Os deuses que fracassaram

http://markjberry.blogs.com/way_out_west/Deconstruction.jpg

Harold Meyerson* – O Globo

Em 1949, escritores famosos escreveram ensaios explicando por que não eram mais comunistas, reunidos no volume “O Deus que fracassou”.

Hoje, intelectuais conservadores talvez considerem escrever sobre os fracassos de sua amada divindade: o capitalismo sem regulação.

A queda do sistema financeiro tem sido tão rápida e ampla que não houve tempo para considerar suas implicações para a teoria econômica que reinou nos últimos 30 anos. No que exatamente economistas conservadores acreditam, agora que seu deus está morto? Não nos surpreende ver um desorientado John McCain. O que ele deve fazer? Admitir que a crença de Ronald Reagan e Margaret Thatcher no capitalismo sem regulação, no qual todo candidato republicano apoiava até o último inverno, desmoronou? Na verdade, a crença da auto-suficiência do mercado também teve apoio de importantes democratas. Nos anos 90, o republicano Alan Greenspan e o democrata Robert Rubin agiram para que o mercado de derivativos seguisse sem regulação, apesar de Warren Buffett e George Soros terem alertado para o risco.

Se o colapso dos mercados deixou o conservadorismo em farrapos, deu aos liberais a tarefa de construir uma economia mais sustentável. Foram os liberais do Congresso que insistiram que o governo deveria ter poder para adquirir participações em bancos.

Agora, liberais devem ficar atentos ao tipo de nacionalização financeira que estão prestes a adotar. Henry Paulson (secretário do Tesouro dos EUA) quer injetar recursos públicos em bancos, mas continuar confiando nosso sistema aos banqueiros que nos colocaram nessa situação.

Esses bancos não deveriam incluir membros do governo em seus conselhos de administração para evitar as mesmas besteiras? A atual crise de ideologia não está confinada à doutrina do laissez faire. A crença no equilíbrio do orçamento se tornou sem sentido com a economia se encaminhando para uma recessão. Com bancos parando de emprestar, empresas demitindo funcionários, governos locais e estaduais suspendendo serviços, proprietários de imóveis com dívidas recordes e consumidores reduzindo compras, um maciço estímulo federal é o que separa a nação de uma calamidade econômica.

McCain e Obama discordam no que se refere ao papel do governo no estímulo à economia.

Tendo passado a vida defendendo políticas que levaram ao “derretimento”, McCain agora defende políticas que transformarão recessão em depressão. Ele pode ter suas crenças, mas a nação não pode rezar no altar desses deuses que fracassaram.

*HAROLD MEYERSON é colunista do “Washington Post”

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10 COMENTÁRIOS PARA "Os deuses que fracassaram":

Comentado por rafael j em 16/10/2008 - 10:27h:

Eu estou curioso para saber como o desdobrar do ocorrido pode se refletir em um rearranjo político no Brasil e na AL.

Partidos de esquerda deveriam organizar algum tipo de documento que trate do assunto para reafirmar convicções?

A abordagem dessa crise só remete ao curto prazo, de que forma o país podera amortercer seus efeitos na economia nacional, que é legítimo e urgente, mas eu não vejo por hora nenhuma sinalização ou avaliação mais geral sobre a situação.

Mesmo sendo leigo em economia, é perceptivel que se não fosse uma aposta no mercado interno, diversificação dos parceiros comerciais e frenagem nas reformas liberais no Brasil nos ultimos anos, certamente a tal crise chegaria com maiores impactos.

Onde entra o bonus político na mentalidade da sociedade brasileira?

a esquerda esta muito acanhada.

Comentado por rafael j em 16/10/2008 - 10:31h:

Nos EUA os republicanos dão sinais de perda de discurso.

em São Paulo o partido da frente liberal com apoio das aves do estado mínimo estão na dianteira.

vai entender.

Comentado por Sylvia Manzano em 16/10/2008 - 12:54h:

MOMENTO HISTÓRICO, MAS NADA A VER COM O POST

Aqui na Praia Grande o candidato “45″ venceu a eleição.
O outro candidato, que é do PMDB com o apoio total e irrestrito do PT, entrou com ação para impugnar a eleição, já que são milhares as provas de que houve fraude tanto na urna eletrônica, quanto na compra de votos.
A cidade está indignada, pois era nítida a preferência do Cunha -PMDB na eleição, fizeram uma passeata enorme no sábado passado e por notícias que tenho a eleição será impugnada, sim e o Cunha será o novo prefeito eleito.
Ruiram os 16 anos de império do “45″, porque a república está longe de ter chegado aqui.

Comentado por Sylvia Manzano em 16/10/2008 - 12:56h:

Se a Praia Grande, que sempre se ajoelhou aos pés do “45″ conseguiu, porque nós não vamos conseguir em São Paulo?
Vamos virar esse jogo sórdido que o PIG faz.

Comentado por rafael j em 16/10/2008 - 14:36h:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u456878.shtml

fugindo da luz e do oxigênio.

