O lixo nosso de cada dia

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Lixo de 300 cidades pode produzir 15% da energia do País

Usinas termelétricas usam resíduos como matéria-prima; empresas ajustam aterros para poder obter eletricidade

Eduardo Reina – O Estado de São Paulo

O lixo das 300 maiores cidades brasileiras pode servir para a produção de 15% da energia elétrica consumida no País, segundo revela o Plano Decenal de Produção de Energia 2008/2017 do Ministério de Minas e Energia. O cálculo é feito sobre todo o lixo recolhido nesses locais, que pode ser transformado em energia em usinas termelétricas. De olho nesse novo nicho de mercado, as empresas que atuam nas áreas de resíduos, saneamento e limpeza pública começam a projetar a construção de novos aterros.

As companhias se espelham em determinação da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada ao governo estadual, que só aceita funcionamento de antigos lixões quando transformados em aterros controlados, com cobertura dos detritos com terra. Entretanto, novas licenças são dadas apenas para centros de tratamento, que têm controle sobre a produção de chorume e de gás.

Um executivo de uma companhia que atua no Estado admitiu que “não interessa mais” operar na limpeza pública, “mas trabalhar com aterros”, para aproveitar a onda verde da energia do biogás. São Paulo tem hoje 21 aterros particulares. Há dois pedidos de licenciamento em tramitação no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

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A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) diz que em 1997 havia apenas dois aterros privados no Estado. Em 2007, já eram 21, além de três para resíduos industriais. “Hoje 70% dos resíduos domiciliares de São Paulo são depositados em aterros privados. A capital responde por 50%. São 95 municípios que usam equipamentos privados. As prefeituras preferem esses aterros pela qualidade ambiental e dos serviços e pelo maior gerenciamento”, afirma o presidente, Diogenes Del Bel.

Os dois aterros da capital estão com a capacidade esgotada. O São João, na zona leste, ainda receberá detritos até março de 2009 – depois será fechado. O contrato de 20 anos e R$ 10 bilhões no Município, assinado em 2004, prevê a construção de novos equipamentos. A atual gestão renegociou os contratos e prorrogou prazo para a criação de outros aterros. Enquanto isso, as 15 mil toneladas de lixo produzidas pelos paulistanos vão para a central de resíduos Essencis, em Caieiras. A EcoUrbis, que administra o aterro São João, aguarda liberação da licença de funcionamento de área em São Mateus, no limite com Mauá, para instalar outro equipamento.

As empresas projetam a possibilidade de os aterros particulares atenderem a vários municípios de uma mesma região. “O raio de atendimento, com custo competitivo, é de até 70 quilômetros”, afirma Luciano Amaral, presidente da Vega Engenharia Ambiental, sócio do Essencis, que faz limpeza pública em parte da capital. Em Porto Alegre, essa teoria já entrou em prática: um centro de tratamento de resíduos atende cidades localizadas num raio de 140 quilômetros.

Colapso do lixo atinge 67 cidades de São Paulo

Nove terão de fechar os aterros; prefeitos alegam “perseguição”

Diego Zanchetta – O Estado de São Paulo

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) desencadeou ontem uma ação para interditar os aterros de 67 municípios de São Paulo, dos quais 9 começaram a ser notificados na semana passada. A medida atinge 1,1 milhão de pessoas. São lixões que funcionam sob as mesmas condições desde os anos 80, com toneladas de resíduos empilhadas de forma precária, próximas de rios e de áreas residenciais, a maior parte sem coleta seletiva ou reciclagem, segundo o governo estadual. Sem as correções exigidas há quase um ano, esse locais ameaçam contaminar com chorume áreas de mananciais como a Represa Billings, usada para abastecer 15% da Grande São Paulo, os lençóis freáticos do Vale do Ribeira e áreas de preservação permanente no litoral e no oeste do Estado.

A intervenção da Cetesb foi antecedida de uma reclassificação sobre as condições dos aterros em 137 cidades, feita em setembro e obtida com exclusividade pelo Estado. O levantamento mostra que 78 municípios (57%) foram considerados “inadequados” pelo Índice de Qualidade de Resíduos (IQR). Desses, 67 têm aterros em situação considerada “crítica”, que precisam ser fechados. A reportagem teve acesso aos nomes de cinco das nove prefeituras que serão alvo de intervenções nas próximas semanas: Araçariguama, Cruzeiro, Embu-Guaçu, Itapetininga (já notificada pela Cetesb) e Presidente Prudente.

Os prefeitos com aterros multados ou prestes a serem interditados reclamam de “perseguição” do governo e argumentam que a ação da Cetesb favorece os 21 aterros particulares em funcionamento no Estado. O governo rebate e diz ter repassado R$ 8 milhões a 70 municípios, somente neste ano, para melhorias em lixões.

