28/02/2009 - 19:15h Noturno n° 1

Maria João Pires – Noturno n° 1 de Chopin

28/02/2009 - 18:14h Bem-vindo Tortelier

A OSESP tem novo maestro. Espero que consiga preservar a excelência da orquestra. Bagagem para isto Yan Tortelier tem de sobra.

Quando da demissão de Neschling os tucanos lançaram uma campanha sobre o salário do regente. Na época, Neschling acumulava duas funções que foram desdobradas, a de diretor artístico e a do regente-titular.

A transparência não deveria incluir a publicidade sobre o valor do salário do novo maestro e dos que assumam a direção artística?

Onde estão agora os tucanos que questionavam o valor “absurdo” do salário de Neschling?

Porque não enviam cartas aos jornais exigindo saber o salário que será pago para ambas as funções?

Evidentemente Yan Tortelier nada tem a ver com a demissão de Neschling, nem com a implicação do governador Serra com o maestro da OSESP. É seguramente o salário dele, como o dos que assumirão a direção artística da orquestra, seguira os padrões internacionais sobre o assunto.

Mas o que fica é a hipocrisia dos que justificaram a mudança invocando o dinheiro público e que agora nada dizem.

A “ética” dos sicofantas ficou muda. LF

28/02/2009 - 17:39h O novo primeiro-regente

O maestro francês Yan Pascal Tortelier assume na segunda o comando da principal orquestra do País e fala pela primeira vez dos planos para a Osesp

 

João Luiz Sampaio – O Estado SP

 


O maestro francês Yan Pascal Tortelier chega este fim de semana a São Paulo para começar seu trabalho de dois anos como regente-titular da Sinfônica do Estado de São Paulo, substituindo John Neschling, demitido no início de janeiro. Definindo uma orquestra como “o mais perfeito instrumento criado pelo homem”, Tortelier, que já esteve à frente da Filarmônica da BBC, em Manchester, se diz animado com a possibilidade do trabalho em São Paulo. E, na entrevista concedida por telefone ao Estado, pede paciência ao público para que ele tenha tempo de conhecer melhor o grupo. Seu primeiro concerto será na quinta-feira, na abertura oficial da temporada, na Sala São Paulo.

Qual a avaliação de seu primeiro contato com a orquestra, em 2008?

Foi uma surpresa maravilhosa viajar a São Paulo e descobrir uma sala maravilhosa. Sinto não tê-la conhecido antes. A questão da acústica é complicada, mas a solução de uma sala criada a partir de um prédio antigo é muito rica e bem-sucedida. Mas o que é uma sala sem uma orquestra? E a Osesp também me surpreendeu, possui alto nível de treinamento e nos demos muito bem. Tive a sensação de que dá para fazer muito em termos de repertório com esses músicos.

Estava prevista a apresentação do oratório Paulus, de Mendelssohn, para a abertura da temporada. Por que trocar a peça pelas mais apresentadas Variações Enigma, de Elgar, e a Sinfonia nº 2, de Rachmaninoff?

Essas são peças com as quais tenho uma relação muito forte. E tudo aconteceu de uma hora para outra, precisei tomar decisões rápidas e procurei um repertório que fosse adequado para todos, com exceção do coro, que ficou de fora mas com quem pretendo trabalhar bastante ainda. Mas entendam que foi tudo muito rápido e tive sorte de poder aceitar o convite, de ter as nove semanas livres em minha agenda, o que aconteceu porque atualmente não tenho nenhum posto fixo à frente de uma orquestra.

A Osesp trabalhou nos últimos 12 anos sob o comando de um mesmo maestro e, desde sua reestruturação, esta é a primeira vez que o grupo passa por uma troca de regentes. Isso torna a transição complicada?

Cada concerto, cada programa, é uma aventura, em qualquer lugar, não apenas em São Paulo. É assim que penso minha vida e minha carreira. Toda vez que chego para trabalhar com uma orquestra vejo a oportunidade como um desafio, uma aventura. Não tenho 100% de certeza de que minha parceria com a Osesp vai funcionar, que seremos bem-sucedidos. Não sei como eles tocam esse repertório que escolhi para o concerto de abertura, por exemplo. Mas sei como os músicos reagiram a mim no ano passado. E estou contando com essa química. No mais, é sempre uma aventura. E é isso que torna minha profissão fascinante.

Como regente-titular, o senhor deve participar da montagem das próximas temporadas da Osesp. Qual imagina ser o repertório ideal para uma orquestra como ela?

Acho necessário relembrar que estou indo para São Paulo em um contexto muito específico, delicado. Vou porque estou disponível, nesta e na próxima temporada. Não sou apenas um regente convidado principal, mas prefiro pensar em mim como um regente principal convidado. Vai caber à direção da orquestra discutir repertórios e programações. Deixem que eu chegue e, após um mês de trabalho, conheça melhor o grupo, com quem trabalhei apenas duas semanas até agora. Estou disposto a conversar e ajudar na montagem do repertório da Osesp. Mas não sou de fazer planos, prefiro que as coisas fluam naturalmente. Vamos ver como nossa relação se dá e construiremos a partir daí.

Existe algum repertório com o qual o senhor se identifica em especial?

A música alemã seria, acredito, o pão com manteiga da minha juventude como músico. O repertório francês flui naturalmente no meu sangue; os russos, bom, são essenciais, assim como a música latina, sempre com espaço para os compositores anglo-saxões. Acho que posso dizer que, se não com tudo, eu me sinto feliz com a maior parte do repertório sinfônico ocidental.

O senhor falou em música latina. Conhece a música brasileira?

Essa é uma pergunta delicada para mim. O grande atributo da música latina, a brasileira incluída, é o ritmo, há um fogo que tem a ver com o ritmo. Fala-se sempre isso dos russos, de Stravinsky, mas não acho que a questão rítmica seja tão essencial para os russos quanto para os latinos. Não regi muita música brasileira, mas espero em São Paulo poder me aventurar por esse repertório, gostaria muito disso. Mas tenham paciência, não seria justo exigir isso de mim logo de cara. De qualquer forma, não acredito que vocês precisem de mim como advogado de sua música. Meu papel em São Paulo é mais amplo.

Para que serve uma orquestra sinfônica em um mundo como o de hoje?

Talvez eu pareça ultrapassado, mas acho que o mundo de hoje fica cada vez mais superficial. A tecnologia traz avanços indiscutíveis, mas transforma o ambiente em que vivemos e, aos poucos, passamos a nos comportar como máquinas. Há aí a necessidade da espiritualidade, não do fanatismo, claro, mas do misticismo. Não sou uma pessoa religiosa, devo dizer. Mas vejo a música como minha religião, em vez do judaísmo, budismo, cristianismo, islamismo, etc. Nunca houve uma guerra provocada pela música. Ela pode fazer por nós tanto quanto qualquer religião. E uma orquestra é o veículo perfeito dessa idéia, deve difundir a música, levando-a ao maior número possível de pessoas.

E agora?

 


A demissão do maestro John Neschling despertou uma série de questões sobre o futuro da Osesp. Se Tortelier assume o posto de regente-titular, quem fica como diretor artístico, encarregado portanto de montar as próximas temporadas? Segundo a Fundação Osesp, a direção artística será feita provisoriamente pelos consultores internacionais contratados para auxiliar a orquestra nesse momento de transição: Timothy Walker, diretor-executivo e artístico da Filarmônica de Londres, e Henry Fogel, ex-presidente da Liga Americana de Orquestras e ex-diretor-executivo da Orquestra Nacional de Washington e da Sinfônica de Chicago. Quanto ao nome do novo diretor, a fundação promete o anúncio para 2010, “a tempo de preparar a temporada de 2011″. Sobre as gravações. Tortelier vai comandar o grupo em uma delas. A Fundação, no entanto, ainda não informou o cronograma completo de gravações e os artistas que estarão envolvidos. Também falta um pronunciamento oficial por parte da orquestra sobre as turnês pelos Estados Unidos e pela Europa, previstas para este e o próximo ano: estão confirmadas? Quem regerá o grupo nas viagens?

28/02/2009 - 10:19h Limpar depois de encher pode ter custo mais alto

Vitor Sorano – JT

O Jornal da Tarde consultou empresas de dragagem sobre a retirada de lodo de um lago em duas condições: seco e cheio d’água. A opinião dominante é que, em tese, fazer o serviço na segunda hipótese – a ser adotada pela gestão Kassab (DEM) no caso Aclimação -, provavelmente sai mais caro. Em alguns casos, a reportagem se identificou e informou qual era o local de execução dos serviços.

“A retirada com o lago seco é três vezes mais em conta”, disse um representante da Wüstenjet Engenharia que não quis se identificar. Ele respondeu sabendo que se tratava do lago do Parque da Aclimação. Mesma avaliação foi dada por uma empresa de Santa Bárbara D’Oeste, no interior do Estado – à qual o JT não se identificou. “Seco é bem melhor. Dá bastante diferença de preço, umas três vezes.”

Avaliação positiva sobre a secagem também teve uma empresa de Ribeirão Preto. “Seco seria mais viável. A vantagem é que o acabamento é outro, mas tem de ver as condições”, disse um funcionário.

“Se conseguir desidratar o sedimento, é mais econômico. Por ser uma área urbana, quanto menos água tiver é melhor, porque o volume (a ser transportado) é menor”, afirmou o coordenador da Associação Brasileira de Dragagem, Paulo Roberto Rodriguez, falando em tese sobre o caso Aclimação. “Mas não é uma questão de custo, e sim de técnica. ”

Na FOS Engenharia Limitada, a opinião era de que o serviço com água irá causar menos impacto para a população. “Para esperar esse lodo secar vai demorar mais e vai provocar mau cheiro.”

 

Obra rápida para encher lago

Água de minas é liberada uma hora e meia depois do fim da concretagem de equipamento que falhou

Vitor Sorano, JT

vitor.sorano@grupoestado.com.br

Uma hora e meia depois de concluída a concretagem do vertedouro – equipamento de controle de volume de água – que quebrou e esvaziou o lago do Parque da Aclimação na última segunda, a água voltou a ser liberada para encher o local, por volta das 15h30 de ontem. A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente não divulgou estimativa de quando o reservatório estará completo. Uma das variáveis que influencia esse prazo é a quantidade de chuva.

A água começou a voltar ao lago a partir de minas – há três mapeadas no local – que estavam contidas. As outras fontes são a chuva que atinge o local e o excesso de água que transborda do Córrego da Pedra Azul, próximo ao parque, e é desviado para o lago.

