Kassab, linha auxiliar de Alckmin?

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Não tive tempo de reproduzir e comentar o artigo do jornal O Estado de São Paulo (ver no final desta nota) sobre a tentativa de unificação entre Alckmin e Kassab, para pacificar o PSDB e “fazer de José Serra o grande vitorioso da eleição municipal”. Não é o primeiro, nem será o último dos artigos que pretendem, na base de declarações dos próprios interessados nesta operação (no caso Alckmin, mais que Serra), que a crise no PSDB é um problema de vontade dos protagonistas em aparentar estar bem na foto.

Por um lado é bom salientar que o que os une é a comum vontade de impedir uma vitória de Marta. Por isso o eixo da campanha de Kassab é atacar e agredir Marta. Este trabalho que mistura mentiras, calúnias, demagogia e deboche teve até agora como resultado aumentar a taxa de rejeição de Kassab e não o ajudou nem um pingo em melhorar sua situação nas pesquisas.

Ao mesmo tempo, assim agindo, Kassab funciona como linha auxiliar de Alckmin que pode continuar posando de “bom moço” e como o melhor candidato para conseguir o que Kassab parece querer mais que tudo: derrotar Marta. Como se vê, a linha atual de Kassab unifica o campo da centro direita em favor de Alckmin e por isso o ex-governador está bem na atual situação. O único incomodo para ele é a persistência da fração pro-Kassab no PSDB que alimenta uma erosão na sua credibilidade (e no apoio financeiro entre os empresários que não querem aparecer chocando com Serra). Para calar a boca deles Alckmin acena com uma declaração de alinhamento com Serra e este é o intuito do artigo de hoje no Estadão.

De outro lado, o processo em curso no pais e o fato de Lula não poder pleitear por um novo mandato, abre um processo de reestruturação político-partidária que por enquanto só Aécio Neves parece ter percebido. Não deixa de ser uma ironia da história que não seja José Serra, historicamente identificado com a esquerda tucana, e sim um centrista sem muita consistência como Aécio, que apareça como capaz de construir pontes. Certo, por enquanto limitados a Minas Gerais e ao grupo de Alckmin, mas com movimentos em relação a Ciro e ao PMDB.

Já Serra consolidou um acordo nos marcos de São Paulo, saudado com exagerado entusiasmo pela sua mídia afim, mas que não resistirá a uma vitória de Alckmin nas eleições municipais. Pior, no seu apoio a linha anti-PT do seu candidato Kassab, ele aumenta a rejeição a sua figura nas fileiras petistas e nada ganha no campo em que Alckmin se movimenta. A persistência desta orientação fará de Serra o principal derrotado desta eleição. O desfecho terá sido produto de sua hesitação entre duas orientações contraditórias: impedir a vitória de Alckmin e da direita do seu partido e querer ao mesmo tempo rejeitar e destruir Marta Suplicy e o PT. E pior, tentar isto com alguém como Kassab, do DEM, pouco preparado e sem jogo de cintura para tamanho desafio.

Mas a derrota pode virar verdadeira catástrofe se, em pânico, Serra fizer marcha re e abandonar Kassab no meio do caminho, para tentar uma hipotética tábua de salvação nas mãos de Alckmin. Como Serra não tem vocação para o suicídio, penso que a manobra e o desejo de Alckmin não serão correspondidos. Veremos…

Luis Favre

Artigo do jornal O Estado de São Paulo

FHC reúne Serra e Alckmin

Tucanos traçam estratégias para enfrentar Marta, entre elas dar fim a confrontos com Kassab

Carlos Marchi - O Estado de São Paulo


O governador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin concordaram, numa conversa articulada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, que a petista Marta Suplicy está “nadando de braçada” na campanha municipal, crescendo nas pesquisas e, de quebra, aproveitando o palanque para criticar os governos do Estado e da prefeitura, sem que haja um contraponto eficaz. E combinaram três pontos que pretendem mudar o direcionamento da campanha para a Prefeitura de São Paulo.

Na conversa, que ambos classificaram de “excelente”, eles concordaram em que é preciso eliminar os confrontos entre Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab; que ambos vão defender o governo Serra de ataques feitos por Marta; e que os dois - Alckmin e Kassab - devem privilegiar, daqui por diante, suas propostas para a cidade.

A conversa, que aconteceu segunda-feira à noite no Palácio dos Bandeirantes, deixou os dois satisfeitos. Alckmin disse a correligionários que foi “a melhor conversa que teve com Serra em muito tempo”; Serra contou a amigos que a conversa foi “muito boa”. “Ajudou bastante”, comentou ontem Guerra, revelando que o encontro reduziu as tensões entre os dois e seus reflexos no partido.

Segundo relato de tucanos, Serra afirmou que “o verdadeiro adversário é o PT”, repetindo argumento que Alckmin usa para justificar sua candidatura, desde o momento em que resolveu se lançar. O ex-governador, naturalmente, concordou. Serra foi franco: disse que a disputa entre Alckmin e Kassab está sobrando para ele, já que Marta aproveita a campanha municipal para criticar o governo estadual, que fica exposto, sem defesa.

A amigos, Alckmin disse que, mais que satisfeito, ficou surpreendido com a firmeza de Serra, que lhe ofereceu ajuda na campanha e disse que vai apoiá-lo, embora tenha compromissos com Kassab, a quem incentivou concorrer antes de ele, Alckmin, se lançar candidato.

“Foi uma conversa muito redonda”, disse, a propósito, um aliado de Alckmin. Os dois tinham conversado 15 dias atrás, mas os resultados, na ocasião, foram bem mais modestos. A nova conversa nasceu a partir de um convite de Serra para que Alckmin, ocupante anterior do Palácio dos Bandeirantes, fosse encontrá-lo.

O governador foi convencido a chamar Alckmin por insistentes conselhos dados por Fernando Henrique, que recrutou Guerra para ajudá-lo na tarefa. O argumento dos dois para dobrar Serra foi que o PSDB precisa sair unificado da eleição municipal, e ele, Serra, vitorioso, para que possam chegar bem no grande embate presidencial de 2010.

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