diversos países, sempre foi método de controle no Brasil. “Mudá-la significa tirar poder dos professores que ganham mal e têm de trabalhar em três ou quatro escolas diariamente”.

O pesquisador Sergei Soares diz que “a ameaça de não passar de ano é argumento terrorista utilizado pelos professores dos países que não investem na qualificação dos seus profissionais de ensino fundamental e, por isso, eles desconhecem metodologias modernas, que adotam princípios lúdicos ou baseados no prazer do aprendizado e do conhecimento”.

Atualmente, dos 4 milhões de estudantes que ingressam no ensino básico, em todo o Brasil, apenas 3 milhões iniciam o ensino médio. “O normal seria que todos que entram no ensino fundamental concluíssem o ensino médio”, diz a secretária. Segundo as estatísticas do MEC, o país deveria ter 12 milhões de alunos no ensino médio, mas tem apenas 9 milhões. A diferença de 3 milhões de estudantes constitui a evasão escolar, que o deputado federal Alceni Guerra (DEM-PR) denomina de contribuição escolar à geração anual de marginais sociais.

Quando era prefeito do município de Pato Branco (PR), Guerra implantou aulas de oito horas diárias “sem investir um centavo em novas salas,porque todo o recurso foi destinado à atividade fim, o ensino”, com as horas adicionais preenchidas por meio de convênios firmados pela prefeitura com salões paroquiais, clubes de serviços, esportivos e sociais, entre outros, para oferecer atividade física, artística e musical às crianças.O índice de aprovação, em Pato Branco, diz ele, chegou a 95%, com um resultado inesperado no nível de empregos femininos na cidade.”As mães dos alunos, livres da atividade de babás dos próprios filhos, passaram a contribuir com o orçamento doméstico”, diz o parlamentar. A experiência, porém, não prosseguiu.A secretária Maria do Pilar diz que algo semelhante está sendo realizado em Nova Iguaçu (RJ) e em Belo Horizonte. Nessas cidades, os gestores das escolas buscam parcerias com a comunidade. “Infelizmente, ainda não foi realizada qualquer avaliação sobre os resultados”, diz. Para acabar com a exclusão, “timidamente, há dez anos, se idealiza a implantação desse sistema de progressão, em que São Paulo é o Estado que mais avançou nesse sentido”.Matemático e consultor da Fundação Cesgranrio, no Rio de Janeiro, o professor Rubens Klein prega uma mudança na mentalidade brasileira, que aceita a repetência. “Raramente um repetente é recuperado”, diz. Para Klein, é preciso idealizar um processo de acompanhamento contínuo dos alunos, a fim de que haja recuperação imediata assim que se perceba a existência de problemas no aprendizado, o que não é realizado no Brasil.

Além disso, a educação básica precisa ter foco que garanta a qualidade do que se vai ensinar e de como se vai ensinar, acabando ainda com o currículo global para todos os níveis, que varia de ano para ano e de uma escola para outra, o que dificulta a continuidade do aprendizado, sobretudo se o aluno muda de uma escola para outra. “A evasão só vai acabar quando houver garantias de que o aluno está aprendendo. Quem aprende não sai”, garante Klein.

Colaborou: Fátima Belchior, do Rioarquivo na íntegraLeia o arquivo na íntegra>>

31/07/2008 - 12:02h O gargalo da educação em São Paulo

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“Em São Paulo, por não existir efetivamente escola em tempo integral na rede estadual, o efeito dessa política é tenebroso”

Luís Fernando de Lima Júnior * – O Estado de São Paulo

A aprovação automática completou 11 anos de vigência nas escolas públicas do Estado de São Paulo como um dos mais significativos entraves para o desenvolvimento da qualidade do ensino público. Formulada a partir de uma proposta planejada para solucionar os problemas de aprendizagem de uma realidade européia, a divisão da estrutura curricular em ciclos de quatro anos de estudo com regime de progressão continuada não trouxe bons frutos para o ensino paulista.

Na Espanha e na Inglaterra, onde essa proposta teve bons resultados, os ciclos de estudo têm uma duração de dois anos. Nesse período, os alunos estudam em tempo integral, em salas de aula com média inferior a 30 alunos por classe e na passagem de um ano para outro, dentro do mesmo ciclo, praticamente não existe mudança no quadro de educadores. Com um número menor de alunos por sala de aula, o professor, motivado e bem remunerado, pode disponibilizar a atenção necessária à aprendizagem de cada aluno.

No cotidiano escolar, a criança vai para a escola no período da manhã e tem contato com os conteúdos das disciplinas regulares, para no período da tarde participar de oficinas lúdicas, esportivas ou profissionalizantes. Enquanto os colegas desfrutam essas atividades, o aluno que apresenta dificuldades de aprendizagem é colocado em reforço intensivo e o aluno indisciplinado é estimulado a corrigir suas atitudes por não poder participar dessas atividades.

Como dentro do ciclo não se tem a noção de aprovação do primeiro para o segundo ano, pelo fato de as classes receberem nomenclaturas sem referência de série, os alunos entendem a passagem do ano como férias escolares, da mesma maneira que o recesso do meio do ano, pois reiniciam suas atividades no período letivo seguinte como continuidade do anterior. Não existe a noção de aprovação automática, pois o aluno só progride de ciclo se ao final dos dois anos apresentar evolução.

A partir do momento em que se aplica essa idéia sobre uma estrutura com uma concentração de alunos superior à capacidade física do espaço escolar, dentro de uma concepção que ainda faz a distinção de séries, não se pode esperar que ela funcione, até porque a concentração de estudantes reduz a capacidade do professor de disponibilizar atenção diferenciada aos alunos e a concepção de séries distorce a idéia de ciclo.

Em São Paulo, por não existir efetivamente escola em tempo integral na rede estadual, o efeito dessa política é tenebroso. Como o ensino ocorre em meia jornada e não existe um programa de recuperação intensiva fora do horário regular de estudo, os alunos com defasagem de aprendizagem não superam suas dificuldades e, sem conseguirem acompanhar a turma, eles se tornam indisciplinados. Nos quatro anos do ciclo essas defasagens se acumulam e a indisciplina se generaliza. Sem suporte para as escolas aplicarem sanções aos alunos indisciplinados, o sistema não permite a correção efetiva da indisciplina e reproduz a certeza da impunidade.

Com mais de 40 alunos por sala de aula e sem nenhum respaldo contra a indisciplina e a violência na escola, o professor – que muitas vezes trabalha manhã, tarde e noite para garantir a sobrevivência de sua família com um valor tão baixo por cada aula ministrada – esgota todos os seus argumentos para tentar convencer os alunos da importância de estudar, mas o sofrimento de uma pessoa que estudou bastante e não recebe a valorização do Estado e da sociedade serve como argumento contrário. Muitos se cansam e por essa razão passam a freqüentar os consultórios médicos.

Nesse ambiente, que tipo de estímulo recebem os alunos? Amontoados em salas de aula depredadas, cujo espaço físico não comporta a quantidade de alunos presente, esses estudantes têm a nítida impressão de que, como as carteiras quebradas depositadas no fundo da classe, não servem mais à sociedade.

De acordo com pesquisa realizada como análise quantitativa e qualitativa sobre a quantidade de matrículas e o desempenho dos alunos das escolas públicas da cidade de São José dos Campos, nos períodos de 1993 a 1996 e 2001 a 2004, antes e depois da implantação estrutura de ciclos de quatro anos com progressão continuada, a situação é aterradora. Tanto nas escolas de periferia, que recebem alunos oriundos de camadas sociais menos favorecidas, quanto nas escolas centrais, que recebem estudantes oriundos de realidades sociais menos desestruturadas, os resultados foram semelhantes.

Antes da progressão continuada, 12% dos estudantes apresentavam desempenho escolar com notas acima de 8 e apenas 7% terminavam o ano com notas abaixo de 5. As escolas tinham uma média de 36 alunos por classe e o índice de evasão escolar era de 6%.

Depois da progressão apenas 8% dos estudantes apresentaram desempenho escolar com notas acima de 8 e 27% foram aprovados ao final do ano com notas inferiores a 5. A média de alunos por classe subiu para 40 e o índice de evasão escolar atingiu 22%.

Como essa pesquisa analisou recortes distintos, sem transição de uma estrutura para outra, em escolas com realidades que representam bem a desigualdade de nossa sociedade, é possível afirmar que seus resultados servem de modelo para todo o Estado de São Paulo.

