30/09/2008 - 23:02h Balanço de setembro

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Hoje é dia do balanço mensal do blog. A cada mês procuro dar conta da frequentação (já sem o trema) do blog e de eventuais reclamações.

Desde que o blog passou para o IG, em finais de fevereiro deste ano, mais de 500 mil leitores passaram por aqui.

Muitos ficaram, e a cada mês aumenta o número de internautas que diariamente acessam este espaço. O crescimento tem sido regular durante esses meses todos, mas deu um salto significativo neste mês de setembro.

Para os que não lembram, no balanço de agosto eram 2.800 blogueiros em média por dia. Este número passou agora para 7.700 promédio por dia no mês de setembro. O pico foi 9.907 em 22 de setembro, e o mais baixo foi 5.108 no dia 27, um sábado (os sábados são o dia de menor leitura em geral).

Evidentemente que o processo eleitoral leva muitas pessoas a se interessarem pela ideias (sem acento) deste espaço. Espero que gostem e fiquem para além e independentemente do pleito eleitoral.

O blog é composto de minhas leituras, que reproduzo assinadas e indicando a origem. Evidentemente que não necessariamente concordo com o conteúdo dos artigos aqui reproduzidos, salvo quando são de minha autoria, devidamente assinados.

Os artigos reproduzidos em línguas estrangeiras são um adicional para quem conhece alguns desses idiomas, não tenho possibilidade de fornecer a tradução, quem não conseguir ler é só passar; algum outro leitor, no Brasil ou no mundo (internet tem essa capacidade) poderá aproveitar (o blog tem leitores em 128 países, pelo número de leitores: Brasil, Portugal, Estados-Unidos, França, Argentina, Espanha, México, Inglaterra, Alemanha e Colômbia).

No Brasil, neste mês, o blog teve leitores de 205 cidades, os leitores mais numerosos são os de São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, São Caetano do sul (SP), Recife, Curitiba, Porto Alegre e Campinas. Mas tivemos também leitores em cidades como Trindade, Lontras, Ji-Paraná, Santana do Livramento e Cachoeira do sul.

Os comentários, que têm aumentado muito neste mês, são objeto de moderação. Tenho eliminado alguns por conter insultos, acusações sem provas ou fundamento (em geral são anônimos) ou por seu conteúdo estar fora dos padrões éticos do blog: antissemitismo (na nova regra se escreve assim), racismo, xenofobia, homofobia, sexismo, pornografia etc.

Muitas pessoas que tenho encontrado, e que me assinalaram serem leitores do blog, dizem gostar de minhas escolhas na parte cultural. É a que faço com maior boa vontade e a que mais curto. Muitas vezes descubro, pela sugestão de alguns comentários, artistas ou obras que me eram desconhecidos; ou pesquisando sobre algum musico, versões ou peças que eu não conhecia.

Se algum leitor quiser ver os outros balanços mensais basta clicar nos tags para ter acesso.

Volto a agradecer a todos vocês e peço desculpas pelas fraquezas do blog ou seja as minha próprias, pois faço o blog sozinho, e por qualquer desagrado ou ofensa que por ventura e involuntariamente possa ter feito. Minha intenção é discutir ideias, ampliar o conhecimento e olhar para o mundo a partir desta pequena janela.

Luis Favre

30/09/2008 - 19:55h Cancelado o debate na Globo, dizem que o periquito do papagaio agiu a pedido de um Grã tucano

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da Folha Online

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo lamentaram a decisão da TV Globo de cancelar o debate antes do primeiro turno da eleição municipal. A petista Marta Suplicy admitiu a possibilidade de algum dos seus adversários ter manobrado para impedir a realização do debate.

“Talvez [tenha acontecido uma manobra]“, respondeu ela ao ser questionada. “Porque da nossa parte houve compromisso e eu lamento muito que não haja debate.”

Marta não citou nomes, mas fez várias críticas ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.” No Nordeste, brasileiro colocou o PFL, os ‘demos’, na extinção. De repente a cidade de São Paulo está com alguém que nunca foi eleito e um partido que nunca foi eleito em São Paulo, com possibilidade de votação boa. São Paulo é a maior cidade do país, como vai ter a bandeira do retrocesso do PFL?”

Em público, Kassab disse lamentar o cancelamento do debate. “Lamento muito porque os debates são muito importantes. Eu compareci a todos e infelizmente não vai ter este. É uma oportunidade a menos do eleitor paulistano definir o seu voto”, afirmou Kassab.

Nos bastidores, de acordo com o blog Campanha no Ar, a equipe de Kassab comemorava o cancelamento do debate da Globo.

Em nota divulgada à imprensa, Alckmin disse que “perde São Paulo ganha a dissimulação” com o cancelamento do debate. “Perde o eleitor, que poderia comparar as propostas para o governo de sua cidade, e ganha a articulação de bastidor que inviabilizou o encontro. Perde a população, que poderia conhecer melhor o passado e os compromissos de cada candidato e ganha a estratégia obscura”, diz a nota.

O “Painel” da Folha, editado por Renata Lo Prete, informou que Alckmin (PSDB) recebeu como má notícia o cancelamento do debate.

Acordo

Em nota, a TV Globo informa que tentou fechar um acordo com os candidatos Ivan Valente (PSOL), Ciro Moura (PTC) e Renato Reichmann (PMN) para que eles não participassem do debate de São Paulo. “Este acordo tem sido tentado desde maio. Para que aqueles com menos densidade eleitoral abrissem mão do debate, a TV Globo ofereceu cobertura muito maior do que aquela a que fariam jus inicialmente se apenas critérios jornalísticos fossem levados em conta. Esta cobertura já foi ao ar”, diz a nota.

O objetivo era fazer o debate somente com os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto –Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB), Soninha Francine (PPS) e Paulo Maluf (PP).

Em nota à imprensa, Valente disse que a lei eleitoral determina que todos os candidatos com representação na Câmara dos Deputados sejam convidados para os debates televisivos. Afirmou também que os candidatos não aceitaram as formas de compensação oferecidas pela emissora –entrevistas em jornais locais — por considerarem uma medida antidemocrática.

O candidato alegou ainda que a ampla exposição e a troca de idéia entre os concorrentes são fundamentais para a construção da democracia. “É no debate eleitoral –muito mais do que no próprio horário gratuito — que o real confronto de idéias, essencial para a escolha do eleitoral, se faz presente”, disse.

De acordo com o blog Campanha no Ar, Ciro rechaça a idéia de que tenha causado o cancelamento do debate. Lembrando que outros dois candidatos se recusaram a assinar o acordo, Moura afirma que “a Globo é grande, mas não está acima da lei”.

30/09/2008 - 17:11h Os problemas de São Paulo no SPTV

30/09/2008 - 16:17h Shaná Tová. Começa o ano 5769

Pelo menos para a comunidade judaica, que celebra o Rosh Hashaná, seu ano-novo, entre hoje e amanhã

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Valéria França – O Estado de São Paulo

http://www.chabad.org.br/receitas/festas/imagem/rosh_Hashana.jpgHigienópolis, Bom Retiro e Jardins estavam ontem em clima de festa judaica. Na vitrine de algumas lojas, lia-se “shaná tová”, um espécie de feliz ano-novo em hebraico. Os judeus comemoram até o final da tarde de quarta-feira o Rosh Hashaná, o ano-novo judaico – que diferente do calendário ocidental-laico, chegou a 5769. Dos 65 mil judeus que escolheram o Estado de São Paulo para morar, 60 mil estão na capital, formando assim a maior colônia no País.

Não por outro motivo, supermercados, restaurantes e lojas estavam cheias de mães judias, que saíam carregadas de pacotes. Dentro deles, havia chocolates, para presentear amigos, pães e pratos típicos, que fariam parte do Rosh Hashaná.

Todas estavam com pressa. As festividades começaram ao anoitecer de ontem e, por volta das seis horas da tarde, os homens , principalmente, já deveriam estar recolhidos nas sinagogas. “E a maioria das mulheres , em casa, arrumando a mesa para a ceia”, diz Helena Goldenstein, de 85 anos, nascida na Polônia. “A esta altura a ceia está pronta em banho-maria, porque nesses dois dias, os mais ortodoxos não trabalham, não andam de elevador, não dirigem, nem apagam e acendem as luzes de casa.” No sábado, Helena foi ao cabeleireiro e comprou R$ 1 mil em chocolates para desejar um ano doce aos amigos.

Mesmo os judeus não ortodoxos tiram esses dias para ficar com a família. “É um período feito para repensar a vida, fazer um balanço do que já passou”, diz Samuel Seibel, de 54 anos, dono da Livraria da Vila, um judeu nada ortodoxo. “Ninguém estoura champanhe. É um período introspectivo.” Pratos de difícil e demorada execução, compõe a tradicional ceia, conhecida por ser rica e cheia de elementos simbólicos (veja quadro ao lado). “Nesta época, a colônia procura o que tem de mais tradicional”, diz a chef Andréa Kaufmann, do AK Delicatessen, representante de uma gastronomia judaica mais moderna. Pensando nisso, Andréa inclui em seu cardápio guefilte fish, espécie de musse de peixe, fornecido por uma mãe judia, especialista na receita típica da época.Entre talentosas cozinheiras de tradição judaicas, destaca-se Rebeca Zakon, de 70 anos, dona do restaurante kosher do Clube Hebraica, no Jardim Paulistano. Num domingo comum, ela serve 400 refeições. Ainda cozinha para hospitais – como Albert Einstein, Pro Matre, Oswaldo Cruz e mais recentemente Alvorada – e para todas as linhas aéreas. “Estou há uma semana trabalhando das cinco horas da manhã às seis da tarde”, diz ela, que coordena uma equipe de 30 pessoas. “Neste Rosh Hashaná tivemos o dobro de encomendas em relação ao ano passado.”

A israelense Shoshana Baruch, de 59 anos, proprietária do Shoshi Delishop, no Bom Retiro, no centro, teve de recusar encomendas. “As pessoas sabem que domino as tradições. Hoje, os mais jovens trabalham e não vão para a cozinha. Antigamente, as avós cozinhavam, as mães ajudavam e as filhas aprendiam”, diz Shoshana, considerada a tradicional mãe judia. “No meu restaurante, ninguém pode deixar comida no prato. “Para Boris Ber, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, esse aumento na venda de ceias é sinal da volta dos jovens à religião. ”

A busca da identidade religiosa passa por esse lado gastronômico”, explica.”A comunidade judaica sempre foi unida. Por isso, sobreviveu até os dias de hoje.”

