Ir além da aritmética eleitoral (III)

No começo do segundo turno da eleição municipal em São Paulo, em ato que contou com a participação de 11 ministros, Marta lançou um manifesto “Compromisso com São Paulo”.

Relendo esse manifesto percebo agora que ele não ocupou nenhum lugar na campanha e que provavelmente ele tenha chegado tarde demais. O manifesto, que reproduzo novamente aqui embaixo, deveria ter ocupado um lugar central no momento em que Marta aparecia com crescimento nas pesquisas no primeiro turno, enquanto o noticiário estava ocupado pela disputa brava entre Alckmin e Kassab.

Esse manifesto poderia ter balizado uma série de iniciativas em direção à sociedade civil e também em direção à setores das classes médias. O conjunto teria ampliado a base de apoio e o diálogo da candidata do PT, com provável desdobramento na queda da taxa de “rejeição”. As referências nesse documento à Carta ao povo brasileiro do então candidato Lula põe em evidência, na minha opinião, o erro de “timing” no lançamento deste manifesto e o lugar marginal que acabou ocupando esta orientação na própria campanha.

Esse erro político ma parece importante, porque a orientação do manifesto teria dado substância à linha de conquistar a maioria, intervindo assim na crise dos adversários. Ao contrário me parece que ficamos simplesmente aguardando que o eleitorado decidisse qual dos dois passaria para o segundo turno, sem apresentar uma alternativa aos eleitores de ambos e à franja de eleitores indecisos.

A questão da “rejeição” ao PT ou a seus candidatos não será resolvida com iniciativas só de marketing e sim por iniciativas políticas que rompam o “isolamento” (utilizo “isolamento” em relação a um percentual maior de eleitores, que a nossa base eleitoral de 30-40% que está longe de ser pouca coisa ou isolada).

Outro elemento crítico foram as conseqüências políticas do comercial que foi transformado pela mídia e nossos adversários em instrumento de paralisia e crise. O erro reconhecido por João Santana, de não ter detectado nenhuma carga particular nos grupos “qualis” e de não ter previsto o significado que a mídia colaria no mesmo, provém de uma subestimação do papel da mídia paulista como força política organizada em favor da direita. Basta pensar qual teria sido a opinião da própria candidata, se tivesse sido consultada antes, para perceber que as “qualis” não podem ter a palavra final quando as decisões incumbem à política.

Pensar que a mídia, tendo permanentemente feito campanha sobre a vida privada da Marta, não sairia em defesa de Kassab, é atribuir a ela “princípios éticos ou deontológicos”, que evidentemente ela não tem. Como duvido que alguém na campanha tenha esta ilusão, penso que o questionamento válido -ninguém sabe qual é a trajetória de Kassab-, levou à perguntas que serviram de pretexto para uma campanha anti-Marta. O erro é grave, paralisou a agenda da candidata durante vários dias e mesmo se não teve maior conseqüência no plano eleitoral, reforçou os argumentos contra o PT no curso final do pleito.

O conteúdo da famosa “rejeição” ao PT deve ser avaliado corretamente, recusando a manipulação da mídia. Esta manipulação se apóia no termo rejeição e sua ambigüidade. A pergunta que os institutos fazem é: “em quem o senhor (a) não votaria de jeito nenhum?”. Alguns institutos a formulam perguntando sobre o nome de cada candidato: “votaria, poderia votar, não votaria de jeito nenhum” seguido de cada nome; ou apresentando a tabela inteira com os nomes dos candidatos.

Nenhuma pergunta sobre a motivação é feita. O Datafolha não formulou esta questão no segundo turno, pois é pouco relevante na medida em que só tem dois candidatos e a “rejeição” é mais ou menos equivalente à decisão do voto (está determinado em votar em fulano).

