Criacionismo no Mackenzie

+ Marcelo Leite – FOLHA SP
Colégio prega idéia de origem religiosa em aula de ciências
O Instituto Presbiteriano Mackenzie abrange uma universidade e uma escola das mais tradicionais de São Paulo. Só na unidade paulistana do colégio há mais de 1.800 alunos. Seu campus no quarteirão ladeado pela avenida da Consolação e pela rua Maria Antônia é um ponto de referência na cidade.
Talvez poucos se dêem conta de que se trata de um estabelecimento confessional de ensino. Isso está bem explícito no nome da instituição, porém. Agora o Colégio Mackenzie é também, oficialmente, criacionista.
Criacionismo é a doutrina segundo a qual Deus criou o mundo com todas as espécies que existem hoje. Isso contradiz a explicação darwinista para a diversidade biológica, fruto da evolução por seleção natural. Inúmeras observações comprovam postulados centrais do darwinismo, como a ascendência comum (todas as espécies provêm de um ancestral único).
O fato de o DNA ser a molécula da hereditariedade em todas elas é a melhor prova desse princípio. Os primeiros seres vivos da Terra “inventaram” essa maneira de transmitir características de uma geração a outra, há cerca de 4 bilhões de anos, e ela se perpetuou desde então.
A direção do Mackenzie não nega os avanços da biologia trazidos pelo darwinismo, mas acredita que é preciso opor-lhe o contraditório. Em outras palavras: ensinar a seus alunos que há outra explicação, de fundo religioso, para a origem das espécies.
Quase 200 anos depois de Charles Darwin (1809-1882) e 150 após a publicação de sua grande obra, “Origem das Espécies”, os educadores do Mackenzie aceitam só o que chamam de “microevolução” (organismos se adaptam a novas condições do meio).
Não, porém, a “macroevolução” (tal adaptação não seria suficiente para originar novas espécies, em verdade criadas por Deus).
A doutrina criacionista não é apresentada somente nas aulas de religião, mas igualmente nas de ciências. Em 2008 foi usada nos três primeiros anos do ensino fundamental 1, ainda em fase piloto, uma série de apostilas traduzidas e adaptadas de material da Associação Internacional de Escolas Cristãs (ACSI, na abreviação em inglês), com sede no Colorado, nos Estados Unidos.
A coleção utilizada com crianças de 6 a 9 anos se chama Crescer em Sabedoria. Na capa do volume do terceiro ano estava estampado “Ciências – Projeto Inteligente”.
É uma alusão ao argumento do “design inteligente”: a natureza é tão complexa e os organismos tão perfeitos que só o desígnio de um arquiteto (Deus) pode ter sido responsável por sua criação. “Quando Deus formou a Terra, criou primeiro o ambiente. Criou elementos não vivos, como o ar, a água e o solo. Depois, Deus criou os seres vivos para morarem nesse ambiente”, afirma-se na pág. 10. O item 2.1 do volume se chama “O plano de Deus para os ambientes”.
Pode ser lido na pág. 17: “Deus projetou as cores e as formas de cada animal e o colocou em um ambiente que era perfeito para eles [sic]. Quando um animal usa suas cores ou formas para se esconder em seu ambiente, dizemos que ele está camuflado”.
A direção do Mackenzie justifica a omissão da evolução por seleção natural, nessa apostila de ciências, dizendo que se trata de conteúdo previsto apenas para o ensino fundamental 2. Além disso, o material da fase piloto de 2008 foi revisto e a ênfase religiosa, atenuada, mas não excluída.
Darwin, todavia, continua de fora.
Só uma dúzia de pais reclamou.
MARCELO LEITE é autor de “Ciência – Use com Cuidado” (Editora da Unicamp, 2008) e de “Brasil, Paisagens Naturais -Espaço, Sociedade e Biodiversidade nos Grandes Biomas Brasileiros” (Editora Ática, 2007). Blog: Ciência em Dia (cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br).
E-mail: cienciaemdia.folha@uol.com.br
13 COMENTÁRIOS PARA "Criacionismo no Mackenzie":
O que me espanta nem é o conceituado colégio Mackenzie negar Darwin, talvez cheguem mesmo a negar que a terra se mova ou que seja redonda, voltando a ser chata e sustentada por elefantes. O que me espanta mesmo é a adesão imediata dos pais, apenas uma dúzia deles reclamou. Nunca a expressão “fez fama, deita na cama” valeu tanto quanto hoje. Imagina se alguém vai reclamar de uma escola da amplitude do Mackenzie, afinal, o que importa é a grife.