COMIDA KOSHER

É típica entre judeus ortodoxos. O preparo segue as restrições da Bíblia ou Torá:O rabino tem de inspecionar a produção dos alimentosA carne tem de ser de animal ruminante e todo seu sangue é retiradoO peixe com escamas é o único permitidoLeite e carne não se misturam

ALIMENTOS TÍPICOS

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Guefilte Fish é uma espécie de musses de peixe com molho de raiz forte e beterraba. O peixe sempre se desloca para a frente, por isso dá sorteMaçã é obrigatório ter na mesa. É o símbolo do início do mundo, a fruta de EvaHalla é um pão tradicional com passas. É doce (assim como outros alimentos da mesa), para que o ano também seja assim, e redondo, no formato da vida (um ciclo)

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30/09/2008 - 14:45h Para reviver o mito Maysa

Maysa “Ne me quitte pas”

 

O autor Manoel Carlos fala ao Estado sobre o processo de recriação da vida da grande diva da canção brasileira, que será contada em minissérie na Globo

Patrícia Villalba – O Estado de São Paulo

 


O autor Manoel Carlos confessa que engoliu seco quando o diretor Jayme Monjardim lhe pediu que escrevesse uma minissérie sobre a vida de sua mãe, a cantora Maysa (1936-1977). É comum que biografias emperrem nas discordâncias entre autor e herdeiros, sobre o que deve ou não ser mostrado. Não foi o caso. Monjardim, único filho da diva, não fez grandes restrições e, ao contrário, criou toda a facilidade para que Maneco explorasse a grande personagem que foi sua mãe, em todos seus esplendores, amores rasgados, escândalos e fossas.

Maysa – Uma Mulher à Frente de Seu Tempo tem nove capítulos, agora em fase de produção, e estréia em janeiro na Globo. Novata na TV, a atriz Larissa Maciel surge no set incrivelmente parecida com a mãe do diretor, somando sua aparência física a um minucioso estudo de seis meses dos trejeitos da personagem. “Quando a vi pela primeira vez, confesso que não a achei parecida com a Maysa”, revela Maneco. “Mas com a caracterização e a expressão corporal, ela ficou idêntica! Ela segura o cigarro e o copo de uísque igualzinho à Maysa.”

Logo depois de concluir o roteiro de Maysa, Manoel Carlos recebeu o Estado na mesa marroquina que mantém cativa na adega do restaurante Garcia & Rodrigues, no Leblon. “Eu quis comprar a mesa, e o dono me deu de presente sob a condição de que eu não a tirasse do restaurante. Desde então, marco minhas reuniões aqui”, comentou o autor, pouco antes de analisar o mito que agora é seu personagem.

Qual a estrutura que escolheu para conseguir contar a história de Maysa em nove capítulos?

A estrutura não é linear. É uma minissérie com idas e vindas, mais ou menos na linha do filme Piaf (de Olivier Dahan, 2007). Aquele filme tem muito significado para a minissérie porque a própria Maysa tem pontos em comum com Edith Piaf. E não é uma biografia exata da Maysa, é um ensaio sobre ela. Com dados biográficos, claro, mas também com muitos dados ficcionais. Escrevi com liberdade.

E qual foi o ponto de partida?

Uma biografia tradicional da Maysa não poderia ter 9 capítulos, teria de ter muito mais. O trabalho inicial foi pegar uma quantidade imensa de pesquisa – fotos, diários, anotações, recortes de jornais e revistas. Ela era uma pessoa singular: guardava rigorosamente tudo o que saía sobre ela. O Jayme mandou para a minha casa quase cem pastas de recortes. Foi preciso fazer triagem. Opções difíceis, que tinham de ser radicais. Ela teve, por exemplo, sete romances palpitantes – eu tive de escolher três ou quatro. Ela viajou o mundo inteiro, mas tive de fazer opções – Paris, Buenos Aires, Lisboa e a Espanha, onde ela morou. Não é uma biografia rigorosa, mas um pinçamento de fatos da vida da Maysa.

Chegou a conversar com as pessoas que conviveram com ela?

Não. Eu não fiz nenhuma entrevista porque ia nos fazer mergulhar numa confusão. Sabe como é: uma diz uma coisa; outra diz outra coisa. Então, nos prendemos ao que existia impresso, documentado. E há muitos vídeos dela. Não é algo muito distante, ela morreu há 30 anos. É pouco tempo para uma pessoa como eu, que tenho 75 anos.

Quando recebeu o projeto, já sabia que teria nove capítulos?

Não. Quando o Jayme me propôs escrever a história, chegamos a pensar em 20 capítulos ou 16, que eu considero um tamanho ótimo – são 4 semanas no ar. Acontece que quando a coisa foi para a direção da Globo, resolveram que seriam nove. Quando eu estava no meio da minissérie, reivindiquei que fossem 13, mas não foi aceito. Poderia ter 50 capítulos, mas de uma certa maneira, tudo poderia ter 50 capítulos. E tudo o que pode ser contado em 50 capítulos pode ser contado em 9.

 

30/09/2008 - 14:40h Jornal Gente da Rádio Bandeirantes entrevista Marta

A candidata à Prefeitura, Marta Suplicy (PT), em entrevista à rádio, afirma que tem um apreço muito grande pelos clubes de futebol de São Paulo, e que ontem ficou muito satisfeita pois o presidente Andrés Sanches do Corinthians, declarou que vai votar nela. Quanto à proposta de internet gratuita, Marta diz que teve a idéia quando ainda era ministra do Turismo, e quando se candidatou para prefeita neste ano, pensou se essa idéia poderia realmente se efetivar, disponibilizando a internet para toda a cidade de forma gratuita. Ela afirma que contratou especialistas e que o projeto é viável.

Parte I

Marta Suplicy (PT) afirma que pretende expandir o metrô da cidade, e que conversa com o governo federal sobre esse assunto. Ela diz que as regiões mais distantes da capital, e que por sua vez são mais populosas, não têm acesso ao metrô ainda e que, portanto, isso deve mudar. Marta propõe a criação de uma nova linha do metrô que encontre com todas as outras linhas já existentes, que comece na Vila Nova Cachoeirinha e vá até o aeroporto, passando pela Avenida Faria Lima. A petista diz que a solução para a relação tensa entre motoristas de carros e motociclistas seria ter um policiamento mais presente nas principais vias da cidade. Marta fala também sobre seu projeto de “carregar na catraca”, e que realmente vai ser benéfico para os usuários do transporte público que possuem Bilhete Único.

Parte II

30/09/2008 - 14:10h Est-ce la fin du capitalisme financier de type anglo-saxon ? Six économistes répondent

Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n'en concluent pas qu'un renforcement de la régulation financière soit une nécessité.
AP/Richard Drew – Six économistes pensent que la crise économique est majeure mais tous n’en concluent pas qu’un renforcement de la régulation financière soit une nécessité.

par Claire Gatinois et Yves Mamou – Le Monde

Daniel Cohen, professeur à l’Ecole normale supérieure

Toute la finance de marché doit être remise à plat. L’attention des régulateurs, depuis la crise de 1929, avait essentiellement porté sur les banques commerciales. La panique des déposants ayant été le principal vecteur de la crise financière des années 1930, la régulation s’est concentrée sur les banques de dépôt. Et cela a plutôt bien fonctionné. On n’observe aucune crise majeure du système bancaire américain après guerre.

L’un des buts principaux de la finance de marché a été de sortir de l’habitat réglementaire imposé aux banques. Les règles classiques imposent aux banques de détenir un dollar de capital environ pour 12 dollars de crédit. La finance de marché a permis à ses acteurs d’accorder 32 dollars de crédit pour un dollar de capital ! Les banques d’investissements, les hedge funds, les compagnies d’assurances ont profité des mailles de la régulation pour accroître le volant de leurs opérations. Les banques commerciales ont, de leur côté, créé des “véhicules” logés hors bilan pour s’affranchir (légalement) de la réglementation. Le résultat, on le connaît maintenant. Les 700 milliards de dollars que le gouvernement américain veut injecter dans le système en est le prix.

Tout le travail des prochaines années consistera à élaborer des règles qui remettront le dentifrice du capitalisme financier dans son tube. Il faudra imposer des règles prudentielles nouvelles à l’ensemble des acteurs, réguler la titrisation des créances, surveiller les agences de notations, réviser les normes comptables… Cette remise à plat concernera tous les pays. Un rôle “en or” pour le FMI…

Nicolas Baverez, économiste-historien

L’expression “capitalisme financier de type anglo-saxon” laisse entendre que seuls les Etats-Unis, la Grande-Bretagne et l’Irlande seraient en crise. En réalité, le choc ébranle le capitalisme mondialisé, dont la finance était la pointe avancée. Les pays qui épargnent et exportent comme la Chine, l’Allemagne ou le Japon sont touchés : l’excédent chinois diminue déjà, tandis que Chine, Russie ou Brésil volent au secours de leurs banques.

Nous assistons à une déflation par la dette comme en 1929 : l’éclatement d’une bulle de crédit mène à une contraction violente des patrimoines et des revenus, de l’activité et de l’emploi.

Deux grandes leçons se dégagent de la déflation des années 1930 : enrayer la cascade des faillites bancaires ; privilégier des solutions coopératives au plan international pour éviter la spirale des barrières protectionnistes et des dévaluations compétitives.

Aujourd’hui, le sauvetage des banques est engagé, mais sur une base nationale. La coopération internationale est inexistante, à commencer par le dialogue entre la Fed et la BCE. Ces politiques du “chacun pour soi” impliquent un coup d’arrêt à la mondialisation, à l’intégration des marchés et à l’ouverture des sociétés.

Le capitalisme sortira profondément transformé de cette crise : priorité à la sécurité sur le risque, avec une diminution de la croissance potentielle ; rééquilibrage entre l’Etat et le marché ; retour en grâce de l’industrie au détriment de la finance ; changement du modèle économique des banques avec une concentration des acteurs et un recentrage sur la banque commerciale ; déclin relatif des pays développés – notamment des Etats-Unis – et accélération du passage à un système économique multipolaire et hétérogène.