A mídia e seus articulistas, anos a fio construíram em parte essa “rejeição” e, em relação a “rejeição” dos principais líderes do PT, forneceram e fornecem em permanência seus desejos, como conteúdo desta rejeição. Sem nenhuma base em pesquisas, anos a fio atribuíram à falta de diploma de Lula sua rejeição, ou ao fato de ser operário. Não que estes argumentos não existissem, mas eles eram reiterados e propagados com o intuito de serem transformados em barreira intransponível. Agindo assim a mídia procura destruir os dirigentes do PT, pois ela sabe que eles não se improvisam do dia para a noite. Se o fato dele ser operário, falar português com erros e não ter diploma motivou as três derrotas seguidas de Lula (1989-1994-1998), logicamente o PT deveria trocar de líder ou transformá-lo em alguém  ‘diplomado” (as duas coisas aconteceram, em 1999 alguns petistas começaram a organizar outro candidato e Eduardo Suplicy aconselhou Lula a fazer um curso nos Estados-Unidos).

Como Marta é “rejeitada” por ser mulher ou arrogante, divorciada de “senador querido”, casada com argentino, defender os gay’s, ser do PT, ser rica, ou defender os pobres…

Luis Favre

A seguir o documento Compromisso com São Paulo que foi publicado aqui no blog com o título “A palavra de Marta”

A palavra de Marta

 Compromisso com São Paulo

Quero agradecer de todo o coração a cada um dos mais de dois milhões de paulistanos que me deram sua confiança no primeiro turno destas eleições. E de tudo vou fazer para estar à altura deste apoio firme e caloroso.

Tenho certeza de que cada um desses votos vai se confirmar no próximo dia 26. Mas peço ainda um pouco mais a todos vocês: vamos trabalhar juntos, com garra e vitalidade, para que novos votos venham se somar aos nossos, no caminho para a vitória.

Nesses poucos dias que faltam para o momento decisivo, quero me comprometer com a população de São Paulo de que continuarei a fazer uma campanha sem ataques pessoais. Meu propósito é apresentar e debater propostas capazes de melhorar a vida de nosso povo.

Minha agenda vem desde o meu primeiro mandato. Com as coisas boas que fizemos na educação, nos transportes, na habitação, na saúde, na cultura e em nossas demais áreas de atuação. Até mesmo nossos tropeços, que reconheço com humildade, nos deram ensinamentos.

Depois da desastrosa experiência que atormentou São Paulo, ao longo da gestão de Celso Pitta, entendi que, para enfrentar o imenso desafio de reconstruir São Paulo, era necessária a união de todas as forças vivas da cidade. O apoio que recebi de Mário Covas e do PSDB, no segundo turno das eleições municipais de 2000, me fez ver que a união era possível e que poderíamos realizar um governo de reconstrução com a participação de todos. Isso só não se concretizou, na dimensão pretendida, por atropelos do processo das eleições presidenciais que se avizinhavam.

Mas em 2002, em sua Carta ao Povo Brasileiro, o então candidato Lula convocou o espírito da parceria e do consenso, assumindo compromissos que respondiam com clareza à vontade de união e mudança. Espírito e compromissos que dariam, em seguida, a marca de sua ação governamental. De que foi exemplo maior, desde logo, a criação do Conselho Econômico e Social, reunindo representantes de todos os setores sociais – para começarem juntos, sob a presidência de Lula, a construção de um novo caminho nacional.

Por esse caminho, o Brasil reencontrou o rumo do crescimento, da superação da dependência do FMI, da diminuição da pobreza, da geração de emprego e renda, da promoção da ascensão social e da ampliação de oportunidades educacionais para jovens de baixa renda. O avanço foi possível – e sensível – porque a disposição do presidente, no combate à desigualdade, se firmou na convergência do esforço de todos.

Não estou na disputa política para dividir. Mas, sim, para unir e construir. Não virão de mim apelos ao ódio, à destruição ou à rejeição de adversários. O que farei será mostrar com firmeza, ao povo de São Paulo, a alternativa que represento para a cidade. Seu voto indicará o destino que se deseja. E vou me empenhar para que tal destino coincida com o caminho que o presidente Lula traçou para o país.