Com base nesses resultados, fica evidente a perda da qualidade, num curto espaço de tempo, de um ensino que não era dos melhores. Isso somado ao sucateamento e à depredação das escolas explica os resultados obtidos pelo Estado de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A melhoria da qualidade do ensino está diretamente relacionada à valorização do professor, no seu suporte salarial e na sua autonomia pedagógica, para que possa viver com dignidade e se dedicar a um número menor de alunos. Qualquer coisa fora disso não passa de propaganda e maquiagem.

*Luís Fernando de Lima Júnior é professor de História em São José dos Campos

31/07/2008 - 10:19h Ana Paula e a história que Brizola contaria no rádio

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Aula no Ciep 297 Professora Guiomar Gonçalves Neves. Em 2005 o melhor resultado Ideb do Brasil 

Paulo Totti, do Rio e São Paulo – VALOR

Ana Paula Varanda tinha 11 anos quando, vinda de outra escola pública, entrou na 5ª série do Ciep Ministro Gustavo Capanema, na Favela da Maré, que acabava de ser inaugurado em 1985. Estudou ali, em tempo integral, até a 8ª série, quando passou no “vestibulinho” que a Fundação Instituto Osvaldo Cruz promove anualmente entre mil candidatos para preencher as 30 vagas de sua escola politécnica. Depois de quatro anos na politécnica, Ana Paula fez dois vestibulares, para medicina e geografia, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Foi aprovada em ambos. Freqüentou medicina por seis meses e a abandonou ao descobrir que sua vocação era mesmo a geografia. Formada, hoje dá aulas nos cursos noturnos para jovens e adultos da prefeitura de Niterói e é pesquisadora da ONG Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase).

Ana Paula ainda morava na Maré quando, há quatro anos, concluiu o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ali pretende cursar o doutorado em planejamento urbano. Aos 31 anos, Ana Paula vive agora em Niterói. O Valor desistiu de levá-la para uma foto em frente ao seu antigo Ciep, o Gustavo Capanema. Para chegar até lá teriam de ser mantidas negociações com três facções criminosas – o Comando Vermelho (CV), a Amigos dos Amigos (Ada) e a milícia pára-militar -, que se alternam no domínio do complexo de 150 mil habitantes de que fazem parte as favelas da Maré, Manguinhos, Vila do João e Vila Pinheiro. A foto foi transferida para o mais tranqüilo bairro do Catete, centro do Rio, no pátio do Ciep Tancredo Neves. Quando os alunos da quarta série do Ciep descobriram que não se tratava de uma atriz de novela, mas de ex-colega, interromperam o recreio para convidá-la a brincar com eles.

A história de Ana Paula é daquelas que Brizola gostaria de contar no rádio. Ela não chegou a conhecer o pai. A mãe morreu quando a garota tinha cinco anos. A avó, servente no escritório de uma metalúrgica, cuidou da menina e de seus três irmãos. Semi-alfabetizada, era exigente com o estudo dos netos. Todos chegaram ao superior, em escolas públicas. Dos seus colegas no Ciep da Maré, vizinhos de barracos sobre palafitas, ela cita um que se formou em contabilidade e morreu assassinado há dois meses, como gerente do tráfico. Outro formou-se em administração de empresa e prospera no mercado financeiro em São Paulo.

“Uma boa escola” – é o seu depoimento – “prepara para a vida, mas não resolve tudo sozinha. Hoje a situação urbana é muito mais complexa. A escola depende de uma organização territorial que não existe nas áreas de risco do Rio. Um garoto de dez, doze anos, vai à escola e aparece um PM de fuzil para revistar sua mochila. Aquela imagem idílica de um grupo de garotos e garotas indo felizes para a escola desapareceu ou nunca existiu nas favelas do Rio. Antes dos Cieps não havia escolas, hoje existem, mas as crianças chegam até elas depois de cruzar com traficantes armados, policiais armados e, a qualquer momento, tropeçam na esquina, como eles dizem, com um presunto com a boca cheia de formiga (cadáver abandonado). Traficantes, às vezes, avisam que vai ter tiroteio. Mas a polícia age sempre de surpresa. Assim, é difícil uma escola ter alto nível de avaliação.”

Os resultados do Ideb dão razão a Ana Paula. A Região Administrativa de Copacabana tem o melhor Ideb do Rio. O Morro do Chapéu Mangueira ou a Ladeira dos Tabajaras não são locais exatamente pacíficos, mas sua criminalidade se dilui entre as razoáveis estatísticas do bairro de classe média e média-alta em que estão encravados. Os piores índices estão nos espaços em que a favela predomina: Rocinha, Complexo da Maré, Cidade de Deus, Jacarezinho. O Ciep onde Ana Paula estudou na Maré alcançou no Ideb nota 3,8 em 2005 e 4 em 2007.

A 220 quilômetros ao norte da Maré, no alto da serra fluminense, entre Nova Friburgo e Santa Maria Madalena, terra de Dercy Gonçalves, há um Ciep da rede estadual que já obteve a maior nota do país em português e a segunda em matemática (287 e 286, respectivamente, numa escala de zero a 300) da prova Brasil. Associadas aos índices de freqüência e aprovação, essas notas resultaram num Ideb de 8,5, também o primeiro do Brasil. Foi em 2005, no Ciep 297 Professora Guiomar Gonçalves Neves da pacata cidade de Trajano de Morais, de 10 mil habitantes. Seu diretor, Elielton Moreira Riguetti, atribui o bom desempenho ao tempo integral (mantido até hoje) e à perfeita integração escola/comunidade: “Até casamentos comunitários se realizam no Ciep”, diz ele. Em 2007, o Ideb caiu para 5,2, mas, segundo Riguetti, “já estamos num processo de autocrítica e o próximo Ideb certamente vai mostrar recuperação”.

Ao pé da rampa que une andares do prédio, lê-se a reprodução do adágio atribuído ao chinês Chang Tzu: “Se quiser colher a curto prazo, plante cereais. Se quiser colher a longo prazo, plante árvores frutíferas. Mas se quiser colher para sempre, eduque crianças.” (PT)

31/07/2008 - 09:54h Lucro do petróleo pode espalhar Ceus e Cieps por todo o país

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Vista aérea do Centro Educacional Unificado – CEU Rosa da China

Paulo Totti, do Rio e São Paulo – VALOR

Ainda não se sabe quanto de petróleo a Petrobras descobriu sob uma camada de sal a 280 quilômetros da costa brasileira no Atlântico Sul. Também não se sabe se haverá mudanças na legislação para adaptá-la à prodigalidade com que a natureza retribui o esforço de técnicos e pesquisadores da estatal. Muito se vai discutir também sobre se é justo a lei de royalties permitir, entre 5.500 municípios, que apenas nove deles, no Rio de Janeiro, fiquem com 62% da distribuição nacional da regalia. Começa, entretanto, a criar-se um consenso em torno do que deve ser feito com o resultado da exploração dessas ultragenerosas reservas.

O dinheiro irá preferencialmente para a educação pública fundamental, num projeto que associará experiências realizadas em países de culturas e sistemas econômicos distintos, como Noruega, Coréia do Sul, Cuba, com duas iniciativas autenticamente nacionais: os Cieps de Leonel Brizola, no Estado do Rio de Janeiro, e os Ceus de Marta Suplicy, na cidade de São Paulo. Não há uma diretriz definida para a utilização desses recursos, mas os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Cristovam Buarque (PDT-DF) já apresentaram projeto de lei em que propõem a criação de um Fundo Nacional do Petróleo para Formação de Poupança e Desenvolvimento da Educação Básica (Funped). O fundo seria formado com 59,3% do lucro com o aproveitamento das recentes descobertas e, desses recursos, 60% seriam destinados à educação básica. O nome e a sigla do Funped serão obviamente mudados por falta de apelo de marketing e por causa do “n” antes do “p”, erro de ortografia inconcebível num projeto educacional, mesmo se tratando de sigla. Mas o projeto está na comissão de infra-estrutura do Senado para o recebimento de emendas e se espera que, em torno dele, se harmonizem todas as tendências da Casa.

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Piscina do CEU. A vizinhança pensava: “É tudo tão bonito, não deve ser para nós”

Na execução do programa, a inspiração do horário integral, com alunos permanecendo na escola o dia inteiro, virá dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps). Dos Centros Educacionais Unificados (Ceus) virá o conceito de escola como pólo de convivência comunitária em regiões urbanas tão carentes de educação de qualidade quanto de entretenimento e atividades culturais e esportivas.

Confirmadas as previsões de que do fundo do mar jorrará dinheiro para investir no encaminhamento de soluções para as carências nacionais – educação básica em primeiro plano, sem descuidar do ensino médio e superior, com ênfase na inovação e na tecnologia de ponta -, desaparecerão os motivos da principal crítica que Cieps e Ceus atraem até hoje: seu alto custo e a falta de recursos para implementá-los. A educação, como o petróleo, é um ativo que se valoriza à medida que se torna mais necessário e o benefício do seu alto retorno justifica e recompensa o investimento para desenvolvê-lo.

A candidata à prefeitura do Rio, Jandira Feghali (PCdoB), segunda nas pesquisas, diz que o projeto pedagógico dos Cieps “foi perdido no tempo” e promete revivê-lo, abrir as escolas nos fins de semana para integração comunitária, restabelecer a permanente assistência à saúde, dotar a rede municipal de equipamentos de cultura, esporte e inclusão digital. “Nada em educação é tão caro quanto o alto custo de não fazer nada”, diz.

Com maior ou menor entusiasmo, outros candidatos a prefeito do Rio elogiam os Cieps. Fernando Gabeira (PV-PSDB), diz que, por enquanto, está “na fase do pré-pré-sal”, ou seja, ainda não há dinheiro para grandes vôos, mas pretende ampliar em uma hora os turnos atuais de apenas quatro horas diárias na maioria das escolas municipais e também a duração do ano letivo, de 175 para 200 dias, equiparando-as às escolas particulares (o calendário da secretaria da Educação indica que essa equiparação já existe).

A deputada federal Solange Amaral (DEM) diz que a educação em horário integral “é uma absoluta necessidade” a ser satisfeita até o fim do mandato, se eleita, “em estruturas que não precisam, necessariamente, ser as dos Cieps”. O senador Marcelo Crivella (PRB), líder nas pesquisas, diz que o turno único será implantado primeiramente nas áreas mais carentes das zonas Norte e Oeste para, até 2012, chegar a todo o município. É o que pode ser feito no momento com recursos próprios (R$ 1,5 bilhão), royalties (R$ 135 milhões) e os atuais R$ 800 milhões do Fundeb. “Mas todo dinheiro novo será bem-vindo”, diz Crivella.

Dos 515 Cieps que Brizola construiu, 316 ainda são administrados pela secretaria estadual de Educação e o restante foi municipalizado – na capital, são 101 os que passaram à prefeitura; o Estado conserva 31. Os candidatos afirmam que não há necessidade de mais Cieps e nenhum deles, em período eleitoral, parece disposto a condená-los. Sincera ou não, essa unanimidade é explorada por outro candidato, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT): “Brizola fez tanto pela educação que, 25 anos depois, os brizolões ainda atendem às necessidades do Rio.”

O dinheiro da exploração dos novos campos de petróleo só entrará para os cofres do governo federal por volta de 2012. A disputa pela repartição desses ainda incalculáveis recursos, porém, já começou e desde agora se poderá visitar o que resta dos Cieps no Estado do Rio e acompanhar o evolução dos Ceus de São Paulo, para avaliar se a experiência tem realmente potencial para transformar o Brasil no primeiro país de economia emergente a usar a riqueza do petróleo na melhora das condições de vida de sua população.

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O Valor visitou Cieps e Ceus e constatou que autoridades da área, professores e outros profissionais da educação, ex-alunos e moradores das comunidades que os hospedam consideram válida a experiência, com plenas condições de servir de modelo à educação básica brasileira no futuro. Existindo dinheiro para sustentá-los, gostariam todos de ver Ceus e Cieps espalhados pelo país – feitas as correções que o passar do tempo e as diferenças regionais impõem. “Unidade não significa uniformidade. A unidade pressupõe multiplicidade. A um centralismo estéril e odioso se opõem as condições geográficas do país e a necessidade de adaptação crescente da escola aos interesses e às exigências regionais”, já proclamava o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que Anísio Teixeira assinou em 1932, na companhia de educadores como Fernando de Azevedo, Afrânio Peixoto e Roquette Pinto e de intelectuais como Júlio de Mesquita Filho e Cecília Meirelles.

Secretário da Educação e Saúde no governo do udenista Otávio Mangabeira, na Bahia (1947-1951), Anísio Teixeira criou em 1950 a Escola Parque, no bairro da Liberdade, em Salvador, onde implantou o ensino em tempo integral, cuidados médicos e de higiene pessoal, educação artística (entre seus professores, Mário Cravo e Caribé) e “socialização, preparação para o trabalho e para a cidadania”. Estas palavras constavam do ideário da escola baiana e foram repetidas até a exaustão pelos criadores dos Cieps – Darcy Ribeiro à frente, o executor mais brilhante e entusiasta das idéias de Anísio. Cida Perez, secretária municipal da Educação na época da criação dos Ceus, manteve o discurso em São Paulo. Experiências como as da solitária escola de Anísio, já incorporando a idéia de que ” nova educação pede nova arquitetura” – daí a convocação de arquitetos como Oscar Niemeyer, no Rio, e Alexandre Delijaicov, André Takyia e Wanderley Azira, em São Paulo – repetiram-se isolada e esporadicamente pelo país, mas só no Rio e em São Paulo o conceito se transformou em atitude central de um governo estadual ou municipal.

Em dois mandatos (1983-1987 e 1991-1994), Brizola criou uma secretaria especial para cuidar dos Cieps e chegou a comprometer, durante dois anos, 80% do orçamento estadual no seu custeio e investimentos. Marta Suplicy (PT), ao sair da prefeitura de São Paulo, deixou 21 Ceus construídos. Seu sucessor, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, inaugurou 12 outros Ceus e tem 13 em obras para entrega até dezembro. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) assegura que, se o eleito for ele, nada vai mudar. Já Kassab afirma que, reeleito, os Ceus terão turno de sete horas até o fim do futuro mandato. E Marta acrescenta que sua eleição é a garantia de que os Ceus não serão desvirtuados.

Com dinheiro para investimento e custeio desaparecem as razões para condenar projetos como Ceus e Cieps

Cada Ceu tem um custo estimado em R$ 17 milhões em obras civis e mais R$ 2 milhões para equipá-lo. No Rio, não há dados sobre quanto custaria hoje a construção de um Ciep, pois, há duas décadas, os governadores ou prefeitos que se sucederam parecem ter desistido de erguer escolas que os cariocas continuariam insistentemente a chamar pelo apelido: “brizolões”. Sabe-se, porém, quanto custa à prefeitura a manutenção do Ciep nº 001 Tancredo Neves, o mais antigo: R$ 265,39 por aluno/ano. A escola convencional custa pouco menos que a metade: R$ 131,27.

Com pequenas adaptações no projeto – as creches para crianças de zero a três anos estão agora no andar térreo e a quadra de esportes com piso de tábuas não está mais em cima do teatro -, em São Paulo a administração Kassab prossegue a política de sua antecessora, mas não dá a Marta Suplicy, que os implantou, o crédito pelos Ceus. Numa revisão histórica assaz criativa, o mérito pela idéia dos Ceus, segundo assessores do prefeito, pertenceria a Mario de Andrade, poeta e romancista que morreu em 1945 aos 52 anos, depois de ter exercido, entre outros cargos, a direção do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo (1935-37), onde defendeu que as atividades escolares incluíssem música, folclore e esportes.

Com origem e objetivos comuns, Cieps e Ceus têm, entretanto, diferenças. Os Ceus são um amplo centro comunitário instalado em cerca de 14 mil metros quadrados cada um, que hospeda não uma, mas três escolas – creche (até três anos), educação infantil (de três a cinco anos) e fundamental (da primeira à nona série). Há uma gestora (ou gestor) para o Ceu e uma diretora (diretor) para cada uma das escolas. As diretoras cuidam do currículo escolar, a gestora de todas as outras atividades. Ao contrário dos Cieps originais, os Ceus não têm tempo integral e a carga pedagógica é exatamente igual à das demais escolas da rede.

