Estatização nos EUA é “o enterro do neoliberalismo”, diz Maria da Conceição Tavares
EDUARDO CUCOLO – da Folha Online, em Brasília
A economista Maria da Conceição Tavares afirmou hoje que a intervenção do governo dos EUA nas duas maiores empresas de hipotecas do país representa o “enterro do neoliberalismo”.
Ontem, o governo norte-americano anunciou uma ajuda de até US$ 200 bilhões para as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac. Essa é a maior intervenção do governo dos EUA para evitar uma crise sistêmica na economia.
“É fantástico o país mais liberal do mundo ter de estatizar. É o enterro do neoliberalismo de uma maneira trágica”, afirmou Maria da Conceição.
A economista comparou a operação ao Proer, programa de socorro a instituições financeiras realizado no primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
“Custou uma fortuna”, afirmou, em relação à intervenção dos EUA. “O nosso Proer foi mais baratinho.”
O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira afirmou também que a intervenção é “o fim do neoliberalismo”. Segundo ele, a crise deve provocar o ressurgimento de uma nova onda desenvolvimentista, como ocorreu após a crise de 1930, com maior participação do Estado na economia.
“Essa crise marca o fim da onda neoliberal”, afirmou. “É fundamental que haja uma intervenção do Estado.”
Bresser defendeu uma complementação entre a intervenção do mercado financeiro e do Estado na economia. Disse também que a situação seria pior caso não houvesse uma intervenção mais forte do banco central dos EUA na economia do país nesse momento.
Tags: EUA, Fannie Mae, Freddie Mae, hipotecas, Luiz Carlos Bresser Pereira, Maria da Conceição Tavares, Mercados, neoliberalismo, Proer, sub-prime, USA3 COMENTÁRIOS PARA "Estatização nos EUA é “o enterro do neoliberalismo”, diz Maria da Conceição Tavares":
Perfeito o comentário do Marco Santana. Os oportunistas aproveitam situações e enterram a história sabendo que a maioria não lê, não sabe dos fatos ou esquece. Só para complementar, no sentido de trazer o assunto à base racional: na Engenharia, como na Economia os sistemas precisam de realimentação negativa para se estabilizarem. Nos automóveis se usam amortecedores, nos circuitos eletrônicos amortecimentos de amplificação. Qualquer sistema totalmente “liberado” tende a se instabilizar. Por isso se criam mecanismos de “feedback” automáticos para evitar-se a oscilação excessiva ou, no limite, a “explosão” do sistema. A necessidade de intervenção externa apenas demonstra que não foram estabelecidos mecanismos automáticos permanentes com eficácia suficiente. O ocorrido evidencia que o sistema de crédito imobiliário americano tem falhas, pois continuou realimentando uma operação tipo “corrente” sem acionar à tempo mecanismos de amortecimento, como restrições de concessão de crédito decorrentes do risco sistêmico crescente e visível. Assim, trata-se de uma questão puramente racional, expurgando-se, por consequencia, as radicalizações oportunistas eivadas de “chavões” ideológicos.
(..) eu não sabia o que era o neoliberalismo, que reacionário.
Se essa crise acaba com o neoliberalismo é ótimo, especialmente para o cidadão americano.
Vamos la, da ate preguica. Essas empresas sao o que eles chamam de GSE (Government Sponsored Enterprises). Elas sao privadas mas o mercado sempre assumiu que na hora do aperto o governo as socorreria ja que o mesmo as criou (tanto que o risco que o mercado dava para papeis dessas empresas era quase o mesmo de um titulo publico). A intervencao ja existia (pela simples existencia dessas empresas). A Fannie Mae mesmo foi criada pelo New Deal do Roosevelt, como estatal. Ela deteve o monopolio do mercado de credito imobiliario de 38 a 68 e era estatal. Em 70 privatizaram a Fannie Mae e criaram a Freddie Mac pra quebrar esse monopolio. Eh facil ser engenheiro de obras feitas nessas horas, mas o melhor seria na minha opiniao se em 70 o governo americano tivesse pulverizado a Fannie em empresas menores antes de privatiza-la.
O erro na minha opiniao foi sim de intervencao indevida, mas nao no socorro a essas empresas e sim em sua criacao. Elas nao deveriam sequer existir. Se houvesse de fato um respaldo do mercado para essas empresas o setor privado o teria feito.
Nao ha nada de errado com o liberalismo economico nao. Se ele tivesse sido aplicado, essas empresas jamais teriam sido criadas isso sim (pelo queridinho da esquerda chique, Roosevelt).
Acho que o melhor a ser feito agora eh infelizmente sanear essas empresas, quebrar em empresas menores e … privatiza-las de fato (ainda que com quase 40 ou 70 anos de atraso).