A única verdade é a realidade

A eleição de Michel Temer (PMDB) para presidir a Câmara dos Deputados e de José Sarney (PMDB) para presidir o Senado pode não corresponder aos sonhos do PT. Mas o partido aprendeu (aprendeu?) que na política o determinante não são os sonhos ou os desejos e sim as relações de força.

Em novembro já era claro para muitos observadores, eu incluído, qual seria o desfecho da disputa no Senado. “não adianta invocar princípios ou equilíbrio quando as escolhas não deixam maiores alternativas. No PMDB existem lideranças provadas no apoio ao presidente que podem assumir responsabilidades nas mais diversas esferas do poder público, sem implicar em desprezo para os demais partidos, incluso o partido do presidente”.(Gotas, 7 de novembro 2008, nota ilustrada com uma imagem do senador José Sarney).

No contexto atual, vista a configuração partidária no congresso, o presidente Lula tinha que garantir esses cargos chaves para a base do governo. Conseguiu isolar a oposição que não teve qualquer peso nas escolhas feitas; garantiu o acordo feito com o PMDB na Câmara que previa o revezamento entre o PT e o PMDB e reduziu a escolha no Senado a dois nomes muito próximos dele, Sarney e Tião Viana. Lula pode exclamar, como já dissera o general Peron na Argentina, “a única verdade é a realidade”.

Com a vitória de Sarney, Lula obtém um bônus que dificilmente obteria com a vitória do candidato do PT: manter o PMDB pro-Lula unido e sem maiores rescaldos no próprio PT.

No contexto das relações de força existentes o presidente Lula sai vitorioso das escolhas no legislativo e deve aproveitar o momento para tentar adiantar a formalização das alianças para 2010, selando o apoio a Dilma e fechando o acordo PT-PMDB.

A dificuldade maior está nas costuras estaduais que exigem, além de habilidade política, a abertura de espaços de co-responsabilidade entre aliados, o que não raro produz atritos e desafetos que acabam tentados em ver o que oferecem na banca de enfrente. A experiência do relacionamento do governo federal com o PMDB no Estado de São Paulo é um exemplo do que deve ser evitado nas articulações de Brasília com as forças políticas estaduais. Lula já mostrou em relação a Bahia, ou ao Rio de Janeiro, que tem consciência muito clara dos obstáculos e fará de tudo para contorná-los. LF

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6 COMENTÁRIOS PARA "A única verdade é a realidade":

Comentado por geraldo em 03/02/2009 - 11:24h:

Viva o companheiro Sarney, um do próceres da ditadura militar!

Comentado por José Roque da Silva Neto em 03/02/2009 - 12:17h:

O Lula é mesmo merecedor de quantos mandatos for necessário, podem ser 3º, 4º até 10º. Ficou evidente a inocência dos emplumados dá dó!!Agora, o Lula pode escolher o vice para compor a chapa com Dilma em 2012 e partir para o abraço. Sim, ainda falta o famoso Plebiscito. Interessante é que os jornais de Pernambuco ainda falam que nosso grande presidente foi o mais derrotado nas eleições das duas casas. Quiiiiirias!!

Comentado por rafael j em 03/02/2009 - 16:45h:

Ou o Brasil acaba com a prostituição, ou a prostituição acaba com o Brasil.

Comentado por José Rocha em 04/02/2009 - 01:36h:

O povo ainda dá carradas de votos ao PMDB, que elege bancadas expressivas de senadores e deputados e é fiel da balança em qualquer disputa política no Brasil. Se o PT errar menos, comunicar melhor suas propostas ao povo e conseguir abrir mais brechas no cerco da mídia, elegerá mais deputados e senadores e poderá ter melhores condições de atingir seus objetivos nas duas casas.
Acacianamente simples assim.

Comentado por geraldo em 06/02/2009 - 11:10h:

A frase de Perón “A única verdade é a realidade” me faz lembrar daquela frase famosa de Jarbas Passarinho: Às favas com a ética.E viva o pragmatismo de Lula!

Comentado por geraldo em 06/02/2009 - 11:15h:

O blogueiro diz que não adianta invocar princípios ou equilíbrio quando as escolhas não deixam alternativas. Mas não era esse o partido paladino da ética e da moral que vem agora dizer que vale tudo para se manter no poder? PT,quem te viu, quem te vê!

 

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