Criados 20 anos depois de seus primos do Rio, a integração escola/comunidade é o traço característico dos Ceus. Neles tudo parece – e realmente está – à disposição dos alunos, de sua família e da vizinhança: piscinas aquecidas (semi-olímpica, média, infantil), teatro de 450 lugares, com quatro camarins e acústica protegida da habitual algazarra dos corredores – o pianista Arthur Moreira Lima surpreendeu-se: “Mas isto é um teatro de verdade!” -, sala das aulas de balé com grandes barras e espelhos, modernos mesmo para um corpo de baile profissional, quadra poliesportiva, biblioteca de cinco mil a dez mil livros, computadores, bancos nos jardins à sombra das árvores, instalações bem conservadas. Exemplo de zelo: às 11 horas de uma sexta-feira, após barulhento e movimentado recreio, os banheiros estão limpos e cheirosos no Ceu Rosa da China, bairro de Sapopemba, zona Leste, divisa com Santo André.

“No começo”, conta Marlene Zilig, gestora do Ceu Casa Blanca, na Vila das Belezas, entre os bairros de M’Boi Mirim e Campo Limpo, Zona Sul, “as pessoas da comunidade tinham receio de entrar no Ceu. Ficavam olhando pelas grades. Alguns não se arriscavam a passar pelo portão sempre aberto e pulavam o muro. Pensavam: ‘É tudo tão bonito, não deve ser para nós’.”

A gestora Lucimeire de Lima Luiz, do Ceu Jaçanã, Zona Norte, diz que os adolescentes da vizinhança tinham duas razões para resistir à piscina na época da inauguração do Ceu, já no governo Kassab. “Quase ninguém tinha maiô, pois não iam à praia ou freqüentavam piscinas. Algumas tinham vergonha de mostrar o corpo…” Hoje, enquanto a criança está na aula de inglês, sua mãe ou a avó faz hidroginástica na piscina, ou está no curso de culinária. Em 1º de agosto de 2003, quando inaugurou o primeiro Ceu, o Jambeiro, no bairro de Guaianazes, zona Leste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou: “Marta, você inaugura hoje não só uma escola, você inaugura um padrão de decência, um novo jeito de tratar as pessoas neste país.” Nos fins de semana, entre 1,5 mil e 2 mil moradores da região freqüentam outro Ceu, o Casa Blanca, como se estivessem em um clube, o seu clube.

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“Marta, você inaugura hoje não só uma escola, você inaugura um padrão de decência, um novo jeito de tratar as pessoas neste país.” Lula inaugurando o CEU Jambeiro

“Isso acontece em todos os Ceus. Quanto mais humilde for a população ao seu redor, maior a afluência”, diz Celso Seabra Santiago, assessor da Secretaria Municipal de Educação para projetos especiais. O Casa Blanca tem 256 crianças em sua creche, 551 na pré-escola e 883 no ensino fundamental, um total de 1.690 alunos. Esta é a média de matrículas na rede Ceus. Os Cieps, em instalações menores, abrigam em torno de 600 alunos.

Uma das freqüentadoras da biblioteca do Ceu Jaçanã é Raiane, 9 anos, seis irmãos, aluna de uma escola da rede estadual das imediações. Os pais têm uma barraca de pastéis nas feiras do bairro – “o pai quase não dorme; e minha mãe, coitada, tem úlcera varicosa”, diz Raiane, menos interessada nas perguntas do repórter do que na antologia de Fernando Pessoa, que lia. Raiane diz que chegou tarde e preferiu vir para a biblioteca do Ceu. Ela volta a prestar atenção no livro. Sem emitir som, seus lábios acompanham a cadência dos versos. Faz uma pausa, olha para o teto como a degustar ou a tentar entender o que lê: “De tanto ser, só tenho alma./Quem tem alma não a tem calma”. Raiane é vista com freqüência na biblioteca do Ceu e dá a impressão de preferir o encontro matinal com Fernando Pessoa a uma aborrecida aula na escola convencional. “Meu medo”, diz uma professora de Ceu que não quis se identificar, “é que, com o tempo e a mudança de administrações, desapareça essa atmosfera linda, integradora, dos Ceus. E que só restem os prédios, como aconteceu com os Cieps no Rio”.

Cieps e Ceus não tiveram especial destaque no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) publicado pelo Ministério da Educação no mês passado. Em São Paulo, a Secretaria de Educação do município simplesmente impugnou os resultados por considerá-los errados e, no Rio, sete Cieps da rede estadual figuraram entre as 20 piores quartas séries das escolas públicas no Estado.

A secretária estadual de Educação, Teresa Porto, considera exagero “e certa má vontade” culpar os Cieps pelo fato de algumas escolas com essa denominação terem obtido nota baixa no Ideb. “O Ciep, como foi concebido, não teve continuidade nos governos seguintes. É impossível, hoje, avaliá-lo isoladamente”, diz a secretária, no cargo há cinco meses. Teresa afirma que, nos últimos anos, a preocupação nacional foi a universalização do ensino. “A qualidade não acompanhou a universalização”, diz.

A preocupação com estatísticas é uma das causas do abandono do turno único nos “brizolões”; em São Paulo, há o “turno da fome”, das 11 às 15 horas; criaram-se dois, três turnos e o número de matrículas dobrou ou triplicou. Teresa revela ser “fã de Darcy Ribeiro desde a adolescência”. Seu pai, Carlos Guimarães, foi líder do PDT na Assembléia e na sua casa há uma foto dela com o pai, com Brizola, com o ex-marido (Tito Riff, secretário do Planejamento nos governos do PDT) e uma picanha assando no espeto. Para Teresa, os Cieps são experiência valiosa que necessita de “criteriosa revisão crítica e atualização”: tempo integral, instalações condignas, professores qualificados e contratos de gestão.

Depois de anos de abandono, os Cieps da Prefeitura e do Estado do Rio iniciaram o ano de 2008 com pintura nova, conserto de goteiras, capina do pátio. Alguns até receberam tratamento acústico para reparar sério defeito de origem: por não chegarem ao teto, as paredes divisórias permitiam o vazamento de som de uma sala para outra. As novidades podem ser influência de tempos eleitorais. Ou antevisão da exploração do pré-sal.

30/07/2008 - 18:53h A solidão – La solitude

Balé de Bejart e canção La solitude (A solidão) de Barbara, dança: Keisuke Nasuno et Gil Roman

La solitude, cantado por Barbara com legenda em espanhol

La solitude

Je l’ai trouvée devant ma porte,
Un soir, que je rentrais chez moi.
Partout, elle me fait escorte.
Elle est revenue, elle est là,
La renifleuse des amours mortes.
Elle m’a suivie, pas à pas.
La garce, que le Diable l’emporte !
Elle est revenue, elle est là

Avec sa gueule de carême
Avec ses larges yeux cernés,
Elle nous fait le cœur à la traîne,
Elle nous fait le cœur à pleurer,
Elle nous fait des matins blêmes
Et de longues nuits désolées.
La garce ! Elle nous ferait même
L’hiver au plein cœur de l’été.

Dans ta triste robe de moire
Avec tes cheveux mal peignés,
T’as la mine du désespoir,
Tu n’es pas belle à regarder.
Allez, va t-en porter ailleurs
Ta triste gueule de l’ennui.
Je n’ai pas le goût du malheur.
Va t-en voir ailleurs si j’y suis !

Je veux encore rouler des hanches,
Je veux me saouler de printemps,
Je veux m’en payer, des nuits blanches,
A cœur qui bat, à cœur battant.
Avant que sonne l’heure blême
Et jusqu’à mon souffle dernier,
Je veux encore dire “je t’aime”
Et vouloir mourir d’aimer.

Elle a dit : “Ouvre-moi ta porte.
Je t’avais suivie pas à pas.
Je sais que tes amours sont mortes.
Je suis revenue, me voilà.
Ils t’ont récité leurs poèmes,
Tes beaux messieurs, tes beaux enfants,
Tes faux Rimbaud, tes faux Verlaine.
Eh ! bien, c’est fini, maintenant.”

Depuis, elle me fait des nuits blanches.
Elle s’est pendue à mon cou,
Elle s’est enroulée à mes genoux.
Partout, elle me fait escorte
Et elle me suit, pas à pas.
Elle m’attend devant ma porte.
Elle est revenue, elle est là,
La solitude, la solitude…

30/07/2008 - 18:28h Homem e mulher, mais um espelho

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Pierre Bonnard

 

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Miroir et toilette

30/07/2008 - 11:20h Uma discussão necessária

Blog de Luis Nassif abriu este debate e aqui no blog nós deveríamos discutir também estas questões essenciais para o presente e o futuro da educação e do país. LF

A aprovação automática

http://blogdofavre.ig.com.br/wp-content/uploads/2008/05/escola_estadual.jpg

Tem um tema quentíssimo para discutirmos – postados quase ao mesmo tempo pelo André e pelo Emílio. Trata-se da chamada educação continuada, a aprovação automática, mas analisada por um outro ângulo: a perda de autoridade do professor.