Nouriel Roubini, professeur d’économie à l’université de New York, président de Roubini Global Economics Monitor

La crise est le résultat des excès du libéralisme et du “laisser-faire” de ces dix dernières années. Les régulateurs ont cru aux vertus du marché libre et de l’autorégulation. Leur jugement était inapproprié. La leçon est claire : nous avons besoin d’une meilleure régulation. Aujourd’hui, le paradoxe est que, pour résoudre ces excès, l’Etat américain vire dans l’excès inverse. Il injecte tantôt 200 milliards de dollars pour nationaliser Freddie Mac et Fannie Mae, les deux géants du refinancement hypothécaire, tantôt 85 milliards pour recapitaliser l’assureur AIG. Les “USA” deviennent l’”URSSA”, l’Union des républiques socialistes soviétiques d’Amérique. Le gouvernement prend dans la précipitation des décisions lourdes de conséquences. On a le sentiment d’être dans une république bananière ! On passe ainsi d’un extrême à l’autre. La bonne voie est au milieu, avec une régulation plus stricte qui n’empêche pas l’innovation. On y arrivera sans doute après quelque temps.

Le “Far West” sauvage (de la finance) appartient-il au passé ? Il faut être prudent. D’ici à quelques années, on aura peut-être tout oublié. On a vécu beaucoup de crises : celle des années 1980, la récession des années 1990, l’éclatement de la bulle Internet en 2001. A chaque fois, une bulle se reforme avec de l’argent facile et des régulateurs qui s’endorment. Nous verrons !


Dominique Plihon, universitaire, président du conseil scientifique d’Attac

La crise actuelle signe la faillite d’un capitalisme financier de spéculation et de prédation préjudiciable à la société. Les pays d’Europe qui se sont le mieux coulés dans les règles de ce capitalisme financier – l’Irlande et l’Espagne – sont ceux qui souffrent le plus.

Les banques centrales et les autorités de tutelle ont laissé faire. Jean-Claude Trichet, président de la BCE, ne pouvait ignorer les achats massifs des banques sur des titres risqués sur des marchés de gré à gré opaques et non régulés.

Ce capitalisme-là va devoir être réformé en profondeur. De nouvelles règles vont devoir être instaurées. Nous, altermondialistes, réclamons depuis longtemps un encadrement des acteurs financiers. Puisque le mouvement de nationalisation des banques est lancé, pourquoi ne pas constituer des pôles publics de développement, pays par pays, pour financer des projets qui étayent une croissance à long terme ? Rien n’empêche non plus une coordination au sein de l’Union européenne.

On peut objecter que les nationalisations bancaires du début des années 1980 ont été un échec, mais la faute en revient aux gouvernements qui ont imposé aux banques les mêmes règles de rentabilité que le secteur privé.


Pascal Salin, professeur à l’université Paris-Dauphine

Le capitalisme financier n’est pas seulement anglo-saxon. Il est universel et a de beaux jours devant lui, tout simplement parce qu’il n’est pas une création arbitraire, comme pouvait l’être un système de type soviétique. Ce capitalisme-là est l’expression d’innombrables processus spontanés créés pour répondre aux besoins des êtres humains. Il remplit deux fonctions fondamentales : orienter les ressources d’épargne vers les activités où elles obtiennent la plus forte rentabilité et prendre en charge les risques de la manière la plus efficace. Certes, le capitalisme financier ne peut pas remplir ces fonctions de manière parfaite, parce que l’information ne peut jamais être parfaite. Mais il les remplit mieux que n’importe quel autre système imaginable.

Les difficultés actuelles ne sont en rien une manifestation de la faillite de ce système. En effet, la crise financière est essentiellement une crise de l’interventionnisme étatique. Elle résulte en particulier de l’extraordinaire instabilité de la politique monétaire américaine au début du XXIe siècle, politique monétaire qui n’est évidemment pas contrôlée par le marché, mais décidée arbitrairement par des autorités publiques.

Pour que ce capitalisme financier prenne fin, il faudrait ou bien que tout le système financier soit étatisé – ce qui est exclu – ou qu’il explose parce qu’il constituerait un système incohérent, ce qui n’est pas le cas. Sur le long terme, la crise actuelle apparaîtra comme un simple accident de parcours qui aura peut-être permis de liquider les entreprises financières les plus mal gérées et d’inciter les autres à mieux évaluer les risques. La plus grande menace vient du renforcement probable des réglementations.

Pierre-Alain Muet, économiste et député PS du Rhône

Il est essentiel de réintégrer, dans le champ de la réglementation et du contrôle, les activités de crédit effectuées par des organismes non bancaires, car ce sont ces fonds spéculatifs non régulés qui sont à l’origine des crises financières récentes.

Il faut imposer une obligation de transparence sur les produits financiers et sur le niveau des fonds spéculatifs détenus par les banques.

Il faut enfin, comme c’était le cas autrefois, séparer les activités de banques de marché de celles des banques commerciales.

La titrisation, c’est-à-dire la possibilité laissée à un créancier de se défaire de la totalité de sa créance, entraîne une forme d’irresponsabilité. Les fonds spéculatifs ont prêté sans tenir compte du risque sachant qu’ils arriveraient à se défausser de ce risque sur un tiers. Pour éviter cette dissémination du risque, il faut, d’une part, appliquer les règles définies dans les accords de Bâle II de la Banque des règlements internationaux en réintégrant la titrisation dans le bilan des banques et, surtout, obliger le premier créancier a conservé pour lui-même 30 % à 40 % du risque sur le prêt initial. Tout organisme autorisé à prêter serait ainsi obligé d’évaluer son risque comme un banquier doit le faire.

En bref, il faut revenir en partie à une économie d’intermédiation et sortir d’une économie de marché financier ou les effets de levier sont trop importants.

Les agences de notations ont certes une responsabilité, mais la régulation et le contrôle relèvent aussi de l’Etat vers qui tout le monde se tourne quand ca va mal. Le contrôle des organismes de marché, c’est le retour de l’Etat.

30/09/2008 - 12:57h Nova ortografia da língua portuguesa

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DEH OLIVEIRA colaboração para a Folha Online

Passados 18 anos de sua elaboração, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa promete finalmente sair do papel. Ou melhor: entrar de vez no papel. O Brasil será o primeiro país entre os que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia, já a partir do ano que vem.

As regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias inicialmente em documentos dos governos. Nas escolas, o prazo será maior, devido ao cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação.

As mudanças mais significativas alteram a acentuação de algumas palavras, extingue o uso do trema e sistematiza a utilização do hífen. No Brasil, as alterações atingem aproximadamente 0,5% das palavras. Nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal, o percentual é de 1,6%.

Entre os países da CPLP, já ratificaram o acordo Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Ainda não definiram quando irão ratificar o documento Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste.

A assinatura desses países, porém, não impede a entrada em vigor das novas regras em todos os países, pois todos concordaram que as mudanças poderiam ser adotadas com a assinatura de pelo menos três integrantes da comunidade.

No Brasil, o acordo — firmado em 1990 – foi aprovado pelo Congresso em 1995. Agora, a implementação definitiva depende apenas de um decreto do presidente Lula, ainda sem data para ocorrer.

Mesmo assim, o MEC (Ministério da Educação) já iniciou o processo de adoção da nova ortografia. Entre 2010 e 2012 é o período de transição estipulado pela pasta para a nova ortografia passar a ser obrigatória nos livros didáticos para todas as séries.

Novas regras

O acordo incorpora tanto características da ortografia utilizada por Portugal quanto a brasileira. O trema, que já foi suprimido na escrita dos portugueses, desaparece de vez também no Brasil. Palavras como “lingüiça” e “tranqüilo” passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra “u”. A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados, como “Müller” e “Hübner”.

Seguindo o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos “ei” e “oi” –como “idéia”, “heróico” e “assembléia”– deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o “i” e o “u” precedidos de ditongos abertos, como em “feiúra”. Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos “e” ou “o”, em formas verbais como “vôo”, “dêem” e “vêem”.

Os portugueses não tiveram mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na forma escrevem algumas delas. As chamadas consoantes mudas, que não são pronunciadas na fala, serão abolidas da escrita. É o exemplo de palavras como “objecto” e “adopção”, nas quais as letras “c” e “p” não são pronunciadas.

Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de “k”, “y” e “w”. A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como “kafka” e “kafkiano”.

Dupla grafia

A unificação na ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos (pronúncia) em lugar de etimológicos (origem), para algumas palavras será permitida a dupla grafia.

Isso ocorre principalmente em paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexão mais aberta ou fechada. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal utiliza-se o acento agudo. Ambas as grafias serão aceitas, como em “fenômeno” ou “fenómeno”, “tênis” e “ténis”.

A regra valerá ainda para algumas oxítonas. Palavras como “caratê” e “crochê” também poderão ser escritas “caraté” e “croché”.

Hífen

As regras de utilização do hífen também ganharam nova sistematização. O objetivo das mudanças é simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da norma ortográfica.

O sinal será abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial (aero + espacial) e extraescolar (extra + escolar).

Já quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras “micro-ondas” e “anti-inflamatório”.

Essa regra acaba modificando a grafia dessas palavras no Brasil, onde essas palavras eram escritas unidas, pois a regra de utilização do hífen era determinada pelo prefixo.

A partir da reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por “r” ou “s”, essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção “anti” + “semita”: “antissemita”.

A exceção é quando o primeiro elemento terminar e “r” e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em “hiper-requintado” e “inter-racial”.

Ortografias nova e antiga conviverão até 2012

Os estudantes dos ensinos fundamental e médio vão conviver com a dupla ortografia até 2012. Haverá três anos de transição desde a entrada em vigor das mudanças na escrita (a partir do ano que vem) e a obrigatoriedade de utilizar apenas a ortografia atualizada. A tolerância também será estendida para vestibulares e concursos públicos, cujas provas deverão aceitar como corretas as duas normas ortográficas.

As mudanças começarão a ser implementadas a partir dos primeiros anos de formação escolar. Em 2010, os livros destinados a alunos entre 1ª e 5ª séries das escolas públicas deverão conter apenas a nova ortografia. No ano seguinte, a regra valerá também da 6ª à 9ª série. No ensino médio, a medida tem início a partir de 2012.

‘Especialistas acham que é bom para os alunos conviverem com as duas regras, para compararem o que mudou’, afirma Rafael Torino, diretor de Ações Educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Por isso, o Ministério da Educação autorizou a publicação de livros para reposição com a nova ortografia, para todas as séries, já a partir do próximo ano.

