Publicidade
O jornal O Globo dá destaque hoje às previsões orçamentárias para gastos com publicidade do governo federal. Segundo o jornal em 2008 foram gastos R$ 240,6 milhões com comunicação social, que incluem a propaganda institucional e de utilidade pública da Presidência da República e de todos os ministérios. O Globo informa que esses gastos serão aumentados em 2009.
Para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), -citado pelo jornal- “o aumento de 35% nas verbas de publicidade oficial tem dois objetivos: maquiar os efeitos da recessão mundial no país e fortalecer a pré-candidatura da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
Em artigo publicado hoje na Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues, articulista do jornal informa que “De janeiro a novembro de 2008, o governo de São Paulo (Serra) gastou R$ 110,3 milhões em propaganda. No mesmo período, o governo mineiro (Aécio) torrou R$ 34,7 milhões.
(…)
Além dos R$ 110,3 milhões investidos pelo governo Serra, a Sabesp (empresa de saneamento paulista) gastou outros R$ 28,3 milhões no ano passado com publicidade, até novembro -quase igualando-se ao governo de Minas Gerais inteiro.
A estatal serrista parece ter planos expansionistas de fazer inveja a Solano López. Os comerciais da Sabesp foram vistos em 2008 também em Salvador, Manaus e Teresina, entre outras capitais. Como se sabe, há (sic) imenso interesse público no Norte e no Nordeste a respeito do número de ligações de esgoto realizadas em São Paulo.”
O senador do DEM poderia ser convidado a comentar e o jornal O Globo poderia aprofundar sua reportagem sobre a publicidade dos governos, comparando incluso sua pertinência e isenção em relação as futuras disputas eleitorais.
Os leitores poderão assim julgar melhor se é verdadeira a afirmação feita ao Globo que “um dos focos da estratégia de comunicação do governo (federal) é melhorar a imagem do Brasil no exterior, com o objetivo de atrair novos investimentos.” ou se a publicidade da Sabesp no nordeste serve para melhorar o tratamento do esgosto naquela regiões sabidamente mais carentes em matéria de saneamento.
O que sim me parece evidente é que a publicidade de todos estes entes federativos, injetando dinheiro na mídia em época de crise, contribuem a combater a retração econômica e a preservar o emprego de jornalistas e publicitários, assim como o lucro das empresas do setor. LF
PS Paulo Henrique Amorim, no seu site Conversa Afiada trata também deste assunto:
O Conversa Afiada recebeu pelo menos 30 e-mails de leitores (leia abaixo) que se queixam de comerciais de televisão da Sabesp, empresa pública de São Paulo, em estados em que a Sabesp não distribui água: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Maranhão, Pará e Acre.
Veja trechos de alguns deles:
“Aqui no Acre, que nem praia tem, a mais perto fica em outro país, ta passando propaganda que o Governo de São Paulo” – Raphael Bezerra, referindo-se à atuação da Sabesp no litoral..
“Aqui em Vitória, ES, horário nobre, virada do ano, propaganda da SABESP, diz o leitor Alex Gonçalves. “Aqui, no interior do Ceará, estou sendo bombardeado com propagandas do Serra (PSDB) via governo de São Paulo” – Chico Mendes
“As propagandas do governo paulista estão sendo exibidas com freqüência aqui em Recife. Eu nem sabia o que era Sabesp. O Serra não só começou a fazer campanha, como está fazendo de maneira bastante questionável” – Sérgio S.
“Também assisti propaganda da Sabesp aqui em Salvador. A companhia de água da Bahia se chama Embasa” – Gabriel Borges.
“É claro que estamos entendendo que ele [Serra] tá gastando dinheiro do paulistano para fazer campanha, mas pode esquecer que mineiro não vota nele” – Chico Morais.
“Vi propaganda da Sabesp aqui no Rio Grande do Sul – confesso que estranhei – o que é que o povo gaúcho tem que ver com isto? Deve estar gastando o dinheiro da venda da Nossa Caixa” – Antônio Valadão.
Em tempo: e a Justiça Eleitoral, faz o que ?
Em tempo 2: O presidente eleito José Serrágio foi o único governador que discursou na posse de um prefeito. E disse que São Paulo é uma “referência” para o resto do Brasil. “Referência” para se referir a que ? A usar o dinheiro do contribuinte de São Paulo para fazer propaganda eleitoral no Acre ? No mesmo memorável discurso ele acusa os administradores que não zelam pelo equilíbrio fiscal: não há incompatibilidade entre ser popular e manter o equilíbrio fiscal. Claro, a Sabesp distribuir água no Acre e garantir o equilíbrio fiscal de São Paulo. Esses tucanos de São Paulo dizem qualquer coisa, porque o PiG os tornou inimputáveis.
Leia também:
De olho em 2010, Serra dobra verba publicitária e faz propaganda Brasil afora
Publicado: 30/12/08 – 19h07
O governador José Serra resolveu dobrar o orçamento para publicidade em 2009, ano que antecede a eleição presidencial. Reportagem publicada hoje pelo site Brasil de Fato indica que o governo tucano terá R$ 313 milhões de verba publicitária a disposição no próximo ano, contra R$ 166 milhões que destinou a essa área no orçamento de 2008, pontua o texto, assinado por Eduardo Sales de Lima.
A disposição de Serra em gastar dinheiro do contribuinte de olho na sucessão presidencial também aparece em reportagem publicada hoje pela Folha. A matéria, de Cátia Seabra, mostra que o tucano vai congelar R$ 2 bilhões do orçamento total do Estado, de R$ 118 bilhões. Serra acha que a crise financeira fará a arrecadação estadual cair. Porém, os cortes deverão se concentrar nos recursos para manutenção da máquina pública (custeio), sem atingir os investimentos que deverão alavancar seu caminho ao Planalto.
Por conta da proximidade das eleição presidencial, o governador recomendou aos secretários prioridade às obras. Reivindicações salariais de servidores, por exemplo, dificilmente serão atendidas, frisa a reportagem – leia o texto, se você for assinante da Folha.
Serra também contará como empenho do prefeito Gilberto Kassab na tentativa de ser o sucessor de Lula. É o que diz o texto de Caio Junqueira, no Valor Econômico. O jornal mostra que a equipe de Kassab vai tomar posse com a missão de implantar projetos que ajudem a candidatura de Serra. Para isso, contará com recursos de iniciativa privada e do próprio governo estadual.
Uma das principais cartadas de Kassab, em parceria com Serra, será a revisão do Plano Diretor da cidade para ampliar as áreas nas quais o setor imobiliário poderá construir, principalmente em locais próximos às linhas do metrô – leia a íntegra do texto, se você for assinante do Valor Econômico.
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