Outros 55 municípios com aterros “inadequados” em 2007 melhoraram a classificação – estão entre “adequados” e “controlados”. Para isso, realizaram melhorias como a adoção de reciclagem e de novas estações de transbordo. O número de aterros em condições ruins, contudo, pode ser maior, uma vez que os 508 municípios que obtiveram IQR superior a 6 em 2007 não foram reavaliados no mês passado. Ao todo, São Paulo contava com 332 aterros classificados como “adequados” em novembro – 51,8% das 645 cidades paulistas.

Em junho, uma reclassificação parcial dos aterros já resultara no fechamento dos lixões de Itapecerica da Serra, Araras, Itanhaém e Mongaguá. Três meses após a intervenção, os aterros seguem lacrados. Araras, por exemplo, passou a enviar o lixo para um aterro particular em Paulínia, a 120 km de distância. Itanhaém despeja os resíduos em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

Em novembro do ano passado, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA) exigiu melhorias em 137 cidades com IQR “inadequado”. Na primeira classificação, em 1997, eram 143 municípios que não atendiam a parâmetros como distância de mananciais e coleta de chorume. “Quase um ano depois, temos 67 cidades que não fizeram nada para melhorar as condições dos (seus) aterros. A coleta seletiva, que reduz a massa de lixo nos aterros, continua incipiente na maior parte dos municípios pequenos”, diz o secretário do Meio Ambiente, Francisco Graziano. “O paulista, que produzia em média 200 gramas de lixo por dia na década de 90, produz mais de 800 gramas hoje. Muitos aterros ficaram pequenos.”

Leia mais sobre a questão do lixo no caderno Metrópole do jornal O Estado de São Paulo

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5 COMENTÁRIOS PARA "O lixo nosso de cada dia":

Comentado por Gustavo Conde em 02/10/2008 - 10:29h:

Favre: se a campanha da Marta apontar para a possibilidade de o Kassab sair da prefeitura em 2010 para disputar o governo do Estado, o segundo turno está no papo. Dados mais recentes do enfraquecimento do Alckmin permitem essa tese. E a população detesta ser trampolim… Saudações!

Comentado por Sylvia Manzano em 02/10/2008 - 11:24h:

“Os eleitores do PSDB deverão, entre outras coisas, definir se as afirmações de Alckmin sobre a trajetória malufista de Kassab são um argumento circunstancial do seu candidato ou a realidade de uma tentativa de vender gato por lebre”
LUIS FAVRE
marido de Marta, em seu blog

NO “PAINEL” NA “FOLHA DE SÃO PAULO”

Comentado por Michael Bryan em 11/02/2009 - 11:42h:

I am investigating the economics of advanced processing technologies for “lixo urbano” — transforming garbage to energy in such forms as syngas, biogas and electricity. Obviously the costs of such usinas de lixo are high, but with sufficient information our company can draw up a business plan for which at least three overseas suppliers are interested. Question: who are the best fontes de informaçao sobre esse assunto?
mb

Comentado por Read Aued Guirar em 16/05/2009 - 18:51h:

Nem o mais antenado jornalista sabia que:
em julho de 2007 – o governo estadual envia a ALESP o Projeto de Lei Complementar nº48/2007, que permite a alteração dos estatutos da SABESP para que ela possa construir aterros sanitários.
Em dezembro de 2007 – o PLC48/2007 foi aprovado e sancionada a lei.
Em 7 de março de 2008 – o Secretario do Meio Ambiente de PS, Graziano, vistoriou o lixão de Itapecerica da Serra.
Em junho de 2008 – interdição pela CETESB de 4 lixões de uma só vez
Em julho de 2008 – a SABESP alterou seus estatutos.
Em janeiro de 2009 – O Prefeito eleito Presidente do Conisud anuncia que vai propor ao Governo do Estado parceria para a retomada do lixão
Em fevereiro de 2009 – comentários sobre ensaios do Prefeito com Secretaria de Governo para a entrega do lixão para a SABESP
Em 17 de março 2009 – o Governador do Estado autoriza protocolo de intenção entre a SABESP e a Prefeitura de Itapecerica da Serra.

O circo já estava armado desde antes de 2007. Só veio a público em 17/03/2009. Ninguém, a menos dos deputados sonolentos da ALESP sabiam da intenção do governo do Estado, através da SABESP de “entrar no negócio bilionário do lixo” (aspas: Folha de S. Paulo de 17/03/2009. Ninguém! Nem a grande imprensa publicou uma linha sobre o assunto.

A atuação da SMA SP foi orquestrada com larga antecedência.

A SABESP vai construir aterros sanitários com 30 anos de vida útil. Significa que a coleta seletiva e reciclagem no Estado de SP vai se atrasar em mais trinta anos.

Dá pra aguentar?

Comentado por wesley em 22/11/2009 - 20:56h:

AFFF um LIXO mesmo

 

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