Tenho lido inúmeros comentários de professores da rede pública alertando para a rebelião dos alunos, a indisciplina ampla. Por outro lado, o velho modelo pedagógico, fundado nas informações compartimentalizadas em 50 minutos/aula e na relação rigidamente hierarquizada professor-aluno também tem sofrido questionamentos constantes.

Qual o caminho?

Por Andre Araujo

A aprovação automática é a mãe dos maiores problemas que hoje sofre a educação paulista. Com esse mecanismo o professor perdeu autoridade que derivava de seu poder sobre o futuro do aluno. É cruel mas é a realidade. Funcionou por séculos e a inovação foi desastrosa. Se o aluno passa de qualquer maneira perde-se a disciplina, o estimulo, o incentivo. A repetição de ano era uma forma dura de punição, o professor tinha o comando do processo e disso derivava sua capacidade de impor disciplina na classe. Tirada a reprovação, desmontou-se o sistema e nada ficou no lugar.

A aprovação automática é resultado da direção do sistema por economistas. Esse mecanismo adoça as estatitiscas para apresentr à ONU, ao congressos, seminários e simpósios internacionais, o Brasil sai bem na foto, aumenta o numero de alunos matriculados, é a fruta bonita por fora e podre por dentro.

Sem educadores de verdade, com amor à educação no comando de todo o sistema, chegamos a essa situação de gerenciamento da educação por planilhas e resultados estatísticos como um fim em si mesmo.

É uma ironia que nos Governos tucanos, geridos por intelectuais e gestores modernos, a educação tenha caido nessa arapuca e ficado em pior situação, mas muito pior, do que nos Governos Maluf e Quercia, que não eram intelectuais mas não desmontaram o sistema tradicional. Agora não temos sistema algum, nem antigo e nem moderno, só um enorme vazio, um anti-sistema.

Por Emílio

A administração tucana, na figura da Sra. Rose Neubauer, estabeleceram que as notas eram “instrumentos de opressão” dos professores sobre os alunos. Mas nas escolas particulares, onde estudam os filhos do tucanato, muito dos quais foram meus alunos, as avaliações, as distinções por mérito, continuaram intactas.

A administração tucana, na figura da Sra. Rose Neubauer, propuseram a progressão continuada (que é defensável) e logo a transformaram em aprovação automática. Mas nas escolas particulares, onde estudam os filhos do tucanato, as reprovações não só continuaram, como muitas “convidam” os alunos com baixo aproveitamento a retirarem-se.

A administração tucana, na figura do Sr. Gabriel Chalita e seu “mundo encantado” da educação com amor, passaram ao largo de qualquer orientação pedagógica utilizada no mundo (construtivismo, sócio-construtivismo, enculturação, etc..) . Mas nas escolas particulares, onde estudam os filhos do tucanato, domina o mais arcaico estudo tecnicista-conteudista. Discordo dessa orientação, é claro, mas é bem melhor que o “nadismo” oferecido pelas escolas públicas para os pobres.

Em São Paulo, na era tucana, a saúde, segurança e transporte públicos foram tratados com o desdém (”nojo-de-nóis”, como diz o Macaco Simão) que a elite tucana reserva ao povo do nosso país.

Sem querer partidarizar, é claro.

Por mcn

Nassif,

O sistema de progressão continuada é adotado com sucesso em inúmeros países e está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). É uma prática defendida por inúmeros especialistas, inclusive pelo atual Ministro da Educação, Fernando Haddad, e pela atual Secretária de Educação Básica do MEC, professora Maria do Pilar.

Há um estudo comparativo do pesquisador do IPEA Serguei Soares sobre a doação da progressão continuada em 49 países e os resultados são surpreendentes: as melhores notas e os resultados mais efetivos obtidos no ensino básico foram observados exatamente entre os países que adotaram esse regime.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

O sistema consiste na identificação das dificuldades de cada aluno no ano letivo e sua pronta resolução, de modo a evitar a reprovação, permitindo que os professores concentrem esforços nas deficiências dos alunos desde as primeiras semanas de aula.

O entendimento equivocado, da população, dos alunos e das próprias escolas, de que progressão automática = aprovação automática foi, e continua sendo, o grande problema na adoção desse regime em SP.

Por bruno

Nassif,
contribuição para uma discussão mais informada.

Dê uma olhada no texto do ipea (clique aqui) compara o desempenho educacional de países com e sem reprovação:

O Brasil se caracteriza por um altíssimo nível de repetência. Apenas Angola tem taxas tão altas quanto as brasileiras. As evidências qualitativa e quantitativa estabelecendo um elo entre a repetência e a evasão escolar são extensas.

No entanto, há pouca discussão no Brasil sobre o impacto da repetência no contexto internacional. O objetivo deste texto é usar os dados de duas avaliações internacionais – em matemática e ciências (Trends in International Mathematics and Science Study, Timss) e em leitura (Progress in International Reading Literacy Study, PIRLS) – para estimar em que medida as políticas de combate à repetência têm impactos negativos sobre o desempenho em testes padronizados.

Para estimar este impacto, usei tanto comparações univariadas dos resultados de países com diversas políticas com relação à progressão continuada, como também análise de regressão na qual cada país
representa uma unidade.

Os resultados mostram que as políticas de progressão continuada não exercem qualquer impacto negativo sobre o desempenho escolar dos alunos. Ao contrário, verifica-se um impacto positivo de políticas de progressão continuada sobre os resultados dos exames, embora estes não sejam significativos devido ao baixo número de observações na amostra.

30/07/2008 - 09:14h Após e-mail vazado, prefeito questiona lealdade tucana


Aliados de Kassab acusam alckmistas que têm cargo no governo de sabotagem

Tucanos mais moderados se queixam da pressão de outros secretários, até do PSDB, para que abracem a candidatura do democrata

CATIA SEABRA – FERNANDO BARROS DE MELLO – FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

 

Gilberto Kassab e Andrea Matarazzo
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O vazamento do e-mail enviado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) a 26 subprefeitos trouxe à tona o racha que hoje assola a Prefeitura de São Paulo. O clima é de suspeição.
Em recentes conversas, Kassab lança dúvidas sobre a lealdade de tucanos com cargo no governo, dizendo-se até traído.
A Folha revelou que Kassab enviou e-mail para subprefeitos pedindo uma “ação” de modo a tentar influir na última pesquisa Datafolha. A mensagem foi enviada em 23 de julho, o primeiro dos dois dias de campo da pesquisa. Kassab (11%) está em terceiro lugar.
Numa reunião com pouco mais de dez pessoas, conta um dos interlocutores, Kassab chegou a listar os subprefeitos, pondo uma interrogação ao lado dos suspeitos de vazamento.
Incentivado a demiti-los, o prefeito não só lembra seu compromisso com o governador José Serra (PSDB) pela manutenção da equipe como diz que os tucanos têm obrigação de defender até o final a gestão da qual participam.
Enquanto democratas acusam alckmistas de sabotagem no governo, tucanos mais moderados se queixam da pressão de outros secretários, até do PSDB, para que abracem a candidatura Kassab. Eles reclamaram da exposição que sofreram com a convocação de um almoço de equipe.
Reproduzindo uma ponderação já feita pelo próprio Serra, o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, tem recomendado que os subprefeitos não façam política. “O melhor que os subprefeitos podem fazer é manter a cidade limpa e em ordem. Não falar de política, nem fazer política. É essa a determinação de Kassab. Sigo à risca”, disse.

“Bem capaz”
Nas conversas, Kassab reconhece que errou ao confiar em 26 destinatários. Ele disse ontem ser “bem capaz” que os subprefeitos tenham visto o e-mail só depois da divulgação.
“Essa é uma questão tão rotineira com os subprefeitos que é bem capaz mesmo que alguns tenham recebido depois”, disse o prefeito, afirmando que o envio de e-mail “foi feito com uma transparência total buscando o melhor para a cidade”.
Kassab negou que haja um distanciamento entre ele e o governador tucano.
“Ainda na semana passada tive quatro encontros com ele”, afirmou. “É evidente que a partir do dia 5 de julho não podemos mais nos encontrar em inaugurações”, acrescentou o democrata.

