Paz em Gaza: uma solução complexa

Palestinos pegam pertences em casa destruída por Israelhttp://www.galizacig.com/imxact/2005/09/neno_palestino_bandeira_asentamento_morag.jpg

Apesar da guerra na faixa de Gaza ficar bem distante do Brasil e a região não fazer parte de uma área estratégica para o país, me parece adequado o governo brasileiro ter-se manifestado oficialmente deplorando a intervenção militar, condenando o terrorismo e apregoando uma solução pacífica. Mais ainda que o Brasil é um candidato a ocupar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU e conta para isto com o apoio de países como França e China, entre outros. Para tanto, deve redobrar cuidados e responsabilidade nas suas intervenções visando a preservar a paz em um conflito extremadamente complexo.

A postura assumida pelo governo Lula parte do direito internacional e da necessidade de garantir a autodeterminação nacional do povo palestino e do povo israelense, em dois Estados soberanos. Trata-se da luta pela emancipação da nação palestina e pela paz e a segurança do Estado e dos cidadãos israelenses.

As ações militares israelenses, o massacre de civis e a intervenção militar em Gaza, na minha opinião, debilitam a reivindicação legítima de Israel à segurança e ao fim dos atentados e ataques contra sua população. As ações terroristas e provocativas do Hamas são um empecilho e um questionamento permanente a qualquer solução negociada.

Penso que Israel tem o direito legitimo de defender seu território e seus cidadãos do Hamas e de qualquer outro grupo terrorista que recusa a existência do próprio Estado de Israel. A intervenção militar em Gaza, a repressão na Cisjordânia, a tolerância com os colonos nos territórios ocupados, a construção do muro da vergonha e a recusa a implementar os acordos de Oslo na sua plenitude, longe da reduzir o poder dos extremistas em ambos os lados, os reforça e legitima aos olhos das respectivas populações.

Me parece evidente, mas reconheço que o tema está sujeito a debates apaixonados, que uma coisa é o direito de Israel de tentar destruir os grupos terroristas e outra, a invasão e a repressão ao povo palestino no seu território. Como me parece legitimo, por exemplo, a vontade dos Estados-Unidos de punir os autores do atentado do 11 de setembro e considerar -como aliás defendeu Obama- inapropriada, ilegitima e colonialista a intervenção americana no Iraque.

A postura equilibrada e responsável do governo brasileiro deve receber o apoio de todos os partidos e forças democráticas e favoráveis a paz. As bases para uma posição consensual de apoio a postura do Brasil existem. Nenhum partido representativo, nem o PT, nem o PSDB, nem o PMDB tem manifestado qualquer apoio a intervenção militar israelense e nenhum deles defende as ações terroristas do Hamas contra cidadãos israelenses no Estado de Israel. Todos reconhecem o direito de Israel e da Palestina viverem em Estados, lado a lado, com fronteiras e segurança garantidas. Todas as forças políticas e entidades representativas no Brasil são favoráveis a uma solução pacífica. A maioria dos petistas, tenho certeza, estão plenamente identificados com esta postura do governo brasileiro.

Posições desequilibradas, paixões descontroladas e comparações históricas abusivas, em nada contribuem à causa palestina, à segurança dos cidadãos israelenses e à paz na região.

Luis Favre

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13 COMENTÁRIOS PARA "Paz em Gaza: uma solução complexa":

Comentado por Adriana Versiani em 07/01/2009 - 16:07h:

Caro Luis,
Meu nome é Adriana Versiani e gostaria de agradecer a postagem de alguns dos meus poemas no seu blog.
Acabei de fazer um blog para divulgar os meus textos.
O endereço é:
http://www.apaginadolivro.blogspot.com
Se tiver um tempo, dê uma passadinha por lá.
Um abraço,
Adriana.

Comentado por Jacques Stifelman em 07/01/2009 - 19:12h:

caro Favre

De certa forma é um alivio ler as suas linhas. A posição oficial do PT assinada por Berzoini é de doer, uma visao unilateral do conflito, pró palestina e irreal. Lamentável termos um presidente de um partido que se posiciona dessa forma e pior , saber que o Lula nem o Amorin dizem nada em contrario. Jacques

Comentado por Adriano em 07/01/2009 - 20:27h:

Favre, Infelizmente a ação do Estado de Israel no genocídio do Povo Palestino é absolutamente igual à ação do Estado Nazista no genocídio do do Povo Judeu. Até as desculpas alegadas são as mesmas. Assim como o Povo Alemão não pode ser confundido com o Estado Nazista, o Povo Judeu não pode ser confundido com o Estado de Israel. Porém o apoio à política racista do Estado Nazista pelo Povo Alemão, fosse por omissão ou por assumir o ódio incutido por uma propaganda insistente, é igual ao apoio à política racista do Estado de Israel pelo Povo Judeu, seja por omissão ou por assumir o ódio incutido por outra propaganda insistente. Não há diferenças e as marcas que serão deixadas no Povo Judeu pelos crimes do Estado de Israel serão iguais às marcas deixadas no Povo alemão pelos crimes do Estado Nazista.

