31/12/2008 - 22:00h 2009

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cd/Animated_Fireworks.gifhttp://www.inter-coproprietes.com/Ressources/Animated/nouvel%20an/clock.gif

Feliz ano novo
Bonne Année
Feliz año nuevo
Happy new year

31/12/2008 - 20:00h Fortuna imperatrix mundi e o Jardim das Delícias

 Detalhes do painel central do Jardim das delícias de Jerome Bosch (ver a tela inteira no final, abaixo)

  A Orquestra Filarmônica de Berlim, dirigida por Simon Rattle, Fortuna imperatrix mundi é a introdução da obra Carmina Burana, de Carl Orff

 

Fortuna imperatrix mundi (Fortuna emperatriz do mundo)

Ó Fortuna

és como a Lua

mutável,

sempre aumentas

e diminuis;

a detestável vida

ore escurece

e ora clareia

por brincadeira a mente;

miséria,

poder,

ela os funde como gelo.

 

***

Sorte monstruosa

e vazia,

tu – roda volúvel –

és má,

vã é a felicidade

sempre dissolúvel,

nebulosa

e velada

também a min contagias;

agora por brincadeira

o dorso nu

entrego à tua perversidade.

 

***

A sorte na saúde

e virtude

agora me é contrária.

e tira

mantendo sempre escravizado.

nesta hora

sem demora

tange a corda vibrante;

porque a sorte

abate o forte,

chorais todos comigo!

 

***

Choro as feridas da fortuna

com os olhos rútilos;

pois que o que me deu

ela perversamente me toma.

O que se lê é verdade:

esta bela cabeleira,

quando se quer tomar,

calva se mostra

 

***

No trono da Fortuna

sentava-me no alto,

coroado por multicores

flores da prosperidade;

mas por mais prospero que eu tenha sido,

feliz e abençoado,

do pináculo agora despenquei,

privado da glória.

 

***

A roda da Fortuna girou:

desço aviltado;

um outro foi guindado ao alto;

desmensuradamente exaltado

o rei senta-se no vertice –

precavenha-se contra a ruína!

porque no eixo se lê

rainha Hécuba.

 

 

bosch_jardim_triptico.jpg

 O jardim das delícias de Jerome Bosch

(clique na imagem para ampliar e ver os detalhes)

31/12/2008 - 18:32h Stand by me

Jorge enviou este vídeo para o blog. Para compartilhar com vocês. Feliz Ano

31/12/2008 - 18:02h Coro muto

Madama Butterfly no Teatro dell’Opera – Terme di Caracalla

31/12/2008 - 14:36h Sarava

Luis, para todos os leitores do blog, daqui da praia, aos pés de Iemanja. Sarava meu pai sarava minha mãe bjs Bebel

http://br.geocities.com/umbandaracional/iemanja1.gif

31/12/2008 - 11:51h Prefeitura demo-tucana SP: Um primeiro mandato bem medíocre

Os jornais de São Paulo fazem hoje, último dia do ano, um balanço da gestão demo-tucana da prefeitura.

Um primeiro e comum denominador da abordagem feita tanto pela Folha, como pelo Estadão, é a ausência de qualquer opinião de representantes da oposição municipal sobre esse balanço. O que rarissimamente acontece quando os mesmos jornais tratam da política federal, onde permanentemente o questionamento da oposição tem espaço garantido (o que é normal em democracia), no plano municipal (ou estadual) a oposição raramente é ouvida ou aparece. É bom lembrar que nem sempre foi assim. Quando a administração municipal tinha Marta como prefeita a democracia aparecia com força nas páginas dos mesmos jornais e vereadores do PSDB tinham seu espaço garantido.

O leitor julgara após ler ambos os jornais e seus respectivos balanços, mas o trabalho feito pelo Estadão me parece focado nas questões de peso e com destaque para as necessidades prioritárias da população, muitas delas esquecidas ou relegadas ao segundo plano pela gestão demo-tucana. Já o balanço da Folha, com estatísticas sobre tudo, parece inventário de cartório, justificando a afirmação de Kassab de uma “analise simplista”.

A discussão não é em que medida uma promessa da campanha de quatro anos atrás foi ou não realizada. As vezes o fato de não estar no comando dificulta a definição de certas propostas que depois, já no governo, o político percebe como irrealizável ou pouco importante. Outras vezes, o choque de interesses e as pressões, além de questões legais ou financeiras, introduzem mudanças de rumo nas propostas e isto não é ruim em si, nem contrário ao mandato recebido das urnas.

A listagem estatística de promessas não cumpridas acaba também ocultando o essencial e longe de facilitar um julgamento político da administração demo-tucana, servem como uma vasta floresta que impede de ver a árvore. Para qualquer cidadão é evidente que não tem o mesmo significado não ter cumprido com a criação do “disque-trânsito” (o que contribui, sem dúvida, para os problemas do trânsito na cidade) e não ter construído nenhum corredor, abandonando os avanços na área de transporte público que com muita luta Marta Suplicy tinha conseguido a frente da prefeitura.

Ter concluído a eliminação das escolas de lata no município, dando prosseguimento ao trabalho feito por Marta, é positivo, mesmo que seja só ter concluído o que tinha sido iniciado pelo governo precedente. É bom lembrar que o programa Leva-leite, por exemplo, foi criado por Paulo Maluf, continuado e melhorado depois por Marta e Kassab, é isto é bom.Ter conseguido em 2008 entregar a tempo os uniformes e o material escolar é importante também, mas mais importante para um balanço sério da atual gestão é o crescimento da falta de vagas em creches, o que é significativo do descaso dos demo-tucanos com os problemas da mulher trabalhadora e da criança.

A Folha destaca que o Cidade Limpa e as AMAs não faziam parte das promessas e foram das mais importantes marcas da atual administração. Esqueceu o jornal que os CEUs tampouco faziam parte das promessas demo-tucanas (eles eram e, aparentemente, continuam estando contra pois Kassab já anunciou que não dará continuidade ao projeto). Mas Kassab acabou tendo que construir vários é isto é positivo. Penso incluso que é positivo, mesmo se o custo dos CEUs de Kassab foram bem superiores ao preço previsto e ao preço dos CEUs construídos por Marta; e mesmo se ainda falta entregar 11 dos 25 prometidos.

A mediocridade do governo demo-tucano, pior na época em que Serra era prefeito, não decorre só da não realização das promessas ou do cumprimento apenas parcial de algumas. A sua mediocridade é decorrente da falta de eixo na prioridade central para a cidade, qual é reduzir o abismo que separa os mais ricos dos mais pobres nas questões chaves de educação, saúde, transporte e habitação.