30/07/2008 - 04:04h Ironia do destino

Kassab na lista suja da AMB provocou um dilema dramático para o prefeito-candidato.

Acontece que sua coligação demo-tucana vinha distribuindo um panfleto que conclamava à população: “NÃO VOTEM EM CANDIDATO LISTA SUJA”.

Coerente com o chamamento do seu partido, Kassab se aprestava a vir a público e proclamar: “NÃO VOTEM EM MIM”.

Coube ao PT e a justiça eleitoral salvar Kassab do haraquiri.

A pedido dos advogados petistas a justiça eleitoral condenou a coligação de Kassab e mandou recolher o panfleto sujo dos demos. LF

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Coligação de Kassab terá de recolher folhetos que atacam Marta Suplicy

O juiz auxiliar da propaganda da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo Claudio Luiz Bueno de Godoy acolheu parcialmente, na última segunda-feira (28/7), representação proposta por Marta Suplicy e pela coligação “Uma Nova Atitude para São Paulo” (PT, PRB, PTN, PC do B, PSB e PDT), e determinou que a coligação “São Paulo no Rumo Certo” (DEM, PMDB, PR, PV, PSC e PRP) recolha os folhetos com propaganda irregular, os quais foram editados e distribuídos, por conter “propaganda negativa” da candidata e identificação inadequada, contrariando exigência da legislação eleitoral. Cabe recurso.

De acordo com o TRE-SP, os 120 mil folhetos editados sugerem anonimato, chegando a parecer sem autenticidade comprovada, mas a identificação aparece no verso do material e ao pé da folha, em letras minúsculas.

Godoy afirma que o texto usado nos folhetos não faz simples remissão às notícias veiculadas sobre a chamada lista “suja”, mas dá “conotação negativa aos candidatos”, utilizando-se de letras grandes em títulos como “Sujou” e “Não votem em candidato lista suja”.

No entendimento do juiz, trata-se de propaganda negativa, ultrapassando o regular exercício do direito de crítica.

Na sentença em primeira instância, a responsabilidade dos folhetos foi creditada apenas à coligação, uma vez que o nome de Kassab não foi mencionado.

Terça-feira, 29 de julho de 2008

30/07/2008 - 00:05h AMB põe Kassab em lista de candidatos com ‘ficha suja’

“Kassab na ‘lista suja’ não muda minha avaliação sobre essa lista, que considero um equívoco”, diz Marta (portal G1 – Globo)

 

AMB põe Kassab em lista de candidatos com ‘ficha suja’

FELIPE RECONDO – Agencia Estado

http://ecomunicacao.files.wordpress.com/2007/11/coletiva-kassab2.jpg BRASÍLIA – O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, foi incluído hoje na lista de candidatos com “ficha suja” divulgada pela Associação de Magistrados Brasileiros (AMB). Kassab responde a uma ação civil pública por improbidade administrativa. Em primeira instância, ele foi condenado, mas recorreu. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reformou a decisão e absolveu Kassab. O Ministério Público (MP) recorreu dessa decisão do TJ-SP e ainda aguarda o novo julgamento.O prefeito de São Paulo ficou de fora da primeira lista da AMB, divulgada na semana passada. A assessoria da AMB explicou que, ao fazer o levantamento dos candidatos com processos na Justiça, identificou a ação contra Kassab como civil pública, sem detalhes. A entidade resolveu deixá-lo de fora porque havia decidido que só entrariam na relação os candidatos que respondessem a ações penais cujo titular é o MP.

“O nome do candidato não constou, num primeiro momento, do levantamento realizado pela AMB em virtude de o site do TJ-SP não ter disponibilizado informações referentes à natureza do processo. No caso desta ação, consta da página na internet apenas a seguinte informação: ação civil pública”, explicou a AMB na lista disponível na internet.

Quando divulgou a primeira lista, sem o nome de Kassab, a AMB enfatizou que havia feito uma análise cuidadosa dos processos existentes contra todos os candidatos. “Para evitar qualquer tipo de erro, nesta primeira parcial dos nomes dos candidatos, a AMB realizou uma sondagem bastante criteriosa, com a checagem individual nos Tribunais de Justiça Estaduais, Tribunais Regionais Federais (TRFs), Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), além do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF)”, informou.

Uma pesquisa mais acurada, porém, mostrou que a ação era por improbidade administrativa. A ação, portanto, estaria dentro dos parâmetros exigidos pela AMB. Kassab responde a processo movido pelo MP, porque em 1997, quando era secretário de Planejamento do então prefeito Celso Pitta, teria se promovido com dinheiro público ao fazer publicidade em jornais de grande circulação para se defender de denúncias feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Títulos Públicos.

29/07/2008 - 17:31h Mais luz no apagão demo-tucano

A imagem “http://nsj.no.sapo.pt/astro/imagens/LuzAmarela2.jpg” contém erros e não pode ser exibida.Favre, vi a reportagem do SPTV sobre a iluminação da cidade. Gostaria aportar algumas informações para completar as que a rede Globo forneceu com muita objetividade.

Como disse Chico Pinheiro, a iluminação pública é a líder do ranking de reclamações da ouvidoria municipal. Não sem razão. Todo o trabalho de recuperação e ampliação da iluminação publica em São Paulo, realizado no governo da prefeita Marta, foi abandonado ou conduzido, como é de hábito neste governo, com muito vagar.

Em 2004 foram licitados 40 mil novos pontos de luz para serem instalados em 2 anos, mas hoje, 4 anos mais tarde, eles mal passam de 20 mil.

Porém, pior é o que ocorreu com o Reluz. Programa de eficiência energética financiado pelo governo federal, que consiste na troca de lâmpadas de mercúrio pelas de sódio, 35% mais econômicas e com maior luminosidade (na reportagem da Globo esta troca de lâmpadas é mostrada na Av. Rebouças). Pois bem, apesar da obstrução demo-tucana no Senado, querendo impedir que São Paulo à época da prefeita Marta pudesse ter esse financiamento, ele foi assinado em 2004, e previa a troca de mais de 420 mil pontos de luz. Passados quatro anos, também a cidade paga pela incompetência demo-tucana nesse quesito.

trocaram pouco mais de 100 mil lâmpadas e não conseguiram levar adiante o programa que acabou parado.

O motivo? É que a prefeitura de São Paulo está INADIMPLENTE com a Receita Federal.

O acordo da dívida (aquele assinado pelo Pitta e por FHC) exige que 13% de todas as receitas correntes da prefeitura sejam pagas mensalmente como amortização da dívida do município com a União. Ocorre que no inicio da gestão demo-tucana em São Paulo, a administração das contas bancárias da prefeitura foi leiloada e arrematada por 500 milhões de reais pelo Itaú, e portanto a Prefeitura devia pagar a União o equivalente de 65 milhões. Eles não pagaram e a Receita está cobrando e até eles não regularizarem a situação o dinheiro do Reluz não vêm para a cidade. Vale lembrar que o financiamento do Reluz é de mais de 150 milhões de reais.

No governo do Estado, com a aquisição das contas por 2 bi pela Nossa Caixa, Serra ao contrário de Kassab, pagou 270 milhões de reais ao governo federal e o Estado tem sua situação normal com a Receita Federal.

Pois é os demo-tucanos, que deixaram o país no apagão, repetem a dose na prefeitura de São Paulo. A população é que paga a conta deste descaso.

Vereador Antonio Donato (PT)

29/07/2008 - 13:57h TV Globo põe luz sobre o apagão demo-tucano em São Paulo

29/07/2008 - 13:44h Cobranças externas e internas afetam evolução profissional da mulher

A imagem “http://www.fcc.org.br/imagens/mbet01.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Maria Vianna – O Globo

RIO – A sensação de que as mulheres que alcançam cargos de chefia precisam provar não só sua competência, mas que também são melhores que seus colegas do sexo masculino não é apenas impressão. Pesquisa feita pela pela Universidade de Brasília (UnB), mostra que, em setores dominados por homens, elas precisam trabalhar mais do que eles se quiserem evoluir na carreira, além de serem avaliadas com mais dureza quando alcançam cargos altos.

- Sem dúvida, o mercado de trabalho vem melhorando para a mulher, mas ainda existe um preconceito em relação à competência delas, principalmente em mercados ou profissões essencialmente dominadas por homens. As mudanças não acontecem da noite para o dia, e mesmo quando as pessoas dizem que a competição entre um homem e uma mulher é igual, ela não é – avalia a professora de psicologia clínica Maria Luiza Bustamante, do Insituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uerj).