O cronograma de implantação da nova grafia na rede pública foi estabelecido pelo FNDE com base no programa de compra para livros didáticos adquiridos pelo órgão e distribuídos a alunos das escolas públicas.

As compras ocorrem com pelo menos dois anos de antecedência. Em março foi aberto o processo de escolha do material para compra dos livros de 1ª a 5ª séries, cujos protótipos já devem ser apresentados na nova ortografia. No caso do livro didático, a legislação dispensa a necessidade de licitação. A escolha é feita com base na análise dos professores da rede de ensino público.

Conheça regras de acentuação do novo acordo ortográfico

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entra em vigor em 2009, vai alterar a acentuação de algumas palavras, extinguir o uso do trema e sistematizar a utilização do hífen, entre outras mudanças significativas. No Brasil, palavras como “heróico”, “idéia” e “feiúra”, por exemplo, deixarão de ser acentuadas.

O livro “Escrevendo Pela Nova Ortografia” , feito pelo Instituto Houaiss em parceria com a Publifolha, apresenta o acordo na íntegra, com observações e explicações sobre o que mudou. Saiba mais sobre todas as mudanças e veja mais informações sobre o livro.

Veja a seguir as novas regras de acentuação para oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, retiradas do livro.

(mais…)

30/09/2008 - 12:47h Band news entrevista Marta

Parte I

Parte II

Parte III

30/09/2008 - 11:33h Reservas elevadas reduzirão impacto

http://www.journaldunet.com/economie/expliquez-moi/victimes-crise-financiere/index.jpg

ALEXANDRE SCHWARTSMAN COLUNISTA DA FOLHA

Inesperadamente, a Câmara norte-americana rejeitou a proposta de resgate dos bancos após líderes partidários terem concordado com um projeto que, mesmo bastante diferente do esboçado pelo secretário do Tesouro, mantinha o desenho básico de adquirir dos bancos US$ 700 bilhões de papéis lastreados em hipotecas. Não haverá, portanto, até segunda ordem, o resgate dos bancos, que terão de carregar no seus balanços esses títulos, cujo valor permanece uma incógnita.

Isso representa duro golpe para o setor bancário. Se há dúvidas sobre o valor desses papéis, sem a troca deles por títulos públicos essa desconfiança apenas aumentará, levando a uma queda adicional do seu valor de mercado. O problema, porém, é que essa queda se manifestará de forma desproporcional sobre o crédito e o crescimento.

Com efeito, cada dólar de redução de valor de mercado desses papéis implica um dólar a menos de capital do sistema bancário, com duas possíveis conseqüências. A menos grave, mas praticamente certa na ausência do programa de resgate, seria a redução significativa do volume de crédito. Como bancos tipicamente têm um volume de empréstimos equivalente a um múltiplo do seu capital, esse mesmo dólar de capital a menos vira um valor bem maior em termos de redução do crédito, reduzindo a demanda doméstica norte-americana.

A mais grave, ainda que menos provável, seria o aprofundamento da onda de quebras de instituições financeiras. De fato, a depender do montante de perda de valor dos papéis lastreados em hipotecas, as perdas do banco podem superar o seu capital, o que configura um problema de insolvência. Dada a profunda integração entre bancos, falamos da possibilidade de uma crise de grandes proporções, com efeitos ainda mais severos e duradouros sobre o nível de atividade.

De qualquer forma, portanto, vivemos a iminência de uma forte queda adicional do crescimento americano, cujas conseqüências não podem ser ignoradas. Especificamente no caso brasileiro, se é verdade que apenas pouco mais de 2% do PIB estão diretamente expostos (via exportações) à economia americana, há outros canais pelos quais o país pode sofrer impactos negativos.

O primeiro viria pela queda no preço de commodities na esteira da desaceleração mundial.

A elevação no preço desses bens implicou aumento no preço dos bens exportados pelo Brasil relativamente àqueles que importamos. Isso tem permitido aumentar as importações mais do que poderíamos em circunstâncias normais, e, portanto, possibilita que a demanda doméstica cresça bem à frente do PIB. Sem, porém, o auxílio das commodities, isso não poderia ser mantido, implicando significativa depreciação do real combinada com aperto monetário para trazer o crescimento da demanda doméstica a níveis inferiores aos do crescimento do PIB.

Por outro lado, é difícil imaginar que uma forte redução do crescimento mundial não resulte também em redução do fluxo de capitais para as economias emergentes, Brasil entre elas, levando à depreciação adicional do câmbio e à necessidade de conter ainda mais a demanda.

Isso dito, se as conseqüências da crise serão negativas, é também importante notar que o Brasil dispõe, hoje, de instrumentos que permitem, ao menos, mitigar esses efeitos. Destaco em particular o volume de reservas que, à taxa de câmbio atual, reduziria a relação dívida-PIB em 2,5%. Em outras palavras, a solvência do país, ao contrário de outros episódios, não será questionada, fator que deve impor limites aos efeitos da crise sobre o Brasil.

ALEXANDRE SCHWARTSMAN , 45, é economista-chefe para América Latina do Banco Santander, doutor em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley) e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central.

30/09/2008 - 11:12h “Popularidade de Lula não é capaz de eleger postes”, diz governador da Bahia

Ruy Baron/Valor – 9/12/2005

Jaques: governador baiano mantém discurso conciliador em relação ao ministro Geddel Vieira Lima

Raymundo Costa, VALOR

Na reta final da campanha, a eleição embolou em Salvador, Bahia. Talvez mais que em qualquer outra cidade, o clima entre os aliados é tenso.

Os três dos dois candidatos cotados para passar para o segundo turno são da base de apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jacques Wagner: João Henrique, do PMDB, atual prefeito, e Walter Pinheiro, do PT. O terceiro é Antonio Carlos Magalhães Neto, ACM Neto, do DEM e herdeiro do carlismo.

Em poucos Estados a disputa pelo uso da imagem do presidente foi tão intensa, a ponto de levar o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos fiadores da aliança PT-PMDB, ao ponto de ameaçar um rompimento com o governo. Jaques diz que não é de “esquentar” briga. Acredita na recomposição, apesar da “tensão” entre os aliados.

O governador da Bahia acha que não basta a popularidade para eleger “um poste”. É preciso haver sinergia com o eleitorado. “Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%!”, disse ao Valor, em conversa na sexta-feira. O petista também não vê o governador de Minas Aécio Neves como candidato pelo PMDB com o apoio de Lula. “Só se for na oposição”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O apoio do presidente e do governador desequilibra a eleição?

Jaques Wagner: Quando alguém diz ‘eu sou Lula desde criancinha’, quando é Lula só a partir do ano passado, as pessoas se dão conta. Até porque eu acho que as pessoas lêem errado as pesquisas. Quando ela diz assim: 60% dos eleitores dizem que o apoio do presidente Lula é benéfico, o que eles estão dizendo é que, para 66% do eleitorado, saber que o candidato que ele escolheu é aliado do presidente Lula, aumenta a vantagem dele em 60%. Mas é o que eu digo aqui é que 60% de 1% é 0,6%. Então o cara sairá de 1% para 1,6%. É que as pessoas querem ler assim: se o presidente Lula botar a mão eu saio de zero para 60%. O que não é verdade.

Valor: Não é automático.

Wagner: Não existe isso. É óbvio que quando você cria uma sinergia, quando há uma consciência coletiva, as pessoas raciocinam assim: eu vou votar nesse cara que ele é amigo do governador, é amigo do presidente e não é um babaca, para falar um termo bem objetivo. Agora, se o cara for um babaca, diz assim ‘pô Lula, você vai me perdoar mas nesse aí eu não voto não’. Então não funciona aquela idéia de eu ‘elejo um poste’. Não existe isso.

Valor: No entanto, o senhor acha que o PT vai crescer mais que os outros.

Wagner: Com essa identificação do 13, eu acho que os candidatos do PT ganham mais que os outros. Não é em detrimento dos outros.

Valor: O fato é que há reclamação. Como é que a base vai chegar em Brasília para as votações?

Wagner: Óbvio que a volta é uma volta com pontos de tensão. Não tem como. Toda eleição, evidente que mais na eleição municipal, não é um mar de rosas. A lógica municipal é mais intensa que a estadual e que a nacional. O que está em jogo agora? Os deputados estaduais e federais lutam fortemente para a eleição do seu prefeito, e isso na contabilidade dele significará uma posição melhor para a eleição dele em 2010. É essa a briga. E o governador? O prefeito pesa X para deputado estadual e federal e pesa um pouco menos para governo do estado e presidente da República. Evidente. Isso porque ele consegue muito mais coordenar o voto para deputado estadual e federal.

Valor: Mas a eleição de prefeitos agora não dará uma base melhor para a eleição do presidente e de governador de 2010?

Wagner: A população está estabelecendo uma lin ha direta entre ela e os cargos majoritários, principalmente governador e presidente da República. Vou dar o meu exemplo: eu tinha 50 prefeitos em 417. E ganhei na faixa de 230 cidades. Significa que nem os prefeitos que trabalharam contra convenceram a população. Eu não estou menosprezando, evidentemente que ele é um elemento da política, e da base de apoio, mas ele pesará muito mais na eleição de deputado estadual e federal, eventualmente na de senador, do que na de governador e presidente da República.

Valor: Por quê?

Wagner: Eu me convenço cada vez mais que as pessoas não querem intermediário para escolher governador e presidente. Por que dá tensão? Dá uma tensão maior aqui e vai dar uma tensão menor em nível nacional. É uma coisa até curiosa: onde você vai e ganha, em geral o cara vai dizer que foi ele que ganhou. Onde você não vai e o cara perde, ele vai dizer que você é que foi o culpado pela derrota dele.

Valor: A base fica unida?

Wagner: Está todo mundo mais maduro e todo mundo dá importância a estar participando de um projeto, até agora, exitoso, que é o do presidente Lula, em nível nacional, e na Bahia. até agora, a gente está bem. Então eu não acho que vá haver alguma sangria desatada.; Agora é fato que haverá uma tensão pós eleitoral normal. Eu, por exemplo, estou tentando ser o mais equilibrado possível. Há uma maximização da imagem do governador e do presidente da República, que eu acho que contam, mas não é uma coisa absoluta de o cara sair de zero para 60%. Quando está pau a pau, digamos um está com 40% e outro está com 38%, aí eu concordo que pode fazer a diferença.