Contando com um orçamento de R$10 bilhões a mais por ano, é inaceitável que Kassab faça menos CEUs que Marta; que não tenha feito um único corredor exclusivo para ônibus, que tenha criado a mesma quantidade de vagas em creche que na gestão precedente, fazendo o déficit crescer atingindo 110 mil crianças sem creche. Que não tenha expandido mais o Programa Saúde da Família e que tenha acordado em meio da campanha eleitoral para a necessidade de especialidades no setor da saúde.

A mediocridade demo-tucana se resume, paradoxalmente, ao que eles mais reivindicam com orgulho de pavão: Todos os anos sobrou dinheiro no banco. Ou seja uma incapacidade a utilizar todos os recursos existentes para cumprir com a função essencial do Estado, redistribuir os recursos para compensar a desigualdade social com mais e melhores escolas, transporte e saúde para os que mais dependem do poder municipal.

Luis Favre

Leia embaixo os artigos dos jornais Folha e Estadão sobre o balanço do governo demo-tucano na cidade de São Paulo

30/12/2008 - 20:33h IN TRUTINA

Lucia Popp canta a ária de Carmina Burana, de Carl Off

30/12/2008 - 20:10h O nu na pintura, do barroco até o século XX

30/12/2008 - 18:48h A dança de Pilobolus

30/12/2008 - 11:14h O balanço da mediocridade

Gilberto Kassab fez grande alarde, no seu balanço de gestão ontem, do superávit de R$2 bi nas contas da prefeitura em 2008. José Serra, que o acompanhava, se disse impressionado. E é verdadeiramente impressionante.

Com tantas necessidades em saúde, educação, transporte, chegar ao fim do ano com tanto dinheiro em caixa é quase impossível. Mas Kassab conseguiu.

O jornal AGORA SP, do grupo Folha, explica em uma manchete, o “milagre” do prefeito. “Kassab deixa de entregar 9 AMAs Especialidades”, informa o jornal.

Cresce o número de crianças fora de creche. Nenhum corredor foi construído na cidade em 4 anos. Poderíamos listar assim as promessas descumpridas e os problemas acumulados que exigem mais investimentos e ação da prefeitura.

Mas não sejamos injustos. A prefeitura aplicou dinheiro não só no banco. Ela também investiu dinheiro na saúde, na educação, no subsídio ao transporte, no recapeamento de ruas. O contrário seria além de surpreendente, ilegal. (Resulta engraçado ler nos jornais que Kassab pretende, apesar da crise, não mexer e continuar aplicando 31% em educação ou 15% na saúde. Crise ou não, estes percentagens são obrigatórios por lei, a crise só poderá diminuir os montantes e não a percentagem).

Mas mesmo contando este 4 anos com receitas volumosas geradas pelo crescimento econômico fruto da política do governo Lula, a falta de visão e de planejamento da administração demo-tucana é tamanha, que quase nenhuma de suas metas foi cumprida e o dinheiro acabou engrossando o caixa dos bancos.

O exemplo das AMAs especialidades destacado pelo jornal é significativo desta incapacidade, incluso no setor em que Kassab se saiu melhor. Se analisarmos, por exemplo, o programa Saúde da Família encontramos as mesmas carências. O programa foi implementado na cidade por Marta Suplicy que criou 800 equipes. Em quatro anos a prefeitura criou mais 422 equipes e hoje a cidade esta coberta em apenas 40% pelo programa, com 1.222 equipes.

Mas com R$10 bilhões a mais por ano a situação não deveria estar bem acima?

Outro exemplo, a expansão das UBS para o atendimento medico, particularmente na periferia. Em 2004 a cidade contava com 374 UBS, recuperadas após o descalabro das cooperativas do PAS e com uma grande quantidade de unidades novas construídas na administração petista. Hoje, R$10 bilhões e 4 anos a mais, as UBS são 417, segundo a prefeitura. Apenas 38 UBS em quatro anos.

Se em quatro anos de bonança financeira, após ter recebido a prefeitura reconstruída graças ao trabalho duro feito por Marta e com os eixos de intervenção organizados e focados, os resultados são tão medíocres é porque a questão da ação redistributiva do poder público não é o centro da problematica demo-tucana.

Por isso a população deverá ficar vigilante, particularmente a que mais requer da ação da prefeitura, para que os efeitos da crise não sejam descarregados sobre os programas sociais. Marta Suplicy marcou com esses programas sociais, que ainda hoje continuam ditando o rumo para diminuir a desigualdade e melhorar a vida dos mais pobres. Preservar estas conquistas será uma prioridade ainda maior no próximo ano. LF

30/12/2008 - 11:04h Kassab deixa de entregar 9 AMAs Especialidades

AGORA SP

A PROMESSA PREVIA 15 UNIDADES E SÓ SEIS FORAM ABERTAS. SECRETARIA DIZ QUE OS OUTROS NOVE POSTOS SERÃO INAUGURADOS NO COMEÇO DE 2009

Nove das 15 unidades de saúde com médicos especialistas que foram prometidas até o fim deste ano pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), reeleito para mais um mandato, ficarão para a próxima gestão. Até agora, apenas seis foram abertas na capital -as outras nove deverão ser entregues no início de 2009.

Na gestão que acaba neste ano, a prefeitura entregou mais AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) do que o prometido e construiu novas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

Este é o balanço da saúde na capital que o Agora publica hoje, depois das reportagens sobre educação e transporte.

As AMAs Especialidades, como as unidades são chamadas, foram criadas para atender pacientes nas áreas de urologia, cardiologia, endocrinologia, reumatologia, neurologia, ortopedia e angiologia.

Essas unidades poderiam agilizar a marcação de consultas com os especialistas na rede pública, ao atender os pacientes nas AMAs sem encaminhá-los para hospitais -quase sempre superlotados.

Mas o que se vê ainda é a demora para a marcação de consultas na capital -justamente o que a prefeitura queria amenizar com a criação das AMAs Especialidades.

Precisando de um endocrinologista, a monitora educacional Maria do Carmo Gomes de Azevedo, 58 anos, conta que já esteve três vezes na UBS/AMA Especialidades Santa Cecília (região central de SP) desde outubro último, sem sucesso, tentando uma consulta com o endocrinologista.