” Mesmo quando as pessoas dizem que a competição entre um homem e uma mulher é igual, ela não é (Maria Luiza Bustamante, psicóloga) “

A professora cita como exemplo a recente disputa entre os senadores Hillary Clinton e Barack Obama para a vaga de candidato democrata nas eleições americanas.

- A Hillary era mais experiente, tinha mais conhecimento e uma carreira com mais conquistas, mas, por ser mulher, foi avaliada de forma bem mais dura pela imprensa, pelos eleitores e pelo partido – avalia a psicóloga.

A economista Hildete Pereira, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), discorda que as mulheres sejam sempre mais pressionadas e exigidas do que os homens.

- A cobrança é alta, mas tanto para os homens quanto para as mulheres. A competição acirrada é causada pelo mercado cada vez mais difícil. O homem tem seu complexo de Super-Homem e ela quer ser a Mulher Maravilha – acredita Hildete.

Porém, a especialista concorda que muitos empregadores e colegas ainda têm um pouco de preconceito contra mulheres que optam por não ter filhos e preferem se dedicar à carreira e a outros interesses. Em pesquisa feita por ela com mulheres brasileiras, dados apontam que 44% das mulheres que chegam a cargos de gerência acabam não tendo filhos.

- Quem almeja por um cargo executivo precisa fazer sacrifícios. Isto vale tanto para ele como para ela. Depende de cada um decidir o que quer abrir mão em nome da carreira – completa.

Cobrança pelo sucesso começa cedo

http://brasil.business-opportunities.biz/wp-content/uploads/2007/03/woman.jpgAlém das cobranças externas, as mulheres também acabam estressadas no ambiente de trabalho por conta de exigências internas. Comportamento que, segundo psicólogos, costuma ser construído na infância. Uma pesquisa feita pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, mostrou que as adolescentes já reagem de forma mais intensa a fracassos escolares. O estudo, publicado no Journal of Adolescent Health deste mês, mostrou que elas são mais sensíveis às expectativas e que tanto o medo das notas baixas como suspensões e avaliações negativas dos professores podem levá-las a sofrer de depressão no início da vida adulta.

” Depende de cada um decidir o que quer abrir mão em nome da carreira (Hildete Pereira, economista) “

Só que nada disso deve servir de justificativa para abandonar o mercado de trabalho, acredita a psicóloga da Uerj. Para ela, as mulheres sofrem mais do que os homens quando começam investir na carreira porque têm que tomar decisões mais difíceis do que eles.

- A mulher que quer ter filhos inevitavelmente vai ter que lidar com questões do tipo ‘qual o melhor momento para engravidar’ e vai ter que aprender a conciliar a vida familiar com a profissional de uma forma diferente do homem. Porém, as dificuldades enfrentadas por elas não devem ser motivo para não investir na carreira. Hoje, a mulher que não tem uma profissão certamente sofre mais do que uma que trabalha. Os valores estão mudando. As que não trabalham costumam se sentir bem mais desvalorizadas e deslocadas do que aquelas que trabalham duro – acredita Maria Luiza Bustamante.

29/07/2008 - 12:50h Bolsa Família oferecerá qualificação profissional no setor de construção civil


Cursos serão oferecidos a 185 mil pessoas em 240 cidades, onde já existem vagas de empregos

http://www.uniblog.com.br/img/posts/imagem33/330495.jpgA imagem “http://www.fetraconspar.org.br/informativos/2008/1382_22_01_08_03.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

O governo federal inicia nesta semana o contato com governos estaduais e prefeituras de 240 municípios, de 12 regiões metropolitanas, para colocar em prática o Plano Setorial de Qualificação (Planseq Bolsa Família). A meta é capacitar 185 mil beneficiários do Bolsa Família como operários da construção civil. “É para que as pessoas possam ganhar o seu sustento pelo seu trabalho, sem precisar da ajuda do governo, ou seja, quanto mais gente trabalhar, mais porta de saída do Bolsa Família vai acontecer em nosso país”, afirmou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesta fase, 1.200 gestores municipais e estaduais da assistência social e do Bolsa Família e coordenadores dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) receberão informações sobre o Planseq Bolsa Família. O objetivo é inserir os beneficiários, por meio da qualificação social e profissional, nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em ocupações como as de pintor, azulejista, encanador, carpinteiro, mestre-de-obras, desenhista, eletricista, operador de trator, gesseiro, auxiliar de escritório e almoxarife. O setor da construção civil foi escolhido, inicialmente, por estar em plena expansão no País.

Para a secretária-executiva do MDS, Arlete Sampaio, a idéia é priorizar a autonomia financeira de famílias em situação de vulnerabilidade social. “Entre os fatores que levam as pessoas a essa situação estão o baixo nível de escolaridade e a falta de qualificação profissional. Estamos mobilizando os beneficiários para que ao menos um membro da família participe dessa atividade”.

Segundo o secretário de Articulação Institucional e Parcerias do MDS, Ronaldo Garcia, a expectativa é que todos os capacitados sejam contratados. “O emprego no setor está crescendo velozmente, mais de 20% ao ano e há uma carência de trabalhadores qualificados.” A contratação será pelo piso da categoria, em torno de R$ 600. “Entendemos que isso é apenas o início, o primeiro passo rumo ao ingresso no mercado de trabalho.”

Com a capacitação, o governo pretende ampliar as oportunidades de inclusão produtiva, adequar os cursos de qualificação às necessidades locais, estimular a articulação entre os setores de trabalho e assistência social e atender à demanda do mercado por mão-de-obra qualificada. Os investimentos somam R$ 145 milhões.

Mobilização – Os encontros com os gestores serão realizados no período de um a cinco dias, dependendo da quantidade de municípios por região metropolitana. Após a etapa de preparação dos gestores, a qualificação profissional dos beneficiários do Bolsa Família está prevista para começar em setembro.

Nesta segunda-feira (28) começaram os encontros com gestores dos municípios das regiões metropolitanas de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Fortaleza (CE). No dia 30 de julho, é a vez das cidades que compõem a Grande Porto Alegre (RS). Já na quinta-feira (31), as reuniões acontecem com os municípios das regiões de Recife (PE) e Campinas (SP).

Em 4 de agosto, a mobilização envolverá as regiões metropolitanas de Curitiba (PR), Salvador (BA) e da Baixada Santista (SP). No dia seguinte (5), as reuniões serão em Belém (PA). Na quinta-feira (7), é a vez de Manaus (AM) e do Distrito Federal e o seu entorno. Na grande Belo Horizonte (MG) o início é dia 11.

Cursos – Para participar do Planseq Bolsa Família, o beneficiário deve ser maior de 18 anos e possuir pelo menos a 4ª série do ensino fundamental completa. Será assegurada a participação de, no mínimo, 30% das mulheres. Também será levado em conta o Índice de Desenvolvimento da Família (IDF). As famílias com beneficiários nesse perfil irão receber uma carta do governo federal que explica o Planseq Bolsa Família e solicita a indicação de um de seus integrantes para se cadastrar no Sistema Nacional de Emprego (Sine), do MTE, com o objetivo de participar dos cursos.

Os cursos de qualificação, realizados por instituições contratadas pela União, Estados e municípios, terão duração de 200 horas/aula divididas em duas etapas: 80 teóricas e 120 de prática.

O Planseq Bolsa Família é conduzido pela Casa Civil da Presidência da República e pelos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Trabalho e Emprego (MTE). Fonte em questão

29/07/2008 - 12:30h Acessibilidade e informação são desafios para pessoas com deficiência

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Agência Brasil – JB

BRASÍLIA – O Brasil precisa de cidades acessíveis, de escolas inclusivas e de mais informação sobre direitos para pessoas com deficiência. Os desafios foram listados na durante abertura da Segunda Reunião do Comitê para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas com Deficiência da Organização dos Estados Americanos (OEA).

No encontro, que começou nesta última segunda-feira e vai até sexta-feira (1º), representantes de 34 países das Américas se reúnem para avaliar e monitorar as políticas de combate ao preconceito contra pessoas com deficiência e a implementação da chamada Convenção da Guatemala.

Para o presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, Alexandre Baroni, nos últimos anos o Brasil “avançou a passos largos” no respeito às pessoas com deficiência, mas a falta de informação ainda é um entrave para o acesso aos direitos.

- É preciso uma ação muito grande de informação, porque muitas pessoas com deficiência, e suas famílias, ainda não conhecem os seus direitos e, por conseqüência, [têm esses direitos] violados, não porque querem, mas porque os desconhecem – disse.