A concretagem do vertedouro terminou por volta das 14 horas. Hoje a Épura, empresa contratada pela Prefeitura, voltará ao local para implantar tubos um pouco abaixo do limite superior do vertedouro. Cada um deles funcionará como uma espécie de “ladrão” de caixa-d’água. A mudança permitirá que o equipamento comece a escoar um eventual excesso de água antes de chegar ao nível máximo, o topo do vertedouro.

A medida, diz a Épura, dá mais segurança. Uma das hipóteses da Prefeitura para o incidente é que o excesso de chuva tenha colocado muita pressão na base do vertedouro, causando o rompimento e a drenagem total do lago.

Para o engenheiro José Eduardo Cavalcanti, do Instituto de Engenharia, especialista em remoção e transporte de resíduos, “o enchimento nesse momento é como se colocasse um carpete novo sobre um piso podre”.

Quase metade da capacidade do lago está ocupada por lodo, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (Siurb). O volume do lago, até hoje, é de 75 milhões de litros de água. Com a retirada do lodo, diz a prefeitura, esse volume chegará a aproximadamente 100 milhões de litros.

A limpeza de lagos, na maioria das vezes, é feita por meio de dragagem dos sedimentos. Para Cavalcanti, esse procedimento é mais custoso (leia ao lado) e traz inconvenientes ambientais.

Já Kassab disse que é indiferente retirar o lodo com o lago vazio ou cheio. “A Secretaria do Verde e Meio Ambiente fez estudos mostrando que não é necessária a retirada do lodo para as próximas obras que serão feitas no lago.” A terceira fase das obras, que inclui a remoção do lodo e a construção de novo vertedouro, custará R$ 20 milhões. A licitação deve ser aberta nas próximas semanas.

A pasta diz que é necessário encher o lago para fazer a limpeza. Um dos motivos é que o transporte do material sem isso geraria grande transtorno para o parque e para o bairro. O outro é que será usada a técnica de bombeamento, que exige água. Eduardo Reina, Mônica Cardoso e Vitor Sorano

28/02/2009 - 09:45h No lago, água nova e sujeira antiga

Para engenheiros, Prefeitura perde chance única de limpar área

O Estado SP

A Prefeitura de São Paulo vai perder uma grande oportunidade de realizar a limpeza da sujeira acumulada por anos e anos no fundo do lago do Parque da Aclimação e economizar dinheiro. Essa é a opinião do engenheiro José Eduardo Cavalcanti, do Instituto de Engenharia, especialista em remoção e transporte de resíduos. “Encher o lago nesse momento é como colocar um carpete novo sobre um piso podre”, afirmou Cavalcanti.

Segundo ele, a retirada de toda a lama e do material sólido que está no local poderia demorar semanas, já que é preciso fazer a separação do material sólido do líquido. “Provavelmente o lodo teria de passar por um processo de secagem antes de ser enviado a um aterro”, explicou o engenheiro. Atualmente, os aterros que podem receber esse tipo de material cobram em torno de R$ 120 por tonelada a ser despejada.

Quase metade da capacidade do lago está ocupada hoje por lodo, de acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (Siurb). O volume do lago é de 75 milhões de litros de água. Desse total, cerca de 30 milhões de litros correspondem ao lodo existente, composto por terra, água e material orgânico como esgoto, algas, micro-organismos, animais mortos e vegetais que chegam ao local pelo Córrego Pedra Azul.

Antes de entrar no corpo do lago, a água do Pedra Azul passa por processo de flotação numa estação ao lado do parque. Mas parte das impurezas acaba ficando no líquido. Com o esvaziamento do lago, foi possível ver a quantidade de sujeira existente no local. Há desde garrafas plásticas e pneus até carrinho de feira.

DRAGAGEM

O processo de limpeza de corpos de água, na maioria das vezes, é feito através de dragagem dos sedimentos. Para o engenheiro Cavalcanti, esse procedimento é mais custoso e traz inconvenientes ambientais. Com o local vazio, poderia ser feito com escavadeiras e caminhões. “Está se desperdiçando uma oportunidade única de limpar o lago da Aclimação”, disse.

O enchimento do lago nas atuais condições seria ruim para o local, segundo Julio Cerqueira Cesar Neto, outro engenheiro da área sanitária e ambiental e ex-presidente da Agência da Bacia do Alto Tietê. “Esse lago sempre esteve sujo. E já que está vazio, é preciso corrigir. Se tirar os detritos do fundo, ao reencher, as condições serão excelentes. A limpeza a céu aberto é mais barata”, disse Cesar Neto.

Já o prefeito Gilberto Kassab disse que é indiferente retirar o lodo com o lago vazio ou cheio. “A Secretaria do Verde e Meio Ambiente fez estudos mostrando que não é necessária a retirada do lodo para as próximas obras que serão feitas no lago.” A terceira fase das obras, que inclui a remoção do lodo e a construção de um novo vertedouro, custará R$ 20 milhões. A licitação deve ser aberta nas próximas semanas.

TAMPÃO

Ontem, dois tubos de concreto foram colocados no interior do vertedouro – sistema hidráulico que regula o nível do lago. Foi formada uma peça que funcionará como tampão provisório permitindo o acúmulo de água que virá de algumas minas de água próximas do parque e também da chuva.

28/02/2009 - 09:09h De R$ 1 bilhão prometido, prefeitura só deu em dinheiro R$ 275 milhões ao metrô

http://midiacon.com.br/imgNoticias/2008/Out/23/politica231002_gd.jpg

Ao contrário do que Kassab anunciou durante o ano eleitoral de 2008, de que repassaria R$ 1 bilhão da Prefeitura de São Paulo para ajudar na ampliação do Metrô na cidade, menos da metade desse valor chegou ao cofre da empresa estadual.O secretário de Finanças da prefeitura, Walter Aluizio Morais Rodrigues, admitiu ontem que de R$ 1 bilhão prometido o município só repassou R$ 275 milhões em dinheiro ao Metrô. O restante são Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), ou seja, papéis que ainda precisam ser leiloados no mercado financeiro.

E nem há garantia de que a venda dos Cepacs seja realizada e complete a diferença. Por causa da crise financeira, não há procura garantida pelos papéis e eles devem perder o valor que tinham no ano passado.

“Ficou claro que era uma farsa essa história de a prefeitura ter repassado R$ 1 bilhão para ajudar na ampliação do metrô”, afirmou o vereador Donato ao final da audiência convocada pela Comissão de Finanças e Orçamento, da qual ele é vice-presidente.
Kassab e José Serra fizeram dois atos políticos – um deles na véspera do segundo turno da eleição, numa atividade de caráter evidentemente eleitoral – para celebrar a parceria da prefeitura com o governo estadual em torno do metrô. Na ocasião, exibiram réplicas de dois cheques (um de R$ 200 milhões e o outro de R$ 198 milhões), que foram parar no horário eleitoral. Walter Aluizio tentou convencer na audiência que a prefeitura cumpriu com sua parte, mas nem soube dizer se os R$ 275 milhões em dinheiro foram usados pelo Metrô. Ele disse que a empresa é muito lenta para gastar os recursos colocados à sua disposição.

Fonte boletim da bancada de vereadores do PT

27/02/2009 - 20:05h Lépida e leve

Gilka Machado

Lépida e leve
em teu labor que, de expressões à míngua,
O verso não descreve…
Lépida e leve,
guardas, ó língua, em seu labor,
gostos de afagos de sabor.

És tão mansa e macia,
que teu nome a ti mesmo acaricia,
que teu nome por ti roça, flexuosamente,
como rítmica serpente,
e se faz menos rudo,
o vocábulo, ao teu contacto de veludo.

Dominadora do desejo humano,
estatuária da palavra,
ódio, paixão, mentira, desengano,
por ti que incêndio no Universo lavra!…
És o réptil que voa,
o divino pecado
que as asas musicais, às vezes, solta, à toa,
e que a Terra povoa e despovoa,
quando é de seu agrado.

Sol dos ouvidos, sabiá do tato,
ó língua-idéia, ó língua-sensação,
em que olvido insensato,
em que tolo recato,
te hão deixado o louvor, a exaltação!

— Tu que irradiar pudeste os mais formosos poemas!
— Tu que orquestrar soubeste as carícias supremas!
Dás corpo ao beijo, dás antera à boca, és um tateio de
alucinação,
és o elástico da alma… Ó minha louca
língua, do meu Amor penetra a boca,
passa-lhe em todo senso tua mão,
enche-o de mim, deixa-me oca…
— Tenho certeza, minha louca,
de lhe dar a morder em ti meu coração!…

Língua do meu Amor velosa e doce,
que me convences de que sou frase,
que me contornas, que me veste quase,
como se o corpo meu de ti vindo me fosse.
Língua que me cativas, que me enleias
os surtos de ave estranha,
em linhas longas de invisíveis teias,
de que és, há tanto, habilidosa aranha…

Língua-lâmina, língua-labareda,
língua-linfa, coleando, em deslizes de seda…
Força inféria e divina
faz com que o bem e o mal resumas,
língua-cáustica, língua-cocaína,
língua de mel, língua de plumas?…

Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
amo-te como todas as mulheres
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,
pela carne de som que à idéia emprestas
e pelas frases mudas que proferes
nos silêncios de Amor!…

Gilka da Costa de Melo Machado nasceu no Rio de Janeiro (RJ) no dia 12 de março de 1893. Casou-se com o poeta Rodolfo de Melo Machado em 1910. Teve dois filhos: Helio e Eros. O marido, Rodolfo, faleceu em 1923. Seu primeiro livro de poesia, “Cristais Partidos”, foi publicado em 1915. Em 1916 foi publicada sua conferência “A Revelação dos Perfumes”, no Rio de Janeiro. Em 1917 publicou “Estados de Alma” e, em seguida, no ano de 1918, “Poesias, 1915/1917”, “Mulher Nua”, em 1922, “O Grande Amor”, “Meu Glorioso Pecado”, em 1928, e “Carne e Alma”, em 1931. Em 1932, foi publicada em Cochabamba, Bolívia, a antologia “Sonetos y Poemas de Gilka Machado”, com prefácio Antonio Capdeville. No ano seguinte, a escritora foi eleita “a maior poetisa do Brasil”, por concurso da revista “O Malho”, do Rio de Janeiro. “Sublimação” foi publicada em 1938, “Meu Rosto” em 1947, “Velha Poesia” em 1968 e suas “Poesias Completas” editadas em 1978. Em 1979, foi agraciada com o prêmio Machado de Assis pela Academia Brasileira de Letras. Nesse mesmo ano a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro prestou homenagem à mulher brasileira na pessoa da poeta. Escreveu versos, sendo simbolista, considerados escandalosos no começo do século XX, por seu marcante erotismo. Faleceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 11 de dezembro de 1980.

