Indicadores confirmam recessão na Europa

Desemprego britânico é recorde e indústria européia desacelera

Dados aumentam o temor de uma recessão global profunda; produção industrial na zona do euro despenca

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Nathália Ferreira e Cynthia Decloedt, da Agência Estado

LONDRES – Dados sobre a economia européia divulgados nesta quarta-feira, 12, reforçaram o temor de uma grave recessão mundial. No Reino Unido, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou 36.500 em outubro, na maior alta desde dezembro de 1992 e o nono mês consecutivo de avanço, mostraram dados do Escritório de Estatísticas Nacionais. Já a produção industrial nos 15 países da zona do euro despencou em setembro, com a variação anual mostrando o maior recuo em mais de cinco anos e meio.

O dado britânico ficou levemente abaixo do esperado por economistas, que previam aumento de 40 mil pedidos. Por outro lado, o número de setembro foi revisado para alta de 36.300, ante 31.800 divulgada anteriormente. A taxa de desemprego subiu para 3% em outubro, de 2,9% no mês anterior, atingindo o maior nível desde março de 2001. O aumento ficou em linha com o esperado.

Na zona do euro, a produção industrial caiu 1,6% em setembro ante agosto e cedeu 2,4% em comparação a setembro do ano passado, segundo dados divulgados pela agência de estatísticas da União Européia. A queda de 2,4% é a maior desde fevereiro de 2002, quando recuou 3,2%.

A retração mensal foi um pouco menor do que o esperado, mas a variação anual superou o previsto. Economistas ouvidos pela Dow Jones previam queda mensal de 1,8% na produção e anual de 1,3%. As informações são da agência Dow Jones.


Reino Unido continuará em recessão até o 1º semestre de 2009

A estimativa é do Banco da Inglaterra, que prevê ainda risco de deflação, caso a taxa de juro não seja alterada

Nathália Ferreira, da Agência Estado

LONDRES – A economia do Reino Unido se contraiu 0,5% no terceiro trimestre e entrou em uma recessão no segundo semestre deste ano, afirmou o Banco da Inglaterra (BoE) em seu relatório de inflação trimestral. Segundo o documento, a economia britânica continuará em contração no primeiro semestre de 2009 e deverá começar a se recuperar no segundo semestre do próximo ano.

O BoE disse que há uma série de visões sobre a direção da economia no Comitê de Política Monetária, com a principal incerteza sendo a fraqueza da libra esterlina. Contudo, o BoE disse que, no geral, os riscos ao crescimento e à inflação estão “amplamente balanceados”.

Segundo o banco, a taxa de inflação no Reino Unido irá cair “bem abaixo” da meta de 2,0% no médio prazo, se a taxa básica de juro permanecer em 3,0%. De acordo com o BoE, há algum risco de deflação a partir do final de 2009 caso o juro não seja alterado. Contudo, a autoridade monetária disse que o risco de um período de queda de preços é relativamente pequeno.

“Na projeção central, a inflação desacelera fortemente no curto prazo, conforme as contribuições dos preços de energia e alimentos caem. Mais adiante, a inflação cai bem abaixo da meta de 2%, refletindo uma margem mais larga de capacidade ociosa e o menor impacto dos preços de importação”, afirmou o BoE.

O banco central acrescentou que as perspectivas para o crescimento econômico e a inflação são “extraordinariamente incertas”. Para o crescimento, o BoE projeta que a economia irá se contrair a uma taxa anual de cerca de 2% até o segundo semestre de 2009, se os juros se moverem em linha com as expectativas do mercado, que seria de uma taxa básica de 2,75% no segundo semestre do próximo ano.

No entanto, dentro da projeção central, o crescimento irá se recuperar no segundo semestre de 2009 e irá “crescer de certa forma acima da taxa média histórica” até 2011. As informações são da Dow Jones.


Desemprego na Grã-Bretanha atinge nível mais alto desde 1997

REUTERS

LONDRES – O desemprego na Grã-Bretanha subiu para seu nível mais alto em mais de uma década no terceiro trimestre, à medida que a economia caminha rumo à recessão, mostraram dados oficiais nesta quarta-feira.

A Agência de Estatísticas Nacionais informou que o número de pessoas sem emprego subiu para 1,825 milhão em três meses até setembro, o nível mais alto desde o último trimestre de 1997.

Isso fez com que a taxa de desemprego da medida internacional ILO subisse para 5,8 por cento, a mais alta desde o período entre janeiro e março de 2000.

O número de pessoas utilizando benefício de auxílio-desemprego subiu em 36.500, o maior aumento desde dezembro de 1992, quando a Grã-Bretanha passou por uma severa recessão.

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