A popularidade de Lula

Governo e oposição sabem que os números de popularidade de Lula são verdadeiros. Também sabem que eles estão longe de ser definitivos

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por Gustavo Krieger – Correio Braziliense

gustavokrieger.df@diariosassociados.com.br

A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas rendeu assunto para muita conversa ao longo de 2008. Não é para menos. Os números impressionam, seja qual for o instituto consultado. Ibope, Sensus, Datafolha apresentam curvas semelhantes. Todas favoráveis ao governo. A mais recente pesquisa do Ibope, divulgada em 8 de dezembro, mostrou que 73% dos entrevistados consideram o governo Lula “bom ou ótimo”. Um ano antes, esse contingente ficava em 51%. A aprovação pessoal do presidente também subiu muito. Pulou de 65% para 84%.

A cada vez que uma pesquisa foi divulgada ao longo do ano, duas reações se destacaram. Do lado da oposição, descrença. Nunca falta alguém para dizer que os números são “estranhos” ou para lembrar que conhece uma penca de gente que não suporta Lula. Entre os governistas, sobram explosões de felicidade. Os números são repercutidos em discursos no Congresso ou propagados pela internet como se fossem um sinal de que a popularidade do presidente é uma garantia de continuidade de seu grupo no poder e uma resposta para qualquer crítica.

Ambas as reações são para efeito externo. Nos bastidores, governo e oposição se debruçam com muito cuidado sobre os números das pesquisas. Mais que tudo, tentam entendê-los. Descobrir o que causa esta popularidade e até que ponto ela é sólida. E, mais importante, qual o efeito dela sobre as eleições de 2010.

Durante muito tempo, se atribuiu a popularidade de Lula apenas aos bons resultados da economia. Fazia sentido. Um país em ciclo de crescimento econômico tende a ser mais benevolente com seus governantes. Isso foi demonstrado com a onda continuista das eleições municipais. Mas a crise econômica e financeira chegou ao Brasil e a aprovação do governo continuou a crescer. Nas últimas semanas, o presidente bateu três recordes de popularidade. E isso num momento de más notícias na economia.

As razões da aprovação de Lula são mais complexas do que parecem à primeira vista. Um elemento fundamental é a rede de programas sociais do governo federal. A atual administração criou projetos que beneficiam milhões de pessoas, em especial o Bolsa Família. O presidente conseguiu vincular sua imagem a esses programas. São vistos como coisas dele, sua invenção. Mesmo nos casos em que já havia iniciativas vindas de administrações anteriores. Lula casou as imagens e essa é uma de suas grandes vitórias políticas. Não por acaso, sua aprovação chega a estratosféricos 91% entre os brasileiros com renda familiar de até um salário mínimo mensal.

No caso deste grupo, há outro fator importante: a identificação com o presidente. Lula conseguiu vender a idéia de que é um homem do povo que chegou ao poder contra a vontade “da elite nacional”. Os brasileiros mais pobres se identificam com o presidente. Solidarizam-se quando ele sofre os ataques da oposição engravatada, encastelada no Congresso.

Lula sabe disso e, não por acaso, enfatiza esse aspecto sempre que tem oportunidade.

Na campanha eleitoral de 2006, um país dividido foi às urnas. Os eleitores mais pobres estavam fechados com Lula. Os da classe média para cima o combatiam. Em dois anos, o presidente conseguiu mudar este quadro. Manteve a base entre os brasileiros que ganham menos e com menor escolaridade, mas conquistou apoios na classe média. Segundo o Ibope, ele tem 85% de aprovação na faixa de renda familiar entre cinco e 10 salários mínimos e 63% na parcela que ganha mais de 10 mínimos por mês. Não há, literalmente, nenhum grupo de pesquisa onde o governo seja condenado pela maioria.

A relação com a classe média é mais volátil. Em boa parte, são brasileiros que não votaram em Lula, mas hoje lhe dão um crédito de confiança. Neste grupo, a dependência da situação econômica é bem maior. Uma mudança no cenário macroeconômico pode botar a perder esse apoio.