Publicado em “Poesias Completas”, Léo Christiano Editorial Ltda. – Rio de Janeiro, 1992, foi selecionada por Ítalo Moriconi e faz parte do livro “Os cem melhores poemas brasileiros do século”, Editora Objetiva – Rio de Janeiro, 2001, pág. 75.

Fonte Releituras

27/02/2009 - 19:44h Erótica

http://weblogs.clarin.com/antilogicas/archives/619.jpg
Egon Schiele: Liegende Frau Mit Roter Hose Und Stehend

27/02/2009 - 19:37h Noturnos

Chopin Noturno Op. 9 N° 2 Yundi Li ao piano

27/02/2009 - 14:13h Recursos do governo federal para merenda escolar são suspensos para Estados e municipios que não prestaram contas do dinheiro. São Paulo é um dos Estados com a verba suspensa

http://www.ssgrama.sp.gov.br/sites/7200/7277/noticias/DSC06934merenda.JPG

O reporter Fábio Oliva enviou uma nota sobre a suspensão do repasse do dinheiro da merenda escolar para vários municípios de Minas Gerais. Alem dos municípios, vários Estados tiveram suspensos os recursos por falta de prestação de contas por parte das suas secretárias estaduais sobre o uso do dinheiro da merenda escolar. Dentre esses Estados aparece o Estado de São Paulo, no só o mais rico e supostamente melhor organizado, mas aquele que tem -como todos os que leem jornais sabem- uma gestão moderna…A seguir a nota de Fábio Oliva


Januária entre os municípios que devem ficar sem repasse de recursos para a merenda escolar

Januária e mais vinte municípios do Norte de Minas estão entre os pelo menos 895 municípios e nove redes estaduais de ensino (Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima, São Paulo e Tocantins) vão ficar sem o repasse financeiro do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) do Ministério da Educação.

Os mandatos dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE) dessas localidades estão vencidos e, por isso, não há como apresentar a prestação de contas referente a 2008 até a data limite, 28 de fevereiro. O levantamento é do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela execução do programa de merenda escolar.

A cada início de ano, estados e municípios devem enviar a documentação para prestação de contas ao CAE, entidade responsável pelo acompanhamento dos recursos para a merenda escolar. Os documentos deveriam ter sido entregues até 15 de janeiro para que os conselhos enviassem um parecer conclusivo ao FNDE até o dia 28.

Em 2009, o Pnae tem um orçamento de R$ 2,02 bilhões para o atendimento dos alunos de educação básica da rede pública. Em 2008, a transferência atingiu R$ 1,49 bilhão chegando a 34,6 milhões de alunos.

Confira a lista de municípios no link:

http://download.uol.com.br/educacao/2009municipios_cae_vencido.pdf

Agilidade no envio de documentos

O FNDE recomenda aos municípios e estados que ainda não enviaram os documentos para o CAE que o façam o mais rápido possível. Logo que a prestação de contas chegar e for aceita pelo fundo, o repasse é restabelecido. No caso dos municípios que estão sem conselho, uma nova eleição deve ser feita para que os membros possam analisar e dar parecer sobre a prestação de contas.

O CAE deve ser constituído por sete membros, entre eles representantes de professores, pais de alunos e da sociedade civil.

A coordenadora-geral do Pnae, Albaneide Peixinho, explica que sem um conselho para aprovar essa prestação o município tem o benefício suspenso.

“O conselho deve observar, por exemplo, se o número de alunos que o município diz que atendeu bate com o de matrículas, ou se a alimentação oferecida é mesmo aquela especificada. Por isso o processo é feito ao longo do ano e não apenas nesse período, o conselho precisa visitar as escolas. E, se o ator [CAE] não existe, como a ação pode ser executada?”, questiona.

Caso o município tenha o benefício suspenso, mesmo que temporariamente, deve arcar com os custos integrais da merenda escolar. “É direito constitucional de todo aluno receber alimentação escolar. Se o gestor não tiver recebido ele precisa bancar, até porque as aulas já começaram”, aponta Albaneide.

Se os municípios comprovarem que mantiveram a alimentação escolar com recursos próprios durante este período, o FNDE pode pagar as parcelas retroativamente a título de ressarcimento. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 0800 616161 ou no site do FNDE.

Relação

Além de Januária, estão na relação divulgada pelo CAE os seguintes municípios do Norte de Minas: Cônego Marinho, Francisco Dumont, Francisco Sá, Fruta de Leite, Glaucilândia, Ibiaí, Josenópolis, Juvenília, Lagoa dos Patos, Mato Verde, Novorizonte, Ponto Chique, Ponto dos Volantes, Porteirinha, Riacho dos Machados, Rubelita, Santa Cruz de Salinas, São João das Missões, Taiobeiras e Vargem Grande do Rio Pardo.

Com informações de Amanda Cieglinski, da Agência Brasil

27/02/2009 - 11:29h Dilma vai pedir a Estados apoio a plano habitacional

Ministra da Casa Civil vai reunir os governadores de SP, MG, RJ e PR na terça-feira e sugerir redução do ICMS sobre os materiais de construção

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Lu Aiko Otta, BRASÍLIA – O Estado SP

As medidas de estímulo à construção civil deverão ser apresentadas na próxima terça-feira aos governadores de São Paulo, Minas Gerais, do Paraná e do Rio de Janeiro. Na reunião, a ser capitaneada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o governo pedirá a colaboração dos Estados para dar maior alcance às medidas.

Dilma deverá sugerir aos governadores, por exemplo, que reduzam o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – o principal tributo estadual – sobre o material de construção. O mesmo pedido foi feito na semana passada a um grupo de governadores do Nordeste. Eles se disseram dispostos a colaborar.

A ministra foi orientada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a fazer os últimos ajustes no pacote da habitação após a conversa com os governadores. Assim, é possível que na semana que vem as medidas sejam, finalmente, anunciadas. O ponto central do pacote é a meta de contratar a construção de 1 milhão de moradias até 2010. Para a classe média, a principal medida deverá ser a elevação, de R$ 350 mil para R$ 500 mil, do valor do imóvel que pode ser pago usando recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Nas últimas semanas, os técnicos concentraram esforços para encontrar uma forma de baratear o seguro do financiamento habitacional, que cobre morte ou invalidez do mutuário ou danos, permanentes ao imóvel. Estudos preliminares mostram que o seguro chega a 40% da prestação.

Entre as alternativas examinadas estava a concessão de um subsídio com recursos do Tesouro Nacional ou a reativação de um fundo, existente no Ministério da Fazenda, para atuar como seguradora. Pressionada, a Caixa já informou o Planalto que encontrou formas de reduzir significativamente o valor do seguro.

DESONERAÇÕES

Outro ponto ainda em discussão é o tamanho das desonerações tributárias envolvidas no pacote. Existe a hipótese de reduzir a zero o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do material de construção. Nesse caso, o governo federal deixaria de arrecadar R$ 1 bilhão por ano. Há uma corrente defendendo que o corte do imposto para zero não seja para todos os itens.

Há dúvidas também sobre a redução de 7% para 6%, da tributação incidente sobre o patrimônio afetado das construtoras. Trata-se de um sistema de tributação no qual a incorporadora faz uma contabilidade separada para cada empreendimento e, ao final, recolhe uma alíquota única a título de tributos federais. Se a redução fosse adotada, a perda de arrecadação seria da ordem de R$ 150 milhões. Porém, se a alíquota cair, um número maior de empresas pode optar por esse sistema, elevando a conta da renúncia fiscal.

O corte nos tributos federais fica mais difícil diante da queda de 7,26% na arrecadação em janeiro ante janeiro de 2008. Há indicações que, em fevereiro, também haverá queda na arrecadação.


NÚMEROS

R$ 500 mil
é o valor do imóvel que poderá vir a ser pago com recursos do FGTS.

R$ 350 mil
é o valor do imóvel que hoje pode usar o Fundo

27/02/2009 - 10:58h “Liguei alertando e ninguém fez nada. Agora está tudo destruído e não tenho para onde ir”

Todas as fotos são deste verão na cidade de São Paulo e do jornal O Estado de SP
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Às vésperas do natal, apenas dois meses atrás, o editorial do jornal O Estado de São Paulo manifestava um genuíno entusiasmo pelo tratamento dado às enchentes pela administração demo-tucana. (ver Euforia natalina). Vários alagamentos, enchentes, desabamentos e mortos nestes dois meses jogaram provavelmente um balde de água fria no entusiasmo dos editorialistas do Estadão (ver Melhora o tratamento da questão das enchentes em São Paulo; Áreas crônicas voltam a sofrer alagamento). As questões se acumulam e os problemas continuam.

Vale a pena reiterar o que foi dito aqui no blog comentando entrevista do prefeito em 27 de dezembro último:

“E as enchentes? Porque com R$10 bilhões de reais a mais foram construidos nos últimos quatro anos muito menos piscinões que na gestão anterior? A pergunta não foi feita, mas o entrevistador não deixou passar o assunto. Kassab não consegue dar nenhuma indicação do que foi feito na área. Diz que o fundamental é salvar vidas. Vários já morreram nos últimos 4 anos como conseqüência das enchentes. Ainda hoje três crianças estão desaparecidas. Os mapas estão desatualizados (o último é de 2003). As obras projetadas não foram realizadas. Sem rir, Kassab diz que a coisa melhora e melhorará se a cidade continuar elegendo administrações como a dele. Mas para continuar fazendo o que, no combate as enchentes?” (ver O congelamento de Gilberto Kassab).

Em todo caso, as informações que o jornal publica hoje sobre o tema mostram que, longe da proclamada melhora no tratamento do assunto, a prefeitura de Kassab e seu “padrinho” o governo estadual, nadam na maquiagem dos problemas procurando ocultar a lentidão para combater o flagelo. LF

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Governo se recusa a ceder dados sobre áreas de risco

 

 

O Estado de São Paulo

 

O governo de São Paulo se recusa, desde dezembro de 2008, a fornecer dados sobre as áreas de risco no Estado. As informações existem e são produzidas e compiladas tanto pelo Laboratório de Riscos de Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) quanto pelo Instituto Geológico (IG). Embora nem todos os mapeamentos estejam atualizados, técnicos ouvidos pelo Estado foram unânimes em dizer que eles são hoje o único instrumento capaz de fornecer aos governantes e à população um panorama das áreas e localidades em que há riscos de deslizamentos de terra – uma das principais causas de mortes em épocas de chuvas.