Comentado por Adriano em 07/01/2009 - 20:30h:

Jornalista inglês denuncia mentiras de Israel Em artigo publicado no “The Independent”, Robert Fisk acusa governo israelense de contar mentiras para tentar justificar as atrocidades cometidas em Gaza. “O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham se preocupado em poupar civis”, escreve. Redação – Carta Maior http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15468

Comentado por Adriano em 07/01/2009 - 20:31h:

A brutalidade dos soldados de Israel está à altura dos seus porta-vozes. Oito meses antes de lançar a atual guerra em Gaza, Israel criou o Diretório Nacional de Informação. A mensagem básica para a mídia era de que o Hamas violou o acordo de cessar-fogo; que o objetivo de Israel era a defesa de sua população; que as forças de Israel estavam tomando cuidado para não ferir civis inocentes. Os “spin doctors” de Israel foram bem sucedidos em propagar a mensagem. Mas, na essência, a propaganda deles é um pacote de mentiras. Há um fosso entre a realidade das ações de Israel e a retórica dos porta-vozes. Não foi o Hamas, mas as IDF que romperam o cessar-fogo. Fizeram isso com um ataque em 4 de novembro que matou seis homens do Hamas. O objetivo de Israel não é a defesa de sua população, mas a eventual derrubada do Hamas do governo de Gaza ao jogar o povo contra seus dirigentes… http://www.viomundo.com.br/opiniao/silencio-tem-gente-matando-e-morrendo/

Comentado por Adriano em 07/01/2009 - 20:31h:

A máquina de propaganda de Israel persistentemente promoveu a noção de que os palestinos são terroristas, de que eles rejeitam coexistência com o estado judeu, de que o nacionalismo deles é pouco mais do que anti-semitismo, que o Hamas é apenas um punhado de fanáticos religiosos e que o islã é incompatível com democracia. Mas a verdade pura e simples é que o povo palestino é um povo normal, com aspirações normais. Não são melhores, mas também não são piores que qualquer grupo nacional. O que eles aspiram, acima de tudo, é um pedaço de terra que possam chamar de seu no qual possam viver com liberdade e dignidade. http://www.viomundo.com.br/opiniao/para-entender-os-bastidores-da-diplomacia-no-oriente-medio/

Comentado por Adriano em 07/01/2009 - 20:32h:

No final dos anos 80, Israel tinha apoiado o nascente Hamas para enfraquecer a Fatah, o movimento nacionalista secular liderado por Yasser Arafat. Agora, Israel começou a encorajar os líderes corruptos do Fatah para derrubar seus rivais políticos religiosos e recapturar o poder. Os agressivos neoconservadores americanos participaram do plano sinistro para instigar uma guerra civil palestina. A interferência deles foi um fator-chave para o colapso do governo de unidade nacional e para o Hamas tomar o poder em junho de 2007, se antecipando a um golpe do Fatah. http://www.viomundo.com.br/opiniao/para-entender-os-bastidores-da-diplomacia-no-oriente-medio/

Comentado por Jacques Stifelman em 07/01/2009 - 22:53h:

Adriano

Voce nao é um homem que deseja a paz, é sim um fomentador de ódio como Berzoini e Hugo Chavez. Leia o que voce escreve, seja mais da paz.

Comentado por José Rocha em 08/01/2009 - 01:17h:

O PT, historicmente, tem tido uma posição de compromisso com a luta do povo palestino, mas não, que eu saiba, com o terrorismo como via para realizar esta luta. Ao contrário, Lula á frente, o PT sempre defendeu uma solução pacífica e progressista para o conflito na região.
Como dirigentes de um partido que tem, hoje, responsabilidades em relação ao governo do país, acho que caberia aos que assinam a nota do PT mais comedimento nas adjetivações, embora, pessoalmente, eu considere que os responsáveis pela atual ofensiva israelense estejam possuídos de um espírito devastador que não vê na população palestina senão alvos militares desprovidos de qualquer valor. Evidência disto é a declaração atribuida ao presidente Shimon Peres de que “há muitas vítimas entre as crianças palestinas e quase nenhuma em Israel porque nós cuidamos das nossas crianças.”
Não me parece que alguém que declare isto deseje sinceramente a paz.

Comentado por O debate faz parte da luta pela paz entre palestinos e israelenses - Blog do Favre em 08/01/2009 - 15:17h:

[...] Tenho reproduzido aqui alguns artigos para alimentar a reflexão dos leitores sobre o conflito no Oriente-Médio. Minha opinião está registrada em Paz em Gaza: uma solução complexa [...]

Comentado por rafael j em 09/01/2009 - 13:42h:

Caro Favre.

Estou de pleno acordo contigo. Felizmente o governo do Brasil tem adotado um discurso melhor que o PT, que vez ou outra derrapa no maniqueismo pueril ”poderosos Vs coitados”.

Comentado por Sivio. em 09/01/2009 - 19:04h:

Sou cristão novo. Tenho amigos judeus e palestinos. E, todos nós nos perguntamos: Por que o Estado de Israel não cumpriu até hoje nenhuma resolução da ONU sobre a questão da Palestina? Recomendo lerem os textos de Ilan Pappé( Mestre expulso da Universidade de Telavi, ameaçado de morte e hoje exilado em Londres). Saudações.

Comentado por Sueli Bittencourt em 25/01/2009 - 18:27h:

O Projeto Paz e Poesia, do GPL-Grupo de Poetas Livres, de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, parabeniza Israel e Faixa de Gaza, pelo fim da guerra, oferecendo-lhes, com muito amor, este singelo poema:

PERPETUANDO A PAZ

Vamos perpetuar a paz.
Guerra nunca, nunca mais!…
Violência é própria de irracionais.

Usemos poderes dados aos humanos.
O poder de lógica ao raciocinar,
O poder de falar, de pensar, de ponderar…

Sem ganância, sem fanatismo, sem ódios…
De consciência e espírito elevados,
Agindo com bom senso e solidariedade…

Em benefício de tudo e de todos,
Para o bem de toda a humanidade,
Digamos então em alto brado:

GUERRA NUNCA, NUNCA MAIS,
QUEREMOS PERPETUAR A PAZ!!!

Sueli Bittencourt
Projeto Paz e Poesia
http://www.poetaslivres.com.br

 

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