EUA: Stiglitz e Roubini defendem estatização dos bancos

Para economistas, governo deve assumir controle de bancos falidos
Kuala Lumpur – O Estado de São Paulo
Embora contrária à ideia de livre mercado defendida pelos americanos, a estatização de bancos pode ser um antídoto para a crise financeira no país, segundo Joseph Stiglitz, ex-economista chefe do Banco Mundial e Nobel de Economia, e Nouriel Roubini, economista que previu a crise financeira.Em discurso a dirigentes de bancos centrais em Kuala Lumpur, na Malásia, Stiglitz disse que pode ser difícil para os americanos aceitarem a ideia, “mas nós devemos ir nessa direção”. Sobre o anúncio do pacote de mais de US$ 1 trilhão ao sistema financeiro feito ontem pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner, Stiglitz disse que, se está oferecendo bilhões para financiar bancos com problemas, o governo deveria ter um poder maior sobre eles.
Para ele, os temores sobre o controle do governo nos negócios privados são “em grande medida equivocados”. Os bancos vão continuar operando, mas haverá uma prestação de contas muito maior, afirmou Stiglitz. Segundo ele, até agora, o programa de ajuda fracassou. “É muito estranho ter um sistema de alocação de capital quando os que alocam o capital não carregam o risco; isso não é capitalismo, isso não é uma economia de mercado”, disse. “Todas as teorias sobre como uma economia de mercado funciona bem foram totalmente destruídas pelo papel que o governo tem assumido ao absorver o risco”, completou. “É hora de recomeçar”, acrescentou.
ROUBINI
Em Nova York, Nouriel Roubini defendeu, antes da divulgação do novo pacote financeiro, a estatização temporária. “Ninguém é favorável a que os bancos fiquem por muito tempo em poder do governo, mas se isto não for feito, vamos acabar como o Japão, que manteve vivos por uma década bancos zumbis que nunca se reestruturaram”, disse em entrevista publicada no Financial Times.
Segundo ele, após um período nas mãos do Estado, a privatização poderia ocorrer novamente em dois ou três anos. Ele estima que as perdas do setor financeiro ultrapassem US$ 3,6 trilhões até o fim do ano. “Vai ser muito pior. Melhor limpar tudo agora, estatizar e depois vender de novo ao setor privado.”
FRASES
Joseph Stiglitz
Nobel de Economia
“Todas as teorias sobre como uma economia de mercado funciona bem
foram totalmente destruídas pelo papel que o governo tem assumido ao
absorver o risco”
Nouriel Roubini
Economista
“Melhor limpar tudo agora, estatizar e depois vender de
novo ao setor privado”
Para Krugman, plano não está claro
O pacote de estímulo fiscal anunciado ontem pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, foi recebido com pessimismo pelo mercado. A falta de detalhes deixou muitas perguntas sem respostas.
Em entrevista ao ‘Wall Street Journal’, o Nobel de Economia e professor da Universidade Princeton, Paul Krugman, disse que para ele não estava claro o significado do plano. “Há uma interpretação de que (o pacote) não é tão ruim, mas não está claro se essa é a interpretação correta”.
Para o economista, em alguns pontos, o pacote parece ser melhor do que o pouco que havia sido vazado nas últimas semanas, mas mesmo assim, não está totalmente claro qual é o “plano”. “Eu realmente não sei, pelo menos baseado nas informações de hoje. Mas, talvez, apenas talvez, seja um Cavalo de Tróia trazendo a política certa”, disse Krugman.
2 COMENTÁRIOS PARA "EUA: Stiglitz e Roubini defendem estatização dos bancos":
SOU OBRIGADO A CONCORDAR COM O COMENTÁRIO ANTERIOR. PARECE DIFÍCIL DE ACREDITAR, MAS TALVEZ POR ISSO, A MAIOR PARTE NÃO SE DÊ CONTA.CRISE ECONOMICA É O MENOR DOS NOSSOS PROBLEMA, O QUE SE TEM A TEMER SÃO OS BASTIDORES…
Já li tudo que pude entender (ou não), sobre as multifacetadas realidades dessa crise mundial.
Não tenho dúvidas mas tenho suspeitas – de que a crise é menor.
Algo está a ser oculto, alguma intenção muito mais sórdida do que pensamos.
Tem a ver com água, matéria prima, soberanias sendo arrancadas às vistas, tem algo sério sendo maquinado.
Porque se fosse só o dinheiro –
Dinheiro ( lê se economia ) é como “geleca” nas mãos dos poderosos.
E, como as atrocidades de qualquer século foram cometidas por questões econômicas usadas como estandarte….sei não….
Tem algo.
Amei seu espaço.
Muito obrigada.