Na última terça-feira, 22 de dezembro, ela voltou ao posto e, de novo, não conseguiu marcar a consulta. “Disseram que as marcações só a partir de 30 de janeiro”, afirmou.

Apesar de reconhecer a importância das especialidades, o médico Antonio Carlos Lopes, professor titular de Clínica Médica da Unifesp e presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, acha que a Prefeitura de São Paulo deveria melhorar o atendimento nas AMAs em vez de expandir os postos de especialidades.

“Um clínico bem formado resolve 70% dos casos a um custo muito mais barato do que mandar o paciente para um especialista”, diz Lopes.

Segundo ele, a demanda por um médico especialista seria menor se o atendimento primário fosse mais eficiente.

Além da formação do médico, Lopes critica também os baixos salários do profissional e as más condições de trabalho, o que, na visão dele, acaba prejudicando o atendimento ao paciente. Para ele, os médicos devem trabalhar perto de casa.
(Tharsila Prates)

30/12/2008 - 10:54h Mais dinheiro e pouco avanço no transporte

Subsídio não cresce, diz Kassab

Jornal da Tarde

Uma reunião entre a Prefeitura e os empresários representantes dos consórcios permissionários do transporte coletivo da Capital, realizada na manhã de ontem, selou um “pacto” segundo o qual o governo municipal não vai transferir ao setor, em 2009, mais do que repassou neste ano – R$ 600 milhões em subsídios, até ontem. A informação foi dada pelo prefeito Gilberto Kassab, à tarde. “Não pagaremos mais do que pagamos em 2008”, reforçou o prefeito.

Kassab reafirmou que mantém o compromisso feito na campanha eleitoral, de que a tarifa de ônibus permanece nos atuais R$ 2,30 ao longo do ano que vem. Mas um cálculo feito pela Comissão de Transportes da Câmara Municipal, com informações fornecidas pela própria Prefeitura, aponta que serão necessários no mínimo R$ 1,1 bilhão em subsídios em 2009, para evitar o reajuste da passagem – valor com que também trabalham os empresários. O prefeito não esclareceu de onde virá a diferença.Neste ano, os subsídios já consumiram um terço do orçamento da Secretaria de Transportes, de R$ 1,95 bilhão.

Em março, a Prefeitura deve negociar com as empresas o dissídio anual do contrato que prevê o pagamento, aos consórcios, por passageiro transportado – hoje, o governo municipal repassa R$ 1,58. De acordo com os empresários, deverá haver um bom reajuste desse valor, caso Kassab queira mesmo manter o subsídio em R$ 600 milhões. A Prefeitura estima que o reajuste do repasse por passageiro fique em torno de 4%.

Durante a reunião, chamou a atenção o novo visual do secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes: ele apareceu com a cabeça completamente raspada.

29/12/2008 - 20:37h Goya, pintor de luzes e sombras

http://www.artehistoria.com/genios/vi…

Quizá la figura de Goya sea tan atrayente por lo que supone de ruptura, tanto con la pintura como con la sociedad que le rodea, convirtiéndose en el eterno insatisfecho, casi en un maldito al final de su vida.
Francisco de Goya y Lucientes nace en un pequeño pueblo de la provincia de Zaragoza llamado Fuendetodos, el 30 de marzo de 1746. Sus padres formaban parte de la clase media baja de la época. La familia tenía casa y tierras en Fuendetodos, pero pronto se trasladaron a Zaragoza. En la capital aragonesa recibió Goya sus primeras enseñanzas; con doce años aparece documentado en el taller de José Luzán, quien le introdujo en el estilo decadente de finales del Barroco, estilo en el que realizará sus primeros trabajos.
Zaragoza era pequeña y Goya deseaba aprender en la Corte; este deseo motiva el traslado en 1763 a Madrid. En la capital de España se instalará en el taller de Francisco Bayeu, cuyas relaciones con el dictador artístico del momento y promotor del Neoclasicismo, Antón Rafael Mengs, eran excelentes. Bayeu mostrará a Goya las luces, los brillos y el abocetado de la pintura.
Deseoso de continuar su aprendizaje artístico, decidió ir a Italia por su cuenta. En 1771 está en Parma, presentándose a un concurso en el que obtendrá el segundo premio con el cuadro Aníbal contemplando los Alpes. La estancia italiana va a ser corta pero muy productiva.
A mediados de 1771 está trabajando en Zaragoza, donde recibirá sus primeros encargos dentro de una temática religiosa y un estilo totalmente académico. El 25 de julio de 1773 Goya contrae matrimonio en Madrid con María Josefa Bayeu, hermana de Francisco y Ramón Bayeu, por lo que los lazos se estrechan con su “maestro”.
Los primeros encargos que recibe en la Corte son gracias a esta relación. Su destino sería la Real Fábrica de Tapices de Santa Bárbara, para la que Goya deberá realizar cartones, es decir, bocetos que después se transformarán en tapices. La relación con la Real Fábrica durará 18 años y en ellos realizará sus cartones más preciados, en los que nos presenta un sensacional retrato de la sociedad española de la Ilustración, con sus majos, majas, manolos y nobles, interesándose el maestro por los efectos de la luz y el color, aunque todavía los rostros de sus personajes no presentan una fisonomía particular.
Por supuesto, durante este tiempo va a efectuar otros encargos importantes; en 1780 ingresa en la Academia de San Fernando, para la que hará un Cristo crucificado, actualmente en el Museo del Prado. Y ese mismo año decora una cúpula de la Basílica del Pilar de Zaragoza, aunque el estilo colorista y brioso del maestro no gustará al Cabildo catedralicio y provocará el enfrentamiento con su cuñado Francisco Bayeu….

29/12/2008 - 20:03h You

Radiohead

29/12/2008 - 19:25h A poesia de Bárbara Lia

Renée Magritte

http://keynes.scuole.bo.it/ipertesti/arte_cinema/opera3magritte.jpg

PROFANA

A cor do amor é branca,

e o amor tem uma covinha do lado direito do rosto

e o amor me olha como alguém

que jamais vai tirar a minha calcinha

e gozar o céu dentro de mim.

O amor sempre vai me olhar

como se eu estivesse num altar de papel.

Para o amor, eu sou uma rima

e rima não tem vagina.

Para o amor, eu sou uma ode

com uma ode ninguém fode.

Eu sou um verso alexandrino

jamais tocado pelo herdeiro deste nome.

Eu sou a palavra, e a palavra, a palavra é Deus

Deus ninguém come, mas

será que beber

pode?