Como primeiro passo no sentido da união de São Paulo, assumo aqui o compromisso de, se eleita, constituir um Conselho da Cidade. Um conselho de representantes de todos os segmentos da população. Das entidades representativas da sociedade civil, dos empresários e dos sindicalistas, do comércio e da universidade, das igrejas, da cultura, do esporte e dos usuários dos serviços públicos. Com um só objetivo: realizar uma cruzada – e canalizar o esforço de todos, a fim de enfrentar as questões mais cruciais do município, a começar pelo transporte coletivo.

Tenho apoio do presidente Lula para, na articulação das três instâncias de governo, construir 228 km de corredores de ônibus e 47 km de metrô, nos próximos quatro anos. Para, assim, dar um salto de qualidade na vida paulistana, superando um problema crítico que vem prejudicando fortemente a economia urbana e a saúde da cidade e do cidadão. E assim como, para combater a segregação dos mais carentes, o metrô deve chegar a mais lugares da periferia, me comprometo a não criar qualquer pedágio urbano, que atingiria em cheio os menos privilegiados, sem resolver o problema do trânsito, como já ficou demonstrado em grandes cidades do mundo.

Quero também assumir uma nova atitude na questão tributária. Os níveis recordes de arrecadação da prefeitura permitem um amplo programa de incentivos à produção e ao empreendedorismo, tão forte em nossa capital, com desoneração dos impostos municipais e desburocratização dos procedimentos. E reafirmar meu compromisso de isentar os profissionais liberais autônomos do pagamento do ISS.

Com a união de todos os setores sociais, poderemos projetar São Paulo na era digital. Segmentos empresariais da área de informática já manifestaram interesse em participar do programa de acesso gratuito à internet banda larga em nossa cidade. O governo federal assinou convênio para equipar, com esse fim, 800 escolas municipais. E pretendo combinar esta ação com investimento em qualificação profissional no espaço dos CEUs, que, com a construção de mais 20 unidades, irão configurar a Rede-CEU.

Uma outra ofensiva do governo de união por São Paulo deverá se desenvolver no campo da saúde, diante da realidade da falta de médicos e de atendimento em especialidades. Venho propondo a criação de 31 policlínicas na cidade, uma em cada subprefeitura. E quero agora incorporar, ao desenho dessa rede, a proposta de criação de centros de atendimento aos idosos, apresentada pelo candidato Geraldo Alckmin.

Para finalizar, quero dizer que, para governar São Paulo e superar a crise que estamos vivendo, será fundamental a mobilização de nossas melhores energias. A coragem de ousar e inovar, combinando planejamento e imaginação. Generosidade e rigor.

São Paulo precisa crescer. Mas crescer com inclusão social. Crescer em benefício de todos. E é para isso que a todos convoco, no sentido da construção de um governo de união por São Paulo. Um governo voltado para construir uma cidade melhor, mais forte e mais justa.

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6 COMENTÁRIOS PARA "Ir além da aritmética eleitoral (III)":

Comentado por Sylvia Manzano em 30/10/2008 - 13:03h:

