Desigualdade de renda cai 7% em 15 anos no Brasil
Em China, Índia e Rússia, houve alta de até 40%, diz Ipea

Ainda um longo caminho a percorrer
Gustavo Paul – O Globo
BRASÍLIA. Para consolidar o crescimento econômico, o Brasil precisa superar desafios sociais, como melhorar a qualidade do ensino e aumentar sua competitividade. A boa notícia é que o país está no meio do caminho e avança em alguns indicadores sociais e econômicos.
Essas são as conclusões de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), comparando o Brasil com outros dez países, divulgada ontem.
Os dados mostram, por exemplo, que nesse grupo de países — que inclui China, Índia, Rússia, Finlândia, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, África do Sul, México e Argentina —, só Brasil e outros três reduziram desigualdades de renda entre os trabalhadores de 1990 a 2005. No caso brasileiro, houve uma queda de 7%, enquanto na África do Sul a redução foi de 11%, no México, 3%, e na Alemanha, 14%. Nos demais houve aumento.
Segundo o coordenador da pesquisa, Milko Matijascic, diretor do Ipea para o Centro Internacional de Pobreza da Organização das Nações Unidas (ONU), esse fenômeno será importante para suportar as conseqüências da crise internacional.
Entre os principais competidores do Brasil, houve forte aumento. China registrou alta de 36%, Índia, 20%, e Rússia, 40%.
— No caso desses países, o aumento da desigualdade representa um grave risco para o equilíbrio social em momentos de turbulência econômica.
O crescimento por si só não se traduz em desenvolvimento, se não for distribuído para toda a população — disse.
Brasil é o último em interpretação de textos O levantamento, que será entregue aos principais ministérios para contribuir para a formulação de políticas públicas, mostra que o Brasil só supera África do Sul e Argentina em crescimento econômico de 1975 a 2005. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresceu 35,6% em 30 anos, perdendo para a China (896%), Índia (174,3%), Finlândia (88,5%) e EUA (88,2%) e México (49%).
O estudo aponta ainda problemas na infra-estrutura social brasileira. Ao mesmo tempo em que apresenta doenças típicas de países ricos, como males cardíacos, o Brasil tem doenças também de nações africanas, como as parasitárias. Em dez dos 11 países, as doenças cardiovasculares e os diversos tipos de câncer são as principais causas de morte, incluindo o Brasil. Por outro lado, o país destaca-se como primeiro colocado em mortes violentas. A Alemanha é a última.
O Brasil também aparece em pior colocação, quando a análise é feita em torno da capacidade dos estudantes interpretarem textos e fazerem cálculos matemáticos
Tags: Alemanha, Argentina, China, Competitividade, Crescimento, crise, desenvolvimento, desigualdade, doenças, Ensino, Espanha, estudantes, estudos, EUA, Finlândia, Internacional, IPEA, ONU, pesquisas, PIB, pobreza, Renda, Social, trabalhadores3 COMENTÁRIOS PARA "Desigualdade de renda cai 7% em 15 anos no Brasil":
Com todo o respeito ao comentarista que me precedeu, acho que precisamos adjetivar menos e compreender mais o momento que o Brasil vive.
Ele parece desconsiderar o fato de que as políticas sociais implementadas pelo governo são uma necessidade da transição que o Brasil atravessa entre a desigualdade social endêmica que vivemos até hoje e uma nova situação de crescimento e justiça.
Sempre nos prometeram o país do futuro, mas é o governo Lula que está combinando política econômica consistente, políticas sociais, medidas educacionais (ainda insuficientes), melhorias na infra-estrutura e outros tantos programas e ações que podem nos remeter a uma situação melhor. Equivocado é comparar a situação dos Estados Unidos dos anos 60, já uma potência mundial, à situação do Brasil. Aqui nós ainda precisamos de tudo e uma das primeiras necessidades é a de equalizar oportunidades e alavancar os segmentos sociais que ainda estão abaixo da linha de pobreza e fora da cidadania.
Isto não é dar o peixe nem ensinar a pescar, mas dar às pessoas condições, ao menos, de chegar perto do rio. Infelizmente, em boa parte do Brasil, ainda estamos nesse estágio.
eu estou tentando proucurar é o baixo nível de renda de grande parte da populaçao
Prezado Jornalista
Apresento a minha opinião de que a desigualdade de renda só é combatida através da existência de políticas sérias de desenvolvimento econômico e não destas políticas “passa-moleques” e eleitoreiras ,cujo o único objetivo macro-econômico é encobrir legalmente este peculato econômico sistêmico que se tornou a economia mundial-especialmente a brasileira. Note portanto que a política de cotas no ensino público em todos os seus níveis, é profundamente equívocada, já que é bem sabido de outras experiências similares, que políticas de cotas precisam ser localizadas e ter objetivos políticos bem definidos.Por exemplo:faz-se necessário toda uma política de cotas para o ingresso nas Forças Armadas-especialmente nas Academias Militares, nos concursos de Empregos Públicos e também na área do ensino,especialmente nas Escolas Particulares, como foi feito por J.F.Kennedy nos anos 60.E como diz o saber popular: “ É preciso ensinar a pescar e não ganhar o pescado em troca de votos!”.A história mostra que políticas de combate as desigualdades econômicas planificadas Maoístas-Stalinistas-Castristas tornaram-se anacrônicas. “È preciso hombridade para governar”-já dizia o G.Vargas a República do Galeão nos anos 50.