Em dezembro do ano passado, a reportagem solicitou os dados ao IPT, que se comprometeu a repassá-los desde que houvesse autorização da Defesa Civil Estadual, financiadora dos estudos. Em nota, o governo alegou que “cabe a cada município a avaliação da existência de população em áreas de risco e a atuação nesses locais, quando necessário”. Esclareceu que “o levantamento citado foi realizado em 2000 e vem, desde então, sendo utilizado como referência para a ação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec)”. Argumentou, no entanto, não se tratar da “única informação disponível” e que ela “não serve como indicador global das áreas de risco no Estado”, o que contraria a opinião de técnicos no assunto. A nota, encaminhada em 4 de dezembro, assinala ainda que a divulgação dos dados “poderia causar pânico desnecessário nas populações dos locais indicados”.

Desde então, o Estado vem reiterando os pedidos de liberação dos dados – sem sucesso. Os únicos dados à disposição do público estão no site do Ministério das Cidades, que reúne 11 Planos Municipais de Redução de Riscos (PMRR) de municípios paulistas, em que constam os mapeamentos das áreas de risco. Atualmente, 67 municípios fazem parte do Plano Preventivo de Defesa Civil e a maioria dele tem PMRR.

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Chuva causa 6 mortes em 48 h

Quatro pessoas morreram soterradas, duas delas na capital paulista; houve 400 quedas de barreiras na SP-50

 

Eduardo Reina e Renato Machado – O Estado SP

 


Em dois dias, pelo menos seis pessoas morreram em quatro cidades do Estado de São Paulo, por causa das fortes chuvas. Na capital, dois operários foram soterrados na noite de anteontem, dentro de uma obra, no Tremembé (zona norte). No mesmo horário, um aposentado acabou arrastado pela enxurrada em Pedro de Toledo, a 149 quilômetros de São Paulo.

Na quarta-feira, no Guarujá, litoral sul de São Paulo, houve a morte de duas crianças após o desabamento de oito casas na Vila Baiana. Em 24 horas, o índice pluviométrico do município atingiu a quantidade de uma semana. De acordo com a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), nesse período foram registrados 400 deslizamentos de terra no trecho entre o km 128 e o km 145 da SP-50, entre os municípios de São José dos Campos e Monteiro Lobato, no Vale do Paraíba. A estrada se encontra interditada para ônibus e caminhões. Ainda anteontem, um lavrador foi fulminado por um raio, quando estava trabalhando num canavial de São Simão, na região de Ribeirão Preto.

O mapa mais recente das áreas com risco de enchentes, inundações, escorregamentos e erosão no Estado de São Paulo, feito em 2005 pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), mostra que 193 dos 645 municípios estão classificados como de situação muito crítica. Nessa categoria estão a capital e a cidade de Marília, onde uma ponte desabou na madrugada de ontem e um ônibus foi arrastado pelas águas. O veículo levava 15 passageiros, além do motorista, e ia de Sarandi (PR) para Ibitinga (SP). Uma caminhonete com dois ocupantes também caiu dentro do Rio Tibiriçá, na SP-333. Todos ficaram ilhados, com água até o peito. Os passageiros usaram celulares para chamar a polícia.

No relatório do IPT, os técnicos destacam que “acidentes decorrentes de processos de inundações, erosão e escorregamentos têm ocorrido frequentemente no Estado de São Paulo”. Tudo isso é consequência de um “crescimento urbano nas cidades, propiciando a criação de áreas de risco, comumente associadas a assentamentos urbanos precários, em terrenos sujeitos a processos geológico-geomorfológicos (escorregamentos e erosão) e hidrológicos (enchentes, inundações, alagamentos e solapamento de margens).”

São avaliadas no estudo condições do solo ao lado de estradas, rios, pontes, viadutos e túneis em todas as cidades. Na lista de municípios em estado muito crítico aparecem ainda Presidente Prudente, Botucatu, Franca, Bananal, São José do Rio Preto, Paraguaçu Paulista e Tupã, entre outros. Classificados como moderadamente críticas estão 345 cidades, incluindo Barretos, Cunha, Getulina, Brotas, Peruíbe e Itirapina.

Além disso, há 107 municípios considerados pouco críticos, como Iguape, Avaré, Guaira, Ilha Solteira e Araraquara. Entre a segunda e a quarta-feira, por exemplo, choveu perto de 250 milímetros em Iguape, no litoral sul de São Paulo. É mais do que a precipitação prevista para a capital durante todo o mês de fevereiro.

CGE

Ontem à tarde voltou a chover na capital. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) chegou a decretar estado de atenção na zona sul por uma hora. Hoje, a previsão é de tempo nublado e chuvas isoladas no decorrer do dia. As temperaturas ficarão entre os 20°C e os 31 °C.

COLABOROU LAIS CATTASSINI

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Por mês, SP tem 3 vezes mais desabamentos

Cidade impermeabilizada e chuva atípica agravam quadro

 

Renato Machado – O Estado SP

 


A média mensal de desabamentos de residências na cidade de São Paulo neste ano já é três vezes maior que a registrada em 2008. Em menos de dois meses – entre 1º de janeiro e ontem -, a Defesa Civil Municipal registrou 43 casos, média superior a 21 por mês. Em todo o ano passado, foram 89 desabamentos ao longo dos 12 meses, aproximadamente 7 mensais.

A situação é pior em relação aos deslizamentos de terra. Foram registradas em menos de dois meses 24 ocorrências desse tipo, o que corresponde a 77% do número total de casos do ano de 2008 – 31. Uma das causas apontadas para esse quadro é o nível atípico de chuvas. De acordo com a Climatempo, foram registrados em janeiro 350 milímetros de chuva, quando a média histórica para o mês é de 240 mm. Neste mês, foram 190 mm de chuva até as 9 horas de ontem, pouco abaixo da média de 220 mm.

Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Orlando Rodrigues de Camargo Filho, a situação é agravada pela quantidade de famílias que vivem às margens dos rios e perto de encostas. “A cidade está muito impermeabilizada, então uma chuva mais intensa provoca grandes estragos.”

Alguns casos podem ser considerados tragédias anunciadas, como o da noite de anteontem, no Parque Colonial, em São Mateus, na zona leste. O vendedor Nelson Bossi, de 48 anos, havia telefonado no mesmo dia para o telefone 156 da Prefeitura para alertar que sua casa apresentava riscos. Após a instalação de uma antena de telefonia na região e, principalmente, por causa de uma obra ao lado, a casa em que vive com outros sete parentes passou a ter infiltrações e rachaduras.

A atendente do serviço registrou todos os dados e afirmou que a reclamação seria passada para a Defesa Civil Municipal e um atendimento ocorreria entre 1 e 40 dias. “Em nenhum momento, a atendente me falou que o telefone da Defesa Civil era outro e seria mais rápido se eu ligasse direto para eles”, diz Bossi. O coronel Camargo vai averiguar o caso, pois situações de emergência têm prioridade.

Por causa da chuva forte, a obra alagou e a água começou a pressionar o muro que faz divisa com a casa de Bossi. Às 21h30, a parede cedeu e destruiu a sala e a cozinha. Os irmãos de Nelson Bossi – José Roberto, de 42 anos, e Luís Antônio, de 49 – estavam na sala, assistindo à televisão, quando a parede desabou. Os dois tiveram escoriações no corpo. A mais atingida foi a sobrinha do vendedor, Jaqueline Matos, de 11 anos, que usava o computador na sala e teve fraturas na clavícula e no tornozelo e diversos cortes no rosto. Ela está internada no Hospital São Miguel e não corre risco. A avó da menina, Vera Lúcia Bossi, de 47 anos, teve cortes no rosto, foi hospitalizada e teve alta ontem.

Também anteontem, outras duas pessoas morreram vítimas de um desabamento em Tremembé, na zona norte da cidade. Edinalvo Ferreira de Lima, de 26, e Maxwel Santos de Oliveira, de 17 anos, trabalhavam em uma obra quando a forte chuva fez ruir uma pilha de madeiras e tijolos. Lima veio para São Paulo há dois meses para trabalhar. De acordo com vizinhos, ele deixou na terra natal a mulher, que está grávida, e seu objetivo era juntar dinheiro e voltar para o Nordeste. Ele fazia diversos trabalhos com construção na região e sempre era ajudado pelo primo, Maxwel Santos de Oliveira.

Por causa da chuva anteontem, os primos resolveram descer da parte de cima do sobrado em construção e buscaram abrigo da chuva embaixo da laje. A força da água, no entanto, provocou o soterramento dos dois. Ainda não se sabe a hora exata em que o acidente ocorreu, pois ninguém presenciou.

À noite, a mãe de Oliveira foi procurá-lo e um comerciante disse que os tinha visto trabalhando à tarde. Quando chegaram à obra, ligaram para o celular do adolescente e viram que o toque vinha de dentro do canteiro. Os corpos foram resgatados por volta de meia-noite e seriam velados ainda na noite de ontem.

FRASES

Coronel Orlando de Camargo Filho,
Coordenador da Defesa Civil Municipal

“A cidade está muito impermeabilizada, então uma chuva mais intensa
provoca grandes estragos”

Nelson Bossi
Vendedor

“Liguei alertando e ninguém fez nada. Agora está tudo destruído e não tenho para onde ir”

27/02/2009 - 09:54h Kassab vai manter lago poluído

Gabriela Gasparin do Agora

Sob descontentamento dos frequentadores do parque da Aclimação, a prefeitura voltará a encher o lago da área verde amanhã sem a retirada do lodo e lixo acumulados no fundo do ex-lago. O material, além de malcheiroso, transmite doenças à população.

O lago esvaziou na segunda-feira após o vertedouro (equipamento que controla o nível de água do lago) ter a base rompida durante um temporal. Animais morreram.

O Prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que o motivo da tragédia não foi falta de manutenção, mas a pressão que a água da chuva provocou no equipamento.

O reparo da base do vertedouro deve ser finalizado hoje pela empresa contratada emergencialmente por cerca de R$ 160 mil. Será feito o encaixe de um tubo de concreto na base rompida e o lago voltará a ser enchido.

Kassab disse anteontem que não haverá a necessidade de retirar o lodo antes de encher. Segundo o prefeito, o material será removido com o lago já cheio, quando será colocado um novo vertedouro e as galerias da região serão revistas. A previsão do prefeito é que essa etapa esteja concluída em até 10 meses por causa da licitação. Kassab disse que a obra já estava prevista antes da tragédia e estava orçada em R$ 20 milhões.

