As razões da paixão

VALDO CRUZ - FOLHA DE SÃO PAULO

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BRASÍLIA - Não me recordo na história recente de uma personagem da vida político-empresarial ter despertado tanto amor e ódio como o banqueiro Daniel Dantas, criando zonas de conflitos no Executivo, Judiciário e Legislativo.
Empresário de estilo agressivo e métodos controversos, Daniel Dantas levou ao campo de batalha figuras como Gilmar Mendes, Tarso Genro, juízes, policiais federais, procuradores e parlamentares de todos os partidos.
Com uma ou outra exceção, defesas e ataques à ação da PF e do juiz Fausto de Sanctis, que prenderam o banqueiro, se manifestaram em estilo apaixonado, muitas vezes sem a sobriedade exigida a julgamentos imparciais. Diria que principalmente os ataques.
Criou-se, com esse estilo estridente e belicoso, o risco de perdermos o foco no essencial. O resultado, considerado até aqui eficiente e bem-sucedido, das investigações da PF sobre um esquema fraudulento.
Clima que interessa a muita gente. Começando pelo próprio Daniel Dantas, indo até aqueles que participavam de seu círculo de relacionamentos, temerosos de que surjam novas revelações, como doações irregulares para campanhas políticas e aplicações ilegais de dinheiro no exterior.
Não há como escapar da conclusão de que o clima de paixão, em muitos casos, foi calculado. Uma tática diversionista para usar o lateral e contaminar o núcleo, evitando assim o aparecimento de novos escândalos ligados ao principal. Há mais interesses em jogo do que se possa imaginar.
Chefe da PF, o ministro Tarso Genro parece ciente desse risco. Se faz reparos e condena o modo de montagem e execução da operação, não deixa de elogiar a competência do mesmo delegado responsável pelos deslizes, como os que permitiram cenas de um Celso Pitta sendo preso de pijamas.
Sinaliza assim que os trabalhos seguirão. Mesmo a contragosto de alguns aliados e amigos.

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2 COMENTÁRIOS PARA "As razões da paixão":

Comentado por Oliveria em 14/07/2008 - 17:26h:

É preciso deixar bem claro de que lado este blog está, se quiser ter credibilidade. Cada parágrafo aqui aponta para um lado diferente… Tipo: a letra K, a cor cinza, a resposta + ou - as expressões `em cima do muro’, `um olho no padre outro na missa´, `nem tanto a Deus, nem tanto a terra´, e por aí vai. Meu caro, quem assume se expor, tem que dizer a que veio. Não se coloca a cabeça de fora sem pagar um preço, se for o caso. Os desavisados ficam doidos ou adotam o modelo e aqueles que têm mais de um neurônio, diz adeus e vai embora!

Comentado por jair h pereira em 14/07/2008 - 21:50h:

Continuo não entendendo a postura deste blog,se for de defesa do Daniel Dantas e contra a policia federal,bem,ai vou ter que seguir outro rumo, e lamentar todo o meu tempo perdido, andando na direção errada. vou aguardar a sequencia…

 

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