COMO VC FALA BESTEIRA
ESPERO RESPOSTA..MAS NAO ABOBRINHAS…
Na verdade, como eu entendo e aceito, o tal postulado da “ascendência comum” não reforça os postulados darwiniano e sim o criacionismos, a pretender que as espécies tiveram “um ancestral ‘único’”. De verdade, o evoilucionismo não se sustenta em sí. Não há notícia de uma única espécie viva que esteja “evoluindo” ainda hoje. Há mudanças induzidas por fenômenos naturais ou intervensão humana, melhoramentos genéticos. Ao natural as mudanças visualizadas são sempre em sentido contrário a “evolução”. Ha sempre uma mudança para pior, até a exinção das espécies, que não vemos “evoluir” em uma nova. Sendo establecimentos de ensino mantidos por confissão religiosa, não é impróprio que ensinem seus postulados. Inaceitável seria o Estado forçar tal situação como dizem que está previsto em recente acordo com o Vaticano.
Simples, não estude no Mackenzie.
É sabido que a revista Veja não vai colocar o colégio Mackenzie no quadro depreciativo ”desce”. Como fez com o tradicional colégio Porto Seguro, por ter adotado o material complemantar Carta na escola, da revista CartaCapital.
Adotar material pedagógico alternativo aos confeccionados pela familia Civita é errado, negar postulados sólidos da ciência em um livro de ciências é normal.
São Paulo esta de ponta cabeça, eu penso que é uma fase.
As correntes criacionistas nos Estados Unidos, que lamentavelmente estão expandindo suas esferas de influência para além das fronteiras daquele país representam, na verdade, toda uma cosmovisão altamente retrógrada e conservadora, que é sustentada não só pelos setores clericais norte-americanos, como por forças políticas outras, cujos desígnios e objetivos são, desde muito, conhecidos. Trata-se da extrema-direita norte-americana, que está pondo em prática seus planos de “imbecilização” da sociedade inteira e, tanto quanto possível, de toda humanidade. O objetivo final desses setores é a formação de uma legião de seres humanos anômalos, incapazes de qualquer reflexão crítica e, por conseguinte, de qualquer reação social e política que, potencialmente, desestabilize o “status quo”, cuja manutenção “ad infinitum”, obviamente, é a meta final.
“Narciso acha feio o que não é espelho”. Infelizmente, basta uma instituição sair do padrão científico convencionado que a militância darwinista já entra em ação… Desprezam as fraquezas e falhas do seu sistema e, num ato de fé, ignoram as críticas contrárias abraçando de olhos fechados sua verdade absoluta. Deveriam abrir os olhos e os ouvidos aos críticos do evolucionismo como Michael Denton (Evolution: A Theory in Crisis, Adler & Adler, 1986), Michael Behe (A caixa preta de Darwin, Editora Jorge Zahar, 1997) e os livros de Francis Collins, diretor do projeto genoma. Perceberiam que há muito mais que elos perdidos no evolucionismo e que a possibilidade de um ser criador não pode ser descartada, até que se prove o contrário. Neste sentido, a visão aberta da direção do Mackenzie está de parabéns
Creio que só de aceitar a idéia de que uma entidade esotérica transparente pariu o universo é, de per si, estupidez de quilate elefantino. É impressionante perceber como a humanidade continua misticamente obtusa depois de 2000 anos de historinha mal contada que o mano Paulo remendou (e por isso é padroeiro dos publicitários).
Só me resta culpar aos Romanos, por terem cometido a besteira de pregar o profetinha fajuto num pedaço de pau em público. Se lhe tivessem apenas arrancado os dentes e libertado na rua, provavelmente o fenômeno evolutivo já tivesse sido percebido na idade média (Lembra? Aquela época que a igreja pagava dinheiro (corrupção!) a quem delatasse inocentes (crianças e mulheres, principalmente) como bruxos, para assá-los suas fogueiras sádicas por motivos perversos.
Macacos falantes retardados… quem dera houvesse um inferno para contê-los.
Realmente – o pior é os pais não terem tirado seus filhos da escola. Eu tiraria. É mais importante a griffe McKenzie do que se preocupar com o que ensinam aos filhos?
tenho pena dos alunos dessa escola!acho ridiculo eles so leccionarem o criacionismo, isso mostra a fraqueza da teoria!nao ensinam nada de darwin porque iriam perder apoiantes! na minha escola leccionaram as duas,respeitam os que acreditam nisso mas, como nao ha nada de cientifico nela,falam mais de darwin, se nao no lugar de biologia, tavamos a ter catequese! e nunca iriamos saber que existe o DNA, e ocorrem mutaçoes nele, quando é transferido…
se realmente fosse tudo criado por deus nao acham uma piada de muito mau gosto ele formar humanos? com sindrome de down, ou sindrome de patau???? entre outras…
Realmente lamentavel. Lugar de religiao nao e em aula de ciencias. E um verdadeiro crime apresentar a versao biblica como se fosse ciencia. E quando isso e feito com criancas, torna-se um verdadeiro crime.
Não sei porque de tamanha polêmica. A instituição Mackenzie é presbiteriana e, portanto, leva os princípios cristãos para dentro da escola e da universidade. Qual o problema disso? Cada um prega e ensina aquilo em que acredita… Há algo para se refletir: porque é mais fácil acreditar nas teorias de Darwim do que foi escrito na Bíblia?