O ensaio mineiro das eleições presidenciais

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Aécio Neves, Fernando Pimentel (atual prefeito), Marcio Lacerda e Ciro Gomes em campanha no Mercado Central de Belo Horizonte

Editorial – VALOR

Por enquanto, a inédita coligação em Belo Horizonte, que uniu os dois partidos que tradicionalmente polarizam a eleição, PT e PSDB, em torno de um candidato do PSB que em outra hipótese não teria chance alguma, produziu apenas um candidato obscuro cercado de estrelas por todos os lados. Márcio Lacerda (PSB) desfilou anteontem seu terceiro lugar nas pesquisas ladeado pelo governador Aécio Neves (PSDB), pelo atual prefeito Fernando Pimentel (PT) e pelo deputado Ciro Gomes (PPS) como aquele que pode vir a ser uma criatura política concebida pela transferência direta do prestígio pessoal do governador e do prefeito. A aposta é a de que ambos têm substância eleitoral suficiente não apenas para transformar os 60% dos indecisos em votos favoráveis, mas para fazer da eleição de Lacerda um dado definitivo no jogo eleitoral de 2010, quando se estará decidindo a Presidência da República.

O cearense Ciro Gomes entrou no jogo mineiro por absoluta falta de opções. Por quase seis anos, foi a promessa de candidatura presidencial que aglutinaria todo o bloco governista por obra e graça de um apoio pessoal de Lula, que acenou com essa possibilidade até ceder – à sua maneira – à opção do PT por uma candidatura própria. Também o presidente Lula passou a apostar unicamente na força de seu prestígio – tanto no PT quando junto ao eleitor – para transformar uma ministra técnica, a da Casa Civil, Dilma Rousseff, em sua sucessora. Abrigado num pequeno partido e com chances cada vez mais remotas de coligação com o PT em 2010, Ciro tem que aumentar o seu cacife para ter algum poder de negociação na sucessão de Lula. A vitória do candidato de seu partido em Belo Horizonte é um dado importante, e uma aposta que o une a Aécio, um ex-colega de PSDB – Ciro foi um dos fundadores do partido e saiu batendo a porta no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A capital mineira tornou-se uma peça importante no jogo sucessório nacional por falta de opção. Aécio Neves tem que encontrar um caminho próprio que não passe por São Paulo, onde tem um adversário interno declarado, o governador José Serra, e um que pode sempre ser um postulante a qualquer cargo, Geraldo Alckmin. As eleições de BH tornaram-se um modelo do que seria o ideal para ele em 2010: uma aliança entre ele, o PT e o PSB que isole postulantes paulistas; e um acerto com Ciro Gomes, que pode lhe valer uma visibilidade no Nordeste que hoje não tem.

No meio dessa porção de interesses políticos que se projetam a 2010, existe o eleitor da capital mineira. Por enquanto, não é possível dizer que ele vá referendar o projeto político de seu governador e do seu prefeito – este, interessado, no momento, em definir sua hegemonia sobre o diretório mineiro do PT. Os dados objetivos não permitem nenhuma aposta: Jô Morais, do PCdoB, tem hoje o primeiro lugar nas pesquisas, mas é também a mais conhecida do eleitor – e não começou o horário eleitoral gratuito, que apresentará o desconhecido Lacerda e tentará converter o alto grau de aprovação das administrações de Aécio e Pimentel em votos a favor dele. De outro lado, o alto índice de indecisão, e o fato de nenhum dos candidatos a prefeito ter um peso próprio que garanta um claro favoritismo, dá chances a Lacerda de ganhar apenas apresentando ao eleitor o aval de seus apoiadores. Conta também a favor do candidato do PSB, registra uma pesquisa do Instituto Vox Populi, um alto índice de aprovação do eleitorado à aliança entre PT e PSDB, que o apóia.

Se Jô Moraes ganhar, ninguém ganha grandes coisas junto com ela. Se Lacerda perder, perdem Aécio, Pimentel e Ciro Gomes – e a maior chance de a sucessão presidencial sair do círculo de influência paulista. Nessa circunstância, é de se esperar que pelo menos as duas lideranças mineiras joguem todo o seu prestígio e poder não apenas para conseguir votos para Lacerda, mas para conter dissidências. A máquina municipal do PT, sob influência do prefeito, abriu processo na Comissão de Ética contra todos aqueles que declararam apoio público à candidata do PCdoB. É só o começo. O jogo tende a ser pesado – e se for pesado demais, pode ter o efeito contrário e favorecer Jô Morais, numa eleição onde nenhum candidato tem uma fatia de liderança própria – e onde, teoricamente, qualquer vitorioso será um azarão.

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1 COMENTÁRIO PARA "O ensaio mineiro das eleições presidenciais":

Comentado por rafael j em 13/08/2008 - 15:25h:

Fernando Pimentel parece confortável com essa camisa azul.

 

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