Americanas voltam a sonhar com mulher à frente da Casa Branca

 

Obama e Hillary durante comício em outubro

da Folha Online

A vitória de Barack Obama na eleição presidencial deixou em muitas americanas a esperança da eventual chegada de uma mulher pela primeira vez à Casa Branca.

Sem a Presidência, o nome de Hillary Clinton passou a ser considerado o favorito para comandar a diplomacia dos Estados Unidos no próximo governo. Fontes ligadas a Obama afirmaram ao canal CNN que a ex-primeira-dama pode ser designada secretária de Estado.

No início da histórica campanha eleitoral de 2008, a disputa entre Obama e a senadora Hillary Clinton pela candidatura do Partido Democrata foi para muitos uma batalha do destino dadas as opções: um negro e uma mulher. A decisão de apoiar um equivalia a dar as costas ao outro.

No entanto, muitos analistas consideram que o perfil da senadora por Nova York acabou com os preconceitos que poderiam existir sobre a capacidade de uma mulher assumir o comando do país.

“Teto de vidro”

“Sempre que cai uma barreira é sinal de que as demais começarão rapidamente a desabar”, afirmou a estrategista do Partido Democrata Donna Brazile à France Presse.

“Apesar de não poder dizer quando –quem poderia prever este momento–, nem o candidato nem o partido, vejo este dia se aproximar no horizonte. É tempo de ‘apurar a história’ e permitir o acesso de uma nova geração (à Casa Branca). Não há dúvida, uma mulher conseguirá em breve”, acrescentou.

Em um discurso emocionado em junho, ao admitir a derrota nas primárias para o então adversário Barack Obama, Hillary pediu a seus milhões de simpatizantes que apoiassem o senador por Illinois, mas também fez referências às questões de gênero.

“Embora desta vez não tenhamos sido capazes de quebrar este elevado e duro teto de vidro, agradeço porque agora tem 18 milhões de rachaduras”, disse, em referência à quantidade de votos que recebeu na disputa interna.

“As crianças de hoje crescerão com a garantia de que um negro ou uma mulher podem, absolutamente, se tornar presidente dos Estados Unidos”, enfatizou, diante de muitas mulheres que choravam ou a aplaudiam.

“Botão”

Pouco depois, outra barreira caiu com a designação da governadora do Alasca, Sarah Palin, como candidata a vice de John McCain na derrotada chapa presidencial do Partido Republicano.

Parece uma ironia que os Estados Unidos, que sonham em expandir a democracia no mundo, nunca tenham tido uma mulher presidente.

“Acredito que a idéia de singularidade dos Estados Unidos tem sido um enorme fator para determinar a forma como os americanos vêem seu presidente. No final das contas, nos consideramos os líderes do mundo livre”, diz Barbara Palmer, diretora interina do Instituto Mulher e Política na American University.

“Por isso sempre tivemos uma visão muito sexista da função (de presidente), que, além de tudo, é também a de comandante-em-chefe. Definitivamente, uma mulher poderia apertar o botão (que ativa a bomba atômica)?”: para ela este é o questionamento dos eleitores.

Palmer, autora do livro “Quebrando o teto de vidro da política”, concordou que é apenas uma questão de tempo que uma mulher chegue à presidência.

“Não acredito que se deva subestimar o efeito que pode ter sobre uma menina de oito anos ver Hillary Clinton e Sarah Palin disputar as presidenciais. Somos uma sociedade muito visual. Se algo não está na televisão, então não aconteceu”, conclui.

Tags: , , , , , , , , , , , ,

2 COMENTÁRIOS PARA "Americanas voltam a sonhar com mulher à frente da Casa Branca":

Comentado por José Rocha em 16/11/2008 - 16:59h:

Torço para que isto seja mesmo verdade.

Comentado por rafael j em 16/11/2008 - 17:19h:

Sarah Palin passava uma ideia errada para a menina de 8 anos vendo TV, a ideia de que as vezes uma mulher pode ser sacada de ultima hora e ser usada como enfeite.

O candidato quando ve diante de si uma barreira cultural deveria ter consciência do seu papel pioneiro e da sua responsabilidade quanto agente político por carregar a imagem de toda uma legião que esta por trás.

Lula sabe que não pode errar, caso contrário condenaria toda a classe trabalhadora a um esteriótipo negativo, Obama como negro, idem.

O partido Democrata nos EUA fez história nas útimas primarias quando colocou em evidência dois nomes com plena noção do papel que exerciam. Hillary não é só uma mulher, é uma mulher icone naquele país da capacidade do sexo ”frágil”.

Se Sarah Palin fosse eleita seria um belo tiro no pé do movimento feminista nos EUA e no mundo.

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO: