Shaná Tová. Começa o ano 5769
Pelo menos para a comunidade judaica, que celebra o Rosh Hashaná, seu ano-novo, entre hoje e amanhã

Valéria França – O Estado de São Paulo
Higienópolis, Bom Retiro e Jardins estavam ontem em clima de festa judaica. Na vitrine de algumas lojas, lia-se “shaná tová”, um espécie de feliz ano-novo em hebraico. Os judeus comemoram até o final da tarde de quarta-feira o Rosh Hashaná, o ano-novo judaico – que diferente do calendário ocidental-laico, chegou a 5769. Dos 65 mil judeus que escolheram o Estado de São Paulo para morar, 60 mil estão na capital, formando assim a maior colônia no País.
Não por outro motivo, supermercados, restaurantes e lojas estavam cheias de mães judias, que saíam carregadas de pacotes. Dentro deles, havia chocolates, para presentear amigos, pães e pratos típicos, que fariam parte do Rosh Hashaná.
Todas estavam com pressa. As festividades começaram ao anoitecer de ontem e, por volta das seis horas da tarde, os homens , principalmente, já deveriam estar recolhidos nas sinagogas. “E a maioria das mulheres , em casa, arrumando a mesa para a ceia”, diz Helena Goldenstein, de 85 anos, nascida na Polônia. “A esta altura a ceia está pronta em banho-maria, porque nesses dois dias, os mais ortodoxos não trabalham, não andam de elevador, não dirigem, nem apagam e acendem as luzes de casa.” No sábado, Helena foi ao cabeleireiro e comprou R$ 1 mil em chocolates para desejar um ano doce aos amigos.
Mesmo os judeus não ortodoxos tiram esses dias para ficar com a família. “É um período feito para repensar a vida, fazer um balanço do que já passou”, diz Samuel Seibel, de 54 anos, dono da Livraria da Vila, um judeu nada ortodoxo. “Ninguém estoura champanhe. É um período introspectivo.” Pratos de difícil e demorada execução, compõe a tradicional ceia, conhecida por ser rica e cheia de elementos simbólicos (veja quadro ao lado). “Nesta época, a colônia procura o que tem de mais tradicional”, diz a chef Andréa Kaufmann, do AK Delicatessen, representante de uma gastronomia judaica mais moderna. Pensando nisso, Andréa inclui em seu cardápio guefilte fish, espécie de musse de peixe, fornecido por uma mãe judia, especialista na receita típica da época.Entre talentosas cozinheiras de tradição judaicas, destaca-se Rebeca Zakon, de 70 anos, dona do restaurante kosher do Clube Hebraica, no Jardim Paulistano. Num domingo comum, ela serve 400 refeições. Ainda cozinha para hospitais – como Albert Einstein, Pro Matre, Oswaldo Cruz e mais recentemente Alvorada – e para todas as linhas aéreas. “Estou há uma semana trabalhando das cinco horas da manhã às seis da tarde”, diz ela, que coordena uma equipe de 30 pessoas. “Neste Rosh Hashaná tivemos o dobro de encomendas em relação ao ano passado.”
A israelense Shoshana Baruch, de 59 anos, proprietária do Shoshi Delishop, no Bom Retiro, no centro, teve de recusar encomendas. “As pessoas sabem que domino as tradições. Hoje, os mais jovens trabalham e não vão para a cozinha. Antigamente, as avós cozinhavam, as mães ajudavam e as filhas aprendiam”, diz Shoshana, considerada a tradicional mãe judia. “No meu restaurante, ninguém pode deixar comida no prato. “Para Boris Ber, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, esse aumento na venda de ceias é sinal da volta dos jovens à religião. ”
A busca da identidade religiosa passa por esse lado gastronômico”, explica.”A comunidade judaica sempre foi unida. Por isso, sobreviveu até os dias de hoje.”
COMIDA KOSHER
É típica entre judeus ortodoxos. O preparo segue as restrições da Bíblia ou Torá:O rabino tem de inspecionar a produção dos alimentosA carne tem de ser de animal ruminante e todo seu sangue é retiradoO peixe com escamas é o único permitidoLeite e carne não se misturam
ALIMENTOS TÍPICOS

Guefilte Fish é uma espécie de musses de peixe com molho de raiz forte e beterraba. O peixe sempre se desloca para a frente, por isso dá sorteMaçã é obrigatório ter na mesa. É o símbolo do início do mundo, a fruta de EvaHalla é um pão tradicional com passas. É doce (assim como outros alimentos da mesa), para que o ano também seja assim, e redondo, no formato da vida (um ciclo)
14 COMENTÁRIOS PARA "Shaná Tová. Começa o ano 5769":
O que falar de pessoas que agem assim, mas procuram manter na mente da população mundial os horrores que judeus NÃO ISRAELENSES sofreram?