Fico equilibrando a vida, como seus dedos ontem — Equilibrando-se, brancos nas cordas, na mais bela dança. Foram eles que me puxaram para perto naquela noite no palco do Hermes. Foi brancura de luz que é só beleza. Eu sei que muito tempo vai passar, sem que eu veja algo mais belo que suas mãos e sem que eu deseje ser outra pessoa, que não ela, que te tirou o cabaço, baby… Pois soa no final com uma certeza lúdica, que você a amou.

Não só o corpo entende? Como se eu quisesse um fiapo da eternidade que ela teve. Que ela queria apenas como aconchego, e que eu quero como amor…

Estas luzes que são teus dedos, como um manto de mariposas, que eu fosse um mundo inteiro para elas valsarem quando você pousasse no corpo antigo, judiado, esquecido e triste, que te alisa em um travesseiro branco, teus dedos brancos, a primavera inteira.

BEIJA SUAVE A MINHA NUCA

…”demorei a entender que és mulher

e carregas outonos na nuca”

Luiz Felipe Leprevost, em Ode Mundana

Uma pinta de beleza

brotou sob o seio esquerdo,

para o menino

devorador de sinais de beleza.

Rito de oferta,

olhando este corpo mascavo com digitais

impressas,

buscando um poro virgem para plantar

a pétala,

e te oferecer depois

— rosa a ser desvirginada —

Um dia, li os versos epifânicos,

do amigo solar — profeta

sem saber —

que há em mim apenas outonos

para esfriar verões de acordes…

e o amigo do amigo solar

nem sabe,

do mantra que eu repeti meses a fio,

a caminhar por ruas e corredores e

antes de adormecer, recitando suave

como prece:

beija suave a minha nuca!

beija suave a minha nuca!

beija suave a minha nuca!…

de outonos adornada… e a pinta recém-nata,

gota de meu coração que vazou sobre a pele,

ou um prêmio extra que trouxe destas noites

em que adentro oceanos estranhos

e te procuro entre as estrelas naufragadas.

Bárbara Lia é professora de História e escritora. Vive em Curitiba-PR. Publicou os livros de poesia O sorriso de Leonardo (Curitiba: Kafka Edições Baratas, 2004); Noir (Curitiba: Ed. independente, 2006) e O sal das rosas (São Paulo, Lumme Editor, 2007). Fonte Germina.

29/12/2008 - 12:17h Gestão Kassab: no transporte público 4 anos quase perdidos

corredor_santoamaro.jpg

O jornal Agora, do grupo Folha, faz um balanço da gestão Kassab na questão do transporte público. A manchete: “Corredor é desafio de Kassab nos transportes”.

Qual é o diagnostico após 4 anos de gestão demo-tucana?

Segundo pesquisa publicada na semana passada, a gestão Serra-Kassab do transporte municipal foi responsável pela queda de 20 pontos na aprovação do usuário do sistema. De 61% de aprovação em 2004 a 40% hoje, qual é a explicação de tamanho desastre?

Uma parte da explicação, recolhida na manchete do Agora, é a queda de 11% na avaliação dos coletivos que trafegam nos corredores exclusivos em apenas um ano.

Para todos os especialistas em transporte, os corredores são a resposta adequada aos problemas do transito e do transporte público na cidade, conjuntamente com a extensão da rede do metrô. Acontece que em 4 anos nenhum corredor novo foi construído, apenas 8 km do ex-fura-fila foram concluídos (transportando um número muito pequeno de passageiros).

Já em relação aos corredores existentes eles perderam a fluidez que tinham quando implantados na gestão Marta Suplicy por falta de fiscalização, expansão da frota de veículos particulares e falta de planejamento.

O jornal Agora diz que a prefeitura promete criar faixas exclusivas, uma repetição do que fora prometido 4 anos atrás e que não foi cumprido.

Paradoxalmente, o jornal escreve que “Comparando os cenários do transporte público de 2004 e 2008, houve avanços significativos.”

Resta a convencer os usuários que aprovavam a 60% o sistema em 2004, e o desaprovam na mesma proporção hoje.

Se acrescentarmos que as empresas recebem hoje subsídios gigantescos e a prefeitura conta com um orçamento anual de R$10 bilhões a mais que em 2004, os avanços insignificantes ficam menores ainda, como constatam consternados os usuários do transporte público da cidade.

Como considerar um avanço “significativo” nesse contexto, a conclusão de apenas 8 km do fura-fila? É bom lembrar, como disse o próprio jornal, que a totalidade dos seus 31,8 km de extensão deviam ser entregue este mês, pelas promessas da prefeitura. Agora a promessa é para o próximo mandato, como ficaram para o próximo mandato os 5 corredores novos não realizados (convém ter presente que em 4 anos, a gestão Marta Suplicy construiu mais de 100 Km de corredores, com finanças bem menores que as atuais)

Como se vê, só com muita e “significativa” boa vontade podemos falar de “avanços”! LF

onibus.jpg
Pesquisa Associação Nacional de Transporte Público (ATTP)

29/12/2008 - 10:36h Crescer com a Copa

copa_brasil_2014.jpg

Editorial Correio Braziliense

Não importa a profundidade das repercussões da crise financeira internacional sobre o Brasil, o país tem compromissos com investimentos de vulto já a partir do ano que se inicia: a preparação para a Copa do Mundo de 2014. Estimativas preliminares indicam que, apenas dos cofres públicos, o evento consumirá em torno de R$ 10 bilhões. Mas, antes de ser uma preocupação, o mundial de futebol é ferramenta para o crescimento. Em média, tem impulsionado em 1,5% o PIB (soma das riquezas produzidas internamente) das nações que o sediam.

Trata-se, pois, de mais uma janela de oportunidades que se abre ao Brasil, um antídoto extra em momento de recessão rondando a economia mundial. Calcula-se, por exemplo, que atraia cerca de 500 mil visitantes, incremento equivalente a 10% do fluxo de um ano inteiro. Para recebê-los, obras precisarão ser disseminadas em várias frentes e cidades, abrangendo do setor hoteleiro ao de transportes (rodovias, aeroportos, ferrovias), de telecomunicações a saneamento básico e segurança, sem contar a construção de pelo menos 10 monumentais estádios.

Entre outros benefícios, Brasília, por exemplo, deverá ganhar uma linha de veículos leves sobre trilhos, interligada ao metrô, que irá do aeroporto à W3 e ao Estádio Mané Garrincha. Os projetos prevêem, ainda, a interligação do Rio de Janeiro a São Paulo, passando por Campinas, por trem de alta velocidade. São obras de infra-estrutura de caráter permanente, de interesse da população, um salto no desenvolvimento nacional. Melhor: com grande oferta de mão-de-obra durante a fase de execução e mais alguma posteriormente, na operação e manutenção.

