O monumental fracasso tucano em São Paulo

O Blog Cidadania.com, de Eduardo Guimarães pegou gancho nos artigos reproduzidos aqui sobre o metrô super-lotado de São Paulo para tecer algumas considerações políticas. Guimarães destaca a comparação com Santiago de Chile, cidade de 5 milhões de habitantes e que começou a construção do metrô ao mesmo tempo que São Paulo. Hoje, Santiago conta com 85 quilômetros de metrô e São Paulo apenas 61 KM. O artigo do Estadão mostrava também que Hong-Kong em dois anos construiu mais km de metrô que a proposta defendida por Marta para fazer em 6 anos em São Paulo e que os tucanos e seus comparsas midiáticos consideram exagerada: “Nos últimos dois anos, a malha metroviária da cidade de (Hong-Kong) quase duplicou – de 83,7 km para 175 km”.

Um aspecto que Cidadania.com não abordou, mas é significativo após as denuncias de propina feita pela justiça da Súiça contra Alstom e o metrô de São Paulo e políticos do PSDB, é o preço por quilômetro de metrô. Segundo o jornal O Estado de São Paulo “Para ampliar as linhas locais, esse metrô espanhol desembolsou, em média, US$ 42 milhões (R$ 71,4 milhões) por quilômetro, incluindo a compra dos trens – custo duas vezes e meia menor do que em São Paulo.” A seguir o artigo de Eduardo Guimarães. LF

Análise política – eleição em São Paulo


 

 

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 Estação Sé do metrô paulistano em horário de “pico”

 

São Paulo sempre foi a cidadela do reacionarismo brasileiro, em que pesem os movimentos surgidos aqui que contribuíram para a democratização do país, dos quais a própria conversão do ex-sindicalista pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva no maior líder político da história brasileira contemporânea, é o melhor exemplo.

 

O que sempre atrapalhou muito esta potência econômica – unidade federativa que tem um PIB que supera os de boa parte dos países latino-americanos – foi a coexistência do melhor e do pior da política nacional e um povo multifacetado, oriundo de todas as partes do país, que, ao mesmo tempo em que abriga um setor da sociedade que pensa com seriedade e descortino o Brasil e o mundo, também contém o pior da indigência política e uma compulsão de parte do povo em fazer o jogo da elite em prejuízo próprio.

 

Foi nesse contexto que vicejaram aqui lideranças políticas extremamente danosas, atrasadas e oportunistas, que, por conta do gigantismo paulista, converteram-se em protagonistas da política nacional.

 

Paulo Maluf, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, todos são fenômenos paulistas que se projetaram no cenário nacional e foram responsáveis pelo atraso do país em se desenvolver.

 

A era FHC fez o Brasil perder não apenas os fatídicos oito anos de seus dois governos, durante os quais o país endividou-se e perdeu a credibilidade diante do mundo. A conta do descalabro tucano continuou sendo paga durante os primeiros anos do governo Lula.

 

Mas foi no berço dessas lideranças políticas daninhas, São Paulo, que a obra maléfica do PSDB mostrou-se em toda a sua plenitude.

 

O PSDB assumiu o controle do Estado-potência em 1995, depois das desastrosas administrações peemedebistas de Orestes Quércia e Fleury Filho, que dilapidaram os cofres paulistas até ficarem exangues.

 

São Paulo pagou um  preço exorbitante pelos governos estaduais medíocres que elegeu nas últimas duas décadas. E, nos períodos em que a ignorância política paulistana pôs no comando da maior cidade brasileira excrescências administrativas como os governos Maluf, Pitta, Serra e Kassab – que, juntos, já somam 14 anos de administrações irresponsáveis de uma das maiores metrópoles da atualidade –, a cidade tornou-se das piores do planeta para se viver.

 

A capital paulista tem hoje hospitais públicos, escolas, transporte público e segurança pública entre os piores do país e do mundo. Policiais, médicos e professores pior remunerados do que em Estados muito mais pobres da Federação, transporte público anacrônico, tudo isso tornou a vida do paulistano um inferno.

 

Dentre todas essas tragédias geradas, não por falta de recursos – que São Paulo tem mais do que qualquer outro município, inclusive proporcionalmente –, mas por pura incompetência e corrupção, o caos no transporte paulistano se destaca porque, à diferença de problemas como Saúde e Educação, seus efeitos se fazem sentir diariamente, quando os infelizes paulistanos têm que se deslocar durante 5, 6, 7 horas diárias só para trabalhar.

 

Dessa maneira, não causa surpresa matéria que acabo de ler no blog do marido da ex-prefeita Marta Suplicy, Luis Favre, uma matéria que ele extraiu do Estadão e que dá conta de um dado estarrecedor: o metrô paulistano é o mais lotado do mundo.

 

Iniciado em 1975 junto com o metrô de Santiago do Chile, o sistema metropolitano de São Paulo tem hoje cerca de 60 quilômetros para uma cidade de 11 milhões de habitantes, enquanto que o metrô santiaguino, para uma cidade de 5 milhões, tem mais de 80 quilômetros de linhas.

 

A responsabilidade pela administração do metrô paulistano é exclusivamente do governo do Estado. As cobranças eleitoreiras que se vê na mídia tucana de participação da prefeitura paulistana nos investimentos em metrô tenta esconder esse dado: as administrações estaduais do PSDB jogaram os paulistanos no tormento em que vivem devido a um dos piores tráfegos do planeta.

 

Os corredores de ônibus feitos pela administração Marta Suplicy, que permitiam grande fluxo dos ônibus, fazendo com que os que utilizam automóveis tivessem muito menos mobilidade do que os que utilizavam transporte público, foram desarticulados por Kassab, que privilegiou o transporte individual.

 

É nesse contexto que Marta Suplicy vem despontando no quadro eleitoral com enorme força política, numa cidade que teve que pagar o alto preço que mostra a matéria do blog de seu marido para que finalmente seus habitantes comecem a pensar em eleger um governo que se preocupe com São Paulo para além dos bairros “nobres”. Por conta disso, restam-me poucas dúvidas de que Marta será eleita este ano.



 Escrito por Eduardo Guimarães

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2 COMENTÁRIOS PARA "O monumental fracasso tucano em São Paulo":

Comentado por Gustavo Freiberg em 09/09/2008 - 17:41h:

Hola Luis
como lector del blog 5 veces por dia me gustaria saber porque no hay ni una mención
al quilombo con Dantas e cia.
Gustavo

Comentado por Luis Favre em 09/09/2008 - 18:49h:

Prezado Gustavo,
Postei pouca coisa sobre Dantas porque o terreno me parece extremamente minado.Como eu não conheço muito do assunto e os artigos, grampos, etc. me provocam muita desconfiança, por prudência, prefiro ficar com um pé atrás e só reproduzir o que permita uma reflexão. Vou aguardando que a justiça acabe produzindo alguma coisa mais consistente. O resto é jogo de sombras e manipulação. É meu feeling.
Abraços

 

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