Luiz,
respeito seu comentário, só não confunda comunidade judaica com Estado Israelense.
Minha analista é judia e com e por ela aprendi a compartilhar seus rituais.
Feliz Sahana Tová.
beijo grande a todos,
Com carinho,
MLuCIA
Não sou judia, porém admiro a cultura judaica e a sua religião e gostei das guloseimas que já experimentei da culinária judaica.Acho positivo o Ano Novo judaico ser um momento de introspecção e de comunhão com a família. Pois independente da origem ou religião, é importante que as pessoas se voltem para dentro de sí e reflitam sobre o que poderão fazer para melhorar as suas vidas e a vida das pessoas em sua volta, pois as culturas podem ser diferentes, mas nós vivemos no mesmo mundo e temos obrigação de cuidar bem dele.Que no período de Ano Novo (seja o judaico ou não),cada um possa fazer a sua parte.
Shaná Tová
Claro que não. O que importa, é que pouco se fala sobre o desastre do povo palestino. Parece que está havendo movimento contra isso, mas é só dentro de Israel. Os de fora, ignoram ou desconhecem. O que transparece, é que Israel é apenas um posto avançado dos EUA na região. Se os judeus realmente abominam o que ocorreu na Alemanha nazista, deveriam, a meu ver, já que parece ser os judeus um povo culto, que houvesse maior manifestação contra as atitudes do governo israelense. O que ocorre lá aparece para o mundo como culpa dos judeus. Até por interesse deles preservar uma boa imagem, deveriam se manifestarem.
Gostaria, que neste Novo Ano,em que se renovam tradições e esperanças,se renovasse ,também ,o senso de justiça e fraternidade.
No coração de todos os judeus.
Que este seja o ano da consciência e da coragem judaica !
Coragem para reescrever a história de Israel, maculada por atitudes arbitrárias e desumanas,por ocupação, por uso abusivo e desigual de força.
Que no final deste ano, possamos ter um novo cenário,com todos os territórios ocupados: devolvidos; e que paz seja mais que uma palavra sem sentido e sem honra.
Não sei se há muito O que comemorar perante os “crimes” que o Estado Judaico está a cometer contra os Palestinos. A paz só é construída quando há respeito frente a autonomia dos outros povos. Que o ano 5769 seja o ano dos esforços concretos pela criação do Estado Livre da PALESTINA! Shaná Tová!!!!!!!!!!!!!!!!
Me parece que os leitores Luiz e Lúcio não conhecem muito bem a realidade do oriente médio, embora se entendam como grandes conhecedores das “atitudes do governo israelense”.
Por acaso não conhecem as atitudes dos terroristas palestinos? Não compreendem que um país deve se defender de atos DESUMANOS desses terroristas?!?
E ainda, certamente não compreendem porque morrem crianças palestinas nas ações de DEFESA QUE O GOVERNO ISRAELENSE promove para tentar frear as intensivas TERRORISTAS. Acontece que a grande maioria dos terroristas esconde-se e a seus arsenais perto de escolas e casas de família e fazem isso covardemente para que ao serem atacados possam gritar aos quatro cantos do mundo o quanto o governo israelense é cruel ao matar crianças palestinas.
Ah, a quem interesse leia o texto abaixo sobre um dos terroristas que Israel “trocou” por cadáveres de seus soldados:
Em Abril de 1979, Kuntar comandou um grupo formado por quatro homens que saiu de barco do Líbano até ir parar na costa da cidade de Nahariya, em Israel. No trajeto até a cidade o grupo matou um policial e em seguida invadiu o apartamento de uma família, formada por um casal e dois filhos.
No apartamento, o grupo tomou como reféns um homem de 28 anos e sua filha de 4. A esposa conseguiu se esconder no sótão com outra filha de 2 anos.
Acuado pela polícia, Kuntar atirou mortalmente no homem e depois esmagou o crânio da criança de 4 com o rifle, que morreu. Escondida e desesperada, a mulher sem ter a intenção sufocou a filha de 2 anos depois que tapou sua boca para que ela não fizesse barulho e alertasse os invasores.