Comentado por marcia em 16/10/2008 - 14:44h:

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Nestlé pede, e Kassab reduz carne em sopa

Sabemos que o nosso blog é lido por Gilberto Carvalho e toda a equipe da campanha da Marta. Aqui vai, mais uma colaboração nossa

Por solicitação da Nestlé, que queria participar de licitação, Prefeitura de São Paulo piorou a qualidade nutricional do alimento

Nutricionistas haviam previsto 7 kg de carne a cada 100 kg de sopa; com a mudança, administração passou a exigir só 0,5 kg

A pedido da Nestlé, a Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir a qualidade nutricional da sopa que pretende distribuir em um programa que irá reunir pais e alunos aos sábados nas escolas e creches municipais.

A gestão Gilberto Kassab (DEM) diminuiu a quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa depois de um apelo feito pela multinacional durante uma consulta pública para a compra do produto. A previsão das nutricionistas do município era que uma das sopas tivesse 7 kg de carne, 2 kg de cenoura e 3 kg de “outras” hortaliças (por 100 kg de sopa desidratada a ser distribuída).

Com a mudança feita diante da manifestação da Nestlé, a mesma sopa deverá ter só 0,5 kg de carne, 0,8 kg de cenoura e 1 kg de “outras” hortaliças. A redução na quantidade de carne, frango e verdura exigida na sopa é condenada pela presidente da Associação Brasileira de Nutrição, Andrea Galante, que também contesta a escolha desse alimento para ser distribuído nas escolas municipais.

“Baixar a quantidade de verduras e hortaliças vai contra aquilo que preconiza a OMS [Organização Mundial da Saúde]. Uma maçã tem os mesmos nutrientes que uma porção dessa sopa, que ainda será servida em uma época de calor.” O edital prevê a compra de 750 toneladas de sopa desidratada por mês. O Sábado na Escola está previsto para começar no final de semana.

O TCM (Tribunal de Contas do Município), no entanto, determinou ontem a suspensão do pregão que ocorreria hoje para definir a fornecedora. Um dos motivos contestados pelo tribunal foi a exigência de que a entrega da sopa, com embalagem personalizada, começasse no dia 15, três dias depois do anúncio do resultado.

O TCM avaliou que a condição só poderia ser atendida por alguém que já tivesse pronta toda a infra-estrutura para distribuição, algo que abriria margem para direcionamento.

R$ 46 milhões

O TCM também considerou que a prefeitura precisa explicar a razão para a contratação de um único fornecedor do programa. Empresas menores alegam que apenas as grandes do segmento teriam condições de entregar a quantidade exigida.

A Nestlé atualmente mantém contrato com a prefeitura para a distribuição de leite nas escolas, tendo pronta sua estrutura logística de entrega. Tanto a multinacional como a gestão Kassab não quiseram se pronunciar ontem. O valor total do contrato para a compra da sopa não foi informado pela prefeitura. Só na semana passada, Kassab destinou R$ 46 milhões ao programa.

A prefeitura também atendeu a outro apelo da Nestlé: a inclusão de pimenta na sopa com carne, que é produzida pela multinacional. A liberação foi considerada “estranha” pela Pink Alimentos, uma das concorrentes da licitação. Em quase quatro décadas fornecendo merenda escolar no país, a empresa afirma desconhecer outros casos de inclusão do produto. Nutricionistas consultadas pela Folha também disseram que a pimenta não agrega nenhum valor nutritivo à sopa.

Na sua solicitação para alteração do edital de compra da sopa, a Nestlé alegou que a redução dos componentes permitiria a participação na licitação dos maiores fabricantes do setor, que costumam trabalhar com menor proporção dos referidos nutrientes. Sugeriu, dessa forma, uma formulação mais próxima dos produtos vendidos por ela no varejo.

A Secretaria de Gestão, em resposta à solicitação da empresa, acata a sugestão “a fim de possibilitar a participação do maior número de participantes na licitação”, conforme ata obtida pela reportagem.

Não inventamos e nem aumentamos essa notícia. Está publicada aqui no panfleto de Kassab, a Folha de 12 de setembro de 2007. Por favor, meus queridos leitores. Repassem essa notícia
Por: Helena™ . Quinta-feira, Outubro 16, 2008

Comentado por Rodrigo em 16/10/2008 - 16:22h:

Favre,

Vc está sabendo sobre a greve da policia?
Se o PT pegar nessa ferida na campanha….
A midia está encobrindo até o ultimo…
Ah, sobre a hipocresia da midia… vc poderia fazer um comentario sobre o caso em que o presidente foi duramente criticado “por beber”…

Abs

Comentado por Rodrigo em 16/10/2008 - 16:23h:

*hipocrisia

Comentado por rafael j em 16/10/2008 - 17:04h:

Kassab se fundamenta em 3M,

Máquina
Mídia
Mentira

Assim até um cachorro se elege elefante.

Comentado por rafael j em 16/10/2008 - 17:06h:

Marta poderia falar isso em um entrevista qualquer.

”Luto contra três M’s do meu adversário. Máquina, mídia e mentira”

 

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