Valor: O senhor e o ministro Geddel saem como entraram nessa eleição?

Wagner: Temos um ponto de conflito que foi produzido por alguém que não era meu nem dele, que é o prefeito atual, que foi eleito pelo PDT, com vice do PSDB, e baixíssima participação do PMDB, que não tinha nem interesse em ficar no governo. Tinha lá uma secretaria marginal. De repente, quando o cidadão viu que estava com problemas de sobrevivência política, ele teve de sair de um partido pequeno e procurar um partido maior para se abrigar. Ele é muito midiático. Eu até gosto dele, não é um mau caráter, não é um larápio, mas é um cara confuso. Confuso na política e confuso na gestão. Ele precisava de tempo de televisão. Quis vir para o meu partido, coisa que eu recomendei.

Valor: Mas o PT não quis?

Wagner: O vício do cachimbo deixa a boca torta. A gente vai amadurecendo mas alguns vícios vez por outra aparecem. Então apesar de o governador dizer: ‘rapaz, põe o cara pra dentro. A gente já está no governo, põe logo o cara no PT’, o meu partido não acolheu a minha sugestão, o pedido de seu governador. E ele acabou indo para o PMDB. Ao ir para o PMDB gerou então um pólo de tensão. Não por culpa dele, por culpa da conjuntura. Geddel e o PMDB receberam esse presente – tinham pouquíssima coisa em Salvador e ganharam um prefeito e uma prefeitura, como máquina política para fazer a operação da política, no bom sentido. É óbvio que gostariam de ter todo mundo em torno deles. Então lutaram por isso. Eu defendi a tese da minha base de sustentação (um candidato só), pelo menos na capital. As pessoas não se convenceram. Até porque diziam que ele é ruim de compromisso. O pessoal de pesquisa dizia que ele tinha dificuldade de ir até para o segundo turno. O argumento é que era melhor não jogarmos com uma hipótese só e perdermos para o PFL. A outra hipótese era o Imbassahy, com quem eu tenho relação. Mas isso não animava muita gente exatamente porque era um alinhamento com o PSDB nacional e as pessoas aqui não tinham interesse óbvio nessa aproximação. Quando acabar a eleição tem um rescaldo a ser tratado. E eu tenho que ficar administrando esse conjunto todo.

Valor: A base se mantém até 2010?

Wagner: Político é um animal objetivo, que eu dividiria em dois tipos: uns um pouco mais programáticos e outros, vamos dizer assim, mais conjunturais. Quem é mais programático, tende a continuar, apesar de ter havido um estremecimento com o chamado bloquinho (a união congressual de PSB, PCdoB e PDT). Mas eu acho que diminuiu essa tensão. Já vinha diminuindo antes, com a solução de São Paulo (a indicação de Aldo Rebelo para vice de Marta Suplicy). A relação do Eduardo Campos (governador de Pernambuco e presidente do PSB) com o presidente é excepcional. O episódio de Minas, por mais que localmente tenha ha reflexos no PT – e há um rescaldo a ser cuidado internamente – , do ponto de vista externo da relação dos aliados o PT acabou marcando um tento positivo, porque bem ou mal apoiou um candidato do PSB com interligação do PSDB, o que mostra que, aos trancos e barrancos, o PT também consegue apoiar os outros.

Como senhor vê a questão de Minas?

Wagner: Internamente ainda tem muita coisa a ser trabalhada. Ficou a tensão com o Fernando Pimentel, vem a eleição para governador e ele evidentemente é um nome. Há insatisfações que terão de ser aparadas. Eu não sou de Minas e não quero me meter, mas o problema parece sido mais de método mesmo.

Como encaixar esse grupo no plano da sucessão federal.?

Wagner: Eu acho que a administração que foi feita em Minas, é óbvio que ela sempre terá contornos nacionais, mas na minha opinião ela terá muita influência na questão estadual. Eu acho que o Fernando e o Eduardo não têm peso para influir na questão interna do PSDB. Portanto não têm peso para ajudar o Aécio a ser o candidato do PSDB. Também não vejo nenhuma hipótese de o Aécio ser candidato em composição, vamos dizer, como Eduardo Campos, o PSB. A relação do PSB com o presidente é excepcional. O Ciro Gomes, o Eduardo. Então, sinceramente, eu não consigo ver a tal história de o Aécio vir ao PMDB para virar candidato, só se for para ser candidato contra o candidato do presidente Lula.

A eleição de São Paulo prova que não há como ter dois candidatos da situação?

Wagner: Se o presidente Lula desembarca em 2010 extremamente bem avaliado, e coloca uma candidatura à sucessão que mostre fôlego, não acho que os aliados atuais queiram sair fora. Tendo uma candidatura boa,. a tendência é manter isso tudo junto.

Valor: O PT vai para o segundo turno em Salvador?

Wagner: De há muito esta é a primeira eleição de Salvado equilibrada. Está dando o que eu imaginava: Neto tem o público deles (carlismo, que está na casa entre 23% e 25%, não cai mas também não sobe, que foi o índice do último candidato deles (César Borges); Imbassahy perde fôlego…

Valor: E foi abandonado pelos tucanos?

Wagner: Pelos daqui não, pelo Serra (José, governador de São Paulo) não, mas pelos outros talvez sim, porque ele está numa posição meio autônoma em relação ao comando nacional. Pinheiro está crescendo, e aí vamos ver. Qualquer dois dos quatro pode ir.

Valor: Para o governador seria mais fácil administrar uma disputa Neto-Pinheiro, não é?

Wagner: Politicamente, se forem dois aliados para o segundo turno a mensagem política é positiva, e a administração é difícil.

30/09/2008 - 08:58h PSDB nega, mas negociação com DEM para 2º turno prossegue

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Informação provocou mal-estar na campanha de Alckmin por passar idéia de que tucanos teriam ”jogado a toalha”

Ana Paula Scinocca e Marcelo de Moraes – O Estado de São Paulo

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), confirmou que desde o início da campanha conversa abertamente com dirigentes do PSDB sobre a formação de aliança no segundo turno para tentar impedir a vitória da petista Marta Suplicy em São Paulo. Ontem, o Estado revelou que dirigentes tucanos, como o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), já discutem a articulação que reúna os dois partidos na segunda etapa da disputa. Essas conversas, feitas com líderes do DEM, como o ex-senador Jorge Bornhausen e o próprio Maia, incluem a possibilidade de acordo em torno do prefeito Gilberto Kassab (DEM), diante de sua vantagem sobre o tucano Geraldo Alckmin, indicada pelas pesquisas de intenção de voto.

link Enquete: Quem ganha com briga Kassab-Alckmin?

A informação provocou mal-estar na campanha de Alckmin por passar a idéia de que dirigentes nacionais teriam “jogado a toalha”, duvidando de sua vitória. Por conta disso, os tucanos aliados de Alckmin passaram o dia tentando negar a articulação, planejada para ser anunciada logo depois do primeiro turno.

Sérgio Guerra chegou a divulgar nota oficial ontem para dizer que essa negociação não estava sendo feita. “Não há e não houve conversa com o ex-senador Jorge Bornhausen com vistas às eleições de São Paulo. O PSDB só trabalha com uma hipótese: o candidato do partido, Geraldo Alckmin, estará no segundo turno.”

Ao Estado, o presidente nacional do PSDB reafirmou o que escrevera na nota e confirmou que tem conversado sistematicamente com Rodrigo Maia, mas “nunca sobre segundo turno”.

“Na semana passada mesmo, conversamos e ele até reclamou da troca de farpas entre Alckmin e Kassab. Mas nunca falamos de segundo turno”, disse. “Nacionalmente, o partido está fora da eleição de São Paulo.”

E tem estado mesmo fora. Alckmin tem feito a campanha com o PSDB dividido entre ele e Kassab. Freqüentemente, o tucano tem se queixado a amigos do “abandono” e se diz amparado apenas pela mulher, Lu Alckmin, e pela filha Sophia.

ADVERSÁRIO COMUM

Para os dirigentes do DEM, a discussão sobre o acordo no segundo turno é “natural”, já que os dois partidos são aliados nacionais e regionais, enquanto a candidatura petista representa o governo federal, adversário comum para as duas legendas. Maia lembra que uma eventual vitória de Marta sobre Kassab ou Alckmin seria muito ruim para os dois partidos, que perderiam o controle da maior cidade do País.

“Acho que Kassab estará no segundo turno e não tenho dúvida de que receberá o apoio de todo o PSDB. Até porque não conheço um político do DEM ou do PSDB que prefira apoiar Marta em vez de ficar do lado do Kassab ou do Alckmin”, disse Maia. “Seria um tiro no pé não acontecer esse apoio. É claro que aquele que for para o segundo turno terá a ajuda dos dois partidos. É uma coisa lógica. DEM e PSDB sabem que a vitória de Marta representa um problema para ambos.”

Sobre as conversas com os tucanos, o presidente do DEM disse que nunca deixou de falar com regularidade com Sérgio Guerra. “Claro que conversamos sempre. E é claro que vai haver uma convergência dos dois partidos no segundo turno.”

O prefeito do Rio, César Maia, pai de Rodrigo Maia, concorda que os dois partidos estarão juntos no palanque do segundo turno. E avalia que os eleitores dos dois candidatos também se reunirão em torno daquele que ficar incumbido de enfrentar Marta. Acha até que isso independe de Alckmin decidir apoiar ou não Kassab no segundo turno.

“Nenhum de nós conduz nossos eleitores como desejaríamos. Quem confronta o PT e influencia seu eleitor não tem como impedir que o eleitor coerentemente vá contra o PT”, afirmou César Maia.

Para o prefeito do Rio, a votação em São Paulo representa uma “eleição binária”, com dois lados claramente definidos. “O eleitor, numa eleição binária, não vota a favor de seu antípoda. Portanto, no segundo turno, essa será a tendência: eleitores do Kassab, mais eleitores do Alckmin com Kassab”, apostou.

Até petistas ficaram surpresos com o movimento tucano na reta final da campanha. Em seu blog, Luiz Favre, marido de Marta Suplicy, comparou o gesto a uma “punhalada”. “Bem na contramão das afirmações do candidato tucano, os dirigentes nacionais do PSDB, com FHC na cabeça, afirmam em alto e bom som que o demo Kassab é tão tucano quanto. Isto, a seis dias do primeiro turno, enquanto as pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Alckmin e Kassab, é uma verdadeira facada pelas costas em Geraldo Alckmin”, escreveu Favre.

