Campanha suja em lista
Alertado por Rafael, leitor deste blog, reproduzo a seguir a nota de Gilberto Dimenstein. A nota de Eliane Cantanhêde e meus comentários já foram publicados aqui. LF
Ficha suja está suja
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Não há o menor problema na divulgação da lista de processos que envolvem os candidatos, acionados pelo Ministério Público. Muito pelo contrário: o eleitor tem o direito de saber sobre a vida dos candidatos, a começar de suas pendências jurídicas. É ótimo para a transparência política e, mais ainda, para o cuidado com os recursos públicos. O problema é que, como foi colocada (e a mídia tem uma dose de culpa), a ficha suja nasce suja.
Quando se fala em ficha suja a suposição óbvia é de que quem está ali já está culpado. Ou seja, está sujo. E, claro, isso não é necessariamente verdade. É como se todos aqueles políticos fossem criminosos –e, pior, tivessem cometidos crimes semelhantes, na visão do cidadão. A visão geral é a de que todo político é ladrão, ainda mais se forem colocados numa lista feita por juízes.
Na prática é como se o indiciamento já fosse a sentença final –é, enfim, como se já tivessem sido condenados sem julgamento final. Duvido que qualquer magistrado, por mais desequilibrado, defenda a idéia de que alguém pode ser condenado sem julgamento. Fosse assim, nem haveria necessidade de juízes.
Do jeito como está colocado, um bom serviço à democracia –a divulgação da vida do candidato– mais pode confundir do que esclarecer, colocando num mesmo saco gente séria e larápios.
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Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.E-mail: palavradoleitor@uol.com.br |
5 COMENTÁRIOS PARA "Campanha suja em lista":
Só tem um detalhe que o mal-intencionado do Dimenstein esqueceu: a lei eleitoral para as eleições desse ano foi aprovada no ano passado e nela não se previa a divulgação de lista nenhuma. Se quisermos que haja publicações de tais tipos temos que pressionar os congressistas. Mas num Estado Democrático de Direito é a lei quem dá as regras do jogo eleitoral e não há regra nesse sentido…
É apenas mais um abuso anti-democrático e ilegal.
o problema desta lista esta no alarde que foi feito pela mídia e no nome ”lista suja” isso é prejulgamento.
Agora, vejamos as provas, “disse o Rei”,
“e então veremos a sentença”
“Não!” disse a Rainha,
“primeiro a sentença,
depois a prova!”
Que bobagem! Gritou Alice, tão alto que todo mundo se
sobressaltou,
“que idéia querer
a sentença
primeiro!”
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Caro Favre,
Não compartilho de seu otimismo, lamento. O estrago feito por essa publicação tendenciosa é irreversível. Melhor dizendo, vamos conviver com esse ítem de campanha suja até quem sabe o segundo turno. Aí sim veremos se temos ou não garrafa vazia para vender. Nesse aspecto sou otimista quanto ao que fazer a partir de agora.
Sugestão para a campanha: INFORMAR, INFORMAR, INFORMAR. É a mesma regra aplicada por Felini quando perguntado o que era preciso para fazer cinema. Ele respondeu: massari, massari, massari. Ou para o bom inglês - money, money, money.
Sugiro montagem de grupos de informação. Não é dificil. É necessário uma central de que edite informações sobre todos os aspectos de uma administração pública e duante os longos dias que nos separa do segundo turno - fazer circular essas informações. NÃO PROPAGANDA. Essa é tarefa para a militância mais aguerrida.
saudações - Jair Alves - dramaturgo - ~Capital

Raramente concordo com este rapaz, mas evidentemente ele tem razão.