Até 31 de março, as 12 cidades brasileiras que receberão jogos serão anunciadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A partir daí, o governo federal definirá as áreas prioritárias para investimentos públicos. Serão aproveitados projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que já estão sendo definidos pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). Contudo, recomenda-se que seja seguido o exemplo de países como a Alemanha, que financiou apenas um terço das obras e usou o forte apelo do milionário evento para formar parcerias com a iniciativa privada.

Vale lembrar, a propósito, os Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro. Na ocasião, questões políticas e partidárias influenciaram a coordenação dos trabalhos entre os três níveis de governo e o resultado foi que o ônus maior das despesas sobrou para a União. Deve-se tirar lições positivas dessa má experiência. Por fim, seria louvável se o Palácio do Planalto formasse uma equipe para centralizar o comando das iniciativas do Executivo, a fim de não ver frustrada a oportunidade de promover o avanço do país.

29/12/2008 - 09:59h ”Nós estamos superando o assistencialismo”

Patrus Ananias: Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; ministro rejeita tese de que o Bolsa-Família tem caráter eleitoreiro, mas reconhece que programa pode render votos

 

João Domingos, BRASÍLIA – O Estado SP

 


O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, reconhece que programas como o Bolsa-Família, que atende a 11 milhões de famílias e distribui cerca de R$ 11 bilhões por ano aos beneficiários, tem influência no resultado das eleições. “Bons programas rendem bons votos”, diz o ministro. Ao mesmo tempo, porém, ele rechaça as insinuações feitas por partidos de oposição de que o programa tem caráter eleitoreiro.

Quem entra ou sai do programa, ressalta Patrus, o faz com base em critérios objetivos e transparentes, livres de qualquer interferência de natureza político-eleitoral. E o Ministério Público, diz ele, fiscaliza não apenas o Bolsa-Família, mas todos os programas sociais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro argumenta que, se antes o País enfrentava o coronelismo, agora o Estado concede um benefício “para as pessoas para que elas votem em quem e como quiserem”. E assegura que nunca o governo fez nenhum contato político ou encaminhou uma única carta a qualquer dos beneficiários do programa.

O petista garantiu que a crise financeira internacional não vai prejudicar os investimentos do governo no Bolsa-Família. Mais do que isso, ele diz ver no programa uma ferramenta para enfrentar e superar essa turbulência, por contribuir para a formação de um “mercado interno de consumo forte”.

Patrus revela ainda que, no País, persiste uma situação que contraria o conceito de cidadania, que é a da existência de 4 milhões a 5 milhões de pessoas que não têm a certidão de registro civil, o que significa dizer que legalmente não existem. “Essas pessoas não estão contabilizadas, não existem oficialmente”, afirma o ministro.

Por não possuírem documento, elas não podem participar do Bolsa-Família. O governo sairá atrás delas.

Os partidos de oposição dizem que o Bolsa-Família reelegeu o presidente Lula, deu força à base, nas eleições de outubro, e certamente fortalecerá o candidato governista na eleição presidencial de 2010. O Bolsa-Família é eleitoreiro?

Claro que um governo que cumpre compromissos, que demonstra seriedade, competência, que melhora a vida dos pobres e, ao mesmo tempo, estimula, como fazemos, as atividades empresariais, tende a ter um reconhecimento da população mesmo. Vamos ser claros quanto a isso.

Então o senhor admite que o Bolsa-Família rende votos?

Qualquer coisa que você faça tem repercussão. Faz parte do processo democrático. Bons governos tendem a ser bem avaliados, receber bons votos. Mas não tem nada de eleitoreiro. A rede de proteção e de promoção social, a assistência social, a segurança alimentar e nutricional, a transferência de renda e a política de geração de trabalho e de renda e qualificação profissional colocam-se no campo das políticas públicas dos direitos. Estamos superando no Brasil o assistencialismo, o clientelismo, os pobres de cada um, o quem indica. Isso sim, é eleitoreiro. A imprensa divulgou logo depois das eleições que o Bolsa-Família não influenciou em nada na eleição de quem quer que seja. É um fato. As pessoas não entram nem saem do programa porque apóiam o governo. Elas entram e saem do programa segundo critérios juridicamente normatizados, objetivos, transparentes. Temos parceria com o Ministério Público para que a fiscalização ocorra em todos os municípios brasileiros em relação aos nossos programas, principalmente o Bolsa-Família. Há ações da Controladoria Geral da União e dos tribunais, trabalhamos com as prefeituras e governos estaduais, de todos os partidos. Nós estamos é avançando em relação à tradição no Brasil que conhecemos bem, que é a do voto de cabresto, do coronelismo, da troca de favores. Agora não, é o Estado dando benefício para as pessoas para que elas votem em quem e como quiserem. Nós nunca mandamos uma carta para um beneficiário do Bolsa-Família e nunca fizemos qualquer tipo de contato político. Os contatos são absolutamente legais com relação aos direitos e deveres do programa.

A crise econômica global pode afetar o Bolsa-Família?

Não. A rede de proteção e promoção social que estamos implantando no Brasil é importante para enfrentarmos e superarmos a crise. Porque, através dela, nós estamos ampliando no Brasil um mercado interno de consumo forte. Por intermédio de programas como o Bolsa-Família e outros é possível injetar recursos nas classes mais pobres, para pessoas que nunca compraram, ou compraram muito pouco. Elas estão consumindo bem em serviços básicos e, com isso, estimulando muito as economias locais, regionais, o comércio local, pequenas indústrias, arranjos produtivos locais, gerando empregos. Chama a atenção o fato de que acabaram as vendinhas do interior, elas foram substituídas por pequenos supermercados de periferia. As pessoas estão comprando mais material escolar, medicamentos, melhorando suas casas, condições de vida, comprando bens básicos, fogões, geladeiras, instrumentos necessários para garantir a segurança alimentar e nutricional. Nesse sentido, a rede de proteção social, além de suas dimensões éticas e humanas, que pressupõem o direito à alimentação com regularidade, tem também um efeito econômico e prático, que garante a sustentabilidade e o crescimento econômico do País.

Quantas pessoas são hoje atendidas pelo Bolsa-Família? E quanto é pago?