29/09/2008 - 22:55h Presidente do Corinthians chama a votar na Marta

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Andrés Sanchez, presidente do Corinthians apoia Marta prefeita

No jantar para festejar os 98 anos do clube, que está acontecendo agora, o presidente do Corinthians em seu discurso chamou os paulistanos a votar em Marta Suplicy para prefeita.

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Atualizado com nota do site da campanha de Marta

Depois de comparecer a festa dos 94 anos do Palmeiras e ir a um jantar promovido pelo São Paulo, na noite desta segunda-feira, 29, foi a vez de Marta prestigiar o clube de maior torcida da cidade. No aniversário do Corinthians, a candidata foi recebida com muito entusiasmo pela diretoria e conselheiros do clube. “Eu agradeço a presença do ministro dos Esportes, Orlando Silva, e da minha candidata, da minha amiga e minha companheira, Marta Suplicy. Eu tenho respeito por todos os outros candidatos, mas eu tenho uma predileção por Marta. Estou emocionado com a presença dela nesse jantar que comemora os 98 anos do Corinthians”, disse o presidente do clube, Andrés Sanchez.

Marta ficou tocada com a homenagem que recebeu do presidente do seu time de coração. “Foi uma honra extraordinária. Me pegou de surpresa o apoio explícito, formal e anunciado do presidente do Corinthians. Fiquei muito emocionada e sentida por meus pais não estarem vivos, porque eles eram corintianos roxos”, declarou a candidata da coligação Uma Nova Atitude para São Paulo.

Após o jantar, Andrés Sanchez explicou os motivos do apoio à Marta: “Sou petista de carteirinha há muito tempo. Para a cidade de São Paulo, pela experiência que ela teve na Prefeitura, no Governo Federal e por muitas outras coisas, Marta é a melhor solução. Como presidente do Corinthians, é difícil tomar uma posição. Mas eu não sou hipócrita, não sou político e não devo nada a ninguém. Eu digo que, de coração e por convicção, a Marta é a melhor opção para a cidade de São Paulo”.

29/09/2008 - 21:01h A arte de John Currin

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por Gonçalo Loureiro do Blog Entrelinhas de Portugal

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É dele o sorriso alucinado que faz a capa da edição da Art Review (21, Abril de 2008). O mesmo sorriso que empresta às personagens das suas telas, num trabalho que podemos situar algures entre a releitura das estéticas dos Grandes Mestres da pintura e a homenagem à época dourada da pornografia – os anos 70. Corre bem a vida a John Currin, artista que é alvo de um artigo de fundo na dita revista, a propósito da sua última exposição na galeria Sadie Coles, em Londres.



John Currin, Couple in bed

Numa visita guiada ao seu atelier, somos convidados a mergulhar subitamente no seu imaginário perverso, carregado de luxúria e humor negro. Entre pincéis usados e telas inacabadas, saltam à vista as cenas de sexo explícito espalhadas pelas paredes. Envoltas num cenário facilmente associado aos lares de antepassados remotos, um olhar despreocupado sobre elas reproduz automaticamente dois efeitos distintos na percepção do espectador: deixa seduzir pela acção; dá relevância ao traço e despreza a brutalidade da cena pintada. Seja qual for o caso, o choque já não existe. Nos dias que correm, os artistas perderam a capacidade de chocar. E, enquanto eventual motor da criação, o choque deixou de fazer qualquer sentido, tendo vindo a sofrer ao longo das últimas décadas sucessivos amortecimentos. Não pela mão de Currin, obviamente, mas graças aos devaneios da cultura popular. Sejamos francos, não é aquela invasão de pénis erectos e vaginas peludas, nem tampouco as posições acrobáticas dignas de um Kamasutra do século XXII, que irá chocar alguém. Aconselha-se, portanto, um olhar atento e exigente.


O trabalho de John Currin – artista nascido no Colorado, Estados Unidos da América, e figura de proa da nova pintura americana, em conjunto com Lisa Yuskavage – é um exercício aliciante na sua génese formal, capaz de suscitar diversas interpretações: uma homenagem às estéticas envolvidas; uma (re)leitura crítica das mesmas; ou, por fim, uma paródia sem grandes interrogações, meramente retiniana, mas sempre prazenteira. E no último caso, o enfoque irá centrar-se inevitavelmente na destreza técnica do artista norte-americano. E daí nunca virá mal ao Mundo. Afinal, John Currin diverte-se com o seu trabalho e nós a olhar para ele.



Longe de tentar empreender um revisionismo estético, faz antes uma apropriação descarada de um imaginário específico – formal e espiritual – que abalará certamente algumas estruturas. É uma lufada de ar fresco. E um regresso ao triunfo da pintura é sempre bem-vindo, numa altura em que a tecnofobia volta a estar na ordem do dia.


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Veja as mais ousadas obras de John Currin no blog Entrelinhas

29/09/2008 - 20:28h Marta critica PSDB por “fritar” Alckmin e diz que é desrespeito fazer alianças agora para 2º turno

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DIANA PIMENTEL colaboração para a Folha Online

A candidata à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy (PT), demonstrou nesta segunda-feira “solidariedade” ao adversário Geraldo Alckmin (PSDB) ao dizer que o partido “frita” o candidato “sem ter nada de concreto”.

“Eles estão fritando o candidato antes da hora e eu nem sei qual candidato eu vou enfrentar, mas parece que o PSDB tem o prato feito. Isso provavelmente pode agradar ao [José] Serra e o [prefeito Gilberto] Kassab, mas certamente vai desagradar e muito os peesedebistas de coração”, afirmou Marta durante evento de campanha na tarde de hoje em São Miguel Paulista (zona leste da capital).

A petista classificou como “falta de compostura” o comportamento do PSDB frente à candidatura de Alckmin. Marta condenou o apoio de “tucanos kassabistas” –presentes no governo de Kassab– à candidatura do democrata e não do candidato do partido.

“O que está acontecendo não parece uma coisa de compostura. Se eu, que não tenho nada a ver com isso, acho isso, imagina o que está achando o eleitor”, disse a petista.

Em uma possível disputa com Kassab no segundo turno, a ex-prefeita disse esperar os votos dos “peessedebistas, kassabistas e malufistas e sonitas [em alusão aos eleitores da candidata Soninha (PPS)]“.

Questionada sobre qual eleitor seria mais fácil de conquistar na segunda etapa da disputa, Marta disse que “todo eleitor é eleitor a ser conquistado, não importa de que partido seja”.

A ex-prefeita negou uma possível aproximação da legenda com o PTB de Campos Machado (vice de Alckmin). “Até abrir a urna, não há uma decisão do povo de São Paulo. É desrespeitoso fazer isso [alianças antes da hora] e os correligionários estão impedidos de dar esse passo”.

Neste momento, a petista realiza um mini-comício em São Miguel Paulista. A Folha Online procurou a assessoria de imprensa de Alckmin para comentar as declarações da petista, mas ainda não obteve resposta.

Ver também aqui no blog

Apunhalado pelas costas

O papagaio é uma veleta

29/09/2008 - 19:55h Volta de Kavafils e trailer do filme sobre o poeta grego

Volta, poema de Konstantinos Kavafis na voz de Elli Lambeti

Volta mais vezes e toma-me,
amada sensação volta e toma-me.
Quando desperta a lembrança do corpo
e o desejo antigo inflama o sangue,
quando os lábios e a pele recordam
e as mãos querem agarrar de novo

Volta mais vezes e toma-me na noite,
quando so lábios e a pele recordam…

Cenas do filme grego Kavafis sobre a vida do poeta realizado por Iannis Smaragdis, com música de Vangelis

29/09/2008 - 19:31h Ano novo judaico: Shaná Tová – Feliz ano novo 5769

http://newcentrist.files.wordpress.com/2007/09/6x8-shana-tova-dove.jpg

29/09/2008 - 18:47h Candidatos à Prefeitura de São Paulo usam comerciais para reforçar comparação de gestões

Canal da Marta

A realidade é diferente da propaganda

Compare e comprove

Compare e comprove

GISELLI SOUZA colaboração para a Folha Online

Na véspera das eleições, os principais candidatos à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT), investem em comerciais de TV para mostrar as diferenças nas propostas de governo e criticar os adversários.

A campanha tucana aposta em dois comerciais novos para a apresentação de propostas nas áreas da saúde e segurança. No entanto, Alckmin não deixa de criticar a gestão de Kassab, como no vídeo onde o tucano diz que São Paulo está “às escuras” sendo um “campo fértil para a a ação dos bandidos”.

Alckmin ressalta nos comerciais realizações da gestão à frente do governo do Estado e não poupa elogios a si mesmo. “Sou médico e, modéstia à parte, fui um bom governador pra saúde. Por isso fico muito à vontade pra dizer para você que saúde é a minha praia”, disse o ex-governador.

A exemplo da campanha de rua, Kassab aposta nas comparações nos comerciais de TV. O prefeito-candidato apresenta comparativos sobre a quantidade de impostos, escolas e hospitais criados pela gestão da ex-prefeita.

Ao contrário dos adversários, a campanha de Kassab reforça o número da legenda em quase todos os jingles e inserções comerciais e evita confrontos diretos.

Nessa semana, a campanha de Marta também investe em comparações com a gestão de Kassab e apresentação de propostas. Com o discurso “Marta fez mais e bem-feito. Kassab faz cópia e malfeita”, a campanha da petista critica a gestão de atual prefeito e utiliza jornais para mostrar as diferenças entre a “propaganda e a realidade” da administração de Kassab.

A ex-prefeita aproveita para apresentar as principais bandeiras do plano de governo, como a expansão da internet banda larga na cidade e também divulgar o número da legenda.

29/09/2008 - 18:39h O papagaio é uma veleta

*Veleta: Cata-vento 2.- Pessoa versátil, volúvel; ventoinha, veleta. Dicionário novo Aurélio

Leiam a seguir as duas notas da Folha Online postadas com 4 horas de intervalo. Elas são o melhor retrato do caráter do candidato demo, Gilberto Kassab. Quando ele não copia e não lê texto de marqueteiro, ele mostra sua verdadeira face. Sua trajetória política é a imagem e semelhança. LF

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29/09/2008 – 14h05

Kassab aprova aliança DEM-PSDB para vencer o PT no segundo turno

O candidato à reeleição Gilberto Kassab (DEM) disse hoje que aprova a suposta iniciativa de dirigentes do seu partido e do PSDB de costurar uma aliança em torno do seu nome para o segundo turno das eleições municipais.