Descontentamento
A ideia de colocar água sobre o lamaçal que restou do que era um lago, entretanto, não agradou nem um pouco os frequentadores do parque.

Indignada, a população quer que o material seja retirado antes de encher o lago de novo. Além de peixes mortos que provocarão mal cheiro, há pneus, bacias, entulho, pedaços de madeiras e garrafas no lodo.

A Assuapa (Associação dos Usuários e Amigos do Parque Aclimação) fará um movimento amanhã exigindo a retirada do lodo antes de o lago encher. “Aconteceu uma tragédia, a prefeitura não tem que ficar fazendo licitação para a retirada do lodo”, disse o diretor da entidade, Roberto Casseb. A associação pretende montar um conselho para a recuperação do lago.

Ontem pela manhã, a sujeira do lago seco prendia a atenção visitantes do parque, que paravam para assistir à cena. “Eu queria saber como que essa sujeira entrou aqui. Podia aproveitar que o lago secou para tirar a lama”, disse a atendente Solange Guimarães, 28 anos, que visitava o parque na tarde de ontem.

O lodo do parque pode transmitir doenças, como hepatite e leptospirose, às pessoas, segundo o infectologista Paulo Olzon. O zootecnista da Unesp (Universidade do Estadual Paulista) disse que, apesar de não fazer mal aos peixes, é correto retirar o lodo do fundo do local onde havia o lago.

27/02/2009 - 09:12h Lodo contaminado de lago vaza para as ruas da Aclimação

Lama e peixes mortos vieram de bueiros; prefeito admite que sujeira pode até fazer mal

Marcela Spinosa e Mônica Cardoso – O Estado SP

Pelo menos três ruas vizinhas do Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, amanheceram ontem com lama e peixes mortos. A sujeira subiu pelos bueiros, por onde passa a galeria de água pluvial. A tubulação sai do vertedouro, que rompeu segunda-feira e sugou, em menos de uma hora, a água do lago. Sem a “tampa”, a sujeira escoou pela estrutura, com a chuva de anteontem. Segundo a Prefeitura, o refluxo da água pelo bueiro pode ter sido causado pela própria galeria, que não suportaria o volume de água.

Os moradores receiam pegar algum tipo de doença se entrarem em contato com o lodo, uma vez que o lago recebeu esgoto até 2007, quando foram fechadas 42 ligações clandestinas. O prefeito Gilberto Kassab admitiu que o material está contaminado. Para o professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo, Paulo Ozon, é preciso evitar o contato. “As pessoas que entraram em contato com o lodo podem desenvolver leptospirose e salmonelose (doenças causadas por bactérias). Elas devem procurar o médico e fazer uso de antibióticos.”

Os sintomas da leptospirose incluem febre alta, dor de cabeça forte, calafrio, dor muscular, vômito, olhos e pele amarelada, dor abdominal, diarreia e erupções na pele. Os sintomas mais comuns da salmonelose são diarreia, febre, cãibras estomacais, náusea, vômitos e dores de cabeça.

Apesar de estarem acostumados com enchentes, os moradores das Ruas Oscar Guanabarino, Maracaí e Albina Barbosa nunca imaginaram que veriam as vias com lodo. “Jorrava pelo bueiro. Parecia um poço de petróleo de tão escura que a água estava”, afirmou a aposentada Neide Moraes Fera, de 63 anos. Ela disse que a chuva durou cerca de 20 minutos, mas foi suficiente para deixar marcas de quase 1 metro de altura nas paredes. E pelo menos 17 rachaduras abriram no asfalto da Albina Barbosa, por onde passa a tubulação.

OBRA

Para evitar que o lodo do lago da Aclimação caia no vertedouro, a empresa Épura, responsável pelo conserto da estrutura, cercou ontem com pedaços de madeira o buraco por onde a água do lago escoa. A reconstrução da parte danificada deve começar hoje. No interior da estrutura será colocado um tubo de concreto, que pesa 2.300 quilos.

26/02/2009 - 19:27h Horowitz em Viena

Vladimir Horowitz executa Consolação N° 3 in D flat major de Liszt; Momento musical in F minor D 780 N° 3 de Schubert e Etincelles Op. 36 N° 6 de Moszkowski

26/02/2009 - 13:43h Set to shrink (pronto para encolher)

Feb 25th 2009
From the Economist Intelligence Unit ViewsWire

Brazil’s economy will probably shrink, despite official efforts

With global economic conditions deteriorating further and signs that Brazil’s domestic economy is grinding to a halt, the Economist Intelligence Unit now expects the country’s GDP to contract, albeit modestly, in 2009. This will occur despite government stimulus measures and monetary easing. Although we currently foresee a recovery of growth in 2010, this year’s severe downturn and accompanying rise in unemployment nonetheless will complicate presidential politics, reducing the incumbent party’s chances of being returned to power in next year’s elections.

The state of the world economy is worsening at an alarming rate, with national-accounts data showing a sharp downturn in the major economies in the fourth quarter of 2008. As a result, the Economist Intelligence Unit has further lowered its forecast for world growth. We now expect global GDP to contract by 1.9% in real terms in 2009; this is down a full percentage point from our previous forecast of 0.9% shrinkage, made in mid-January.

This downturn in external conditions will further damage Brazil’s economic activity. Already, the most recent industrial, employment and other indicators point to a sudden and rapid decline in activity in Brazil, underscoring how falling commodity prices and shrinking global demand are fast impacting even the more resilient emerging-market economies. While Brazil is still holding up better than Mexico—the second-largest economy in Latin America—earlier projections of moderate growth this year have had to be adjusted downwards.

Nowhere to go but down

Following the very weak industrial production data for November and December—in the latter month alone industrial output plummeted by 14.5% year on year—we expect a period of prolonged inventory adjustment, depressing investment and employment. As a result, we have revised our forecast for Brazil’s GDP growth this year to -0.5% (versus a previous growth forecast of 1.6%). Gross fixed investment will shrink more markedly, by 8%, while private consumption growth is forecast to decline by 0.8%. Even assuming that government consumption growth will remain robust thanks to fiscal stimulus measures, domestic demand overall is forecast to contract by 1.5%, ending five consecutive years of expansion.

Credit growth, which was an important driver of economic expansion in recent years, will be rationed in the next two years. With interest-rate spreads set to remain very high, despite monetary easing, servicing existing debts will be a major strain on household budgets. This will force a retrenchment on the part of consumers and lead to the postponement of many investment decisions.

Significantly weaker external demand will result in a sharp contraction in export volumes in 2009 for the first time since 1996. However, downgrades to our domestic demand projections suggest that this export downturn should be outweighed by a marked contraction in real imports. This will result in a positive contribution of the external balance to overall growth in 2009 (though it is set to turn negative again in 2010, but less markedly so than in 2007-08).

Supply-side woes

On the supply side, we project a notable slowdown of agricultural growth in 2009 and stabilisation in 2010 following two particularly strong years of investment and external demand. Industrial production growth will contract amid tight credit conditions and weaker exports. Notwithstanding infrastructure investment and government house-building incentives, construction is expected to slow sharply as a result of much weaker private investment.

Extractive industries are expected to contract sharply amid a stark slowdown of China’s real GDP growth. Capital goods industries will have a much weaker year in 2009, but on the assumption of a tepid recovery of domestic and external demand towards the end of this year these industries will strengthen modestly in 2010. Activity in the financial sector, which has been one of the strongest growth areas in recent years, will slow sharply in 2009, but this will result from a cautious approach on the part of lenders, which will shore up balance sheets to underpin sustainable expansion in the medium term.

Anti-crisis measures

The government is applying the full range of fiscal and monetary policies to bolster domestic demand and prevent a further deterioration in the economy. To boost credit supply and demand, on January 21st the central bank slashed the benchmark overnight interest rate, the Selic, by one percentage point, to 12.75%, putting it at its lowest level since March of 2007. Additional rate cuts are expected in the months to come.

In prior months, the authorities injected some US$100bn into the banking system and currency markets, reduced taxes, and offered new credit lines from state banks for the agriculture and industrial sectors, along with other counter-cyclical measures to prop up economic activity. However, these efforts will not prevent a recession this year.

We expect that a tepid recovery in external demand in 2010 to be reinforced by a lagged boost to household expenditure from monetary easing and lower inflation. However, given an expected rise in unemployment across all sectors this year and weak prospects for export markets, confidence will not bounce back rapidly. We continue to project only a modest recovery of growth of just 3.2% in 2010.

Political implications

Still, this year’s economic deterioration and rising unemployment will factor into campaigning ahead of the October 2010 general elections, making it more difficult for the ruling leftist Partido dos Trabalhadores (PT) to secure a third term. The incumbent, Luiz Inácio Lula da Silva, is charismatic enough to weather a severe economic downturn, but he is constitutionally ineligible to stand for a third consecutive term. Mr Lula da Silva’s preferred successor is Dilma Rousseff, the presidential civil chief-of-staff. Assuming she will be the PT candidate, Ms Rousseff has a major opportunity to capitalise on Mr Lula da Silva’s popularity, but her ability to do so is still uncertain at this early stage.

Much will depend on the extent to which the government’s flagship Programa de Aceleração do Crescimento (PAC, growth-acceleration programme), which is being co-ordinated by her, and poverty-alleviation policies are successful in moderating the domestic impact of the global recession. Economic difficulties may favour the likely candidacy of José Serra, the current governor of São Paulo state for the opposition centrist Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), who has been leading in voter polls. The Economist Intelligence Unit anticipates a high possibility of a close-run contest between Mr Serra and Ms Rousseff in 2010.

With global economic conditions deteriorating further and signs that Brazil’s domestic economy is grinding to a halt, the Economist Intelligence Unit now expects the country’s GDP to contract, albeit modestly, in 2009. This will occur despite government stimulus measures and monetary easing. Although we currently foresee a recovery of growth in 2010, this year’s severe downturn and accompanying rise in unemployment nonetheless will complicate presidential politics, reducing the incumbent party’s chances of being returned to power in next year’s elections.

The state of the world economy is worsening at an alarming rate, with national-accounts data showing a sharp downturn in the major economies in the fourth quarter of 2008. As a result, the Economist Intelligence Unit has further lowered its forecast for world growth. We now expect global GDP to contract by 1.9% in real terms in 2009; this is down a full percentage point from our previous forecast of 0.9% shrinkage, made in mid-January.