Só hoje me dei conta que o PMDB também apoiava o Kassab, tanto que sua vice é a Alda.
Pra mim parecia que era uma disputa PT X demo-tucano.
Minha primeira reação foi pensar que sou uma anta, mas depois fiquei me lembrando: o PMDB foi tão bem escondido, nem se falou nele, alguém do PMDB apareceu no horário eleitoral ou fui eu mesma que não prestava atenção?
De qq forma os 40% da Marta me pareceram muito mais, agora que isso me ocorreu.
Foram 40% sólidos, ninguém tirou dela.
Afinal, eram todos os partidos, mais a mídia contra ela e ela ali, com seus quase 40% cravados.
E pra contrabalancear essa tão alardeada rejeição da Marta, porque não criarmos o movimento NÓS AMAMOS MARTA, hein?
Porque nós, esses quase 40% amamos Marta até que a morte nos separe.
Os votos dela foram votos de convicção mesmo, já os do K. foram pura conveniência, qualquer candidato que estivesse ali, naquela conjuntura teria levado mesmo.
Estou na Praia Grande desde ontem e perguntei pra umas 2o pessoas se Marta deveria ser a nossa próxima presidenta.
Resposta:
- Com fé em Deus.
A tão famosa rejeição da Marta nem desce a serra, que dirá ultrapassar os limites do estado de São Paulo, ou melhor dizendo, a c*l*o*a*c*a do Brasil.

Comentado por antonio donizeti costa em 30/10/2008 - 14:19h:

Prezado Favre.
Acho que essa carta compromisso da Marta deveria ter sido lida no primeiro programa do horário eleitoral do segundo turno, tanto no rádio como na TV.
Mas voltando as eleições na capital, acho que se fosse o Alckmin ou até o Maluf o candidato contra a Marta no segundo turno, o resultado seria igualmente desfavorável para a Marta e o PT.
Infelismente, São Paulo concentra o que há de melhor no Brasil, e também o que há de pior, tanto no campo economico, como no campo político.
São Paulo sempre esteve na contramão do que pensam e desejam a maior parte dos brasileiros dos outros estados da federeção.
Foi assim com Jânio Quadros, com a ditadura militar, com Ademar de Barros, Maluf, Collor, FHC, Serra e Alckmin contra Lula.
Se dependesse dos votos da cidade e Estado de São Paulo, para nossa completa desgraça, hoje Serra ou Alckmin seriam Presidentes do Brasil, afinal eles ganharam do Lula nos dois turnos em 2002 e 2006.
São Paulo é o único estado brasileiro que comemora uma tentativa de secessão do Brasil, como se fosse a defesa da liberdade, no 9 de Julho de 1932!!!
Os próximos 4 anos de Kassab e a partilha do butim que vão fazer por aqui, espero que coloquem juízo na cabeça dos paulistanos.

Comentado por José Rocha em 30/10/2008 - 15:41h:

“Ao contrário me parece que ficamos simplesmente aguardando que o eleitorado decidisse qual dos dois passaria para o segundo turno, sem apresentar uma alternativa aos eleitores de ambos e à franja de eleitores indecisos.”
Este foi, evidentemente, um erro grave, talvez o mais grave de todos. Muitos outros elementos da análise de Favre já haviam também sido intuitivamente por vários de nós, mas ficam mais claros assim, num texto mais organizado.

Comentado por Carlos em 30/10/2008 - 23:18h:

Não acredito que os números relativos à rejeição a Marta sejam tão altos, como aqueles insistentemente propalados pelas oposições políticas e midiáticas. A furiosa campanha encetada, visando à desconstrução do nome e da figura da candidata foi, na ocasião, levantada contra Marta, porque se fosse bem sucedida em sua missão, muito iria contrariar poderosos interesses enquistados no baronato da mídia, do empresariado e dos políticos das oposições, principalmente, do grupo que atualmente governa o nosso Estado. Todavia, qualquer que fosse o candidato a Prefeito de São Paulo apoiado pelo PT, sofreria os mesmos bombardeios e seria vítima desse jogo sujo. Da mesma forma, os números da rejeição a este eventual candidato, seriam superdimensionados, muito acima dos números reais apurados em pesquisas, com o objetivo final de influenciar o eleitorado indeciso. Marta, porém, foi vitoriosa, porque, mesmo sofrendo todas essas odiosas perseguições, conseguiu suplantar em quase dez pontos porcentuais os 30% dos votos que, tradicionalmente, o PT consegue nas eleições à Prefeitura paulistana. Marta não deve sentir-se desprestigiada. Pelo contrário. Deve regozijar-se e festejar por ter conseguido quebrar tantas resistências e discriminações. Afinal, a diferença em favor do candiato eleito fixou-se em 1.380.000 votos, um quase nada, em relação aos 130.000.000 de eleitores inscritos no Brasil. Quem venceu a última eleição paulistana foi o poderio econômico e o jogo político sujo que utilizaram-se para isso, de todas as armas que tinham ao alcance das mãos.