“Queria cumprimentar todos os dirigentes do PSDB e do democratas que têm essa linha de raciocínio, porque é evidente que vamos estar no segundo turno trabalhando juntos e nós temos um adversário em comum que é o PT”, afirmou Kassab.

Reportagem publicada hoje pelo jornal “O Estado de S. Paulo” informa que os dois partidos já começaram a negociar esse acordo, pois o PSDB se sentirá representado se Kassab for vitorioso.

29/09/2008 – 18h02

Kassab diz que é “inoportuno” falar em 2º turno e que DEM e PSDB são aliados naturais

O prefeito Gilberto Kassab (DEM), que tenta a reeleição, amenizou o discurso de uma possível aliança entre DEM-PSDB no segundo turno das eleições municipais em São Paulo. De acordo com o candidato do DEM, que mais cedo havia aprovado a iniciativa de dirigentes dos dois partidos de costurarem uma aliança em torno de seu nome, o momento é “inoportuno” para tratar do assunto.

“Não teria nenhum sentido falarmos em segundo turno se nós ainda não acabamos o primeiro. Seria um desrespeito com o eleitor, que ainda está decidindo o voto [...]. Seria inoportuno tratar disso agora”, disse Kassab.

Leia aqui no blog

Apunhalado pelas costas

29/09/2008 - 17:39h Retrato da crise financeira norte-americana

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Arte estadao.com.br

29/09/2008 - 17:18h USA: OK, we are a banana republic with nukes (Sim, somos uma república de bananas com armas atômicas)

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Blog de Paul Krugman do New York Times

House votes no. Rex Nutting has the best line: House to Wall Street: Drop Dead. He also correctly places the blame and/or credit with House Republicans. For reasons I’ve already explained, I don’t think the Dem leadership was in a position to craft a bill that would have achieved overwhelming Democratic support, so make or break was whether enough GOPers would sign on. They didn’t.I assume Pelosi calls a new vote; but if it fails, then what? I guess write a bill that is actually, you know, a good plan, and try to pass it — though politically it might not make sense to try until after the election. For now, I’m just going to quote myself:

So what we now have is non-functional government in the face of a major crisis, because Congress includes a quorum of crazies and nobody trusts the White House an inch.

As a friend said last night, we’ve become a banana republic with nukes.

29/09/2008 - 16:51h “Essa é a conseqüência de oito anos de irresponsabilidade”, acusa Obama

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da Folha Online

O senador Barack Obama, candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, realizou um pronunciamento com ataques diretos ao governo do presidente George W. Bush apenas minutos depois da notícia de que os deputados americanos tinham rejeitado projeto de lei que previa o destino de US$ 700 bilhões para salvamento do setor financeiro do país.

“O que vimos nas últimas semanas é o veredicto final dessa filosofia. Essa é a conseqüência de oito anos de irresponsabilidade. Está na hora de ter a supervisão de um adulto na Casa Branca. Por isso sou candidato. É hora de virarmos a página”, disse Obama diante de uma empolgada platéia, em um comitê no Colorado.

No discurso, Obama afirmou que o dinheiro que o governo luta para destinar ao resgate da economia podia ser usado para melhorar os sistemas de saúde e de educação, por exemplo.

“O senador [John] McCain [candidato republicano à Casa Branca] seguiu essa filosofia falida por 36 anos, em Washington. Agora ele quer nos dar mais quatro anos disso”, disse. “Em entrevista recente, ele chegou a dizer que essa regulação havia ajudado a minguar a economia. Senador McCain, de qual economia você está falando?”, questionou o candidato.

Projeto

Na semana passada, o republicano McCain anunciou a suspensão dos eventos de campanha para ir a Washington negociar com colegas congressistas a aprovação do plano de Bush. Um pouco a contragosto, Obama fez o mesmo. Depois de um dia de reuniões com congressistas e com o próprio Bush, Obama afirmou que a presença dos candidatos politizava a discussão e que isso causava “mais problemas que soluções”.

McCain, por outro lado, insistiu que a negociação do pacote era prioridade e chegou a pedir o adiamento do primeiro debate entre os dois. No último minuto, McCain recuou e foi ao debate, que aconteceu na sexta-feira (26), em Mississippi. Em seguida, retornou a Washington.

No fim de semana, líderes do Congresso e do governo anunciaram que tinham alcançado texto do projeto sobre o qual a maioria concordaria. Na manhã desta segunda, Bush disse que a aprovação seria “difícil”, mas iria acontecer. O plano, porém, não passou. Obama e McCain, que tinham prometido acordo, não chegaram a votar –o Senado votaria quarta (1º).

29/09/2008 - 16:44h Mundo financeiro passa da embriaguez à ressaca moral

ENTREVISTA – EDUARDO GIANNETTI

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Economista aponta “colapso da confiança” e prevê período de forte regulamentação

O economista Eduardo Giannetti vê uma ressaca moral nos mercados, que segue a embriaguez que estimulou a tomada de risco sem precedentes pelos investidores. Diz que há um problema ético na “arrumação da casa” porque a euforia trouxe lucros privados para poucos, mas a conta será socializada para todos. Ele não acredita que, mais pobres, as pessoas fiquem menos felizes e afirma que a “angústia” maior é não saber o tamanho dos prejuízos e das privações que virão.

 TONI SCIARRETTA – FOLHA SP

Giannetti diz que o mundo financeiro ganhou uma “musculatura irreal” na economia e passa hoje por um “colapso da confiança”. Ele prevê um período de forte regulamentação, até que, mais uma vez, a criatividade do mercado crie novos produtos, que traga riscos maiores e desconhecidos. Leia trechos de entrevista.
Economista aponta “colapso da confiança” e prevê período de forte regulamentação

O economista Eduardo Giannetti vê uma ressaca moral nos mercados, que segue a embriaguez que estimulou a tomada de risco sem precedentes pelos investidores. Diz que há um problema ético na “arrumação da casa” porque a euforia trouxe lucros privados para poucos, mas a conta será socializada para todos. Ele não acredita que, mais pobres, as pessoas fiquem menos felizes e afirma que a “angústia” maior é não saber o tamanho dos prejuízos e das privações que virão.

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL

Giannetti diz que o mundo financeiro ganhou uma “musculatura irreal” na economia e passa hoje por um “colapso da confiança”. Ele prevê um período de forte regulamentação, até que, mais uma vez, a criatividade do mercado crie novos produtos, que traga riscos maiores e desconhecidos. Leia trechos de entrevista.
FOLHA – Os bancos perderam a confiança e pararam de emprestar entre si. A confiança é muito tênue?
EDUARDO GIANNETTI -
Todo o sistema financeiro do mundo hoje está baseado em crenças e confiança. A nota de real que eu e você temos no bolso não passa de uma promessa sem lastro. Se a gente perder a confiança nesse papel, ele desaparece. Tudo está baseado em crenças, promessas e expectativas. A confiança custa para ser construída, mas é muito rápida de ser destruída, principalmente quando se vê o colapso sucessivo de bancos.

FOLHA – Os bancos e os investidores tinham consciência dos riscos que estavam correndo?
GIANNETTI - Às vezes, você está em uma situação perigosa sem saber o risco que está correndo. No momento em que as pessoas se tornam cientes, elas entram em pânico. Avicena [filósofo islâmico], lá no século 11, já descreveu essa experiência. Disse que o homem não sente dificuldade em caminhar por uma tábua enquanto acredita que ela está apoiada no chão, mas vacila e depois despenca ao se dar conta de que estava suspensa sobre um abismo.

FOLHA – Como o mundo sai tão rápido do excesso de segurança para uma crise de confiança?
GIANNETTI -
O que aconteceu no mundo foi um coquetel muito perigoso. Tivemos um período muito longo de juros baixos, uma expansão enorme da liquidez, um crescimento econômico sem pressão inflacionária, uma criatividade espantosa para inventar novos produtos financeiros, e a tecnologia da informação acelerou o ritmo de acontecimento das coisas. Com a desregulamentação do mercado, gerou uma situação de complexidade e de interdependência que ninguém compreende bem sua dinâmica.

FOLHA – As pessoas se iludiram?
GIANNETTI -
Quando tudo está indo bem, o apetite pelo risco aumenta. As pessoas vão ficando mais confiantes e fazendo apostas maiores. Tinha uma falácia de que esses novos produtos financeiros permitiam precificar e distribuir melhor o risco no sistema -coisa que se mostrou complemente furada; era exatamente o contrário. Quando se começa a ter os indícios de que a rentabilidade não ocorrerá e surge um problema como foi no mercado de crédito de alto risco nos EUA, você tem uma percepção de que foi longe demais, que as perdas vão ocorrer e serão grandes. Aí a psicologia gira na direção contrária e acontece uma terrível aversão ao risco. Você vê risco em tudo.

FOLHA – O modelo de banco de investimento está condenado?
GIANNETTI -
O Goldman Sachs tinha US$ 25 aplicados para cada US$ 1 de caixa. Houve uma hipertrofia das finanças. No início da década de 80, o lucro dos bancos representava 10% do lucro total da economia americana. Agora, é 40%. É muito difícil imaginar que haja valor criado por traz dessa lucratividade. É uma coisa artificial. É muita gente tentando ganhar manipulando dinheiro.

FOLHA – Mas isso estourou…
GIANNETTI -
Sim, foi algo que resultou de um certo delírio coletivo, ganhou vida própria e se abateu sobre as pessoas. Não é novidade. Desde a febre das tulipas, no século 16, vem se repetindo indefinidamente. O que muda agora é o grau de complexidade e de interdependência.

FOLHA – O que vem depois? Um período de forte regulação?
GIANNETTI -
Sim. O [Henry] Paulson [secretário do Tesouro] foi chamado para fazer um movimento de liberalização. Ele está implementando uma das ações mais intervencionistas do Estado. Não é a primeira vez, o Nixon chamou os economistas de Chicago, Milton Friedman entre eles. Quando a coisa apertou, implantou um controle de preços e salários. E ainda declarou: Somos todos keynesianos agora.