This downturn in external conditions will further damage Brazil’s economic activity. Already, the most recent industrial, employment and other indicators point to a sudden and rapid decline in activity in Brazil, underscoring how falling commodity prices and shrinking global demand are fast impacting even the more resilient emerging-market economies. While Brazil is still holding up better than Mexico—the second-largest economy in Latin America—earlier projections of moderate growth this year have had to be adjusted downwards.

Nowhere to go but down

Following the very weak industrial production data for November and December—in the latter month alone industrial output plummeted by 14.5% year on year—we expect a period of prolonged inventory adjustment, depressing investment and employment. As a result, we have revised our forecast for Brazil’s GDP growth this year to -0.5% (versus a previous growth forecast of 1.6%). Gross fixed investment will shrink more markedly, by 8%, while private consumption growth is forecast to decline by 0.8%. Even assuming that government consumption growth will remain robust thanks to fiscal stimulus measures, domestic demand overall is forecast to contract by 1.5%, ending five consecutive years of expansion.

Credit growth, which was an important driver of economic expansion in recent years, will be rationed in the next two years. With interest-rate spreads set to remain very high, despite monetary easing, servicing existing debts will be a major strain on household budgets. This will force a retrenchment on the part of consumers and lead to the postponement of many investment decisions.

Significantly weaker external demand will result in a sharp contraction in export volumes in 2009 for the first time since 1996. However, downgrades to our domestic demand projections suggest that this export downturn should be outweighed by a marked contraction in real imports. This will result in a positive contribution of the external balance to overall growth in 2009 (though it is set to turn negative again in 2010, but less markedly so than in 2007-08).

Supply-side woes

On the supply side, we project a notable slowdown of agricultural growth in 2009 and stabilisation in 2010 following two particularly strong years of investment and external demand. Industrial production growth will contract amid tight credit conditions and weaker exports. Notwithstanding infrastructure investment and government house-building incentives, construction is expected to slow sharply as a result of much weaker private investment.

Extractive industries are expected to contract sharply amid a stark slowdown of China’s real GDP growth. Capital goods industries will have a much weaker year in 2009, but on the assumption of a tepid recovery of domestic and external demand towards the end of this year these industries will strengthen modestly in 2010. Activity in the financial sector, which has been one of the strongest growth areas in recent years, will slow sharply in 2009, but this will result from a cautious approach on the part of lenders, which will shore up balance sheets to underpin sustainable expansion in the medium term.

Anti-crisis measures

The government is applying the full range of fiscal and monetary policies to bolster domestic demand and prevent a further deterioration in the economy. To boost credit supply and demand, on January 21st the central bank slashed the benchmark overnight interest rate, the Selic, by one percentage point, to 12.75%, putting it at its lowest level since March of 2007. Additional rate cuts are expected in the months to come.

We expect that a tepid recovery in external demand in 2010 to be reinforced by a lagged boost to household expenditure from monetary easing and lower inflation. However, given an expected rise in unemployment across all sectors this year and weak prospects for export markets, confidence will not bounce back rapidly. We continue to project only a modest recovery of growth of just 3.2% in 2010.

Political implications

Still, this year’s economic deterioration and rising unemployment will factor into campaigning ahead of the October 2010 general elections, making it more difficult for the ruling leftist Partido dos Trabalhadores (PT) to secure a third term. The incumbent, Luiz Inácio Lula da Silva, is charismatic enough to weather a severe economic downturn, but he is constitutionally ineligible to stand for a third consecutive term. Mr Lula da Silva’s preferred successor is Dilma Rousseff, the presidential civil chief-of-staff. Assuming she will be the PT candidate, Ms Rousseff has a major opportunity to capitalise on Mr Lula da Silva’s popularity, but her ability to do so is still uncertain at this early stage.

Much will depend on the extent to which the government’s flagship Programa de Aceleração do Crescimento (PAC, growth-acceleration programme), which is being co-ordinated by her, and poverty-alleviation policies are successful in moderating the domestic impact of the global recession. Economic difficulties may favour the likely candidacy of José Serra, the current governor of São Paulo state for the opposition centrist Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), who has been leading in voter polls. The Economist Intelligence Unit anticipates a high possibility of a close-run contest between Mr Serra and Ms Rousseff in 2010.

25/02/2009 - 17:25h Rapsódia húngara n° 2 de Liszt (com introdução do preludio n° 24 de Chopin)

Tom & Jerry

25/02/2009 - 16:25h Picasso se aparece entre los clásicos

 Mujer sentada
mulher sentada, Pablo Picasso

La National Gallery abre sus puertas por vez primera al arte posterior a 1900 con una retrospectiva del artista

ÁNGELES GARCÍA – Londres – El País

Pablo Picasso desembarca en Londres para exhibir con insolencia sus indiscutibles galones de revolucionario del arte del siglo XX… pero no lo hace en cualquier contexto. La exposición Challenging the past (Retando al pasado), un espejo del pulso que el genio mantuvo siempre con grandes como Ingres, Manet, Delacroix, Goya o Velázquez, se abre hoy al público en medio, si no de la controversia, sí de la sorpresa: nunca un artista posterior a 1900 había traspasado las puertas del sagrado templo artístico de Trafalgar Square.

 Desnudo con manos juntas
Nu com mãos juntas, Pablo Picasso

El interés cultural (y económico) que despierta el artista español logró que el prestigioso museo londinense llegase a un acuerdo con la Tate Modern para que esta insólita exposición se pudiera celebrar aquí.

Una grandiosa fotografía de Picasso en blanco y negro firmada por Werner Bokelberg en 1961 descubre una mirada con tanta determinación que casi asusta. Esa mirada picassiana única es el hilo conductor de un fascinante conjunto artístico que arranca con seis autorretratos de diferentes etapas, que sigue por las obras centradas en los desnudos femeninos, avanza por los retratos masculinos y acaba deteniéndose en las obras creadas como versiones de los grandes maestros de la historia. En total, la muestra de la National alberga casi un centenar de obras prestadas por grandes museos de todo el mundo y de colecciones particulares: un pequeño tesoro cuya contemplación conjunta será difícil de repetir.

Ann Robbins, una de las dos comisarias de la exposición, destaca el carácter autobiográfico de una muestra que ella califica de “restrospectiva de restrospectivas”, porque entra en todos y cada uno de los grandes temas del artista malagueño.

 Desayuno en la hierba, según Manet
piquenique no parque segundo Monet, Pablo Picasso

La comisaria añade que la exposición sólo se ve de forma completa cuando se visualiza la colección permanente de la National Gallery. Su gran propuesta es contemplar la galería a través de los ojos del propio Pablo Picasso.

El concepto que Ann Robbins ha manejado en el montaje de la exposición intenta zanjar de manera contundente la polémica suscitada sobre la conveniencia de mezclar arte antiguo y arte moderno. Además de que no hay duda sobre la consagración de Picasso en el Olimpo de los grandes maestros, Robbins considera que la mirada clásica se enriquece con la moderna y al revés.

No es arriesgado sostener que, si bien Picasso no llegó a conocer la National Gallery, seguro que habría aprobado el lugar elegido para dar a conocer la esencia de su obra. Con la Venus del espejo de Velázquez como estrella principal, en las salas se agolpan pinturas de Piero della Francesca, Leonardo da Vinci, Turner, Hogart, Rembrandt o Zurbarán. Un feliz (y atrevido) encuentro entre Picasso y sus maestros que proyectará una luz especial en Londres.

Hombre con sombrero de paja y helado, de Pablo Picasso

homem com chapéu de palha e gelado, Pablo Picasso

25/02/2009 - 15:05h Tarde demais para esquecer

O escritor londrino Hanif Kureishi lança, aos 55 anos, seu mais ambicioso livro, Tenho Algo a te Dizer, um balanço de sua geração em tom de farsa

 

Antonio Gonçalves Filho – O Estado SP

 


Como seus personagens, o escritor londrino Hanif Kureishi, aos 55 anos, não consegue se livrar do passado. Os personagens de seu novo romance, Tenho Algo a te Dizer (Companhia das Letras, tradução de Celso Nogueira, 504 páginas, R$ 62), sofrem da síndrome de Marienbad, fazendo tudo para esquecer o que aconteceu lá atrás – e quanto mais tentam, mais lembram. O psicanalista Jamal Khan, protagonista do livro, por exemplo, é atormentado pelo fantasma de um assassinato no passado e vive, no presente, um pesadelo com o filho problemático e uma irmã depressiva que, para sua raiva, começa a ter um caso com seu melhor amigo, Henry, famoso diretor teatral. Parece dramático, mas Kureishi, como sempre, dá um jeito de tornar a situação engraçada – e explica ao Estado, numa entrevista por telefone, de Londres, a razão de ter escolhido o caminho da farsa para enfrentar a tragédia contemporânea.

Tenho Algo a te Dizer fala de racismo, sexo fácil, imigrantes asiáticos e adolescentes quase autistas diante da televisão. É mais ambicioso que os outros livros de Kureishi (O Buda do Subúrbio, O Álbum Negro) por pretender ser um balanço de sua geração. Um entusiasmado crítico inglês chegou mesmo a dizer que se trata de uma história social da Grã-Bretanha dos últimos 40 anos, embora o autor, modestamente, diga que nunca perseguiu a ideia de produzir um épico. Ele está mais interessado em ser um cronista do presente, sobre o qual fala na entrevista a seguir.

Seu livro termina com a crescente paranoia sobre homens-bomba, indicando que os atentados de julho de 2005 em Londres não serão os últimos. Como você, que escreveu o primeiro livro explorando a jihad inglesa oito anos antes desses acontecimentos, O Álbum Negro, vê o recrudescimento do sentimento racista contra muçulmanos na Inglaterra?

De fato, costumo dizer que os muçulmanos europeus formam uma espécie de almas perdidas na tradução, tentando construir uma identidade para eles baseada numa religião puritana. Porém, não se deve defender por isso uma reação violenta contra o Islã. Pessoalmente, a monocultura é, para mim, uma anomalia. Sou pelo multiculturalismo, tenho fascínio por ele. É provável que nem todos dividam o mesmo credo, a julgar pela crescente paranoia que vem, não de julho de 2005, quando as bombas explodiram em Londres, mas do 11 de Setembro.

O estilo literário de Tenho Algo a Te Dizer tem a ver com a tradição satírica de Swift, no sentido de eleger a farsa para tratar de problemas sérios. Essa é uma maneira de dizer, parafraseando D.H. Lawrence, que a nossa é uma era essencialmente trágica, mas incapaz de entender a tragédia?

