Folha sabatinou Marta
Na sabatina da Folha, Marta deixou claro o centro das divergências que opõem o PT a administração demo-tucana.
Para estes últimos, o Estado deve ser reduzido a sua mínima expressão. Não é por acaso que sempre se comparam com “gerentes” ou administração de empresa. Uma boa administração pública para eles, é a que dá lucro, no caso dinheiro aplicado no banco. Hoje mais de R$ 4 bi da prefeitura estão no banco: falta remédios, médicos, creches, habitação, e investimentos; mas o dinheiro está no banco. Mas isto não significa que sejam ecônomos ou comedidos em matéria de endividamento, carga tributária ou contratos a preços acima do mercado. Basta ver o endividamento em que deixaram o Brasil após 8 anos de FHC e o patamar em que deixaram a carga tributária, para perceber que é lorota o de austeros administradores.
Para o PT o Estado é um instrumento de redistribuição, permitindo que os impostos recolhidos na base de quem ganha mais e paga mais, sejam investidos em serviços a população “corrigindo” assim, em parte, a desigualdade social existente na sociedade.
As reduções de impostos não devem ser em detrimento da ação do Estado e sim para ampliar a geração de riqueza que sustente a ação redistributiva do próprio Estado.
Marta mostrou que a atual administração é incompetente para gastar, apesar das necessidades crescentes da população e da cidade, privilegiando as aplicações financeiras. Foi assim, incluso com o dinheiro federal, que não foi utilizado no SAMU por exemplo. Os exemplos, que Marta forneceu foram vários.
Marta mostrou que deixou as finanças em melhores condições que quando ela assumiu a prefeitura. Explicitando ao mesmo tempo, o esforço que significou recuperar São Paulo após a passagem de Pitta e tendo que pagar 13% do orçamento pela dívida negociada entre Pitta e FHC.
Mesmo assim, com R$ 10 Bilhões a menos em valores atualizados, Marta criou 800 equipes de Saúde da Família, contra 200 mais na atual gestão 150 das quais sem médicos. Construiu 45 UBS novas e municipalizou a saúde, iniciando a construção dos dois hospitais, M’BoiMirim e Cidade Tiradentes (Kassab transformou 99 UBS em AMA e criu 13 AMAS novas); Marta construiu 21 CEU’s (contra 13 da atual gestão), construiu mais de 100 Km de corredores de ônibus, contra 8 Km da atual gestão; deu uniforme e material escolar; Vai e Volta; 8 programas sociais como o Renda Mínima, para quase 300 mil famílias.
Convidada a comentar o único programa implantado em 4 anos pela atual gestão, o Cidade Limpa, Marta mostrou que para ser limpa, a cidade precisa mais que proibir outdoors, ela precisa coleta seletiva, aterros sanitários, centrais de compostagem e recolher o lixo das favelas.
Nestas questões as concepções divergentes indicadas no começo desta nota foram ilustradas praticamente. Kassab pediu para reduzir o valor dos contratos e em contrapartida abriu mão destas exigências impostas por Marta nos contratos. A “economia”, pífia, em troca de deixar o lixo nas favelas, com conseqüências ambientais e de saúde pesadas, não compensa.
Por último, Marta mostrou a importância de internet para entrar de cheio na era digital, combatendo a exclusão digital das maiorias e de propulsar significativamente a construção de metrô para recuperar o atraso gigantesco nesta área, após 14 anos de governos demo-tucanos dos quais 8 anos com FHC como presidente. LF
Tags: AMA, aterros, CEU, corredores, creches, desigualdade, dívidas, favelas, FHC, Habitação, Hospitais, impostos, Kassab, Lixo, Lula, Marta Suplicy, médicos, Municipais, outdoors, Pitta, Prefeitura SP, PT, remédio, Sabatina, sabatina Folha, SAMU6 COMENTÁRIOS PARA "Folha sabatinou Marta":
Caro Rocha … eles sequer pensam no bom gerenciamento, pois, até um bom gerenciamento neoliberal é capaz de ecoar junto aos mais pobres. Nem toda idéia é, absolutamente, ruim. O que nos causa espanto é a incompetência deles. Gerar caixa subtraindo de investimentos, necessários, é uma fórmula obvia, e antes de ser simples, é mediocre. E investir em maquiagem, como eles usam investir, extrapola o limite da mediocridade. E essa postura ordinária traz a discórdia entre eles mesmos. Vejam o manifesto da bancada do PSDB (ávida pela cenoura na ponta da vara de Kassab), hoje, na Câmara dos Vereadores. É de lastimar essa bancada kassabista (quem imaginou que um dia iriam existir “kassabistas”, hein ? .
[...] outra coisa, dizendo que cidade limpa não é só tirar outdoor e sim retirar o lixo da favela (ver Folha sabatinou Marta) o que não é feito (não é que está atrasado e sim foi anulado por Kassab), coleta seletiva, [...]
Andre Gruber, você tem razão. Agora, eu não sei bem se é incompetência ou é porque eles pensam mesmo é em tirar o máximo proveito do Estado para si e seus representados, que não têm nada a ver com povo. Talvez as duas coisas juntas.
Bom, se essa foi a sabatina então os responsáveis pela Folha foram no endereço errado e falaram com outra Marta.
A outra Marta abandonou as promessas do Metro, segundo a Folha.
Eu sei que é do jogo eleitoral, como se diz “faz parte”, mas a candidata Marta ou qualquer outro candidato do PT, participar de uma “sabatina” na Folha ou no Estadão, é receita certa para dar “munição” para essa mídia polítizada e partidária editar a parte que lhes convém, pinçando ou distorcendo o que o candidato fala, de acordo com seus interesses, além de ter que se esquivar das inevitáveis “cascas de banana” que os diligentes entrevistadores sempre jogam, tentando pegar o candidato de surpresa.
Reclamar depois da parcialidade da Folha, infelismente é chover no molhado, pois eles fazem isso no mínimo a 20 anos nas eleições na Capítal e no Estado.
Acho que o termo mais correto para definir o que a Folha fez com a Marta na edição de hoje, com certeza não foi “sabatinou”, mas usando uma gíria bem pesada e canalha e do gosto dessa mídia de 5a. categoria, é que a Folha na verdade “sacane…” a candidata do PT,e me recuso a completar a frase, por questão de educação.

A Marta foi clara, segura, esclarecedrora e propositiva.
Quando ela disse que fizeram a “maldade” de não deixar mais recarregar o bilhete único na catraca porque não entendem nada do povo da periferia e que seu primeiro ato vai ser recuperar este direito, deixou clara a diferença abissal que separa o projeto do PT da forma de governar dos demo-tucanos. Ela pensa nos detalhes das medidas que podem facilitar e melhorar a vida da maior parte da população. Eles só pensam no bom “gerenciamento” do Estado, mesmo com altos custos sociais.