Atendemos em torno de 11 milhões de famílias. Ao todo, com todos os programas, 60 milhões de pessoas. Mensalmente, são R$ 915 milhões; anualmente, R$ 11 bilhões.

O Bolsa-Família já está universalizado?

Em linhas gerais, sim. Mas temos ainda algumas margens. Hoje temos um problema sério, que é o número significativo de pessoas que não têm registro civil. Elas não existem civilmente. Portanto, não recebem benefícios a que teriam direito.

Quantos são?

Alguns falam em 4 milhões, 5 milhões de pessoas. É um cálculo aproximado. Estas pessoas não estão contabilizadas. Não existem oficialmente.

E como será resolvida a situação dessas pessoas?

Estamos trabalhando com a Secretaria dos Direitos Humanos para levar o registro a todas as pessoas. É uma ação integrada, com a participação dos ministérios da Justiça, da Saúde, da Educação, da Defesa, porque estamos envolvendo o Exército, para ver se a gente consegue descobrir onde estão e quem são essas pessoas que ainda vivem nessa situação. Além disso, há pessoas que têm todos os documentos, mas o acesso a elas é difícil. Na Amazônia, por exemplo.

Há críticas quanto ao fato de o Bolsa-Família não ter uma proposta clara para que os beneficiários possam melhorar a renda e sair do programa.

Uma de nossas prioridades é a política de geração de emprego e renda. Fazer com que as pessoas que estamos atendendo, às vezes comunidades inteiras, como os quilombolas, possam ir ganhando gradativamente a sua autonomia.

E o que tem sido feito?

Estamos trabalhando em conjunto com a Câmara Brasileira da Construção Civil para capacitar 185 mil beneficiários do Bolsa-Família para as oportunidades que estão sendo geradas pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Vão trabalhar nas capitais, nas regiões metropolitanas. Hoje, com nosso cadastro único, temos o mapeamento da pobreza no Brasil. Atualizamos constantemente esse cadastro. Estamos desenvolvendo, no cadastro, as características das famílias, como escolaridade, condições de moradia, o maior número possível de dados. Isso nos possibilita identificar, pelo cadastro, quais as pessoas que, acionadas, podem aproveitar o mais rapidamente possível as oportunidades que estão surgindo com o PAC. Também vamos fazer convênios com grandes empresas para capacitar pessoas. Já temos convênio com a Norberto Odebrecht para capacitar famílias que vão trabalhar na hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia. Ela vai custear a capacitação. E não vai exigir que as pessoas sejam vinculadas à empresa. Capacitará pessoas que possam eventualmente trabalhar em outras empresas também. Também trabalhamos para a formação de micro e pequenos empreendedores, integração das pessoas com as atividades vinculadas às cadeias produtivas locais e regionais.

Quem é:
Patrus Ananias

Professor de Direito, mestre em Direito Processual pela PUC-MG e doutorando em Filosofia pela Universidade Complutense
de Madrid

Ex-prefeito de Belo Horizonte e o deputado mais votado
da história em Minas

28/12/2008 - 19:06h Lira do amor romântico

 amour.jpg

 

Carlos Drummond de Andrade

Atirei um limão n’água
e fiquei vendo na margem.
Os peixinhos responderam:
Quem tem amor tem coragem.

Atirei um limão n’água
e caiu enviesado.
Ouvi um peixe dizer:
Melhor é o beijo roubado.

Atirei um limão n’água,
como faço todo ano.
Senti que os peixes diziam:
Todo amor vive de engano.

Atirei um limão n’água,
como um vidro de perfume.
Em coro os peixes disseram:
Joga fora teu ciúme.

Atirei um limão n’água
mas perdi a direção
Os peixes, rindo, notaram:
Quanto dói uma paixão!

Atirei um limão n’água,
ele afundou um barquinho.
Não se espantaram os peixes:
faltava-me o teu carinho.

Atirei um limão n’água,
o rio logo amargou.
Os peixinhos repetiram:
é dor de quem muito amou.

Atirei um limão n’água,
o rio ficou vermelho
e cada peixinho viu
meu coração num espelho.

Atirei um limão n’água
mas depois me arrependi.
Cada peixinho assustado
me lembra o que já sofri.

Atirei um limão n’água,
antes não tivesse feito.
Os peixinhos me acusaram
de amar com falta de jeito.

Atirei um limão n’água,
fez-se logo um burburinho.
Nenhum peixe me avisou
da pedra no meu caminho.

Atirei um limão n’água,
de tão baixo ele boiou.
Comenta o peixe mais velho:
Infeliz quem não amou.

Atirei um limão n’água,
antes atirasse a vida.
Iria viver com os peixes
a minh’alma dolorida.

Atirei um limão n’água,
pedindo à água que o arraste.
Até os peixes choraram
porque tu me abandonaste.

Atirei um limão n’água.
Foi tamanho o rebuliço
que os peixinhos protestaram:
Se é amor, deixa disso.

Atirei um limão n’água,
não fez o menor ruído.
Se os peixes nada disseram,
tu me terás esquecido?

Atirei um limão n’água,
caiu certeiro: zás-trás.
Bem me avisou um peixinho:
Fui passado para trás.

Atirei um limão n’água,
de clara ficou escura.
Até os peixes já sabem:
Você não ama: tortura.

Atirei um limão n’água
e caí n’água também
pois os peixes me avisaram,
que lá estava meu bem.

Atirei um limão n’água,
foi levado na corrente.
Senti que os peixes diziam:
Hás de amar eternamente.

