Vergonha!

EDITORIAL JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO

As verbas do Samu

O Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) da cidade de São Paulo deveria ter recebido investimentos de R$ 168,2 milhões desde 2005, mas, desse total, apenas R$ 16,7 milhões foram efetivamente utilizados. Há pouco mais de um ano, o Estado noticiou que pelo menos R$ 35 milhões das verbas destinadas pelo Ministério da Saúde para financiamento dos serviços de socorro urgente a doentes e vítimas de acidentes estavam aplicados no mercado financeiro, enquanto o atendimento de urgência de doentes e acidentados demorava três vezes mais do que o recomendado pelos organismos internacionais. Faltavam motoristas, médicos, enfermeiros e ambulâncias em bom estado de conservação, embora sobrasse dinheiro. A frota de ambulâncias era de 137 veículos, que atendiam, em média, a 800 casos por dia. O tempo de espera variava entre 30 e 40 minutos.

Há quatro meses, a Prefeitura anunciou redução de 50% no tempo de espera, apesar de o número de chamadas ter chegado a 1,4 milhão entre março de 2007 e março de 2008. Os atendimentos estariam sendo feitos em tempo médio de 18 minutos, graças, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, às melhorias na gestão interna do Samu (que teve cinco diretores em dois anos), à distribuição da frota de ambulâncias por 57 bases instaladas em diversas regiões do Município – no início de 2005, havia 34 bases na cidade – e à adoção de um modelo de manutenção preventiva, que reduzia a ocorrência de problemas mecânicos nos veículos.

Afirma o coordenador da Autarquia Hospitalar Municipal e do Samu, Paulo Kron, que o Samu “dobrou o número de médicos, de ambulâncias e de bases”. Não é o que se tem registrado na imprensa e nas notícias divulgadas no portal da própria Prefeitura. Há anos, o tamanho da frota do Samu é o mesmo e, segundo reportagem publicada no sábado pelo Estado, 1 em cada 5 veículos tem permanecido parado para manutenção. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, pelo menos 30% das ambulâncias do serviço de atendimento de urgência estão sempre em manutenção.

Neste ano, o orçamento do Samu é praticamente três vezes maior do que nos anos anteriores. No entanto, dos R$ 92,9 milhões que deveriam ser investidos no serviço, apenas R$ 4 milhões foram gastos até o fim do primeiro semestre. Haveria, assim, dinheiro para substituir com veículos novos os que não têm condições de rodar – reduzindo-se, portanto, o tempo de atendimento.

Conforme a promotora Ana Trotta, responsável por uma investigação do serviço de atendimento de urgência aberta pelo Ministério Público Estadual, há ainda falta de médicos e problemas na triagem e classificação dos casos – e, com isso, deixa-se de dar prioridade aos casos de maior gravidade e de conduzir as pessoas atendidas às unidades de saúde mais próximas e que tenham vagas disponíveis.

A Secretaria Municipal de Saúde faz cálculos diferentes e assegura que já investiu R$ 32 milhões no serviço. Mas essa quantia considera as verbas empenhadas, ou seja, aquelas que se pretende gastar no futuro. O fato é que há uma distância muito grande entre o orçado e o executado e não há uma explicação plausível para que se faça uma “poupança” com os recursos do Samu, que se destinam especificamente a um serviço que salva vidas.

O Samu é o principal instrumento da Política Nacional de Atenção às Urgências e foi planejado com o objetivo de reduzir o número de mortes, as seqüelas decorrentes da falta de socorro e o tempo de internação nos hospitais. Em 2003, o governo federal anunciou investimentos de R$ 193 milhões nos serviços de atendimento móvel e São Paulo foi uma das 283 cidades beneficiadas.

De lá para cá, os recursos para o Samu só aumentaram, mas durante toda a administração Serra/Kassab o uso efetivo das verbas nunca chegou a um terço do que foi repassado pelo Ministério da Saúde. É injustificável deixar de aplicar as verbas disponíveis num serviço essencial para São Paulo, onde as centrais 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros) recebem 10,5 mil pedidos de socorro por dia.

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3 COMENTÁRIOS PARA "Vergonha!":

Comentado por Rubens Santana em 14/08/2008 - 16:00h:

Tentar escamotear verbas e obras que o governo federal encaminha e realiza, nas cidades governadas por DEMOS,TUCANOS e demais partidos que fazem oposição à Lula, já é uma prática nefasta e anti-ética,agora,deixar de usar a verba destinada à saúde, por imcompetência ou capricho político, deveria ser considerado crime com consequente cassação do mandato.Certamente esses senhores responsáveis pela saúde pública nos municípios, que agem dessa forma,pagam caríssimos planos de saúde, portanto não necessitam do SUS,SAMU… .Aliás, pertencem aos mesmos partidos que acabaram com a CPMF. Um dia a Bastilha cai!

Comentado por Com uma nova atitude - Blog do Favre em 15/08/2008 - 14:13h:

[...] Vergonha! Tags: , ambulâncias, Kassab, Municipais, Prefeitura SP, SAMU, saúde SP   [...]

Comentado por SAMU e Farmácia Popular: governo federal entra com a verba e a prefeitura de Kassab com o “trololó” - Blog do Favre em 18/08/2008 - 15:33h:

[...] Assim começa o artigo do jornal dando conta do descaso com o dinheiro da saúde na maior prefeitura demo-tucnana do país, a Prefeitura de São Paulo. A situação chegou a tal ponto que o jornal O Estado de São Paulo acabou publicando dias atrás um editorial que já reproduzi no blog com o título de Vergonha. [...]

 

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