Crescer com a Copa

Editorial Correio Braziliense
Não importa a profundidade das repercussões da crise financeira internacional sobre o Brasil, o país tem compromissos com investimentos de vulto já a partir do ano que se inicia: a preparação para a Copa do Mundo de 2014. Estimativas preliminares indicam que, apenas dos cofres públicos, o evento consumirá em torno de R$ 10 bilhões. Mas, antes de ser uma preocupação, o mundial de futebol é ferramenta para o crescimento. Em média, tem impulsionado em 1,5% o PIB (soma das riquezas produzidas internamente) das nações que o sediam.
Trata-se, pois, de mais uma janela de oportunidades que se abre ao Brasil, um antídoto extra em momento de recessão rondando a economia mundial. Calcula-se, por exemplo, que atraia cerca de 500 mil visitantes, incremento equivalente a 10% do fluxo de um ano inteiro. Para recebê-los, obras precisarão ser disseminadas em várias frentes e cidades, abrangendo do setor hoteleiro ao de transportes (rodovias, aeroportos, ferrovias), de telecomunicações a saneamento básico e segurança, sem contar a construção de pelo menos 10 monumentais estádios.
Entre outros benefícios, Brasília, por exemplo, deverá ganhar uma linha de veículos leves sobre trilhos, interligada ao metrô, que irá do aeroporto à W3 e ao Estádio Mané Garrincha. Os projetos prevêem, ainda, a interligação do Rio de Janeiro a São Paulo, passando por Campinas, por trem de alta velocidade. São obras de infra-estrutura de caráter permanente, de interesse da população, um salto no desenvolvimento nacional. Melhor: com grande oferta de mão-de-obra durante a fase de execução e mais alguma posteriormente, na operação e manutenção.
Até 31 de março, as 12 cidades brasileiras que receberão jogos serão anunciadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A partir daí, o governo federal definirá as áreas prioritárias para investimentos públicos. Serão aproveitados projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que já estão sendo definidos pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). Contudo, recomenda-se que seja seguido o exemplo de países como a Alemanha, que financiou apenas um terço das obras e usou o forte apelo do milionário evento para formar parcerias com a iniciativa privada.
Vale lembrar, a propósito, os Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro. Na ocasião, questões políticas e partidárias influenciaram a coordenação dos trabalhos entre os três níveis de governo e o resultado foi que o ônus maior das despesas sobrou para a União. Deve-se tirar lições positivas dessa má experiência. Por fim, seria louvável se o Palácio do Planalto formasse uma equipe para centralizar o comando das iniciativas do Executivo, a fim de não ver frustrada a oportunidade de promover o avanço do país.
Tags: Abdib, aeroportos, CBF, Copa, Copa 2014, Crescimento, crise, futebol, infra-estrutura, Internacional, investimentos, PAC, PIB, rodovias, Saneamento, telecomunicações, Transporte, trem6 COMENTÁRIOS PARA "Crescer com a Copa":
Na copa da Alemanha, um país pequeno onde tudo é próximo e eficientemente interligado, 12 cidades participaram do evento; Na Africa do Sul serão 7 cidades.
No Brasil, país continental e de péssima infraestrutura seráo por hora 12 cidades espalhadas por sabe Deus onde, ano que vem mais 9 entrarão na lista, Feira de Santana por exemplo ja deve ter contratado um escritorio de arquitetura para projetar um monumental estádio com o nome do vereador mais velho.
É uma pena, mas a política ja esta estragando tudo, 12 cidades é um absurdo. Se for a mesma avacalhação que foi o PAN a Copa vai dar um prejuízo maior ainda, anotem ai.
Falando em obras superfaturadas, o que dizer da Cidade da Música que ja consumiu 518 MILHOES dos cofres da prefeitura carioca, e ainda esta inacabada, mais 40 milhoes serão gastos.
Com esse montante daria para fazer pelo menos 23 CEUs para tentar conter a criminalidade no Rio através da formação cultural de jovens, que convenhamos, em matéria de turismo daria a cidade muito mais retorno que um monumento sitiado pela bala. E o DEM ainda tenta falar em prioridade.
http://br.youtube.com/watch?v=sTF6hVkfEnQ
Bush deixa o cargo com duas sapatadas no Iraque, e esse (no video) é o desfecho do governo Maia.
Não, Sylvia, não tenho as respostas que você procura, mas a Marta se referiu muitas vezes à Copa do Mundo na campanha, associada a assuntos relevantes para a cidade de São Paulo, como o sistema de transportes, particularmente o metrô.
Se eu fosse cartola do futebol, ou prefeito das cidades-sede, já estaria gastando por conta, pq muitas fortunas se farão com esta Copa no Brasil. Seria ótimo, não fosse a roubalheira, como vimos no Pan.
ALIAS AMIGO ANTONIO BARBOSA , SE NAO FOSSE A ROBALHEIRA NESSE PAIS , NOS SERIA-MOS UMA DAS MAIORES POTENCIAS DO MUNDO . O BRASIL TEM DINHEIRO PRA ACABAR COM TODAS A MAZELAS QUE AQUI EXISTEM , MAS O DESVIO DESSES RECURSOS SAO BEM MAIORES .INFELISMENTE
A Marta deu uma rasante no Ministério do Turismo e a Copa de 2014 vai ser no Brasil.
Eu fiquei sem saber exatamente qual foi o papel dela nessa conquista, aliás, tudo que a Marta fez no Ministério ficou abafado e o que apareceu mesmo foi a tal frase que ela disse.
Mas afinal não é um fato extraordinário a Copa ser no Brasil?
Posso estar enganada, mas não ouço ninguém falar nesse assunto, por sinal, nem mesmo a Marta.
Na época da campanha, eu acreditava que ela diria isso no programa eleitoral, achava que era um fato pra ser muito alardeado, uma grande conquista.
Gostaria que o José Rocha me explicasse esse assunto, pois certamente ele saberá melhor que eu, as respostas que eu não sei agora.