Segundo Baroni, é preciso incluir a questão da pessoa com deficiência na agenda política dos governos com garantia de investimentos.

- Porque muitas vezes a política sem o recurso não vale – completa.

O secretário especial de Direitos Humanos em exercício, Rogério Sottili, citou os avanços do país nesse segmento, como a recente ratificação da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, mas reconheceu que o Brasil ainda deve muito a esses cidadãos.

- Devemos cidades acessíveis, escolas inclusivas, que sejam acessíveis, hospitais acessíveis e, acima de tudo, o respeito que as pessoas com deficiência merecem. Muito já foi feito, mas a demanda reprimida é de séculos, é um país injusto. As pessoas com deficiência sempre foram vistas como um problema para a sociedade, para o desenvolvimento do país e isso se desmonta com muita luta da sociedade civil e determinação dos governos – disse.

Vítima de paralisia infantil aos três anos, a analista de gestão Flávia Vital, que participa do encontro da OEA como representante da sociedade civil, lembrou que mesmo em áreas em que o país já avançou na legislação, como a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, é necessário aperfeiçoamento.

- Hoje em dia, com a Lei de Cotas, as pessoas com deficiência dificilmente fazem parte do plano de carreira da empresa. Contratam a pessoa com deficiência para cumprir a legislação e colocam ela no subemprego. Argumentam que não [há] pessoas qualificadas, mas no nosso país a falta de capacitação não é uma característica da pessoa com deficiência, é só olhar os dados do Ministério da Educação -.

Representante do Movimento de Vida Independente, Flávia relatou que na maioria das empresas a necessidade de modificações de infra-estrutura ou compra de materiais para garantir acessibilidade a pessoas com deficiência são vistas como custos e não como investimentos.

Ao final do encontro, especialistas vão indicar quais foram os avanços e as próximas ações a serem desenvolvidas no combate ao preconceito contra as pessoas com deficiência em cada um dos países signatários da Convenção.

29/07/2008 - 12:07h Exagero

VALOR

Do ponto de vista econômico, o Brasil mudou (e para melhor) desde 1994, quando se iniciou o bem-sucedido Plano Real. Do ponto de vista político-social a mudança (também para melhor) já havia começado com a Constituição de 1988. Ela talvez tenha sido muito generosa, o que tem exigido um aumento de carga tributária que certamente não estimula o crescimento. Em compensação, tem permitido um processo redistributivo que dá aos cidadãos o sentimento de que cresce a igualdade de oportunidade, condição necessária para a ratificação e continuidade, nas urnas, de uma boa política econômica.

Os principais indicadores mostram que somos hoje uma economia normal. Nos últimos três anos registramos: 1) um crescimento médio do PIB de 4,1%; 2) uma taxa média de inflação de 4,4%; 3) um saldo médio em conta corrente de US$ 9,8 bilhões (1% do PIB); e 4) uma redução anual da relação dívida/PIB de 1,3%. Em 2007 crescemos 5,4%, com uma inflação de 4,5% e com um saldo em conta corrente ligeiramente positivo (0,1% do PIB). São todos sinais vitais de uma economia que se prepara para crescer robustamente. O fator que destoa desse quadro é a nossa teratológica taxa de juro real. Ela é há muitos anos a campeã ou vice das quantas que vigem no mundo civilizado. A figura abaixo mostra a barbaridade.

A única explicação plausível para esse fato – que nega todas as mais sofisticadas, que acabam não sendo “explicações”, mas apenas “justificações” – é que, num ato de desespero diante de uma crise externa, escolhemos um arriscado mecanismo de financiamento da dívida interna, que nunca mais tentamos seriamente corrigir. Tudo muito ligado à oportunista valorização do câmbio de 1995-1998 (com taxas de juros reais de 20% ao ano!) para a redução da taxa de inflação. É esse extravagante nível da taxa de juro real que torna problemática a nossa política monetária.

Estamos agora diante de uma inflação planetária produzida pela conjugação de vários fatores: 1) uma enorme desvalorização da unidade de conta do comércio internacional, o dólar americano; 2) uma expansão dos emergentes (China, Índia e seus satélites), facilitada pelo próprio déficit em conta corrente dos EUA, que desequilibrou a oferta e a procura mundiais de alimentos, metais e petróleo e elevou seus preços; e 3) uma política monetária laxista dos bancos centrais dos países desenvolvidos que, além do mais, não controlaram a imoralidade implícita nos incentivos construídos pelas sofisticadas inovações do seu sistema financeiro. A inflação planetária é confirmada pela tabela abaixo, onde se revela a taxa de inflação anual média entre 1996 e dezembro de 2006, comparada com a de janeiro de 2007 a maio de 2008 em países desenvolvidos, que representam mais de 50% do PIB mundial. Como a inflação é global, é claro que seu controle exigirá um compromisso entre todos os bancos centrais.

É preciso lembrar que o Brasil beneficiou-se largamente de sua integração mundial e que, portanto, o preço dos seus bens transacionáveis são fixados no mercado internacional e internalizados pela taxa de câmbio flutuante. Quando a taxa de juros real interna é parecida com a internacional, esse mecanismo é bastante razoável. A inflação de hoje em um país particular é em parte “importada”, mas pode também ser adicionalmente (ainda que não necessariamente), estimulada por um excesso de demanda interna. Isso torna mais difícil e delicada a tarefa de um Banco Central responsável, que precisa manter a taxa de inflação dentro da “meta” sem desatentar para as conseqüências do seu excesso de zelo sobre o nível de atividade produtiva, do emprego e do equilíbrio fiscal, que no Brasil é cada vez mais precário.

Tudo bem considerado e ponderado, não parece impróprio questionar como extravagante o recente aumento da nossa taxa Selic em 75 pontos. Ele pareceu mais o resultado de uma necessidade infantil de afirmação de independência da autoridade monetária, estimulada pelas espertas “tesourarias” que a candongam. Se há dúvidas sobre tal demonstração para reforçar uma falsa “credibilidade”, não há dúvida sobre seu objetivo: aprofundar a já desastrosa valorização do real. É apenas o mesmo expediente oportunístico de controlar a taxa de inflação à custa da higidez do sistema produtivo e do futuro equilíbrio fiscal. Diante de tanta incerteza, a virtude exigiria um pouco mais de paciência e conservadorismo: 50 pontos estaria de bom tamanho, até que os outros bancos centrais explicitem o que vão fazer…

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

29/07/2008 - 10:25h Kassab esgotou sua cota de erros

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Blog de Ricardo Noblat

Salvo um novo mandato, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) nada tem a perder se for derrotado em outubro próximo.

Ele jamais disputou uma eleição majoritária. E até virar vice de José Serra e depois prefeito na vaga dele, era conhecido como um deputado jovem e muito hábil, apenas isso.

Montou uma poderosa coligação de partidos para tentar se reeleger. Tem mais tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão do que seus adversários Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Se fizer uma boa campanha, mesmo que perca, sairá da prefeitura maior do que entrou. Serra não o deixará ao relento. Precisa do DEM para aspirar à sucessão de Lula.

O que Kassab não pode é incorrer em novo desastroso erro político como esse de se valer do seu cargo para tentar influir nos resultados de uma pesquisa de intenção de voto.

Na semana passada, ele usou seu e-mail pessoal para cobrar dos 26 subprefeitos da cidade a identificação dos locais onde os entrevistadores do Instituto Datafolha ouviriam eleitores. Orientou-os a promover “uma ação” em tais locais.

Que ação? Segundo ele, qualquer coisa, até mesmo chamar a polícia, para impedir que partidários Marta provocassem tumulto e impedissem a livre manifestação dos entrevistados.

Menos, Kassab, menos. O mais provável é que o objetivo da tal “ação” fosse influenciar os entrevistados para que declarassem voto a favor do prefeito.

O Datafolha ouviu 1.099 pessoas nos dias 23 e 24 últimos. O e-mail foi enviado no fim da tarde do dia 23.

A pesquisa apontou Kassab em terceiro lugar com 11% das intenções de voto. Marta (36%) e Alckmin (32%) estão tecnicamente empatados.

Há um axioma que os marqueteiros amam repetir: ganha eleição quem erra menos e não quem acerta mais.

Kassab já esgotou sua cota de erros. Outro de tal magnitude o remeterá de vez pelo ralo.

Ricardo Noblat