Não acho que caminhamos para o cinismo apenas por ver as coisas de modo diferente dos gregos. Vivemos, sim, uma tragédia cotidiana, mas nosso dilema não é o de entender a tragédia, mas enfrentá-la. A verdade é que, a despeito da situação crítica mundial, não deixamos de ser otimistas. É o que muda nossa postura diante dos gregos. Quando criança, adorava comédia. A farsa foi meu caminho literário natural para entender o mundo. E continua sendo.

O psicanalista Jamal, personagem central de seu livro, acredita que a paixão sexual é a razão de viver de todo ser humano, mas você não parece dividir com ele essa opinião, considerando que, numa recente entrevista, você admitiu não ter mais ilusões sobre o sexo, falando mesmo num certo “thatcherismo da alma”. Pessoas da sua geração costumam – ou costumavam – dizer que sexo e amor são a mesma coisa. Você pensa diferente?

Há uma grande diferença entre intercurso sexual e libido, que pode estar ligada a uma outra atividade, como escrever livros, espécie de sublimação, admito, mas uma forma mais elevada de sexo. Passei anos fazendo sexo inconsequente, o que já não me interessa mais. Acho que houve uma vulgarização do sexo. No tempo de O Buda do Subúrbio, lutávamos contra a repressão sexual e hoje, liberados, vemos que as pessoas foram desumanizadas por conta da instrumentalização da sexualidade, esse ?thatcherismo da alma? que transforma o amor em mercadoria.

Você ocupa a cena literária há 20 anos, sempre elegendo temas polêmicos e personagens ambíguos, como o paquistanês de Minha Adorável Lavanderia, que faz uma “ponta” em Tenho Algo a Te Dizer. Autodestruição e irresponsabilidade parecem ser os traços comuns desses personagens. Como você constrói a identidade deles? Adota alguém conhecido como modelo?

Quando comecei a escrever nos anos 1980 adotava, de fato, pessoas reais como modelos de meus contos, novelas e peças. A maioria era uma combinação de gente que conhecia, mas isso foi mudando à medida que fui me conhecendo melhor e me interessando por outros temas além de preconceito racial e diversidade sexual. Não estou bem certo se meus personagens são autodestrutivos. Acho que alguns deles são irresponsáveis, mas isso é circunstancial.

Tenho Algo a Te Dizer pode funcionar como uma história social da Grã-Bretanha nos últimos 40 anos, como disse um crítico. Sua intenção foi mesmo a de escrever um épico ou fazer um balanço de sua geração?

É mais um balanço geracional de alguém que já passou dos 50 anos e que, jovem, tinha vergonha de ser descendente de paquistaneses. Queria acompanhar a evolução de personagens com o mesmo problema, como o garoto paquistanês que abre a “adorável lavanderia” com o amigo inglês e passa de um rejeitado “paki” (pejorativo para paquistanês na Inglaterra) a empresário conservador e bem-sucedido. Essa é a razão de Ali reaparecer em Tenho Algo a te Dizer. Sempre vi meus personagens como pessoas reais, que se transformam com o passar dos anos.

É comum ler resenhistas que comparam sua escritura à de Philip Roth e Saul Below, a despeito das nítidas diferenças entre seus livros e os deles. Quais eram suas referências no começo de carreira e agora?

Eram mesmo Philip Roth, Saul Below, Norman Mailer, além dos gigantes do romance francês, como Balzac. Hoje não tenho mais ídolos. Gosto de conversar com autores jovens e meus alunos. Tenho pouco contato com colegas escritores.

Há sempre um personagem homossexual em seus livros. Por que um homem casado e com três filhos se interessa tanto pelos gays? Você acha que homossexualidade é opção ou predestinação?

Não cheguei a nenhuma conclusão, mas acho que opção não é, de maneira nenhuma. Como uma criança pode escolher? No entanto, a inclinação homossexual surge na infância e ela nada pode fazer contra ela. Escrevo indiferentemente sobre gays e heterossexuais porque, para mim, a manifestação do desejo sexual impede pessoas de serem neuróticas, histéricas ou perversas.

Seu contato com a cultura pop é muito forte, a ponto de Mick Jagger ser mencionado no livro como o homem que recomendou a escola secundária em que Rafi, o filho do psicanalista Jamal, estuda. O que o pop significa para você?

Cresci na Inglaterra nos anos 1960, ou seja, num cenário inteiramente dominado pela cultura pop. Assim, é impossível renegar minha formação. Ainda amo o pop. As melhores cabeças da minha geração são do rock.

Freud está de novo no centro das discussões e também ocupa os pensamentos do principal personagem do livro, o psicanalista Jamal. Você, que faz análise, como vê suas teorias?

Freud é incontornável, o maior pensador crítico da sexualidade que o mundo já teve, além de um profundo estudioso de questões como o monoteísmo. A psicanálise me salvou das drogas e das obsessões sexuais. Pena não a ter descoberto antes. Escrevi Tenho Algo a te Dizer tendo em mente sua contribuição nos estudos sobre repressão sexual e O Mal-Estar da Civilização como guia.

Parece que seu público-alvo hoje é bem diferente do leitor que perseguia na época de Minha Adorável Lavanderia. Que tipo de leitor tinha em mente ao escrever Tenho Algo a te Dizer?

Primeiro, nunca tive em mente um só tipo de leitor, mesmo quando escrevi o roteiro de Minha Adorável Lavanderia, que poderia, teoricamente, ser dirigido aos gays. Escrevo para entender a mim mesmo, para me entreter.

Mesmo falando de coisas como preconceito racial e fundamentalismo religioso?

Sou fascinado pelo estudo das religiões, mas não estou interessado em nenhuma delas em particular. Frequentei, sim, uma mesquita quando meu pai morreu, mas para entender sua formação cultural, não porque pretendia me converter ao islamismo.

Você acredita que a Inglaterra se tornou mais racista desde que era criança e sofria o preconceito de colegas brancos? Ouvi dizer que você foi preso e o policial londrino disse que tinha uma “aparência mediterrânea”. Como reagiu a essa provocação?

Há muitas formas de racismo na Europa. A desse policial é apenas uma entre muitas. É difícil erradicar o racismo. Sempre haverá alguém disposto a odiar o outro por causa de sua cor, religião ou preferência sexual. Isso é inevitável. O que não é lícito permitir é a repressão da criatividade e das liberdades fundamentais. Preparo uma adaptação teatral de O Álbum Negro, que deve estrear em julho, em Londres, justamente por acreditar nisso.

25/02/2009 - 11:44h Prefeitura não tem prazo para a recuperação de lago

Prefeito nega que tenha havido falta de manutenção, mas admite que desgaste do vertedouro e temporal possam ter causado acidente ambiental. CGE, contudo, diz que chuva na região estava dentro da média para estação

MARCELA SPINOSA, JT

marcela.spinosa@grupoestado.com.br

A forte chuva de anteontem e o desgaste do vertedouro, sistema hidráulico que regula o nível de água, podem, segundo o prefeito Gilberto Kassab (DEM), ter causado o rompimento da tubulação que escoava o excesso de água do lago do Parque da Aclimação. Em uma hora, o acidente secou o lago e provocou a morte de peixes e aves – em número ainda desconhecido pelas autoridades.

Técnicos da empresa Épura, contratada ontem pelo município para investigar as causas, devem entrar hoje na tubulação para analisar a estrutura. Depois que descobrirem as causas do acidente e fizerem a despoluição da área, a Prefeitura informou que reconstruirá um novo lago, mas não apresentou um prazo para isso.

O vertedouro só não foi inspecionado ontem porque foi preciso construir uma espécie de passarela para caminhar sobre o lodo. “Não tem como andar ali porque a lama chega na altura do peito”, disse Valter Luis Verdramin, diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave).

De acordo com a Prefeitura, o dano ocorreu na tubulação que fica na base do vertedouro. Com o rompimento, onde antes havia um cano para a água escoar, ficou um buraco. Ou seja, o lago perdeu a “tampa” que retinha sua água. O resultado foi a drenagem da água do lago, 70 mil m³ – equivalente a 30 piscinas olímpicas -, e de peixes, aves e outros bichos. A água e os animais foram levados pelo “ralo” do lago, que passa pelos córregos Pedra Azul e Jurubatuba antes de desaguar no Rio Tamanduateí.

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente não soube informar o número de animais mortos. Equipes de fauna da pasta trabalharam ontem no resgate dos sobreviventes e contaram com a ajuda de frequentadores .

“Além do volume de água bastante intenso tivemos, muito possivelmente, um desgaste do extravador”, afirmou ontem Kassab, durante visita ao Parque da Aclimação. O Centro de Gerenciamento de Emergências da Prefeitura informou que choveu anteontem na região central 51,4 milímetros, quantidade considerada normal para a época de chuvas.

Em relação à manutenção do vertedouro, Kassab afirmou que o parque e a água do lago passam por inspeções e manutenções rotineiras. A Secretaria do Verde e o Depave não souberam informar quando foi feita a última vistoria na estrutura. “Não havia indícios nas observações visuais de que o vertedouro tivesse algum problema”, disse o chefe de gabinete da secretaria, Hélio Neves.

Segundo ele, a despoluição do lago ocorria normalmente. Neves disse ainda que o processo de limpeza era feito pela estação de tratamento de água instalada no interior do parque, modernizada há um ano pela Sabesp ao custo de R$ 800 mil, e pela instalação da máquina que faz a circulação da água do lago, inaugurada há um mês ao custo de R$ 170 mil. “A recirculação (da água) trata a água que já está no interior, sem haver necessidade de lançar líquido de fora no lago”, explicou.

Com a secagem do lago, foi possível ver a sujeira no interior dele. Ficaram à mostra pneus, pedaços de vidro, pedaços de plástico, garrafas, entre outros.

Ontem, durante o dia, técnicos da divisão de fauna retiravam os animais que insistiam em “nadar” no local. Apenas um deles resistiu: é um cisne negro fêmea que, até as 18h de ontem, continuava no meio do lago.

200 PEIXES E 40 AVES RESGATADOS

Técnicos da divisão de fauna da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente retiraram, desde anteontem, 40 aves aquáticas, como patos, gansos e marrecos, e 200 peixes, entre eles carpas, do lodaçal em que se transformou o lago

Os bichos foram levados para o Parque do Ibirapuera e devem ficar lá até que um novo lago seja reconstruído na Aclimação

O único animal que resistiu foi a fêmea de um cisne negro. Ela continuava lá até as 18h. Segundo técnicos, a ave está no meio do lago, o que dificulta seu resgate

25/02/2009 - 09:54h Nossa maior vergonha nacional

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Nicholas D. Kristof* – O Estado SP

Sempre considerei a assistência médica a maior vergonha deste país, uma vez que, para tê-la, gastamos o dobro do que muitas nações europeias, contudo a porcentagem de crianças americanas que podem morrer antes dos cinco anos é o dobro da das checas. Entretanto, ainda acho que nossa prioridade máxima deve ser a educação. Isto torna o novo pacote de estímulo fiscal um marco histórico, porque dará passos hesitantes rumo à reforma, com a alocação de mais de US$ 100 bilhões.

