Sobre o exercício da hipocrisia
por Luis Nassif
Há alguns tempo publiquei um tratado sobre a hipocrisia na política. Mostrava que era impossível a qualquer governo atuar sem recorrer à hipocrisia. Mais ainda no Brasil, onde a precariedade institucional elevada.
Mas duas hipocrisias chocam pelo excesso.
A primeira, a maneira como estão fritando o Geraldo Alckmin agora, comparada ao jogo hipócrita das últimas eleições, em que se tentava vendê-lo como o grande gerente. Experimentei na pele a dificuldade que era dizer o óbvio: que Alckmin era um administrador sofrível. Agora, virou a própria Geny, nos mesmos veículos que o incensavam.
A segunda, o mea culpa dos intelectuais que foram na onda do neocon e do anti-lulismo exacerbado. O oportunismo de atender à demanda de anti-lulismo da mídia, recorrendo a um pensamento preconceituoso e radical, já foi vergonhoso. Voltar atrás agora, que o efeito manada vai em outra direção, é duplamente vergonhoso. Só estão faltando beijar o Lula na boca.
Nunca foi tão presente aquele artigo do Luiz Fernando Veríssimo, um clássico, em que dizia da péssima companhia em que ficaria, se entrasse na onda.
Outro dia, um comentarista – não me lembro se o João Vergílio – falou do refluxo desse neo-conservadorismo na USP. Passou a onda, ficou o cheiro. Intelectuais respeitáveis, da USP e da Unicamp, carregarão pelo resto da vida, na sua biografia, o fato de que, um dia, ficaram lado a lado com o pior esgoto que o jornalismo brasileiro produziu em muitas e muitas décadas.
Agora, esse jogo ficou reduzido a meia dúzia de pessoas que compõem o Clube da Auto-Ajuda: “eu te chamo de gênio, você me chama de gênio, e mandemos os escrúpulos e o ridículo às favas”.
Escrito por Luis Nassif do Blog de Nassif
Tags: Alckmin, eleições, intelectuais, jornalismo, Lula, Nassif, pensamento, UNICAMP, USP, Veríssimo2 COMENTÁRIOS PARA "Sobre o exercício da hipocrisia":
Quem se esqueceu daquele classico podcast do Arnaldo Jabor, por onde dizia ser Alckmin heredeiro e agente do que havia de mais puro, moderno e ético da política ja que era oriundo do privatizante estado de São Paulo ”terra de pregões eletronicos”, enquanto que Lula era o que de havia de pior, mais sujo e arcaico da tradição brasileira, sustentado pelo analfabetisno e fome dos rincões do Brasil onde o ESTADO mostrava seus tentaculos e predomínio.
Sentia-se diariamente o cheiro de esgoito desse discurso a cada página de jornal que se virava em 2006. Dava um nojo profundo.

Luis Nassif, é a primeira vez que eu lhe escrevo.
Ainda não entendi porque você perde tempo com aqueles dois ratos de esgoto daquela pocilga semanal.
Vá em frente…