FOLHA – Por que a maioria dos economistas errou suas previsões?
GIANNETTI -
No momento de incertezas, o espectro dos prognósticos se expande. A dispersão de previsões e de opiniões se torna muito maior do que no período de normalidade, em que as previsões convergem. Como trabalhar isso? Há dois limites: o otimista e o pessimista. Nós estamos vivendo uma coisa parecida com 2001, no estouro da bolha da internet, que foi a menor recessão nos EUA. Foi [em forma de] um “V”. A coisa caiu, teve uma certa vertigem e depois voltou. No limite de pessimismo, vem o “L”. Cai e se arrasta, como na Depressão de 1929 e na recessão no Japão, nos anos 90. O cenário intermediário é o “U”, que não é tão simples como foi em 2001, mas não é tão crônico quanto o “L”.

FOLHA – E qual o cenário desta vez?
GIANNETTI -
Estamos passando por algo bem mais sério que o “V”, mas também duvido que se transforme num “L”. Nos anos 30, no momento em que deveria expandir a liquidez, o Fed contraiu e gerou uma forte desconfiança que levou a uma depressão crônica. No Japão, duas coisas aconteceram que não tendem a se repetir. Primeiro, a política monetária ficou impotente porque houve deflação. O cidadão guardava o dinheiro debaixo do colchão e, quando ia gastar, valia mais porque os preços caíram. E o governo, em conluio com os bancos, em vez de explicitar as perdas, jogou para baixo do tapete. Em vez da dor curta e aguda, preferiram uma dor crônica suave, mas que se arrastou por anos. Nesse aspecto, os americanos são corajosos. Quando quebram, fazem dispensas, tomam medida drástica e limpam rapidamente o passado. É uma cultura quase filosófica dos americanos com o desassombro do recomeço, que não tem na cultura oriental.

FOLHA – Essa crise ameaça a hegemonia americana?
GIANNETTI -
Tem muita gente torcendo para isso. Não vejo os EUA em processo de declínio, mas o mundo é dinâmico e está mudando. Os EUA continuam sendo a maior economia do mundo e a força mais inovadora em termos de patentes, tecnologia e criatividade.

FOLHA – O mundo sai pobre dessa crise. As pessoas estão mais tristes?
GIANNETTI -
Não acho. A gente se desfaz de muitas ilusões. Havia quase uma embriaguez de enriquecimento sem trabalho. E isso tira muitos talentos para a especulação. Uma coisa é a crise financeira e outra são as seqüelas no mundo real: desemprego, fome, pobreza. O tamanho das seqüelas dessa crise ainda está em aberto. Nessas horas, ajuda muito pensar no pior cenário. Pode ser que tenhamos uma recessão de dois ou três anos. E daí? Será que o mundo não estava precisando de uma pausa para respirar? Será que não vivemos um frenesi de consumo de recursos naturais e não podemos ter uma trégua para repensar um pouco o lugar do econômico na vida humana? Será que faz tanto sentido concentrar tanto da nossa atenção no sucesso financeiro? Será que não está na hora de isso ocupar um segundo plano?

FOLHA – É justo o socorro aos bancos com dinheiro do contribuinte?
GIANNETTI -
Quando os banqueiros estavam ganhando bilhões de dólares, tudo era privado e particular. No momento em que esses banqueiros e esses grandes aplicadores perdem bilhões, vem o governo e socializa jogando a conta para as gerações futuras. Tem alguma coisa profundamente errada do ponto de vista ético nesse sistema. É uma assimetria inaceitável de tratamento de ganhos e perdas.

FOLHA – O Brasil soube aproveitar essa euforia no mundo financeiro?
GIANNETTI -
O país fez um ajuste muito importante e isso deu uma condição robusta para assimilar o impacto dessa crise. O Brasil tinha um quadro de hipersensibilidade ao mercado internacional. Bastava uma gripe lá fora para virar uma pneumonia aqui. Desta vez, a casa estava arrumada.

29/09/2008 - 15:42h Maior alta na aprovação a Lula é no combate ao desemprego

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O combate ao desemprego pelo governo Lula foi o setor que registrou maior alta, subindo da aprovação de 52% dos entrevistados em junho para 60% em setembro.

No combate à fome e à pobreza, 67% dos entrevistados aprovam a gestão do governo.

52% dos entrevistados também aprovam a condução do governo no combate à inflação.

 

Pesquisa indica que economia, redução da inflação e pré-sal colaboraram para aprovação do governo

GABRIELA GUERREIRO da Folha Online, em Brasília

O desempenho recorde atingido pelo governo federal e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro deste ano, segundo mostra pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta segunda-feira, se justifica pelo resultado da economia brasileira associado à redução da inflação e à descoberta da camada de petróleo pré-sal.

O diretor de Relações Institucionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Marco Antonio Guarita, disse que os três fatores unidos fizeram com que o governo federal e o presidente alcançassem recordes de popularidade e avaliação positiva este mês.

“Temos um desempenho do presidente e do governo que alcançam pontos máximos em relação ao seu mandato. São patamares expressivos desde o início da pesquisa”, afirmou.

Segundo a pesquisa, a avaliação positiva do governo Lula chegou a 69% em setembro. Já a aprovação pessoal ao presidente atingiu o índice positivo entre 72% dos entrevistados.

A pesquisa mostra que a descoberta da camada pré-sal de petróleo foi a notícia mais lembrada pelos entrevistados no mês de setembro –o que reforça a tese da CNI/Ibope de que o tema ajudou na popularidade de Lula.

“Há um otimismo associado à exploração do pré-sal. Ainda é um evento futuro, mas quando olhamos as notícias podemos ver que a população é capaz de apostar na exploração do pré-sal”, afirmou Guarita.

Depois do pré-sal, a notícia mais lembrada pelos entrevistados foi a descoberta de uma nova bacia de petróleo em Santos, seguida pelas viagens do presidente Lula.

As notícias sobre o aumento no valor do Bolsa Família e a redução da inflação aparecem em quarto e quinto lugar entre as mais lembradas pelos entrevistados.

Áreas de atuação

A pesquisa mostra que, por áreas de atuação, o governo federal obteve aprovação pela maioria dos entrevistados em vários setores. No combate à fome e à pobreza, 67% dos entrevistados aprovam a gestão do governo, enquanto 30% desaprovam. Outros 4% não quiseram responder ou não opinaram. A avaliação do setor já era positiva em junho, aprovada por 59% dos entrevistados, mas subiu oito pontos percentuais em setembro.

O combate ao desemprego pelo governo Lula foi o setor que registrou maior alta, subindo da aprovação de 52% dos entrevistados em junho para 60% em setembro. Somente 35% dos entrevistados este mês disseram desaprovar a gestão Lula ano que diz respeito ao desemprego.

No total, 52% dos entrevistados também aprovam a condução do governo no combate à inflação, enquanto 41% desaprovam. A aprovação às políticas inflacionárias subiu 11 pontos percentuais em relação a junho, quando o índice positivo era de 41%.

O governo Lula registrou maioria de desaprovação na ares de segurança pública, com 50% dos entrevistados que se mostraram pessimistas nesse setor. Outros 46% disseram aprovar a gestão petista na área de segurança pública.

Outro setor com maior índice negativo foi a taxa básica de juros da economia (Selic), desaprovada por 55% dos entrevistados, contra outros 36% que aprovam as recentes altas na taxa de juros.

A maioria dos brasileiros também desaprovou os impostos cobrados pelo governo (56%) contra 38% que aprovam a atuação do governo no que diz respeito aos impostos cobrados no país.

As áreas de saúde e educação foram aprovadas, respectivamente, por 54% e 63% dos entrevistados. Outros 44% desaprovam as políticas da área de saúde, enquanto 35% desaprovam as da área de educação.

A pesquisa foi realizada entre os dias 19 e 22 de setembro e ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

29/09/2008 - 15:25h Aprovação do governo Lula sobe de 72% para 80%,diz CNI/Ibope

Índice de aprovação é o mais alto já obtido pelo presidente Lula; desaprovação do governo caiu de 24% para 17%

Lula foi ovacionado durante comício ontem em SP

Epitacio Pessoa/AE – Lula foi ovacionado durante comício ontem em SP

Renata Veríssimo – Agencia Estado

A aprovação do governo Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 72% em junho de 2008 para 80% em setembro, divulgou nesta segunda-feira, 29, a pesquisa CNI/Ibope. Por outro lado, a desaprovação caiu de 24% para 17% no mesmo período. O documento informou que o índice de aprovação é o mais alto já obtido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A avaliação do governo Lula em ótimo ou bom subiu de 58% para 69%, o melhor resultado para o atual governo e o segundo melhor desempenho de um governo desde o início da série histórica CNI/Ibope. Em setembro de 1986, na vigência do Plano Cruzado, o governo do presidente José Sarney obteve 72% de avaliação positiva.

Já a avaliação ruim ou péssima recuou de 12% em junho para 8% em setembro e a avaliação regular do governo caiu de 29% para 23%.

Confiança

A confiança no presidente subiu de 68% em junho para 73% em setembro. A melhora na avaliação ocorreu depois de dois levantamentos em que o índice se manteve estável. De acordo com a CNI/Ibope, a avaliação de setembro é a terceira melhor da série histórica, inferior apenas aos 80% registrados em março de 2003 e os 76% de junho do mesmo ano.

O porcentual daqueles que não confiam no presidente Lula caiu de 29% em junho para 23% em setembro deste ano. A pesquisa revelou também que aumentou o número de entrevistados que consideram o segundo mandato melhor do que o primeiro. Passou de 40% em junho para 48% em setembro. Por outro lado, o total daqueles que avaliam o segundo mandato como pior do que o primeiro passou de 20% para 11%. E a variação dos que consideram igual o desempenho nos dois mandatos passou de 38% para 39%.

A CNI/Ibope também revelou que o governo Lula alcançou a nota média mais alta desde que teve início, atingindo 7,4 numa escala de 0 a dez.

A pesquisa CNI/Ibope foi realizada de 19 a 22 de setembro e ouviu 2.002 entrevistados, em 141 municípios. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para baixo ou para cima.

CNT/Sensus

Na semana passada, uma pesquisa divulgada pelo CNT/Sensus mostrou também a alta aprovação do presidente, que disparou quase dez pontos. Lula passou de 69,3% para 77,7%, e voltou ao patamar do primeiro ano de governo, em 2003.

Mesmo batendo recordes de popularidade, Lula não consegue transferir votos para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a favorita para sucedê-lo, nem para outros candidatos do PT, que aparecem em último lugar em simulações na disputa de 2010, revela levantamento.