28/12/2008 - 18:04h The Great Pretender

The Platters

Freddie Mercury

28/12/2008 - 16:00h La autopista del sur

cortazar1.jpglivros2.jpg

Al principio la muchacha del Dauphine había insistido en llevar la cuenta del tiempo, aunque al ingeniero del Peugeot 404 le daba ya lo mismo. Cualquiera podía mirar su reloj pero era como si ese tiempo atado a la muñeca derecha o el bip bip de la radio midieran otra cosa, fuera el tiempo de los que no han hecho la estupidez de querer regresar a París por la autopista del sur un domingo de tarde y, apenas salidos de Fontainbleau, han tenido que ponerse al paso, detenerse, seis filas a cada lado (ya se sabe que los domingos la autopista está íntegramente reservada a los que regresan a la capital), poner en marcha el motor, avanzar tres metros, detenerse, charlar con las dos monjas del 2HP a la derecha, con la muchacha del Dauphine a la izquierda, mirar por retrovisor al hombre pálido que conduce un Caravelle, envidiar irónicamente la felicidad avícola del matrimonio del Peugeot 203 (detrás del Dauphine de la muchacha) que juega con su niñita y hace bromas y come queso, o sufrir de a ratos los desbordes exasperados de los dos jovencitos del Simca que precede al Peugeot 404, y hasta bajarse en los altos y explorar sin alejarse mucho (porque nunca se sabe en qué momento los autos de más adelante reanudarán la marcha y habrá que correr para que los de atrás no inicien la guerra de las bocinas y los insultos), y así llegar a la altura de un Taunus delante del Dauphine de la muchacha que mira a cada momento la hora, y cambiar unas frases descorazonadas o burlonas con los hombres que viajan con el niño rubio cuya inmensa diversión en esas precisas circunstancias consiste en hacer correr libremente su autito de juguete sobre los asientos y el reborde posterior del Taunus, o atreverse y avanzar todavía un poco más, puesto que no parece que los autos de adelante vayan a reanudar la marcha, y contemplar con alguna lástima al matrimonio de ancianos en el ID Citroën que parece una gigantesca bañadera violeta donde sobrenadan los dos viejitos, él descansando los antebrazos en el volante con un aire de paciente fatiga, ella mordisqueando una manzana con más aplicación que ganas.

(mais…)

28/12/2008 - 11:26h As promessas de Kassab

 

kassab_alfaiate.jpg

EDITORIAL AGORA SP

Ano novo, velhos problemas. Muita coisa prometida pelo prefeito Kassab na área da Educação vai continuar assim em 2009 em estado de promessa. Basta ver a reportagem publicada nesta edição.

Quem esperava que em 2008 fosse acabar o turno da fome nas escolas municipais, por exemplo, pode continuar esperando. O prefeito prometeu, mas não cumpriu.

No primeiro semestre do ano que vem, 68 escolas continuarão funcionando nesse esquema, com aulas no horário das 11h às 15h. Para o segundo semestre, a previsão é um pouco melhor: 44 escolas. Fim do problema mesmo, só em 2010 -na melhor das hipóteses.

Neste final de ano, além disso, era para São Paulo estar com 25 novos CEUs. Outra promessa que fica adiada para o começo do ano que vem.

De paciência maior vai precisar quem está na fila por vagas nas creches municipais. Em junho, a demanda era de 110 mil vagas. O prefeito Kassab promete que as filas acabam no final de sua gestão, em 2012. Mas as dificuldades não são pequenas. Parcerias com a iniciativa privada, para a construção de 40 mil novas vagas, estão paradas no TCM por problemas de licitação.

Razões e justificativas para os adiamentos sempre existem. Pena que nenhum governante pense nisso quando faz suas promessas para a população.

28/12/2008 - 10:26h Textos que a Folha não publicou a semana retrasada

As enchentes da semana retrasada na cidade de São Paulo não provocaram nenhum artigo editorial da Folha ou dos seus articulistas. O Estadão fez um editorial entusiasta de apoio a Kassab com o argumento que não morreu ninguém (informação lamentavelmente inexata). Sobre este editorial ver aqui no blog Euforia natalina.

Uma rápida busca no portal da Folha permite ver que nem sempre as enchentes em São Paulo tiveram um tratamento tão “seco”. Leiam embaixo algumas das opiniões, no ano 2002. Todas as fotos e o vídeo aqui reproduzidos são de 2008. LF

Passageiros saem pela escotilha de emergência de ônibus na zona sul de São Paulo para fugir da inundação causada pelo temporal que atingiu a cidade na tarde de ontem e provocou 44 alagamentos
Natal 2008

CLÓVIS ROSSI

As cinzas de São Paulo

SÃO PAULO – Carlos Tramontina, o apresentador da segunda edição do “SP-TV”, da Rede Globo, tinha toda a razão ao alertar o espectador de que não estava mostrando cenas de guerra e, sim, das enchentes que rapidamente engolfaram São Paulo no fim da tarde de ontem.
O que se via, pelo menos na avenida Aricanduva, era, de fato, o retrato de uma cidade derrotada. Carros amontoados uns sobre os outros, passageiros subindo nas capotas para escapar, o lixo amontoado -enfim, cenas idênticas às do ano passado, do ano retrasado, de cinco anos atrás, dez anos antes.
Com certeza, vai começar de novo o joguinho de distribuir culpas. A prefeitura dirá que a enchente é estadual, o Estado dirá que a enchente é municipal, e sempre haverá algum chato para culpar o presidente Fernando Henrique Cardoso.
É um pouco como o caso da dengue no Rio, em que não se sabe direito se o mosquito é estadual, federal ou municipal. Seria tudo tão ridículo, não fosse tão trágico. Os políticos brasileiros parecem empenhados em imitar a Argentina, ou seja, em convidar ao repúdio a todo o sistema político-partidário.
No ano passado, a prefeita Marta Suplicy ainda podia tirar o corpo fora e dizer que assumira recentemente e, portanto, a enchente não era dela, mas dos antecessores.
Agora, não dá mais. Quatorze meses de gestão é tempo suficiente para, pelo menos, começar um trabalho que evitasse as cenas dantescas que a televisão mostrava no começo da noite. Ainda mais que a chuva não parece ter sido tão formidável para que toda a culpa seja jogada para o velho e bom são Pedro.
Afinal, não é segredo para ninguém que a cidade é, digamos, “inundável”.
Todo mundo sabe quais são as áreas mais sujeitas a risco.
O fato é que São Paulo tornou-se um inferno, e ninguém mostra talento e competência para levá-la pelo menos para o purgatório.