Governo e oposição sabem que os números de popularidade de Lula são verdadeiros. Também sabem que eles estão longe de ser definitivos. As mesmas pesquisas que mostram o país em lua-de-mel com o governo hoje registraram o pior momento do presidente, em 2005, durante o escândalo do mensalão. Lula conta com um contingente de eleitores fiéis e tenta manter o clima com a classe média. Mas ainda não conseguiu transformar sua aprovação em votos para um candidato governista à sua sucessão. E esta será a grande curiosidade sobre as pesquisas em 2009.

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9 COMENTÁRIOS PARA "A popularidade de Lula":

Comentado por sílvio freitas em 30/12/2008 - 12:36h:

A justissíma popularidade do presidente Lula baseia-se no sue jeito simples de ser, a maneira firme como governa, e os investimentos e melhorias em áreas como saúde, educação, segurança, pesquisa, infra- estrutura e os investimentos sociais que permitiriam o fortalecimento do mercado interno. E não esqueçam que essa popularidade recorde foi obtida apesar da maior perseguição que a mídia já fez a um presidente eleito, portanto, imaginem se a imprensa apenas divulgassem, o que omitem criminosamente, sobre os feitos do governo.

Comentado por GILBERTO em 30/12/2008 - 13:59h:

Sim Silvio, grandes feitos tais como recordes de lucro dos bancos, negocio da varig/gol realizado pelo compadre, negociação OI/BR BENEFICIANDO EMPRESAS QUE SÃO MAIORES CONTRIBUINTES DO PT E QUE TORNARAM LULINHA MILIONARIO.

Comentado por rafael j em 30/12/2008 - 15:40h:

Agora só falta o governo começar a transformar esse cacife de popularidade em força política para, o quanto antes, levar a diante as reformas de que o país carece, como a política e tributária.

Eu tenho uma leve impressão de que o governo se acomoda no arroz com feijão toda vez que que a popularidade cresce.

Comentado por pedro parente em 31/12/2008 - 10:06h:

“A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS”.FINALMENTE O BRASIL TEM UM PRESIDENTE QUE CHEGA A SER QUASE UMA UNANIMIDADE NAS PESQUISAS, ISSO GRAÇAS A SUA ATENÇÃO AOS MENOS FAVORECIDOS, MASSACRADOS HA MAIS DE 500 ANOS PELA ELITE DOMINADORA QUE CONSEGUIU PRODUZIR MAIS DE 50 MILHÕES DE MISERÁVEIS NUM DOS PAÍSES MAIS RICOS DO MUNDO. NÃO SEI QUEM VIRÁ, MAS QUANDO ELE VOLTAR: SOU LULA!

Comentado por José Rocha em 31/12/2008 - 10:56h:

Acho que o Rafael tem razão, mas não cabe apenas ao governo fazer isto. Cabe, sobretudo, ao PT e aos movimentos sociais “aproveitar” o ambiente político de apoio ao governo Lula para realizar transformações subjetivas, realizar educação política e mudar mentalidades para que isto possa perdurar.
Realmente, esta popularidade, que também é muito pessoal de Lula, não assegura nada para o futuro.

Comentado por angelica soares de andrade em 04/01/2009 - 17:04h:

meu nome e angelica tenho 28anos tenho 5 criança estou desempregada gostaria de fazer parte desta equipe de fusionario da construtora civil eu resebo bolsa familia mais nao resebii nem um a viso sobre a construtora civil gostaria muito de trabalha

Comentado por SISTEMAS DE SEGURANÇA em 25/01/2009 - 11:26h:

Concordo com o Silvio, na hora de falar mal não falta ninguem, mas para falar sobre coisas boas que aconteceram com nosso pais, é uma minoria.
Desde o começo do governo ouço pessoas falarem mal do Lula, até hj não reconhecem o erro.
parabéns ao presidente.

Marlene

Comentado por REDES DE PROTEÇÃO em 25/01/2009 - 11:28h:

Sempre apoiei o Lula desde o inicio, infelizmente parte do povo não aceita o progresso de nosso país.

Vanda Marques

Comentado por simone alves peres em 10/03/2009 - 20:06h:

creio que para haver mudança precisamos dar as mãos, arregassar as mangas e parar de falar que tudo é o governo, nós precisamos colocar a mao na conciência e pensar em tudo que fazemos de errado é lixo na rua, violencia contra violencia isso nunca muda temos que começar agir para que a nossa vida e dos outros também mude para melhor e se Deus quiser tudo já mudou….

 

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