A verba destinada ao Departamento da Educação para o exercício fiscal do ano foi pouco mais que a metade disso, US$ 59 bilhões. O estímulo permitirá salvar as escolas dos Estados Unidos. Um estudo da Universidade de Washington calculou que, sem ele, a recessão faria sumir 570 mil vagas nas escolas.

“Nos esquivamos de um canhonaço do tamanho de um trem de carga”, observa Amy Wilkins, do Education Trust, grupo de ativistas de Washington. Indagamos aos que se opõem aos gastos com educação: Vocês acham realmente que eliminar meio milhão de empregos na área da educação será bom para a economia, para as nossas crianças e para o nosso futuro? O secretário da Educação, Arne Duncan, define o estímulo como uma “oportunidade fantástica”. E argumenta: “Precisamos aprender a produzir uma economia melhor e só se fará isso a longo prazo”.

É exatamente isto, e é por este motivo que mudei meu ponto de vista quanto à importância relativa da educação e da saúde. Um dos livros mais sensacionais de 2008 é “The Race Betweeen Education and Technology” (A corrida entre educação e tecnologia), de Claudia Goldin e Lawrence F. Katz, professores de Harvard. Eles mostram que a vantagem dos EUA na área da educação criou prosperidade e igualdade, mas que esta vantagem se dissipou por volta dos anos 70, e desde então, o país foi superado por vários outros. Talvez devêssemos ter travado a “guerra contra a pobreza” com escolas, ou, como veremos, com professores.

Alguns programas de educação produziram excelentes resultados, permitindo superar as patologias da pobreza. Por exemplo, crianças que se beneficiaram com o programa Perry da Pré-Escola, no Michigan, registraram 25% menos probabilidades de abandonar o colegial do que seus contemporâneos do grupo de controle, e cometeram 50% menos crimes violentos. Além disso, tiveram 33% menos probabilidades de se tornarem pais na adolescência ou tóxicodependentes, e 50% menos de procurar o aborto.

Do mesmo modo, o programa KIPP (Programa Conhecimento é Poder), tema de um belo livro escrito por Jay Mathews, gerou reações entusiastas nas escolas. O programa transformou a vida de estudantes de baixa renda.

Há perguntas legítimas sobre a possibilidade de adequar estes programas e de fazer com que sejam bem sucedidos se forem adotados mais amplamente. Mas sabemos que o atual sistema nacional de educação está falido, e que não estamos nos esforçando para salvá-lo.

“Graças aos dados coligidos, temos uma boa noção de onde se encontram as grandes oportunidades”, observa Douglas Staiger, economista do Dartmouth College. O problema maior são as escolas do curso colegial – ainda não temos a noção exata de como salvá-las. Mas existe entusiasmo pelo que aprendemos sobre a educação na escola fundamental.

Em primeiro lugar, bons professores são mais importantes do que qualquer outra coisa. Ter um grande professor é muito mais fundamental do que estar em uma classe pequena, ou frequentar uma boa escola com um professor medíocre. Estudo realizado em Los Angeles sugeriu que o aluno que cursa quatro anos consecutivos com um professor que pertence aos 25% mais preparados, terá condições de superar a discrepância existente entre os testes dos alunos e negros e dos brancos.

Em segundo lugar, os métodos usados neste país para a seleção de professores, ou para determinar quais são os bons, não funcionam. O estudo mais recente elaborado pelo Departamento da Educação, publicado este mês, mostrou que não há correlação entre a licenciatura do professor e sua eficiência. Particularmente na escola elementar, também não parece importante saber se o professor tem diploma de universidade ou se cursou uma faculdade melhor ou obteve as melhores avaliações (SATs).

Logo, investir em um sistema falido não bastará para saná-lo; por outro lado, prevê-se a necessidade de recursos num pacote que implique a eliminação da licenciatura, melhor avaliação com testes dos professores mais eficientes, e então uma remuneração muito maior – com bonificações especiais aos que lecionam em escolas “ruins”.

Uma das maiores injustiças deste país é que os melhores professores ensinam aos estudantes mais privilegiados. Enquanto isso, os estudantes menos privilegiados invariavelmente têm, ano após ano, os professores menos eficientes – até que abandonam a escola. Este pacote de estímulo oferece uma nova esperança.

25/02/2009 - 09:06h Crise da economia e agenda da sucessão

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Rosângela Bittar – VALOR

A partir de agora e, com epicentro em junho e julho, registra-se no calendário político a pré-campanha para escolha do sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que se vislumbra, numa antecipação de cenário, é que a eleição de 2010 não será um passeio para ninguém. Será uma eleição disputada e a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está muito forte.

Nem tanto pelo percentual de intenção de voto que angariou. Embora este seja crescente, mais importante é o índice de mais de 20% de votos para o presidente Lula na declaração espontânea. Desprezando a polêmica sobre se há ou não transferência de voto, a declaração espontânea de voto em Lula evidencia como o seu apoio será importante para a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua candidata. Não é o suficiente para declará-la previamente eleita, mas para aumentar, sem contestações, o peso da candidatura.

Voltam-se os especialistas em campanha, então, para aquilo que pode afetar, numa simplificação, a enorme adesão ao presidente, a sua popularidade. E a vigilância atenta ao que já foi identificado como único fator que pode modificar este quadro de vantagens: a crise econômica internacional e seu reflexo no Brasil.

Os especialistas em marqueting que trabalham para o Palácio do Planalto sabem que se a crise se prolonga até a eleição, o voto estará condicionado ao nome que melhor pode administrá-la. Nada impede que este nome seja o de Dilma. Porém, de como o governo administra a crise, hoje, e dos resultados que venha a obter, depende a candidatura, que pode ser contaminada por uma avaliação negativa da gestão.

Esta avaliação, hoje, é ótima. A estratégia de propagar o otimismo, desenvolvida pelo presidente Lula, deu certo. Administrando a crise com o discurso do otimismo, do estímulo ao consumo, da disponibilização de dinheiro para crédito, mesmo sem conseguir contornar problemas provocados por instituições sob seu controle direto, Lula fez a população acreditar na sua escolha de soluções e consolidou níveis altíssimos de popularidade e confiança.

Esta popularidade atravessou de 2008 para 2009, inabalável, mesmo quando, em dezembro, surgiram com força os primeiros obstáculos reais, com capacidade para afetar o cenário: as demissões. Registre-se que começou também aí uma maior tensão do governo com os efeitos da crise, evidenciando quanto enraizada está a ideia de que ela é determinante para o sucesso da candidatura Dilma.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou, no último mês do ano passado, a redução de 654 mil postos de trabalho. Em janeiro deste ano houve melhora com relação a dezembro, mas piorou o quadro na comparação com os meses de janeiro de outros anos, quando há sempre recuperação de perdas e saldo positivo. Desta vez, houve perda de 101 mil empregos.

As assessorias políticas, no governo, passaram a olhar a crise pelo fantasma do desemprego, a reunir-se com empresários, fazer apelos, receber sindicalistas e até a considerar suas propostas, entre elas as de tirar o crédito com recursos públicos às empresas que demitirem. O governo está ganhando tempo para ver se esta onda passa porque, a rigor, sabe que não pode pressionar como querem as centrais sindicais, sob pena de dar o passo fatal para sufocar as empregadoras.

Caracterizam-se como tentativa de vencer o tempo as explicações de que o presidente Lula foi surpreendido pelas 4 mil demissões na Embraer, há uma semana. Como é inacreditável que esteja tão mal informado sobre assunto tão crucial ao seu governo e ao desempenho de sua candidata à sucessão, está claro que o presidente se comporta como quem espera a onda passar para avaliar o estrago provocado.

Até agora, não se registram abalos na popularidade, nem problemas para a candidatura a presidente de Dilma Rousseff. Só isto, porém, não tranquiliza o staff presidencial. Pemanece o temor da imprevisibilidade da crise e da forma como, a cada momento, ela poderá causar impacto no Brasil.

Para esta onda de demissões, constatou o governo que não adianta muito a estratégia inicial do otimismo, ou a de responsabilizar, como adotou antes, inclusive chamando-os jocosamente às falas, o ex e o atual presidentes dos Estados Unidos.

O otimismo deu combustível, fôlego ao presidente para enfrentar, ainda em alta, as primeiras levas de demissões. Os especialistas não arriscam prever, porém, o que acontecerá agora, quando os fundamentos ainda suportam o tranco mas não se sabe se o eleitorado vai continuar acompanhando o raciocínio otimista.

A crise é a questão preponderante, talvez a única, capaz de influir e modificar a agenda da sucessão. A popularidade de Lula repercute na candidatura Dilma, e a crise repercute na popularidade. Foi redobrada a atenção aos desdobramentos da crise economica.

Ilusionismo

Não é real o desdém com que o governo reagiu às ações impetradas pela oposição junto à Justiça Eleitoral contra a intensificação da campanha da candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff, a Presidente a República. Diferentes representantes do governo têm repetido um termo recorrente na luta política que se pratica hoje, no Brasil, o de acusar o acusador sem contestar o conteúdo da denúncia. Dizem que a oposição deu “um tiro no pé” e só forneceu mais palanque e visibilidade à candidata Dilma. Na verdade, o maketing político do Palácio do Planalto preocupa-se e teme o rigor da Justiça Eleitoral, que vem se mostrando destemida no julgamento de campanhas antecipadas e uso da máquina pública. Duas transgressões fundamentais para tornar a candidata mais conhecida e associada ao presidente Lula.

Rosângela Bittar é chefe da Redação, em Brasília. Escreve às quartas-feiras

E-mail rosangela.bittar@valor.com.br

24/02/2009 - 19:48h Stefan Żechowski

“Maria Egipcjanka”
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Erotyk

 

“Erotyk z faunem”
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24/02/2009 - 19:06h Ferida

Augusto de Campos

fer
ida
sem
ferida
tudo
começa
de novo
a cor
cora
a flor
o ir
vai
o rir
rói
o amor
mói
o céu
cai
a dor
dói

24/02/2009 - 18:30h Luiza

P. Bellinati

Luiza

Composição: Antônio Carlos Jobim

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

Edu Lobo e Tom Jobim