FOLHA DE SÃO PAULO – 14 de fevereiro 2002

http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218365:3http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218360:3http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218355:3http://www.gazetapress.com/v.php?1:00218363:3
Natal 2008

(…)Mal completado um ano de sua administração, duas enchentes em São Paulo bastaram para encerrar o prazo de carência concedido a Marta Suplicy. Já saiu ela com apressadas explicações, provável ponto de partida da série que conduz, em tantas administrações, as boas intenções iniciais aos fins mais lamentáveis. (…)

Janio de Freitas – FOLHA SP 14 de fevereiro 2002

Natal 2008

Editorial Folha SP 16 de fevereiro 2002

PLANO PÉSSIMO

Autocrítica sempre faz bem. Em política, trata-se de elemento escasso. Tão escasso que, quando usado, deixa inevitavelmente no ar a impressão de que o governante quer livrar-se de responsabilidades. Não parece ser esse o caso do “mea culpa” lançado pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Diante de mais uma inundação com consequências danosas na cidade, qualificou o plano de contingência de sua própria administração como um “paliativo péssimo” para as consequências das tempestades de verão.
Batizado de SP Protege, o programa aplica a “filosofia” da diminuição de danos com as enchentes. Uma vez que não se pode evitá-las no curto prazo, uma coordenação de esforços entre instâncias do poder público, organizações civis que atuam localmente e moradores ao menos tenta minimizar os estragos. Informações sobre risco iminente de inundação são fornecidas; ações de defesa civil são mobilizadas e mutirões de limpeza são enviados para os locais tão logo haja condições de trabalho.
Com o programa, na verdade, a prefeitura não faz nada mais que uma de suas obrigações. Se logrou constituir um serviço mais eficaz, centralizando operações de emergência, também não fez mais que cumprir uma atribuição que é sua. Mas é evidente que não se pode confundir esse tipo de ação com o que se faz necessário para diminuir os alagamentos em São Paulo.
Na região do córrego Aricanduva, que se transformou num lago urbano em menos de uma hora de chuva na quarta-feira, é consenso que vários piscinões precisam ser construídos e a calha do Tietê, aprofundada para contornar a causa do problema. Há três desses piscinões ao longo da calha do córrego. A prefeitura deve entregar mais um até o fim do ano.
São obras que custam caro e dependem de articulação orçamentária nas três instâncias de governo e de financiamento externo. Mas não há dúvidas de que são prioritárias.
São Paulo paga caro por um longo histórico de erros graves na ocupação do solo. O pior é que basta uma olhadela no que continua a ocorrer, por exemplo, nas áreas de proteção de mananciais para notar que nem sequer o problema da urbanização predatória e irracional foi sanado. Há muito a fazer. A começar do básico.

http://static.blogstorage.hi-pi.com/spaceblog.com.br/o/ol/olinguarudo/images/gd/1203802435.jpg
Janeiro 2008
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/foto/0,,15055255-EX,00.jpg

27/12/2008 - 20:29h Novos roteadores no padrão N duplicam velocidade e alcance, sem dobrar o preço

Carlos Alberto Teixeira – O Globo


Roteador alemão e modem FRITZ!BOX FON WLAN 7270

RIO – Que a moda do Wi-Fi já pegou aqui no Brasil e no mundo, disso ninguém duvida. Para muita gente já é coisa corriqueira, tanto em casa quanto no trabalho, e às vezes até nos momentos de lazer.

As conexões de rede sem fio que conhecemos como Wi-Fi têm um nome oficial mais pomposo e tecnicóide – IEEE 802.11 – que representa uma família de padrões da entidade americana Institute of Electrical and Electronics Engineers. Até poucos anos essa família contemplava três implementações comuns no mercado: A, B e G, que correspondem às normas 802.11a, 802.11b e 802.11g, respectivamente.

Os roteadores Wi-Fi que mais comumente são vistos em residências e em escritórios funcionam nesses padrões mais antigos. No entanto, em maio de 2006, o IEEE começou a esboçar a proposta de uma nova norma Wi-Fi melhor que as anteriores, a 802.11n, vulgo padrão N. A proposta foi elaborada e, desde então, já sofreu sete grandes revisões. A previsão é que se transformará num padrão homologado e fechado só no final de 2009.

A norma N pressupõe um significativo aumento na velocidade de transmissão de dados, passando dos usuais 54 Mbps (megabits por segundo) para um valor máximo de 600 Mbps. Até agora, contudo, o melhor desempenho obtido em equipamentos comerciais é de 300 Mbps.


Adaptador belkin N+ Wireless USB (F5D8055)

O padrão 802.11n possibilita também uma bolha espacial de acesso muito maior, ou seja, pode aumentar bastante a distância entre o ponto de acesso e, por exemplo, um laptop conectado à rede.

Mas é muito difícil dizer exatamente o alcance desses aparelhos, pois ele varia com as condições do ambiente, dos obstáculos no caminho da transmissão e das características dos equipamentos do cliente e do ponto de acesso. Os anúncios dos produtos alardeiam que o alcance é o dobro daquele dos roteadores Wi-Fi anteriores. Mas quando se põe a mão numa engenhoca dessas, a surpresa é que o alcance costuma ser bem maior que o prometido.

Porém, a mais significativa inovação do 802.11n é sua característica MIMO (multiple in, multiple out), que transmite vários fluxos de dados em diferentes antenas, simultaneamente e no mesmo canal, e depois recombina esses fluxos no destino dos dados, que também possui várias antenas e receptores de rádio.

Os grandes fabricantes de equipamentos de rede já lançaram equipamentos marcados como “pre-N” ou “Draft-N” (draft = rascunho), baseados nas especificações preliminares da norma. Essas empresas estão aproveitando o momento para ir garantindo fatias de mercado e, quando o IEEE bater o martelo, seus produtos já estarão devidamente refestelados na preferência da base de clientes.

Esses fabricantes sabem também que, quando o padrão final for aprovado, os consumidores que estão comprando agora dispositivos pré-N provavelmente necessitarão fazer uma atualização de firmware. Mas esse upgrade, em geral, é um processo simples que quase qualquer usuário consegue realizar, bastando seguir instruções simples.


Roteador netgear Draft-N Rangemax NEXT

Nas lojas de informática lá fora, tanto nas convencionais quanto nas online, roteadores Wi-Fi padrão N já estão virando o xodó da turma, mesmo apesar do preço um pouco mais salgado. Aqui no Brasil, porém, a disponibilidade ainda é pequena. Quanto às faixas de preço, pode-se encontrar em sites brasileiros de venda online um roteador D-Link Gigabit Dir-655 802.11n por R$ 452; um adaptador USB Wireless Draft-N Edimax We-7717un por R$ 147; um roteador D-Link Rangebooster Draft-N 650 por R$ 290; e um roteador Belkin N1 Vision Draft-N por R$ 380.

A popularidade do padrão Wi-Fi 802.11n vem atraindo mais empresas a adquirir equipamentos sem fio, não só promovendo economia interna por não terem que cabear suas instalações, mas também ajudando a aquecer o mercado de tecnologia nessa época difícil de crise. Mas essa mesma crise por levar os clientes a repensar se realmente precisam já de velocidades de 100 Mbps para suas redes sem fio.

27/12/2008 - 19:26h Tanguera

Ester Duarte e Chiche Núñez dançando “Tanguera” no Salão Urquiza