Comentado por alexandre em 31/10/2008 - 01:21h:

~´e faz sentido, mas agora é o adiante, como ficará marta? acredito que o momento é propicio á marta visando 2010 como governadora de são paulo, um tabelinha dilma la e marta aqui, se bem construída acabaremos com a aposição. Mas o fato é que marta deve nesse momento se alinhar aos prefeitos eleito do pt no estado, ja que querem eles fazer o bilhete único, nada mais justo a mãe do projeto marta suplicy tomar frente, e assim se consolidar nos estados, bem como tb proposta do CÉU nesses municipios visando uma união entre a futura governadora e os prefeitos. Assim marta vai construindo sua base 2010 como candidata ao governo do estado, bem como tb se alinhar aos policiais civis nesse momento de crise.

marta rumo a´2010

Comentado por rafael j em 31/10/2008 - 12:04h:

Realmente “timing” é um termo que não fez parte da campanha Marto-petista deste ano.

Mas tem um ponto desta análise que eu discordo.

Achar que teria sido um erro trocar de candidato presidencial diante da rejeição colocada assim como seria um erro trocar de candidato na cidade de São Paulo. De fato Lula não foi substituido e venceu as eleições, mas entre uma coisa e outra houve um enorme esforço para reconstruir a imagem do petista, de modo que não se pode dizer que Lula foi eleito com os mesmos signos que sempre carregou. Em 2002 a palavra ”luta” fora substituida pela palavra ”esperança”, ‘’socialismo” por ‘’social”, a barba foi aparada, a gravata entrou em cena e o candidato aparecia bem mais sereno no horário eleitoral substituindo a retórica pelo discurso pragmatico e ”responsável”.

Em 2002 souberam identificar as facetas rejeitaveis do candidato que foram eficientemente trabalhadas pelo marqueteiro, naquele ano não interessava peitar o preconceito, interessava vencer as eleições, era tudo ou nada, ultima chance do Lula.

Não houve mesmo esforço este ano para trabalhar a imagem da candidata Marta de modo que não se pode comparar uma coisa com outra. Não se trata de trocar Marta, mas sim de trabalhar sua imagem perante outra parte do eleitorado, assim como a de Lula foi trabalhada em 2002, assim como a de Obama esta sendo brilhantemente trabalhada agora (não cansam de exibir a foto da sua mãe branca, ja o polemico pastor foi devidamente escondido), kassab também teve sua imagem trabalhada, quem se lembra da pesquisa data-folha que apontava o DEMO como candidato com maior ”desequilibrio-emocional”? kassabinho e kassabão entraram em cena.

Faltou marqueteiro este ano na campanha petista. Faltou alguém com talento para transformar alguma percepção de arrogancia em ” mulher dicidida, que defende São Paulo ”, divorcio em honestidade e coragem, derrota eleitoral em ”amadurecimento”, trajetoria longa em acumulo de experiencia, enfim.

Sylvia tem razão quando escreve que Marta teve nos seus 40% de votos a exata fatia dos que gostam muito da candidata tal como ela é, não é pouca coisa, mas eu não creio que exista alguem nesse mundo que ”tal como é” possa agradar 50% mais um de uma cidade complexa como São Paulo.

enfim, faltou timing para tudo.

No mais. Fazer curso nos EUA pode ser uma coisa ótima, Marta teve oportunidade e aproveitou, ninguem nunca me ofereceu essa possibilidade, se oferecessem faria como Marta e não como Lula.

 

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