Houve um tiroteio com a polícia. Dois integrantes da unidade de Kuntar e um policial morreram.
Em 2003, Israel concordou em libertar 400 entre os cerca de 8 mil prisioneiros árabes pelo empresário Elchanan Tenenbaum, que fora seqüestrado pelo Hizbullah. O Hizbullah por sua vez exigiu que entre os prisioneiros libertados fosse incluído o nome de Samir Kuntar.
Israel concordou, desde que o Hizbullah também informasse o paradeiro do piloto Ron Arad, que desapareu no Líbano em 1986.
Finalmente, em 2004, Israel trocou 400 palestinos e libaneses presos pelo empresário Elchanan Tenenbaum, mais os corpos de três soldados mortos. A troca ocorreu no mesmo dia em que um homem-bomba explodiu um ônibus em Jerusalém matando pelo menos 10 pessoas.
Temos muito o que comemorar, sim. Os maiores avanços científicos, como na área de medicina, engenharia e informática, só para citar alguns, tiveram seu berço em Israel ou por judeus espalhados pelo mundo. Aliás, muitas técnicas foram aprendidas naquele maravilhoso País. Só quem vive lá é que sabe avaliar os milagres que se faz com tanto deserto e tão pouca água. O sistema de irrigação utilizado lá deveria ser melhor aproveitado nas nossas regiões áridas.
Quanto ao conflito no Oriente: os críticos dos israelenses e defensores ferrenhos dos palestinos têm uma visão totalmente equivocada da questão. O que ocorre, na verdade, é que os palestinos cultivam a violência em seus filhos desde o ventre e os preparam para matar com falsas promessas de um paraíso inexistente. Os israelenses não saem pelas ruas exibindo seus mortos, atingidos por terroristas. Os palestinos, ao contrário, fazem questão de utilizá-los como troféus. Nem vamos falar em encenações por parte dos palestinos, mesmo porque o espaço para esse comentário seria pequeno demais. Deixo aqui uma indagação. Se tanto os palestinos quanto os milionários árabes se dizem considerar filhos do mesmo Deus, porque os donos do petróleo não auxiliam seus irmãos e os acolhem em suas luxuosas terras, como por exemplo, em Dubai? Por que desprezar irmãos tão “inocentes”? Por que?
Olá Luis,
Ficamos envaidecidas de ver que uma foto do nosso site ilustrou o seu post de Rosh Hashaná. Aproveitamos para convidar você e seus leitores para visitar a nossa pequena indústria de culinária judaica aqui no Rio. Feliz 5769 ! Marcia Zonenschein e Silvia Flaksman
GOSTEI DO SITE, GOSTARIA DE RECEBER INFORMAÇÕES SOBRE ITERPRETAÇÃO DA TORÁH, HISTORICIDADE DOS TEXTOS.
Favre Shalon,
Em Leviticos vemos D-us ordenando a guarda do Ano de Jubileu cada 50 anos, pelo que eu saiba hoje não existe mais esta prática, mas, se isto acontecessem ainda hoje, no calendario judaico o proximo Jubileu ocorreria quando ? voce saberia me dizer ?
abraco
Leo
Não saberia responder, mas seguramente em qualquer sinagoga o rabino podera tirar suas dúvida.
Shalom
Quer dizer que as 5900 crianças palestinas presas pelos sionistas vão ser libertadas, e que vão deixar de matar crianças,que esse ano já somam 95? Que legal. pelo menos uma boa notícia,não acha?
Dê uma lida:
Mais horrores
O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU acusa o exército e os colonos de Israel de assassinarem crianças palestinas.
O total de crianças palestinas assassinadas este ano soma 95.
Ahmad Hussain Youssef Moussa, de 10 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça.
Youssef Ahmad Amira, de 15, foi abatido com mais de 15 tiros.
Somente este mês, 44 crianças foram vítimas das balas israelenses.
A Agencia das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA) diz que 70 por cento das crianças palestinas se encontram na condição de refugiadas.
A ONU acusa também o governo de Israel de encarcerar crianças em cubículos, sem qualquer acusação ou assistência jurídica.
De acordo com levantamento realizado por organismos palestinos, Israel encarcerou mais de 5.900 crianças palestinas.
As crianças são mantidas em “armários”de 1 metro por 60 centímetros. As que conseguem sobreviver carregarão seqüelas para o resto da vida.
Ainda de acordo com os informes, basta que uma criança palestina ofenda um militar israelense para ser condenada a 10 anos de prisão.
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